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Sanidade e biosseguridade de suínos serão abordadas no 15º SBSS
Evento acontece nos dias 08, 09 e 10 de agosto no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

A indústria suinícola desempenha um papel vital na produção de carne suína, uma das principais fontes de proteína animal consumida em todo o mundo. No entanto, assim como em outras áreas da produção animal, garantir a sanidade e a biosseguridade dos suínos é essencial para preservar a saúde do rebanho, a qualidade dos produtos e a segurança alimentar da população.
A importância da sanidade e da biosseguridade de suínos será esplanada no painel Sanidade e Biosseguridade no 15º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). O assunto será tema de explanção do nutricionista de suínos Francisco Domingues. A palestra “Biosseguridade: aprendizado na dor” está programada para o dia 10 de agosto (quinta-feira), das 10h50 às 11h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, onde será realizado o SBSS.
O Simpósio é promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet). O evento ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de agosto e será de forma híbrida e as palestras ficarão disponíveis durante 30 dias para acesso dos inscritos no site do Nucleovet. Simultaneamente acontecerá a 14ª Brasil Sul Pig Fair e a Granja do Futuro, presencialmente.
O presidente da Comissão Científica do SBSS, Paulo Bennemann, observa que a sanidade de suínos envolve a prevenção, controle e tratamento de doenças que podem afetar esses animais. “Já a biosseguridade é uma abordagem de prevenção que visa evitar a entrada e disseminação de patógenos em uma propriedade suinícola. A adoção de medidas adequadas de biosseguridade é especialmente importante em ambientes de alta densidade populacional, como as granjas de suínos, onde a disseminação de doenças pode ocorrer rapidamente”, complementa.
Bennemann salienta que a sanidade e a biosseguridade de suínos são fundamentais para a proteção da indústria suinícola e para a segurança alimentar da população. A prevenção e o monitoramento adequados de doenças, bem como a implementação de práticas de biosseguridade, são essenciais para preservar o bem-estar dos animais e a sustentabilidade da produção suinícola.
Mais sobre o palestrante
Francisco Domingues é médico veterinário com grande experiência nas áreas de nutrição de suínos, projetos e gerenciamento de fábricas de ração, desenvolvimento de estratégia de mercado de suínos, gestão da produção de suínos, sanidade, gestão de equipes e planejamento estratégico. Com 20 anos de experiência a campo, atuou em clientes nos Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Croácia, Rússia, Espanha, China, Vietnã, entre outros. Atualmente, é diretor de Serviços Técnicos Globais da Anitox Corporation, com sede nos EUA.
Como se inscrever?
Para participar do 15º SBSS os interessados podem se inscrever, no terceiro lote, com investimento de R$ 800 para profissionais e R$ 460 para estudantes. Neste ano, o acesso à feira – que era gratuito – será pago para quem não participar do Simpósio. Para os congressistas que se inscreverem no Simpósio, o acesso à Pig Fair continua gratuito. O valor para participar somente da 14ª Brasil Sul Pig Fair e de R$ 200.
Na compra de pacotes a partir de dez inscrições para o SBSS serão concedidos códigos-convites bonificados. Nessa modalidade há possibilidade de parcelamento em até três vezes. Para que inscrever clique aqui.

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Energia solar já corta 90% da conta de luz e pode dobrar de tamanho no Brasil até 2027
Com 19 GW de potência instalada, a fonte solar já é a terceira maior da matriz elétrica brasileira. Queda no custo dos equipamentos, alta da tarifa de energia e expansão da geração distribuída impulsionam o setor, que já atraiu R$ 10 bilhões em investimentos e criou 640 mil empregos.

A possibilidade de reduzir em até 90% os gastos com energia elétrica tem acelerado a adoção de sistemas de geração solar no Brasil. A estimativa é da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que atribui o avanço do setor ao aumento das tarifas de eletricidade e à queda no custo de instalação dos painéis fotovoltaicos.
Os resultados colocaram a energia solar em um novo patamar na matriz elétrica brasileira. Hoje, a fonte ocupa a terceira posição entre as maiores geradoras de energia do país, atrás apenas das hidrelétricas e da energia eólica.

