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Saúde intestinal integrada impulsiona uso de monoglicerídeos em aves e suínos
Com ação antimicrobiana e imunomoduladora, compostos se destacam em sistemas produtivos mais sustentáveis e com menor uso de antibióticos.

Artigo escrito por Mariane Marques, mestre em Nutrição de Aves e Suínos e zootecnista do Departamento Técnico da Feedis
A produção moderna de aves e suínos enfrenta um ambiente sanitário cada vez mais desafiador, no qual fatores infecciosos, nutricionais e ambientais interagem de forma complexa. A retirada gradual dos antibióticos promotores de crescimento e o aumento da pressão por sistemas produtivos mais seguros e sustentáveis impulsionam a busca por alternativas que mantenham a eficiência zootécnica sem comprometer a segurança alimentar.
Nesse cenário, os monoglicerídeos vêm se destacando como moléculas de alta relevância técnica por sua capacidade de atuar simultaneamente no controle microbiano, na modulação imunológica e na integridade intestinal.
Os monoglicerídeos são compostos formados pela ligação de ácidos graxos específicos a uma molécula de glicerol. Essa estrutura confere propriedades anfipáticas, ou seja, a capacidade de interagir tanto com lipídios quanto com água. Tal característica permite que atravessem membranas celulares e exerçam ação antimicrobiana seletiva, desestabilizando a bicamada lipídica de microrganismos e levando à lise celular. Essa ação é especialmente eficaz contra bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e vírus envelopados, tornando essas moléculas ferramentas de amplo espectro e grande potencial de aplicação em sistemas de produção animal.
Além do efeito direto sobre microrganismos patogênicos, os monoglicerídeos apresentam propriedades imunomoduladoras, contribuindo para o equilíbrio da resposta inflamatória e para a manutenção da integridade da mucosa intestinal. Ao reduzir a inflamação subclínica, melhoram a absorção de nutrientes e favorecem o desempenho zootécnico, especialmente em fases de maior estresse fisiológico, como desmame, mudanças de dieta ou desafios sanitários persistentes. Essa atuação multifuncional reforça seu papel como uma das estratégias mais completas dentro do conceito de saúde intestinal integrada.

A diversidade estrutural dos monoglicerídeos, determinada pelo tamanho da cadeia e pelo grau de saturação do ácido graxo, confere funções complementares. As moléculas de cadeia curta possuem efeito trófico sobre os enterócitos e favorecem o equilíbrio da microbiota intestinal, contribuindo para um ambiente mais estável e funcional. Já as moléculas de cadeia média apresentam afinidade por membranas lipídicas de microrganismos, sendo reconhecidas por sua atividade antimicrobiana e antiviral. Essa combinação de mecanismos resulta em um espectro de ação ampliado e em um efeito sinérgico sobre a saúde digestiva e sistêmica.
Do ponto de vista produtivo, a estabilidade físico-química dos monoglicerídeos é um diferencial relevante. Diferentemente dos ácidos graxos livres, essas moléculas são estáveis em diferentes faixas de pH, o que assegura sua ação ao longo de todo o trato gastrointestinal. Essa estabilidade prolonga o efeito antimicrobiano e imunológico, resultando em uma ação contínua e previsível. Além disso, os monoglicerídeos não deixam resíduos e não possuem período de carência, o que permite sua utilização em programas de alimentação contínua, inclusive em dietas de terminação, garantindo desempenho e segurança até o abate.
Diversos estudos científicos sustentam sua eficácia. Antongiovanni et al. observaram melhora significativa no desempenho e no controle de Salmonella typhimurium em frangos de corte suplementados com monoglicerídeos. Manohar et al. demonstraram que a α-monolaurina apresentou atividade antimicrobiana superior à de antibióticos convencionais em microrganismos resistentes. Fortuoso et al. relataram redução expressiva na carga de Clostridium perfringens e Escherichia coli, associada à melhor integridade intestinal.
Mais recentemente, Li et al. demonstraram que o uso de monoglicerídeos pode modular positivamente a resposta imune e reduzir processos inflamatórios pulmonares em suínos desafiados por vírus respiratórios. Esses resultados reforçam que a ação dos monoglicerídeos vai além do trato intestinal, abrangendo também benefícios sistêmicos relevantes para a saúde animal.
A adoção de moléculas com ação antimicrobiana e imunomoduladora natural representa um avanço importante na transição para sistemas de produção mais responsáveis, eficientes e alinhados às exigências do mercado e da sociedade. A utilização de monoglicerídeos proporciona benefícios em contextos de desafios sanitários específicos ou como ferramenta preventiva para a estabilidade produtiva, contribuindo para o desempenho zootécnico, o bem-estar animal e a redução do uso de antibióticos promotores de crescimento.
Referências bibliográficas podem ser consultadas pelo e-mail mariane.marques@feedis.com.br.

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IPPA-Grãos cai 2,36% e pecuária sobe 5,2% em fevereiro
Índice geral recua 1,02% no mês. Desempenho reflete pressão nos grãos e avanço das cotações pecuárias.
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Caravana do Agro Exportador reúne setor em Goiânia para discutir rastreabilidade da carne bovina
Evento com 130 participantes abordou exigências de China e União Europeia, avanço do PNIB e ferramentas para ampliar exportações goianas.

