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Suínos / Peixes Produção

Saiba os detalhes antes e após o parto que geram leitões mais viáveis

Um dos principais objetivos do manejo de alimentação pré-parto é maximizar a produção de leite e colostro da fêmea, garantindo maior ingestão de colostro aos leitões

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Miqueias Vale Vargas, consultor de serviços técnicos da divisão de suinocultura na Agroceres Multimix

Os últimos dias de gestação da matriz suína são de extrema importância no que se refere ao evento do parto. É recomendado que o manejo pré-parto comece uma semana antes da data prevista para a parição, envolvendo cuidados com o ambiente destinado ao alojamento, a transferência e adaptação dos animais à instalação da maternidade. É importante levar em consideração que será nesse local que a fêmea permanecerá durante o período de parto e lactação, portanto se faz necessário adotar práticas que contribuam para que haja a menor perda possível.

Para que isso ocorra de forma eficiente, é necessário que a sala esteja completamente vazia, sem a presença de animais do lote anterior. Esse processo se inicia com uma detalhada e profunda limpeza das gaiolas, comedouros, pisos, fossos e canaletas, além de qualquer outra superfície presente na sala de maternidade. É importante fazer uso de detergentes para remoção de todos os resíduos da superfície, uma vez que desinfetantes não atuam sobre a matéria orgânica, lembrando também que excesso de desinfetante não substitui uma limpeza bem realizada. Após a desinfecção, é preconizado pelo menos 72 horas de vazio sanitário. Lembrando que antes da entrada das matrizes é necessário inspecionar cada item no que diz respeito a uma sala de parto, chupetas, comedouros, bandeja de equipamentos para o parto, tapete permeável, aquecedores para os leitões (30 a 32ºC).

No dia da transferência das matrizes, a higienização das fêmeas na saída da gestação pode ser uma boa alternativa para contribuir na minimização da contaminação da sala de parto.

No momento da condução das matrizes é interessante considerar alguns fatores como: a distância entre a gestação e a sala de maternidade, esta deve ser a menor possível, visando a redução do estresse das fêmeas por calor ou exaustão pela caminhada. Pelo mesmo motivo esse manejo deve ser realizado em horas frescas do dia, fazendo uso de tábuas de condução e em corredores com altura adequada.

Nas 24 a 48 horas que antecedem o parto é possível observar gotas de leite quando os tetos são estimulados. Da mesma forma, em 12 a 24 horas antes do parto, em que é possível observar jatos de leite. E por fim, nas últimas 6 horas já é possível ordenhar colostro, indicando uma iminência de parto nas próximas horas. Outro sinal bem marcante da fêmea suína é o instinto de preparação do ninho. Nesse momento os equipamentos necessários ao parto já devem estar nas proximidades da baia.

Um dos principais objetivos do manejo de alimentação pré-parto é maximizar a produção de leite e colostro da fêmea, garantindo maior ingestão de colostro aos leitões. Nesse período, é recomendada a mesma quantidade de ração que foi anteriormente ajustada para o final da gestação. Vale ressaltar que o fornecimento de água deve ser à vontade.

Assistência ao parto

Conhecer os sinais que antecedem imediatamente o parto é importante para que haja uma maior observação da fêmea e seja oferecido a ela todo o suporte necessário para uma parição com qualidade. O trabalho de parto tem o sinal característico de um corrimento translúcido sanguinolento da vagina. Isso indica rompimento de uma das placentas, sinalizando que já existe contração uterina, ou seja, se não haver complicações, em menos de uma hora nascerá o primeiro leitão.

Anotar o horário do início do parto é importante no acompanhamento do mesmo, repetindo essa ação em cada nascimento. Esse procedimento ajudará na tomada de decisão para o momento exato de se fazer uma intervenção ao parto. Podemos listar uma sequência de possíveis eventos e as condutas que devem ser tomadas.

Seria interessante que algumas recomendações ativessem presentes – de uma forma didática – na sala de parto.

