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Santa Catarina reforça biosseguridade e cria novas regras para granjas tecnificadas

Portaria SAPE nº 50/2025 entra em vigor com medidas obrigatórias para proteger o status sanitário do estado e fortalecer a cadeia suinícola catarinense.

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Entra em vigor nesta sexta-feira (07), a portaria SAPE n° 50/2025, que estabelece medidas mínimas de biosseguridade para granjas tecnificadas que produzem ou distribuem suínos com destino ao abate em Santa Catarina.  A medida visa fortalecer a prevenção e ampliar a proteção do status sanitário do estado, referência internacional em saúde animal.

“Santa Catarina é reconhecida internacionalmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica. Essa nova norma garante que continuemos protegendo esse status sanitário e fortalecendo a cadeia suinícola catarinense, que é uma das mais tecnificadas do mundo”, destaca a Coordenadora Técnica de Sanidade Animal do Sistema OCESC, Ana Paula Martello.

O conjunto de normas da portaria define padrões obrigatórios para todas as unidades produtivas tecnificadas — como granjas de ciclo completo, unidades de leitões desmamados, crechários e unidades de terminação — e busca reduzir os riscos de introdução e disseminação de agentes patogênicos nos rebanhos. A iniciativa complementa o Programa Biosseguridade Animal SC, lançado em setembro pelo Governo do Estado.

“A portaria consolida uma cultura que já é praticada e defendida pelo cooperativismo catarinense há anos. São critérios mínimos obrigatórios de biosseguridade para que as granjas possam realmente receber o título de tecnificadas, protegendo o patrimônio sanitário do nosso estado para que sigamos como maiores exportadores de carne suína do Brasil. Além disso, também auxilia para sustentar a renda no campo e a imagem de excelência sanitária do cooperativismo agropecuário catarinense e do Estado de Santa Catarina.  A portaria é um grande marco de modernização, que fortalece ainda mais a defesa sanitária do nosso estado”, ressalta a Gerente de Apoio Agropecuário da Aurora Coop, Eliana Renuncio.

Entre as principais exigências estão a limpeza e desinfecção dos veículos de transporte de animais, controle rigoroso de visitantes, uso de roupas e calçados exclusivos nas unidades, proteção de reservatórios de água e manejo adequado de dejetos e resíduos. As granjas também deverão manter registros atualizados e arquivados por, no mínimo, três anos, à disposição dos serviços veterinários oficiais.

A portaria estabelece ainda prazos diferenciados para adequação das propriedades, de acordo com o impacto estrutural das mudanças: ações imediatas, como planos de biosseguridade e barreiras sanitárias; ajustes em até 12 meses, como cercas e câmaras de compostagem; e obras em até 24 meses, como construção de novas cercas de isolamento e embarcadouros.

O Serviço Veterinário Oficial (SVO) será o responsável pela fiscalização do cumprimento das normas e pela validação dos planos de ação elaborados pelas cooperativas, integradoras ou produtores independentes.

Excelência sanitária

Santa Catarina possui um status sanitário único no Brasil. Em 2007, o estado foi o primeiro do país a ser reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como área livre de febre aftosa sem vacinação. Em 20215, também foi reconhecido como zona livre de peste suína clássica.

Foto: Luiza Biesus

As conquistas expandiram a comercialização da carne suína catarinense para os mercados mais exigentes do mundo e posicionaram Santa Catarina como principal estado exportador no Brasil, responsável por mais da metade do produto embarcado para o exterior.

A posição de destaque é, também, fruto do modelo de integração cooperativista, que permite que as práticas de biosseguridade sejam padronizadas e implementadas em todas as unidades que produzem suínos, do pequeno produtor às granjas de grande porte. Para os produtores integrados do cooperativismo catarinense, as práticas avançadas de biosseguridade já fazem parte da rotina há anos. Na Aurora Coop, por exemplo, as medidas estão no Manual de Boas Práticas de Produção. “A sanidade animal é um pilar estratégico para conseguir acesso aos mercados internacionais, é o alicerce que sustenta toda a nossa cadeia produtiva. Essas práticas rigorosas que adotamos em toda a nossa base de produção geram confiança e credibilidade. Comprovamos a ausência de doenças e a qualidade da carne suína já na sua origem, o que garante a longevidade nas relações comerciais. Com 70 mil associados, a Aurora Coop atua como agente catalisador para manter e elevar continuamente esse padrão sanitário”, enfatiza Renuncio.

