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Suínos / Peixes Produção

Saiba os detalhes antes e após o parto que geram leitões mais viáveis

Um dos principais objetivos do manejo de alimentação pré-parto é maximizar a produção de leite e colostro da fêmea, garantindo maior ingestão de colostro aos leitões

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Miqueias Vale Vargas, consultor de serviços técnicos da divisão de suinocultura na Agroceres Multimix

Os últimos dias de gestação da matriz suína são de extrema importância no que se refere ao evento do parto. É recomendado que o manejo pré-parto comece uma semana antes da data prevista para a parição, envolvendo cuidados com o ambiente destinado ao alojamento, a transferência e adaptação dos animais à instalação da maternidade. É importante levar em consideração que será nesse local que a fêmea permanecerá durante o período de parto e lactação, portanto se faz necessário adotar práticas que contribuam para que haja a menor perda possível.

Para que isso ocorra de forma eficiente, é necessário que a sala esteja completamente vazia, sem a presença de animais do lote anterior. Esse processo se inicia com uma detalhada e profunda limpeza das gaiolas, comedouros, pisos, fossos e canaletas, além de qualquer outra superfície presente na sala de maternidade. É importante fazer uso de detergentes para remoção de todos os resíduos da superfície, uma vez que desinfetantes não atuam sobre a matéria orgânica, lembrando também que excesso de desinfetante não substitui uma limpeza bem realizada. Após a desinfecção, é preconizado pelo menos 72 horas de vazio sanitário. Lembrando que antes da entrada das matrizes é necessário inspecionar cada item no que diz respeito a uma sala de parto, chupetas, comedouros, bandeja de equipamentos para o parto, tapete permeável, aquecedores para os leitões (30 a 32ºC).

No dia da transferência das matrizes, a higienização das fêmeas na saída da gestação pode ser uma boa alternativa para contribuir na minimização da contaminação da sala de parto.

No momento da condução das matrizes é interessante considerar alguns fatores como: a distância entre a gestação e a sala de maternidade, esta deve ser a menor possível, visando a redução do estresse das fêmeas por calor ou exaustão pela caminhada. Pelo mesmo motivo esse manejo deve ser realizado em horas frescas do dia, fazendo uso de tábuas de condução e em corredores com altura adequada.

Nas 24 a 48 horas que antecedem o parto é possível observar gotas de leite quando os tetos são estimulados. Da mesma forma, em 12 a 24 horas antes do parto, em que é possível observar jatos de leite. E por fim, nas últimas 6 horas já é possível ordenhar colostro, indicando uma iminência de parto nas próximas horas. Outro sinal bem marcante da fêmea suína é o instinto de preparação do ninho. Nesse momento os equipamentos necessários ao parto já devem estar nas proximidades da baia.

Um dos principais objetivos do manejo de alimentação pré-parto é maximizar a produção de leite e colostro da fêmea, garantindo maior ingestão de colostro aos leitões. Nesse período, é recomendada a mesma quantidade de ração que foi anteriormente ajustada para o final da gestação. Vale ressaltar que o fornecimento de água deve ser à vontade.

Assistência ao parto

Conhecer os sinais que antecedem imediatamente o parto é importante para que haja uma maior observação da fêmea e seja oferecido a ela todo o suporte necessário para uma parição com qualidade. O trabalho de parto tem o sinal característico de um corrimento translúcido sanguinolento da vagina. Isso indica rompimento de uma das placentas, sinalizando que já existe contração uterina, ou seja, se não haver complicações, em menos de uma hora nascerá o primeiro leitão.

Anotar o horário do início do parto é importante no acompanhamento do mesmo, repetindo essa ação em cada nascimento. Esse procedimento ajudará na tomada de decisão para o momento exato de se fazer uma intervenção ao parto. Podemos listar uma sequência de possíveis eventos e as condutas que devem ser tomadas.

Seria interessante que algumas recomendações ativessem presentes – de uma forma didática – na sala de parto.

Intervenções

O fluxograma da figura 1 traz uma observação relevante a ser considerada quanto ao uso de medicamentos à base de ocitócina e o toque vaginal, uma vez que são condutas arriscadas e invasivas, as quais devem ser evitadas sempre que possível. Sempre que for realizado o toque vaginal, deve-se anotar na ficha de parto da matriz para que fique registrado em seu histórico, além disso, é recomendado tratamento parenteral (consultar o médico veterinário) ao final do parto das matrizes que sofrerem este tipo de intervenção, pois os riscos de contaminação e desenvolvimento de processos infecciosos são altos. Nas 48 horas que se sucedem ao parto é possível que estas fêmeas apresentem descargas vulvares, portanto, a atenção em matrizes que foram submetidas a intervenção invasiva deve ser redobrada.

