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Avicultura Indústria

“Se você achar que a coisa não funciona assim, eu tenho a caneta pra fechar teu frigorífico”

14 pequenas e médias indústrias de abate de aves em SC desapareceram na última década por excesso de penalizações e ações trabalhistas, revela ex-empresário do setor

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“Se você achar que a coisa não funciona assim, eu tenho a caneta pra fechar teu frigorífico”. Essa foi uma das respostas que o empresário Valdir Luiz Sperandio diz ter recebido de um funcionário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), dentro de sua própria empresa. Esse tipo de comportamento ameaçador, o excesso de punições e as relações trabalhistas foram determinantes para que o grupo empresarial que Sperandio faz parte abandonasse a avicultura industrial, no ano de 2012, depois de anos de sucesso.

A unidade de abate de frango da Bondio Alimentos começou a ser planejada no ano de 2002. Em dezembro de 2012, começou o abate de 70 mil aves por dia. Entre 60 e 70% da produção era destinada à Europa e a empresa logo decolou. Mas pouco tempo depois, uma série de penalizações impostas pelo Mapa e pelo Ministério do Trabalho, aliado a uma crise, fez o empreendimento desmoronar. Em 2012, já vivendo a base de remédios, Sperandio decidiu vender o negócio. Uma experiência que, segundo ele, o levou do céu ao inferno e deixou traumas.

A Reportagem do jornal O Presente Rural encontrou Sperandio em agosto deste ano em Chapecó, SC, para saber um pouco mais sobre os motivos que levaram o grupo empresarial de sucesso a desistir da avicultura brasileira. E os motivos são muitos.

“Muita coisa eu deletei porque foi um pouco traumática nossa saída da avicultura. Nós (grupo) sempre viemos do setor de vendas de automóveis e caminhões, desde 1947, mas tínhamos o anseio de fazer uma indústria de alimentos. Acabou nos sendo proposto um abatedouro de matrizes. No entanto, era um negócio muito pequeno, então eu disse, se é para se botar em um negócio diferente, eu quero algo que faça a diferença para o grupo empresarial. Apareceram duas pessoas que eram oriundas do antigo frigorífico Chapecó, que estava fechando por dificuldades financeiras, e propusemos uma parceria de 10% para eles ficarem conosco para trazer o know how do negócio. A indústria tinha o objetivo de abater 70 mil aves por dia, só que o negócio deu tão certo – a gente partiu para o mercado internacional com frango desossado -, que tratamos esse negócio de forma diferente”, lembra Sperandio.

“Em 2000, três municípios se uniram para dar a infraestrutura para a agroindústria se estabelecer no município de Guatambu (Sudoeste de Santa Catarina). Essa união foi inédita a nível de Brasil. Começamos o abate em 2002. Houve esse sucesso no mercado, pois atingimos todas as habilitações possíveis, como mercado europeu, mercado japonês, abate hallal. Em 2007 atingimos a capacidade plena de 70 mil aves, então partimos para aumentar o abate para 100 mil aves”, recorda o empresário.

Mas a partir de 2008 as coisas começaram a piorar, revela Sperandio. “Toda nossa planta era automatizada, tudo que havia de tecnologia nós tínhamos implantado no processo. Estávamos no ápice. Como aqui é uma região que tem muitas agroindústrias, a mão-de-obra é fértil. Só que veio a crise de 2008, tivemos dificuldades nas exportações, mas especialmente dificuldades com liberação de linhas de crédito. Foi no auge em que o governo do PT (Partido dos Trabalhadores) elegeu os grandes players do mercado para jogar. A JBS foi uma. Tu batias na porta do BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), tinha dinheiro para a JBS, mas para as pequenas e médias empresas não havia nada. Para se ter uma ideia, éramos 14 pequenas e médias indústrias de Santa Catarina que abatiam frango. Não existe mais nenhuma. Todas estão nos grandes grupos, ou Aurora, ou BRF ou JBS. Você pode me dizer que uma ou outra foi mal gerida, eu poderia até concordar, mas todas as 14? Foi porque o setor estava contaminado. E isso ficou claro depois das revelações dos escândalos do governo federal”, menciona.

