Conectado com

Suínos / Peixes Sanidade

Salmonella na suinocultura: como prevenir-se contra este inimigo?

Além de cuidados com a biosseguridade, a vacinação é uma medida muito eficaz na redução do agente nos suínos

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Luciana Fiorin Hernig, médica veterinária e coordenadora Técnica de Território da Boehringer Ingelheim

A Salmonelose é um tema de extrema importância na saúde pública em todo mundo, pois é uma das principais doenças transmitidas por alimentos, incluindo a carne de frango e de suínos, que pode causar intoxicação alimentar. A avicultura já há alguns anos vem enfrentando fortes exigências em todos os níveis da produção com foco em redução deste agente no produto final, atendendo inclusive exigências do comércio internacional para exportação da carne brasileira.

Na suinocultura a Salmonelose caracteriza-se por quadros que variam de acordo com a suscetibilidade dos animais e a virulência das cepas. A Salmonella é endêmica no Brasil e sua prevalência é alta em suínos, que podem se infectar com vários dos mais de 2500 sorovares já identificados. Essa bactéria é transmitida principalmente pela via fecal-oral e os quadros clínicos mais comuns são enterites agudas ou crônicas, podendo passar despercebidas, e a septicemia, que pode ocorrer em um curto prazo, levando inclusive a alta morbidade e mortalidade. Esses sinais clínicos em suínos são causados majoritariamente pela S. Tiphymurium e S. Choleraesuis (sorovar adaptado ao suíno). Nos últimos anos, a ocorrência de quadros septicêmicos causados por essa bactéria em suínos aumentou no Brasil, principalmente nas fases de creche e crescimento, gerando prejuízos consideráveis.

Além disso, sabe-se que existem suínos que portam a Salmonella nos linfonodos e tonsilas, sem manifestar sinais clínicos, e que em situações de estresse, como o transporte desses animais para o abate, por exemplo, aumentam a excreção desse agente através das fezes, contaminando outros suínos e o ambiente no frigorífico. Este fato associado as exigências do Mapa em relação a identificação deste agente nas carcaças ao abate, com a obrigatoriedade de coleta de amostras para análise laboratorial conduzido por cronograma oficial, tem tornado o controle da Salmonella na suinocultura um tema cada vez mais frequente de discussões. Despertou-se um alerta para necessidade de se agir no intuito de reduzir a prevalência de animais que portem este agente, não só na linha de abate, mas em todos os estágios de produção.

Contudo, manter o rebanho controlado em relação a algumas doenças através do uso massivo de antimicrobianos tem deixado de ser a opção de eleição, à medida que se entende e aceita que o uso exacerbado de algumas moléculas tem contribuído para o aparecimento de resistência na produção animal e em agentes que infectam inclusive humanos. Há ainda estudos mostrando que diferentes cepas de Salmonella encontradas em granjas no Brasil apresentam resistência a mais de uma molécula.

Medicar os suínos com antimicrobianos reduz a presença de sinais clínicos e a mortalidade em casos onde os animais adoecem, porém, esta é uma ação curativa que precisa ser aliada a medidas preventivas mantidas em prática diariamente. Neste caso, a prevenção está diretamente relacionada a redução dos fatores de risco no ambiente, ou seja, a adoção de medidas de biosseguridade. Os postos-chave estão associados aos cuidados para minimizar a transmissão as Salmonella, que pode acontecer de várias formas. Estas podem ser através da entrada de animais portadores no plantel, água e/ou ração contaminadas, falhas no processo de limpeza/desinfecção/vazio sanitário (Figura 4), mistura de leitões de diferentes origens, presença de agentes que carreiam a bactéria, como roedores, pássaros, moscas, pessoas, veículos.

