Conectado com

Suínos / Peixes Produção

Saiba os detalhes antes e após o parto que geram leitões mais viáveis

Um dos principais objetivos do manejo de alimentação pré-parto é maximizar a produção de leite e colostro da fêmea, garantindo maior ingestão de colostro aos leitões

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Miqueias Vale Vargas, consultor de serviços técnicos da divisão de suinocultura na Agroceres Multimix

Os últimos dias de gestação da matriz suína são de extrema importância no que se refere ao evento do parto. É recomendado que o manejo pré-parto comece uma semana antes da data prevista para a parição, envolvendo cuidados com o ambiente destinado ao alojamento, a transferência e adaptação dos animais à instalação da maternidade. É importante levar em consideração que será nesse local que a fêmea permanecerá durante o período de parto e lactação, portanto se faz necessário adotar práticas que contribuam para que haja a menor perda possível.

Para que isso ocorra de forma eficiente, é necessário que a sala esteja completamente vazia, sem a presença de animais do lote anterior. Esse processo se inicia com uma detalhada e profunda limpeza das gaiolas, comedouros, pisos, fossos e canaletas, além de qualquer outra superfície presente na sala de maternidade. É importante fazer uso de detergentes para remoção de todos os resíduos da superfície, uma vez que desinfetantes não atuam sobre a matéria orgânica, lembrando também que excesso de desinfetante não substitui uma limpeza bem realizada. Após a desinfecção, é preconizado pelo menos 72 horas de vazio sanitário. Lembrando que antes da entrada das matrizes é necessário inspecionar cada item no que diz respeito a uma sala de parto, chupetas, comedouros, bandeja de equipamentos para o parto, tapete permeável, aquecedores para os leitões (30 a 32ºC).

No dia da transferência das matrizes, a higienização das fêmeas na saída da gestação pode ser uma boa alternativa para contribuir na minimização da contaminação da sala de parto.

No momento da condução das matrizes é interessante considerar alguns fatores como: a distância entre a gestação e a sala de maternidade, esta deve ser a menor possível, visando a redução do estresse das fêmeas por calor ou exaustão pela caminhada. Pelo mesmo motivo esse manejo deve ser realizado em horas frescas do dia, fazendo uso de tábuas de condução e em corredores com altura adequada.

Nas 24 a 48 horas que antecedem o parto é possível observar gotas de leite quando os tetos são estimulados. Da mesma forma, em 12 a 24 horas antes do parto, em que é possível observar jatos de leite. E por fim, nas últimas 6 horas já é possível ordenhar colostro, indicando uma iminência de parto nas próximas horas. Outro sinal bem marcante da fêmea suína é o instinto de preparação do ninho. Nesse momento os equipamentos necessários ao parto já devem estar nas proximidades da baia.

Um dos principais objetivos do manejo de alimentação pré-parto é maximizar a produção de leite e colostro da fêmea, garantindo maior ingestão de colostro aos leitões. Nesse período, é recomendada a mesma quantidade de ração que foi anteriormente ajustada para o final da gestação. Vale ressaltar que o fornecimento de água deve ser à vontade.

Assistência ao parto

Conhecer os sinais que antecedem imediatamente o parto é importante para que haja uma maior observação da fêmea e seja oferecido a ela todo o suporte necessário para uma parição com qualidade. O trabalho de parto tem o sinal característico de um corrimento translúcido sanguinolento da vagina. Isso indica rompimento de uma das placentas, sinalizando que já existe contração uterina, ou seja, se não haver complicações, em menos de uma hora nascerá o primeiro leitão.

Anotar o horário do início do parto é importante no acompanhamento do mesmo, repetindo essa ação em cada nascimento. Esse procedimento ajudará na tomada de decisão para o momento exato de se fazer uma intervenção ao parto. Podemos listar uma sequência de possíveis eventos e as condutas que devem ser tomadas.

Seria interessante que algumas recomendações ativessem presentes – de uma forma didática – na sala de parto.