Mas para Sperandio, um dos fatores mais determinantes para a saída do setor foi o relacionamento com os profissionais do Ministério da Agricultura. Ele conta que sua experiência com a estrutura de fiscalização foi traumática. “Existe muita dificuldade na estrutura que o governo passado criou no Mapa no setor de fiscalização. Além de você ter um mercado extremamente competitivo, tem também que conviver com os entraves do Ministério. Eu vejo que a principal função da fiscalização é detectar os problemas, orientar e sanar, não o papel era de ser um punidor do empresário”, recorda.

A caneta e o cigarro

O papel punidor, diz Sperandio, ficou mais claro na mesma época da crise e do entrave em financiamentos. “Tínhamos um médico-veterinário (do Mapa) trabalhando na nossa empresa, que em função de ser concursado, ninguém tira ele. E ele ter um perfil de punir. Tivemos grandes problemas com ele. Para se ter uma ideia, na crise de 2008, uma das maiores que o setor passou, ele chegou ao ponto de pedir uma nova sala de SIF. Ele não teve a sensibilidade de observar que o mercado estava extremamente difícil e pediu um novo escritório do SIF, de 300 metros quadrados, onde tinha que ter TV de plasma, que à época nem os diretores tinham, micro-ondas, uma série de coisas. Peguei aquelas exigências e levei para o diretor do Mapa e disse: “é possível isso?. Me respondeu que ele tinha poder para pedir, mas geralmente com sensibilidade a pessoa retroagia. Aí fui tentar falar com esse senhor, que eu gostaria nunca mais me encontrar com ele novamente, e eu disse: vamos deixar passar a crise. Ele respondeu: “não estou pedindo, estou determinando. Se você achar que a coisa não funciona assim, eu tenho a caneta para fechar teu frigorífico”, lembra Sperandio. “Essa foi só uma conversa entre tantas. Essas pessoas têm o poder para fechar um frigorífico. Ao invés de se sensibilizar com o setor, ao invés de ajudar, orientar, ele saia notificando. Isso nos desmotivou”, sustenta.

Sperandio relembra um episódio que o deixou ainda mais indignado com as punições no Brasil, quando estava comprando uma máquina europeia. “Estávamos comprando uma desossadora de uma empresa europeia e os representantes vieram e nos mostraram alguns vídeos de como era o abate, como ela funcionava. Aí você via o funcionário com roupa civil, em algum momento tinha até um cidadão fumando. Isso me chamou muito a minha atenção a ponto de eu questionar eles. Porque as regras para nós são tão rígidas e lá fora, que é o grande mercado consumidor, que paga, não são. Vamos nos moldar às necessidades que temos e não penalizar”, diz.

Para Sperandio, apesar de fora da avicultura, mas como bom empreendedor, pouca coisa deve ter mudado. “Eu acredito que as indústrias de abate de aves estejam hoje sofrendo internamente as mesmas dificuldades que nós vivíamos. O Mapa precisa evoluir como tudo está evoluindo. As empresas cresceram, o governo está abrindo a mente com o mercado. O próprio Ministério tem que tirar essas amarras que o liga a ideologias políticas, e tenho certeza disso, para fazer ficar mais leve o cenário, para facilitar a vida do empresário. Houve um período, quando a esquerda assumiu o governo, que teve uma estruturação para um projeto de poder. E assim estavam estruturados todos os níveis de ministérios. De uma forma mais liberal, que é como o novo governo está entrando (e não digo que esteja totalmente certo), vai levar algum tempo para desmontar toda essa estrutura montada em governos anteriores. Aí sim vamos ser competitivos”, acredita o empresário catarinense.

Relações trabalhistas

A alta carga tributária e as relações de trabalho também desgastaram o grupo empresarial. Na época, as leis trabalhistas provocaram uma enxurrada de ações de ex-funcionários contra a Bondio Alimentos. “A alta carga trabalhista também determinou nossa saída do setor de abate de aves. Primeiro é um setor que tem muito turnover. Agora acredito que tenha mudado um pouco, mas era uma indústria de ações trabalhistas que surgiu. Os advogados trabalhistas viviam para tal. Os funcionários saíam da empresa, pediam demissão ou forçavam a demissão, pegavam o seguro desemprego por uns meses, entravam em outra indústria. A gente tinha que pegar funcionários a 300 quilômetros daqui. Quando vendemos a nossa unidade para a Aurora, em outubro de 2012, nós tínhamos 1,4 mil colaboradores e tivemos perto de mil ações trabalhistas. Ainda tenho ações que estão em última instância para resolver”, revela.

