Avicultura
Saúde intestinal como ferramenta para aumentar a produtividade de frangos de corte
Existe uma gama de ferramentas que podem ser utilizadas para melhorar a saúde intestinal dos frangos de corte como os aditivos fitogênicos, probióticos e prebióticos.

Para que os animais consigam expressar todo o seu potencial genético e com menor variabilidade, é essencial que a saúde intestinal esteja bem equilibrada, com todas as suas características estruturais e fisiológicas em perfeita sintonia, capazes de atender as necessidades de digestão, absorção de nutrientes e de defesa do organismo. Alterações na microbiota intestinal podem acarretar doenças, diminuição da digestibilidade e de desempenho, levando a perdas na conversão alimentar e consequente prejuízos econômicos ao produtor, visto que mais de 60% dos custos totais de produção são gastos na nutrição das aves.
A fim de entender a complexa relação de como a nutrição, a microbiota intestinal e a imunidade interferem no desempenho zootécnico dos animais, quais fatores predispõem o desequilíbrio deste sistema e perspectivas para o futuro da avicultura, a doutora em Zootecnia e professora na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Priscila de Oliveira Moraes, foi convidada para palestrar para profissionais do setor avícola nacional durante a 6ª edição do Congresso e Central de Negócios Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Laticínios (Avisulat), evento promovido de 28 a 30 de novembro nas dependências da Federação e Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), na cidade de Porto Alegre, RS. O evento foi promovido em parceria pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), pelo Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat) e pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (SIPS).

