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Sanidade Suína: Onde estamos e para onde queremos ir?

A boa sanidade é um dos pilares de sustentação da suinocultura industrial, e tem impacto direto na economia da granja

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Artigo escrito por Adrienny Trindade Reis, médico veterinário, MS, do Instituto de Pesquisas Veterinárias Especializadas (Ipeve)

A suinocultura tem evoluído continuamente ao longo dos últimos anos, em termos de eficiência e produção custo – efetiva, oriundas da melhoria genética, nutricional, desenvolvimento de biológicos e farmacêuticos mais eficientes, incluindo vacinas autógenas continuamente atualizadas, gerando aumentos substanciais na produtividade do setor.

Da mesma maneira, houve uma evolução significativa nas técnicas laboratoriais, contribuindo para a identificação precoce dos agentes patogênicos.

Por outro lado, com a intensificação dinâmica da produção, os desafios continuam crescentes, especialmente no desenvolvimento de programas de controle do chamado “complexo de doenças”, haja visto a importância da somatória de vários fatores infecciosos e não infecciosos no desenvolvimento das mesmas.

A boa sanidade é um dos pilares de sustentação da suinocultura industrial, e tem impacto direto na economia da granja. O complexo das doenças respiratórias dos suínos continua sendo o alvo número 1 dos trabalhos de pesquisas apresentados nos últimos congressos, em função dos prejuízos econômicos nos índices de produtividade.

Dentre os patógenos envolvidos no complexo respiratório, podemos relacionar alguns vírus e bactérias ou ambos. A nível mundial, vírus emergentes como o PCV2, PRRS, infuenza, sozinhos ou associados, talvez sejam as etiologias mais frequentes.

No Brasil, as doenças respiratórias tem sido causadas essencialmente pelo vírus da influenza e PCV2, associados a diferentes agentes bacterianos como o haemophilus parasuis, mycoplasma hyopneumoniae, actinobacillus suis, pasteurella multocida, streptococcus suis e salmonella spp.

Na medida que controlamos ou mesmo erradicamos algumas doenças, outras novas, a exemplo do circovirus, a influenza e mais recentemente o seneca virus, vêm surgindo, complicando os quadros clínicos já existentes.

Associado ao aumento dos agentes infecciosos, temos no Brasil sistemas de produção intensiva e contínua, sem práticas regulares de vazio sanitário associados a uma biosseguridade insuficiente, propiciando o aumento significativo dos problemas sanitários.

As exigências e tendências globais e de mercado, políticas públicas, redução ou uso restrito de antimicrobianos, segurança alimentar, têm proporcionado oportunidades para investimentos na área de biosseguridade, ambiência, comportamento animal, desenvolvimento de novos produtos biológicos e programas, visando a estabilização da imunidade dos rebanhos, além de uso de produtos alternativos, que têm sido explorados de forma consistente para a suinocultura do futuro.

Diagnóstico Laboratorial

Uma das principais limitações no controle adequado das doenças infecciosas é a falta de um diagnóstico laboratorial e diferencial consistente, preciso e rápido. A seleção de no mínimo cinco animais, o estágio da infecção do animal, o número de amostras isoladas a serem caracterizadas, são por exemplos fatores essenciais na conclusão do diagnóstico laboratorial.

O conhecimento das patologias primárias, secundárias, associações que participam do quadro clínico são fundamentais para o estabelecimento de programas de controle específicos e efetivos. Apesar do domínio das diferentes técnicas modernas para identificação precoce dos patógenos, a falta de aprofundamento e uso destas técnicas têm levado a erros ou aplicação inadequada em programas preventivos de antimicrobianos e vacinas. É essencial ampliar e introduzir como rotina o diagnóstico laboratorial completo como a base técnica para estabelecimento de programas dinâmicos de controle das doenças. Protocolos bem definidos, tanto na seleção adequada de animais quanto no uso da metodologia de coleta e eleição das técnicas laboratoriais devem ser mantidos de forma regular, no exercício profissional.

PED ou Coronavirus

A Introdução do vírus da diarreia epidêmica suína (PEDv), nos Estados Unidos, em 2013, afetou 56% da população de fêmeas dos rebanhos e resultou em uma mortalidade significativa de leitões. A partir das perdas econômicas causadas, os produtores têm buscado reforçar a imunidade dos rebanhos positivos. Vacinas inativadas e recombinantes têm sido utilizada em alguns países, além do uso da retroinfecção ou “feedback”, objetivando aumentar o nível de anticorpos colostrais neutralizantes, com duração de até 24 semanas. Embora hoje o número de casos tenha reduzido consideravelmente na América do Norte, é uma doença contagiosa de grande importância econômica. No Brasil, não foram relatados nem confirmados casos até o momento.

