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Saiba como atrair e qualificar bons profissionais para a pecuária de corte

Conforme o médico-veterinário, consultor em Gestão de Recursos Humanos, Marcelo Cabral, é preciso investir em bons líderes para que consigam administrar equipes de excelência.

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Foto: Giuliano De Luca/OP Rural

O Brasil conta com um rebanho bovino de 224,6 milhões de cabeças. Esse dado consta na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referente ao ano de 2021. Conforme os relatórios divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP), a agropecuária é o setor do agronegócio que mais vem criando empregos nos últimos 10 anos. Esse aumento pela demanda de bons profissionais é preocupante, já que os pecuaristas possuem dificuldade de encontrar pessoas qualificadas e que tenham amor para trabalhar no setor.

Essa problemática é real e quem chama atenção para este desafio é o médico-veterinário, consultor em Gestão de Recursos Humanos, Marcelo Cabral. Ele expõe que a pecuária bovina vem sofrendo bastante com a falta de mão-de-obra qualificada. “A disponibilidade de profissionais capacitados está se tornando cada vez mais escassa, o que dificulta a busca por talentos no setor. A falta de vontade de trabalhar também se apresenta como um obstáculo, pois muitas pessoas disponíveis no mercado não estão dispostas a se dedicar, crescer e produzir”, declara.

Médico-veterinário, consultor em gestão de recursos humanos, Marcelo Cabral – Foto: Arquivo pessoal

O profissional também ressalta que outro desafio significativo é o choque de gerações. Ele explica que muitos jovens estão sendo desestimulados a trabalhar na roça, porque recebem grandes estímulos para sair do campo e migrar para as cidades. “Atualmente, muitos jovens não enxergam um futuro promissor na agricultura, eles acreditam que não há espaço para crescimento e consolidação de uma carreira no agronegócio, entretanto este pensamento não está correto, pois no campo é possível construir excelentes carreiras e ter um futuro bastante próspero”, afirma.

De acordo com o médico-veterinário, a adoção de tecnologia na pecuária também é um desafio a ser enfrentado. “Além de exigir mão-de-obra qualificada, a modernização das atividades requer profissionais capazes de atualizar constantemente suas competências. Os colaboradores mais antigos, muitas vezes, não possuem habilidades para trabalhar com tecnologias avançadas, como lançamento de dados e controles refinados. Por outro lado, os jovens com essa aptidão natural muitas vezes preferem permanecer na cidade, afastando-se do campo. Desta forma, sobram empregos que necessitam de pessoas que tenham facilidades e estejam dispostas a trabalhar com tecnologias”, declara.

Carreiras

A atração de pessoas qualificadas para atuar na pecuária é de extrema importância para o setor. Para que isso se torne realidade, o consultor enaltece que é essencial que as pessoas conheçam a realidade que a pecuária tem a oferecer. “A modernização das atividades, a tradição e o prazer em trabalhar com animais devem ser valorizados, ao mesmo tempo em que se cria um ambiente de trabalho favorável. É fundamental que exista perspectiva de crescimento e oportunidades de carreira, permitindo que os profissionais avancem na hierarquia, passando de auxiliares para encarregados, capatazes, supervisores e até mesmo gerentes, essas promoções sempre atraem as pessoas que desejam crescer e desenvolver-se”, reflete.

O profissional também reforça que além da qualificação técnica, é importante investir na capacitação dos profissionais no aspecto humano, desenvolvendo habilidades de comunicação, relacionamento interpessoal, equilíbrio entre trabalho e vida familiar e maturidade no gerenciamento financeiro pessoal. “Já vi muitas dificuldades financeiras comprometendo a qualidade do serviço prestado pelos funcionários, uma vez que eles se encontram preocupados com suas dívidas. Desta forma, investir em treinamentos para os funcionários pode ser muito benéfico para a produção bovina”, opina.

Marcelo recomenda que a atração e retenção de bons profissionais passa por uma busca de talentos. “É essencial ampliar a área de busca por talentos. Além das escolas voltadas para o setor agropecuário, é importante explorar parcerias com instituições de ensino técnico, faculdades, estágios, mídias e redes sociais, bem como estabelecer parcerias com laboratórios, lojas e empresas do mercado. Dessa forma, é possível aumentar a visibilidade das oportunidades de trabalho no campo”, recomenda.

Cultura organizacional

De acordo com ele, a cultura organizacional desempenha um papel importante na atração e retenção de profissionais. “Líderes e gestores devem ser exemplos vivos dos valores, missão e objetivos da empresa, promovendo coerência entre o que é exigido e praticado, pois essa abordagem contribui para a formação de equipes motivadas e comprometidas, porque sabemos que gentileza gera gentileza, bem como respeitar também favorece para ser respeitado e assim por diante”, reflete.

Marcelo defende também a necessidade de treinamentos relacionados à reprodução, saúde e bem-estar animal, além das capacitações de softwares e sistemas de controle e gestão de negócios. “Isso é basilar. As visitas aos frigoríficos também são fundamentais para que os funcionários compreendam todo o processo de destino final dos animais, proporcionando uma maior valorização do trabalho realizado e ampliando seus horizontes. Isso sempre cria um sentimento de pertencimento e mostra o quanto a empresa investe nos seus profissionais”, pontua.

Com relação à sazonalidade, o profissional afirma que ela não precisa ser vista como algo extraordinário. “A sazonalidade é um desafio comum em qualquer negócio, inclusive na pecuária. É necessário planejar distribuições, ações, treinamentos e manejo de acordo com o volume de cada empreendimento. Nos momentos de menor intensidade, podem ser programadas férias, folgas, visitas e viagens, permitindo uma gestão equilibrada ao longo do ano”, expõe.

O consultor finaliza trazendo um significativo conselho aos pecuaristas e industriais que desejam formar equipes de excelência. “É necessário investir nas lideranças, pois a partir delas outras questões podem ser alcançadas. A capacitação e treinamento de gerentes, gestores e produtores é fundamental para fortalecer o setor. Atualmente existem formações específicas voltadas para a gestão de talentos no agronegócio, com enfoque prático e abordagem acessível, que têm se mostrado eficazes na capacitação e motivação de equipes”, sugere.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital de Bovinos, Grãos e Máquinas. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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Foto: Shutterstock

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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Foto: Shutterstock

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

Foto: Shutterstock

O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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