É fundamental também garantir a adoção de um bom manejo de colostro para promover uma maior proteção dos leitões durante a fase de lactação. Mas, com a queda da imunidade materna para Salmonella ao desmame, a vacinação dos leitões torna-se uma ferramenta muito importante como forma de prevenção para as fases seguintes da vida dos suínos. A vacina deve ser capaz de estimular a imunidade celular para auxiliar na eliminação desta bactéria nos órgãos alvos e sua excreção para o ambiente, bem como reduzir a presença desta nos linfonodos e tonsilas. Tendo em vista que trata-se de um agente intracelular facultativo, é importante que a vacina consiga estimular a imunidade celular. A opção de vacina viva atenuada é uma ótima ferramenta neste caso, pois estimula o desenvolvimento de imunidade celular e de mucosa (Imunoglobulina A – IgA).  Existe no mercado a opção de fornecimento da vacina viva por via oral, que não causa reações adversas nos leitões, reduzindo o estresse associado a este manejo nos animais.

O movimento de restrição no uso de antimicrobianos tem levado à busca de alternativas que propiciem a melhora na saúde intestinal dos suínos como o uso de probióticos, prébioticos, óleos essenciais, entre outros, para reduzir os efeitos causados pelo estresse nos animais que leva a um desequilíbrio da microbiota do intestino. Neste sentido, um estudo canadense, ao comparar diferentes estratégias para redução da quantidade de Salmonella carreada pelos suínos, mostrou que o uso de uma vacina viva inativada administrada por via oral para Salmonella foi associada a redução na presença de S. Typhimurium no íleo e nos linfonodos mesentéricos. Assim mostrando que a vacinação pode contribuir não apenas com a diminuição nos casos clínicos causados pelo agente, mas também ser benéfica quando a preocupação são os animais que carreiam o agente sem manifestar a doença e contaminam o frigorífico. Outro estudo mostrou ainda que o uso de vacina oral para Lawsonia intracellularis culminou com a redução na excreção de Salmonella Typhimurium em suínos co-infectados com estas bactérias.

Considerando, portanto, que a Salmonella é um agente relevante quando se trata de saúde pública e tem gerado prejuízos nas granjas com quadros não apenas de enterocolites, mas também septicêmicos, é imprescindível que se conheça as estratégias de prevenção a serem adotadas. Além de cuidados com a biosseguridade, a vacinação é uma medida muito eficaz na redução do agente nos suínos, promovendo a imunidade nos animais e, consequentemente, minimizando a excreção deste para o ambiente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

14 + três =

Suínos / Peixes Para especialistas

Brasil precisa resolver problemas internos para ser grande player mundial de pescado

Opinião é de lideranças do setor

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Ainda são muitos os gargalos enfrentados pela aquicultura para se tornar uma atividade tão competitiva quanto outras proteínas animais. Durante o International Fish Congress (IFC), que aconteceu em setembro em Foz do Iguaçu, PR, lideranças do setor discutiram estratégias e políticas para transformar o Brasil em um player mundial do pescado.

Quando o assunto é produção, o Brasil tem um bom destaque, segundo o presidente executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros. “Em 2018 a produção de pescado, falando principalmente de tilápia e tambaqui, foram 722 mil toneladas, um crescimento de 4,5% em relação a 2017”, introduz. Somente a tilápia, informa, teve um crescimento aproximado de 12% neste período. “Nos últimos dois anos houve um aumento de mais de 27%, sendo que o Paraná assumiu a liderança de produção”, diz.

Já quando o peixe é o tambaqui, a geografia muda. “Os principais polos produtores são as regiões Centro-Oeste e Norte, com Rondônia na liderança absoluta na produção”, conta. Medeiros diz que em 2018 houve uma queda na produção do tambaqui em decorrência de uma série de fatores. “Mas todos estão fazendo o dever de casa no sentido de retomar os níveis de crescimento”, conta. Isso, porque no Brasil foi observado nos últimos anos um aumento do consumo. “Não tivemos problemas quando a isso, principalmente da tilápia. Mas temos outros problemas para enfrentar”, avisa.

