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Saiba porque Brasil continua livre de PRRS, PEDv e PSA enquanto doenças atingem grandes produtores
O Brasil ocupa uma posição privilegiada no cenário global da suinocultura devido ao seu status sanitário.

Reconhecida mundialmente pela sua qualidade e sustentabilidade na cadeia produtiva, a suinocultura posiciona o Brasil como um dos principais produtores e exportadores de carne suína. Com rigorosos padrões sanitários e práticas ambientais responsáveis, o setor apresenta grande potencial de crescimento, o que fortalece ainda mais a sua posição como um importante player na indústria suína global.
Livre da Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), da Diarreia Epidêmica Suína (PDEv) e da Peste Suína Africana (PSA), o status sanitário do país é invejável mundo afora. No entanto, com a crescente interconectividade entre os países, surge o risco real da introdução de enfermidades exóticas nos plantéis nacionais. “A disseminação global de patógenos em vários países ao redor do mundo destaca a necessidade de um plano abrangente de biossegurança para prevenir a entrada desses agentes patogênicos em plantéis brasileiro”, ressaltou o médico-veterinário e patologista suíno do Departamento de Diagnóstico Veterinário e Medicina de Produção da Universidade Estadual de Iowa, Marcelo Almeida.

Médico-veterinário e patologista suíno do Departamento de Diagnóstico Veterinário e Medicina de Produção da Universidade Estadual de Iowa, Marcelo Almeida – Foto: Arquivo Pessoal
O especialista chama atenção ao fato de que os países não devem se limitar apenas a medidas preventivas, mas sim estabelecer planos de contingência que incluam a detecção rápida de patógenos e, se possível, estratégias de contenção e erradicação.
O que é a PRRS
A PRRS foi inicialmente identificada nos Estados Unidos em 1987, e o vírus causador foi isolado pela primeira vez em 1991. O PRRS pertence à família Ateriviridae, da ordem Nidovirales, e atualmente são duas espécies reconhecidas: PRRS tipo 1 e tipo 2. Essas espécies apresentaram variações em termos de virulência e distribuição geográfica.
Após a primeira descrição da doença e isolamento do vírus, a PRRS se disseminou amplamente, tornando-se endêmica em vários países de grande importância na suinocultura global. Na América do Sul, há relatos de casos na Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru e Chile. Em 2018, também foi detectada no Uruguai.
Transmissão
A PRRS pode ser transmitida por diferentes vias, incluindo intranasal, intramuscular, oral, intrauterina e vaginal, tanto de forma direta como indireta através de fômites (equipamentos, instrumentos e roupas), água, alimentos, aerossóis e por artrópodes.
A transmissão direta ocorre entre suínos infectados por meio do contato com secreções nasais, saliva, urina ou fezes. Além disso, o vírus também pode ser transmitido através de sêmen contaminado, o que representa um risco significativo para a reprodução suína. “Para mitigar esse risco, é fundamental implementar medidas de quarentena rigorosas para animais importados, garantindo a detecção precoce e o isolamento adequado de possíveis portadores do vírus”, reforça.
O trânsito de suínos asselvajados e o contato com pessoas também podem ser vias de transmissão da PRRS. “Com o aumento do número de viagens internacionais e o movimento de pessoas entre diferentes regiões, a biossegurança torna-se um aspecto crucial na prevenção da disseminação da doença. Medidas como restrições de acesso, controle de visitantes e adoção de protocolos de biossegurança adequados são essenciais para minimizar o risco de introdução e propagação da PRRS por meio dessas vias”, menciona Almeida.
A transmissão do vírus pelo ar é uma preocupação do setor, com partículas virais suspensas no ar em espaços fechados, como galpões de produção suína. Outra via de transmissão é por meio de veículos de transporte que podem carregar o vírus se não forem adequadamente limpos e desinfetados. Insetos como moscas e carrapatos também podem atuar como vetores na disseminação da doença.
