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Santa Catarina fortalece inovação na aquicultura com projetos em tilápia e algas

Parceria entre Embrapa, Epagri e setor produtivo impulsiona pesquisas com edição genômica de tilápia e cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii, promovendo sustentabilidade, inclusão e competitividade para a cadeia aquícola.

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Fotos: Jefferson Christofoletti

Unindo esforços para o incremento da inovação da aquicultura em Santa Catarina. Essa foi a tônica de um encontro que aconteceu no último dia 19 de maio, que reuniu Embrapa Pesca e Aquicultura, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e demais representantes do governo e do setor produtivo da piscicultura.

Chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Danielle de Bem: “Estes projetos, além de produzir animais com maior desempenho zootécnico, visando a produtividade e competitividade, também têm um componente importante que é a inclusão e equidade, já que são tecnologias de amplo acesso, que vão beneficiar todos os produtores, não sendo exclusivo de uma única empresa”

O evento aconteceu no Centro de Desenvolvimento de Aquicultura e Pesca (Cedap) da Epagri, em Itajaí (SC). Na ocasião, dois projetos foram apresentados: a edição genômica da tilápia e pesquisas sobre o cultivo da macroalga  Kappaphycus alvarezii, que possui potencial de ser utilizada na agricultura, pecuária e na piscicultura. As pesquisas contam com recursos de emendas parlamentares e serão desenvolvidas pela Embrapa, Epagri e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Na ocasião, a diretora de Administração da Embrapa, Selma Lúcia Lira Beltrão, e a chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Danielle de Bem, reforçaram o compromisso da empresa com a inovação tecnológica e o desenvolvimento sustentável.

“Estes projetos, além de produzir animais com maior desempenho zootécnico, visando a produtividade e competitividade, também têm um componente importante que é a inclusão e equidade, já que são tecnologias de amplo acesso, que vão beneficiar todos os produtores, não sendo exclusivo de uma única empresa”, destacou Danielle de Bem.

A chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura também ressaltou a importância de buscar parcerias para financiar o desenvolvimento de novas tecnologias. Para ela, tudo só foi possível com o apoio da bancada parlamentar catarinense, composta por três senadores e quatro deputados federais, além de dois deputados federais paranaenses, que financiaram o projeto de edição de tilápia, com recursos em R$ 2 milhões, e investiram R$ 3,7 milhões na pesquisa em algicultura.

Melhoramento da tilápia

Pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Eduardo Varela

O pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, Eduardo Varela, lembrou da importância da pesquisa no aperfeiçoamento da atividade para produzir lotes homogêneos de alevinos por meio de técnicas de edição genética. Ele disse ainda que Santa Catarina foi escolhida para firmar o acordo de cooperação técnica por causa da competência de seus profissionais no campo da piscicultura e aquicultura.

O responsável pelo Campo Experimental de Piscicultura da Epagri em Itajaí (Cepit), Bruno Corrêa da Silva, fez uma apresentação mostrando a evolução  do projeto de edição genômica de tilápia desde a primeira visita de Danielle de Bem à unidade, em 2023. Ele detalhou sobre os desafios de produzir tilápia, um peixe tropical, no clima subtropical de Santa Catarina.

Por meio dos recursos do projeto de edição genômica, já foram adquiridos equipamentos de laboratório como incubadoras automatizadas e estufas para a obtenção do Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB), além de estruturar a área de expedição e quarentena, que assegura a sanidade do material produzido. A Epagri também forneceu matrizes para a Embrapa e auxiliou no protocolo de fertilização in vitro.

Cultivo de algas

Diretora de Administração da Embrapa, Selma Lúcia Lira Beltrão

Outro trabalho apresentado durante o evento foi relacionado às pesquisas de cultivo e novas aplicações da  macroalga Kappaphycus alvarezii. O projeto tem como meta identificar linhagens adaptadas ao cultivo em Santa Catarina, além de desenvolver produtos e insumos agroindustriais a partir da biomassa. “O objetivo é aplicar extratos de algas na agricultura e pecuária, com foco em sustentabilidade e valorização de produtos de alto valor agregado, como carragenas e pigmentos naturais”, detalha André Luís Tortato Novaes, gerente do Cedap.

A algicultura, além de diversificar a produção e abrir mercados em setores como cosméticos, fármacos e alimentação animal, também oferece soluções ambientais. Estudos demonstram que o cultivo de algas contribui para a mitigação de gases de efeito estufa, apoiando práticas da economia azul e o mercado de créditos de carbono.

Após as apresentações, os convidados visitaram as instalações do Campo Experimental de Piscicultura de Itajaí (Cepit), onde conheceram os experimentos em andamento e a nova área de viveiros, com infraestrutura elevada para prevenção de alagamentos.

Estiveram presentes no evento o presidente da Epagri, Dirceu Leite; a diretora executiva da Embrapa, Selma Lúcia Lira Beltrão; a chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Danielle de Bem; o diretor da Divisão Rural do Ministério da Agricultura (DDR-SC), Antônio de Castro; o Secretário Estadual de Agricultura, Carlos Chiodini; o Secretário de Aquicultura e Pesca, Tiago Bolan Frigo; e Marcelo Luchetta, presidente da Associação Catarinense de Aquicultura.