O modelo de gestão cooperativista garante homogeneidade sanitária em toda a cadeia de produção, essencial para atender grandes volumes de exportação com constância. “A portaria é uma ferramenta de alinhamento e de auditoria oficial. Isso é mais um diferencial para podermos garantir excelência sanitária aos nossos compradores e aos mercados importadores de Santa Catarina”, afirma Eliane.

Programa Biosseguridade Animal SC

O programa visa atender as determinações implantadas pela portaria SAPE n° 50/2025, que estabelece medidas mínimas de biosseguridade para granjas tecnificadas. Por meio do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), o governo do estado apoiará os produtores na construção das novas barreiras sanitárias implantadas pela portaria SAPE n° 50/2025, como cercas de isolamento, câmaras de compostagem, esterqueiras, embarcadouros e desembarcadouros, fábricas de rações ou estocagens e outros.

Foto: Ari Dias

Podem acessar os recursos produtores enquadráveis no CAF/Pronaf, exceto quanto ao limite de quatro módulos fiscais, ou no Pronamp, que produzem ou distribuem suínos com fins comerciais cujo destino será o abate. O limite de financiamento será de R$ 70 mil por granja produtora, o pagamento será em cinco parcelas anuais e sucessivas, do mesmo valor, sem acréscimo de correção monetária ou juros.

As subvenções de financiamento são de 40% para R$ 30 mil, 30% para R$ 50 mil e 20% para R$ 70 mil. As solicitações de financiamentos deverão ser realizadas nos Escritórios Municipais da Epagri.

Fonte: Assessoria Sistema OCESC

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A suinocultura brasileira sobe a bordo: Agriness reúne líderes do setor no Costa Diadema para celebrar 25 anos

Mais do que uma cerimônia de reconhecimento, o encontro proporcionou um ambiente de troca de experiências e reflexão sobre os rumos da atividade no Brasil.

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Foto: O Presente Rural

A suinocultura brasileira ganhou um cenário inusitado — e simbólico — para um de seus principais encontros: o navio de cruzeiro Costa Diadema.

Entre os dias 11 e 14 de abril, produtores e lideranças do setor estiveram reunidas a bordo para a realização da premiação Melhores da Suinocultura Agriness, evento que também marcou a celebração dos 25 anos da Agriness, referência em tecnologia e gestão para a produção suinícola.

Mais do que uma cerimônia de reconhecimento, o encontro proporcionou um ambiente de troca de experiências e reflexão sobre os rumos da atividade no Brasil.

Durante o evento, a reportagem conversou com o CEO da empresa, Everton Gubert, sobre a trajetória da companhia, os avanços tecnológicos no setor e as perspectivas para o futuro da suinocultura brasileira.

Para quem deseja conhecer mais sobre a história da Agriness, o conteúdo completo está disponível na edição especial de suínos de 2021 de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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ACCS cobra da CNA isenção de impostos no novo Plano Safra

Ofício enviado à CNA propõe zerar tributos na importação de grãos e revisar regras de crédito para socorrer produtores independentes.

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Foto: Divulgação

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia protocolaram, nesta sexta-feira (17), um ofício direcionado à Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento, endereçado à vice-presidente da comissão, Deborah Gerda de Geus, apresenta demandas para o Plano Safra 2026/2027 com o objetivo de garantir a sustentabilidade da suinocultura independente. Atualmente, o setor enfrenta margens de lucro comprimidas, endividamento estrutural crônico e alto risco econômico.

O desafio dos custos de produção

O ofício destaca que a atividade sofre com intensa volatilidade e com ciclos de preços desfavoráveis, gerando uma forte assimetria entre as receitas do produtor e os custos operacionais. O principal desafio está na nutrição dos animais, fator que representa mais de 70% do custo total de produção nas granjas.

