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Santa Catarina proíbe reconstituição de leite importado e reforça proteção aos produtores
Projeto de lei aprovado na Assembleia impõe sanções para indústrias que utilizarem leite em pó importado e busca valorizar a produção catarinense diante de preços baixos e práticas de dumping.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) comemora a recente aprovação na Assembleia Legislativa do Projeto de Lei 759/2025, que proíbe em Santa Catarina a reconstituição do leite em pó e outros derivados quando de origem importada. De autoria do deputado Altair Silva (PP) e do deputado Oscar Gutz (PL), a proposta prevê sanções e multas para quem adotar essa prática no Estado.
A Faesc integra o Grupo de Trabalho criado em razão da gravidade da crise, responsável por reunir as reivindicações do setor e articular medidas emergenciais junto ao governo federal. Se sancionada, a proibição valerá para indústrias, laticínios e quaisquer pessoas jurídicas que utilizem leite em pó, composto lácteo em pó, soro de leite em pó e outros produtos lácteos reconstituídos destinados ao consumo alimentar. Comprovada a reconstituição, o lote deverá ser apreendido e o responsável estará sujeito a multa, que pode dobrar em caso de reincidência, além da cassação da inscrição estadual.
O vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo, parabeniza os parlamentares que votaram favoravelmente ao projeto e destaca que a medida representa um avanço para os produtores rurais, que vêm enfrentando baixos preços pagos pelo leite. “Queremos fortalecer o setor, garantindo competitividade e a continuidade dessa atividade, exercida com excelência em Santa Catarina. Não temos dúvidas de que, com a sanção do governador e a consequente entrada em vigor, a medida fortalecerá o mercado catarinense e valorizará o trabalho dos produtores”, salienta.
Mercado

Vice-presidente da Faesc, Clemerson Argenton Pedrozo: “Queremos fortalecer o setor, garantindo competitividade e a continuidade dessa atividade, exercida com excelência em Santa Catarina” – Foto: Divulgação Sistema Faesc/Senar
O dirigente frisa que historicamente a Federação tem acompanhado de perto as questões relacionadas ao leite – um setor que enfrenta crises sucessivas. “Essa cadeia produtiva tem importância fundamental para o desenvolvimento dos municípios de Santa Catarina e de todo o País e precisamos seguir lutando na busca de soluções para o setor”, menciona.
Ele também relembra o manifesto encaminhado aos deputados federais e estaduais e ao governador de Santa Catarina, por meio do Conseleite de Santa Catarina (conselho paritário formado pela Faesc, pelo Sindileite e indústrias). Segundo o dirigente, o documento foi decisivo para evidenciar a união entre indústrias e produtores, preocupados com a atual realidade da cadeia leiteira no Estado.
Proteção da cadeia
De acordo com o deputado Altair Silva, o objetivo do projeto é proteger a cadeia produtiva. “Apresentamos esse projeto de lei e, desde o início, a Faesc nos apoiou e também cobrou essa iniciativa. Realizamos uma grande Audiência Pública, com a presença do presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, que pontuou os principais temas, especialmente a questão da importação de leite em pó, tanto para fins fluídos quanto para fins industriais”, destaca.
Altair Silva explica que, no âmbito do Mercosul, especialmente na Argentina, há excedente de produção de leite que não tem sido escoado para mercados tradicionais, como Oriente Médio e Ásia. Com isso, parte desse excedente acaba entrando no Brasil a preços muito baixos, muitas vezes, abaixo do praticado no país de origem, o que, segundo ele, configura prática de dumping. “O Governo Federal tem sido muito lento para tomar uma decisão mais enérgica sobre esse tema. Diante disso, apresentamos um projeto de lei que proíbe a reconstituição de leite em pó importado e também restringe a utilização de leite em pó importado para fins industriais, com o objetivo de proteger o mercado do produtor local”, explica.
O parlamentar ressalta, ainda, a preocupação com padrões e controles sanitários. “No Brasil, a produção passa por um conjunto rigoroso de certificações e inspeções, como os sistemas de inspeção federal, estadual e municipal, que garantem a qualidade do produto, com fiscalização adequada. A aprovação unânime desse projeto é um passo importante para proteger o nosso produtor, que investe na atividade leiteira e, hoje, enfrenta custos muito elevados”, menciona.
Custos altos
Para ilustrar o cenário, Altair Silva afirma que, em muitas propriedades, produzir 1 litro de leite custa, em média, R$ 2,50. Quando o produtor vende a R$ 1,80 ou R$ 1,60, isso representa quase R$ 1,00 de prejuízo por litro. “A conta não fecha, a propriedade não aguenta e muitos acabam deixando a atividade. O objetivo do projeto é justamente reverter essa situação”, reforça.
O deputado destaca que uma lei semelhante já foi aprovada no Paraná. “Também estamos trabalhando para que essa mesma lei avance no Rio Grande do Sul. Ela já está em tramitação em Goiás e também em Minas Gerais, que estão entre os principais estados produtores de leite e onde se concentra boa parte das indústrias”, pontua.
Altair Silva também enfatiza que a medida contribui para preservar a qualidade já alcançada e ampliar a segurança para o produtor, ao manter o produto no mercado nacional. “Foi uma luta de muitos anos para que o Brasil se tornasse autossuficiente em leite. Hoje somos autossuficientes e temos condições de avançar, inclusive com potencial para exportação. Mas, para isso, precisamos proteger o produtor e essa é uma reivindicação que a Faesc tem feito de nós, parlamentares. A expectativa é que o governador sancione o projeto ainda neste ano”, ressalta.