A massagem das glândulas mamárias ativa o mecanismo hormonal de liberação da ocitocina, assim como o estímulo natural realizado pelos leitões durante a mamada. Esse estímulo, resumidamente, promoverá a liberação de ocitocina endógena que, além de ajudar a liberar o leite, estimulará também que ocorra aumento das contrações uterinas, diminuindo a necessidade da utilização desse medicamento.

Ao nascerem, os leitões devem ser preferencialmente levados à primeira mamada, fazendo com que consigam mamar de forma eficiente até conseguirem sozinhos. O intuito é que aproveitem ao máximo o tempo após o nascimento, para que façam a ingestão do colostro o mais rápido possível. O colostro fornecerá aos leitões energia, para que mantenham seu aquecimento e obtenham a imunidade passiva. Para que todos façam a ingestão do colostro em quantidades suficientes, uma sugestão é prender a primeira metade dos leitões por 20 a 30 minutos, os que tomaram o colostro, sempre observando se os leitões já o consumiram em quantidades suficientes, o que pode ser avaliado através do exame da plenitude do abdômen. Depois, efetuar a troca, devendo prender os primeiros e soltar a outra metade. Para uma adequada ingestão de colostro, é sugerido que este manejo seja repetido por no mínimo três vezes durante as primeiras 12 horas de vida do leitão.

Leitões de baixa viabilidade

Esse manejo tem como objetivo minimizar as perdas diretamente relacionadas à morte de leitões na maternidade, uma vez que a mortalidade nesse setor está concentrada – em sua maioria – na primeira semana de vida dos leitões, mais especificamente nos três primeiros dias. Leitões com peso inferior a 1kg ao nascer apresentam menores reservas de energia, necessitando de maior tempo na primeira mamada. Pesquisas apontam que os leitões com baixa viabilidade que sobrevivem na maternidade e chegam à creche tendem a ser menos eficientes no ganho de peso durante toda sua vida, chegando ao abate com peso inferior quando comparado aos outros animais.

Entretanto, pesquisadores provaram que leitões com baixo peso ao nascer podem ter potencial para pleno desempenho ao longo da vida, o que os torna economicamente viáveis. Por esse motivo o fator linhagem deve ser considerado nessas situações, pois sabemos que a condução do melhoramento genético pode interferir na viabilidade dos leitões de baixo peso. Em qualquer uma das adversas situações haverá sempre baixo peso ao nascimento; o ideal a ser feito é a condução de um manejo adequado a cada situação, com o objetivo de minimizar os efeitos causados pela redução do peso ao nascimento.

Três recomendações

Podemos listar três importantes recomendações para uma boa condução desses animais:

  • Uniformização: para um manejo eficiente desses leitões, é recomendado agrupar todos com baixo peso em uma mesma matriz. Dessa forma, o funcionário poderá assistir àquela leitegada separadamente de forma homogênea e organizada, durante a primeira semana. É preciso ser criterioso na escolha das mães de leite para esta categoria de leitão: fêmeas de segundo parto, ou fêmeas mais velhas com tetos finos, se tornam uma boa opção nesse caso;
  • Colostro: na assistência aos leitões nascidos leves é necessário garantir que o leitão ingira quantidades suficientes de leite por dia. Caso esse leitão não consiga mamar o colostro, faz-se necessário administrá-lo a esse animal de forma artificial, através de mamadeira ou sonda oro-gástrica;
  • Temperatura: a manutenção da temperatura ideal nas primeiras horas de vida dos leitões é um fator decisivo no sucesso desse manejo, devendo se estender esse cuidado pelos próximos dias de vida. A diminuição da temperatura corporal, hipotermia, está entre os principais vilões para os leitões de baixa viabilidade.

