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Santa Catarina alcança o maior valor de produção agropecuária da história

VBP de Santa Catarina ficou em R$40,9 bilhões, o maior da história

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Divulgação/Jonas Oliveira

Em 2020 o Valor de Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina ficou em R$40,9 bilhões, o maior da história, superando o recorde anterior, alcançado em 2017. No ano passado, a agropecuária catarinense também bateu recorde de participação no valor de exportações do Estado: 70,2%.

Estes e outros números fazem parte da 41ª edição da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, publicação anual da Epagri/Cepa lançada em evento virtual realizado nesta quarta-feira (14). No evento também foi lançado o livro Indicadores de Desempenho da Agropecuária e do Agronegócio de Santa Catarina 2019/2020. As duas publicações trazem os resultados do mais recente ciclo agrícola do Estado.

“O agronegócio é um dos motores mais importantes da nossa economia. Os números refletem essa grandiosidade e mostram que o setor se mantém forte e ativo, no mercado interno e também internacional, graças ao empreendedorismo, à força dos trabalhadores do campo e à qualidade dos nossos produtos”, afirma a governadora Daniela Reinehr.

A presidente da Epagri, Edilene Steinwandter, lembra que os resultados positivos se deram apesar das adversidades que o agronegócio catarinense enfrentou na safra 2019/20. O clima não ajudou, e estiagem, granizo e até tornados afetaram cultivos pelo Estado. A pandemia foi outro empecilho que agricultores e profissionais da Epagri precisaram contornar para seguir garantindo segurança alimentar para a população brasileira.

O Secretário do Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva, destaca que Santa Catarina tem um conjunto de líderes com vocação natural para o agro, fazendo do Estado um sucesso no setor, demonstrado nos números das publicações da Epagri/Cepa. “Temos trabalhado fortemente com municípios e Epagri para impulsionar os fatores de produção do Estado, como estradas rurais de qualidade, melhorias no fornecimento de energia elétrica e de água e acesso à internet”.

VPA

O VPA de R$40,9 bilhões alcançado pelo Estado em 2020 é 21,1% superior ao de 2019, quando ficou em R$33,8 bilhões. Entre 2018 e o ano seguinte, o índice já havia registrado variação positiva de 8,7%. O aumento nos preços recebidos pelos produtores foi a principal razão do crescimento do VPA estadual nos dois períodos, com destaque para suínos, bovinos, leite e grãos.

Para alcançar o VPA histórico em 2020, Santa Catarina contou principalmente com a produção de suínos, que participou com 23% do total, de frangos (17,5%) e de leite (11,9%). A Síntese aponta que nos últimos anos houve grandes variações na composição do VPA catarinense, com ampliação da participação de suínos, bovinos, soja e leite e perda de participação dos frangos e do tabaco.

Exportações

Em 2020 o agronegócio catarinense exportou US$5,7 bilhões, valor 6,7% menor do que em 2019 (US$6,1 bilhões). Apesar da redução no valor total das suas exportações, o setor agropecuário seguiu a trajetória de aumentar sua participação nas exportações de Santa Catarina, chegando a 2020 como responsável por mais de 70% do valor total exportado pelo Estado.

De 2019 para 2020 houve grande redução do valor das exportações de carnes de frango e derivados (-32,2%), de tabaco e derivados (-22,6%), de outras carnes e derivados (-19,5%) e de couros e peles (-18,4%). A expressiva expansão no valor exportado de carne suína (+35,3%), de madeira e suas obras (+15,4%) e de outros produtos de origem animal (+35,9%) não foi suficiente para evitar a queda das exportações no ano.

Mesmo com a expressiva queda de 2019 para 2020, a carne de frango segue destacadamente como principal produto das exportações do agronegócio de Santa Catarina, representando 26,3% do valor exportado pelo setor (já foi mais de 40%).

Confira abaixo o desempenho das principiais cadeias produtivas do Estado na safra 2019/20 e algumas estimativas para o período agrícola 2020/21.

Milho

Na safra 2019/20 Santa Catarina produziu 2.866.905t de milho. Para a safra 2020/21 a estimativa de produção, que era de 2,3 milhões de toneladas em dezembro, deve se reduzir em função da estiagem e da incidência da cigarrinha-do-milho no início de 2021.

Nesse cenário, a relação entre oferta e demanda, que já não é favorável, se agrava. A menor produção do grão se soma ao crescimento da demanda provocada pela expectativa de aumento nas exportações de carnes. A Epagri/Cepa estima que Santa Catarina precisará adquirir mais de 5 milhões de toneladas de milho em 2021.

Em 2020, a demanda total de milho grão em SC chegou a 7,37 milhões de toneladas, um incremento de 2% em relação ao ano anterior. Com a oferta de 2,58 milhões de toneladas, houve um déficit de 4,36 milhões de toneladas, atendido pelas importações interestaduais, principalmente de Mato Grosso do Sul e Paraná, bem como pela importação de países como Paraguai e Argentina.