“Foi demandado um valor extremante alto, e o peso e à medida que se ajusta no Ministério do Trabalho não é o mesmo. O empregador já entra perdendo na sala de audiência. O melhor resultado de cada ação era perder menos, mesmo que a empresa tivesse direitos. Tu sentava na frente de um juiz trabalhista e ele que eu tinha razão, mas mesmo assim eu era intimado a fazer um acordo. Isso também desmotivou muito”, menciona o empresário.

Além disso, lembra Sperandio, a crise do milho ajudou a esmagar as pequenas empresas. “Fora tudo isso, veio a crise do milho. O preço do milho subiu demais e as pequenas agroindústrias evaporaram”.

Era o momento de parar

As dificuldades impostas pela avicultura industrial começaram a abalar até a saúde do empresário, que não conseguia mais dormir sem ajuda de medicação. Era a hora de parar. “Chegou um momento que me perguntei porque estava fazendo aquilo. Por ser empreendedor, tentei fazer um negócio diferenciado, mas essas dificuldades todas se impondo, percebi que não valia a pena. Vivia a base de remédios para poder dormir. Chegou o momento que dissemos, não é pra nós”, lamenta.

No entanto, Sperandio fica feliz pelo legado que deixou, afinal os empregos não foram perdidos. “Eu tenho a sensação de missão cumprida, mesmo que não tenhamos saído de forma satisfatória do negócio, pois os empregos foram mantidos, a cidade ganhou muito pois estourou a arrecadação de ICMS; nós fizemos pelo social. Foram quase dez anos, eu deletei muitas coisas porque a parte ruim você tem que deletar, mas fizemos muitas coisas certas”, aponta.

“No nosso caso, saímos de forma altiva, sem dever nada, mas muitos grupos perderam capital, deixaram na avicultura o que tinham ganhado em outros setores. Ficaram só a BRF, JBS e as grandes cooperativas. A própria Tysson (multinacional americana fundada em 1931) que veio para o Brasil não aguentou todas as dificuldades que estamos falando e foi embora”, recorda.

Mudanças

O empresário clama por mudanças que oportunizem melhores cenários para o setor avícola produzir. “A estrutura montada no Ministério espero e rogo que seja desmontada. Deve ser criada estrutura para orientar. A nossa região vive de frigoríficos, emprega muito, irriga muito a economia local, é um setor que distribui o PIB, precisa ser apoiado, não punido”, orienta.

Hoje, sete anos após deixar a avicultura, Sperandio tem convicção de que não volta para esse ramo. “Se tu me pedisse, voltaria a fazer hoje? Não voltaria!”.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura

Importância dos ângulos de viragem para melhor eclodibilidade e qualidade do pintinho

Ângulos de viragem incorretos reduzem eclodibilidade, qualidade do pintinho e fluxo de ar dentro da incubadora e aumentam o número de pintinhos mal posicionados

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Artigo escrito por Scott Jordan, especialista em Incubação e Serviços Técnicos da Cobb-Vantress

Ângulos de viragem incorretos reduzem a eclodibilidade, a qualidade do pintinho e o fluxo de ar dentro da incubadora e aumentam o número de pintinhos mal posicionados. Infelizmente, o impacto negativo das falhas de viragem na primeira semana não pode ser corrigido posteriormente durante a incubação.

O ângulo de viragem ideal para a maioria das incubadoras é de 39-45 graus. Os ângulos de viragem devem ser verificados pelo menos a cada 90 dias em uma máquina de estágio múltiplo. Esta verificação pode ser feita em coordenação com a calibragem de uma máquina de estágio múltiplo.

Enquanto espera que a sonda de temperatura se iguale à temperatura da máquina, aproveite para verificar o ângulo de viragem dentro da máquina. Em máquinas de estágio único, o ângulo de viragem pode ser verificado antes de cada carga ou na transferência.

Registre o ângulo de viragem e quaisquer ajustes feitos nos livros de registro da incubadora. Se ajustes frequentes de correção para o ângulo de viragem forem necessários, verifique se há barras tortas, problemas de mecanismo de viragem, peças desgastadas ou outros problemas mecânicos.