Doutora em Zootecnia e professora na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Priscila de Oliveira Moraes: “É preciso entender o que exatamente é um intestino saudável e, mais do que isso, como mantê-lo saudável” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural
“Muitos já ouviram a frase ‘toda doença começa no intestino’, no entanto, estamos passando a enxergá-la por uma outra visão: que ‘toda a saúde começa no intestino’. Quando falamos que a doença inicia pelo intestino passamos a investigar como ela funciona e como devemos tratá-la. Nossa forma de estudar o intestino mudou para saber o que exatamente é um intestino saudável e, mais do que isso, como mantê-lo saudável. Esse é o grande desafio que os nutricionistas e demais profissionais do setor têm pela frente, uma vez que o desempenho do animal está intimamente relacionado com o intestino saudável”, enfatiza Priscila.
Conforme a docente, além de fazer todas as funções fisiológicas do intestino, que vão da digestão e absorção de nutrientes, esse ambiente precisa ser capaz de oferecer ao animal a capacidade de suportar estressores infecciosos e não infecciosos. “O intestino tem uma relação complexa e dinâmica dentro do corpo do animal. Para que as aves consigam ser resilientes aos fatores estressores possuem algumas estruturas protetoras, a primeira delas é uma barreira de microrganismos comensais, bactérias que são benéficas e que vão melhorar seu desempenho produtivo. A segunda é uma camada de muco que age como uma barreira química, depois vem a camada epitelial que forma uma barreira física, além da camada de lâmina própria, que é rica em células do sistema imune”, explica Priscila.
A professora da UFSC diz que uma das formas para verificar o estado da saúde intestinal das aves está em avaliar de forma visual as características das fezes nas unidades produtivas. “Quando enxergamos no aviário um material mal digerido, com muco e uma grande quantidade de água é sinal de que alguma coisa está perturbando a saúde intestinal dos animais, fazendo com que haja um desequilíbrio entre microbiota, imunidade e nutrição, ocorrência que precisa ser investigada. Nestes casos geralmente é abatida um percentual de aves do plantel para verificar a saúde intestinal a partir da visualização. Quando o intestino apresenta congestão (acúmulo de sangue tecidual), não absorve nenhum nutriente, o que prejudica o desempenho dos animais”, aponta a doutora em Zootecnia.
O que provoca o desequilíbrio intestinal
São vários os fatores que podem influenciar o equilíbrio intestinal, entre eles Patricia cita dietas com autoproteínas, que dificultam a digestão no intestino delgado; a contaminação por micotoxinas, que causa danos as células epiteliais intestinais; infecção por coccidiose, doença que prejudica o desenvolvimento das aves e causa diminuição da absorção de nutrientes, além de facilitar o surgimento de outras patologias; presença de polissacarídeos não amiláceos (PNAs) alteram a proporção de muco, modificando totalmente o ambiente intestinal da ave.
“Esse aumento de proteína é absorvido pelo ceco, que através da fermentação microbiana produz ácidos graxos voláteis, entretanto é sabido que animais que possuem um percentual maior de bactérias fermentadoras de proteína apresentam desempenho produtivo menor, uma vez que no intestino são necessárias bactérias fermentadoras de carboidrato para garantir maior eficiência do animal. Ademais, quando se tem o aumento de muco junto com a proteína favorece a entrada da bactéria Clostridium perfringens, que causa uma lesão na parede intestinal e favorece o aumento de outras bactérias como Prevotellaceae, a Escherichia coli e a Shigella, acarretando na diminuição de bactérias benéficas como a Ruminococcaceae e Lactobacillus sp.”, reforça a doutora em Zootecnia.
Ambiente tolerante
O sistema imunológico tem um papel fundamental na defesa do organismo, evitando que agentes externos nocivos afetem a saúde das aves. Conforme Patricia, esse é um sistema complexo que abrange uma série de células que funcionam, em conjunto, como uma grande barreira de proteção. “Grande quantidade de bactérias comensais, proporção ideal de muco e alta vilosidade do tecido intestinal garantem um ambiente tolerante à entrada de patógenos. Quando as células dendríticas reconhecem estes microrganismos comensais liberam interleucinas 10 e 17, as quais sinalizam ao sistema imune que ele pode ficar tolerante”, detalha Patricia.
No entanto, quando ocorre um distúrbio no intestino, o sistema imune fica responsivo, devido à alta carga de patógenos, que aumentam a mucogênese e reduzem a vilosidade da parede intestinal, apresentando problemas de absorção dos nutrientes. “O sistema imune do animal funciona como um seguro de carro, pagamos mensalmente com um pouco de nutrientes. Por sua vez, a demanda dele quando está num sistema tolerante é baixa, porém, quando apresenta um processo infeccioso é preciso pagar e a gente sabe que a franquia é cara, ou seja, o custo nutricional do sistema imune fica bastante caro quando ele está ativo e responsivo, porque, afinal, é o sistema imune que vai manter esse animal vivo”, enfatiza a professora da UFSC.
Segundo Patricia, quando as duas bactérias mais temidas da avicultura industrial – Clostridium perfringens e Eimeria spp. – são identificadas nas aves, o organismo ativa os sinalizadores moleculares – citocinas interleucina 1, interferon e fator de necrose tumoral – para acionar as células Th1, responsáveis por fazer a imunidade intracelular contra esses parasitas. “Acontece que o fator de necrose tumoral e a interleucina 1 não orquestram apenas a resposta imunológica no local do estresse, eles agem a nível sistêmico”, acentua.
Pesquisa com aditivos
Em uma pesquisa realizada recentemente com coccidiose, relacionado a aditivos fitogênicos e monensina, foram observados a variação no consumo de alimentos em relação a variação no ganho de peso dos animais desafiados sem nenhum tipo de aditivo, animais desafiados com aditivos fitogênicos ou monensina em comparação aos animais não desafiados.