A falta de produção para atender toda a demanda tem como reflexo o aumento do custo do produto, principalmente em função do transporte. Mercado futuro, câmbio, relações comerciais entre países e fundos de investimentos estão entre os outros fatores que vêm influenciando a formação dos preços do grão, que se mantiveram altos em 2020. As cotações de 2021, tanto internas como no mercado internacional, demonstram a manutenção de preços fortalecidos.

Soja

A Epagri/Cepa estima que as lavouras catarinenses produziram 2,24 milhões de toneladas de soja em 2020. Para a safra 2020/2021 a expectativa é de produzir 2.308.070t. O crescimento é impulsionado pelo aumento da área plantada.

Entre as safras de 2012/13 e 2019/20, foram incorporados cerca de 167 mil hectares para a produção da oleaginosa e a elevação da produção chegou próximo de um milhão de toneladas no período, avançando sobre áreas de milho, feijão e pastagens. Na safra 2020/21 o cultivo da soja deve ocupar uma área próxima a 700 mil hectares no Estado.

O Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se consolidou como o maior exportador de soja nos últimos anos. Na safra 2018/19 embarcou 74,9 milhões de toneladas, enquanto as exportações americanas registraram 47,5 milhões. A China, maior comprador mundial, intensificou as compras do produto brasileiro já no início de 2020. As exportações brasileiras de soja tiveram uma evolução superior a 250% de 2012 a 2020.

Trigo

É o terceiro grão mais produzido do mundo, atrás do milho e do arroz. Na safra 2019/20 Santa Catarina produziu 154.774t e para este período agrícola espera-se 188.490t. No ciclo agrícola 2019/20, foi cultivada no Estado uma área de aproximadamente 50,8 mil hectares, o que representa uma redução de 5,8% em relação à safra anterior. Mesmo com redução da área, a produção estadual cresceu 13,8%, resultado do incremento de 20,8% na produtividade média das lavouras. Para a safra 2020/21, é esperado um plantio de 64,5 mil hectares, o que representaria um crescimento de 26,9% em relação a 2019/20.

Uma característica importante dos produtores catarinenses é que o trigo é plantado em sucessão às culturas de verão, como milho e soja. Assim, propicia a rotação de culturas e formação de palhada para plantio das culturas de verão, condição de uso das áreas produtivas que permite um maior aproveitamento econômico dos fatores de produção, como o solo, agrícola da propriedade, da mão de obra e do maquinário. Praticamente todo o trigo produzido em Santa Catarina é transformado em farinha. Boa parte é consumida dentro do próprio Estado, direcionada para o setor de confeitaria e panificação ou para o uso doméstico. Em 2020, o trigo bateu recordes no preço pago aos produtores.

Carne bovina

Segundo dados da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), em 31 de dezembro de 2020 o rebanho bovino catarinense era constituído por 4,51 milhões de cabeças, 3,91% abaixo da quantidade registrada no ano anterior. Dentre outros fatores, essa queda tem relação com a significativa alta nos preços do boi gordo observada em 2020, principalmente ao longo do 2º semestre, o que estimulou o aumento no abate. No ano passado Santa Catarina abateu 827.794 cabeças de gado, contra 750.666 em 2019.

A mesorregião Oeste Catarinense (microrregiões de Chapecó, Joaçaba, São Miguel do Oeste, Xanxerê e Concórdia) foi responsável por 52,31% dos bovinos produzidos no ano de 2020, levando-se em consideração o abate inspecionado, o autoconsumo e o comércio interestadual. Quando são contabilizados somente os animais abatidos em estabelecimentos inspecionados, o Oeste Catarinense responde por 50,22%.

O preço de dezembro de 2020 pago aos pecuaristas catarinenses foi 27,17% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Na comparação com fevereiro de 2019, a diferença é de 66,72%.

Embora a demanda interna seja superior à produção estadual, Santa Catarina exporta carne bovina. Em 2020, o estado ocupou a 15ª posição no ranking nacional, tendo exportado 3,06 mil toneladas, com US$9,51 milhões em receitas, quedas de 19,46% e 14,05% em relação ao ano anterior, respectivamente. O principal destino da carne bovina catarinense é Hong Kong, que respondeu 50,01% das receitas com esse produto em 2020.

Carne de frango

Em 2020, foram produzidos no Estado e destinadas ao abate 848,31 milhões de frangos, segundo a Cidasc, alta de 0,7% em relação ao ano anterior. Esse montante inclui tanto as aves cuja finalidade principal é o abate, quanto aquelas com outras finalidades, mas que, em algum momento, são abatidas. São contabilizados somente os animais abatidos em estabelecimentos inspecionados, seja em Santa Catarina ou em outras unidades da federação. A mesorregião Oeste Catarinense foi responsável por 79,76% da produção catarinense em 2020, pequeno recuo em relação ao ano anterior, quando respondeu por 80,53%.

