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São Paulo enfrenta redução na área plantada de trigo em 2024
Projeção deve ser 20% menor que a registrada no último ciclo. Principal fator para isso foi a indecisão dos produtores sobre qual cereal plantar em suas propriedades, com o milho trazendo um cenário mais favorável a eles.

Em decorrência da redução do volume produzido no ano e dos produtores reservando um espaço maior para o cultivo de outros grãos, o território paulista terá uma redução na área plantada de trigo em 2024, de acordo com as informações apresentadas durante reunião da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo na última quinta-feira (29), em Capão Bonito (SP).
Esse foi um dos temas debatidos no encontro, que reuniu a cadeia produtiva do trigo para analisar as projeções para o ano e debater como o estado pode continuar produzindo com qualidade a matéria-prima para a indústria moageira paulista. “Todas as cooperativas que apresentaram seus reportes apontaram para uma redução de, pelo menos, 20% de suas áreas para a próxima safra, o que, provavelmente, vai se refletir no saldo final de produção no encerramento do ano”, explica o novo presidente da Câmara Setorial, Nelson Montagna.

Reunião da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo aponta redução de 20% na área plantada para 2024 – Foto: Divulgação/Sindustrigo
Elas indicaram como principal fator para isso foi a indecisão dos produtores sobre qual cereal plantar em suas propriedades, com o milho trazendo um cenário mais favorável a eles.
Apresentando o contexto atual do cereal no mundo e no Brasil, o Head de trigo da OpenSolo, Rafael Mihailovici, explicou sobre a importância do Hemisfério Norte para o mercado global. “De acordo com o último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Hemisfério Norte representa 85% da produção mundial e ditam uma queda nos preços globais, principalmente por conta da Rússia e dos Estados Unidos”.
Segundo o profissional, os EUA passam pelo ritmo mais lento de exportação dos últimos 50 anos, mesmo com uma produção boa em termos de qualidade, por conta dos preços menos competitivos em relação ao trigo do Mar Negro. A Rússia, em contrapartida, tem investido nos portos para ampliar seu escoamento do cereal.
No Brasil, Mihailovici pontuou que todas as commodities passam por um momento de queda, além de apontar a transição do fenômeno climático El Niño para o La Niña. “Há uma expectativa de uma neutralidade do El Niño até o meio do ano e, no segundo semestre, espera-se a chegada do La Niña. Nos anos em que ela ocorreu, o trigo acabou tendo uma produtividade muito boa tanto em São Paulo quanto nos demais estados do Sul”, reforça.
Mudança na presidência da Câmara Setorial
O encontro também marcou a eleição do Supply Manager do Moinho Anaconda, Nelson Montagna, como novo Presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, tendo o Diretor de operações de mercado agrícola da cooperativa Castrolanda, José Reinaldo Oliveira, como Vice-Presidente. Os dois ocuparão seus cargos no biênio 2024/25.
A reunião contou, ainda, com palestras sobre as novidades em sementes para a próxima safra, com participação de profissionais da OR Sementes e da Biotrigo/GDM, além de uma apresentação sobre a importância do manejo adequado do trigo no pós-colheita.
O Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) transmitiu a reunião ao vivo em seu canal do YouTube, que está disponível on demand para você assistir quando quiser.

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
Notícias
Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