Priscila de Oliveira Moraes foi convidada para palestrar para profissionais do setor avícola nacional durante a 6ª edição do Congresso e Central de Negócios Brasil Sul de Avicultura, Suinocultura e Laticínios (Avisulat)
De acordo com a profissional, as amostras do jejuno foram coletadas no sétimo dia após a infecção, tendo os animais desafiados com monensina obtido menor variação no ganho de peso em relação ao controle dos animais não desafiados. Quando comparado os animais sem nenhum aditivo ou com fitogênicos ambos perderam a mesma quantidade de peso, mas a variação da fração do porquê perderam peso foi diferente. “Enquanto no controle os animais deixaram de ganhar peso porque pararam de comer, no fitogênico esses animais deixaram de ganhar peso porque estavam com o sistema imune muito alto. Quando avaliamos a interleucina 1, o interferon e NF-κB (que desempenha as funções como fator de transcrição e é o responsável por ativar mais citocinas pró-inflamatórias) todos estavam em níveis elevados”, explica Priscila.
Na semana seguinte, aos 28 dias, enquanto os animais desafiados no controle e com a monensina ainda perdiam peso, aqueles que receberam aditivo fitogênico diminuíram a expressão de interleucinas e o ganho de peso deles foi melhor do que quando comparado ao grupo de controle e de monensina, demonstrando o quanto o sistema imune estava influenciando no ganho de peso dos animais. “No entanto, quando tínhamos uma menor expressão gênica dessas citocinas pró inflamatórias os animais tiveram melhor ganho de peso”.
Ferramentas nutricionais
A professora da UFSC destaca que existe uma gama de ferramentas que podem ser utilizadas para melhorar a saúde intestinal dos frangos de corte, citando os fitogênicos, os probióticos e prebióticos, os quais modulam o perfil de bactérias, diminuindo a expressão gênica de interleucinas pró inflamatórias, principalmente melhorando a parte de junção firme entre os enterócitos. “Existem vários trabalhos que mostram quando usamos probióticos com cepas de Lactobacillus e Bacilos diminuímos a comunidade de Prevotellaceae e Escherichia coli, o que é ideal quando trabalhamos com esse tipo de ferramenta nutricional para manter o equilíbrio da microbiota intestinal”, expõe.
Contudo, a docente realça que o setor não possui ferramentas nutricionais que funcionem em todas as ocasiões, com exceção dos antibióticos. “Os mecanismos de ação não são totalmente elucidados quando falamos de probióticos, prebióticos e fitogênicos, ainda há resultados muito contraditórios na literatura, porque não temos modelos de desafios, a idade da ave é muito diferente quando infectada no desafio, o local, as formas de coleta e o grau de infecção são diferentes. Muitas vezes quando fazemos trabalhos com coccidiose usamos cepas vacinais e com isso percebemos que o resultado é completamente diferente de cepas de campo, então ainda é preciso criar um modelo nutricional padrão para o setor”, evidencia Patricia.
Perspectivas
Em relação as perspectivas o setor, Patricia reconhece que existe uma alta demanda por biomarcadores precoces, simples e confiáveis de saúde intestinal em aves. “Além de biomarcadores da Prevotellaceae e Escherichia coli, temos ainda biomarcadores relacionados à microbiota, status imune e à função da barreira das células do intestino. Só que percebo que a maioria deles são coletadas via sangue, urina e fezes, tendo que o material ser levado a um laboratório para que seja feita análise, então, provavelmente, quando o resultado chegar na mão do produtor o lote já estará vendido. Percebo que a disbiose ainda é, provavelmente, o maior desafio para o setor produtivo”, declara Patricia, complementando: “Há alguns projetos em estudo com biomarcadores precoces voltados para prevenção de doenças no rebanho, a fim de que não seja necessário adentrar ao aviário para encontrar fezes mal digeridas para só então iniciar um tratamento”.
Soluções que conectam o mundo físico e o digital fazem cada vez mais parte do dia a dia do campo, acelerando processos e aumentando a eficiência de atividades como da avicultura de corte, com destaque para a Internet das Coisas (IoT) e a biotecnologia. “A biotecnologia nos ajuda a melhorar os dados coletados para trabalhar e melhorar a eficiência produtiva das aves, porque eu não posso olhar apenas para uma ou duas espécies de bactérias, é preciso analisar o perfil de cada microbiota intestinal, porque das aves saudáveis é diferente de aves que estão em desequilíbrio, por isso que a nossa ‘bala de prata’ é associar um diagnóstico eficaz com as ferramentas nutricionais utilizando biomarcadores, que permitam nortear o setor avícola de forma prática”, menciona Priscila.
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Avicultura
Escassez de mão de obra expõe falhas de liderança e gestão na avicultura
Painel no 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura defendeu integração entre tecnologia, propósito e método para reduzir turnover e sustentar a produtividade nas granjas e na indústria.

