Peixes
Santa Catarina proíbe entrada de tilápia do Vietnã para proteger cadeia produtiva e segurança sanitária
Medida da Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca visa prevenir riscos associados ao Tilapia lake Virus e garantir sustentabilidade do setor no estado.

O Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca (SAQ), publicou na última quarta-feira (17) a Portaria SAQ nº 010/2025, que proíbe a entrada, o trânsito, a comercialização e a distribuição de tilápia (Oreochromis spp.) originária do Vietnã em todo o território estadual. A decisão atinge produtos frescos ou congelados, inteiros, eviscerados, em postas ou filés, destinados ao consumo humano, alimentação animal, processamento industrial ou quaisquer subprodutos.

Foto: Ilustrativa/Jaelson Lucas
A iniciativa do governo catarinense é motivada por preocupações sanitárias e estratégicas. Recentemente, a importação de tilápia do Vietnã foi reaberta em âmbito federal antes da conclusão da análise de risco de importação (ARI) sobre o Tilapia lake Virus (TilV), vírus que pode afetar gravemente a produção aquícola. O primeiro contêiner destinado a Santa Catarina chegou ao estado sem que a análise oficial tivesse sido concluída, aumentando a vulnerabilidade do setor.
Santa Catarina é um dos quatro maiores produtores de tilápia do Brasil, que ocupa a quarta posição mundial na produção da espécie. O setor contribui significativamente para geração de empregos, renda, inovação tecnológica e segurança alimentar no estado. A decisão do governo também considera os investimentos públicos feitos no âmbito do Programa Pescados SC, que inclui ações de fomento, equipamentos fornecidos pelo projeto Despesca Fácil, linhas de crédito pelo Pronampe Aquicultura e Pesca, e programas como o Tilápia Forte, voltados ao fortalecimento da cadeia produtiva estadual.
O secretário executivo da aquicultura e pesca, Tiago Bolan Frigo, destacou que a medida segue o princípio da precaução, já aplicado no passado em casos de introdução de patógenos exóticos, como o vírus da mancha branca (WSSV), que causou grandes prejuízos à carcinicultura catarinense. “A proteção da saúde pública, dos investimentos e da sustentabilidade da aquicultura catarinense é prioridade. Não podemos permitir que a reabertura das importações coloque em risco toda uma cadeia produtiva estruturada e estratégica para o estado”, afirmou.
A portaria também estabelece regras rigorosas para estabelecimentos que comercializem, armazenem, transportem ou processem tilápia:

Foto: Ilustrativa/Shutterstock
identificação, rastreabilidade e segregação imediata de lotes provenientes do Vietnã; interrupção da comercialização e distribuição; e manutenção de registros fiscais e sanitários por 12 meses. A fiscalização ficará a cargo da Cidasc, das vigilâncias sanitárias, do Procon-SC e demais órgãos de defesa do consumidor.
O governo estadual alerta que as medidas poderão ser revistas a qualquer momento, de acordo com novas informações ou dados técnicos e científicos, incluindo a possibilidade de ampliar a vedação a produtos originários de outros países. O descumprimento das regras sujeita os infratores a sanções administrativas, sem prejuízo de responsabilidade civil ou penal.
A medida reforça a postura de Santa Catarina em proteger um setor estratégico, que combina impacto econômico relevante com relevância social e alimentar para o estado e o país.

Peixes
Tilápia lidera preferência dos paulistas, mas consumo de pescado segue abaixo do ideal
Mesmo sendo o peixe mais escolhido no Estado, a proteína ainda enfrenta barreiras de preço e frequência, o que revela espaço para crescimento do mercado e da produção.

A tilápia é o pescado mais consumido pelos paulistas, à frente de opções tradicionais como salmão, pescada e atum. Apesar da liderança no ranking de preferência, o consumo ainda é considerado baixo e distante das recomendações nutricionais, principalmente em função do custo da proteína. A constatação faz parte de um estudo conduzido pelo Instituto de Oceanografia (IO) da USP, em parceria com o Instituto de Pesca do Estado de São Paulo (IP-APTA).
De acordo com a pesquisa, o consumo de peixes, crustáceos e moluscos no Estado ocorre, em média, de uma a três vezes por mês, patamar bem inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que orienta a ingestão de pescado ao menos duas vezes por semana. O dado reforça o descompasso entre preferência declarada e presença efetiva desses alimentos na rotina dos consumidores.

Diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro: Há um grande espaço para crescimento, já que a tilápia tem se tornado cada vez mais presente nos hábitos alimentares da população” – Foto: Divulgação/IEA
O levantamento indica que, embora a tilápia seja vista como um peixe versátil e de sabor suave, o preço ainda limita a frequência de consumo, especialmente entre famílias de menor renda. Esse cenário ajuda a explicar por que a proteína, mesmo liderando a escolha dos paulistas, não consegue ampliar sua participação na dieta de forma mais consistente.
Para Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do Instituto de Economia Agrícola (IEA), o quadro aponta para um mercado com amplo potencial de expansão. “Há um grande espaço para crescimento, já que a tilápia tem se tornado cada vez mais presente nos hábitos alimentares da população, especialmente no centro-sul do Brasil”, avalia.
Segundo Vegro, o movimento observado segue uma lógica clássica da economia agroalimentar. “O aumento da demanda tem impulsionado a estrutura produtiva paulista, refletindo o princípio econômico de que a demanda estimula a oferta”, afirma. Na prática, o avanço do consumo, ainda que gradual, tem incentivado investimentos em produção, processamento e logística, fortalecendo a cadeia da piscicultura no Estado.
O desafio, agora, passa por ampliar o acesso do consumidor ao pescado, seja por meio de ganhos de eficiência produtiva, seja por estratégias de mercado que tornem a tilápia mais presente no dia a dia dos paulistas, aproximando o consumo real das recomendações de saúde e nutrição.
Peixes
Tilapicultura paulista cresce 4% e movimenta R$ 494 milhões em 2025
Com 54,1 mil toneladas produzidas, São Paulo mantém a vice-liderança nacional, fortalece a piscicultura como atividade estratégica do agro estadual e amplia geração de renda, investimentos e inovação no campo.