Intervenções

O fluxograma da figura 1 traz uma observação relevante a ser considerada quanto ao uso de medicamentos à base de ocitócina e o toque vaginal, uma vez que são condutas arriscadas e invasivas, as quais devem ser evitadas sempre que possível. Sempre que for realizado o toque vaginal, deve-se anotar na ficha de parto da matriz para que fique registrado em seu histórico, além disso, é recomendado tratamento parenteral (consultar o médico veterinário) ao final do parto das matrizes que sofrerem este tipo de intervenção, pois os riscos de contaminação e desenvolvimento de processos infecciosos são altos. Nas 48 horas que se sucedem ao parto é possível que estas fêmeas apresentem descargas vulvares, portanto, a atenção em matrizes que foram submetidas a intervenção invasiva deve ser redobrada.

A massagem das glândulas mamárias ativa o mecanismo hormonal de liberação da ocitocina, assim como o estímulo natural realizado pelos leitões durante a mamada. Esse estímulo, resumidamente, promoverá a liberação de ocitocina endógena que, além de ajudar a liberar o leite, estimulará também que ocorra aumento das contrações uterinas, diminuindo a necessidade da utilização desse medicamento.

Ao nascerem, os leitões devem ser preferencialmente levados à primeira mamada, fazendo com que consigam mamar de forma eficiente até conseguirem sozinhos. O intuito é que aproveitem ao máximo o tempo após o nascimento, para que façam a ingestão do colostro o mais rápido possível. O colostro fornecerá aos leitões energia, para que mantenham seu aquecimento e obtenham a imunidade passiva. Para que todos façam a ingestão do colostro em quantidades suficientes, uma sugestão é prender a primeira metade dos leitões por 20 a 30 minutos, os que tomaram o colostro, sempre observando se os leitões já o consumiram em quantidades suficientes, o que pode ser avaliado através do exame da plenitude do abdômen. Depois, efetuar a troca, devendo prender os primeiros e soltar a outra metade. Para uma adequada ingestão de colostro, é sugerido que este manejo seja repetido por no mínimo três vezes durante as primeiras 12 horas de vida do leitão.

Leitões de baixa viabilidade

Esse manejo tem como objetivo minimizar as perdas diretamente relacionadas à morte de leitões na maternidade, uma vez que a mortalidade nesse setor está concentrada – em sua maioria – na primeira semana de vida dos leitões, mais especificamente nos três primeiros dias. Leitões com peso inferior a 1kg ao nascer apresentam menores reservas de energia, necessitando de maior tempo na primeira mamada. Pesquisas apontam que os leitões com baixa viabilidade que sobrevivem na maternidade e chegam à creche tendem a ser menos eficientes no ganho de peso durante toda sua vida, chegando ao abate com peso inferior quando comparado aos outros animais.

Entretanto, pesquisadores provaram que leitões com baixo peso ao nascer podem ter potencial para pleno desempenho ao longo da vida, o que os torna economicamente viáveis. Por esse motivo o fator linhagem deve ser considerado nessas situações, pois sabemos que a condução do melhoramento genético pode interferir na viabilidade dos leitões de baixo peso. Em qualquer uma das adversas situações haverá sempre baixo peso ao nascimento; o ideal a ser feito é a condução de um manejo adequado a cada situação, com o objetivo de minimizar os efeitos causados pela redução do peso ao nascimento.

Três recomendações

Podemos listar três importantes recomendações para uma boa condução desses animais:

  • Uniformização: para um manejo eficiente desses leitões, é recomendado agrupar todos com baixo peso em uma mesma matriz. Dessa forma, o funcionário poderá assistir àquela leitegada separadamente de forma homogênea e organizada, durante a primeira semana. É preciso ser criterioso na escolha das mães de leite para esta categoria de leitão: fêmeas de segundo parto, ou fêmeas mais velhas com tetos finos, se tornam uma boa opção nesse caso;
  • Colostro: na assistência aos leitões nascidos leves é necessário garantir que o leitão ingira quantidades suficientes de leite por dia. Caso esse leitão não consiga mamar o colostro, faz-se necessário administrá-lo a esse animal de forma artificial, através de mamadeira ou sonda oro-gástrica;
  • Temperatura: a manutenção da temperatura ideal nas primeiras horas de vida dos leitões é um fator decisivo no sucesso desse manejo, devendo se estender esse cuidado pelos próximos dias de vida. A diminuição da temperatura corporal, hipotermia, está entre os principais vilões para os leitões de baixa viabilidade.