A escassez de mão de obra e os desafios relacionados à gestão de pessoas na cadeia produtiva pautaram o debate do painel “Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura” durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que contou com a participação dos especialistas Delair Bolis, Joanita Maestri Karoleski e Vilto Meurer, além da coordenação de Luciana Dalmagro, na última terça-feira (07), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Os palestrantes abordaram os impactos da carência de profissionais no campo e na indústria, destacando a necessidade de repensar estratégias de atração, formação e retenção de talentos na avicultura. O debate também trouxe reflexões sobre as transformações tecnológicas e a necessidade de integração entre gestão de pessoas e inovação como caminho para manter a competitividade do setor.
A executiva Joanita Maestri Karoleski, conselheira, mentora e ex-CEO da Seara, iniciou o Painel Gestão de Pessoas com uma análise estratégica sobre as transformações estruturais que impactam a disponibilidade e o perfil da mão de obra na avicultura e no agronegócio. Segundo ela, o cenário atual vai além da escassez de profissionais. “Nós estamos vivendo uma mudança estrutural. Não é um fenômeno pontual. Temos o envelhecimento da população, a queda nas taxas de natalidade e, ao mesmo tempo, uma transformação profunda na forma como as novas gerações enxergam o trabalho”, destacou.
A palestrante explicou que os profissionais mais jovens chegam ao mercado com expectativas diferentes, valorizando propósito, desenvolvimento e flexibilidade. “As novas gerações não estão apenas buscando emprego, mas sim significado no que fazem. Isso exige adaptação das empresas e, principalmente, das lideranças”, afirmou.
Nesse contexto, Joanita trouxe uma provocação central do painel: o problema pode não estar na falta de pessoas, mas na forma como as

Conselheira, mentora e investidora, com mais de 30 anos de experiência em posições de alta liderança, Joanita Maestri Karoleski: “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
organizações estão estruturadas. “Talvez não estejamos diante de um apagão de mão de obra, mas de um apagão de liderança. As pessoas não desapareceram, elas estão menos dispostas a trabalhar em ambientes mal estruturados, com gestão fraca ou sem uma proposta clara de valor”, pontuou.
Ela destacou ainda que um dos principais desafios está na capacidade de integrar diferentes gerações dentro das organizações. “Pela primeira vez, temos três ou até quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das mesmas empresas, com expectativas e formas de trabalhar muito distintas entre si. Isso exige líderes preparados para lidar com essa complexidade”, explicou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de reposicionar o capital humano como elemento central da estratégia empresarial. “Ainda vemos empresas que dão mais atenção à compra de equipamentos do que ao desenvolvimento das pessoas. O capital humano precisa estar na agenda estratégica, inclusive nos conselhos administrativos, porque é ele que sustenta o crescimento no longo prazo”, afirmou.
Joanita também apresentou caminhos para enfrentar o desafio, estruturados em diferentes níveis organizacionais, desde o conselho até a operação. Segundo ela, o desenvolvimento de lideranças, especialmente na média gestão, é um dos fatores mais críticos para transformar a realidade das empresas.
A mentora também deixou uma reflexão sobre o futuro do trabalho na avicultura. “A pergunta não é mais onde estão as pessoas. A