A PRRS, síndrome reprodutiva e respiratória dos suínos, é a doença infecciosa de maior significação econômica do mundo. Devido ao grande impacto na América do Norte, Europa e Ásia e a reemergência de novos casos clínicos desde 2014, muitos estudos ainda continuam em curso, no sentido de se estabelecer programas efetivos de controle e erradicação. O desafio atual para os produtores de suínos que convivem com o problema reside no desenvolvimento de ferramentas necessárias para garantir a erradicação viral. Esta se baseia essencialmente em medidas de biosseguridade e desenvolvimento de vacinas protetoras e efetivas para as variedades dos vírus circulantes. Pesquisas recentes, no laboratório da Universidade de Nebraska, têm desenvolvido uma nova geração de vacinas vivas atenuadas com marcadores, a partir de um vírus sintético que confere ampla proteção contra os principais vírus circulantes, sendo uma esperança real no controle desta importante enfermidade. Até o momento, este vírus, juntamente com o PEDv não foi identificado no Brasil.

O senecavirus A, descrito pela primeira vez como contaminante de cultivo celular, era, até então, considerado um vírus de baixa patogenicidade e importância para suínos. O primeiro novo relato deste vírus ocorreu no Brasil, em 2014, por Vannucci e colaboradores, que observaram casos de laminite aguda, morte súbita de leitões ao nascimento e lesões vesiculares, sendo sua confirmação realizada por sequenciamento do genoma viral associado a identificação do vírus por hibridização in situ.

Após esta descrição, a doença tem sido relatada e identificada nos Estados Unidos, Canadá, China, Austrália, Nova Zelândia, Itália e outros países. Pesquisas recentes realizadas no USDA conseguiram reproduzir a doença vesicular, preenchendo os postulados de Koch, através de inoculação experimental. Foi também demonstrado que a amostra brasileira possui 97-98% de homologia na sequência genômica com as amostras americanas, porém ambas diferentes da amostra identificada no passado.

Estudos têm sido realizados a fim de esclarecer a patogenia e transmissão deste vírus, bem como a epidemiologia da doença. Quanto ao diagnóstico, além do isolamento, têm sido utilizado técnicas moleculares, microscopia eletrônica e mais recentemente desenvolvido anticorpos monoclonais para produção de teste Elisa de competição. Ainda não existem vacinas disponíveis, porém protocolos de feedback utilizando fezes e fluídos orais positivos por PCR e administrado para fêmeas, associados a protocolos de desinfecção com hipoclorito de sódio, têm sido utilizados, associado à restrição de entrada de novos animais nos rebanhos, visando ao controle da doença. Mais estudos são necessários para melhor conhecimento da disseminação e potencial patogênico deste vírus para outras espécies, incluindo a espécie humana. Não existem recomendações da OIE relativas à importação de suínos de países ou zonas afetadas por este vírus.

Tremor Congênito

O tremor congênito é uma doença esporádica de leitões recém-nascidos, relatada há quase 100 anos, caracterizada por quadro de mioclonia repetitiva. A maioria dos surtos tem sido atribuída a fatores não específicos. Recentemente, Arruda e colaboradores conseguiram reproduzir a doença a partir de inoculação experimental de fêmeas gestantes, sendo que os leitões filhos destas fêmeas apresentaram sintomatologia clássica da doença. Desta forma, o pestivirus foi considerado a causa do tremor congênito em suínos. Novos estudos têm sido realizados para melhor compreensão da patogenia e epidemiologia da doença, bem como desenvolvimento de métodos precisos e específicos de diagnóstico laboratorial.

Influenza A

A influenza suína é uma doença muito significativa para a indústria suína. Três subtipos do vírus são endêmicos no mundo: H1N1, H1N2 e H3N2, com grande diversidade genética e antigênica. Desde sua introdução em 2009, o H1N1 pandêmico tem sido repetidamente transmitido de humanos para suínos, além de ter se estabelecido em suínos em algumas regiões. No Brasil, os subtipos H1N1 e H3N2 são os mais frequentes, porém poucos trabalhos de isolamento e caracterização dos vírus circulantes têm sido realizados como rotina.

Os exames de PCR e imuno-histoquímica utilizados no diagnostico direto diferencial do complexo das doenças respiratórias muitas vezes não incluem a influenza como rotina e subestimam o número de casos no Brasil. Por outro lado, a grande diversidade genética das amostras deste vírus é um obstáculo para a eficácia de vacinas disponíveis no mercado, e quando utilizadas, não possuem avaliação em relação aos resultados. Mundialmente, programas com diferentes plataformas vacinais e vacinas autógenas contendo as amostras circulantes têm sido feitos, para fêmeas ou leitões, com resultados promissores.

