Avicultura Calor à vista
Saiba como proteger suas aves do estresse térmico e manter a produtividade no verão
Mais do que um incômodo, o estresse térmico é uma ameaça direta à rentabilidade e à sustentabilidade da atividade. Mas a boa notícia é que existem estratégias simples e integradas que ajudam a transformar esse período crítico em oportunidade de melhoria.

Artigo escrito por Luiza Marchiori Severo e Daiane Carvalho.

Foto: Divulgação/American Nutrients
O verão chega trazendo dias longos, calor intenso e, junto com ele, um grande inimigo da avicultura: o estresse térmico. Esse desafio silencioso pode reduzir o consumo de ração, derrubar o ganho de peso, aumentar a mortalidade e ainda abrir as portas para doenças entéricas que comprometem a saúde e o rendimento do plantel.
Mais do que um incômodo, o estresse térmico é uma ameaça direta à rentabilidade e à sustentabilidade da atividade. Mas a boa notícia é que existem estratégias simples e integradas que ajudam a transformar esse período crítico em oportunidade de melhoria.
O que acontece com as aves no calor?
Para dissipar o excesso de calor, elas recorrem a mecanismos como respiração ofegante e abertura das asas. O problema é que, quando a temperatura ultrapassa os 25 °C (principalmente com alta umidade), esses recursos deixam de ser suficientes.
O resultado?
- Menos consumo de ração e mais ingestão de água;
- Alcalose respiratória, que afeta o equilíbrio metabólico;
- Piora na conversão alimentar e queda no ganho de peso;
- Imunidade comprometida, abrindo caminho para doenças intestinais.
Em casos extremos, o estresse térmico leva até à mortalidade e, com isso, a prejuízos consideráveis.
Impactos na produção e na qualidade da carne
O reflexo mais visível do estresse térmico é a queda no desempenho zootécnico: menos alimento consumido significa menor peso vivo e menor rendimento de carcaça.

Foto: Reprodução
Além disso, o metabolismo alterado pode gerar carne com pH final inadequado, prejudicando a qualidade sensorial e tecnológica. Somado a isso, o desequilíbrio intestinal aumenta a proliferação de enterobactérias, elevando os riscos sanitários. Ou seja: o estresse térmico afeta tanto a quantidade quanto a qualidade da produção.
Primeira linha de defesa
Um dos pilares para enfrentar o calor está na água de bebida. Ela precisa ser fresca, limpa e com pH ajustado. Isso garante:
- Melhor digestibilidade;
- Equilíbrio da microbiota intestinal;
- Maior eficiência do cloro e outros agentes sanitizantes;
- A água, quando bem tratada, é muito mais que hidratação: é uma aliada da biosseguridade da granja.
Nutrição estratégica
A nutrição também entra como ferramenta essencial. Acidificantes associados a prebióticos e probióticos ajudam a:
- Reduzir a carga de enterobactérias;
- Proteger a mucosa intestinal;
- Estimular o crescimento de microrganismos benéficos;
- Na prática, isso significa maior aproveitamento dos nutrientes, melhor conversão alimentar e aves mais resilientes diante dos desafios entéricos típicos do verão.
Estudos já mostram que a combinação de programas de acidificação da água com aditivos nutricionais inovadores pode melhorar peso vivo e índice de eficiência produtiva mesmo em situações de estresse térmico.
Ambiente bem manejado
Além da água e da nutrição, o manejo ambiental é indispensável. Algumas práticas-chave:

Fotos: Shutterstock
- Ventilação eficiente: circulação constante de ar;
- Resfriamento evaporativo: nebulização e painéis que reduzem a temperatura interna;
- Isolamento térmico: telhados e laterais que minimizam a radiação solar;
- Alojamento adequado: menos aves por metro quadrado favorecem conforto térmico
- Monitoramento constante: sensores de temperatura e umidade para decisões rápidas.
Prevenção é produtividade
O estresse térmico não precisa ser sinônimo de perdas. Com medidas acessíveis e integradas, manejo ambiental, água de qualidade e suporte nutricional estratégico, é possível reduzir drasticamente os impactos do calor.
No fim, cuidar do conforto térmico das aves é garantir não só produtividade, mas também sustentabilidade e segurança alimentar. Afinal, bem-estar animal e rentabilidade andam lado a lado.
E você, já está preparado para o calor deste verão?
Com planejamento e manejo inteligente, o período mais quente do ano pode se transformar em um aliado na busca por melhores índices produtivos e mais eficiência na avicultura.

