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Santa Catarina investe mais de R$ 318,1milhões em políticas públicas para desenvolvimento do meio rural em 2023
As ações e programas são integradas entre a Secretaria de Estado da Agricultura e suas empresas vinculadas: Cidasc, Epagri e Ceasa.

Em 2023, a Secretaria de Estado da Agricultura (SAR) de Santa Catarina aplicou mais de R$ 318,1milhões em apoio direto aos produtores e aos municípios, totalizando mais de 97 mil atendimentos. O ano também foi desafiador, em resposta às enchentes que atingiram Santa Catarina, o Governo do Estado instituiu o Recupera SC – 2ª etapa com programas emergenciais de socorro aos agricultores, que atingirão o valor total de R$ 123,4 milhões entre 2023 e 2025.
As ações e programas são integradas entre a Secretaria de Estado da Agricultura e suas empresas vinculadas: Cidasc, Epagri e Ceasa. “A atuação do setor público agrícola catarinense, composto pela Secretaria de Estado da Agricultura e suas empresas vinculadas é fundamental no desenvolvimento e na sustentabilidade da agricultura de Santa Catarina. Nosso Estado está bem posicionado no ranking nacional em diversos produtos, chegando a liderar em alguns deles, graças ao alto nível tecnológico aplicado nos sistemas de produção, como: suínos, frangos, leite, mel, maçã, pêra, cebola, arroz, tabaco, alho, erva-mate, banana, uva, palmito, produtos da silvicultura, pescado, ostras e mexilhões,” afirma o secretário de Estado da Agricultura, Valdir Colatto.
Mesmo com os desafios, o ano foi positivo no desempenho da agropecuária. Santa Catarina exportou 157,4 mil toneladas de carnes (frangos, suínos, perus, patos e marrecos, bovinos, entre outras) em novembro de 2023, alta de 15% em relação aos embarques do mês anterior e de 10% na comparação com os do mesmo mês de 2022. No acumulado de janeiro a novembro, o Estado exportou 1,67 milhão de toneladas, com receitas de US$ 3,67 bilhões, altas de 7,2% e 5,4%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior.
Socorro aos municípios
Os prejuízos na agricultura com as chuvas torrenciais e contínuas nos meses de outubro, novembro e dezembro chegaram a mais de R$ 3 bilhões. Para apoiar os moradores das zonas afetadas e o setor agropecuário, a SAR estruturou um comitê de crise para analisar os prejuízos e propor ações e políticas públicas. O governo do Estado lançou o Recupera SC – 2ª Etapa, que contempla na área da agricultura: a prorrogação de parcelas do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), ampliação do Programa Terra Boa, o Pronampe Agro Emergencial, o Reconstrói SC e a Indenização de animais mortos nas enchentes.
Defesa Agropecuária
A Secretaria de Estado da Agricultura proporciona programas e ações de defesa e inspeção sanitária agropecuária, visando a proteção da saúde pública, a qualidade dos alimentos, a competitividade no mercado nacional e internacional, bem como a manutenção e expansão do status sanitário do Estado de Santa Catarina.
Em 2023, mais um desafio foi superado, quando foi registrado o 1º caso de influenza aviária de alta patogenicidade em Santa Catarina em ave silvestre e em ave de fundo de quintal. O Governo do Estado adotou todas as medidas sanitárias com base nos protocolos internacionais. O foco foi encerrado e a operação concluída com sucesso, mantendo Santa Catarina com status de livre de influenza aviária.
Neste ano, Santa Catarina atingiu a marca de 3 mil propriedades rurais certificadas livres de Brucelose e Tuberculose. O Estado tem a menor prevalência de brucelose animal do país e, junto com outros quatro estados, possui a menor prevalência de tuberculose. Foi intensificada a vigilância para localização de focos de brucelose e tuberculose e abates sanitários dos animais contaminados.
Em 2023, o Fundo Estadual de Sanidade Animal (Fundesa) investiu mais de R$ 24,9 milhões na indenização de 935 produtores rurais pelo abate sanitário de 7.247 animais doentes, possibilitando a readequação do rebanho com animais saudáveis, a continuidade da produção de carne e de leite, além de preservar a saúde pública e a economia catarinense.
