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Seab amplia discussões sobre sustentabilidade no campo em evento da Cocamar

Realizado em Floresta, no Noroeste do Paraná, o Safratec Cocamar 2023 deve reunir mais de 6 mil produtores dos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. O secretário Norberto Ortigara participou da abertura oficial.

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A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná participou nesta quarta-feira (18) da abertura da Safratec Cocamar 2023. Técnicos do Estado enfatizaram a necessidade de o Paraná continuar a desenvolver uma agricultura que se renova e que se sustenta para garantir que o Brasil e o Estado se mantenham como grandes fornecedores de fibra e proteína.

Realizado em Floresta, no Noroeste do Paraná, o evento apresenta novas tecnologias, oferece palestras técnicas e tem uma série de iniciativas voltadas à sustentabilidade – como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, incentivo à apicultura nas propriedades rurais, conservação de nascentes, geração de energia solar. O encontro abre as comemorações pelos 60 anos da Cooperativa Cocamar, criada em março de 1963.

Fotos: Evandro Fadel/Seab-PR

A produção sustentável foi destacada pelo secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, como estratégia fundamental para a agricultura. “O importante é fazer cada vez mais com menos recursos, cada vez mais voltado para o natural, para o biológico, para o bioinsumo sem discriminação de outros métodos”, incentivou. “Fazendo bem feito, com inovação, tratando com carinho o nosso solo, a gente vai muito longe. O Brasil terá muita relevância no mundo do alimento e, dentro dele, o Paraná, que tem a melhor agricultura do Brasil, fruto da persistência dos agricultores, do bom tratamento do solo, do modelo que a gente construiu, será referência”, complementou.

A balança comercial da agropecuária brasileira deixou no Tesouro do País, no ano passado, R$ 150 bilhões líquidos – no Paraná foram quase R$ 15 bilhões. Em dez  anos, o agro trouxe R$ 895 bilhões em dividendos. “O agro protege nossa economia e nossos negócios. Nós estamos nos empenhando para isso e a parceria com a Cocamar ajuda a manter esse ambiente ótimo para a produção”, salientou.

O presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, ressaltou a importância de observar os maquinários modernos e os frutos das pesquisas no Safratec. “É uma oportunidade de pensar no nosso desafio e nosso negócio. O Paraná alcançou esse patamar trabalhando de maneira integrada. Esse movimento não podemos perder de vista”, disse.

O presidente executivo da Cocamar, Divanir Higino, saudou dezenas de pessoas que compareceram à abertura do evento, que se estende até esta quinta feira (19). “Este é um dos trabalhos mais nobres da cooperativa, que é oferecer conhecimento, trazer a pesquisa, mostrar na prática o que é possível ser feito para garantir melhoria na produção”, disse. “Quando o produtor planta, ele planta fé, planta esperança, e espera excelente produção. Tudo mostra que estamos caminhando para isso”.

Safratec

Secretário da Seab, Norberto Ortigara: “O Brasil terá muita relevância no mundo do alimento e, dentro dele, o Paraná, que tem a melhor agricultura do Brasil, fruto da persistência dos agricultores, do bom tratamento do solo, do modelo que a gente construiu, será referência”

Principal vitrine tecnológica do agro regional, com a participação de dezenas de empresas parceiras e a apresentação de vários protocolos técnicos, pautados pela inovação, o Safratec inaugura também a programação comemorativa dos 60 anos da Cocamar e faz parte, ainda, das celebrações dos 50 anos da Embrapa, instituição com a qual a cooperativa desenvolve, historicamente, uma série de trabalhos.

A previsão é, nos dois dias, reunir mais de 6 mil produtores dos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, além de especialistas, pesquisadores, representantes de empresas parceiras participem da feira. Além de oito estações técnicas, várias das quais conduzidas por pesquisadores da Embrapa, o Safratec, em sua 35ª edição, oferece uma série de atrações, como agricultura de precisão e conectividade das máquinas, espaço de aquicultura, além das iniciativas voltadas à sustentabilidade.

Após uma pausa por conta da pandemia (2021 e 2022), o Safratec retorna com versão presencial e mantém a versão digital, com o conteúdo do evento ficando disponível na internet.

Fonte: AEN

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho

Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

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Foto: Freepik

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.

Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB

“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.

O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.

Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja

Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

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Foto: Breno Lobato

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.

O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.

Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.

Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho

Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.

Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.

Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.

Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.

A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.

Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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Colunistas

Seu contrato de arrendamento pode ser extinto

Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

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Foto: Divulgação/Sistema Faep

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).

Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.

Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.

Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.

Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.

A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.

Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.

Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.

E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.

Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.

Fonte: Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
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