Avicultura Para especialista do mercado de carnes
São nos meios digitais que as opiniões são formadas, inclusive a maneira como comemos
Segundo especialista, é preciso compreender o que pensa o consumidor e o que ele busca

Estamos imersos num mar incertezas, em que o futuro é presente. No passado, uma tecnologia ou comportamento social levava anos, até décadas, para ser adotada em larga escala. Hoje, além de não sabermos o que nos espera, as transformações podem ocorrer de um ano para outro ou até em poucos meses. A disrupções constantes ocorrem nas empresas, desafiam o futuro das profissões, das relações sociais e da economia.
Refletir sobre o mercado mundial e brasileiro de carnes foi a missão do experiente consultor Gordon Butland, diretor da G&S Agriconsultants, durante o 20o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, realizado em Chapecó, SC. A palestra abriu o evento, que reuniu mais de dois mil profissionais de toda a América Latina.
No mercado consumidor, a transformação com novas e diferenciadas exigências virou rotina. Tradição não é mais garantia de liderança ou permanência da empresa no mercado. É preciso compreender o que pensa o consumidor e o que ele busca.
Tendências
As pessoas estão consumindo menos proteína animal, constata Butland. “São mudanças no comportamento do consumidor que têm um efeito multiplicador”. Essa e outras tendências correm como um pavio de pólvora no mercado, sendo que as mídias digitais são o elemento condutor. “Temos uma geração que não vive sem celular. Esse aparelho modificou nossa maneira de viver”. Nesse contexto, uma marca não existe se não estiver na palma da mão dos consumidores, que são influenciados pelo que veem na tela. “É nos meios digitais que as opiniões são formadas, inclusive a maneira como comemos”, constata.
O jogo mudou e as regras são outras. “As pessoas não aceitam mais a relação ‘da granja à mesa’. Agora, é o consumidor quem diz o que deve ser produzido”, define. “Eles querem saber de onde vem a comida, como foi produzida e o que realmente tem dentro da embalagem”, complementa.
A linguagem do consumidor é simples e direta. “Ele quer rótulos compreensíveis e tem horror a termos como aditivos, amplamente utilizado na indústria”. Ainda conforme Butland, as pessoas buscam alimentos com menos sódio e querem conhecer os valores nutricionais dos alimentos. Não são apenas os jovens que buscam relações de consumo melhores. “Muitas pessoas com 50 anos ou mais buscam longevidade e ajustam a dieta com esse objetivo, o que inclui comer mais disso ou menos daquilo. Isso muda a forma como produzimos e o que temos produzido”, salienta.
Bem-estar animal e meio ambiente
Bem-estar animal, cuidado com o meio ambiente, redução de antibióticos, são algumas questões que se inserem no sistema produtivo com muita força. Nesse sentido, as auditorias atuam como guardiãs dessas questões. “Sabemos que algumas coisas o consumidor tem na cabeça, não são baseados em fatos científicos. Mas, no supermercado, não podemos esquecer a opinião do público”.
Quais as consequências desses novos parâmetros nas indústrias? “Vamos ter especificações mais complexas, sujeitas a auditorias sem aviso prévio. E querem tudo isso sem pagar mais”, reflete. “Não é invenção de quem faz, mas começa com o consumidor, que está forçando mudanças”, salienta.
Credibilidade
Com informações claras sobre o que está comprando, o consumidor busca construir relações de confiança. Para isso, países, empresas e produtores precisam inspirar credibilidade. Nesse sentido, o sapato aperta de todos os lados. Uma das preocupações das multinacionais, por exemplo, é auditar seus fornecedores globalmente.
O Brasil, grande líder mundial na produção de alimentos, teve sua credibilidade arranhada nos últimos tempos. Butland acredita que ainda existe sujeira debaixo do tapete. “As questões envolvendo o ex-presidente Temer não terminaram. Tudo começou com as delações dos irmãos Batista. Então, podemos voltar às manchetes negativas novamente e ter problemas com isso”.
Restabelecer a credibilidade brasileira é fundamental, na visão de Butland. “E isso não acontece em um ano”, frisa. Ele cita o exemplo da Tailândia, que gerenciou mal a gripe aviária em 2004. “Após isso, levou oito anos para retornar ao mercado da União Europeia e dez anos para o Japão”. Para o consultor, isso não vai acontecer com o Brasil. “O mercado não consegue ficar sem a gente, mas não podemos descuidar da credibilidade”, menciona.
Neste cenário, Butland acredita que não se pode subestimar a velocidade e o impacto das comunicações. “O problema ocorre e, imediatamente, a comunicação deve ser clara”.
Importações X exportações
O Brasil exporta para 150 países, sendo que 85% dos produtos são enviados para 30 nações. Em outros sete, o Brasil é o mercado número um de compras. “Quando eu olho para o comércio mundial, não foco nos exportadores, mas para quem está importando. Se não tem importação, não tem exportação”, salienta. Nesse cenário, Butland vê que 16% do crescimento em longo prazo vêm dos menores. Isso porque países e companhias não gostam de depender apenas de um fornecedor. A China, por exemplo, compõe 82% de nossos envios, e a tendência é se manter nesse patamar. “Mesmo onde não somos número um, já temos um market share substancial”, finaliza.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2019 ou online.

