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Santa Catarina amplia protagonismo na tilapicultura com tecnologia e verticalização da produção

Estado já ocupa a quarta posição nacional na produção de peixes cultivados e busca crescer com industrialização, tecnologia e novos produtos da cadeia aquícola.

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A tilapicultura brasileira entrou em uma nova fase de expansão, marcada além do crescimento da produção pela disputa por mercado, agregação de valor e pressão regulatória. O setor, que até poucos anos era tratado como atividade complementar em muitas propriedades rurais, hoje enfrenta concorrência de importados asiáticos, amplia presença em mercados internacionais e busca alternativas para elevar rentabilidade dentro da própria cadeia produtiva.

Esse cenário foi debatido durante o Seminário Regional de Tilapicultura, realizado em São Miguel do Oeste, no Extremo Oeste de Santa Catarina. O evento reuniu produtores, técnicos e lideranças do setor em uma discussão sobre mercado, industrialização, consumo e sustentabilidade da atividade.

Na palestra “Contexto Atual e Perspectivas do Mercado do Pescado”, o técnico da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Piscicultura do Sindicato Rural de São Lourenço do Oeste, Cristiano Bordignon, apresentou um panorama de uma cadeia que cresce em escala industrial, mas ainda convive com gargalos estruturais e instabilidade de mercado.

Dados apresentados no seminário mostram que o Brasil ultrapassou, em 2025, a marca histórica de 1 milhão de toneladas de pescado cultivado. Desse total, aproximadamente 70% correspondem à produção de tilápia. O desempenho reforça a transformação da espécie no principal eixo da piscicultura nacional. “Hoje a tilápia deixou de ser uma atividade complementar. Ela se consolidou como uma cadeia produtiva estratégica para milhares de pequenas propriedades rurais brasileiras”, afirmou Bordignon.

Santa Catarina aparece nesse mapa com protagonismo. Apesar de ocupar apenas a 20ª posição em extensão territorial no país, o estado figura como o quarto maior produtor nacional de peixes de cultivo, impulsionado por tecnologia, intensificação produtiva e forte presença da agroindústria.

Mercado

Ao abordar o comportamento do mercado, Bordignon chamou atenção para a volatilidade dos preços da tilápia em 2026. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mostraram recuperação expressiva das cotações após um período de forte retração em 2025.

Em polos como Norte do Paraná e Grandes Lagos (divisa dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais), os preços voltaram a superar os R$ 10 por quilo no início deste ano, depois de atingirem patamares próximos de R$ 7 no ciclo anterior.

As curvas apresentadas evidenciaram um comportamento sazonal relativamente previsível. Os preços costumam atingir os maiores níveis entre março e maio, impulsionados pelo aumento da demanda na Quaresma e pela redução temporária da oferta. Já entre julho e setembro ocorre tradicionalmente o período de maior pressão sobre as cotações, reflexo da entrada simultânea de grandes volumes de peixe no mercado.

Segundo Bordignon, o comportamento do mercado confirma que a atividade exige planejamento técnico e comercial cada vez mais rigoroso. “O produtor precisa tratar a piscicultura como negócio planejado. Quem entende a sazonalidade e organiza o ciclo produtivo consegue posicionar o lote nos períodos de maior remuneração”, explicou.

A palestra também chamou atenção aos riscos que rondam a atividade. Entre eles, o avanço do filé de tilápia importado do Vietnã, a pressão tarifária norte-americana sobre o pescado brasileiro e a possibilidade de inclusão da tilápia na lista de espécies invasoras em debates ambientais federais.

Conforme Bordignon, o setor conseguiu conter, ao menos temporariamente, alguns desses movimentos graças à articulação institucional de entidades ligadas ao agro. “Existe uma mobilização forte de entidades nacionais para proteger a cadeia produtiva. O setor entende que a competitividade da tilápia brasileira não pode ser destruída por insegurança regulatória ou concorrência desleal”, enfatizou.

Valor agregado

Um dos pontos centrais do Seminário foi a necessidade de agregar valor ao pescado. Bordignon lembrou que apenas cerca de 30% do peixe se transforma em filé, enquanto o restante ainda possui baixo aproveitamento econômico.

Como alternativa, apresentou a expansão da CMS (Carne Mecanicamente Separada), tecnologia que extrai proteína das costelas, espinhaço e aparas da filetagem para produção de embutidos, empanados e hambúrgueres de peixe. “O futuro da piscicultura passa pela verticalização e pela transformação industrial. A margem do produtor não pode depender apenas do filé”, observou.

Outra iniciativa apresentada no seminário foi o projeto “Peixe na Escola”, desenvolvido por Bordignon a partir do programa CNA Jovem. A proposta busca ampliar o consumo de pescado no Brasil por meio da inclusão do peixe na alimentação escolar e da formação de hábitos alimentares desde a infância. Hoje, o consumo per capita brasileiro gira em torno de 10,5 quilos anuais, cerca da metade da média mundial.

Fortalecimento e expansão

Para o presidente do Sindicato Rural de São Miguel do Oeste, Adair José Teixeira, o seminário fortaleceu o trabalho da assistência técnica e gerencial na região e a atividade que tem grande impacto econômico no Oeste catarinense. “A piscicultura evoluiu muito nos últimos anos e hoje exige gestão, planejamento e acesso à informação de qualidade. Eventos como este aproximam o produtor das tendências de mercado, das inovações tecnológicas e das estratégias necessárias para garantir competitividade e renda no campo”, enalteceu.

O presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, ressaltou que a piscicultura catarinense vive uma fase de consolidação e profissionalização, mas ainda possui espaço para expansão no mercado interno e externo. “O Brasil reúne condições naturais excepcionais para liderar a produção mundial de proteína aquícola nas próximas décadas. Para isso, precisamos investir em capacitação, tecnologia e defesa institucional da atividade. O produtor catarinense mostra capacidade de inovação e eficiência produtiva compatíveis com os mercados mais exigentes”, avaliou.

Fonte: Assessoria Sistema Faesc/Senar

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Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras

Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

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Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.

O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.

Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.

No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.

Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.

Fonte: Assessoria Cepea
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Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca

Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

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Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.

O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves

Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.

Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.

O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.

Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.

Tramitação

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Fonte: O Presente Rural
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Ruído de embarcações compromete comunicação dos peixes, aponta estudo

Pesquisa da UFPE indica que a poluição sonora pode afetar alimentação, reprodução e defesa de território, com reflexos para a saúde dos recifes e da pesca.

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O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.

A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Foto: MPA

Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.

De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.

Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana. “Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.

Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.

Praias turísticas

O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.

Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.

Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.

Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.

Forma de medição

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.

Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.

Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.

Sons dos peixes

A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.

A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Foto: Divulgação

Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.

A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.

Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.

Consequências

O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares. “Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”

Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal. “Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.

Outras regiões

O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”. “Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.

“A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.

Limites sustentáveis

Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes. “Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.

Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.

O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades. “O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.

Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto. “Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”

Fonte: Agência Brasil
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