Existem várias ferramentas que podem ser usadas para verificar o ângulo de viragem, incluindo localizadores de ângulo manuais e digitais. Alguns aplicativos estão disponíveis para download e uso em seu telefone que podem ser usados para verificar o ângulo e até mesmo armazenar dados históricos.

Dicas para verificar o ângulo de viragem:

  • Em uma máquina com carrinhos portáteis, verifique o carrinho quando estiver carregado de ovos. Um carrinho vazio normalmente vira no ângulo correto, mas quando carregado com ovos, pode não conseguir atingir o ângulo correto.
  • Em uma incubadora de prateleiras fixa, verifique os ângulos de giro quando carregada com ovos. Permita que a máquina faça um ciclo completo de viragem a partir do controle. Não vire os ovos manualmente usando a chave de controle antes de verificar o ângulo. Algumas máquinas atingirão o ângulo correto quando viradas manualmente, mas não o farão quando viradas automaticamente.
  • Coloque o localizador de ângulo na bandeja de metal onde fica a bandeja de ovos. Se isso não for possível, coloque o localizador de ângulo na extremidade da bandeja.
  • É importante verificar todos os carrinhos da máquina. Em alguns casos, o carrinho mais próximo do braço giratório virará corretamente, enquanto o carrinho mais distante do braço giratório virará menos de 39 graus.
  • Em uma incubadora de prateleiras fixa, é importante verificar as seções frontais, intermediárias e posteriores em ambos os lados da máquina.

Eclodibilidade

Os ângulos de viragem inferiores a 39 graus reduzem a eclodibilidade em 1-2% e o número de pintinhos de primeira qualidade em 0,5-2,0%. Se o ângulo de viragem for inferior a 39 graus, virar os ovos duas ou quatro vezes por hora pode reduzir o número de embriões mal posicionados.

Algumas incubadoras de prateleiras fixa possuem um design muito simples para ajustar o ângulo de giro. Algumas incubadoras possuem carrinhos individuais que requerem manutenção de buchas de giro ou acopladores para corrigir o ângulo de viragem. Consulte o manual do operador da incubadora para obter detalhes específicos sobre como corrigir o ângulo de viragem.

A viragem do ovo é necessária para o desenvolvimento adequado do embrião, mas o ângulo de giro correto é igualmente importante. Garantir que o ângulo seja de 39-45 graus pode aumentar a eclodibilidade e a qualidade do pintinho, o que maximizará o número de pintinhos comercializáveis produzidos.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mulheres do Agro

Time 100% feminino comanda Centro de Diagnóstico de Sanidade Animal

São 42 colaboradoras dentro de um dos mais importantes elos do agronegócio, diretamente responsável pela sanidade animal e qualidade dos alimentos

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Há 15 anos dentro do Centro de Diagnóstico de Sanidade Animal (Cedisa), em Concórdia, SC, a médica veterinária Lauren Ventura Parisotto comanda um time formado 100% por mulheres. São 42 colaboradoras dentro de um dos mais importantes elos do agronegócio, diretamente responsável pela sanidade animal e qualidade dos alimentos.

Lauren conta sua trajetória no agronegócio e revela como é o dia a dia de uma organização integralmente tocada por elas. Apesar da circunstância, a gerente técnica e administrativa do Cedisa, que também é presidente da Associação Brasileira de Médicos Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves) Nacional, garante que o mais importante é lidar com seres humanos, independente do gênero. “O ambiente 100% feminino é desafiador. Acredito que por sermos mulheres somos capazes de nos perceber e constantemente usamos o nosso sexto sentido, lançando um outro olhar sobre o cotidiano. Também acredito que o desafio é liderar pessoas independente de gênero. Hoje, mais do que nunca, precisamos de líderes humanos, que buscam entender a cada um e a todos. Nossa missão é fazer com que os liderados evoluam e cresçam como pessoas e profissionais”, frisa.

O Presente Rural – Conte um pouco sobre sua vida profissional.