Cerca de 130 pessoas participaram, em Goiânia (GO), de uma edição da Caravana do Agro Exportador, promovida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com foco na cadeia da carne bovina. O encontro reuniu representantes do setor produtivo e do poder público para discutir rastreabilidade, exigências sanitárias e acesso a mercados internacionais. O evento foi realizado na última terça-feira (17).

Foto: Divulgação/Mapa
Realizada em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Goiás (Seapa), a Agrodefesa e o Sistema Faeg/Senar-GO, a programação promoveu o diálogo entre os diferentes elos da cadeia sobre os desafios e as oportunidades para as exportações goianas. Goiás concentra um dos maiores rebanhos bovinos do país, o que torna a ação especialmente relevante para a competitividade do estado e para a ampliação do acesso a mercados mais exigentes.
Durante o evento, representantes do Mapa apresentaram ações da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) voltadas à promoção comercial e ao apoio ao exportador brasileiro. Entre os destaques, estiveram feiras e eventos internacionais de promoção comercial, além de ferramentas como AgroInsight, ConectAgro e Passaporte Agro, que ajudam produtores, cooperativas e empresas a atuar no comércio exterior. Também foram compartilhadas orientações sobre habilitação sanitária, certificações e exigências dos países importadores – temas cada vez mais centrais para quem busca ampliar ou consolidar sua presença em mercados externos.
Os adidos agrícolas do Brasil na China, Leandro Feijó e Jean Gouhie e na União Europeia, Nilton de Morais participaram de forma virtual e apresentaram um panorama sobre o cenário para exportação de carnes, couros e derivados. China e União Europeia estão entre os principais destinos das exportações brasileiras do agronegócio, o que reforça o peso estratégico das exigências desses mercados para o setor produtivo nacional.
A programação também incluiu a apresentação do panorama nacional de implementação do Plano Nacional de

Foto: Divulgação/Mapa
Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB), conduzida por técnicos do Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Mapa. Na sequência, a Agrodefesa detalhou as estratégias adotadas para a implantação da política em Goiás, conectando o debate nacional à realidade do estado.
Outro ponto da agenda foi a participação de instituições e parceiros que atuam diretamente no fortalecimento da inserção internacional do agro brasileiro. Houve palestras da ApexBrasil, da CNA, do Banco do Brasil, da Seapa/GO e da plataforma Agro Brasil + Sustentável, ferramenta digital desenvolvida pelo Mapa em parceria com o Serpro, que integra dados de instituições públicas e privadas para gerar informações rastreáveis sobre a produção agropecuária sustentável no país.
A Caravana do Agro Exportador, liderada pela SCRI, integra a estratégia do Mapa de interiorizar a cultura exportadora no país, aproximando produtores e empresas das oportunidades do comércio internacional e preparando os setores produtivos para atender às exigências de mercados cada vez mais competitivos e criteriosos.
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Brasil participa de reunião da FAO sobre regras fitossanitárias e comércio agrícola
Debates em Roma trataram de certificação eletrônica, controle de pragas e impactos do clima.

Uma delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária participou, entre 09 e 13 de março, da 20ª Sessão da Comissão de Medidas Fitossanitárias, realizada na sede da FAO, em Roma. O encontro reuniu representantes de países-membros para discutir a atualização de normas internacionais voltadas à sanidade vegetal e aos fluxos do comércio agrícola.

Foto: Divulgação/Mapa
A agenda incluiu a revisão de regras para reconhecimento de áreas livres de pragas, com foco em moscas-das-frutas, além de propostas de diretrizes para inspeções fitossanitárias em campo e a adoção de tratamentos por irradiação no controle de pragas quarentenárias.
Também avançaram discussões sobre o sistema eletrônico de certificação fitossanitária (ePhyto), ferramenta que vem sendo adotada para reduzir custos e dar maior rastreabilidade às exportações.
Outro eixo central foi o aumento de riscos associados ao comércio eletrônico e ao transporte internacional de mercadorias, considerados vetores relevantes para a disseminação de pragas.
Os países também avaliaram impactos das mudanças climáticas na sanidade vegetal, tema que vem ganhando peso nas negociações multilaterais.

Foto: Divulgação/Mapa
Paralelamente às sessões plenárias, a comitiva brasileira realizou reuniões técnicas na FAO. Entre os pontos tratados estiveram ações internacionais de enfrentamento à vassoura-de-bruxa da mandioca, o avanço de iniciativas com bioinsumos e o reconhecimento dos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária como centros de referência internacional.

Foto: Divulgação/Mapa
A participação brasileira ocorre em um momento de intensificação das exigências sanitárias no comércio global, especialmente para produtos de origem vegetal.
O alinhamento a normas internacionais é um dos fatores que condicionam acesso a mercados e redução de barreiras não tarifárias, além de funcionar como instrumento de mitigação de riscos fitossanitários dentro do próprio território.