Relevante para a vida toda

Talvez, período compreendido entre o pré-parto e a primeira semana de vida dos leitões não seja a chave para o sucesso na atividade, entretanto, trata-se de um importantíssimo aspecto a ser lembrado. É impossível considerar esse um fator irrelevante ao bom desempenho da vida do leitão até chegar ao abate. Uma boa nutrição, excelente genética, somada a uma notável sanidade, não se sustentam caso o manejo esteja limitado. Ao conduzir as atividades da maneira correta, atendendo as expectativas da matriz e os leitões, assegurando a eles qualidade de vida, não haverá barreiras para que os objetivos sejam alcançados.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Tecnologia e inovação como ferramentas de produção segura: menos antibiótico, mais observação e análise de risco

Aplicação bem-feita de tecnologias pode auxiliar na redução do uso indiscriminado de antimicrobianos nas granjas de suínos

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Divulgação/Agroceres Multimix

Artigo escrito por Lucas Avelino Rezende, consultor de Serviços Técnicos de suínos na Agroceres Multimix

Atualmente, a demanda por proteína de origem animal tem crescido significativamente, obrigando a cadeia produtiva a alcançar níveis de produtividade cada vez mais altos. Na suinocultura, por vezes, esses elevados níveis de produtividade vêm acompanhados da utilização exacerbada de antimicrobianos, sejam eles via ração, água de bebida ou injetável. Um estudo demonstrou que o Brasil utiliza, em média, 358,0 mg de diferentes antimicrobianos por quilograma (kg) de suíno produzido e que esses animais passam, pelo menos, cerca de 66,3% da vida expostos a diferentes tipos de antimicrobianos. É uma média elevada, se compararmos a uma tendência global de 170 mg/kg de suíno produzido.

De maneira geral, os antimicrobianos são utilizados de três maneiras: como promotores de crescimento, de maneira preventiva e de forma terapêutica. Entretanto, o uso como promotores de crescimento vêm sendo cada vez mais banido da produção, principalmente por várias drogas já serem restritas.

O uso preventivo também é controverso, uma vez que os animais são tratados com doses, por vezes, subterapêuticas, em determinados períodos da vida do animal, na tentativa de minimizar ocorrências sanitárias já conhecidas na granja. De forma geral, esse tratamento é metafilático (no qual todos os animais do lote recebem o tratamento via ração). E no uso terapêutico iniciamos o tratamento somente com o aparecimento de um determinado sinal clínico, sendo feito, preferencialmente, via injetável ou via água de bebida.

Geralmente, o uso preventivo de antimicrobianos vem para cobrir falhas de manejo e/ou biossegurança nas propriedades como, por exemplo, falta de vazio sanitário, falta de limpeza e desinfecção nas baias, mistura de diversas origens, além da lotação acima da recomendada. Todos esses fatores propiciam o aparecimento de doenças no plantel.

A redução no uso preventivo de antimicrobianos ainda é um processo complexo e que exige modificações na cultura dos suinocultores, além de mudanças estruturais nas granjas, como: aumento na biossegurança, melhoria nos processos de limpeza e desinfecção e uso de vacinas. Vale lembrar que a redução no uso de antimicrobianos de forma preventiva fará com que o uso de forma terapêutica seja uma prática mais adotada e, consequentemente, o uso de medicação via água seja aumentado.

Outro ponto importante é conhecer bem a dinâmica das doenças e suas manifestações clínicas para que o início do tratamento seja no momento exato e não haja perda de desempenho dos animais. Sendo assim, rotinas de monitoramento sanitário devem ser empregadas nas granjas.

Dessas rotinas, o mais empregado é o monitoramento da saúde entérica e respiratória dos animais. Para o monitoramento da saúde entérica o escore de consistência das fezes é o método mais utilizado, e apesar de ser um método subjetivo e passível de variações, é eficaz. Conforme representação abaixo, o escore de consistência das fezes é determinado por: 1= normais; 2= pastosas; e 3= líquidas (fezes diarreicas):

Essa monitoria pode ser realizada em lotes de creche, crescimento e terminação, porém o método consiste em avaliar periodicamente em horários fixos. O lote é considerado “com diarreia” quando 20% dos animais apresentarem diarreia, podendo classificar o grau da severidade em:

  • Lote sem diarreia – nenhum dia com diarreia/semana;
  • Lote com pouca diarreia – um a três dias por semana com diarreia;
  • Lote com bastante diarreia – quatro ou mais dias sem diarreia.