Foto: Divulgação
O Brasil já ultrapassou 19 gigawatts (GW) de potência instalada em energia solar fotovoltaica. Desse total, 13 GW correspondem à chamada geração distribuída, sistemas instalados em telhados, fachadas de imóveis e pequenos terrenos, enquanto os outros 6 GW são provenientes de usinas solares de grande porte.
O volume é considerado histórico pelo setor e reforça as perspectivas de expansão da fonte no país. Segundo projeção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a capacidade instalada de energia solar poderá dobrar até o início de 2027.
Conta de luz mais cara amplia procura
Para o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia, dois fatores explicam o ritmo de crescimento da energia solar no Brasil: o aumento sucessivo das tarifas de energia elétrica e a redução dos custos dos equipamentos fotovoltaicos.
Segundo ele, embora o investimento inicial ainda seja elevado, a economia mensal obtida pelo consumidor torna o sistema financeiramente atrativo. A instalação de um sistema residencial custa, em média, R$ 25 mil. Para indústrias, o investimento pode chegar a R$ 200 mil.

Foto: Divulgação
Sauaia afirma, entretanto, que os preços tendem a continuar caindo nos próximos anos. Com a redução de até 90% na conta de energia, o investimento costuma ser recuperado em poucos anos.
Fonte limpa evita emissão de 28 milhões de toneladas de CO₂
Além do impacto econômico, a energia solar também vem sendo apontada como uma alternativa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Por não utilizar combustíveis fósseis nem gerar resíduos durante a produção de eletricidade, a fonte é considerada uma das mais limpas da matriz energética.
Segundo a Absolar, a geração de energia solar já evitou a emissão de quase 28 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera.
Setor movimenta bilhões
O avanço da energia solar também tem reflexos na economia. Dados da Absolar mostram que, desde 2012, o setor movimentou aproximadamente R$ 10 bilhões em novos investimentos no país.
Nesse período, a expansão da atividade resultou na criação de cerca de 640 mil empregos ao longo da cadeia produtiva e contribuiu para uma arrecadação de quase R$ 40 bilhões aos cofres públicos.
Com a expectativa de continuidade da queda nos custos dos equipamentos e da expansão da geração distribuída, o setor projeta manter o ritmo de crescimento nos próximos anos, ampliando sua participação na matriz energética brasileira.
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O Cerrado entre o desenvolvimento e a destruição
Maior fronteira agrícola do país, o bioma concentra parte da expansão da produção de grãos, enquanto especialistas, produtores e comunidades divergem sobre os impactos econômicos, ambientais e sociais desse modelo de desenvolvimento.

O agronegócio do Brasil é apontado como motor do crescimento econômico do país. Por outro lado, é criticado pelo potencial de concentração de terras e renda, além dos danos ambientais em larga escala. Entre os problemas está o desmatamento da savana brasileira, o Cerrado, tido como berço das águas por sediar as nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas do país. Para pesquisadores, ambientalistas e ativistas, o avanço do desmatamento no bioma coloca em risco a segurança hídrica do país ao agravar a redução das vazões dos rios.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O Tribunal Permanente dos Povos (TPP), que reúne 56 movimentos sociais, acusa estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior de ecocídio do Cerrado, que é o crime de destruição do bioma. E chamam de genocídio o que ocorre com povos tradicionais expulsos dos seus territórios. “O veredito do júri foi unânime na condenação e reconhecimento da responsabilidade objetiva e compartilhada entre Estados nacionais e estrangeiros, além de empresas e instituições do Brasil e do exterior, pela destruição e perda do ecossistema do Cerrado como um todo”, diz o documento de 2022.
A savana mais biodiversa do planeta já teve sua vegetação nativa suprimida em 47,9% ao longo da história, segundo dados do Mapbiomas. As atividades agropecuárias são as que mais pressionam o Cerrado, ocupando 24% do bioma após expandir sua área de atuação em 74% entre 1985 e 2024.
Do Cerrado ainda em pé, quase metade (47,8%) está na região do Matopiba – região que abarca Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde se concentram as maiores taxas de desmatamento do bioma e onde segue ativa a expansão da fronteira agrícola brasileira.
O que é agronegócio?
Antes de delimitar a contribuição econômica dessa atividade, existe uma disputa em torno do que pode ser considerado agronegócio. O professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e