Relevante para a vida toda

Talvez, período compreendido entre o pré-parto e a primeira semana de vida dos leitões não seja a chave para o sucesso na atividade, entretanto, trata-se de um importantíssimo aspecto a ser lembrado. É impossível considerar esse um fator irrelevante ao bom desempenho da vida do leitão até chegar ao abate. Uma boa nutrição, excelente genética, somada a uma notável sanidade, não se sustentam caso o manejo esteja limitado. Ao conduzir as atividades da maneira correta, atendendo as expectativas da matriz e os leitões, assegurando a eles qualidade de vida, não haverá barreiras para que os objetivos sejam alcançados.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Em 2019

Maior produtor de pescados do Brasil, Paraná deve crescer 20%

Estado é líder absoluto na produção de tilápia e exemplo a ser seguido em regiões do Brasil

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Arquivo/OP Rural

A piscicultura é uma das atividades que mais vem ganhando espaço no Brasil. No entanto, ainda há espaço de sobra para crescer. No Paraná, líder na produção de pescados, com amplo destaque para a tilápia, a atividade de pesca de captura e a criação em cativeiro ainda não chega a representar 1% do Valor Bruto da Produção do Estado. Porém, possui importância regional para vários municípios. “A tecnologia evoluiu muito nos últimos anos, sendo que o foco é a produção em tanques no solo ou ainda em tanques redes. A produção com tecnologia de ponta e super intensiva, como em outros países, ainda está começando no Paraná e no Brasil”, afirma o relatório do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná.

Em 2018 o Paraná produziu 140 mil toneladas, 18 mil a mais que no ano anterior, ou aproximadamente 15%. A expectativa para 2019 é ainda mais promissora. A produção deve saltar para 170 mil toneladas, 20% a mais que a registrada no ano.

Em 2017 o Paraná produziu 122 mil toneladas de carne de peixe, representando um avanço de 15% comparativamente a 2016. Além disso, foram produzidas mais de 158 mil dúzias de ostras e 245 mil dúzias de caranguejo. Há também a produção de peixes ornamentais, que totalizou 1,6 milhão de unidades em 2017, aponta o Deral.

Os preços pagos também oscilaram para mais ou menos no Estado. Da tilápia, principal espécie produzida no Paraná, o preço médio do filé variou 3% para cima em 2017 comparado a 2016. Já 2018, comparado com o ano anterior, há uma oscilação negativa de 1%. O preço da carpa desviscerada (2017 x 2016) variou 18%, maior variação entre as três espécies pesquisadas. Já o Pacu teve variação positiva de 6% no mesmo período.

VBP

Esta representatividade da piscicultura é vista no Valor Bruto da Produção paranaense (VBP) de 2017, quando a atividade representou 0,9% do VBP total do Estado, sendo 16% do pescado marinho e 84% pelo pescado de água doce. “Verifica-se que o pescado marinho vem perdendo espaço no VBP, justamente pelos investimentos que estão sendo realizados para a produção de tilápia no Estado”, observa o Deral.

Segundo o relatório, no Paraná a produção de pescados está concentrada no núcleo regional de Toledo, que tem 39% do VBP paranaense. Em segundo lugar está Cascavel com 20%, ambas regionais que representam a região Oeste do Estado e que apresentam condições climáticas favoráveis à produção de Tilápia. Paranaguá, que tem pesca extrativista marinha como principal atividade, fica em terceiro lugar, com 16%.

Dos 22 núcleos regionais, quatro correspondem a quase 80% de todo o VBP da pesca e aquicultura paranaense. A atividade ainda tem sua concentração mais especificamente na região Oeste do Estado, que tem praticamente 60% do VBP e mais de 66% do volume produzido. Destaques para os municípios de Nova Aurora, Maripá e Palotina.