Com 39 anos de experiência na agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel: “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
pergunta é: por que alguém escolheria trabalhar aqui e não em outro lugar? Quando conseguimos responder isso, começamos a resolver o problema de forma consistente”, salientou.
Relacionamento empresa x profissionais
Com 39 anos de experiência na agropecuária e trajetória de longa data na BRF, onde encerrou sua carreira como diretor de produção agropecuária, Vilto Meurer, deu sequência ao Painel, demonstrando práticas voltadas à realidade do campo e da indústria, com foco em estratégias de captação e retenção de pessoas.
Segundo o palestrante, o enfrentamento da escassez de mão de obra passa pela forma como as empresas se relacionam com seus profissionais. “O grande desafio está na captura e retenção dessas pessoas. Precisamos entender o que as empresas, os gestores e os próprios profissionais podem fazer para reduzir o turnover e tornar o ambiente de trabalho mais atrativo”, afirmou.
Vilto destacou que, diante da escassez de mão de obra, o papel da liderança ganha ainda mais relevância dentro das organizações. Segundo ele, o gestor precisa ir além do conhecimento técnico e assumir uma atuação estratégica na condução das equipes. De acordo com o especialista, três pilares sustentam a atuação de um bom gestor: liderança, conhecimento técnico e método de gestão. “Não basta conhecer o processo produtivo. É preciso saber liderar pessoas, construir confiança, mobilizar equipes e estabelecer uma comunicação clara e eficiente”, enfatizou.
Entre os principais atributos da liderança, Vilto destacou a capacidade de engajar pessoas e gerar senso de pertencimento. “O profissional precisa sentir que faz parte do resultado, desenvolver o sentimento de dono e entender a importância do seu trabalho dentro do sistema produtivo”, explicou.
No campo da motivação, o especialista ressaltou que o engajamento está diretamente ligado a três fatores fundamentais: saber, poder e querer. “Para executar bem uma função, o profissional precisa ter conhecimento, condições adequadas de trabalho e, principalmente, vontade de fazer. É essa combinação que gera engajamento”, afirmou.
Retenção de talentos
Vilto também chamou atenção para a importância do propósito como elemento central na retenção de talentos. “Propósito é o significado do trabalho. Quando a pessoa entende o impacto daquilo que faz no resultado final, ela se envolve mais e permanece na atividade”, destacou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptação das estratégias de gestão ao perfil das diferentes gerações presentes nas empresas. Segundo ele, cada geração possui comportamentos, expectativas e formas de relacionamento com o trabalho distintas, o que exige uma liderança mais flexível e preparada para lidar com essa diversidade.
O palestrante enfatizou que a capacitação contínua é essencial para o desenvolvimento das equipes. Ele apresentou práticas como integração estruturada, programas de mentoria, treinamentos progressivos e trilhas de carreira como ferramentas importantes para alinhar aprendizado, produtividade e crescimento profissional.
Vilto também reforçou que a formação de adultos exige metodologia adequada. “O adulto aprende de forma diferente. É necessário utilizar métodos que conectem teoria e prática”, explicou.
O especialista sintetizou que a retenção de pessoas está diretamente ligada à combinação entre gestão eficiente e propósito. “Pessoas motivadas, com clareza de propósito e inseridas em um modelo de gestão simples e bem estruturado, geram melhores resultados e reduzem significativamente o turnover”, concluiu. Vilto também apresentou ferramentas práticas para formação e desenvolvimento de equipes, destacando metodologias utilizadas na extensão rural que podem ser aplicadas na agroindústria. “Existem métodos que funcionam muito bem para capacitação de pessoas, como o método do arco e técnicas de transferência de tecnologia. São ferramentas que ajudam a desenvolver profissionais de forma mais eficiente e que podem ser utilizadas dentro das empresas”, explicou.