Avicultura
Rio Grande do Sul realiza em março 2º Fórum Estadual de Influenza aviária
Encontro vai reunir em Montenegro o setor avícola para discutir prevenção e contingência após registros recentes da doença na Argentina e no Uruguai.

O município gaúcho de Montenegro, no Vale do Caí, vai sediar no dia 17 de março, a partir das 13h30, o 2º Fórum Estadual de Influenza aviária – Prevenção e Contingência. O evento será realizado no Teatro Roberto Atayde Cardona e reunirá lideranças do setor, técnicos e produtores rurais para debater estratégias de biosseguridade e resposta sanitária.
As inscrições para o fórum são gratuitas e podem ser realizadas clicando aqui.
A iniciativa é organizada pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi), em parceria com a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa).
O objetivo é promover a troca de experiências e reforçar protocolos de prevenção diante do cenário sanitário regional. Neste mês, foram confirmados focos da doença em aves comerciais na Argentina e em aves silvestres no Uruguai, o que acendeu o alerta no setor.
De acordo com a médica-veterinária Alessandra Krein, do Programa de Sanidade Avícola do DDA, o momento exige vigilância máxima. “Com os registros recentes nos países vizinhos, o momento se torna propício para a sensibilização máxima do setor avícola. Não podemos aliviar nas medidas de biosseguridade”, afirmou.
Avicultura
Painéis e debates técnicos compõem programação do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
Inscrições estão abertas e o primeiro lote encerra nesta quinta-feira (26). Evento acontece entre os dias 07 e 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Um dos principais encontros técnicos da avicultura latino-americana já tem data marcada e programação definida. O 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) ocorrerá de 07 a 09 de abril, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC), reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater os desafios e as tendências da cadeia produtiva. As inscrições estão abertas e o primeiro lote encerra nesta quinta-feira (26).
Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), o SBSA contará com programação científica e a realização simultânea da 17ª Brasil Sul Poultry Fair, um espaço estratégico para atualização técnica, networking e geração de negócios. O investimento para o primeiro lote é de R$ 600,00 para profissionais e R$ 400,00 para estudantes. O acesso à Poultry Fair é de R$ 100,00.

A 17ª Brasil Sul Poultry Fair reunirá empresas nacionais e multinacionais dos segmentos de genética, sanidade, nutrição, aditivos, equipamentos e tecnologias
Reconhecido como referência na disseminação do conhecimento e na promoção da ciência aplicada ao campo, o SBSA reúne médicos-veterinários, zootecnistas, técnicos, produtores, pesquisadores e empresas para discutir temas que impactam diretamente a competitividade da avicultura. A programação científica da edição de 2026 foi estruturada em painéis temáticos que abordam gestão, mercado, nutrição, manejo, sanidade, sustentabilidade e cenários globais, sempre com foco na aplicabilidade prática.
A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que o Simpósio mantém o compromisso de alinhar conhecimento técnico às demandas do setor. “O SBSA é espaço de atualização profissional e troca de experiências. Buscamos uma programação que integre o que há de mais atual e relevante, mas, principalmente, que leve aplicabilidade real ao dia a dia da produção avícola”, afirma.
A realização do Simpósio ocorre em um momento de constante transformação da avicultura brasileira, setor que mantém protagonismo no agronegócio nacional, com crescimento produtivo, fortalecimento das exportações e desafios sanitários e logísticos que exigem qualificação técnica permanente. Nesse contexto, médicos-veterinários e zootecnistas desempenham papel estratégico na garantia da saúde pública, da produtividade e da sustentabilidade da atividade.
A 17ª Brasil Sul Poultry Fair reunirá empresas nacionais e multinacionais dos segmentos de genética, sanidade, nutrição, aditivos, equipamentos e tecnologias voltadas à avicultura, fortalecendo o intercâmbio entre indústria e produção.
As inscrições podem ser realizadas através do clicando aqui.
Programação geral
• 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
• 17ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 07/04 – TERÇA-FEIRA
13h30 – Abertura da Programação
13h40 – Painel Gestão de Pessoas
Capital humano em crise: o futuro da mão de obra na avicultura.
Palestrantes:
Delair Bolis
Joanita Maestri Karoleski
Vilto Meurer
Luciana Dalmagro – Coordenadora da mesa redonda
15h40 – Intervalo
16h – Commodities em foco: superando barreiras logísticas e incertezas do futuro.
Palestrante: Arene Trevisan
(15 minutos de debate)
17h- Solenidade de Abertura Oficial
17h40 – Palestra de abertura: Cenários Globais 2026
Palestrante: Heni Ozi Cukier – HOC
19h15 – Coquetel de Abertura na 16ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 08/04 – QUARTA-FEIRA
Bloco Abatedouro
8h – Velocidade de processamento e qualidade do abate.
Palestrante: Darwen de Araujo Rosa
(15 minutos de debate)
9h – Comparativo microbiológico entre países no contexto da ciência da segurança alimentar.
Palestrante: Dianna V. Bourassa
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
Bloco Nutrição
10h30 – Granulometria e seu impacto no trato digestivo.
Palestrante: Wilmer Pacheco
(15 minutos de debate)
11h30 – Níveis de Ca e P nas dietas modernas do frango de corte.
Palestrantes: Rosalina Angel
(15 minutos de debate)
12h30 – Intervalo almoço
Eventos Paralelos
Painel Manejo
14h00 – Manejo do Frango de Corte Moderno
Palestrantes:
Lucas Schneider
Rodrigo Tedesco Guimarães
16h – Intervalo
Bloco Conexões que Sustentam o Futuro
16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.
Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo
(15 minutos de debate)
17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?
Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme
(15 minutos de debate)
18h30 – Eventos Paralelos
19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair
DIA 09/04 – QUINTA-FEIRA
Bloco Sanidade
8h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias
Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande
(15 minutos de debate)
9h – Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.
Palestrante: Dr. Ricardo Rauber
(15 minutos de debate)
10h – Intervalo
10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.
Palestrante: Gonzalo Tomás
(15 minutos de debate)
11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.
Palestrante: Taís Barnasque
(15 minutos de debate)
Sorteios de brindes.
Avicultura
Argentina confirma novo surto de gripe aviária em aves comerciais
SENASA detectou a doença em um estabelecimento de linhagens genéticas na cidade Ranchos, na província de Buenos Aires, ativando imediatamente seu Plano de Contingência.