Para redução de prejuízos com a cigarrinha do milho e doenças do complexo do enfezamento na cultura do milho, foi aprovada a continuidade do Programa Monitora Milho SC. Assim como o Programa de Monitoramento e Controle da Vespa-da-madeira, que visa o controle desta praga em reflorestamentos de Pinus.
O Programa Estadual de Amostragem Fiscal de Resíduos de Agrotóxicos e afins, executado pela Cidasc, continuou tendo destaque, via apoio da SAR, com análise de 686 amostras de produtos de origem vegetal, abelhas e insumos agrícolas no valor de R$ 502 mil.
Santa Catarina quer se tornar uma potência agroambiental, alicerçando a sua produção de alimentos e florestal sobre bases sustentáveis. A Secretaria de Estado da Agricultura deu o primeiro passo com a publicação da Portaria SAR 14/2023, que institui o Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC+SC). Esse plano foi construído pela SAR em parceria com outros órgãos do Governo e iniciativa privada. O projeto pretende gerar um potencial de mitigação de emissões de GEE de 86,78 milhões de toneladas de carbono – o que equivale a um investimento de US$ 4 bilhões até 2030.
Financiamento agropecuário e subvenção de juros
Por meio do Programa Investe Agro SC, que concede subvenção de juros de financiamentos contraídos pelos agricultores para investimentos nas atividades produtivas das propriedades, foram investidos mais de R$ 18,4 milhões, totalizando 18.228 contratos.
Foram aplicados em torno de R$ 88,5 milhões, beneficiando 3.528 famílias de agricultores e pescadores por meio de Programas: Prosolo e Água SC, que se destina aos investimentos na captação, armazenamento, tratamento e distribuição de água; Fomento Agro SC, voltado ao financiamento de cadeias produtivas agrícolas, pecuárias, aquícolas e pesqueiras; Jovens e Mulheres em Ação, que consiste na capacitação de jovens e mulheres do campo e do mar e financiamento para execução dos Projetos Realiza e Conecta Jovem; e Programa Reconstrói SC, de apoio para recuperação de danos causados por fatores climáticos extremos. Os financiamentos são concedidos com recursos do FDR, sem juros e correção.
O Programa Terra Boa atendeu em torno de 64 mil produtores, destinando mais de R$ 94 milhões por meio dos projetos de calcário, semente de milho, kits forrageira, kit apicultura e solo saudável, abelha rainha e cultivo de cereais de inverno.
Regularização e Legalização Fundiária
Pensando na cidadania e na inclusão dos agricultores, por meio do Programa Terra Legal, nesse ano foi realizada a entrega de documentação para regularização fundiária de 8.665 estabelecimentos do meio rural.O Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) proporcionou o financiamento para a compra de imóveis rurais às famílias em busca de oportunidades no setor agrícola. Das 232 propostas apresentadas pelos agricultores familiares sem-terra ou com pouca terra,71 já foram atendidas por meio do financiamento de imóveis rurais, com investimento de R$ 13,1 milhões, os recursos são do Fundo Nacional de Terras e as demais solicitações estão em fase final para contratação.
Na área de Desenvolvimento Sustentável e Florestal estão sendo realizados procedimentos para a regularização ambiental dos imóveis rurais com avanços no processo de gestão do Cadastro Ambiental Rural/CAR, que conta atualmente com mais de 388 mil cadastros. Também está sendo desenvolvido o Inventário Florestal de Florestas Plantadas – IFFP, além do acompanhamento do Inventário Florístico Florestal de SC – IFFSC. Para realização do inventário os recursos são de R$ 900 mil.
Convênios
Foram entregues 175 equipamentos e implementos agrícolas, por meio dos convênios Federais – com Emendas Parlamentares Federais,que totalizaram R$ 31,7 milhões atendendo 138 municípios.
Os convênios estaduais e transferências especiais voluntárias somaram R$ 11,8 milhões beneficiando 72 municípios com repasse de recursos para equipamentos, eventos, sistema antigranizo e emendas parlamentares (Termos de Fomento OSC). As emendas parlamentares impositivas estaduais atenderam 79 municípios com valor total de R$15,9 milhões.