Intervenções

O fluxograma da figura 1 traz uma observação relevante a ser considerada quanto ao uso de medicamentos à base de ocitócina e o toque vaginal, uma vez que são condutas arriscadas e invasivas, as quais devem ser evitadas sempre que possível. Sempre que for realizado o toque vaginal, deve-se anotar na ficha de parto da matriz para que fique registrado em seu histórico, além disso, é recomendado tratamento parenteral (consultar o médico veterinário) ao final do parto das matrizes que sofrerem este tipo de intervenção, pois os riscos de contaminação e desenvolvimento de processos infecciosos são altos. Nas 48 horas que se sucedem ao parto é possível que estas fêmeas apresentem descargas vulvares, portanto, a atenção em matrizes que foram submetidas a intervenção invasiva deve ser redobrada.

A massagem das glândulas mamárias ativa o mecanismo hormonal de liberação da ocitocina, assim como o estímulo natural realizado pelos leitões durante a mamada. Esse estímulo, resumidamente, promoverá a liberação de ocitocina endógena que, além de ajudar a liberar o leite, estimulará também que ocorra aumento das contrações uterinas, diminuindo a necessidade da utilização desse medicamento.

Ao nascerem, os leitões devem ser preferencialmente levados à primeira mamada, fazendo com que consigam mamar de forma eficiente até conseguirem sozinhos. O intuito é que aproveitem ao máximo o tempo após o nascimento, para que façam a ingestão do colostro o mais rápido possível. O colostro fornecerá aos leitões energia, para que mantenham seu aquecimento e obtenham a imunidade passiva. Para que todos façam a ingestão do colostro em quantidades suficientes, uma sugestão é prender a primeira metade dos leitões por 20 a 30 minutos, os que tomaram o colostro, sempre observando se os leitões já o consumiram em quantidades suficientes, o que pode ser avaliado através do exame da plenitude do abdômen. Depois, efetuar a troca, devendo prender os primeiros e soltar a outra metade. Para uma adequada ingestão de colostro, é sugerido que este manejo seja repetido por no mínimo três vezes durante as primeiras 12 horas de vida do leitão.

Leitões de baixa viabilidade

Esse manejo tem como objetivo minimizar as perdas diretamente relacionadas à morte de leitões na maternidade, uma vez que a mortalidade nesse setor está concentrada – em sua maioria – na primeira semana de vida dos leitões, mais especificamente nos três primeiros dias. Leitões com peso inferior a 1kg ao nascer apresentam menores reservas de energia, necessitando de maior tempo na primeira mamada. Pesquisas apontam que os leitões com baixa viabilidade que sobrevivem na maternidade e chegam à creche tendem a ser menos eficientes no ganho de peso durante toda sua vida, chegando ao abate com peso inferior quando comparado aos outros animais.

Entretanto, pesquisadores provaram que leitões com baixo peso ao nascer podem ter potencial para pleno desempenho ao longo da vida, o que os torna economicamente viáveis. Por esse motivo o fator linhagem deve ser considerado nessas situações, pois sabemos que a condução do melhoramento genético pode interferir na viabilidade dos leitões de baixo peso. Em qualquer uma das adversas situações haverá sempre baixo peso ao nascimento; o ideal a ser feito é a condução de um manejo adequado a cada situação, com o objetivo de minimizar os efeitos causados pela redução do peso ao nascimento.

Três recomendações

Podemos listar três importantes recomendações para uma boa condução desses animais:

  • Uniformização: para um manejo eficiente desses leitões, é recomendado agrupar todos com baixo peso em uma mesma matriz. Dessa forma, o funcionário poderá assistir àquela leitegada separadamente de forma homogênea e organizada, durante a primeira semana. É preciso ser criterioso na escolha das mães de leite para esta categoria de leitão: fêmeas de segundo parto, ou fêmeas mais velhas com tetos finos, se tornam uma boa opção nesse caso;
  • Colostro: na assistência aos leitões nascidos leves é necessário garantir que o leitão ingira quantidades suficientes de leite por dia. Caso esse leitão não consiga mamar o colostro, faz-se necessário administrá-lo a esse animal de forma artificial, através de mamadeira ou sonda oro-gástrica;
  • Temperatura: a manutenção da temperatura ideal nas primeiras horas de vida dos leitões é um fator decisivo no sucesso desse manejo, devendo se estender esse cuidado pelos próximos dias de vida. A diminuição da temperatura corporal, hipotermia, está entre os principais vilões para os leitões de baixa viabilidade.

