Colunistas
Saúde Única exige mudança prática no uso de medicamentos e no manejo nas propriedades
Conceito que integra saúde humana, animal e ambiental avança no debate, mas ainda esbarra no uso indiscriminado de antibióticos, falhas em biosseguridade e risco de resíduos na produção de alimentos.

Apesar de ter suas raízes há mais de dois séculos, o conceito de Saúde Única ainda tem um longo caminho a percorrer até, de fato, atingir a abrangência e a consciência necessárias. Alguns avanços já foram alcançados, mas os pilares que sustentam este conceito ainda precisam ser disseminados, popularizados e colocados em prática por empresas, profissionais autônomos e pela sociedade como um todo. É preciso ter em mente que vivemos em um grande ecossistema, onde a saúde de um está diretamente relacionada à saúde do outro e ao ambiente onde vivemos.
Apenas para contextualizar, o conceito de “One Health” é uma espécie de evolução de estudos desenvolvidos desde meados de 1800. Foi no final do século XIX que surgiu o conceito de zoonoses. Naquele momento, foi comprovado que algumas doenças podiam ser transmitidas de animais para humanos. Logo em seguida, surgiu o conceito “One Medicine”, que já trazia a ideia de integração entre a medicina humana e veterinária. No entanto, demorou quase 100 anos para o termo ganhar força. A repercussão mundial começou mesmo após a publicação do livro do médico veterinário Calvin Schwabe, Veterinary Medicine and Human Health, com uma visão mais aprofundada da relação entre a saúde humana e animal.

Chegando ao século XXI, mais um marco importante: a publicação dos 12 Princípios de Manhattan. Foi neste momento que surgiu, pela primeira vez, o conceito “One World, one Helth”, incluindo a questão do meio ambiente na discussão. De lá para cá, fóruns, congressos e até a definição de uma data mundial para reflexão sobre Saúde Única deram amplitude à discussão. A questão agora é sair do papel, aplicando todos esses conceitos no dia a dia em diferentes frentes e iniciativas.
Saúde é um conceito amplo e há uma fragmentação de cuidados por segmentos. E, por este motivo, é preciso disseminar boas práticas que visem a aplicação de estratégias integradas.
Como exemplo dessa integração, podemos citar a indústria de medicamentos veterinários. A ligação desse setor com a saúde humana é direta. Todo animal de produção, por exemplo, que recebe um medicamento veterinário, pode deixar resíduos no alimento que, em algum momento, chegará à mesa do consumidor, caso os produtores não respeitem o período de carência preconizado pela indústria farmacêutica.
Ainda sobre medicamentos, importante fazer uma ressalva específica sobre os antibióticos. Esses medicamentos devem ser utilizados para tratamento e não para a prevenção de doenças. Ou seja, devem ser utilizados apenas em casos realmente necessários e jamais como medida preventiva. Esta informação merece destaque pois, além de possíveis resíduos, o uso indiscriminado de algumas substâncias pode fazer com que o animal – e até mesmo de todo um rebanho – crie resistência às bactérias, gerando a necessidade de mais medicamentos ou, dependendo da gravidade, o abate dos animais.
Prevenção de doenças deve ser feita com manejo adequado e medidas de biosseguridade. Estas medidas envolvem desde higiene e sanitização das instalações, vacinação, quarentena de animais adquiridos recentemente, controle de acesso a pessoas ou veículos e isolamento dos animais doentes. Ao manter o rebanho saudável, o produtor garante também alimentos seguros e saudáveis para o ser humano.
Se, mesmo com os cuidados, a doença aparecer e o caso for para antibióticos, deve-se ter atenção redobrada à dose correta, a aplicação e ao descarte de embalagens. Essa última etapa impacta diretamente o meio ambiente.
Vivemos em um grande ecossistema e, quando falamos em saúde, a responsabilidade é ainda maior. Cada um, em sua área de atuação, precisa ter a consciência dos impactos de suas ações. Desde a medicação desnecessária, a negligência com a higiene ou o descarte irresponsável, todas estas atitudes afetam a saúde de todos. Este é o princípio básico da Saúde Única. E devemos tê-lo sempre em mente na hora de tomarmos qualquer decisão.