A região produtora enfrenta um déficit severo de grãos: o consumo atinge a marca de oito milhões de toneladas de milho, enquanto a produção local é de apenas dois milhões de toneladas. Essa diferença obriga os produtores a importarem insumos agrícolas do centro-oeste do Brasil e de países do Mercosul.

Principais propostas para o Plano Safra

Para mitigar a pressão financeira e estimular a continuidade da atividade, as lideranças de Santa Catarina listaram uma série de reivindicações técnicas para o próximo Plano Safra:

Isenção de impostos: A principal alternativa sugerida é zerar as alíquotas de PIS e COFINS na importação de grãos do Mercosul para cooperativas de produção, visando baratear os custos.

Crédito específico: O setor pede a criação de linhas de custeio exclusivas para a proteína animal. O objetivo é garantir recursos disponíveis durante todo o ano para a compra de ração, cuidados com sanidade, energia e reposição do plantel.

Limites de faturamento (Pronamp): A ACCS propõe a revisão dos critérios de Renda Bruta Agropecuária (RBA) para evitar que produtores de médio porte sejam excluídos automaticamente do crédito subsidiado. O documento alerta que um faturamento bruto elevado não significa, necessariamente, que a margem líquida de lucro do produtor seja alta.

Gestão de riscos e seguros: Há o pedido para inclusão do setor em instrumentos de gestão de risco, recomendando o estudo para a criação de seguros de margem e fundos de estabilização de renda que protejam o suinocultor de variações extremas.

Armazenagem e mercado de grãos: O documento sugere a oferta de crédito focado na formação de estoques de milho e construção de silos de armazenagem, além de incentivos para travas de preço e contratos de longo prazo (hedge).

Redução de custos cartorários: O setor reivindica a diminuição dos valores cobrados por cartórios no registro de contratos de crédito agrícola. O ofício argumenta que essas operações não configuram compra e venda de imóveis. A alta exigência de garantias físicas por parte dos bancos tem freado o crescimento dos produtores.

Importância econômica e segurança alimentar

Assinado por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS, e Vinicius Cavalli Pozzo, secretário de Desenvolvimento Agropecuário de Concórdia, o ofício conclui ressaltando o papel estratégico do produtor independente. Segundo as autoridades, esses suinocultores são fundamentais para a geração de renda e manutenção da produção em pequenas e médias propriedades.

Além disso, eles desempenham um papel crucial no abastecimento de pequenos e médios frigoríficos registrados nos sistemas SIM, SIE, SISBI e SIF, que operam fora do modelo de integração dominado pelas grandes indústrias e cooperativas. A simplificação das normativas ambientais e o incentivo financeiro para adequações sanitárias e de bem-estar animal também foram citados como vitais para a modernização da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria ACCS
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Diarreia neonatal desafia produtividade na suinocultura brasileira

Estudos apontam Clostridioides difficile como principal agente em granjas, com impacto direto no desempenho e uso de antibióticos.

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Foto: Shutterstock

Artigo escrito por Tatiana Carolina Gomes Dutra de Souza, médica-veterinária. PhD em Ciência Animal, gerente de Serviços Técnicos Suínos – Hipra e Rafael Cé Viott, médico veterinário, mestre em Ciência Animal Serviço Técnico Suínos – Hipra

Diarreia em leitões de maternidade são preocupantes para a suinocultura, por gerarem perdas por mortalidade, diminuírem o ganho de peso ao desmame, provocarem desuniformidade de lote e aumentarem o uso de antibióticos. Agentes infecciosos são amplamente conhecidos por ocasionarem as diarreias e eles podem estar associados aos fatores de risco ambientais.

Atualmente, Clostridioides difficile (C. difficile) tem sido relatado como o principal causador de diarreia neonatal em suínos em todo mundo. Em 2021, no Brasil, foram avaliadas 43 granjas (103 mil matrizes) em 8 estados (PR, SC, RS, MG, SP, GO, MA, CE) com casuística clínica de enterite em leitões do nascimento aos 12 dias de idade, em que C. difficile foi detectado em 72% (31/43) das granjas. Nestas granjas, havia co-infecção do C. difficile com E. coli em 6,4% (2/31) e com C. perfringens tipo A em 16,1% (5/31).