Relevante para a vida toda

Talvez, período compreendido entre o pré-parto e a primeira semana de vida dos leitões não seja a chave para o sucesso na atividade, entretanto, trata-se de um importantíssimo aspecto a ser lembrado. É impossível considerar esse um fator irrelevante ao bom desempenho da vida do leitão até chegar ao abate. Uma boa nutrição, excelente genética, somada a uma notável sanidade, não se sustentam caso o manejo esteja limitado. Ao conduzir as atividades da maneira correta, atendendo as expectativas da matriz e os leitões, assegurando a eles qualidade de vida, não haverá barreiras para que os objetivos sejam alcançados.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 + 12 =

Suínos / Peixes Saúde Animal

Especialistas defendem controle combinado de micoplasma, circovirose e ileíte

Circovirose, micoplasma e ileíte são algumas das enfermidades mais importantes para a suinocultura brasileira porque são as mais prevalentes no país

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Uma estratégia sanitária que combina o controle e a prevenção simultâneos de três agentes infecciosos que mais desafiam a suinocultura tem trazido resultados eficientes ao campo. A circovirose, o micoplasma e a ileíte são algumas das enfermidades mais importantes para a suinocultura brasileira porque são as mais prevalentes no país e, consequentemente, trazem as maiores perdas econômicas. Este quadro vem ganhando importância na medida em que crescem as pressões globais pelo uso cada vez mais restrito de antibióticos na produção animal.

E, diante deste cenário de restrição, um programa sanitário eficiente associado a biosseguridade, manejo adequado e nutrição nunca foi tão importante para minimizar o impacto econômico para o produtor. A médica veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal, Brenda Marques, defende a aclimatação correta das leitoas como estratégia cada vez mais importante e eficiente no controle do Mycoplasma hyopneumoniae.

“É necessário quebrar alguns paradigmas e entender que as granjas precisam se preparar para um novo cenário de produção com uso cada vez mais restrito de antimicrobianos”, afirma a especialista, que também alerta para a importância da prevenção conjunta do micoplasma com estes outros patógenos igualmente desafiadores. “Sabemos da interação destes agentes com outros patógenos e também o impacto de fatores ambientais e estresse na ocorrência de doenças respiratórias”, diz ela salientando a estratégia da empresa de trabalhar simultaneamente na prevenção de enfermidades para manter elevada a produtividade do plantel e a rentabilidade do produtor.

Desafios

A especialista defende que o mercado brasileiro pode avançar mais rapidamente na redução do uso de antimicrobianos na produção, atendendo uma demanda global crescente, aprendendo com as lições que ocorreram em países da Europa e nos Estados Unidos. “Nestes dois mercados não houve adaptações dos produtores. Eles precisaram reagir às pressões. O que temos em nosso favor é que podemos nos adaptar e isso é sem dúvida mais fácil que precisar reagir. E estamos em um bom momento para adaptações”, avalia.

“A capacidade de produção do Brasil é alta e com muitas possibilidades de participar de mercados estrangeiros, especialmente diante do quadro de tensão comercial entre os Estados Unidos e outros países, especialmente falando da China. Outros países da nossa região, como o Chile, por exemplo, estão trabalhando muito rapidamente em questões como redução de antibióticos e bem-estar animal”, continua Brenda.

Ela acredita que a adaptação no plantel brasileiro pode se dar através de sistemas de análises de prevenção de enfermidades, manejo adequado, nutrição e biosseguridade alinhando os objetivos do mercado às necessidades do consumidor.

Controle e Prevenção 

O trabalho de controle e prevenção tem melhores resultados com um programa de vacinação que contemple três agentes infecciosos de maior importância no campo: o circovírus suíno tipo 2, o Mycoplasma hyopneumoniae e a Lawsonia intracellularis. “Redução da perda de peso diária e mortalidade associada com infecção por PCV2 e pela Mycoplasma hyopneumoniae são os primeiros impactos desta medida”.

Outros benefícios também são citados pela especialista, como redução do manuseio dos animais, facilitando o processo de vacinação, além de minimizar o estresse nos leitões, avalia. “Também reduz a excreção viral, resultante das infecções por circovirose, e lesões pulmonares causadas pela infecção por Mycoplasma hyopneumoniae. As doenças são controladas no mesmo momento”, menciona Brenda.
Esta estratégia é resultado de um trabalho de inovação e diferenciação com investimentos em pesquisa e colaborando a melhoria da sanidade e dos resultados da cadeia produtiva, ressalta o médico-veterinário e gerente de Produtos da MSD Saúde Animal, Robson Gomes. Ele ainda lembra a importância de combinar este trabalho de controle do micoplasma associado com outra enfermidade também desafiadora para os produtores: a ileíte.