Santa Catarina é o segundo maior exportador de carne de frango do país, tendo sido responsável por 25% das receitas brasileiras com esse produto em 2020. Por outro lado, ano passado a quantidade de carne de frango exportada pelo Estado caiu 24,05%, enquanto a variação das receitas foi de -32,17%.

O ranking nacional é liderado pelos três estados da Região Sul, sendo o Paraná o maior produtor nacional de frangos do país, com quase um terço do total. A segunda posição varia de acordo com o parâmetro utilizado. Quando se leva em consideração a produção de carne em equivalente-carcaça, Santa Catarina segue sendo o segundo principal produtor. Quando se considera o número de aves abatidas, o Rio Grande do Sul assume a posição.

Os dados preliminares do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam um crescimento de 1,52% na produção mundial de carne de frango em 2020. No ano passado a produção mundial de carne de frango superou a de carne suína. Essa é a primeira vez que isso ocorre desde o início da série histórica, na década de 1960.

Carne suína

De acordo com os dados da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, em 2019 a produção catarinense atingiu 1,12 milhão de toneladas de carcaça, alta de 3,31% em relação ao registrado em 2018. Nos três primeiros trimestres de 2020, as variações foram ainda mais expressivas em relação ao mesmo período do ano anterior: aumento de 14,84% no número de animais abatidos e de 18,51% na produção de carcaça. Até a finalização desta publicação, o IBGE ainda não havia divulgado os dados do 4º trimestre.

Em 2020, 7.318 suinocultores catarinenses destinaram suínos para abate em estabelecimentos inspecionados, queda de 3% em relação ao ano anterior. Entre 2015 e 2020, o número de produtores caiu 15,57%, o que indica um processo de concentração em curso no setor, com produções cada vez maiores e um número decrescente de suinocultores. A mesorregião Oeste (microrregiões de Concórdia, Joaçaba, Chapecó, São Miguel do Oeste e Xanxerê) foi responsável por 79,40% dos animais produzidos em 2020.

Assim como observado no cenário nacional, as exportações catarinenses de carne suína também apresentaram crescimento significativo em 2020: foram embarcadas 523,39 mil toneladas, aumento de 25,63% em relação ao ano anterior, o que mantém Santa Catarina no topo do ranking de maiores exportadores da proteína do país. As receitas registraram incremento ainda mais expressivo: US$1,17 bilhão, alta de 35,30%. Tais resultados representam recordes históricos nas exportações de carne suína do estado, tanto em valor como em quantidade. Os bons resultados de 2020 devem-se, principalmente, ao crescimento dos embarques para a China. Em relação a 2019, as exportações para aquele país cresceram 70,32% em quantidade e 76,32% em valor.

O fator que afetou de forma mais expressiva a suinocultura mundial em 2020 foi a peste suína africana (PSA), doença que atingiu a Ásia em meados de 2018 e, desde então, afeta drasticamente a atividade na principal região produtora e consumidora da proteína. Como já havia sido observado em 2019, quando a produção mundial caiu 9,71%, em 2020 registrou-se nova queda, dessa vez de 4,02%, de acordo com os dados da USDA.

Para 2021, as projeções iniciais do USDA apontam um crescimento de 4,4% na produção mundial, impulsionado pela gradativa recuperação da economia após as fases mais críticas da pandemia de Covid-19, e por aumentos consideráveis na produção chinesa (9,2%), brasileira (3,6%), russa (5,9%) e vietnamita (4,9%), entre outros países.

Leite

Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM/IBGE), a produção catarinense de leite em 2019 foi 8,1% superior à levantada pelo Censo Agropecuário 2017. Os analistas da Epagri/Cepa avaliam que é certo que houve crescimento nesse período, mas, ao se comparar os dados municipais e regionais dessas duas fontes e considerando o histórico de alta subjetividade nos dados da PPM, é possível afirmar que, mesmo a produção total de 2019 podendo, de fato, não ter sido muito diferente dos 3,040 bilhões de litros apontados pela PPM, há problemas com a sua distribuição geográfica. A Epagri/Cepa entende que é muito improvável, por exemplo, que as produções das mesorregiões Oeste e Sul, as duas principais produtoras, tenham crescimentos a taxas menores que as mesorregiões Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis.

No que diz respeito aos preços recebidos pelos produtores, o ano de 2020 teve dois semestres bem distintos. No primeiro semestre, os preços estiveram em patamares bem inferiores aos do segundo semestre, o que fez com que o preço médio anual alcançasse o maior patamar da série histórica da Epagri/Cepa. A elevação dos valores é resultado da combinação da produção com desempenho apenas discreto e abaixo do esperado e, principalmente, pelo crescimento da demanda de lácteos por milhões de pessoas beneficiadas pelo auxílio emergencial, em face da pandemia da Covid-19.

Fonte: Assessoria

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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