Colunistas
Revisão das tarifas da era Trump nos EUA traz alívio parcial à indústria de máquinas brasileira
Mesmo com decisão favorável da Suprema Corte, exportações de máquinas seguem pressionadas por incertezas comerciais e desafios estruturais internos.

A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de invalidar as tarifas unilaterais impostas pela administração Trump foi recebida pelo setor industrial brasileiro com um misto de alívio e ceticismo. Embora a medida interrompa um ciclo de instabilidade, ela não garante, por si só, que o mercado americano recuperará a previsibilidade de outrora. Na realidade, o que a decisão promove é um estancamento na perda de competitividade: com tarifas que chegaram a 50%, as máquinas brasileiras haviam se tornado proibitivas no mercado norte-americano, resultando em uma queda acentuada no volume de exportação, que recuou de 32% para 22% do total exportado no último ciclo.

Artigo escrito por Gino Paulucci Jr é engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ.
No entanto, o fim dessas barreiras imediatas não dissipa a névoa de imprevisibilidade que se tornou o principal efeito colateral dessa disputa. O governo dos EUA já sinalizou que buscará caminhos alternativos, como a Seção 301, para revestir o protecionismo com novas roupagens técnicas. Tal cenário mantém o setor em uma posição desconfortável, uma vez que a ameaça de taxas reinstituídas subitamente impede a celebração de contratos de longo prazo e afasta investimentos planejados.
Somado a essa instabilidade jurídica, não podemos perder de vista o dano colateral já consolidado no faturamento das empresas brasileiras, que enfrentaram uma queda líquida de 9,1% nas exportações para os EUA. Esse dado evidencia que a crise não se encerra com uma sentença judicial; ela exige uma percepção clara de que o desafio é político e estrutural, e não apenas jurídico. Para o setor de máquinas e equipamentos, a queda das tarifas é apenas o desfecho de um capítulo, e não a conclusão do livro.
Uma análise mais aprofundada deixa claro que a indústria nacional necessita de mecanismos internos que compensem o “Custo Brasil”. Afinal, de nada adianta a remoção de barreiras externas se o fabricante brasileiro segue sobrecarregado por gargalos logísticos e um custo de capital que inibe a inovação. É imperativo que o país avance em reformas que garantam isonomia competitiva frente aos players globais.
Apesar desses desafios, é fundamental reconhecer a robustez da nossa engenharia e a qualidade intrínseca das máquinas brasileiras — atributos que, historicamente, superaram barreiras muito além das impostas pelo protecionismo. A decisão da Suprema Corte não é o destino final, mas uma abertura estratégica que nos permite retomar o fôlego e reafirmar nossa presença global. Seguimos atentos, convertendo prudência em estratégia: com a resiliência de nossos associados e uma atuação diplomática incisiva, temos plenas condições de reconquistar o terreno perdido e provar que a indústria de bens de capital do Brasil é um pilar insubstituível no comércio internacional.
Colunistas
Escalada de tensões no Oriente Médio acende alerta para fertilizantes
Conflitos na região estratégica para a produção de nitrogenados elevam incertezas sobre logística, energia e custos de insumos agrícolas no mundo.