Esta associação é uma resposta da empresa para o desafio global de se produzir proteína animal com uso cada vez mais restrito de antibióticos. A ileíte é uma doença entérica que acomete suínos nas fases mais tardias de crescimento e terminação e era tratada justamente com estas moléculas, quadro que exige inovações da cadeia produtiva para manter elevados os índices de produtividade no campo.

Entre os principais impactos da doença no plantel estão a queda de ganho de peso e conversão alimentar, sobretudo ao final da fase de terminação, alerta o médico-veterinário. Outro indicador afetado pela enfermidade apontado pelo especialista é a incidência de desuniformidade do lote. “A ileíte sempre teve um impacto significativo na suinocultura. E ganhou importância mais recentemente por conta da restrição no uso de antimicrobianos e a chegada de uma vacina que proporciona o controle eficaz da doença e de forma conveniente para todos os suinocultores”, afirma.

Ele defende a importância de uma vacinação contra Lawsonia intracellularis com longa duração de imunidade, o que significa proteger o animal durante todo o ciclo de crescimento e engorda. “Uma menor pressão de infecção através de uma redução da quantidade e do tempo de excreção de bactérias é outro benefício desta medida, que é ainda mais importante neste momento em que a atividade enfrenta o desafio de manter elevada a eficiência produtiva apesar do uso cada vez mais restrito de antimicrobianos”, defende Gomes.

De acordo com ele, esta experiência no campo permitiu constatar ainda uma eficaz redução da colonização e do tempo de excreção da Lawsonia Intracellularis. “Também foi capaz de reduzir as lesões macro e microscópicas provocadas pela doença”, salienta o especialista, alertando que a prevalência deste agente infeccioso é alta nos rebanhos brasileiros e que a imunização do rebanho pode colaborar com o uso racional ou até mesmo a redução de medicamentos.

Para se ter uma ideia do impacto da Enteropatia Proliferativa Suína, a enfermidade traz grandes prejuízos ao suinocultor, como redução no ganho de peso e piorando a taxa de conversão alimentar. No Brasil, a principal forma de manifestação da doença é a subclínica, sendo silenciosa e devastadora.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Nutrição

Fibras na dieta de matrizes melhora desempenho da leitegada

Fibras podem ser utilizadas em todas as fases de produção, auxiliando no funcionamento do trato intestinal dos animais

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Uma boa opção para a nutrição animal, as fibras são ingredientes a base de madeira fresca especialmente selecionadas para a nutrição que passam por processo de moagem ultrafina. Elas dão suporte ao funcionamento fisiológico de todo o sistema gastrointestinal, contribuindo para uma melhor eficiência zootécnica dos suínos. Mesmo sendo já bastante utilizada, ainda são muitas as dúvidas que surgem em produtores e profissionais sobre como utilizá-las e quais são os seus reais benefícios para a produção animal.

Segundo o médico veterinário e CEO da Biosen, Fernando Toledano, são diversas as contribuições que a utilização das fibras proporciona, especialmente na dieta de suínos. “Dietas destinadas à nutrição de animais de produção, tais como aves e suínos, possuem um baixo percentual de fibras, limitando o funcionamento do trato gastrointestinal. O principal benefício das fibras funcionais é permitir um reequilíbrio das funções fisiológicas dos animais utilizando-se baixas inclusões nas dietas”, explica.

Toledano informa que em fêmeas suínas em fase reprodutiva, as fibras funcionais permitem um melhor gerenciamento do nível glicêmico, levando uma melhor estabilidade reprodutiva, leitões mais pesados ao nascimento e melhor produção de leite nas porcas. Já o uso de fibras funcionais em dietas de leitões no período pós desmame previne o desenvolvimento das chamadas diarreias pós-desmame por estimularem o funcionamento adequado dos intestinos. “Elas podem ser utilizadas em todas as fases da criação, especialmente em matrizes”, salienta.