Perspectivas para 2019

As estimativas do Deral quanto a produção de pescados para 2019 são boas. Segundo o Departamento, a produção fechou o ano de 2018 com crescimento acima de dois dígitos, superando 15%. A estimativa é que a produção de carne de peixe no ano passado tenha chegado a 140 mil toneladas, representando um aumento de mais de 15% comparativamente a 2017.

Já para este ano, a expectativa é que haja uma produção superior a 20%, e com isso espera-se que o Paraná atinja a marca de 170 mil toneladas de carne de peixe produzidas, sendo que a tilápia deve representar pelo menos 80% desse volume. O Deral lembra que a produção de carne de peixe inclui tanto a pesca de captura quanto a produção em ambiente controlado.

Esta previsão otimista vinda do Departamento, como em anos anteriores, se baseia principalmente no fomento para o consumo do peixe, além da entrada de novas indústrias no segmento, aumentando a oferta e visibilidade do produto para o consumidor.

Exportações

Já quanto a participação do mercado internacional, o relatório demonstra que as exportações brasileiras de pescado não deverão ter mudanças significativas, tanto no consolidado 2018 como em 2019. A expectativa, segundo o Deral, é de que em 2018 o volume exportado não tenha superado as 35 mil toneladas, gerando receitas próximas a US$ 200 milhões. Já para este ano, o cenário é mais otimista, e o volume pode chegar próximo a 50 mil toneladas, entretanto com uma receita provavelmente menor.

Atualmente a China é o maior produtor mundial de pescados, com 40% do total. Já a segunda posição fica com a Indonésia (11,4%). Neste ranking, o Brasil está na 21ª posição, com apenas 0,6% da produção mundial de pescados.

Paraná tem o maior VBP

Já o Valor Bruto da Produção (VBP) da aquicultura brasileira, calculado pelo IBGE, ficou em R$ 4,4 bilhões em 2017, uma redução de 3% comparativamente aos dados de 2016. Neste sentido, o maior VBP da aquicultura é do Paraná, que tem como base a produção de tilápia, representando mais de 81% do total do Estado. Esta espécie de peixe é a que possui maior VBP no Brasil, tendo participação de quase 36%.

O relatório afirma que a atividade aquícola no Brasil pode ser considerada democrática, já que de Norte a Sul há produção. Porém, o caminho natural e já observado é a concentração, entretanto hoje seis Estados concentram pouco mais de 50% da produção e nos próximos anos este número deve crescer.

Maior consumo da proteína 

O consumo de peixe no Brasil gira em torno de 10 quilos/per capita/ano, valor abaixo do que preconiza a FAO como ideal, que é de 12 quilos/ano. Há também regiões no Brasil onde o consumo de peixe é mais acentuado, por exemplo, a região Norte, que tem consumo superior 50 quilos/per capita/ano. Segundo o relatório do Deral, o consumo de pescados vem crescendo ano a ano e em percentuais superiores a outras carnes, como a bovina e de frango, que são as mais consumidas hoje no Brasil.

Comércio internacional

Quanto ao comércio internacional do pescado, o Brasil ainda não tem uma participação muito forte. O Deral aponta no relatório que o país ainda não é representativo no comércio mundial de pescados. Em 2017 foram exportadas 41 mil toneladas de carne de peixe, representando US$ 246 milhões. Neste mesmo ano, o Brasil exportou em produtos do agronegócio pouco mais de US$ 96 bilhões. “Deste total, os produtos oriundos da pesca e aquicultura não chegam a representar 0,3%”, mostra o Deral. Como visto anteriormente, as exportações em 2018 caíram para 35 mil toneladas.

Já quando o assunto são as importações de pescado, os números são mais significativos. Em 2017 o país importou 403 mil toneladas de pescados, isso representou US$ 1,4 bilhão. Comparativamente ao ano anterior, foram importados 13% mais em volume a um custo 20% superior. Os países com mais representatividade neste quesito são o Chile e o Marrocos. Quanto ao primeiro, são importados mais de US$ 590 milhões (mais de 42%). Já o segundo, o valor chega a US$ 60 milhões.