Para a monitoria da saúde respiratória, visamos medir a quantidade de tosse e espirros, com os animais parados e em movimento. Para evitar a subjetividade da observação, um índice de contagem deve ser empregado. Aliado a isso, uma avaliação da severidade dos sinais respiratórios é importante, assim, espirros com corrimentos, presença de respiração abdominal (“batedeira”), posição de cão sentado para respirar ou presença de espuma sanguinolenta na boca podem servir como indicadores da severidade dos problemas respiratórios. Um protocolo para a contagem de tosse e espirro está descrito a seguir:

  • Entrar na instalação/sala, identificar o lote a ser examinado e agitar os animais por estímulos auditivos, durante, no mínimo, um a dois minutos;
  • Aguardar um minuto;
  • Realizar a contagem de tosse e espirros, simultaneamente. Logo após, anotar o total em uma tabela (1ª contagem);
  • Movimentar os animais;
  • Após, realizar nova contagem (2ª contagem);
  • Movimentar os animais;
  • Após, realizar nova contagem (3ªcontagem).

O próximo passo é calcular a frequência de tosse e espirros, contabilizando o número de animais do lote e calcular a média das três contagens e o percentual de tosse e de espirros, utilizando a seguinte fórmula:

Calculada a frequência, a interpretação dos valores é a seguinte:

  • Frequência de espirro igual ou maior que 15%: indicativo de que está ocorrendo um problema grave de rinite atrófica progressiva;
  • Frequência de tosse igual ou maior que 10%: indicativo de um problema grave de pneumonia.

Em granjas que apresentam alto status sanitário (livre de Mycoplasma hyopneumoniae), essa frequência deve ser igual ou menor a 5%. A tosse é um sinal clínico inespecífico, indicativo de alguma lesão nos brônquios ou pulmões, sendo necessário outros métodos para a identificação da doença respiratória presente no plantel. Vale lembrar que antes da realização da contagem de tosse e espirro é importante realizar a abertura das cortinas ou janelas do prédio para que o ar seja renovado e o gás e a poeira acumulados não influenciem na contagem.

Atualmente, existe uma tendência mundial da utilização da inteligência artificial e de processamento de dados em diversas áreas. Algumas dessas tecnologias já chegaram ao campo e podem ser utilizadas para auxiliar na monitoria dos rebanhos como,  por exemplo, câmeras 2D e 3D que tiram fotos para facilitar tarefas, como: contar animais, estimar seu peso, avaliar seu padrão de movimento para detectar problemas, como claudicação ou animais anormalmente imóveis, além de comportamentos agressivos, como brigas ou mordidas de cauda, sensores ambientais (temperatura, umidade e gases nocivos), sensores de monitoramento de consumo de água e ração, microfones para monitoramento automático de tosse e vocalizações relacionadas ao estresse, dentre várias outras aplicações. Aliadas ao processamento de dados, essas tecnologias podem ser uma boa ferramenta de diagnóstico para veterinários, na monitoria clínica de rebanhos. Com isso, a aplicação de tecnologias no campo permite que o diagnóstico de doenças, bem como a avaliação de fatores de risco, se torne algo mais preciso e correto no dia a dia das granjas e que, de modo geral, faça com que os veterinários tenham mais segurança em iniciar ou não um tratamento em lote de animais. Ou seja, a aplicação bem-feita dessas tecnologias pode auxiliar na redução do uso indiscriminado de antimicrobianos nas granjas de suínos.

Em complemento às rotinas de acompanhamento clínico dentro das granjas, surge a necessidade de rotinas de acompanhamento laboratorial e acompanhamento de abate. O acompanhamento laboratorial, por vezes, é demorado e caro, porém, em alguns casos, é indispensável para fechar o diagnóstico do problema dentro da granja e o mais importante, a indicação da droga mais eficaz para o tratamento do problema.

Já o acompanhamento de abate é uma ferramenta indispensável para o veterinário, uma vez que é possível ver muitos animais e reflete a saúde final do lote sem a necessidade de sacrifício dentro da granja. Dessa forma, o índice de pneumonia e pleurisia, calculado a partir das lesões pulmonares vistas nos frigoríficos, é um bom indicativo de como está o comportamento de problemas respiratórios dentro da granja e se os tratamentos e vacinações são eficazes.

No Brasil, algumas dessas tecnologias ainda não estão disponíveis, porém a aplicação das técnicas de observação do veterinário responsável pela saúde do plantel, bem como as boas práticas de produção, é indispensável para a redução do uso de antimicrobianos como forma preventiva.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Creep feeding: estratégia é importante aliada frente aos novos desafios da suinocultura

Creep feeding torna-se cada vez mais importante e benéfico à medida que aumenta a idade de desmame

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Natália Yoko Sitanaka, doutora em Zootecnia e gerente técnica de formulação e nutrição de suínos na Polinutri

Um dos principais objetivos da indústria suinícola é aumentar o tamanho das leitegadas. Entretanto, verifica-se que há um aumento na desuniformidade e menor viabilidade de leitões provenientes de leitegadas mais numerosas. Devido a maior competição por tetos, alguns leitões podem não ter adequado acesso ao leite, aumentando o número de leitões fracos e consequentemente mais suscetíveis a mortalidade.