Avicultura
Frango congelado inicia dezembro com preços estáveis no mercado brasileiro
Cotações do Cepea/Esalq permanecem em R$ 8,11/kg pelo terceiro dia seguido, indicando equilíbrio entre oferta, demanda e consumo de fim de ano.

Os preços do frango congelado no mercado paulista seguem estáveis no início de dezembro, de acordo com dados do Cepea/Esalq divulgados na quarta-feira (03). Pelo terceiro dia consecutivo, o produto é negociado a R$ 8,11/kg, sem variação diária ou mensal registrada até o momento.
Os números mostram que, entre esta segunda e quarta-feira, o valor permaneceu inalterado. A última movimentação no indicador ocorreu no fim de novembro, quando, nos dias 27 e 28, houve avanço de 1,25% no mês, elevando o preço justamente para o patamar atual de R$ 8,11/kg.
A estabilidade sugere um mercado ajustado entre oferta e demanda, sem pressões significativas capazes de alterar as cotações nos primeiros dias de dezembro. Segundo analistas, esse comportamento costuma ser comum no período, quando a indústria observa sinais do consumo de fim de ano e calibra a produção à procura do varejo.
Avicultura
Mercado árabe sustenta avanço das exportações de frango do Brasil
Mesmo após o primeiro registro de Influenza aviária em granja comercial no País, que rapidamente foi contido, Emirados Árabes lideram compras e reforçam credibilidade da produção halal brasileira.

Apesar de ter registrado influenza aviária em granja comercial de frangos no começo do ano, o Brasil deve fechar 2025 com aumento na exportação da carne de aves. Entre os mercados que favoreceram esse desempenho estão o árabe, que demonstrou confiança no Brasil durante o período de enfrentamento da gripe aviária, segundo liderança do setor, com os Emirados Árabes Unidos figurando como o maior comprador do produto de janeiro a outubro deste ano.
O panorama geral da exportação foi apresentado nesta quarta-feira (3) à imprensa pelo presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, que também deu sua visão sobre como o mercado árabe se comportou em relação ao fornecimento do Brasil nesse ano de gripe aviária.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Nem nos meus melhores sonhos eu pensava chegar na coletiva e anunciar dados positivos” – Foto: Divulgação/Alimenta
“Emirados foi um país que não fechou, um dos primeiros que não fechou, e a Arábia Saudita reconheceu a regionalização muito rapidamente. Embora países fecharam (para o Brasil) inteiro e demoraram para voltar – de menor importância no perfil importador do Brasil -, o Oriente Médio como um todo foi quem demonstrou maior confiança desde o início dessa ação”, disse Santin.
Na detecção de problemas sanitários, os países costumam fechar seus mercados para o produto do país onde foi registrada a doença. A regionalização ocorre quando um país restringe as suas compras apenas a um determinado espaço geográfico do território do fornecedor, onde foi registrada a doença em questão, em vez de suspender as importações do país inteiro.
Santin atribui a confiança do mercado árabe ao conhecimento da produção halal do Brasil e à intimidade que os países têm com as certificadoras brasileiras da área. O Brasil produz carne de frango conforme as normas da religião islâmica, e a certifica como halal por isso, e é o maior fornecedor mundial de proteína halal. Segundo Santin, essa confiança fez com os Emirados Árabes Unidos se mantivessem por muito tempo como o maior importador de carne de frango do Brasil.
De janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou 4,378 milhões de toneladas de carne de frango, com queda de apenas 0,1% sobre o mesmo período do ano passado. Os Emirados Árabes Unidos foram o maior comprador, com 393,68 mil toneladas e alta de 0,79%. Entre os cinco maiores destinos do produto no período, apenas outro país árabe, a Arábia Saudita, também aumentou as compras, em 6,93%, para 332,89 mil toneladas. Os outros três grandes importadores, Japão, África do Sul e China, reduziram as aquisições.
Santin espera o fortalecimento da parceria com o mercado árabe em 2026. “É uma parceria que já se construiu e se mostrou ser longeva e ser firme. Então a gente vê para 2026 continuidade disso e um trabalho também nos mercados halal da África”, afirma, citando a abertura do mercado da Tanzânia, que tem população muçulmana, mas não é um país árabe. Santin lembrou ainda de visita feita à Indonésia e da reabertura do mercado da Malásia, também nações não árabes com populações islâmicas e consumo halal.
Ano de dados positivos