Mais notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Acredita Turra

Consumo interno e exportações de carne suína devem crescer em 2019

“Temos boas expectativas quanto ao bom fluxo de consumo no mercado interno, como também na ampliação das vendas internacionais”, afirma

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Arquivo/OP Rural

 As expectativas de melhora nas vendas da carne suína brasileiras são grandes para 2019. Mesmo tendo um 2018 um pouco mais recuado, para este ano a perspectiva de lideranças no setor suinícolas são positivas. O aumento de exportações, principalmente para a China e Rússia, é somente um dos motivos para o ânimo que paira sobre a suinocultura nacional. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, aposta em um 2019 melhor tanto no mercado interno quanto externo. “Temos boas expectativas quanto ao bom fluxo de consumo no mercado interno, como também na ampliação das vendas internacionais”, afirma.

O Presente Rural (OP Rural) – Faça uma avaliação de como foi o ano de 2018 para a suinocultura brasileira.

Francisco Turra (FT) – Entre os fatores positivos ocorridos está a abertura dos mercados da Coreia do Sul e da Índia para a carne suína. A Rússia, após 11 meses de negociação, também reabriu seu mercado para o setor de suínos.

Outro ponto relevante de 2018, é a crise sanitária corrente na China. Uma vez que a mortandade histórica de animais no maior produtor de carne suína do mundo deverá incrementar a demanda de cárneos provenientes de países que hoje fornecem ao mercado chinês.

Também estão entre os fatores relevantes do ano os dez dias de paralisação nas estradas brasileiras, com a greve dos caminhoneiros. Milhões de aves morreram durante o período. Os impactos superaram os R$ 3,1 bilhões – sendo R$ 1,5 bilhão irrecuperável. Além dos prejuízos, a greve trouxe à pauta o tabelamento do frete. Por questões sanitárias, os setores de aves, ovos e suínos dependem dos denominados transportes dedicados, que são fidelizados e cumprem distâncias curtas.

OP Rural – As exportações foram menores que em 2017. Ao que atrela esta diminuição?

FT – A suspensão das exportações de carne suína para o mercado russo impactou o desempenho internacional da suinocultura do Brasil.  Em 2017, a Rússia representava cerca de 40% de nossas exportações. Ao mesmo tempo, as exportações para a China e para Hong Kong ajudaram a diminuir as perdas. Nossas vendas para Hong Kong cresceram no ano passado 3,5%. Para a China, o crescimento foi ainda maior: 215%. Outros mercados também ampliaram suas compras, como Singapura, Angola e outros.

OP Rural – O mercado brasileiro esteve menos aquecido no ano passado? Por que?

FT – A diferença é relativamente pequena entre 2018 e 2017 no critério consumo per capita.  A recuperação econômica deverá influenciar gradativamente a melhora do consumo.

OP Rural – Mesmo que 2018 não tenha apresentado os resultados esperados, foram bons os números. Para 2019, quais são as expectativas quanto ao mercado e as exportações?

FT – Em relação ao mercado interno, esperamos que a recuperação econômica influencie o incremento no consumo de carne suína no Brasil. Há grande expectativa quanto ao desempenho da economia com o início do novo governo.

Ao mesmo tempo, nas exportações, o mercado será influenciado pela expectativa de elevação da demanda internacional por carne suína, especialmente da China (com a redução dos planteis, diante dos focos de Peste Suína Africana) e da Rússia (recentemente reaberta para o Brasil). A produção deve se elevar entre 2 e 3%, voltando a superar o patamar de 3,7 milhões de toneladas.

OP Rural – Muitos tem falado que este será, também, o ano da retomada da suinocultura brasileira. O senhor acredita nisso? Por que?

FT – Temos boas expectativas quanto ao bom fluxo de consumo no mercado interno, como também na ampliação das vendas internacionais. No caso das exportações, os focos de Peste Suína Africana (PSA) em território chinês têm causado grande impacto não apenas na China, como também no mercado internacional. Consultores internacionais apontam lacunas de produção em torno de 4 milhões de toneladas (a China produz anualmente mais de 50 milhões de toneladas, quase metade da produção mundial), devido ao abate de animais para o controle dos focos. Como maior consumidor de carne suína do mundo, a China precisará buscar no mercado internacional esta oferta, e o Brasil é um sólido parceiro. Vimos as exportações para o mercado chinês se elevarem em patamares superiores a 200%, o que deve perdurar ao longo deste ano.