O médico veterinário esclarece que a análise de custo benefício sobre o uso de fibras funcionais deve considerar a situação do plantel. “Quanto maiores forem os transtornos causados pela deficiência de fibras nas dietas dos animais, maior será a contribuição das fibras funcionais e um maior retorno financeiro será observado”, conta. O especialista comenta que, de modo geral, o uso de fibras funcionais na atividade de suinocultura pode ser considerado um dos melhores investimentos na área nutricional a ser feito pelo produtor, tamanha é a deficiência de fibra, “tanto em quantidade, quanto em qualidade”, afirma.

Estudos comprovam

Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre os benefícios da utilização das fibras, Toledano diz que atualmente está disponível ao público uma série de pesquisas feitas com animais, especialmente suínos, mostrando os benefícios de uso de fibras funcionais na performance reprodutiva e zootécnica do plantel. “As linhas de pesquisas mais promissoras mostram que as fibras melhoram a produtividade reprodutiva do plantel e a saúde intestinal dos suínos”, conta.

Além disso, as fibras funcionais são ainda uma excelente opção para a redução da utilização dos antibióticos, algo muito cobrado tanto pelo consumidor quanto dos mercados externos. “As fibras funcionais contribuem para redução do uso de antibióticos porque dão suporte às funções gastrointestinais dos animais. Funções estas que são prejudicas no sistema de criação intensiva dos animais”, esclarece o médico veterinário.

O profissional afirma que como consequência disso, há um melhor estímulo a função peristáltica, maior produção de ácidos graxos voláteis e um melhor equilíbrio da microbiota intestinal. “Mas é importante salientar que o alimento sozinho não é a única solução, boas práticas de manejo, bem como bem-estar animal, compõem os pilares para animais melhores e sadios, consequentemente, retorno positivo zootécnico e econômico”, sustenta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Em 2019

Exportações de carne suína brasileira crescem no primeiro semestre

Balanço de janeiro a maio demonstra avanço no mercado externo e demanda interna também é maior, por isso, suinocultor precisa valorizar o seu produto

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Evento previsto desde o início do ano, principalmente após o surto de Peste Suína Africana que ocorreu na China, as exportações de carne suína no Brasil têm sido crescentes. Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) indicam que a exportação da proteína in natura apresentou um salto nos meses de abril e maio de 2019, totalizando 247,4 mil toneladas no acumulado do ano. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o total exportado até maio de 2019, incluindo carne processada, chegou a 282,9 mil toneladas, volume 16,3% superior ao mesmo período de 2018. Esse é o registro mais próximo do recorde, que ocorreu em 2016, quando houve o embarque de mais 630 mil toneladas de carne suína.

O grande salto nos volumes se deu nos meses de abril e maio de 2019 e, no acumulado do ano, o Brasil já exportou 19,02% a mais que em 2018. O aumento foi observado nos três maiores países importadores de carne suína do Brasil: China, Rússia e Hong Kong. Verifica-se que em abril e maio há uma evidente desaceleração das vendas para a Rússia, sendo que, no sentido contrário, as exportações para a China aumentaram bastante nos últimos dois meses.

Em maio de 2019, o volume de exportação para a China foi maior do que em qualquer outro mês de 2018. A expectativa é de que o gigante asiático continue aumentando sua demanda nos próximos meses, em função da redução de seus estoques que estavam elevados em decorrência da liquidação antecipada de planteis ocorrida recentemente para evitar a contaminação por Peste Suína Africana (PSA).

Equilíbrio nos mercados interno e externo

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, explica que o cenário é favorável para a suinocultura, porém é importante ter cautela e buscar o equilíbrio entre as exportações e o abastecimento do mercado interno. “Na prática, o que se percebe em todas as regiões do Brasil é um aumento da procura por suínos, com a respectiva elevação do preço. Para se ter uma ideia, o preço do suíno na bolsa de BH chegou ao valor de R$ 5,30, em 06 de junho de 2019, valor nunca atingido na sequência histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada(CEPEA)”, explana Lopes.

A chegada do período frio, aliada à exportação crescente, contribuem para manter o mercado firme. Há relatos de grandes agroindústrias buscando volumes significativos de animais no mercado independente, realizando inclusive contratos de médio prazo para garantir o fornecimento de animais, mais um indicativo de que a demanda está bastante aquecida e que a perspectiva é boa.