Em outro estudo brasileiro (205 mil matrizes), em 2024, foi observado que C. difficile esteve presente em 45% dos casos de diarreia do nascimento aos 8 dias de vida em leitões. Outro ponto interessante é que o rotavírus RVA e RVC apresentaram baixa prevalência, 4,1% e 10,4%, respectivamente, e que todos os leitões que tinham diarreia por RV tinham infecção prévia por C. difficile, sugerindo que a diarreia por rotavírus possa ser oportunista às infecções prévias por C. difficile. Isso pode ser explicado pelo fato da infecção por C. difficile ocasionar maior disbiose intestinal.

A maioria dos isolados de C. difficile produzem dois tipos de toxinas que danificam o epitélio intestinal do leitão: toxina A, uma enterotoxina e toxina B, uma citotoxina. A doença causada pelo C. difficile pode ser associada ao uso de antibióticos, que levam a uma alteração na microbiota entérica e oportunizam a colonização pelo agente. Assim, o uso de antibiótico para controle de diarreia em leitões pode predispor à diarreia por C. difficile.

Esporos de C. difficile são eliminados nas fezes das matrizes lactentes, e podem ser ingeridos pelos leitões, e ao chegarem no cólon se aderem e colonizam o epitélio e produzem principalmente as toxinas TcdA, TcdB. Com isso, ocorre colite e edema de mesocólon causado pelo aumento da permeabilidade vascular e a diarreia é resultado da má absorção de líquidos devido ao dano no epitélio.

Sinais clínicos

Os principais sinais clínicos em leitões acometidos por C. difficile são dispneia, distensão abdominal e diarreia. Também pode-se observar somente baixo ganho de peso. As lesões macroscópicas observadas na autopsia são enterite inflamatória, edema de mesocólon (Figura 1) e com auxílio da histopatologia pode-se observar na microscopia acúmulo de neutrófilos e fibrina na lâmina própria.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser realizado pelo isolamento das colônias do C. difficille, contudo, este processo é demorado, trabalhoso e difícil de ser realizado e ainda é necessário pesquisar as toxinas para identificar as cepas toxigênicas. As toxinas TcdA, TcdB são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença e a detecção delas nas amostras fecais podem sugerir que C. difficile esteja associado ao desafio entérico. A associação desta técnica com a histopatologia são importantes para excluir outros agentes como causador da diarreia.

Prevenção

A forma mais eficaz para prevenção de diarreia e mortalidade por C. difficile é a vacinação. É interessante salientar a importância de ela proteger contra as toxinas A e B do C. difficile, visto que estas toxinas são as principais responsáveis pelo desencadeamento da doença no leitão. Desta forma, vacinas contendo apenas o agente, como vacinas autógenas, podem não ser tão eficazes quanto ao uso de vacinas contendo toxóide A e B.

Recentemente, no Brasil, avaliou-se o uso de vacina contendo toxóide A e B do C. difficile em matrizes gestantes em granja com 10 mil matrizes. Neste estudo, a incidência de diarreia em leitões reduziu de 8% para 2% após a vacinação, a mortalidade total dos leitões reduziu de 7,98% para 5,68% e houve redução de 84% no uso de antibióticos injetáveis na fase de maternidade. Além disto, os leitões filhos de fêmeas vacinadas tiveram melhor uniformidade ao desmame e GPDm 250 gramas, comparado ao grupo não vacinado que foi de 233 gramas.

Em outro estudo brasileiro com a utilização da mesma vacina contendo toxóide A e B do C. difficile obteve melhora em 14,5 g/dia no ganho de peso diário dos leitões na fase de maternidade, as leitegadas desmamadas eram mais uniformes, a prevalência de diarreia e o uso de antibiótico foram menores comparado aos leitões filhos de fêmeas não vacinadas.

Nesse cenário, C. difficile está presente nas granjas brasileiras ocasionando diarreia, mortalidade, perda de desempenho e uso excessivo de antibióticos em leitões.

Os estudos e as observações de campo sugerem que a vacinação contendo toxóide A e B do C. difficile em fêmeas gestantes tem se mostrado eficaz no controle da doença e na redução de perdas ocasionadas por ela em granjas brasileiras.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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