Além disso, a produção de colostro e de leite não aumentam suficientemente para atender a demanda de leitegadas maiores, desta forma, os ganhos genéticos em prolificidade podem não ser totalmente aproveitados.

Este aumento no número de leitões nascidos vivos por leitegada implica em novos desafios nutricionais, sanitários e de manejo na fase de maternidade. Neste contexto, o creep feeding se apresenta como uma solução para suprir à quantidade de leite insuficiente enfrentada por leitegadas muito numerosas, além de preparar o leitão para o desmame.

Na suinocultura, creep feeding é o fornecimento de ração durante o pré-desmame. Essa estratégia é utilizada para adaptar precocemente os leitões a nova fonte de nutrição. As dietas de creep feeding são disponibilizadas na maternidade, em comedouros, fora do alcance das porcas.

O creep feeding torna-se cada vez mais importante e benéfico à medida que aumenta a idade de desmame. À medida que os leitões crescem, sua demanda por nutrientes cresce de forma semelhante e, com o aumento da idade, essa demanda supera a capacidade da porca de supri-los, à medida que a produção de leite da porca atinge o pico em torno de três semanas e depois declina lentamente.

O creep feeding acelera o desenvolvimento e ação das enzimas digestivas e o amadurecimento intestinal, favorecendo o consumo, digestão e absorção das dietas sólidas. Além disso, condiciona o comportamento de busca de alimento no comedouro, diminuindo a dependência do leite da porca.

Além do creep feeeding se mostrar como uma ferramenta positiva para o ganho de peso no período pré-desmame, trabalhos mostram que os leitões que consomem alimento suplementar na fase pré-desmame precisam de um período de tempo menor para se alimentarem sozinhos após o desmame, pois o consumo na fase de maternidade estimula o consumo na fase pós-desmame.

Qualidade da dieta

Perante o exposto e considerando a imaturidade fisiológica de leitões para digerir rações no período pós desmame, o consumo do creep feeding apresenta-se como uma alternativa para aumentar o consumo e o ganho de peso nessa fase, porém é fundamental manter a preocupação com a qualidade da dieta que será oferecida, assim como a adaptação do melhor manejo a ser adotado, visto que as respostas desta prática são variáveis e dependente de inúmeros fatores.

Para atender a demanda de creep feeding, existe soluções como o leite líquido pronto para uso, projetado para alimentar todos os leitões durante o período da maternidade. Com o objetivo de garantir a  maior ingestão e mais precoce possível, além do leite de porca, o leite líquido pronto resulta em um melhor status de saúde, maior crescimento e uniformidade dos leitões.

O produto possui um alimentador exclusivo e adequado para fornecê-lo de forma prática para que esteja sempre disponível para o leitão. Ele possui compartimento exclusivo para que a ração pré inicial seja oferecida, estimulando, assim, o consumo da ração seca também.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Sustentabilidade alinha bem-estar animal e humano em granjas de região polo

No Oeste do Paraná, granjas estão eliminando odores das granjas para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e colocando música clássica para deixar os suínos mais à vontade na hora das refeições

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Um dos pilares da sustentabilidade na cadeia de produção de carnes é o bem-estar animal, quesito que tem sido colocado cada vez mais em prática como resultado das legislações de da pressão dos consumidores por um processo produtivo com os menores níveis de estresse possíveis. Aliado a isso, a qualidade de vida e bem-estar das pessoas que trabalham na suinocultura é um dos pilares dos sistemas produtivos modernos. Com mais de 1,6 mil granjas e um rebanho de aproximadamente 2,8 milhões animais (IBGE), o Oeste do Paraná tem empenhado esforços para garantir que bem-estar de animais e seres humanos seja cada vez mais aplicado.

Hoje, diversas granjas possuem robôs que distribuem ração ao som de música clássica. Tudo para deixar os animais confortáveis no dia-a-dia. Os produtores também estão usando produtos para eliminar os fortes odores característicos das granjas de produção de suínos, melhorando o cotidiano dos trabalhadores – e também dos animais. Quem explica é a presidente da Associação Regional de Suinocultores do Oeste do Paraná (Asssuinoeste), Geni Banberg.