Não bastasse a guerra entre Rússia e Ucrânia desde 2022 – ambos importantes fornecedores de fertilizantes –, a escalada das tensões no Oriente Médio voltou a colocar o mercado global de fertilizantes em estado de alerta, especialmente no segmento de nitrogenados, como ureia e sulfato de amônio.
Nos últimos meses, as cotações desses insumos já vinham em trajetória de alta, impulsionadas por fatores estruturais, tais como restrições às exportações da China (no que tange aos fosfatados), a continuidade da guerra na Ucrânia e a forte demanda de países importadores como a Índia. A deterioração do cenário geopolítico na região adiciona agora um novo vetor de incerteza, ampliando a volatilidade nos preços e nas decisões de compra.
O Oriente Médio tem papel estratégico nesse mercado. A região responde por cerca de 40% do comércio marítimo global de ureia, além de participação relevante na oferta de amônia e fertilizantes fosfatados. Parte do produto associado ao Irã chega ao mercado internacional por meio de triangulações comerciais via Omã, o que torna o monitoramento das rotas de navegação ainda mais sensível. A atenção se concentra especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa em torno de 1/5 do petróleo negociado no mundo. Qualquer aumento das tensões envolvendo atores como Irã, Israel e Estados Unidos pode pressionar não apenas os custos energéticos, mas também fretes marítimos e seguros de carga, elementos que acabam se refletindo no custo final dos fertilizantes.
Impacto do preço do gás natural e do petróleo no valor dos fertilizantes

Artigo escrito por Ana Maria Piccino, analista de mercado de Custos Agrícolas do Cepea; Mauro Osaki, pesquisador da área de Custos Agrícolas do Cepea e Renato Garcia Ribeiro, pesquisador da área de Custos Agrícolas do Cepea.
A relação entre energia e fertilizantes é direta. A produção de nitrogenados depende fortemente do gás natural, utilizado na fabricação de amônia anidra, base de grande parte dos fertilizantes aplicados nas lavouras. O gás também desempenha papel relevante em diferentes etapas da cadeia alimentar, desde a produção até a conservação de alimentos. Interrupções ou encarecimento desse insumo tendem a repercutir rapidamente no mercado agrícola global.
No curto prazo, o mercado já começa a reagir à possibilidade de restrições logísticas, elevação do frete e do seguro marítimo. Há relatos de agentes do setor sobre uma corrida para antecipar importações de fertilizantes, motivada pelo receio de que o aumento das tensões no Estreito de Ormuz comprometa o fluxo de embarques nas próximas semanas ou meses. Esse movimento tem levado empresas a reorganizarem suas operações logísticas, mobilizando armazéns e liberando áreas nas fábricas que normalmente estariam destinadas à manutenção anual durante o período de entressafra. A prioridade tem sido abrir espaço para receber novos carregamentos, em uma tentativa de garantir abastecimento antes de eventuais gargalos no comércio internacional.
Ao mesmo tempo, o mercado também acompanha sinais de pressão sobre os derivados de petróleo, o que pode ampliar os custos de energia, transporte e seguros marítimos. Em um setor altamente dependente de logística internacional, esses fatores têm potencial de se transmitir rapidamente aos preços dos insumos agrícolas.
Impactos para o Brasil

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Para o Brasil, o impacto imediato tende a ser moderado, já que o País não está no momento de maior volume de compras de nitrogenados. Ainda assim, o cenário levanta preocupações para os próximos meses, especialmente depois da colheita da soja, quando os produtores começam a negociar os fertilizantes da próxima safra – majoritariamente fosfatados e potássicos. A dependência externa permanece elevada: o Brasil importa entre 80% e 85% dos fertilizantes que consome, segundo o relatório da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos), o que torna o setor agrícola particularmente sensível a choques geopolíticos e logísticos.
A grande maioria do solo brasileiro tem característica de baixa fertilidade e acidez, o que sugere a aplicação de fertilizantes para compensar a limitação química do solo e atender à exigência nutricional das culturas para sustentar a alta produtividade. Assim, os fertilizantes ocupam um percentual importante no Custo Operacional Efetivo (COE). Para as culturas de grãos, por exemplo, o milho verão lidera em peso relativo em torno de 34%, seguido da soja e milho segunda safra, com participações de 27%, e de trigo, com 30%. Para o arroz irrigado, o percentual é menor (18%), conforme a média das últimas 5 safras (21/22 a 24/25) do Projeto Campo Futuro (Sistema Senar/CNA).
O Brasil é altamente dependente da importação de importantes fertilizantes intermediários consumidos no Brasil (ureia, sulfato de amônio e cloreto de potássio). Quanto às fontes de fosfato (monoamônio fosfato – MAP, supersimples e supertriplo) existe produção nacional, mas insuficiente para atender a toda a demanda anual. Segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), em 2025, o Brasil importou 7,7 milhões de toneladas de ureia, procedentes da Nigéria (23%), Rússia (17%), Omã (16%), Catar (13%), Argélia (9%) e demais países (23%). Ressalta-se que 33% da ureia importada têm como origem a região do Oriente Médio. No caso do sulfato de amônia, a importação somou 7,78 milhões de toneladas e quase a sua totalidade veio da China. A quantidade de cloreto de potássio importada foi de 13,7 milhões de toneladas, trazidas da Rússia (45%) e do Canadá (38%). O volume de MAP importado em 2025 somou 3,1 milhões de toneladas, sendo a Rússia (46%), Arábia Saudita (25%) e Marrocos (23%) os maiores fornecedores. O supersimples somou 4 milhões de toneladas, originárias do Egito (42%), China (36%) e Israel (10%).

