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Saúde do solo: um novo horizonte para o agro

Saber preservá-la e melhorar sua forma de uso significa ter uma lavoura longeva

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Antonio Luis Santi / Professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Campus Frederico Westphalen

A próxima revolução na agricultura virá do solo. Ou melhor: da saúde e da sustentabilidade onde se produzem alimentos. Com muitas formas, variados nomes e desenvolvido a partir das características das mais diferentes regiões, a terra rica em nutrientes e que faz a nossa comida crescer é rara e preciosa. Saber preservá-la e melhorar sua forma de uso significa ter uma lavoura longeva.

Diante da demanda crescente por alimentos, a nutrição adequada do solo é garantia para se obter um bom potencial produtivo, seja qual for a cultura. Em uma camada de zero a dez centímetros, habitam milhares de bactérias, vírus, protozoários, fungos, minhocas e insetos. E, em uma área de um hectare desse pequeno mundo, podem habitar mais de dez mil espécies.

A diferença entre a poeira infértil e a terra viva depende diretamente da abundância e da diversidade desses organismos. Um sistema variado será responsável pela estruturação, retenção de água, reciclagem de nutrientes, proteção de plantas, promoção do crescimento vegetal e degradação de materiais orgânicos.

Portanto, quanto mais heterogêneo for esse microambiente, mais resultados virão. Solo bom é o que alimenta as plantas, ajudando no seu desenvolvimento. É aquele que tem nutrientes capazes de manter um ambiente limpo e menos poluído, evitando a erosão e protegendo as plantas de danos.

Para detectar com exatidão as diferenças de solos não percebidas em análises convencionais, surgiu o estudo das atividades enzimáticas. Essas avaliações ajudam a determinar, por exemplo, o volume de fertilizantes necessários e a planta de cobertura mais adequada para determinada área. Para fazer um paralelo, são como um exame de DNA do solo.

Estamos diante de um recurso com enorme potencial transformador e que ainda está dando os primeiros passos no país. Ao lado da inteligência de dados, abrirá um novo horizonte para o agro. Contribuirá para que os produtores alcancem um resultado ainda melhor, de forma veloz e assertiva, e reforçará a vocação do Brasil em alimentar o mundo. Virá do solo o próximo grande salto de produtividade do campo.

Diretor técnico da ConnectFarm e Professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Campus  Frederico Westphalen 

Fonte: Assessoria.
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Luiz Vicente Suzin Opinião

Cooperativas: Na crise ou na bonança

Governo Federal prudentemente instituiu o auxílio emergencial no ano passado, medida reeditada neste ano por questões fortemente humanitárias

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Artigo escrito por Luiz Vicente Suzin, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Santa Catarina (SESCOOP/SC)

As classes econômicas localizadas na base da pirâmide social sofrem um processo de empobrecimento inédito na história recente. A crise econômica que se arrasta desde 2016 e os percalços para o crescimento do País geraram uma elevada taxa de desemprego e de subemprego. As expectativas de uma retomada segura, que se vislumbrava no primeiro trimestre de 2020, foram derrubadas pela eclosão da pandemia e por todas as mazelas que trouxe em seu bojo.

O quadro, inevitavelmente, deteriorou-se nesses 13 meses de crise sanitária no Brasil, deixando ainda mais vulnerabilizados aqueles a quem o serviço social chama de hipossuficientes, ou seja, os destituídos de tudo ou quase tudo. O Governo Federal prudentemente instituiu o auxílio emergencial no ano passado, medida reeditada neste ano por questões fortemente humanitárias.

É inspirador identificar, nesse cenário de dificuldades, o papel das cooperativas dos diversos ramos de atividade no esforço – ora isolado no plano local, ora articulado na esfera regional ou estadual – de mitigar as dores físicas e emocionais desses brasileiros.

Na crise, a segurança alimentar é a primeira preocupação: a história nos mostra que onde grassar a fome não haverá paz social. As 45 cooperativas agropecuárias de Santa Catarina são essenciais para assegurar o preparo de grande parte dos 1,3 milhão de hectares cultivados em território barriga-verde e, consequentemente, contribuem com parcela significativa da safra agrícola estadual que, neste ano, deve render 7 milhões de toneladas, entre arroz, feijão, soja, milho e outros produtos agrícolas. Essa imensa produção rende ao Estado milhões de dólares em exportações, mas, acima de tudo, assegura alimento farto e acessível à população em todas as regiões. Simultaneamente, as cooperativas produzem grãos para a nutrição animal de duas cadeias produtivas que notabilizaram os criadores catarinenses no Brasil e no mundo: a suinocultura e a avicultura.