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Rede de monitoramento de CO₂ em áreas agrícolas no Sul do Brasil abre caminho para crédito de carbono
Projeto da UFSM mede emissões e captura em tempo real e indica potencial de monetização no campo. Dados mostram redução de gases com manejo e estimam receita de até US$ 33 milhões ao ano no Pampa.

Uma rede de monitoramento instalada em áreas agrícolas no Sul do Brasil está produzindo dados inéditos sobre a relação entre produção agropecuária e emissões de gases de efeito estufa. O sistema, coordenado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do Laboratório de Gases do Efeito Estufa (LABGEE), utiliza torres de fluxo, tecnologia considerada a mais precisa para medir, de forma contínua, a troca de carbono entre o solo, as plantas e a atmosfera.

Foto: Ricardo Bonfanti
A iniciativa coloca a UFSM entre as instituições protagonistas no Brasil e no mundo no monitoramento contínuo e em tempo real do balanço de CO₂ em sistemas agrícolas, o que é estratégico para compreender o papel da agropecuária nas mudanças climáticas. No Brasil, pesquisas desse tipo em sistemas agrícolas monitorados continuamente por torres de fluxo são raras, especialmente em culturas importantes para a economia regional, como soja, arroz irrigado e pecuária.
À frente desta iniciativa, os professores Débora Roberti, do Departamento de Física do CCNE, e Rodrigo Jacques, do Departamento de Solos do CCR, destacam que o diferencial está na consistência dos dados ao longo do tempo. “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo. Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono”, ressaltam.
Ao todo, nove torres estão distribuídas em diferentes sistemas produtivos, incluindo lavouras de soja, milho, trigo e arroz irrigado, além de áreas de pastagem natural no bioma Pampa, nos municípios gaúchos Catuípe (duas unidades), Alegrete, Cachoeira do Sul (quatro unidades) e Santa Maria, além de uma área no Paraná. Os locais foram escolhidos por permitirem comparar manejos tradicionais ou melhorados das lavouras e pastagens.
Os equipamentos realizam até 10 medições por segundo, registrando se o sistema está emitindo ou absorvendo dióxido de carbono (CO₂), além de variáveis como temperatura, radiação solar e precipitação. Na prática, o monitoramento permite calcular o chamado fluxo de carbono, o saldo entre o que é capturado pelas plantas durante a fotossíntese e o que é liberado por processos naturais. Esse acompanhamento contínuo mostra, em tempo real, quando uma área agrícola funciona como fonte ou como sumidouro de carbono.
Todos os dados são transmitidos automaticamente pela internet para o LABGEE, situado no prédio do INPE, onde são processados e analisados pelos pesquisadores e estudantes de pós-

Professora do Departamento de Física do CCNE da UFSM, Débora Roberti: “Somos pioneiros no Brasil para este monitoramento contínuo ao longo dos anos, com torres de fluxo” – Foto: Arquivo pessoal
graduação de Física e Meteorologia, com apoio do meteorologista Murilo Lopes.
De meia em meia hora, por três anos
Como as medições são contínuas, com os dados gerados a cada 30 minutos, os pesquisadores conseguem acompanhar ao longo do ano a dinâmica de emissão e absorção de carbono em cada área monitorada. Com uma série anual completa, já é possível estimar o balanço de carbono de sistemas agrícolas, pecuários ou naturais e identificar quais práticas ampliam a captura ou intensificam as emissões.
Para aumentar a confiabilidade das análises, no entanto, o monitoramento precisa abranger períodos mais longos, já que a variabilidade climática entre safras interfere diretamente nos resultados. Por isso, os pesquisadores trabalham com um horizonte mínimo de três anos de coleta contínua de dados. “Esse é o destaque desta técnica, que está na vanguarda das metodologias de medida de gás do efeito estufa na atmosfera”, afirma Débora.