Médico-veterinário Delair Bolis: “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Ele reforçou, ainda, que a combinação entre pessoas, propósito e gestão é determinante para o futuro do setor. “Pessoas motivadas, com propósito claro e inseridas em um modelo de gestão eficiente geram melhores resultados. Esse é o caminho para aumentar a produtividade e reduzir os impactos da escassez de mão de obra”, destacou.
Uso estratégico da tecnologia
O médico-veterinário Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal no Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com mais de 25 anos de atuação na indústria de saúde animal, seguiu o debate salientando que a escassez de mão de obra é uma realidade estrutural e crescente na avicultura, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo. De acordo com Bolis, o setor precisa compreender que esse não é um problema temporário. “A diminuição da mão de obra é uma realidade que tende a escalar. Não é um problema que vai passar, exige mudanças estruturais na forma como trabalhamos”, afirmou.
Bolis chamou atenção para a defasagem dos modelos de trabalho frente às transformações do mercado. “Nós ainda operamos, muitas vezes, com estruturas que não acompanharam a evolução do setor. A questão não é só falta de pessoas, mas se o modelo de trabalho ainda é competitivo e atrativo para elas”, destacou.
Diante desse cenário, o especialista reforçou que as principais ferramentas de transformação estão no uso estratégico da tecnologia e no desenvolvimento de lideranças. “O que está sob nosso controle é como tecnificar os processos e preparar pessoas com maior capacidade de utilizar essa tecnificação para melhorar sistemas, processos e a própria liderança”, pontuou.
O palestrante alertou que a tecnificação precisa ser aplicada com critério. “Não se trata de tecnificar tudo que é possível, mas sim aquilo que precisa ser modernizado. A tecnologia precisa estar conectada à estratégia e às pessoas, não apenas à automação indiscriminada”, explicou.
Outro ponto comentado foi a mudança no perfil das funções dentro da cadeia produtiva. “Com menos pessoas no campo, cada profissional passa a ser responsável por mais processos. Não é mais sobre executar tarefas isoladas, mas sobre entender e gerir o processo como um todo”, ressaltou.
Bolis também abordou a importância do fator humano na eficiência operacional. “Quem entende de pessoas melhora processos. A liderança passa a ter um papel ainda mais decisivo, porque ela conecta tecnologia, pessoas e resultados. O futuro não será definido pela disponibilidade de mão de obra, mas pela nossa capacidade de reinventar o trabalho dentro da avicultura”, evidenciou.
A mediação do painel foi conduzida pela produtora rural, empreendedora e referência em liderança e sustentabilidade no agronegócio, Luciana Dalmagro, que contribuiu para integrar diferentes visões sobre o tema. “Foram grandes ensinamentos, falando de aspectos de liderança, habilidades que as pessoas que estão iniciando no mercado precisam desenvolver e, para quem está há mais tempo, os profissionais mostraram a importância do olhar humanizado para os colaboradores”, acrescentou.
Avicultura
“Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, apontam especialistas no SBSA
Kali Simioni e João Nelson Tolfo detalharam durante o evento como diagnóstico, comunicação e liderança técnica determinam a adoção de boas práticas nas granjas.

O Bloco “Conexões que Sustentam o Futuro” colocou em pauta a conversão do conhecimento técnico em resultados práticos no campo durante o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura. O encontro integrou a programação do evento promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas, realizado no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
A palestra “Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura”, reuniu os especialistas Kali Simioni e João Nelson Tolfo, com reflexões sobre gestão, comportamento e eficiência na produção.
Com mais de 18 anos de experiência na avicultura industrial, Tolfo destacou o papel estratégico dos profissionais que atuam diretamente no campo. “Quem leva orientação para o campo faz extensão do conhecimento. Esse trabalho exige conexão, engajamento e capacidade de gerar significado para o produtor, para que as orientações realmente se transformem em resultado”, afirmou.

Engenheira agrônoma Kali Simioni: “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A engenheira agrônoma Kali, com mais de 22 anos de atuação no setor, reforçou que a chave está na conexão entre pessoas. “Não basta levar métodos ou padrões. É preciso entender a realidade de cada propriedade, o processo de decisão e conectar-se com o produtor para que a orientação se torne prática no dia a dia”, explicou.
Segundo os palestrantes, um dos principais gargalos da produção está na falta de conexão e comunicação assertiva, o que dificulta a adoção de tecnologias e boas práticas. Cada propriedade deve ser entendida como um sistema único. “Resultados diferentes acontecem porque as pessoas fazem de formas diferentes. Onde existe variabilidade, existem oportunidades de melhoria”, destacaram.
A palestra também trouxe uma abordagem prática sobre como transformar teoria em ação, destacando a importância de diagnósticos estruturados, identificação de gargalos e intervenções direcionadas. Métodos de extensão rural, como o arco, foram apresentados como ferramentas para acelerar a tomada de decisão e gerar mudanças efetivas no campo.
Outro ponto central foi o papel do profissional de alta performance. “Para gerar resultado, é preciso desenvolver três pilares: conhecimento técnico, domínio de método e liderança. O profissional precisa se tornar interessante e isso começa sendo interessado, ouvindo e entendendo o processo”, reforçaram.
Os especialistas também destacaram que toda decisão no campo é influenciada por fatores como experiência, cultura, histórico produtivo e percepção de risco, exigindo uma abordagem individualizada e focada na realidade de cada produtor. “Conhecimento técnico só gera valor quando entra na rotina de quem executa”, ressaltaram os profissionais.
Avicultura
SBSA reúne mais de 2,5 mil profissionais e reforça debate técnico sobre sanidade, nutrição e mercado avícola
Evento do Nucleovet teve público recorde, feira com mais de 70 empresas e programação focada em biosseguridade, gestão e competitividade internacional do frango brasileiro.