Fonte: Assessoria Embrapa Pesca e Aquicultura

Peixes

Instituto de Pesca inicia 2026 com foco em ciência e inovação para aquicultura

Com atuação em diferentes regiões de São Paulo, o IP-Apta reforça pesquisas e soluções sustentáveis que fortalecem a produção de alimentos aquáticos, a segurança alimentar e a geração de renda.

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Foto: Divulgação

“Promover soluções científicas, tecnológicas e inovadoras para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura” é a missão do Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que inicia o ano a reforçando, comprometido com a geração de conhecimento científico e com o fortalecimento do setor, contribuindo diretamente para a segurança alimentar, a geração de renda e o uso sustentável dos recursos naturais.

Foto: Divulgação/IP-Apta

Com atuação altamente relevante e presença em diferentes regiões do estado, o Instituto desenvolve pesquisas que impactam desde a produção até o consumo de alimentos aquáticos, apoiando pescadores artesanais, aquicultores, técnicos, gestores públicos e instituições sociais. O trabalho científico realizado se traduz em tecnologias, orientações técnicas, inovação em produtos e soluções que chegam a laboratórios, universidades e até à mesa da população.

Na pesca artesanal, o Instituto de Pesca atua no desenvolvimento de estudos, monitoramentos e ações de apoio que valorizam o conhecimento tradicional, promovem o uso sustentável dos recursos pesqueiros e contribuem para a manutenção da atividade como fonte de alimento, trabalho e identidade cultural para diversas comunidades. Essas iniciativas buscam fortalecer a pesca artesanal de forma responsável, aliando preservação ambiental e inclusão social.

Na aquicultura, as pesquisas e ações desenvolvidas pelo Instituto contribuem para o aprimoramento dos sistemas produtivos, o aumento da eficiência, a melhoria da qualidade dos produtos e a adoção de práticas sustentáveis. O apoio técnico e científico ao setor aquícola favorece a competitividade dos produtores, a geração de renda e a expansão de uma produção alinhada às demandas ambientais e de segurança alimentar.

Foto: Divulgação/IP-Apta

Entre as principais frentes de atuação da instituição também estão a valorização do pescado como alimento saudável e acessível, a melhoria dos processos produtivos e o aproveitamento integral dos recursos, reduzindo desperdícios e promovendo eficiência econômica e ambiental.

As pesquisas conduzidas pela instituição subsidiam políticas públicas e ações voltadas ao desenvolvimento regional, contribuindo para a inclusão produtiva, o fortalecimento das economias locais, a promoção de sistemas alimentares mais justos e resilientes, além da preservação e proteção dos recursos hídricos.

Ao conectar ciência, produção e sociedade, o Instituto reafirma seu papel estratégico como referência em pesquisa aplicada e inovação, alinhando tradição e conhecimento técnico aos desafios contemporâneos da sustentabilidade, da segurança alimentar e das mudanças climáticas. “Neste novo ano a instituição segue comprometida com sua missão e busca ampliar parcerias, disseminar conhecimento, conquistar novos programas e gerar impactos positivos que beneficiem tanto o setor produtivo quanto a população, fortalecendo o pescado como um aliado da saúde, da economia e do meio ambiente”, ressalta o vice-coordenador do IP, Eduardo de Medeiros Ferraz.

Fonte: Assessoria Instituto de Pesca
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Peixes Pioneirismo no agronegócio

Nova tecnologia da C.Vale multiplica produção de tilápias no campo

Sistema com geomembrana permite ampliar em 72% o alojamento de peixes com apenas 16% mais área.

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Foto: Divulgação/C.Vale

Quase três décadas se passaram desde que a C.Vale, de forma pioneira, adotou a climatização de aviários para a criação comercial de frangos, a partir de 1997. Essa tecnologia só era usada em países do Primeiro Mundo e foi trazida para o Brasil por Alfredo Lang, então com 49 anos, em seu primeiro mandato como presidente da cooperativa. “Muitos me chamaram de visionário louco, que ia quebrar a cooperativa”, recorda. A tecnologia deu tão certo que passou a ser utilizada por todas as integrações avícolas brasileiras.

Vinte e oito anos depois, a C.Vale está levando ao campo outra inovação: a criação de tilápias em tanques recobertos com geomembrana, um material flexível, soldável e resistente ao sol. Esse novo sistema traz duas grandes vantagens em relação ao sistema convencional: redução do uso de água e um aumento bastante expressivo do número de peixes por metro quadrado de água.

O associado Moacir Niehues, produz tilápias em 17,5 hectares de lâmina d’água na Linha São Sebastião, interior de Palotina (PR). Depois de conhecer a nova tecnologia, ele decidiu ampliar a piscicultura construindo mais 12 tanques de 16 X 250 metros, com geomembrana. As obras começam em janeiro e quando estiverem, no segundo semestre de 2026, vão ampliar em 2,88 hectares a área de criação da propriedade.