Além disso, as pessoas desempenham um papel na transmissão da PRRS. Elas podem transportar o vírus em suas roupas, calçados ou mãos após o contato com suínos infectados e, em seguida, entrar em contato com animais saudáveis. Equipamentos utilizados na suinocultura, como instrumentos veterinários e utensílios de alimentação, também podem servir como fontes de transmissão se não forem devidamente limpos e desinfetados entre os usos. “É fundamental implementar medidas rigorosas de biossegurança para reduzir o risco de transmissão da PRRS por meio dessas diferentes vias. A adoção de protocolos de limpeza, desinfecção, controle de vetores e restrição de acesso a áreas sensíveis são essenciais para prevenir a disseminação da doença”, detalha.
Introdução do vírus em diferentes países
O tempo de introdução do agente infeccioso em um país pode variar amplamente, dependendo das circunstâncias específicas. Pode ocorrer em semanas, meses, anos ou até mesmo décadas, dependendo de fatores como movimentação de animais, transporte de mercadorias, contato com suínos selvagens, dentre outros.
No Uruguai, a movimentação e comercialização de reprodutores, sêmen e vacinas contaminados foram associados à disseminação da doença. Na Suécia, a via de entrada indireta ainda é desconhecida, mas suspeita-se que um veículo de transporte mal desinfectado, voltando da Alemanha, possa ter sido responsável.
Na Suíça, a PRRS foi introduzida por meio da importação de sêmen de um reprodutor positivo proveniente da Alemanha. No Chile, a doença foi introduzida por meio da importação de animais vivos para melhoramento genético, além da importação de vacinas e sêmen contaminados. “A entrada ilegal de materiais de risco, bem como o transporte de pessoas e produtos suínos também contribuiu para a disseminação da PRRS no país”, afirma Almeida.
A introdução a longas distâncias, e provavelmente para outros países, é mais provável por importação de animais infectados, sêmen contaminado, aerossóis e movimentação de suínos asselvajados. “Recentemente, ração inoculada com PRRS foi capaz de causar infecção de forma experimental. O impacto econômico da entrada do PRRS é documentado em sua maioria em países onde o vírus já é endêmico. Nos Estados Unidos o custo anual atribuído a PRRS varia de US$ 560 a US$ 664 milhões”, salienta o patologista suíno.
Diarreia epidêmica suína
A PEDv pertence à família Coronaviridae da ordem Nidovirales e está classificado no gênero Alphacoronavirus, junto com o vírus da gastroenterite transmissível (TGEV), o coronavírus respiratório suíno (PRCV) e o coronavírus da Síndrome de Diarreia Aguda Suína (SADS-CoV).
As primeiras descrições desse vírus foram feitas na Inglaterra, na Bélgica e posteriormente na China. Durante muito tempo, o vírus foi considerado endêmico em vários países da Europa e da Ásia, causando surtos esporádicos com impactos econômicos moderados.
Em 2010, um vírus novo isolado genotipicamente distinto e altamente virulento emergiu na China, causando elevada mortalidade e prejuízo econômico. Em 2013, a PEDv surgiu nos Estados Unidos, provocando surtos explosivos de diarreia neonatal e vômitos, com mortalidade de até 100% dos leitões na fase de maternidade. “Em um período de oito semanas, o vírus pode se espalhar entre suínos através de fezes contaminadas. A preocupação com a transmissão indireta tem aumentado, especialmente em granjas com baixos níveis de biossegurança”, pontua Almeida.
A PEDv pode ser transmitida tanto por vias diretas como indiretas. A transmissão direta ocorre por meio do contato fecal-oral com suínos infectados ou fezes contaminadas. Já a transmissão indireta pode ocorrer por meio de objetos contaminados, como veículos de transporte, equipamentos de proteção pessoal dos trabalhadores das granjas, mãos e roupas. Somado a isso, a ração, as fábricas de ração e os ingredientes utilizados na produção de ração, especialmente aditivos com alto teor de proteína – como o plasma suíno em pó – e as sacarias de ração também podem servir como fontes de transmissão indireta do vírus.
De acordo com o docente da Universidade Estadual de Iowa, uma grande preocupação em relação à transmissão do patógeno entre países é a comercialização de ingredientes utilizados na produção de ração.