Foto: Divulgação
economista Danilo Araújo Fernandes alertou que há setores do agro que tentam incluir toda produção agrícola dentro do conceito, mas que é preciso diferenciar o agronegócio da chamada agricultura familiar. “Agronegócio é um termo meio fantasia que é muito genérico. Eu classifico de agro essa agricultura patronal, ou seja, onde você tem a massa da mão de obra assalariada, em grande parte mecanizada, mas não necessariamente”, explicou.
Para o professor de economia política da Universidade Federal do Pará (UFPA) Gilberto de Souza Marques, o termo agronegócio deve ser restrito aos grandes conglomerados econômicos controlados por complexos financeiros de larga escala, que financiam, junto com o Estado, toda essa atividade. “O agro, na realidade, é a grande produção, as grandes propriedades, os grandes conglomerados e os grandes complexos financeiros”, classificou.
Peso econômico
Ao mesmo tempo em que acumula danos ambientais, o agronegócio brasileiro é tido pelos governos e especialistas como fundamental para economia do país, ao criar superávits na balança comercial que ajudam a estabilizar a moeda, além de gerar renda e empregos e impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
O setor primário – que reúne agricultura e pecuária, mas também mineração – foi diretamente responsável por 6,2% do PIB em 2024. Porém, pesquisas apontam que o peso do agro pode chegar a até 25% do PIB quando considerado o efeito cascata dessa produção nos setores de transporte, insumos e da agroindústria, conforme calcula a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP).

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
No primeiro trimestre de 2025, o governo federal comemorou o crescimento do PIB puxado pelo agronegócio. O setor cresceu 2,9% se comparado ao primeiro trimestre de 2024. Em relação ao trimestre anterior, o crescimento foi de 12,2%. “O agro foi o grande responsável por esse crescimento. É a força da economia brasileira puxada pela agropecuária”, destacou, à época, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.
Muito além do PIB
Para o economista da UFPA Danilo Fernandes, que estuda o desenvolvimento econômico sustentável, não podemos limitar a avaliação do papel do setor ao PIB, sendo necessário incluir na equação a área total que a atividade usa para gerar essa riqueza. “Não é só o PIB. Quanto você imobiliza o território nacional para produzir aquele PIB? O quanto você destrói de outras possibilidades, de desmatamento, de impacto sobre a biodiversidade? Ou seja, naquele momento você gera uma riqueza que usa bastante terra, desmata a floresta, destrói a biodiversidade e pode diminuir o nível da chuva”, ponderou.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Apesar de reconhecer a importância econômica do agronegócio empresarial para a economia nacional, o professor Danilo Fernandes defende que é preciso barrar a expansão desse modelo para novas áreas. “O agro é importante, portanto, a gente não pode eliminar o agronegócio. Esses empresários têm um papel muito grande na economia, na política e na influência cultural. Mas a gente precisa, de alguma forma, conter essa expansão”, afirmou.
Negócio financiado pelo Estado
Os economistas destacaram que o agronegócio brasileiro se tornou um dos mais competitivos do mundo graças ao apoio do Estado ao longo das últimas décadas. Atualmente, o Brasil lidera a produção do principal grão do mercado mundial, a soja, com 169 milhões de toneladas na safra 2024/2025, o que representa 40% de toda produção mundial.
Em seguida, vêm os Estados Unidos (EUA), com 118 milhões de toneladas, e, em terceiro, a Argentina, com aproximadamente 51 milhões de toneladas, volume semelhante ao que é produzido apenas no Mato Grosso (MT).
Segundo os pesquisadores, fatores que contribuíram para a competitividade do agro brasileiro foram terras abundantes e baratas, em alguns casos fruto da grilagem; e o apoio estatal da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estatal que desenvolveu tecnologias que permitiram a expansão das culturas para regiões mais áridas, como o Cerrado.
Os especialistas também destacam os incentivos fiscais, em especial por meio da Lei Kandir, de 1996, que isenta do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtos primários ou semielaborados usados na exportação.
Ao criticar iniciativas de mudanças na Lei Kandir no Congresso Nacional, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo, reconheceu o