Chapecó, no Oeste catarinense, foi ponto de encontro de debates que movimentam a avicultura no Brasil e no mundo. Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que encerrou na quinta-feira (09), no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, com um público recorde de mais de 2,5 mil participantes.

Durante três dias, conhecimento, inovação e conexões movimentaram o 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o Simpósio reuniu profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior em uma programação intensa, que percorreu temas estratégicos como gestão e mercado, sanidade, nutrição, abatedouro e sustentabilidade. Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias, lançamento de soluções e troca de experiências, fortalecendo a integração entre indústria, pesquisa e campo.

Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Foram três dias de debates técnicos, painéis estratégicos e momentos de interação que aproximaram ciência, campo e indústria, promovendo um ambiente de construção coletiva do conhecimento. Na avaliação da presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, o evento superou as expectativas. “Encerramos a 26ª edição do SBSA com um público recorde de mais de 2.500 pessoas. Tivemos discussões relevantes e muitas conexões importantes, tanto na feira quanto na programação científica. Isso mostra a força do setor e a importância do Simpósio como espaço de atualização e relacionamento”, afirmou.
Ela também destacou que o evento acompanha um setor em constante transformação. Ao longo da programação, temas como sanidade, inovação nutricional, gestão de pessoas e cenários globais evidenciaram que a avicultura vai além da produção, exigindo cada vez mais estratégia, tecnologia e qualificação profissional.
Programação científica

Em paralelo, a 17ª Brasil Sul Poultry Fair ampliou o ambiente de negócios e relacionamento, reunindo mais de 70 empresas em um espaço voltado à apresentação de tecnologias – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
A programação científica percorreu os principais desafios e avanços da avicultura moderna, reunindo especialistas em debates que conectaram teoria e prática. Temas como sanidade avícola, controle de doenças emergentes, nutrição de precisão e saúde intestinal evidenciaram a importância do monitoramento constante, do uso de tecnologias e da evolução das estratégias produtivas para garantir desempenho, biosseguridade e sustentabilidade no setor.
Além dos aspectos técnicos, o Simpósio também ampliou a discussão para temas estratégicos, como gestão de pessoas, cenário global e aplicação do conhecimento no campo. As palestras reforçaram que a competitividade da avicultura passa pela qualificação profissional, pela capacidade de adaptação às transformações do mercado e, principalmente, pela conexão entre pessoas, processos e inovação. “O SBSA também mostrou o papel do Brasil no cenário internacional, como maior exportador mundial de carne de frango, com presença em mais de 150 mercados. Isso demonstra a responsabilidade do setor e a necessidade de estarmos sempre atualizados e preparados para os desafios globais”, completou Aletéia.
Ação social

Parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
O SBSA também teve espaço para ações sociais. Nesta edição, o lucro da NúcleoStore (loja de artigos personalizados que, a cada Simpósio, beneficia uma instituição de Chapecó. Os participantes puderam adquirir bótons, camisetas de diferentes estampas com uma comunicação mais lúdica sobre o setor, meias, lixocar e mousepads), será destinado à Associação de Voluntários do Hospital Regional do Oeste (Avhro), enquanto parte das inscrições será revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Chapecó. A iniciativa destaca o compromisso do Nucleovet em transformar seus eventos em plataformas de impacto social, aproximando os participantes da realidade das instituições e incentivando novas formas de contribuição. “Essas ações mostram que o nosso trabalho vai além da técnica. Queremos contribuir com a comunidade e fortalecer o papel social da entidade, conectando conhecimento com propósito”, enalteceu a presidente.