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Esse contexto – de prováveis escassez, incerteza de abastecimento e aumento de custos – reforça o debate sobre a necessidade de ampliar a produção doméstica de fertilizantes. A retomada de unidades industriais no País e as iniciativas previstas no “Plano Nacional de Fertilizantes” buscam reduzir a dependência externa. Em um ambiente de estabilidade global, produzir fertilizantes internamente pode parecer menos competitivo. No entanto, em um cenário marcado por conflitos e incertezas logísticas recorrentes, a capacidade de produzir insumos estratégicos no próprio território passa a ganhar importância do ponto de vista da estabilidade da produção agrícola.
Outro ponto que preocupa os produtores relaciona-se ao preço e à disponibilidade de diesel no mercado interno. O Brasil não é autossuficiente na produção de diesel, o que obriga a importação para atender à demanda interna. Com a disparada do preço do barril no mercado externo e a pretendida estratégia política de manutenção dos preços dos combustíveis no mercado interno, as importadoras podem evitar o prejuízo deixando de abastecer as distribuidoras, o que, por sua vez, pode implicar em desabastecimento, caso não ocorra o reajuste. A consequência da alta dos preços dos combustíveis é o repasse aos produtos finais, causando pressão inflacionária e a necessidade de manutenção e/ou elevação dos juros.
O efeito direto no campo está na elevação do custo com a operação mecânica (diesel e manutenção preventiva), que representa, sobre o COE, uma média 12% para soja e milho segunda safra. Para arroz e feijão, o peso é ainda maior: 17% e 16%, respectivamente (média das últimas 5 safras – de 2021/22 a 2024/25 – do Projeto Campo Futuro. Na parte jusante da cadeia produtiva, o frete rodoviário deve elevar e pressionar a formação de preços no mercado interno. A colheita e o transporte de soja da safra 2025/26 está em plena operação, assim como a finalização do plantio da segunda safra. A indisponibilidade de diesel neste momento gera apreensão aos produtores quanto à finalização dessas atividades.
Por fim, as altas dos preços dos combustíveis e fertilizantes devem impactar diretamente na rentabilidade do produtor, visto que, ao contrário dos setores das indústrias e dos serviços, o setor agropecuário é tomador de preço e não consegue repassar essas altas de custos de produção e frete aos seus preços de venda de forma proporcional. Mesmo assim, reflexos de aumentos de preços ao consumidor serão sentidos, em que pese a queda de rentabilidade do produtor.
Colunistas
A matemática do fomento para inovação no agronegócio
Da porteira para dentro, o Brasil é líder. Mas o próximo salto competitivo não está na lavoura, está no laboratório.