Lauren Ventura Parisotto – Graduei em Medicina Veterinária na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS em 1998. No mesmo ano fiz meu estágio curricular na Embrapa Suínos e Aves com o doutor Nelson Morés, meu querido e eterno mestre e a quem chamo carinhosamente de chefe até hoje. Após o período de estágio, retornei à Embrapa como estagiária do Cedisa. No ano seguinte surgiu a oportunidade de uma vaga de trabalho num convênio entre a Associação Catarinense de Criadores de Suínos – ACCS e a Embrapa e, o meu querido chefe me chamou em sua sala e disse que pelo meu empenho e dedicação a vaga era minha. Nunca mais esqueci estas palavras e as levo comigo até hoje. Neste período trabalhei no projeto de Pesquisa Linfadenite em Suínos e depois veio o Programa de Erradicação da Doença de Aujeszky em Santa Catarina. Neste último tive uma atitude corajosa, sabendo do projeto tive a ousadia de buscar a doutora Janice Ciacci Zanella e oferecer a ela os meus serviços. Disse-lhe que sabia que precisavam de uma médica veterinária para o trabalho e que eu buscava mais uma oportunidade. Este especialmente foi um período de muito aprendizado e amadurecimento.

Além destes, outros trabalhos surgiram, e sempre me coloquei a disposição para colaborar, ajudar e aprender. Nessa época conheci a Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – Abraves, entidade que nutro um sentimento de gratidão e carinho muito grande. A partir daí também tive oportunidade de atuar e contribuir com outras entidades de classe como o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina e Núcleos Regionais de Médicos Veterinários.

O Presente Rural – Por que decidiu trabalhar com a produção animal?

Lauren Ventura Parisotto – Desde minha formação básica em Técnica Agrícola, que cursei na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, sabia que esta área seria meu caminho profissional. Muito além da escolha da área havia meu sonho de ter uma formação e tornar-me independente. Foi desta forma que optei pela Medicina Veterinária e durante a graduação a suinocultura sempre foi minha escolha. A ela, devo todas as minhas conquistas.

O Presente Rural – Sentiu alguma resistência na profissão por ser mulher?

Lauren Ventura Parisotto -Não digo por ser mulher, mas ao exercer cargo de liderança, confesso que senti algumas resistências e enfrentei grandes desafios, que com resiliência, atitude e os meus valores consegui superá-los.

O Presente Rural – Como entrou no Cedisa?

Lauren Ventura Parisotto –  Em 2005, através de um convite feito pelo doutor Paulo Roberto Souza da Silveira, então pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, que naquele momento também assumiu a Presidência da Oscip/Cedisa. Confesso que levei um susto e pedi a ele um tempo para pensar. Então busquei alguns oráculos e neste momento mais uma vez meu “chefe” foi essencial na decisão, disse-me: “vai que estamos contigo”.

Quando percebi que meus conhecimentos técnicos, competência e atitudes não eram suficientes para a função, iniciei uma jornada de aprendizado em gestão, liderança, comunicação, inteligência emocional e todos os temas que me tornariam uma profissional melhor. Até hoje, todos os anos invisto parte do meu tempo em capacitação.

O Cedisa é mais que um trabalho, é uma relação de amor, respeito, admiração, verdade e muitas realizações junto ao grande time que construímos ao longo destes quase 15 anos de gestão e 31 de existência da entidade, que foi constituída e construída por muitas mãos. Sou grata a todos que me deram a oportunidade de conhecer o verdadeiro sentido da palavra realização profissional.

O Presente Rural – Qual a função do Cedisa? Explique algumas funções de cada profissional.

Lauren Ventura Parisotto – O Cedisa é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que presta serviços na área de análises laboratoriais de suínos e aves. Atende os ensaios dos Programas Nacionais de Sanidade Avícola e Suídea e o diagnóstico de doenças da produção desta duas espécies.

Nossa equipe é formada hoje por cinco médicas veterinárias, responsáveis técnicas pelas diversas áreas de serviços, tais como Sorologia, Bacteriologia, Patologia, Reprodução, Parasitologia e Biologia Molecular.

Além das RTs, contamos com auxiliares, assistentes e analistas de laboratório das áreas de Biologia, Tecnologia e Engenharia de Alimentos, entre outras. Ainda temos a equipe do setor administrativo que completa o nosso time.

O Presente Rural – O Cedisa é 100% mulheres desde quando?