O gráfico 3 faz um comparativo entre o ano de 2016, cuja exportação foi recorde, e os primeiros meses de 2019. Os dados mostram que, com praticamente o mesmo volume acumulado de exportação de janeiro a maio, houve um aumento de preços do mercado doméstico muito mais acentuado em 2019 do que em 2016, indicando evidente escassez de suínos no mercado neste momento.

Existe uma a correlação entre o aumento dos volumes exportados e a alta dos preços do suíno no mercado interno. Por isso, há dois fatores que devem ser considerados para limitar as exportações brasileiras ao mercado chinês: a necessidade de habilitação de mais plantas frigoríficas e a disponibilidade de suínos, pois o mercado doméstico já se encontra muito demandado.

Relativamente à liberação de novas plantas para exportação para a China, atualmente o Brasil possui 16 abatedouros de bovinos, 33 de frangos e nove de suínos habilitados para exportar para o gigante asiático. Em recente visita da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ao país, houve a solicitação da liberação de mais 78 frigoríficos, sendo somente três de suínos. O processo de liberação destas plantas ainda pode demorar alguns meses. Mesmo assim, espera-se que até o fim do ano os volumes embarcados de carne suína brasileira superem em até 10% os do ano passado.

Atenção ao mercado de grãos

O mercado de grãos passa por um momento de volatilidade. O clima no Brasil e o início da colheita da segunda safra de milho não deixam dúvidas de que o Brasil terá safra recorde deste grão, beirando as 100 milhões de toneladas na safra 2018/19. Porém, o clima nos EUA, o maior produtor de milho do mundo, não tem sido nada favorável ao plantio e germinação deste grão e também da soja.

O excesso de umidade atrasou o plantio de milho nos EUA. Não está quantificado o impacto disso na oferta final, mas há dois efeitos que devem ser somados: a redução da área plantada e a provável perda na produtividade. No caso do plantio da soja nos EUA, que vai até meados de junho, a situação também vem se complicando. Até o dia 04 de junho somente 39% da área estava semeada, sendo que a média histórica nesta data é de 79% (MBAgro). A tabela 3, a seguir, demonstra para a soja e o milho nos EUA três cenários de quebra na safra e a diferença em relação às projeções iniciais (antes dos problemas climáticos observados). No caso do milho, por exemplo, cuja projeção inicial era de 382 milhões de toneladas a quebra pode chegar a 60 milhões.

A guerra fiscal entre China e Estados Unidos que interfere no mercado de carnes, também prejudica as exportações de grãos dos americanos para os chineses, sendo mais um fator a aumentar a demanda pelo milho e a soja brasileiros por parte dos grandes importadores, dentre eles a China.

“O fato é que, até final de maio, os preços do milho no mercado interno vinham estáveis e com perspectiva de queda para os meses de agosto, em função da safra recorde brasileira que se avizinha”, explica Marcelo Lopes. “Porém, em questão de dias, conforme as informações do plantio nos EUA, o milho teve alta nos preços atuais e futuros. Certamente , parte disso, é especulação, uma vez que no final da primeira semana de junho os preços do milho voltaram a cair”, completa ele.

O produtor deve ficar atento não somente às questões da safra norte-americana, mas também às exportações brasileiras de milho que têm subido significativamente nos últimos meses, como demonstra o gráfico 5, a seguir.

Perspectivas para o segundo semestre

Conhecer o próprio custo de produção e procurar adquirir o milho fora dos momentos de especulação e “volatilidade” são as sugestões do presidente da ABCS para garantir um custo de produção que permita margens maiores. “O mercado de suínos está muito demandado, interna e externamente, e há sinais claros de baixa oferta de animais, portanto, o suinocultor precisa valorizar o seu produto”.

No que concerne ao risco de entrada de doenças graves (PSA e PSC) é necessário que o produtor entenda que, mesmo que o vírus entre acidentalmente no país, ele só será danoso se encontrar o hospedeiro; o suíno. “Portanto, cada suinocultor, ao cuidar da biosseguridade de sua granja, é corresponsável e contribui para a biosseguridade do país”, conclui Marcelo Lopes.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo
AB VISTA Quadrado
Evonik – Aminored
Biochem site – lateral

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.