Medeiros informa que atualmente há dois modelos de produção no Brasil, que é de integração, das cooperativas e agroindústrias, e das empresas verticalizadas. “Acreditamos que a indústria de processamento deve estar onde se produz o peixe. Hoje, especificadamente a tilápia, o ideal é que a distância não passe de 50 km. A partir disso, passa a ter perdas”, diz. Para ele, as indústrias que estão foram do núcleo de produção devem ir para onde elas estão. “Sistemas integrados e verticalizadas já não são maios uma previsão, elas já fazem parte da realidade do setor produtivo. O setor precisa se organizar nesse sentido para que possamos ganhar competitividade, e essas empresas que hoje estão verticalizadas e fazem integração são as mais competitivas do mercado”, afirma.

Entre as estratégias e soluções apontadas por Medeiros estão a campanha de aumento do consumo de carne de peixe, encabeçada pela Peixe BR, as ações junto à Embrapa para aumento das exportações e as estratégias para aumentar a produção e segurança ao produtor. “Com a campanha, estamos trabalhando diretamente com o consumidor final para mostrar para ele que o nosso produto é bom, barato e fácil de fazer”, explica. “Implantamos ainda o drawback da tilápia este ano, que nos proporcionou um aumento significativo das exportações, por exemplo”, informa.

Mercado internacional merece atenção

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), Eduardo Lobo, US$ 163 milhões rodam no mercado mundial dos pescados. “Precisamos pensar o que vamos fazer para a gente participar desse mercado que é muito interessante. Porque se olharmos as condições e tamanhos dos países que são grandes players, nem sempre esses países vão ter o potencial que nós temos”, afirma. Ele mostra: “A Noruega tem uma troca comercial internacional de US$ 13,3 bilhões e é um país pequeno. Os EUA têm um troca comercial de US$ 28,6 bilhões”, diz.

De acordo com ele, algo interessante feito pela China e que deveria ser adotado pelo Brasil, é que a quantidade exportada de pescado pelo país asiático é similar à importada. “Precisamos de estratégia, planejamento, o governo intercedendo cada vez menos, que então a coisa acontece, não da noite para o dia, mas acontece com planejamento”, afirma.

Lobo reitera o planejamento deve acontecer, principalmente, porque segundo pesquisas a produção de captura e cultivo no Brasil vai aumentar 89% nos próximos 10 anos. “E se não tivermos planejamento e competitividade internacional, a gente vai colocar todo esse produto no mercado interno? O que vai acontecer com o preço do pescado capturado se de uma hora para outra aumentar intensamente essa captura? A gente vai colocar esse pescado por um preço inviável para o produtor”, diz. O presidente comenta que a cadeia precisa crescer e produzir, mas isso com cuidado e planejamento. “Se a gente aumentar a produção em 20% ou termos uma superprodução de peixes e não estivermos competitivos e preparados para exportar toda essa proteína, esse peixe vai ficar aqui dentro”, analisa.

Para Lobo, existem alguns pilares na cadeia que devem ser refletidos. O primeiro deles é o ordenamento inteligente. “Ou seja, estatísticas, entender que o mundo mudou, o clima também, que nem sempre as espécies migram onde migravam, reproduzem na época que reproduziam. Temos que entender que algumas espécies mudaram, mas nós por falta de informação ficamos no passado, em um modelo engessado”, comenta. Além disso, ele diz que existe uma grande preocupação em pensar no artefato da pesca. “Não é importante como vamos tirar o peixe da água. O que interessa é quanto vamos tirar”, afirma.

Outro pilar é o planejamento aquícola. “Que é o que acabei de comentar, de sabermos o quanto exatamente devemos ou podemos produzir nos próximos anos, onde produzir e processar, para quem vender e a que preços. Além de entender o preço internacional”, diz. Lobo acrescentou ser importante não pensar somente em aumentar a produção visando somente o mercado interno. “Nenhuma atividade se sustenta somente no mercado interno de larga escala. O fomento industrial, a industrialização é a espinha dorsal e que cria inovação e assegura qualidade para distribuir o produto ao mundo”, reitera.