Ao participar do Dia de Campo 2025/26 da C.Vale, Moacir Niehues e o filho Guilherme encontraram Alfredo Lang e o gerente do Departamento de Peixes, Paulo Poggere. O produtor revelou que vai investir R$ 7 milhões para colocar a nova tecnologia em operação, valor que inclui a infraestrutura completa dos tanques e todos os equipamentos necessários. Os recursos virão da linha Fiagro-FIDC disponibilizada pela C.Vale, Fomento Paraná e Sicredi, com juros de 9% ao ano.

Dois milhões de tilápias

Alojando 1,2 milhão de tilápias por ciclo, desde 2022, em nove tanques convencionais, ele assegura que a piscicultura é mais rentável que a produção de grãos. Habituado aos cálculos como diretor-executivo (CEO) da Sicredi Vale do Piquiri ABCD PR/SP, Moacir explica a decisão de apostar na nova tecnologia com base em números. Aumentando a área da piscicultura em apenas 16%, ele vai ampliar o alojamento de tilápias em 72%. Isso porque o novo sistema permite o alojamento de 30 peixes por metros quadrado contra 7 peixes pelo método convencional. Assim, ele vai passar a alojar pouco mais de dois milhões de tilápias por ciclo.

Multiplicando em mais de quatro vezes o número de peixes por metro quadrado, Niehues vai montar uma estrutura reforçada para garantir o fornecimento de energia elétrica sem interrupções. Além da linha que leva energia à propriedade, a estrutura terá dois conjuntos de geradores. Caso ocorra alguma interrupção do fornecimento, uma linha de geradores entra em funcionamento. Se eles também falharem, a segunda linha de reserva é acionada. Esse cuidado é necessário para garantir a oxigenação da água permanentemente, sem riscos diante de uma lotação tão alta.

Ao lado do filho Guilherme, futuro sucessor na atividade, Moacir pega o celular e faz um cálculo comparativo. Seriam necessários 232 hectares de soja para produzir renda bruta equivalente aos 2,88 hectares destinados às tilápias em alta densidade.  “A C.Vale me passou muita segurança quanto ao futuro da piscicultura. Esse sistema é o futuro. Os outros produtores vão migrar para esse sistema de criação de alta densidade”, projeta Niehues.

Fonte: Assessoria C.Vale
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Peixes

Após um 2025 instável, mercado da tilápia aposta em melhora em 2026

Com consumo limitado ao longo do ano, setor mira cenário mais favorável no próximo período.

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Foto: Shutterstock

O setor brasileiro de tilápia enfrentou um ano desafiador em 2025, marcado por pressão sobre preços e retração em alguns indicadores do mercado. Entre os principais fatores que impactaram a atividade estiveram a imposição de sobretaxas pelos Estados Unidos às importações, a liberação da entrada de tilápias do Vietnã no mercado nacional e a elevação do pescado nas espécies exóticas invasoras, conforme apontam dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) no Panorama Pecuário.

O consumo interno mostrou-se limitado ao longo do ano, enquanto os preços reais ao produtor registraram queda. Na região de Grande Lago (SP), o valor médio pago ao produtor foi de R$ 12 por quilo em 2025, recuo de 12% em relação a 2024, segundo dados deflacionados pelo IGP-DI. A pressão sobre as cotações esteve associada, principalmente, à oferta elevada de animais.

Entre os destaques do ano, o Cepea aponta redução de 12% nos preços da tilápia em termos reais na região dos Grandes Lagos. Por outro lado, houve crescimento de 19,2% no volume de alevinos e juvenis comercializados no mercado, indicando movimento de reposição produtiva. Já no segundo semestre, considerado fraco para o setor, as exportações recuaram 1%, impactadas pela taxação dos Estados Unidos.

Outro ponto observado em 2025 foi o aumento de 5,7% na biomassa de tilápia nas regiões acompanhadas pelo Cepea, reflexo direto da maior disponibilidade de peixes no mercado.

No segmento de carne, o preço do filé de tilápia caiu 19% em janeiro de 2025 na comparação com janeiro de 2024, no atacado do estado de São Paulo. Em termos reais, a retração chegou a 20%, refletindo a demanda enfraquecida.

A análise dos preços ao longo dos últimos anos mostra que, em termos reais, as cotações do filé de tilápia vêm operando em patamar mais baixo desde setembro de 2025, cenário atribuído à menor oferta naquele período.

Para 2026, a perspectiva do Cepea indica que o mercado brasileiro de tilápia seguirá influenciado por fatores externos, especialmente as importações de pescado, com destaque para o Vietnã. A expectativa é de maior disponibilidade de tilápia no primeiro semestre, período em que o setor busca atender uma demanda tradicionalmente mais aquecida, impulsionada pela Quaresma. A produção, segundo o Cepea, está preparada para atender possíveis oscilações de consumo ao longo do próximo ano.

Fonte: Assessoria Panorama Pecuário Cepea
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