Lauren Ventura Parisotto – Desde o ano de 2016 nossa equipe é 100% feminina, não foi uma escolha, foi circunstancial. No mercado de serviços laboratoriais, as mulheres são maioria.

O Presente Rural – Como é trabalhar somente entre mulheres no dia a dia?

Lauren Ventura Parisotto – O ambiente 100% feminino é desafiador. Acredito que por sermos mulheres somos capazes de nos perceber e constantemente usamos o nosso sexto sentido, lançando um outro olhar sobre o cotidiano. Também acredito que o desafio é liderar pessoas independente de gênero, hoje mais do que nunca precisamos de líderes humanos, que buscam entender a cada um e a todos e nossa missão é fazer com que os liderados evoluam e cresçam como pessoas e profissionais.

O Presente Rural – Como é pertencer a uma entidade tão importante formada só por mulheres?

Lauren Ventura Parisotto – É lindo, desafiador, motivo de orgulho e inspiração para fazer mais e melhor por cada uma delas que se dedicam, entregam e fazem do Cedisa uma empresa de grandes valores e que acredita no potencial humano. E tudo isso se reflete na nossa prestação de serviços, no atendimento aos nossos clientes e nas parcerias construídas ao longo destes 31 anos de história. Nossa missão é servir.

O Presente Rural – Como a senhora observa a evolução da participação da mulher nos vários ramos do agronegócio nos últimos anos?

Lauren Ventura Parisotto – Penso que não deve haver uma disputa com os homens, ambos temos limitações e acredito que não é o mundo que as impõe. É fato que a nossa sociedade de maneira geral ainda mantém o machismo em sua cultura, principalmente no que se refere a remuneração e oportunidades, infelizmente. Por outro lado, muitas de nós já suplantaram essa questão e hoje são líderes respeitadas no mercado, e o agro é um grande exemplo disso.

Sinto alegria e orgulho por nossas conquistas, podemos ser o que quisermos, e junto aos homens equilibramos, somamos e conseguimos uma sinergia que gera excelentes resultados.

A transformação da sociedade é lenta e por isso nossos movimentos precisam ser mais céleres.

O Presente Rural – Uma mensagem.

Lauren Ventura Parisotto – Tenho hoje quase 23 anos de carreira como médica veterinária e completarei 15 anos à frente do Cedisa. Minha gratidão é enorme a todos os colegas e amigos que cruzaram e cruzam o meu caminho. Aprendi errando, acertando, desaprendendo, voltando a aprender, convivendo, tentando, mas acima de tudo buscando e fazendo.

No fim, o mais importante da viagem é o caminho, os cargos, os títulos, tudo é passageiro, fica apenas o que você é, foi e fez enquanto pessoa.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

Produção de ovos de galinha chega a 978 milhões de dúzias, mostra IBGE

Alta é de 0,3% em relação ao 1º trimestre de 2020 e queda de 1,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior

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No 1º trimestre de 2021 a produção de ovos de galinha foi de 978,25 milhões de dúzias.  Alta de 0,3% em relação ao 1º trimestre de 2020 e queda de 1,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O resultado foi recorde para um 1º trimestre, cujo pico foi registrado no mês de março. A produção de 340,09 milhões de dúzias foi a maior já registrada para esse mês, levando em consideração a série histórica da Pesquisa, iniciada em 1987. Apesar de uma alta nos custos de produção, a demanda segue aquecida pelo preço acessível da proteína.

A produção nacional de 3,31 milhões de dúzias de ovos a mais quando se comparam os 1os trimestres de 2021 e 2020 foi resultado de aumentos em 18 das 26 UFs da pesquisa. Quantitativamente, os maiores acréscimos ocorreram em Mato Grosso do Sul (+5,87 milhões de dúzias), Bahia (+5,34 milhões), Ceará (+4,84 milhões) e Amazonas (+3,59 milhões). As maiores quedas ocorreram em São Paulo (-16,85 milhões) e Paraná (-3,52 milhões).

Apesar da retração, São Paulo se manteve como maior produtor de ovos no 1º trimestre de 2021, com 27,6% da produção nacional, seguido agora por Minas Gerais (9%) e Espírito Santo (9%). O Paraná caiu da segunda para a 4ª posição, com 8,6% do total nacional.

Fonte: IBGE
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CONBRASUL/ASGAV

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