Impasses do mercado interno

Neste mesmo painel, o presidente do Comitê de Aquicultura da CNA, Eduardo Ono, apresentou algumas estratégias e políticas que podem transformar o Brasil e fazê-lo ocupar a vaga que tenha condição de alcançar que é de grande player de mercado mundial do pescado. Para ele, o essencial a ser feito é aumentar a competitividade do pescado nacional. “Hoje a grande dificuldade que temos em transformar o pescado brasileiro em um grande player ou transformar o Brasil em um player internacional é justamente a falta de competitividade na nossa produção”, afirma.

Para ele, a primeira coisa a ser feita para acabar com esta falta de competitividade é combater o chamado custo Brasil. “Isso penaliza toda a cadeia de produção, não somente a aquicultura”, diz. “Temos problemas de infraestrutura para escoamento do grão, que encarece a produção. Nós somos, junto com outras proteínas, vítimas desse custo Brasil por questão de falta de infraestrutura, logística e custos processuais”, conta. Segundo Ono, esta é uma armadilha que foi criada pelo próprio setor produtivo.

Outro problema enfrentado pela cadeia é quanto a alta burocracia que existe no Brasil. “Nós temos um arcabouço legal gigantesco. A CNA fez um levantamento que mostrou que existem mais de 60 mil dispositivos que regulam a agropecuária brasileira. Se olharmos desde a década de 1950 até hoje esta é a quantidade que regulam nossa agropecuária”, mostra. Além desse grande número de dispositivos, Ono destaca que muitos deles são antagônicos. “Temos normas da década de 1960 que ainda são vigentes, mas que é contradita por uma outra norma que é da década de 1990. E as duas estão vigentes. Então, qual a segurança jurídica que tem o empresário quando entra nesse meio?”, questiona. Para ele, a falta de segurança jurídica para quem investe é um problema seríssimo para o setor e que precisa ser resolvido.

Outro ponto que merece atenção de todo o setor é quanto ao crédito no Brasil. “Precisamos desburocratizar isso, que ainda é muito caro e difícil”, afirma. Ono diz que a pergunta que deve ser feita é quanto custa o dinheiro lá fora e quanto custa no Brasil. “Lá fora as linhas de crédito são para 20 anos e para pagar 2% de juros ao ano. Como somos competitivos com o nosso crédito que tem que pagar bem mais rápido e caro? Isso tudo entra no contexto da competitividade”, reitera. Ele diz que outros países têm crédito de pagamento de longo prazo, sendo tempo de pagamento e retorno maiores torna a atividade viável. “Agora, no Brasil, dependendo da linha de crédito que é pega não há tempo, você precisa devolver o dinheiro antes do negócio se pagar”, conta.

Outro problema é quanto a área de tecnologia, segundo Ono. “Precisamos de mais foco e agilidade. A nossa pesquisa ainda é muito difusa, tem milhares de linhas de pesquisa diferentes que, muitas vezes, não se conversam e não chegam onde precisam chegar”, explica. Segundo ele, esta parte é importante porque o setor precisa de pessoas qualificadas no campo. “Com poucos locais de exceção, temos um problema sério de falta de conhecimento no campo, técnicas antigas sendo propagadas e assim muita coisa está sendo perdida”, diz.