Manejo define se área emite ou captura carbono
Os resultados já apontam diferenças relevantes entre sistemas de produção. Em áreas de arroz irrigado, a introdução de pastagens de inverno reduziu as emissões de CO₂ em 20% e de metano em 60%. Em lavouras com soja e trigo, a adoção de plantas de cobertura pode elevar em até três vezes a capacidade de captura de carbono por hectare.
No bioma Pampa, o manejo adequado das pastagens permite que a produção pecuária atue como captadora de carbono, compensando parte das emissões de metano dos bovinos. Por outro lado, áreas sem cobertura vegetal, como lavouras em pousio, tendem a se tornar emissoras.

Professor do Departamento de Solos do CCR da UFSM, Rodrigo Jacques: “Esses dados que estamos gerando podem servir como uma linha de base para saber se os agricultores estão absorvendo ou emitindo, sendo possível, então, entrar no mercado de crédito de carbono” – Foto: Arquivo pessoal
Os dados reforçam que o impacto climático da agropecuária depende diretamente das práticas adotadas no campo. Sistemas bem manejados podem inverter a lógica tradicional que associa produção rural apenas à emissão de gases de efeito estufa.
Além do aspecto ambiental, os resultados abrem espaço para monetização. Estimativas do próprio projeto indicam que, se metade das pastagens naturais do Pampa fosse direcionada à geração de créditos de carbono, o volume poderia chegar a 3,3 milhões de créditos por ano. A preços médios de US$ 10 por crédito, isso representaria cerca de US$ 33 milhões anuais.
O projeto reúne pesquisadores de diferentes áreas, como Física, Agronomia e Meteorologia, e envolve investimento de aproximadamente R$ 5 milhões. Os dados já começam a integrar bancos internacionais e são utilizados por grupos de pesquisa de outros países, ampliando a inserção do Brasil nas discussões globais sobre clima e produção de alimentos.
A expectativa é que, após três anos de monitoramento contínuo, período mínimo para consolidação dos dados, o sistema avance para novas culturas e projetos-piloto de crédito de carbono, com aplicação direta no campo.
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Biometano: da produção à distribuição é tema de fórum do setor
Especialistas discutem oportunidades e desafios no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR)

Uma abordagem integrada, que vai da produção à distribuição de biometano, será destaque no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR). Com o tema Biometano: bem feito, suficiente, bem distribuído, o evento reunirá especialistas para discutir os principais avanços, desafios e oportunidades do setor.
A programação contempla painéis temáticos sobre produção, políticas públicas, mobilidade, investimentos, relação com o gás natural e perspectivas de mercado. Segundo o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, integrante da comissão organizadora, o debate ganha relevância diante das novas oportunidades abertas pela Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que amplia a inserção do biometano na matriz energética brasileira. Outro ponto de destaque é o potencial do biometano na cadeia de proteína animal. “O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário, especialmente pela capacidade de geração a partir dos resíduos da produção animal. É uma oportunidade estratégica que precisa ser melhor explorada, sobretudo pelas oportunidades que se criam para substituir o óleo diesel pelo biometano em soluções de logística nestas cadeias”, afirma Kunz.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis (diesel evitado) e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
Como já é tradição, o evento contará com uma programação prévia, que será realizada no dia 13, como reuniões técnicas, encontros e palestras. Já, a abertura oficial será no dia 14, seguindo com programação até dia 15, onde haverá espaço de negócios com mais de 70 empresas já confirmadas, momento startups de biogás, premiação “Melhores do Biogás”, vários painéis de debates sobre temas de interesse ao biogás. O dia 16 será dedicado a quatro roteiros de visitas técnicas.
A Embrapa é co-realizadora do evento e participa com especialistas na moderação e apresentação de painéis, além da organização de reuniões técnicas. Entre os destaques estão os painéis “O negócio dos Substratos e as Culturas Energéticas”, com participação de Airton Kunz; “Biogás na Prática”, com moderação de Ricardo Steinmetz; e “Oportunidades e Desafios Setoriais”, com a participação de Fabiane Goldschmidt Antes.
O FSBBB é realizado pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindústria (SBERA). Para maiores informações acesse: biogasebiometano.com.br.
