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Santa Catarina e Rio Grande do Sul investem nas culturas de inverno

O objetivo é apostar em novos cultivares de cereais de inverno no Sul do País, incentivando os produtores rurais a investirem no plantio de trigo, triticale, centeio, aveia e cevada

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Foto: Wenderson Araujo/Trlux-CNA - Divulgação

A redução do déficit de milho e a queda de custos de produção de aves, suínos e gado leiteiro estão entre as prioridades dos criadores e das agroindústrias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Com uma cadeia produtiva de proteína animal em plena expansão a iniciativa ganhou ainda mais força com a união de lideranças catarinenses e gaúchas na busca por alternativas para aumentar o fornecimento de insumos.

Santa Catarina tem um déficit anual de quase 5 milhões de toneladas de milho e, o Rio Grande do Sul, igualmente, importa 4 milhões de toneladas/ano, o que representa uma demanda de 9 milhões de toneladas que os dois Estados do extremo sul precisam buscar em outros mercados, do País ou do exterior.

O objetivo é apostar em novos cultivares de cereais de inverno no Sul do País, incentivando os produtores rurais a investirem no plantio de trigo, triticale, centeio, aveia e cevada. O andamento do projeto que envolve a Embrapa nas duas Unidades – Concórdia (SC) e Passo Fundo (RS) – vem sendo discutido e está ganhando forma com a parceria de lideranças dos dois estados e apoio de lideranças nacionais.

Em recente encontro da FAESC, FARSUL e Secretaria da Agricultura de SC na sede da Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia, o presidente da FAESC, José Zeferino Pedrozo, realçou que a união de esforços dos dois estados para reduzir a escassez de milho encontrou amparo na pesquisa. Segundo ele, a única matéria-prima que sempre será difícil é o precioso cereal milho.

“Da mesma forma que outros países, nós temos que encontrar o sucessor deste grão. A Inglaterra tem uma variedade de trigo especialmente para rações de animais. Com o tempo chegaremos lá. Assim como o Brasil segue dando lição de produtividade nas suas novas fronteiras agrícolas e está se transformando em um dos maiores produtores de grãos do mundo, também encontraremos cereais que se adaptam à nossa realidade do sul do País, ou seja, cereais que substituam o milho – grão que temos dificuldades em produzir”.

O presidente da FAESC reforçou, ainda, que o projeto envolvendo os dois estados será a solução para esse grave problema. “Iniciamos esse movimento em Santa Catarina, mas existem limites territoriais e o Rio Grande do Sul tem essa potencialidade. Com engajamento das lideranças do agro dos dois estados e com a participação da agroindústria nacional, que é parceira desse programa, teremos em médio prazo uma solução”.

 INCENTIVO AO PLANTIO DE CEREAIS DE INVERNO

O secretário de Estado da Agricultura e Pesca de SC, Altair Silva, ressaltou que em SC foi criado o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos, que subvenciona 50% do valor das sementes de cereais de inverno destinadas à fabricação de ração. Na outra ponta, a Embrapa Suínos e Aves, em conjunto com a Embrapa Trigo, está trabalhando no desenvolvimento de cultivares adaptados para a produção de cereais voltados à fabricação de ração. São passos importantes para diversificarmos ainda mais a economia dos dois estados”.

Em Santa Catarina, a Secretaria da Agricultura está investindo R$ 5 milhões para incentivar o cultivo de cereais de inverno. Com o Projeto de Incentivo ao Plantio de Cereais de Inverno Destinados à Produção de Grãos, os produtores receberão uma subvenção de R$ 250 por hectare efetivamente plantado com trigo, triticale, centeio, aveia e cevada, em um limite de 10 hectares por agricultor. A intenção é ampliar em 20 mil hectares a área cultivada em todo o estado na safra 2020/2021.

Todo esse movimento para apoiar o plantio de cereais de inverno tem como objetivo reduzir a dependência de milho e os custos de produção, além de trazer mais uma alternativa de renda para os produtores rurais e mais competitividade para a cadeia produtiva de carnes. “O déficit de milho é um desafio que Santa Catarina tem enfrentado e as alternativas estão aí. Estou animado com esse movimento que o Rio Grande do Sul vem fazendo, de incentivo à produção de alimentos alternativos, e tenho certeza que isso fortalecerá toda a nossa produção no Sul”, ressalta Altair Silva.