Segundo Ono, um segundo eixo importante que deve ser feito é o aumento das exportações. “Claro, precisamos melhorar o consumo doméstico, o consumidor brasileiro ainda não sabe nem cozinhar ou fritar um peixe, temos o nosso dever de casa para fazer. Mas isso não anula as ações no mercado internacional. Não precisamos primeiro esgotar o mercado nacional para partir para o internacional”, esclarece. De acordo com ele, os dois mercados andam juntos. “No Brasil temos uma visão equivocada que só se exporta o que tem de excedente. Não é isso, nós temos que exportar, independente de ser excedente ou não. Temos que ser exportadores e importadores de pescado ao mesmo tempo, o mercado internacional funciona assim”, explica.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Segundo Cepea

Perspectiva para suinocultura é de que bom cenário de 2019 se repita em 2020

Espera-se que a produção brasileira cresça 5% de 2019 para 2020

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Agentes do setor suinícola nacional estão com expectativas de que o balanço positivo observado em 2019 se repita em 2020. Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o fundamento vem da redução na produção global de suínos, ocasionada pelos casos de Peste Suína Africana (PSA) na Ásia, o que deve continuar favorecendo o mercado brasileiro de carnes.

De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2020, prevê-se queda de 10% na produção mundial de suínos frente ao ano anterior, pincipalmente em função do declínio da oferta da China (de expressivos 25%), Filipinas (16%) e Vietnã (6%). Por outro lado, espera-se que a produção brasileira cresça 5% de 2019 para 2020. O USDA também estima aumento de 15% nas exportações brasileiras.

Nesse contexto, o bom relacionamento comercial com países asiáticos deve continuar beneficiando o Brasil. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume de carne suína brasileira escoado para a China aumentou 60% de 2018 para 2019. O país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil nesse mercado, sendo destino de 33,7% de toda a carne suína nacional exportada em 2019.

Sob a ótica do desempenho doméstico, partindo-se do pressuposto de que a agenda de reformas continue avançando, projeta-se um cenário macroeconômico favorável em 2020, o que pode beneficiar ou, ao menos, sustentar os atuais níveis de consumo. A projeção do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2020 está em 2,3% segundo Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) no encerramento de dezembro.

Outros fatores que podem corroborar para um possível aumento no consumo de carne suína são os elevados patamares de preços da carne bovina. Com a cotação dessa principal concorrente em alta, consumidores tendem a migrar para outras fontes de proteína animal que apresentem valores mais competitivos.

Apesar de as perspectivas, de modo geral, serem favoráveis para o setor, os diferentes cenários que o mercado de grãos pode assumir preocupam agentes do mercado. A demanda internacional incerta e as tensões ou mesmo possíveis acordos comerciais entre China e Estados Unidos podem gerar movimentos distintos nos preços dos principais insumos da atividade, milho e farelo de soja.

Além disso, a concentração das exportações brasileiras em países asiáticos também tem gerado apreensões. Ainda que no curto prazo o Brasil tenha se beneficiado do contexto da peste suína, há o receio de que, no médio prazo, a oferta chinesa de carne se normalize, o que reduziria expressivamente as exportações brasileiras, impactando negativamente todo o setor.

Fonte: Cepea
Continue Lendo

Suínos / Peixes Mercado

“Dependência gera mais vantagens que desvantagens”, defende Piva

Para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Um assunto que sempre causa muita discussão nos agentes da cadeia produtiva é quanto a dependência que pode existir sobre um único mercado. A suinocultura conhece bem isso, sendo que em 2017 o maior mercado brasileiro da proteína era a Rússia. Porém, em 2018 o país deixou de exportar do Brasil, o que, segundos muitas opiniões, foi um problema para o Brasil. Mesmo com este fato, para José Piva, da PIC, dos Estados Unidos, existem diversas vantagens em um mercado ser dependente de outro. E foi esta visão que ele mostrou para os participantes do 19º Congresso Nacional Abraves, que aconteceu em outubro, em Toledo, PR.

Segundo Piva, é normal que países sejam dependentes de outros mercados. “O que eu gostaria de frisar é que a dependência de mercado sozinha não pode causar uma interrupção de mercado. Existem outros aspectos que são importantes para nós nos preocuparmos”, afirma. Ele informa que outros países, como EUA, Canadá e Chile também tem dependência de outros mercados, seja japonês, coreano, chinês ou mexicano. “Cada mercado tem uma certa dependência de outros, mesmo que não seja total, mas tem. Quando isto acontece em longo prazo, tem mais efeitos positivos do que negativos na parte comercial”, avalia.