Nesse particular, é importante notar a questão do alimento acessível. Excetuando-se um ou outro produto que, por questões climáticas, sanitárias, logísticas ou mercadológicas, apresenta-se episodicamente encarecido, de regra a comida no Brasil tem preço entre baixo e moderado. Parte dessa realidade é edificada pelas cooperativas.

Os formuladores de políticas públicas perceberam que a forma mais eficiente de distribuição de renda é o emprego. Contudo, em tempos de baixa atividade econômica e legislação trabalhista complexa, a alternativa é capacitar e instrumentalizar as pessoas para uma atividade viável, sustentável e rentável – mesmo que seja no microcosmo desse pequeno agente econômico. Santa Catarina aderiu a essa fórmula, como comprovam os mais de 500 mil microempreendedores individuais (MEIs) registrados. Esses trabalhadores também podem ser organizados em cooperativas, quando realmente houver uma vocação coletiva para um projeto associativista.

É fato notório e historicamente comprovado que a sociedade em geral e o Poder Público em particular podem contar com o papel solidário das cooperativas em épocas de bonança ou de crise.

Fonte: Assessoria
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Dilvo Grolli Opinião

O pedágio e as questões não explicadas

O desafio dos líderes do Oeste nessa missão é mudar a proposta do Ministério de Infraestrutura

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Artigo escrito por Dilvo Grolli, presidente da Cooperativa Coopavel

A proposta apresentada pelo Ministério de Infraestrutura para a licitação das concessões do pedágio no Paraná deixou muitos questionamentos. Assim, somos obrigados a algumas considerações:

Primeiro: O Ministério de Infraestrutura apresentou uma estimativa de arrecadação, nos próximos 30 anos de concessões, de R$ 156 bilhões, sofrendo reajustes baseados na inflação. Desses valores prevê-se destino de R$ 42 bilhões para obras e manutenção.

Segundo: O INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor -, no período de 2010 a 2020, teve aumento de 75%. Vamos que esse índice permaneça nos próximos períodos, só aí é possível perceber que os valores de arrecadação do pedágio de 2021 a 2051 serão de aproximadamente R$ 400 bilhões e não de R$ 156 bilhões divulgados pelo Ministério de Infraestrutura. Onde está a lógica?

Há que se considerar ainda que no período (2010 a 2020) o PIB – Produto Interno Bruto -, no Brasil, cresceu 2,7%, índice que não servirá para o reajuste dos valores do pedágio que serão, de acordo com a proposta, corrigidos pela inflação que chegou a 75%.

Isso se traduz em perda de competitividade aos nossos produtos e serviços e na transferência de patrimônio da sociedade paranaense para as concessionárias. Algo muito grave!

Terceiro: Os investimentos divulgados pelo Ministério de Infraestrutura a serem feitos no período de 2021 a 2030 importam em R$ 42 bilhões e serão totalmente acrescidos aos valores do pedágio até 2051. Isto é: todos os investimentos serão reembolsados para as concessionárias nos pagamentos das tarifas das praças de pedágio feitos pelos usuários.

Quarto: A população do Paraná é de 11,6 milhões de habitantes, com uma frota de 8 milhões de veículos, isto é, uma média 1,5 habitante/veículo. Temos de considerar ainda os veículos que são emplacados em outros estados e aqueles que transitam pelas rodovias paranaenses que vem de outras regiões do País, e que passarão pelas 42 praças de pedágio dos 3.327 quilômetros de estradas pedagiadas. Projetando um crescimento anual de 80 mil veículos, quantos veículos serão em 2051? Então, de quanto será a arrecadação total das concessionárias de 2021 a 2051?

Quinto: O modelo proposto pelo Ministério de Infraestrutura é mais desastroso e muito mais nocivo que o atual por vários aspectos:

1º – aumento de 2.800 para 3.327 quilômetros de rodovias pedagiadas;

2º – aumento de 27 para 42 praças de pedágio;

3º – projeção de arrecadação que pode ultrapassar R$ 400 bilhões;

4º – inexplicavelmente, os valores do pedágio no Paraná continuarão como os maiores do Brasil.

Isso é absurdo e inaceitável. Será o comprometimento do futuro de duas gerações de indivíduos e a lenta destruição da economia do Paraná.

O Oeste do Estado, grande produtor de bens e serviços, com ações focadas e determinadas pela necessidade de competitividade, vive e manifesta a imensa preocupação com o futuro da região, com os valores do novo pedágio e com a logística para a comercialização da sua produção.