Sinais clínicos
De acordo com o especialista, os sinais clínicos característicos da PEDv revelam que todos os suínos afetados apresentam anorexia (perda de apetite) e letargia em 100% dos casos. A diarreia aquosa, resultado da má absorção intestinal, é observada em cerca de 90% dos suínos afetados, enquanto vômitos são relatados em aproximadamente 80% dos casos. A doença pode afetar suínos de todas as idades, com alta morbidade em leitões de crescimento e elevada mortalidade de 30% a 100% em leitões lactantes.
Estudos realizados por Matt Ackerman, da Swine Vet Services, revelaram dados preocupantes. A pesquisa mostrou que apenas 25% das leitegadas sobrevivem até a terceira semana, enquanto 70% chegaram até a quarta semana. No entanto, a mortalidade atinge 95% na quinta semana e chega a
100% na sexta semana, evidenciando a gravidade da doença.
Outro estudo conduzido por Danwe Goede e Bob Morrison indica que o tempo médio necessário para produzir animais negativos para PEDv é de aproximadamente 28 semanas. Já o período médio para que uma granja volte a produzir normalmente após um surto da doença varia entre 15 e 20 semanas. “Em termos de impacto econômico, a PEDv resulta em uma perda líquida média de cerca de 2,7 leitões por matriz afetada”, salienta Almeida.
Impacto econômico
O impacto econômico mais significativo decorrente de surtos de PEDv está relacionado à alta mortalidade de leitões na fase de maternidade, podendo atingir 100% dos animais nesta fase nas primeiras quatro semanas após a introdução do agente infeccioso em granjas livres. “Outros custos relacionados são aqueles referentes a tratamentos e a mortalidade, ganho de peso e conversão alimentar no período pós-desmame”, expõe Almeida, complementando: “Existem também outros custos em nível nacional associados ao aumento da biossegurança em granjas não afetadas, visando prevenir a introdução da doença. Além disso, a implementação de programas de vacinação como medida preventiva também pode representar um custo adicional”.
O patologista suíno destaca que o impacto econômico que a PRRS e PEDv causam na suinocultura está diretamente ligado ao tempo necessário para detectar a enfermidade no campo e confirmá-la em laboratório. “É fundamental contar com produtores conscientes e veterinários de campo treinados para identificar precocemente os sinais clínicos suspeitos e adotar as medidas adequadas. Além disso, a vigilância sanitária desempenha um papel crucial na detecção e notificação de possíveis casos de enfermidades na suinocultura”, aponta, acrescentando: “Para responder de forma eficaz, é necessário estar preparado para testar um grande número de amostras de maneira rápida. Um exemplo disso é o caso da erradicação da doença de Aujeszky nos Estados Unidos, em que o Laboratório Veterinário de Diagnóstico da Universidade Estadual de Iowa realizava testes anuais em um a dois milhões de amostras entre 1999 e 2002”.
Almeida recomenda que diariamente sejam testadas de cinco a 10 amostras suspeitas e os resultados positivos devem ser confirmados por meio de testes adicionais para garantir a precisão e a confiabilidade do diagnóstico. “Essa prática contínua e ágil é fundamental para um manejo eficiente das enfermidades na suinocultura e para minimizar seu impacto econômico”, analisa.
Implicações da PEDv nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a PEDv resultou em perdas significativas na indústria suinícola. De acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA) mais de sete milhões de leitões foram mortos devido à doença. “Essa quantidade de perdas é equivalente a aproximadamente seis anos de abate em uma planta de processamento com capacidade de quatro mil suínos por dia”, exemplificou Almeida.
O impacto econômico também foi expressivo, com estimativas de perdas anuais de cerca de US$ 300 mil por granja de ciclo completo, que possuem cerca de 700 matrizes. Além disso, houve redução de 10% no rebanho americano e mais de 3.750 granjas foram afetadas em 39 estados.
Após a introdução do PEDv nos Estados Unidos, alguns países impuseram restrições ou proibiram as exportações provenientes do país. Ao avaliar todos os impactos diretos e indiretos da entrada do PEDv em território norte-americano, estima-se que o custo total tenha variado entre US$ 900 milhões e US$ 1,8 bilhão, considerando uma taxa de mortalidade anual de leitões de 3% e 6%, respectivamente. “Esses impactos foram observados nos principais estados produtores de suínos ao longo de 14 meses, com cerca de 50% das granjas de matrizes infectadas”, relembra Almeida.