Além da expectativa em torno da demanda chinesa, também é esperada a elevação das importações russas – agora, reaberto ao Brasil.

OP Rural – Há novos mercados que o Brasil ainda pode conquistar?

FT – Sim, as 26 novas habilitações de plantas frigoríficas de aves para exportações ao México mostram a confiança do México no sistema brasileiro, o que gera boas expectativas, também, acerca da abertura do mercado à carne suína do Brasil. Neste ano também esperamos a habilitação de novas plantas para a China Continental, o que deverá fazer com que a China se configure como a maior importadora de carne brasileira, superando Hong Kong. A Rússia deve habilitar novas plantas para importar carne do Brasil. Esperamos ainda a ampliação das exportações para a Coreia do Sul. Também está no radar de negociações do Brasil mercados como a União Europeia, com grande potencial de negócios.

OP Rural – Como foi a reabertura russa para a carne brasileira?

FT – Após 11 meses de negociações nas esferas técnica e política, envolvendo os Ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores, a Casa Civil e a Presidência da República, a Rússia reabriu seu mercado para a carne suína brasileira, para quatro plantas frigoríficas localizadas no Rio Grande do Sul. Principal destino dos produtos suinícolas do Brasil em 2017, a Rússia havia importado 250,9 mil toneladas nos 11 primeiros meses do ano passado e espera-se que retome gradativamente as importações neste ano.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes 2019 promissor

Economia interna e mercado global devem impulsionar suinocultura, avalia Santin

Boas notícias do mercado internacional se somam à expectativa de crescimento econômico no Brasil

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Arquivo/OP Rural

O suinocultor brasileiro, que trabalha com sistemas de integração ou de forma independente, pode comemorar um ano de 2019 bastante favorável para o setor. Depois de penalizado em 2018 por embargos e operações sanitárias que mancharam a imagem da suinocultura brasileira, grandes mercados mundiais reabrem suas portas e novos parceiros podem ganhar relevância nas exportações. São os casos de China, que precisa importar carne por conta do surto de Peste Suína Africana, que diminuiu os planteis e dificultou a logística no gigante asiático, de Rússia, que recentemente reabriu o mercado para a carne brasileira após longo embargo comercial, e de México, país em que as lideranças da suinocultura brasileira concentram esforços para começar a vender.

As boas notícias do mercado internacional se somam à expectativa de crescimento econômico no Brasil, que garante maior poder de compra ao consumidor, que reflete diretamente no consumo de carnes. Elas chegam depois de um 2018 marcado por dificuldades para os suinocultores brasileiros e para as agroindústrias. O custo de produção permaneceu em patamares elevados, a remuneração paga ao produtor não atingiu as cifras desejadas e as empresas sofreram com os reflexos das operações Carne Fraca e Trapaça, que fizeram com que países importadores das carnes brasileiras suspendessem as importações do Brasil. Em meio ao caos político, no ano passado também houve a greve dos caminhoneiros, que resultou em perdas para vários setores da economia.

Em entrevista para a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, faz projeções otimistas para a suinicultura após o ano a ser esquecido. “Tivemos um ano de 2018 difícil por causa do bloqueio das exportações para a Rússia, mas no final do ano nós conseguimos a reabertura deste mercado. Na China vemos a Peste Suína Africana (PSA) avançar em proporções grandes. Fala-se que a China precisará importar de três a cinco milhões de toneladas de carne suína para atender a demanda. A gente já sabe que essa quantia não está disponível nos países exportadores, incluindo o Brasil”, aponta o executivo.

De acordo com Santin, os chineses vão precisar aumentar o consumo de carne de frango e bovina para suprir a falta de carne suína. Ele reforça que pela retomada das exportações para a Rússia e o episódio de PSA na China o Brasil vai ter um ano positivo na suinocultura.