“A legislação ambiental está bastante exigente para que se produzam os suínos de forma sustentável e cuidando do meio ambiente. As granjas hoje estão sendo modernizadas e, desta forma, é possível ampliar o plantel e não onerar mais mão de obra. E o que mais se destaca é o sistema de piso grelhado, onde os dejetos ficam depositados em um fosso e os animais não têm o contato tão direto com o dejeto como no sistema tradicional que é com lâmina de água nas baias”, explica a presidente. De acordo com ela, nesse sistema os suínos ficam mais limpos e se sentem bem com isso.

E a forma de distribuir e gerenciar a dieta dos animais também tem mudado em boa parte dessas propriedades, menciona. “O sistema de arraçoamento também tem evoluído, inclusive com um modelo ao som de música e disponibilizando dados muito precisos na distribuição da ração por baia e por tratada, possibilitando o controle diário do consumo e do estoque da ração no silo”, menciona. Esse tipo de sistema, aponta a produtora paranaense, reduz a necessidade de trabalhos que exigem mais força do colaborador. “Esse sistema diminui o trabalho braçal, melhorando a vida do trabalhador, além de amentar a eficiência na gestão da granja, que passa a ser informatizada”, menciona Banberg.

Cooperativa de energias renováveis

A destinação de animais mortos ainda é feita, em sua maioria por compostagem, explica a presidente, mas o aproveitamento de dejetos contendo esses animais mortos está sendo cada vez maior no Oeste paranaense. De acordo com Geni, novos projetos nesse sentido estão sendo criados na região. “Já se caminha para a resolução dos passivos da atividade, com alguns projetos já em estudo. Em Toledo foi fundada no último dia 13 de abril uma cooperativa de energias renováveis. Nela, os dejetos de suínos de 46 granjas, incluindo as carcaças de animais mortos, que ao serem processados por uma usina vão gerar energia elétrica, biometano e biofertilizante, com capacidade de um megawatt-hora (Mwh). É um maneira muito inteligente de resolver um problema”, destaca a suinocultura.

No entanto, projetos para destinação de animais mortos ainda são muito onerosos, em sua avaliação. “No destino dos animais mortos o sistema que prevalece é o da compostagem com o uso da maravalha, mesmo já existindo a instrução normativa da lei federal n°48 de 17 de outubro de 2019, que normatiza a recolha, transporte e destinação, porém a viabilidade econômica para algum sub produto não é atraente”, destaca a produtora. Ela explica que a Assuinoeste está estudando um sistema que foi desenvolvido em Santa Catarina e que processa animais mortos, de onde são extraídos dois subprodutos, o carvão e o óleo. “Porém novamente esbarramos na viabilidade econômica, desde a logística do transporte processamento e a possível comercialização desses subprodutos”, reforça a presidente.

Sem antibióticos

A sustentabilidade está também no uso cada vez mais prudente de antibióticos nas granjas suinícolas da região. Na avaliação da presidente da Assuinoeste, a troca de antibióticos por elementos naturais durante a produção já é observada e cada vez presente entre as dietas ofertadas pelas empresas integradoras. No Oeste do Paraná, ampla parte dos produtores são integrados ou cooperados.

“Se entende que as empresas integradoras e as cooperativas estejam muito atentas à nutrição e também na sanidade dos animais, já que o uso de antibióticos na ração está a caminho da retirada por questões de saúde humana. Nestes casos, estudos devem ser feitos na linha de produtos naturais tanto no preventivo quanto no curativo. E assim continuaremos produzindo e quem sabe melhorando ainda mais a colocação que hoje o Brasil ocupa, como quarto maior exportador de carne suína de altíssima qualidade e paladar”, destaca a presidente.

Em sua opinião, o cenário é favorável para ampliar a atividade, se tornando cada vez mais sustentável no Oeste do Paraná. “A genética dos animais é boa, temos tecnologia tem de ponta, interesse para ingressar na atividade ou ampliar as pocilgas também não falta. Temos todas as condições para estar no topo da produção brasileira”, destaca.

Assuinoeste

A Assuinoeste foi fundada em 13 de dezembro de 1975. São 46 anos de existência. Com sede em Toledo, contribui de forma direta na manutenção e desenvolvimento da suinocultura em toda a região Oeste do Paraná.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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