Bovinos / Grãos / Máquinas
Saiba como eliminar os quatro principais parasitos da bovinocultura brasileira
O parasitismo é, sem dúvida, o maior flagelo que acomete os rebanhos mundiais, particularmente em países tropicais e subtropicais onde as condições climáticas favorecem o seu desenvolvimento
Artigo escrito por André Luis Grando Pratto, consultor Técnico de Bovinos da Bayer
A bovinocultura brasileira possui o maior rebanho comercial do mundo, com aproximadamente 212 milhões de cabeças, fornecendo carne in natura ou processada para mais de 180 países. O Brasil atualmente é um dos principais países na produção e comércio de carne bovina no mundo, reflexo de um estruturado processo de desenvolvimento que elevou não só a produtividade como também a qualidade do produto brasileiro e, consequentemente, sua competitividade e abrangência de mercado. Na bovinocultura leiteira o Brasil também se destaca, sendo o quarto produtor no ranking mundial, com *35 bilhões de litros, abrigando um dos maiores rebanhos produtivos do mundo, com 23 milhões de cabeças, ficando atrás somente da Índia em numero de cabeças. Com números tão robustos, tanto na produção de carne quanto de leite, os produtores brasileiros assumem um papel fundamental no fornecimento de alimentos para o mundo. Estima-se que chegue a 9 bilhões de pessoas em 2050, para atender esta demanda, a produção mundial de alimentos precisa aumentar 70%, e um dos países que irá assumir esta responsabilidade é o Brasil. (Fonte: IBGE 2017)
O parasitismo é, sem dúvida, o maior flagelo que acomete os rebanhos mundiais, particularmente em países tropicais e subtropicais onde as condições climáticas favorecem o seu desenvolvimento. Nesse contexto, quatro parasitos têm destaque nos prejuízos causados à pecuária brasileira; nematódeos gastrintestinais, carrapatos (Rhipicephalus (Boophilus) microplus), berne (Dermatobia hominis) e mosca-da-bicheira (Cochliomyia hominivorax). Os prejuízos causados pela verminose podem chegar a R$ 22 bilhões, seguido do carrapato que responde por R$ 10 bilhões em perdas. O berne, outro problema que afeta os animais, atinge a casa de R$ 1 bilhão em prejuízos. Por último, mas não menos importante, a bicheira acarreta R$ 1 bilhão por ano de danos para a produção de leite e de corte.
Sintomas e tratamentos
As parasitoses bovinas causadas por nematódeos gastrintestinais, na sua grande maioria são infecções mistas, em que várias espécies de nematódeos estão envolvidas, animais acometidos com altos níveis de infecção, por esses parasitos, apresentam anorexia e perda de peso. No caso de infecções leves os animais tendem a ter seu ganho de peso comprometido, sem que o produtor consiga visualizar essas perdas. Para o controle dos nematódeos, devem ser associadas medidas para diminuir o número de formas infectantes no ambiente, tais como descanso de pastagens, pastejo com diferentes espécies de animais (bovinos, ovinos e equinos), e pastejo rotativo. O uso de endectocidas é necessário para um controle eficaz, sempre levando em conta o uso correto: dose, época do ano, princípio ativo e categoria a ser medicada.
Outra parasitose que acomete os bovinos são as miíases, causadas pelas larvas de duas moscas conhecidas como, Cochliomyia hominivorax e Dermatobia hominis, popularmente chamadas de bicheiras e bernes, respectivamente. As duas se diferenciam quanto ao seu ciclo, resumidamente, enquanto que a mosca causadora de bicheira realiza postura nas bordas de lesões recentes dos animais, a mosca causadora do “berne” apresenta hábito de postura singular, realizando oviposição sobre outras moscas, e estes que irão levar os ovos ate o hospedeiro, quando essas moscas pousam em um hospedeiro as larvas, estimuladas pela temperatura corporal, abandonam a casca atravessando a pele íntegra sem necessidade de lesão prévia, iniciando desta forma, o período de parasitismo, formando um nódulo conhecido como berne. Para o controle, deve-se empregar o uso de medidas preventivas e curativas, na prevenção dois pontos são fundamentais, o primeiro é adotar um manejo adequado que evite o surgimento de lesões nos animais e quando for adotado algum procedimento cirúrgico fazer o uso de medicamentos para evitar o surgimento da bicheira, é recomendado manter um controle continuo na população de moscas na propriedade, o uso de medicamentos à base de Doramectina e Fenthion, apresentam excelentes resultados.
O carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus é responsável por grandes perdas econômicas na pecuária brasileira, os prejuízos causados pelo carrapato, são superiores a um bilhão de dólares anualmente. Tais prejuízos, nos bovinos, são relacionados com: a ingestão de sangue que, dependendo do número de infestações pode comprometer a produção de carne e leite; pela inoculação de toxinas nos hospedeiros, promovendo diversas alterações e consequências fisiológicas como a inapetência alimentar; pela transmissão de agentes infecciosos principalmente Anaplasma e Babesia; e pela redução da qualidade do couro do animal. O controle do carrapato dos bovinos deve ser feito de maneira integrada, utilizando medidas de manejo que atuem no seu ciclo de vida, como o pastejo rotativo, e da aplicação correta de produtos carrapaticidas, buscando o controle do mesmo nas primeiras gerações afim de diminuir a ovoposição na pastagem no começo do verão.
Combate
Para combater esses parasitos e minimizar os prejuízos, temos que adotar estratégias de manejo que auxiliem no controle, e utilizar endectocidas que tenham uma rápida e eficaz ação no combate dos mesmos, dentre os vários grupos de antiparasitários que existem no mercado, o grupo mais usado é o das Avermectinas.
As Avermectinas são lactonas macrocíclicas, obtidas da fermentação de fungos do gênero Streptomyces, podendo ser classificadas em semi-sintéticos (Ivermectina e Moxidectina) e bio-sintéticos (Doramectina). A atividade endectocida e praticidade no tratamento (geralmente injetável) fazem das Avermectinas um dos ativos mais utilizados pelos pecuaristas para controle de parasitos. Dentre as Avermectinas, uma que toma destaque especial é a Doramectina, por apresentar uma excelente ação em parasitas internos e externos. Outro ponto importante para a escolha de um endectocida é a sua velocidade de ação após a aplicação e capacidade de biodisponibilidade do princípio ativo no animal tratado, com isso, aumentando a eficácia do princípio ativo e diminuindo o surgimento de resistência.
Para que as estratégias de controle dos parasitos tenham resultados satisfatórios, temos que ter consciência que existem vários fatores envolvidos, manejo dos animais, idade dos animais, ambiente, época do ano e qual parasiticida utilizar esses fatores fazem toda a diferença para que possamos combater os parasitos, e principalmente comprometer seu ciclo de vida diminuindo a pressão de população na propriedade.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