Tempo para erradicar uma doença
O tempo necessário para erradicar uma enfermidade na suinocultura depende de diversos fatores, incluindo a implementação de um plano de contingência eficiente, que envolve a colaboração entre o serviço oficial, produtores e profissionais em campo. “É crucial que todas as partes envolvidas levem a biossegurança a sério e adotem medidas rigorosas para prevenir a introdução e disseminação da doença. Isso inclui práticas como controle de acesso, higiene adequada, quarentena de animais importados, monitoramento contínuo e adoção de protocolos de biossegurança nas instalações suinícolas”, detalha Almeida.
A erradicação de uma enfermidade exigirá esforços contínuos, cooperação e comprometimento de todos os envolvidos para garantir a implementação de medidas eficazes de controle, aprimoramento da biossegurança e vigilância constante.
Brasil
O Brasil ocupa uma posição privilegiada no cenário global da suinocultura devido ao seu status sanitário. No entanto, existem várias possíveis vias de entrada para a introdução de doenças exóticas no país. Embora o controle de importação de animais vivos tenha se mostrado eficiente, medidas de controle adicionais são necessárias para lidar com outras possíveis rotas de entrada de novos vírus no país, além do controle sanitário da importação de animais vivos.
Contudo, o País apresenta diversos pontos fortes que contribuem para a manutenção da ausência da PRRS, PDEv e da PSA em seu território. Um desses pontos é a Estação Quarentenária de Cananéia, SP, em que os animais importados ficam em quarentena para garantir que estejam com a saúde em dia, livre de patógenos que possam se disseminar ao longo do processo produtivo e causar graves problemas sanitários e econômicos ao setor.
Outro aspecto apontado por Almeida é o acesso à informação. A disseminação de conhecimento técnico e científico sobre a prevenção e controle de doenças é fundamental para que produtores e profissionais estejam bem informados e adotem medidas adequadas de biossegurança.
A seriedade de instituições como a Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (Abegs), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também são outro ponto forte. “Essas organizações desempenham um papel ativo na promoção da sanidade suína e na implementação de medidas preventivas em todo o país”, evidencia o patologista de suínos.
Outro fator considerado favorável é o clima tropical do Brasil, que ajuda a reduzir a sobrevivência e a disseminação de alguns agentes patogênicos, incluindo o vírus da PRRS, PDEv e PSA.
A compartimentação é outra estratégia adotada no Brasil, com barreiras sanitárias estabelecidas entre estados para evitar a disseminação de doenças, contribuindo para o controle e monitoramento da entrada e saída de suínos e seus produtos.
O sistema de Guia de Trânsito Animal (GTA) com geo-localização em granjas permite um rastreamento eficiente do trânsito de animais, facilitando a identificação de origens e destinos, colaborando para uma maior segurança e controle sanitário. “Esses fatores combinados contribuem para a proteção da suinocultura brasileira contra a introdução e disseminação da PRRS, PDEv e PSA, enfatizando o compromisso do país com a saúde e a segurança do setor suinícola”, exalta Almeida.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

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Mapa nomeia 180 aprovados no Concurso Público Nacional Unificado
As nomeações, publicadas no Diário Oficial da União, contemplam cargos técnicos e de fiscalização agropecuária, com vagas distribuídas em diferentes áreas e início de posse em até 30 dias.

Os aprovados são para os cargos de auditores fiscais agropecuários, agentes de atividades agropecuárias e de inspeção sanitária e industrial de Produtos de Origem Animal, técnicos de laboratório, analista em ciência e tecnologia e tecnologista
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou as Portarias n° 2.038 e n° 2.039 com a nomeação dos candidatos aprovados no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). As nomeações foram publicadas na última terça-feira (30) no Diário Oficial da União (DOU).
Ao todo, foram nomeados 180 candidatos. Desse total, 53 vagas são para o cargo de agente de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal; 41 para agente de Atividade Agropecuária; 14 para técnico de laboratório; e 9 para auditor fiscal agropecuário, nas áreas de engenharia agronômica e química.
Também foram contemplados outros cargos, como Tecnologista, com 31 vagas, e Analista em Ciência e Tecnologia, com 32 vagas, destinadas a profissionais de Engenharia Elétrica ou Eletrônica, Tecnologia da Informação e de qualquer área do conhecimento.