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
papel fundamental da medida. “A Lei Kandir permitiu que os produtos agropecuários brasileiros se inserissem no mercado internacional de maneira competitiva, chegando a tornar-se um dos setores mais dinâmicos da economia nacional e um dos principais fornecedores de alimentos para o mundo”, enfatiza.
Além disso, o setor é beneficiado com centenas de bilhões de reais anuais em empréstimos com juros subsidiados por meio do Plano Safra do governo federal. Em 2025, o valor bateu o recorde de R$ 516,2 bilhões. Já para a agricultura familiar, o total destinado foi de R$ 89 bilhões no ano agrícola 2025/2026.
Para o professor de economia política da UFPA, Gilberto de Souza Marques, a capacidade de geração direta de empregos do agronegócio empresarial é limitada diante do montante de capital envolvido. “E, principalmente, diante do montante de isenção fiscal que o Estado dá para esses setores e de crédito subsidiário que o Estado concede, além de outros favores”, menciona.
Dados do Censo de 2022 apontam que 7,5% da população total ocupada no Brasil está na agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e aquicultura. O dado não diferencia agricultura familiar da empresarial.
Como foi o Estado que direcionou a economia brasileira para o agro de exportação, por meio de décadas de investimentos, o economista Danilo Araújo Fernandes avalia que deve ser o Estado a projetar outro tipo de expansão econômica que seja social e ambientalmente mais sustentável. “Se não quero a expansão do agro, que tipo de expansão econômica queremos? Aí entra outra discussão. Quais as alternativas que você tem para o desenvolvimento de regiões como o Matopiba ou Amazônia?”, questiona.

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Mercado interno de alimentos
E se os incentivos fiscais do governo dão competitividade aos produtos nacionais no mercado mundial, o economista Danilo Fernandes, por sua vez, destacou que o apoio ao agronegócio de exportação, ao longo das décadas, contrasta com o apoio à agricultura voltada para o mercado interno, o que teria criado distorções que prejudicaram o abastecimento nacional, pressionando o preço dos alimentos aqui no Brasil. “Esse apoio do Estado foi sendo direcionado aos poucos, com muito investimento, para o mercado externo. Ao mesmo tempo, o mercado interno ficou dependendo da agricultura familiar que, por sua vez, recebeu muito menos apoio. Durante o regime militar, por exemplo, é absurda a diferença”, disse.
Com a redemocratização do país, na década de 1980, Fernandes disse que o Estado voltou elaborar políticas focadas na agricultura familiar, em especial por meio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), criado em 1995. O atual governo afirma que aumentou em 47,5% o valor do Pronaf em relação à gestão anterior.

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Domínio internacional
Enquanto o Brasil participa como um dos maiores produtores mundiais de alimentos, esse mercado é controlado, em sua maior parte, por quatro grandes conglomerados multinacionais. “Elas controlam entre 50% e 80% do mercado mundial de grãos do planeta, dependendo da estimativa. De toda forma, isso é um absurdo em relação à concentração de mercado”, afirmou o economista Gilberto Marques.
Devido a essa estrutura de oligopólio, o especialista argumenta que essas multinacionais exercem amplo controle do mercado, incluindo dos preços, e financiam boa parte dos produtores brasileiros por meio de compras futuras. “Eles não são, em geral, produtores. São controladores do mercado. E hoje, em grande medida, são financiadores também. Eles já fazem contratos com preços fixados para as safras seguintes. E muitas vezes, nesses contratos, eles já adiantam parte do pagamento. Nesse sentido, o produtor direto, o chamado agro brasileiro, fica ali preso a eles”, explicou.
Por conta dessa dinâmica, o empresário brasileiro só tem ganhos em uma economia de escala, ou seja, de grandes proporções. “Esse preço tem uma margem pequena de lucro, mas, quando você produz em enorme quantidade, isso se transforma numa massa de lucro grande. E essa economia de escala, por outro lado, impõe que essa produção seja uma produção cada vez mais mecanizada, o que repercute em um baixo nível de emprego”, acrescentou
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Brasil intensifica negociação com os Estados Unidos para evitar tarifa de até 25%
Equipes técnicas dos dois países retomam as tratativas na próxima semana para tentar fechar um acordo antes de 15 de julho, prazo estabelecido por Washington para decidir sobre a aplicação das novas tarifas.