A piscicultura paulista segue em trajetória de crescimento e consolidação, puxada principalmente pela produção de tilápia. Dados preliminares do Valor da Produção da Aquicultura Paulista 2025, levantados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), mostram que o volume produzido no Estado cresceu 4% em relação a 2024, alcançando 54,17 mil toneladas. O faturamento somou R$ 494,11 milhões, reforçando a importância econômica da atividade dentro do agronegócio estadual.

Com esse desempenho, São Paulo permanece como o segundo maior produtor de tilápia do Brasil, atrás apenas do Paraná. O Estado conta com uma estrutura industrial considerada robusta, formada por 21 frigoríficos, responsáveis por 86% do abate estadual. Ainda assim, parte da produção paulista segue para processamento em unidades localizadas em estados vizinhos, como Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, o que indica espaço para ampliação da capacidade local.
Segundo o IEA, o cenário climático pode favorecer resultados ainda melhores ao longo do ano. Em nota técnica, o Instituto aponta que “as condições climáticas favoráveis de temperatura e luminosidade podem impulsionar a produção no segundo semestre, revertendo a queda no valor total da produção neste cálculo preliminar”.
Tanques-rede ganham protagonismo
O crescimento da produção está diretamente ligado ao avanço tecnológico adotado pelos piscicultores paulistas. Os tanques-rede, instalados principalmente nos grandes reservatórios do oeste do Estado, já respondem por mais de 75% do volume total de tilápia produzido em São Paulo.
Levantamento realizado em 2024 pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) em parceria com o IEA identificou mais de 12 mil unidades de tanques-rede em operação, evidenciando a intensificação produtiva e o ganho de escala do sistema.
Apesar do protagonismo dos tanques-rede, os viveiros escavados seguem relevantes, sobretudo nas regiões do planalto paulista e da Serra da Mantiqueira. Esses sistemas atendem tanto a produção comercial quanto o segmento de pesque-pague, atividade que também movimenta economias locais e gera renda no meio rural.
Pesquisa sustenta produtividade e qualidade

Fotos: Shutterstock
O fortalecimento da piscicultura paulista também passa pela atuação da pesquisa científica. Para o pesquisador do IEA Eder Pinnati, os estudos desenvolvidos no Estado são fundamentais para enfrentar gargalos produtivos e garantir qualidade ao pescado. “São diversos desafios, desde a qualidade da água até a gestão da cadeia produtiva, que estão sendo estudados e monitorados pelo IEA”, afirma.
O peso econômico crescente da atividade levou à inclusão da tilápia no Valor da Produção Agropecuária (VPA) de 2025, indicador que mensura a relevância dos produtos agropecuários e serve de base para planejamento, análises setoriais e formulação de políticas públicas.
Investimentos e novas oportunidades

Diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Celso Vegro: “O crescimento da produção também é impulsionado pela instalação de grandes frigoríficos especializados em filetagem e no aproveitamento do couro da tilápia, inclusive para usos médicos ” – Foto: Divulgação/IEA
O setor segue atraindo investimentos e ampliando sua base produtiva. O número de criatórios cadastrados na Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) continua em expansão. Embora uma parcela significativa do abastecimento paulista ainda venha de outros estados, o potencial de crescimento interno é considerado favorável, especialmente com a intensificação tecnológica.
De acordo com Celso Vegro, diretor da Divisão de Estatística, Economia e Políticas Públicas em Agricultura do IEA, a industrialização tem papel central nesse avanço. “O crescimento da produção também é impulsionado pela instalação de grandes frigoríficos especializados em filetagem e no aproveitamento do couro da tilápia, inclusive para usos médicos, como no tratamento de queimaduras de primeiro grau”, destaca.
Com ganhos de produtividade, avanço industrial e apoio da pesquisa, a tilapicultura paulista reforça sua posição estratégica no cenário nacional e amplia sua contribuição para o agronegócio e a economia do Estado.
Peixes
Cepea aponta diferença de preços da tilápia entre polos produtores
Valores levantados em 30 de janeiro mostram oscilações conforme a região de comercialização.

Levantamento divulgado na última sexta-feira (30) aponta diferenças nos preços da tilápia comercializada em importantes polos produtores do Brasil. De acordo com dados da PeixeBR e Cepea, os valores por quilo tiveram variação significativa entre as regiões acompanhadas.
Nos Grandes Lagos, o preço registrado foi de R$ 9,51/kg. No Oeste do Paraná, a tilápia foi negociada a R$ 8,69/kg, enquanto no Norte do Paraná o valor chegou a R$ 10,23/kg, o maior entre as regiões listadas.
Em Minas Gerais, Morada Nova de Minas apresentou preço médio de R$ 9,56/kg. Já na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a cotação ficou em R$ 9,77/kg.
Os números refletem a realidade regional do mercado da tilápia no fim de janeiro e têm como fonte o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).