Reunião técnica discutirá transporte no agronegócio
Como atividade pré-evento do FSBBB e com um olhar mais direcionado à distribuição, será realizada a Reunião Técnica Transporte a Biometano no Agronegócio, no dia 13 de abril, das 14 às 16 horas, no Hotel Bourbon Cataratas Resort, como atividade pré-evento. O encontro abordará temas como corredores rodoviários sustentáveis, descarbonização da cadeia agroindustrial, novas tecnologias e o uso de caminhões a gás e modelos dual fuel.
Apesar do cenário promissor, o avanço do biometano ainda enfrenta desafios, como a garantia da qualidade do produto, o aumento da escala de produção e a expansão da infraestrutura de distribuição. Atualmente, o biocombustível já vem sendo utilizado em frotas de caminhões e em processos industriais, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização. “Além de produzir bem, é fundamental avançar na distribuição eficiente, especialmente no transporte”, destaca o pesquisador.
A reunião também apresentará casos práticos, incluindo uma unidade rural produtora de biometano com abastecimento de caminhões e experiências no transporte de proteína animal. A iniciativa é organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Fetranspar, Embrapa, Superintendência de Energia do Paraná (SUPEN) e Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás). Gratuito, o encontro pré-evento é voltado a produtores de biogás e biometano, além de profissionais das áreas de logística, transporte e gestão de frotas. As inscrições podem ser feitas pelo link.
Trilha de atualização conecta especialistas e laboratórios de biogás
Outro momento que antecede a programação oficial do FSBBB é a Trilha de Atualização para Laboratórios de Biogás e Biometano, marcada também para o dia 13, das 8 às 17 horas. A trilha reunirá profissionais vinculados ao Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Biogás, participantes de ensaios de proficiência, representantes de laboratórios, pesquisadores, estudantes e demais interessados. O encontro será um espaço dedicado à troca de experiências e ao compartilhamento de informações entre os atores que atuam na área.
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas até o dia 10 de abril, pelo link do evento, com vagas limitadas a 50 participantes. A atividade será presencial. O encontro ocorrerá no Itaipu Parquetec (Av. Tancredo Neves, 6731, bairro Jardim Itaipu, em Foz do Iguaçu). A iniciativa é promovida pelo CIBiogás, Embrapa Suínos e Aves, Senai/SC, Inmetro e Universidade de Caxias do Sul, com fomento do NAPI Biogás.
A programação da manhã será marcada por apresentações voltadas à avaliação de substratos e ao uso de ensaios interlaboratoriais como ferramenta de controle de qualidade, além de discussões sobre novas rodadas de ensaios de proficiência. Também serão abordadas as principais fontes de erro na medição de biometano. O período da manhã inclui ainda uma visita técnica ao laboratório do CIBiogás.
À tarde, os temas se concentram em ferramentas microbiológicas para eficiência energética, relatos práticos sobre processos de acreditação de laboratórios e o uso de calculadoras científicas na otimização da digestão anaeróbia. A programação se encerra com uma mesa redonda sobre a jornada de acreditação, seguida de alinhamentos para ações futuras.
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Brasil lidera uso de bioinsumos, mas fertilizantes convencionais seguem indispensáveis
Apesar de aplicar bioinsumos em 80% da soja e gerar economia de US$ 5 bilhões por ano, especialistas alertam que insumos tradicionais ainda são cruciais para a produção agrícola e segurança alimentar.

O Brasil se destaca no cenário global de bioinsumos, sendo atualmente o país que mais utiliza esse tipo de insumo no mundo, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O crescimento do setor é expressivo e posiciona o país na vanguarda de uma tendência que avança rapidamente na agricultura.
No entanto, o engenheiro agrônomo Fellipe Parreira alerta que os bioinsumos ainda não têm potencial para substituir os fertilizantes convencionais. “Não há perspectiva e nem potencial para essa substituição no momento”, afirma.
Para Parreira, embora o Brasil possua vantagens competitivas claras, como biodiversidade, clima favorável e uma agricultura de escala consolidada, transformar o país de grande comprador de fertilizantes em referência internacional na produção deles ainda é um desafio de longo prazo, que exige mais do que entusiasmo ou crescimento do setor de bioinsumos.