A dependência de mercado, como regra, deixa o comércio mais competitivo, comenta. “A dependência de longo prazo faz parte das relações globais. Na minha visão eu vejo como uma oportunidade de trazer mercados disponíveis, mesmo que haja uma certa dependência. Esta é uma estrada de duas vias, que tem seus aspectos positivos e negativos”, diz. “Mesmo com dependência, é melhor participar do mercado do que não estar presente”, afirma.

A primeira vantagem citada por Piva foi que as empresas que exportam sempre são mais valorizadas. “Sem dúvida participar do mercado internacional ajuda”, conta. Ele ainda acrescenta que estar participando do mercado, mesmo que seja com certa dependência, ajuda a agregar valor, elevar padrões de qualidade e ajuda na biosseguridade.

Para Piva, existem oportunidades diretas e indiretas para toda a cadeia. “Os desafios e as dificuldades fazem a cadeia se estruturar melhor. Ou seja, faz com que o sistema seja melhor, abre portas para novos mercados, como aconteceu com o chinês, nos dá suporte financeiro, ajuda a definir exigências de um mercado. E é também uma oportunidade para aprender e descobrir”, avalia. Segundo ele, certamente que o mercado externo, mesmo que tenha dependência, favorece na transparência, agrega valor aos produtos, dá visibilidade ao setor, estimula a criatividade e tira a cadeia do status quo. “Mesmo que estejamos em um mercado dependente ficamos pressionados a fazer com que as empresas, pessoas, universidades, todos saiam deste status quo. Todos são forçados a buscar melhorias, seja no transporte, indústria, frigoríficos”, diz.

Desvantagens

Mas, mesmo com todos os argumentos citados por Piva, ele admite que existem as desvantagens em ser dependente de um mercado. “Quando se está dependente, dificulta o planejamento. Em momento de suspensão de exportação por motivos sanitários, políticos ou econômicos culminam em uma oferta a mais, ou seja, não tem para onde enviar esta carne e isso faz com que haja queda de preço e perda de negócios”, comenta. Outro ponto negativo, é que gera expectativa. “Nem sempre elas são sustentáveis. São feitos investimento com base em uma situação de momento”, diz.

A dependência ainda faz com que o país perca o poder de barganha, tem que competir com outras empresas que também querem exportar para aquele mercado, se expõe a volatilidade do campo e não é um negócio fixo. Além disso, é ainda preciso seguir padrões de mercado, e, para Piva, nem sempre isso é 100% positivo. “Há uma exposição de regras do mercado, especialmente o regulatório, e a gente tem que abrir e ficamos expostos”, informa. Há ainda a limitação do uso de tecnologias, como por exemplo a ractopamina, produção confinada e, até mesmo, a edição de genes. “São coisas que alguns mercados e consumidores simplesmente não aceitam”, diz. Nisso, entra ainda a limitação do uso de certos produtos, e há os preços que nem sempre são competitivos quando se vive de dependência de mercado.

“Participar do mercado global, mesmo que seja com certa dependência, tem seu custo. Mas, sem dúvida, aprendemos muito mais quando estamos envolvidos. Não tenho dúvida que sobre o aspecto técnico e de negócio, estamos muito mais visíveis e temos mais oportunidades”, afirma. Segundo Piva, para mercado emergentes e competitivos, a dependência pode ser uma porta de entrada para novos mercados. “A não dependência de produto de um único cliente não significa ausência de desafio. Ou seja, mesmo que o mercado não seja dependente, existem os desafios”, comenta. Para ele, a dependência cria oportunidades e relações comerciais. “Todos os grandes exportadores têm uma certa dependência. Embora não favorável, a dependência gera mais vantagens que desvantagens”, reitera.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Mais carne
Biochem site – lateral

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.