Por meio de diagnóstico laboratorial, o Servicio Nacional de Sanidad y Calidad Agroalimentaria (Senasa) confirmou um caso positivo de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) H5 em aves de produção comercial, na província de Buenos Aires. O foco foi identificado após a análise de amostras coletadas em um estabelecimento localizado na cidade de Ranchos.
A notificação ao órgão sanitário ocorreu depois da observação de sinais clínicos compatíveis com a doença e de elevada mortalidade no plantel. Veterinários oficiais realizaram a coleta das amostras, que foram encaminhadas ao Laboratório Oficial do Senasa, em Martínez, responsável por confirmar o resultado para IAAP H5.

Foto: Shutterstock
Após a confirmação, o Senasa ativou o plano de contingência e determinou a interdição imediata do estabelecimento. Conforme o protocolo sanitário, foi instituída uma Zona de Controle Sanitário, composta por uma área de perifoco de 3 quilômetros ao redor do foco, com reforço nas medidas de contenção, biosseguridade e restrição de movimentação, além de uma zona de vigilância de 7 quilômetros, destinada ao monitoramento e rastreamento epidemiológico.
Entre as medidas previstas, o órgão supervisionará o despovoamento das aves afetadas e a destinação adequada dos animais, seguidos por procedimentos de limpeza e desinfecção no local.
O Senasa comunicará oficialmente o caso à Organização Mundial de Sanidade Animal (OMSA). Com isso, as exportações de produtos avícolas para países que mantêm acordo sanitário com reconhecimento de livre da doença serão temporariamente suspensas. Ainda assim, a Argentina poderá continuar exportando para os países que reconhecem a estratégia de zonificação e compartimentos livres de IAAP.
Caso não sejam registrados novos focos em estabelecimentos comerciais e transcorridos ao menos 28 dias após a conclusão das ações de abate sanitário, limpeza e desinfecção, o país poderá se autodeclarar livre da doença junto à OMSA e restabelecer sua condição sanitária, permitindo a retomada plena das exportações.
A produção destinada ao mercado interno seguirá normalmente, uma vez que a influenza aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves nem de ovos.
Medidas preventivas

Foto: Adapar
Para reduzir o risco de disseminação da IAAP, os estabelecimentos avícolas devem reforçar as práticas de manejo, higiene e biosseguridade previstas na Resolução nº 1699/2019. Entre as orientações estão a inspeção periódica das telas antipássaros, a verificação da correta lavagem e desinfecção de veículos e insumos, a intensificação da limpeza em áreas com acúmulo de fezes de aves silvestres e a eliminação de pontos com água parada que possam atrair outros animais.
Criadores de aves de subsistência também devem manter os animais em locais protegidos, evitar o contato com aves silvestres, utilizar roupas exclusivas para o manejo, higienizar regularmente as instalações e restringir o acesso de aves silvestres às fontes de água e alimento.