Dependência de fertilizantes convencionais permanece alta

Engenheiro agrônomo Fellipe Parreira: “Os bioinsumos são aliados valiosos na otimização de nutrientes e no controle biológico, mas substituir completamente os fertilizantes minerais seria um risco inaceitável para a escala da nossa agroindústria” – Foto: Divulgação
Os números do setor reforçam essa necessidade. No primeiro semestre de 2025, as entregas de fertilizantes no país atingiram 20,14 milhões de toneladas, alta de 10,5% ante 2024. Mato Grosso absorveu 24% do volume, impulsionado principalmente pela soja e pelo milho. Em seguida vieram Paraná (15%), Goiás (9%), Mato Grosso do Sul (8%), Rio Grande do Sul (8%) e São Paulo (10%).
Em 2026, as importações nos dois primeiros meses somaram 5,26 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional cresceu 8,9%. Apesar desse crescimento, a produção interna ainda cobre menos de 20% da necessidade total do país. O cenário reflete a preparação para safras recordes, mas sem perspectiva imediata de autossuficiência.
Importações recordes e preços em alta
O Brasil continua fortemente dependente do mercado externo, com cerca de 85% dos fertilizantes importados. Em 2025, o país registrou recorde de 43,5 milhões de toneladas, com destaque para fontes como MAP, ureia e KCl, provenientes de China, Canadá e Rússia. Restrições chinesas e gargalos logísticos elevaram os preços: ureia a US$ 465 por tonelada e MAP a US$ 720 por tonelada em fevereiro de 2026.
O mercado iniciou 2026 em alta após quedas registradas no ano anterior, com os fertilizantes nitrogenados subindo 10%, os fosfatados 20% e os potássicos mantendo-se estáveis em US$ 370 por tonelada. Esses aumentos, pressionados por fatores geopolíticos e pelo custo do gás natural, mantêm os custos de safra elevados, impactando diretamente as margens dos produtores.
Bioinsumos ainda como ferramenta complementar

Foto: Geraldo Bubniak/AEN
Parreira reconhece o avanço legítimo dos bioinsumos na agricultura brasileira, mas alerta para o risco de confundir tendência promissora com solução estrutural. “Os bioinsumos podem complementar a produção, mas não substituem os fertilizantes convencionais. Confundir os dois conceitos pode gerar expectativas equivocadas entre produtores, investidores e gestores públicos”, explica.
O profissional defende que a integração gradual dos bioinsumos deve ocorrer de forma planejada, fortalecendo a sustentabilidade e eficiência do setor sem comprometer a produtividade. Até que a produção nacional de fertilizantes consiga reduzir a dependência externa de forma consistente, os insumos tradicionais continuam indispensáveis para garantir o desempenho das safras e a segurança alimentar do país.
Sem perspectiva de substituição
Como líder global em bioinsumos, com crescimento de 30% ao ano, o Brasil já aplica esses insumos em 80% da soja, gerando economia estimada de US$ 5 bilhões anuais. O Programa Nacional de Bioinsumos amplia o uso sustentável para milho (27%), cana-de-açúcar (12%) e algodão (6%). Apesar disso, ainda não há perspectiva de substituição total dos fertilizantes minerais.
A volatilidade nos mercados de fertilizantes persiste em 2026, mantendo o foco em estoques ajustados e acordos globais. Parcerias público-privadas, como a Anda e o Mapa, buscam produzir estatísticas mais precisas e reduzir riscos.
Para o engenheiro agrônomo, é necessário priorizar a integração tecnológica e investimentos em validação de campo, consolidando os bioinsumos como aliados estratégicos e posicionando o Brasil como potência agrícola independente. “Os bioinsumos são aliados valiosos na otimização de nutrientes e no controle biológico, mas substituir completamente os fertilizantes minerais seria um risco inaceitável para a escala da nossa agroindústria, que depende de precisão e volume para competir globalmente”, alerta Parreira, reforçando que o caminho para o fortalecimento do setor passa por complementaridade, pesquisa e planejamento.