Para o ano, a expectativa da ABPA é que a exportação fique em até 5,32 milhões de toneladas, com um aumento de até 0,5% sobre 2024. “Nem nos meus melhores sonhos eu pensava chegar na coletiva e anunciar dados positivos”, disse o presidente da associação, se referindo ao enfrentamento da gripe aviária pelo país neste ano. No período da influenza, 122 mercados ficaram totalmente abertos para a carne de frango do Brasil e 28 fecharam, mas muitos apenas parcialmente, ressalta Santin.
Após um janeiro a outubro de uma retração considerada muito pequena pela ABPA, de apenas 0,1%, a expectativa é que no acumulado de janeiro a novembro deste ano a exportação já fique positiva, com alta de 0,1%. “A recuperação a gente tem que celebrar”, afirmou Santin. Para o ano que vem, a ABPA projeta exportações de 5,5 milhões de toneladas, com alta de mais de 3,4%. Em caso de influenza aviária, a associação acredita que o impacto será menor em função do trabalho que está sendo feito pela adoção da regionalização pelos mercados compradores.
Avicultura
Produção e exportações de ovos devem encerrar 2025 com salto histórico
ABPA prevê alta de até 7,9% na produção, exportações mais do que dobradas e consumo de 287 unidades por habitante em 2025.

A produção brasileira de ovos deve fechar 2025 com um dos maiores avanços da história do setor, segundo projeções apresentadas nesta quarta-feira (03) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Além do aumento expressivo na produção, o país deve registrar um salto inédito nas exportações e crescimento consistente no consumo interno, movimento que se estende também para 2026.
De acordo com a ABPA, a produção nacional, que ficou em 57,683 bilhões de unidades em 2024, pode chegar a 62,25 bilhões em 2025, um avanço de até 7,9%. O crescimento é considerado expressivo para um segmento já consolidado e distribuído em todas as regiões do país.
Para 2026, a projeção aponta nova expansão, com a produção podendo alcançar 66,5 bilhões de unidades, alta adicional de 6,8% sobre o previsto para 2025.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, esse movimento reflete a evolução da cadeia produtiva. “Estamos vendo um setor que cresce sobre bases sólidas. A modernização das granjas, o avanço tecnológico e a profissionalização do manejo estão impulsionando uma expansão sustentável”, afirmou.

Foto: Gilson Abreu
Exportações crescem mais de 100%
O maior destaque das projeções está no comércio exterior. O Brasil, que embarcou 18.469 toneladas em 2024, pode exportar até 40 mil toneladas em 2025, um crescimento de 116,6% em apenas um ano.
Para 2026, o setor prevê novo aumento, chegando a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o volume projetado para 2025.
Santin destaca que o setor vive um momento de virada no mercado global. “O mundo está descobrindo o ovo brasileiro. Temos escala, qualidade sanitária e competitividade. É um mercado que tende a crescer e no qual o Brasil tem vantagem”, enfatizou.
Consumo interno deve alcançar 287 unidades
No mercado doméstico, o consumo per capita segue trajetória ascendente. A média de 269 unidades por habitante em 2024 deve subir para 287 unidades em 2025, alta de 6,7%. Para 2026, o indicador pode chegar a 307 unidades, crescimento de 7% sobre o ano anterior.
Além da maior oferta interna, a ABPA destaca que o ovo vem sendo cada vez mais valorizado pelos consumidores. “O ovo se consolidou

Foto: Divulgação
como uma proteína nutritiva, acessível e presente no prato das famílias brasileiras. Esse reconhecimento se reflete no aumento do consumo ano após ano”, frisou Santin.
Projeções consolidam 2025 como ano-chave
Com produção ampliada, exportações mais que dobradas e forte avanço no consumo interno, 2025 se desenha como um ano-chave para a consolidação do setor no Brasil. E, diferentemente de outras cadeias que enfrentam oscilações cíclicas, o segmento de ovos deve manter o ritmo também em 2026. “O setor está preparado para um ciclo prolongado de expansão. Estamos entregando mais, exportando mais e abastecendo melhor o país. A tendência é que 2026 reafirme essa curva de crescimento”, avaliou Santin.