MOMENTO ÍMPAR PARA O AGRO

O presidente da FARSUL, Gedeão Pereira, realçou que o momento é ímpar para o agronegócio brasileiro devido às grandes demandas e crescimento de consumo no mundo todo. “O Brasil, com uma das maiores agriculturas do mundo, se apresentou na comunidade internacional como solução de problemas, pois cada vez mais a demanda pelos nossos produtos é maior e estamos aprendendo a produzir quantidade e qualidade para chegarmos com um made in Brasil com muita qualidade. Os três estados do sul são grandes produtores de proteína animal. E nós do RS e SC nos deparamos com um problema sério de falta de milho”, observou.

Gedeão Pereira ressaltou, ainda, que o Brasil é um produtor crescente deste cereal, que está remunerando bem o produtor, mas a produção está voltada para a logística exportadora via arco norte e Porto de Santos, o que está trazendo dificuldade principalmente para SC e RS. “Quando fizemos um levantamento, detectamos que o Paraná praticamente dobrou a sua suinocultura e avicultura nos últimos anos enquanto RS e SC pararam. Mas, por que pararam? Por falta do milho! Descobrimos que o Rio Grande do Sul, que é uma nova fronteira agrícola brasileira, tem apenas 1,09 safra por ano enquanto o Brasil Central está com duas”.

Mas, por que existe essa limitação? “Porque plantamos 6 milhões de hectares de soja e no inverno plantamos apenas 1 milhão e 100 mil hectares de trigo, que é o cereal de inverno. E a nossa possibilidade para duas safras está em cima dos cereais de inverno. Então estamos nos socorrendo às nossas Embrapas que têm todos os pacotes tecnológicos que precisamos. Estamos usando quatro Embrapas que estão com pacotes tecnológicos para oferecer tanto para o crescimento de grãos para suíno e frango como também um outro problema que está surgindo no RS que está fazendo com que a pecuária de corte esteja diminuindo de tamanho”, esclareceu.

Segundo o superintendente do SENAR/RS, Eduardo Condorelli, esta é uma oportunidade excelente de agregação de renda para o setor produtivo dos estados do Sul. “Precisamos estar organizados para enfrentar o desafio, que não é tão grande assim, pois temos área, infraestrutura e tecnologia. Nosso papel é dar voz ao que a Embrapa desenvolve, pois é aqui que encontramos a solução”, enfatizou.

Enquanto a Embrapa Trigo, de Passo Fundo, trabalha no desenvolvimento das cultivares de cereais de inverno, a Embrapa Suínos e Aves analisa o uso desse material na alimentação de suínos e aves. “A nossa missão é a de gerar as soluções que a cadeia produtiva precisa. Estamos aqui para atuar em conjunto com o Estado, as cooperativas e os produtores em busca do que o produtor precisa”, afirmou a chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella.

AGRICULTURA PUXA O CRESCIMENTO

Apesar da pandemia e das incertezas políticas e fiscais, a economia brasileira deve crescer 4% este ano, de acordo com projeções de várias consultorias e instituições. Mais uma vez, a agricultura e o agronegócio – em razão da combinação de alta dos preços de commodities, de taxa de câmbio desvalorizada e de expansão do comércio mundial – darão uma sustentação mínima à atividade econômica no Brasil neste ano.

O cenário para o balanço de pagamentos também está se tornando mais positivo. O fluxo de moeda estrangeira para o Brasil começa a se recuperar, favorecendo, pela primeira vez desde fins de 2020, uma tendência de queda da cotação do dólar ante o real. O “boom” de commodities também aumenta a renda em algumas regiões do país, como a fronteira agrícola, e cria um efeito de riqueza com a alta de ações na bolsa.

Esse é o cenário que os economistas chamam de “reflação”, ou seja, uma convergência dos níveis de inflação muito baixa dos últimos anos nos Estados Unidos para mais próximos do percentual desejado, na casa dos 2%.

As commodities são também um ativo financeiro e, por isso, respondem a outros fatores além de fundamentos econômicos. As commodities são uma forma de proteção contra a inflação. No caso das commodities agrícolas, há restrições na oferta, devido a eventos climáticos que limitaram a produção de grãos nos Estados Unidos e no Brasil. Além disso, a demanda aumentou durante a pandemia, quando as famílias trocaram o consumo de serviços por alimentação.

Os preços das commodities são muito importantes para o PIB brasileiro: se as cotações sobem num trimestre, a atividade econômica responde já no trimestre seguinte e continua reverberando por algum tempo, antes de se dissipar completamente. É um enorme ganho de renda para a economia brasileira. O aumento do emprego formal nas localidades que produzem produtos para exportação é o dobro das demais regiões do país.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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