Os nomeados terão até 30 dias, contados a partir da publicação da Portaria, para tomar posse. Após a posse, o início do exercício no cargo deverá ocorrer no prazo máximo de 15 dias.
Toda a documentação necessária para a posse deve ser enviada por meio da plataforma SOUGOV.BR, conforme as orientações do Manual do Ingressante.
A lotação e o exercício dos servidores ocorrerão nas localidades definidas pelo Ministério. Os empossados nos cargos de Auditor Fiscal Federal Agropecuário, Agente de Atividades Agropecuárias e Agente de Inspeção Sanitária e Industrial de Produtos de Origem Animal deverão se apresentar à Superintendência de Agricultura e Pecuária do estado de sua vaga ou, em caso de lotação em Brasília, à sede do Mapa. Já os Técnicos de Laboratório deverão comparecer ao respectivo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA).
Os nomeados para os cargos de Tecnologista e de Analista em Ciência e Tecnologia, nas áreas de Engenharia Elétrica ou Eletrônica, bem como de qualquer área do conhecimento, terão exercício na sede do Instituto Nacional de Meteorologia, vinculada à Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília (DF).
Já os nomeados para o cargo de Analista em Ciência e Tecnologia, na área de Tecnologia da Informação, terão exercício na Subsecretaria de Tecnologia da Informação da Secretaria-Executiva do Mapa, em Brasília (DF).
Confira a lista de nomeados e as localidades aqui
Portaria de Pessoal n° 2.039 da área de tecnologia
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Fundesa completa 20 anos com foco em defesa sanitária
Fundo foi decisivo no controle da gripe aviária, na recuperação após as enchentes e avança em estrutura, prevenção e rastreabilidade no Rio Grande do Sul.

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul (Fundesa-RS) chega ao fim de 2025 completando 20 anos de atuação com um balanço marcado por resposta a crises sanitárias, modernização da estrutura e reforço do apoio ao Serviço Veterinário Oficial. Ao longo desse período, o fundo deixou de atuar apenas como reserva financeira e passou a ter papel central na sustentação do sistema de defesa sanitária animal do estado.
O ano de 2025 colocou essa estrutura à prova. Em maio, o Rio Grande do Sul registrou um caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em uma granja comercial no município de Montenegro. Apesar do impacto para o setor avícola, o foco foi controlado e erradicado em poucos dias. Segundo o presidente do Fundesa-RS, Rogério Kerber, o episódio evidenciou a capacidade de resposta do sistema sanitário estadual. A condução do caso recebeu reconhecimento de órgãos nacionais e internacionais, com destaque para o suporte financeiro e logístico garantido pelo Fundesa às equipes que atuaram no entorno do foco.
Ainda no ano em que completa duas décadas, o fundo passou a contar com sede própria no Parque de Exposições Assis Brasil. Inaugurada às vésperas da Expointer 2025, a Casa da Sanidade Animal tornou-se ponto permanente de apoio a reuniões, eventos técnicos e ações do Serviço Veterinário Oficial e das cadeias produtivas de proteína animal. Outra entrega relevante foi a inauguração da Supervisão Regional de Santa Rosa, imóvel histórico que passou por reforma custeada integralmente pelo Fundesa, com investimento de aproximadamente R$ 600 mil.
Responsabilidade compartilhada
Ao longo dos últimos 20 anos, uma das principais frentes do Fundesa foi a disseminação do conceito de responsabilidade compartilhada na defesa sanitária. A existência de um fundo voltado à indenização de produtores em casos de doenças estimula a notificação precoce de suspeitas, fator considerado estratégico para o controle sanitário.
Levantamento realizado em 2025 aponta que, apenas na pecuária leiteira, mais de R$ 54 milhões foram destinados a indenizações ao longo dos últimos 16 anos. O apoio tem sido fundamental no enfrentamento de enfermidades como tuberculose e brucelose. Atualmente, a prevalência da brucelose no rebanho gaúcho está em 0,49%, índice que tende a recuar com a continuidade das ações conjuntas entre o setor produtivo e o Serviço Veterinário Oficial.