O agro brasileiro construiu uma potência produtiva admirada no mundo inteiro. Somos referência em produtividade, eficiência operacional e capacidade de adaptação. Da porteira para dentro, o Brasil é líder. Mas o próximo salto competitivo não está na lavoura, está no laboratório.
O lançamento de R$ 3,3 bilhões em editais de subvenção econômica pela Finep, dentro do programa Finep Mais Inovação Brasil, sinaliza que o país decidiu acelerar sua transformação industrial. Entre esses editais, há um recorte estratégico para as cadeias agroindustriais sustentáveis, com R$ 300 milhões destinados especificamente a projetos de inovação no setor. O edital, disponível no portal oficial da Finep, prevê apoio não reembolsável para o desenvolvimento de novos produtos, processos e tecnologias voltados à agroindústria.

Artigo escrito por Francisco Tripodi, executivo especializado em inovação e financiamento à pesquisa e desenvolvimento.
Esse movimento abre uma oportunidade para o agronegócio brasileiro dar um passo além da exportação de commodities e avançar na agregação de valor por meio de biotecnologia, bioinsumos, fertilizantes de nova geração, processamento industrial e biocombustíveis avançados.
O Brasil já domina a produção de grãos, proteína animal e fibras, mas a pergunta estratégica agora é: queremos continuar exportando matéria-prima ou queremos exportar tecnologia embarcada, soluções industriais e propriedade intelectual derivada daquilo que produzimos?
A matemática do fomento ajuda a dimensionar essa oportunidade e ter a resposta para o questionamento.
Dados dos dez editais da primeira edição do programa Finep Mais Inovação mostram que, a cada R$ 1 investido em projetos apoiados, 69,7% foram aportados pela Finep e apenas 30,3% corresponderam à contrapartida das empresas. Como a subvenção é um recurso não reembolsável, ela reduz diretamente o custo de capital do projeto. Quando essa contrapartida empresarial é estruturada de forma estratégica, pode ainda gerar benefícios fiscais por meio da Lei do Bem, do MOVER e da Lei das TICs, com recuperação que pode chegar a 49% sobre os dispêndios elegíveis.
Na prática, isso significa que cada R$ 1 em subvenção pode gerar aproximadamente até R$ 3 em retorno financeiro em projetos de inovação, considerando os efeitos combinados entre recurso não reembolsável e incentivos fiscais. Para um setor que convive com volatilidade de preços internacionais, pressão de custos e margens apertadas, essa engenharia financeira altera substancialmente a análise de risco.
Não se trata simplesmente de captar recurso público. Trata-se de estruturar projetos com estratégia, governança e visão de longo prazo. Equipamentos de maior risco tecnológico, plantas piloto, unidades de processamento ou soluções biotecnológicas podem ser viabilizados com subvenção. Equipes técnicas e pesquisadores podem gerar créditos fiscais relevantes. O resultado é um projeto mais robusto, com menor exposição financeira e maior capacidade de diferenciação competitiva.
Fazendo uma análise baseada em estimativas de mercado e no meu histórico de atuação no seguimento, indica que empresas que combinam fomento direto e indireto podem crescer até 20% mais rápido que a média de seus setores. Esse crescimento não vem apenas do capital acessado, mas da disciplina estratégica que a inovação exige.
Para mim, o agro brasileiro venceu a batalha da produtividade e agora precisa vencer a batalha da sofisticação tecnológica. O mundo caminha para cadeias mais exigentes em rastreabilidade, sustentabilidade, descarbonização e diferenciação de produto. Quem dominar biotecnologia, processamento avançado e ativos intangíveis terá maior poder de precificação e menor dependência de ciclos internacionais.
Os R$ 300 milhões destinados às cadeias agroindustriais sustentáveis representam uma oportunidade de reposicionamento estratégico. O capital está disponível. O ambiente regulatório está estruturado. O que ainda precisa evoluir, em muitos casos, é a gestão da inovação dentro das empresas, tratando P&D como investimento central na estratégia do negócio.
O agro brasileiro já provou que sabe produzir em escala. O próximo passo é provar que sabe inovar em escala. Dominar a porteira foi uma conquista histórica. Dominar o laboratório pode ser o movimento que garantirá as próximas décadas de liderança global.