Santin explica que é cedo para projetar o crescimento nos embarques, mas se nada acontecer de anormal nas questões sanitárias e comerciais, os embarques naturalmente vão ser maiores que os registrados no ano passado. “Devemos exportar muito mais do que as quase 600 mil toneladas de 2018. Infelizmente o envio de carne suína para outros países foi menor no ano passado em relação a 2017, mas em 2019 pretendemos ter patamares muito mais positivos. Como ainda dependemos verificar o panorama global, principalmente o de importação de carne suína da China, a gente ainda não fala em números. Mas se não houver nenhum episódio diferente, nós devemos ter crescimento entre 2 e 5% nos embarques de carne suína”, aponta o dirigente associativista.

Principais mercados externos

A figura dos importadores brasileiros não deve mudar muito, segundo Santin, mas a China deve tomar o posto de maior importador. “A China deve se confirmar como a maior importadora de carne brasileira, superando Hong Kong. Neste ano esperamos a habilitação de novas plantas para a China Continental. Hong Kong, que hoje é o maior importador de proteína brasileira, deve manter um bom volume de compras. A Rússia deve habilitar novas plantas para importar carne do Brasil. Esperamos exportar para a Coreia do Sul, mas temos grande expectativa em relação ao México, que é também um grande importador de carne”, menciona o diretor-executivo da ABPA. “A Ásia e alguns países da Europa estão sentindo os efeitos da Peste Suína Africana. Nós vamos ter a oportunidade de aumentar as nossas exportações porque eles terão diminuição da produção”, amplia.

No entanto, aponta Santin, é preciso manter o status sanitário para que a abertura comercial esperada se confirme. “A PSA está presente em vários países da Ásia, mas principalmente na China. Nós como produtores de suínos precisamos reforçar os cuidados com a sanidade da nossa propriedade. A sanidade é um dos grandes segredos do sucesso da nossa exportação. Esses cuidados devem ser ainda maiores em Santa Catarina, que é livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica”, orienta.

Imagem restaurada

Santin explica que a ABPA e outras entidades parceiras fazem um trabalho de recuperação da imagem desgastada após as operações sanitárias envolvendo a produção de carnes no Brasil. “Nós estamos fazendo um trabalho de recuperação da imagem global, mostrando a qualidade do nosso produto. Tivemos dificuldades de imagem, sim, mas é importante lembrar que desde a operação Carne Fraca, apenas 70 dos 160 mercados que nós atendemos barraram a importação de carnes do Brasil. Hoje todos esses países reabriram mercado com o Brasil”.

Ele amplia: “Continuamos a vender mais de quatro milhões de toneladas e 600 mil toneladas de suínos. Isso mostra a confiança que o mercado internacional tem em nosso produto. Existe muito trabalho para reconquistar a credibilidade e acredito que este ano será muito positivo não somente para o setor, mas também para a imagem brasileira do agronegócio”, aposta a liderança.

Fim da recessão

Ele explica ainda que as expectativas do setor suinícola se renovam com a entrada de um governo supostamente disposto a dar mais atenção ao agronegócio brasileiro, pilar da economia e fonte absoluta do superávit na balança comercial. “As expectativas que a gente tem com o novo governo e com o Ministério da Agricultura (Pecuária e Abastecimento) são positivas. O novo governo traz a responsabilidade de fazer reformas e colocar o país nos trilhos de novo. Nós já percebemos a economia caminhando, o crescimento do emprego e a confiança dos empresários retomada. Felizmente acabou aquele ciclo de retração econômica que nós vivenciamos nos últimos três anos. O crescimento projetado para a economia em 2019 está na casa dos 2,5 a 3%”, menciona Ricardo Santin.

Com relação a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, a expectativa é ainda mais positiva. “A ministra é uma grande conhecedora do nosso setor, uma especialista em agronegócio. Ela também tem o apoio do secretário-executivo Marcos Montes. Vamos ter um ciclo muito positivo para as carnes suína, de aves e de ovos, que são representadas pela ABPA”, sustenta.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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