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Expoinel Minas 2026 reúne mais de 1.250 animais e celebra campeões
Destaque para os grandes campeões e para o expositores que conquistaram títulos de Melhor Criador e Supremo da exposição.

A Expoinel Minas 2026 mostrou, mais uma vez, a força da raça Nelore, na retomada do calendário oficial de exposições 2025/2026, iniciado em outubro passado. Realizada na primeira semana de fevereiro, no Parque de Exposições Fernando Costa, em Uberaba (MG), a mostra somou mais de 1.000 animais avaliados, considerando o Nelore, o Nelore Mocho e o Nelore Pelagens. O evento é um dos principais do início do ano para a pecuária zebuína, e este ano, foi uma das Exposições Ouro do Ranking Nacional do Nelore Mocho e do Nelore Pelagens.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Victor Paulo Silva Miranda, o volume de animais e a qualidade observada no recinto de avaliações refletem o momento positivo vivido pela raça. “A Expoinel Minas mostrou que o calendário de 2026 começa aquecido, com forte adesão dos criadores e um nível técnico alto. Isso demonstra confiança no trabalho das entidades e, principalmente, no potencial do Nelore como base da pecuária de corte brasileira.”
Além do grande número de exemplares, a diversidade genética apresentada destacou o compromisso dos expositores com o melhoramento da raça. “Quando vemos uma exposição numerosa logo no início do ano, com animais bem preparados e criatórios de diferentes regiões participando, fica claro que o setor está mobilizado e atento às oportunidades que o segmento oferece”, destacou o presidente da ACNB.
“Encerramos a Expoinel Minas 2026 com a certeza de que realizamos um grande evento para a raça. Tivemos 1.009 animais passando efetivamente pela avaliação dos jurados e, somando aqueles que não chegaram a competir, como animais com menos de seis meses de idade, mamando em suas mães, ou animais que foram somente para leilões, alcançamos cerca de 1.250 animais no parque. Esses números, juntos ao sucesso dos leilões realizados durante a programação, mostram a força da exposição”, destaca Loy Rocha, gestor da Associação Mineira dos Criadores de Nelore (AMCN).
Após a Expoinel Minas, o calendário oficial segue com diversas exposições válidas pelos Rankings Nacionais e ou Regionais, Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens, realizadas em diferentes estados do país, até seu encerramento, em outubro de 2026, na Expoinel Nacional, novamente em Uberaba (MG). Ao longo do ano, ocorrerão as demais Exposições Ouro, de contabilização obrigatória para os criadores e expositores que disputam o Ranking Nacional, sendo: No Nelore, as exposições de Avaré (SP), em março; Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e São José do Rio Preto (SP), em outubro. No Nelore Mocho, além da Expoinel Minas, as exposições de Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e São José do Rio Preto (SP), em outubro. Já no Nelore Pelagens, além da Expoinel Minas, as exposições de Dourados (MS), em maio, Rio Verde (GO), em julho, e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Resultados: Nelore
Na categoria Nelore, a Expoinel Minas 2026 teve como Grande Campeã a Courchevel FIV CBA, de Paulo de Castro Marques, que também conquistou o título de Reservada Grande Campeã com Servia FIV Mata Velha. O 3º Prêmio Grande Campeã foi para Norah Jones Ouro Fino, do expositor Marcelo Aguiar Fasano. Entre os machos, o Grande Campeão foi Coltt FIV do Kalunga, do Henrique e Juliano Produções e Eventos, enquanto o Reservado Grande Campeão ficou com Surfista FIV Sausalito, da Cabaña Sausalito. O 3º Prêmio Grande Campeão foi conquistado por Embaixador FIV Taj, também de Paulo de Castro Marques, que encerrou com os títulos de Melhor Expositor, Melhor Criador e Supremo da exposição.
Resultados: Nelore Mocho
Na variedade Nelore Mocho, a Grande Campeã foi Heringer Aurora FIV, de Dalton Dias Heringer, que ainda conquistou a Reservada Grande Campeã com Olinda Angico. O 3º Prêmio Grande Campeã e Campeã Vaca ficou com Dakota FIV SB da Mata, de Sandoval Bailão Fonseca Filho. Entre os machos, o Grande Campeão foi Heringer A8984, também de Dalton Dias Heringer. O Reservado Grande Campeão foi Maverick da Louz, da Agropecuária V2 Flamboyant Ltda., e o 3º Prêmio ficou com Bianco FIV da Car, de Dalila Cleopath C.B.M. Toledo.
Resultados: Nelore Pelagens
Na categoria Nelore Pelagens, o expositor Washington Dias conquistou os títulos de Grande Campeã, com ESPN Astucia, e Grande Campeão, com NEJA3638 FIV V3. Ele também garantiu o título de Reservado Grande Campeão, com Megatron FIV Boiera. A Reservada Grande Campeã foi Celia Maria FIV OT, de Angelo Mario de Souza Prata Tibery, que também recebeu o 3º Prêmio Grande Campeão com Cronos G. Everest. Já o 3º Prêmio Grande Campeã ficou com NEJA4335 FIV V3, de João Antonio Soares Bessa Costa.
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Raça Holandesa reúne mais de 100 exemplares na Expoagro Cotricampo
Programação promovida pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul inclui Concurso Leiteiro e julgamentos morfológicos entre os dias 25 e 28 de fevereiro.

A Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) participará da Expoagro Cotricampo entre os dias 25 e 28 de fevereiro, em Campo Novo (RS), com 106 exemplares inscritos da raça Holandesa. A programação inclui julgamentos morfológicos e a realização do Concurso Leiteiro, marcando a primeira feira oficial da entidade no calendário de 2026.
A raça Holandesa terá atividades concentradas na Arena Bovinos. Na quarta-feira (25), ocorrem a primeira, segunda e terceira ordenhas do Concurso Leiteiro. Na quinta-feira (26), serão realizadas a quarta e a última ordenha. Na sexta-feira (27), acontece o julgamento morfológico da categoria Gado Jovem. No sábado (28), será a vez do julgamento de Gado Adulto, seguido da entrega oficial das premiações e do encerramento da programação.
Segundo o presidente da Gadolando, Marcos Tang, a feira abre oficialmente o circuito anual da entidade no interior do Estado. “A Expoagro Cotricampo tem sido a nossa primeira exposição oficial do ano e integra o ranking do Circuito Exceleite. Iniciamos a temporada com mais de 100 animais inscritos e com atividades técnicas que envolvem julgamentos e o Concurso Leiteiro”, afirma.
Tang ressalta que a participação na feira também reforça a presença da raça em um dos principais polos produtores de leite do Rio Grande do Sul. “A programação reúne criadores, técnicos e produtores em um ambiente que discute a atividade leiteira de forma ampla. Estar presente com 106 animais demonstra o engajamento dos expositores e a importância da feira para o setor”, destaca.
A Expoagro Cotricampo ocorre anualmente e reúne atividades técnicas, exposição de animais e debates sobre a cadeia leiteira, além de outras programações voltadas ao setor.
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Marrocos abre licitação para comprar carne bovina brasileira
Brasil mantém acordos sanitários para fornecer carne ao país árabe. Propostas são aceitas até 9 de março.

O Marrocos abriu concorrência para a importação de mil toneladas de carne bovina congelada e três mil toneladas de carne de camelo congelada. Os produtos serão direcionados para as Forças Armadas do país árabe. De acordo com edital da Administração da Defesa Nacional, as propostas precisam ser enviadas até 09 de março.
No edital, o Marrocos justifica o desejo em importar carne bovina do Brasil. O motivo é o fato de acordos e certificados sanitários vigorarem entre os dois países. Entre as exigências estão: os animais precisam ser nascidos e abatidos no país, alimentados com ração de origem vegetal, procedentes de estados comprovadamente livres de parasitas e doenças e seguirem os procedimentos de abate halal, que seguem as normas do islamismo.
Ainda de acordo com o documento, a carne congelada precisa ser procedente de produção recente, com não mais do que três meses do abate do animal. O produto será submetido a uma comissão que observará as adequações conforme as regras sanitárias exigidas pelo Marrocos. Mais informações estão disponíveis aqui.