O governo brasileiro e os Estados Unidos decidiram acelerar as negociações para tentar evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Após uma reunião de alto nível realizada na última quinta-feira (02), representantes dos dois países concordaram em intensificar o diálogo técnico já no início da próxima semana e preparar um novo encontro ministerial antes de 15 de julho, data-limite estabelecida por Washington para definir eventuais medidas comerciais.

Imagem criada pelo ChatGPT/Jaqueline Galvão/OP Rural
Participaram da reunião o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Segundo nota divulgada pelo ministério, o encontro foi considerado construtivo, mas as partes reconheceram que ainda será necessário aprofundar as discussões para reduzir divergências e detalhar propostas.
O objetivo é chegar a um entendimento antes que o governo norte-americano conclua a investigação comercial e decida sobre a adoção de tarifas adicionais contra produtos brasileiros.
Quarta reunião
O encontro marcou a quarta reunião de alto nível entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer. As anteriores ocorreram em 19 e 28 de maio e em 13 de junho, além de diversas reuniões técnicas realizadas entre as equipes dos dois países.
Segundo o MDIC, as conversas seguem a orientação definida pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em 7 de maio, quando os dois governos decidiram buscar uma solução negociada para a agenda comercial bilateral.
Seis temas concentram as negociações
As discussões giram em torno dos seis pontos da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Entre os temas em análise estão:
- comércio digital;
- tarifas preferenciais;
- combate à corrupção;
- proteção à propriedade intelectual;
- mercado de etanol;
- desmatamento ilegal.
Durante a reunião, o governo brasileiro voltou a contestar críticas apresentadas por Washington sobre políticas nacionais relacionadas ao comércio digital, aos sistemas de pagamento eletrônico,

Foto: Allan Santos/PR
incluindo o Pix, e a decisões do Judiciário brasileiro.
Governo admite corrida contra o tempo
O ministro Márcio Elias Rosa afirmou que o governo trabalha para construir um entendimento antes do encerramento do prazo estabelecido pelos Estados Unidos. “Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra. O prazo é 15 de julho”, enfatizou.
Segundo o ministro, o avanço das negociações tem sido prejudicado por fatores externos que acabam alterando o ritmo das conversas. “Toda vez que caminhamos positivamente surge um novo atropelo que precisamos superar”, declarou.
Ministro critica interferência política nas negociações
Durante evento realizado no Rio de Janeiro, Márcio Elias Rosa também criticou, sem citar nomes, brasileiros que, segundo ele, transportam disputas políticas internas para uma negociação comercial entre os dois países.”Essas pessoas poluem o debate político, ou colocam num debate econômico comercial um debate político que não deveria estar”, afirmou o ministro.

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Ele defendeu que o Brasil mantenha o diálogo técnico como principal estratégia para resolver o impasse comercial e reiterou o compromisso do governo com a negociação multilateral.”Se o Brasil sair da mesa técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo”, frisou Rosa.
Próxima semana será decisiva
Ao final da reunião, Brasil e Estados Unidos determinaram que as equipes técnicas retomem os encontros já no início da próxima semana para aprofundar a análise dos pontos em discussão e preparar uma nova reunião ministerial antes de 15 de julho.
Em comunicado, o MDIC informou que ambos os governos reconheceram o caráter construtivo das negociações e concordaram com a necessidade de ampliar o diálogo para aproximar posições sobre os temas que permanecem em disputa.
Com menos de duas semanas até o prazo definido por Washington, a expectativa é que a próxima rodada de negociações seja decisiva para definir se Brasil e Estados Unidos conseguirão evitar a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros.