Resposta a crises recentes
Os últimos anos também testaram a capacidade operacional do fundo em situações extremas. As enchentes de maio de 2024 exigiram aportes emergenciais para recompor a estrutura do Serviço Veterinário Oficial. Nesse contexto, a Plataforma de Defesa Sanitária Animal (PDSA-RS), desenvolvida pela Universidade Federal de Santa Maria em parceria com o Fundesa, foi utilizada para mapear áreas isoladas e orientar ações de resgate e assistência.
O Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) também recebeu recursos emergenciais para recuperação de equipamentos e recalibração de laboratórios após os danos causados pelas cheias.
Além dos eventos climáticos, o Fundesa ampliou sua atuação preventiva diante de riscos sanitários globais. Com a Influenza Aviária avançando em países vizinhos, a Peste Suína Africana afetando rebanhos na Europa e na Ásia e o reaparecimento da febre aftosa em países como Alemanha e Hungria, o fundo passou a investir em estratégias digitais de prevenção, comunicação com produtores e educação sanitária. Parte dessas ações envolve parcerias com a Universidade da Carolina do Norte e a ampliação da PDSA-RS em conjunto com a UFSM.
Próximos passos
Para os próximos anos, o foco passa a ser o fortalecimento financeiro do fundo. Em 2025, o setor produtivo articulou a revisão das contribuições ao Fundesa por meio do Projeto de Lei 515/2025, aprovado por unanimidade na última sessão do ano da Assembleia Legislativa. A nova tabela entra em vigor em abril de 2026.
Outro tema estratégico para 2026 é a continuidade da implantação do sistema de rastreabilidade bovina no Rio Grande do Sul. Embora o prazo nacional se estenda até 2033, o estado iniciou o processo com um projeto piloto lançado durante a Expointer, na Casa do Fundesa.
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Show Rural antecipa montagem dos estandes para reforçar segurança
Organização libera trabalhos já em dezembro para reduzir pressão de prazos e garantir estruturas maiores e mais seguras na edição de 2026.

Para evitar atropelos e dar ainda mais atenção à segurança dos trabalhadores, a direção do Show Rural Coopavel decidiu antecipar a autorização de início da montagem dos estandes da 38ª edição. Em vez de no começo de janeiro, como em anos anteriores, elas puderam optar por aproveitar o mês de dezembro.
“Conversamos sobre essa medida e entendemos que essa mudança seria bem-vinda, porque permite às empresas trabalhar sem tanta pressão de prazo, dando ainda mais atenção aos detalhes e à segurança”, diz o coordenador-geral Rogério Rizzardi. Algumas empresas, principalmente as que têm por responsabilidade a montagem de estandes maiores, estão aproveitando essa janela, comenta Rizzardi.
A montagem, em dezembro, seguirá até a próxima terça-feira, 23. O retorno será no dia 2 de janeiro. Todos os estandes deverão estar prontos até as 19h do dia 4 de fevereiro. Inúmeras reuniões foram realizadas com os representantes das 97 montadoras credenciadas para trabalhar no parque, e um dos pedidos mais importantes é o da utilização, por todos os colaboradores, de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).
Estandes maiores
O Show Rural acontece, desde 1989, em uma área rural de 72 hectares, a dez quilômetros do centro de Cascavel. Para atender a solicitação de alguns dos mais tradicionais de seus expositores, a direção do evento fez mudanças, como a troca de local do estacionamento de expositores e imprensa. Assim, a área desse antigo estacionamento foi toda gramada e, com ganho de metragem no parque, algumas empresas terão a chance de mostrar as suas novidades em estandes maiores.
Alguns terão, para 2026, área na casa dos 3,5 mil metros quadrados, os maiores da história do Show Rural – terão cerca de até mil metros a mais em comparação com os maiores das edições anteriores. É o caso da Jacto e da John Deere. “Nosso objetivo não é aumentar o número de expositores, e sim melhorar ainda mais o que já temos. Com isso, investimos no conforto e comodidade dos visitantes, que então terão a oportunidade de potencializar o resultado de sua jornada pelo parque”, enfatiza Rogério Rizzardi. A 38ª edição será realizada de 9 a 13 de fevereiro de 2026. O tema será A força que vem de dentro.