PCV2

A circovirose continua sendo uma das importantes doenças virais no mundo, sendo que praticamente todos os suínos são infectados pelo vírus, porém nem todo rebanho expressa a doença. A partir do desenvolvimento das vacinas o número de casos tem reduzido drasticamente no Brasil e no mundo, apesar de algumas variações já comprovadas no genoma do vírus. Em alguns rebanhos, por outro lado, novos surtos da doença têm ocorrido, sendo desta forma, uma oportunidade para revisar, a partir de métodos sorológicos ou moleculares, a dinâmica da infecção dentro destes rebanhos e rever os programas de vacinação existentes.

Doenças Bacterianas

As doenças bacterianas, sejam ligadas a problemas respiratórios ou entéricos, têm se mantido relevantes no Brasil por muitos anos. No caso do Actinobacillus pleuropneumoniae, Streptococcus suis, Haemophilus parasuis, por exemplo, sua variabilidade de sorotipos e genótipos têm dificultado sobremaneira o controle. Estudos realizados no Brasil mostram a presença de até cinco sorotipos destes agentes, ao longo do tempo, no mesmo rebanho. Isto caracteriza a importância do monitoramento regular destes patógenos nas granjas visando garantir o conhecimento das cepas circulantes e, desta forma, definir o programa de controle mais adequado a ser implementado.

Salmonelose

A salmonelose é uma das doenças bacterianas de maior impacto na suinocultura mundial, haja visto que pode participar tanto dos problemas respiratórios quanto entéricos, além de morte súbita. Trata -se também de uma zoonose, com implicações na saúde humana e na exportação. É um desafio sanitário muito importante para a suinocultura nacional, requerendo implementação de programas, tanto em granjas quanto a nível de frigoríficos, a exemplo do que ocorre em outros países.

Conclusões

O modelo industrial de produção de suínos não deverá seguir o mesmo para os próximos anos. A indústria de suínos precisará se reinventar, visando a produção de carne de alta qualidade, em ambiente e instalações satisfatórios, seguindo os padrões do bem estar animal. Programas preventivos baseados na identificação dos problemas e orientados para a saúde do rebanho serão a chave para o sucesso. A grande pergunta que nos faz refletir é por que vírus antigos de repente se tornaram tão importantes e patogênicos para suínos, como o caso do PCV2 e o senecavírus nas últimas décadas? E como fazer para minimizar as recombinações genéticas que têm gerado o surgimento de cepas cada vez mais patogênicas? Mais uma vez, precisamos estar preparados tecnicamente para enfrentar os desafios que poderão vir pela frente. Hoje, o Brasil, ainda é livre de alguns destes vírus, porém a manutenção do “status de livre” dependerá de um trabalho forte e consciente em biosseguridade, com protocolos rígidos de entrada de material genético e transito no país.

 

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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carne suína

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global

Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

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Projeto Peso na Granja criado por estudantes da Faculdade Donaduzzi, usa IA para para estimar o peso de suínos com precisão e atende demandas do mercado - Foto: Shutterstock

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.

Foto: Shutterstock

As tecnologias utilizam Inteligência Artificial (IA), ciência de dados e visão computacional para enfrentar gargalos históricos do agronegócio brasileiro, com foco em eficiência operacional, redução de custos e aumento de produtividade. A iniciativa consolida a transição de protótipos acadêmicos para soluções de alta complexidade, estruturadas para atender produtores rurais, cooperativas e integradoras.

O movimento reforça o posicionamento do Oeste paranaense como polo de inovação aplicada ao agro, conectando formação técnica, pesquisa e mercado.

Suinocultura 4.0 no campo

Entre os projetos que avançam para a fase comercial está o Peso na Granja, desenvolvido por alunos do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial. A solução responde a um dos principais desafios da suinocultura de precisão: a pesagem dos animais sem manejo físico.

Com uso de redes neurais profundas, o sistema identifica individualmente os suínos por imagem e extrai medidas biométricas sem contato

Foto: Shutterstock

direto, alcançando precisão de 98%. A tecnologia automatiza a pesagem, reduz o estresse animal e qualifica o controle zootécnico das granjas.

Na prática, o produtor passa a contar com dados em tempo real para ajustes finos na nutrição, monitoramento da curva de conversão alimentar e identificação precoce de possíveis enfermidades. O ganho é duplo: melhoria do desempenho produtivo e maior previsibilidade de resultados.

O projeto foi reconhecido nacionalmente ao ser premiado no Hackathon do Show Rural Digital 2026, um dos principais eventos de inovação voltados ao agronegócio no país.

Compliance no campo

Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock

A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.

Trilha empreendedora

O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.

A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.

Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.

Fonte: Assessoria Biopark
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