É por isso que nos envolvemos e insistimos nessa bandeira crucial para o nosso futuro. Entendemos que a população precisa ser conscientizada da importância do debate sobre a nova concessão e sobre as tarifas do pedágio. É importante ressaltar que a economia do Oeste do Paraná e do estado do Paraná será entregue ao capital especulativo das futuras concessionárias.

Elas querem potencializar o retorno econômico para as suas corporações. E toda a sociedade ficará dependente dessas concessionárias, como estamos desde 1997, sendo explorados pelas atuais detentoras das concessões. E muita atenção, porque elas querem permanecer na exploração e parece que as coisas se alinham para tal.

O desafio dos líderes do Oeste, tendo à frente o POD – Programa Oeste em Desenvolvimento -, a Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), as Cooperativas e os políticos e os empresários empenhados nessa missão é mudar a proposta do Ministério de Infraestrutura.

Temos apenas 60 dias de prazo para a desconstrução do modelo proposto do Ministério de Infraestrutura e criarmos um modelo justo para a sociedade, que não seja uma sangria de recursos, mas que ofereça condições de logística e estratégias propositivas para melhorar a competitividade dos produtos e a prosperidade do estado do Paraná.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Há muita tecnologia no campo

A tecnologia empregada no campo vem de várias fontes, como as universidades e os centros de pesquisas públicos e privados

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC)

O sucesso no campo é orientado pela ciência. Os resultados obtidos em melhoria da sanidade e no aumento da produtividade, da produção e da qualidade nas áreas da agricultura, da pecuária, da piscicultura, da silvicultura e do extrativismo, entre outros, são integralmente devidos ao emprego de tecnologia.

A tecnologia empregada no campo vem de várias fontes, como as universidades e os centros de pesquisas públicos e privados. Empresas privadas de setores avançados – entre eles a avicultura, suinocultura e os cereais – têm investido em anos de pesquisas, o que permitiu oferecer produtos de vanguarda, invariavelmente à frente da Academia. As novas tecnologias permitem ao produtor um maior controle sobre a produção, otimização dos recursos da propriedade e aumento da lucratividade.

A revolução do conhecimento que a indústria e demais setores da economia absorveram também chegou ao campo para torná-lo mais eficiente. Será cada vez mais frequente, no futuro próximo, o uso da inteligência artificial, do big data (estuda como tratar, analisar e organizar informações), das impressões 3D, da internet das coisas (uso de sensores para colher dados), blockchain (permite rastrear o envio e recebimento de dados pela internet), automação parcial, identificação e controle por radiofrequência (RFID), realidade aumentada, visão computacional etc. É notório que o emprego articulado dessas tecnologias tem impacto transformador nas cadeias produtivas.

A questão central que se apresenta é como viabilizar que o produtor, na condição de pequeno ou médio empresário rural, tenha acesso a todas essas tecnologias. As agroindústrias têm sido as parcerias mais tradicionais na transferência de tecnologias ao campo, pois são as maiores beneficiadas pelos seus resultados. Em decorrência das tecnologias surgem melhorias intrínsecas nas matérias-primas que recebem, de sua base produtiva no campo, para processamento industrial. Nesse caso, geralmente a base produtiva está organizada pelo sistema de integração – uma modalidade que está regulada em lei federal e é muito comum nas cadeias de aves, suínos, leite e fumo – e na qual as empresas suportam a maior parte do investimento.

Mas é preciso pensar em novas formas de financiamento e, ao mesmo tempo, ampliar os canais de transferência de conhecimento entre a universidade pública e o agronegócio.

A liderança que o Brasil conquistou na esfera planetária decorreu da associação entre recursos naturais (solo, água, clima) com vocação laboral (recursos humanos) e uso de tecnologia (a ciência aplicada ao desenvolvimento). O principal desses fatores, de forma cada vez mais acentuada, é e será a tecnologia.

Outro ponto essencial é qualificar o usuário final  – o produtor/empresário rural  – para o uso adequado das tecnologias disponíveis e acessíveis. Essa deve ser uma prioridade cogente dos formuladores de políticas para o agro. Nesse aspecto, o Sistema S tem sido pródigo na criação e oferta de produtos para formação, qualificação e requalificação profissional.

Há um outro nó górdio a desatar. Hodiernamente, quase todas as tecnologias estão ancoradas na internet. Da mesma forma, os programas educacionais/instrucionais dependem de plataformas disponibilizadas na rede mundial de computadores. Assim, fica patente que internet de boa qualidade é uma condição sine qua non para o desenvolvimento das regiões agrícolas, sem a qual não terá acesso ao conhecimento científico – seja na forma de tecnologia ou de cursos de capacitação.

Fonte: Assessoria
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Biochem site – lateral

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