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Estiagem prolongada ameaça a soja no Paraná

Lavouras apresentavam, até então, um desenvolvimento considerado satisfatório, na avaliação do gerente técnico da cooperativa, engenheiro agrônomo Rafael Furlanetto, que acompanhou o Rally.

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Fotos: Divulgação/Cocamar

Na última quarta-feira (8), o Rally Cocamar de Produtividade passou pelos municípios de Apucarana e Tamarana, na região norte do Paraná, onde o clima seco desde o final de dezembro, e as altas temperaturas, incidem sobre a cultura da soja na fase em que ela mais necessita de umidade: a de enchimento de grãos.

As lavouras apresentavam, até então, um desenvolvimento considerado satisfatório, na avaliação do gerente técnico da cooperativa, engenheiro agrônomo Rafael Furlanetto, que acompanhou o Rally. As boas condições se devem à regularidade climática dos últimos meses e, no caso desses dois municípios, à altitude, o que propicia temperaturas mais amenas à noite.

Redução

No entanto, a preocupação é de uma redução gradativa no potencial, caso demore a ocorrer precipitações mais volumosas.

Em Apucarana, segundo estimativa do engenheiro agrônomo Cristian Vilas Boas, da unidade local da Cocamar, 60% das lavouras se encontram em plena fase de enchimento de grãos, 20% estão mais adiantadas e 20% ainda em início de granação.

Com médias que variam, de um ano para outro, entre 160 e 170 sacas de soja em seus 18 alqueires, o produtor Wellington Niyama disse ter boas expectativas em relação à produtividade deste ano. Mas ele e o seu parente Alexandre Eiji Harada, que possui 12 alqueires, se mostraram preocupados com a estiagem. No ano passado, uma situação climática semelhante derrubou a média de ambos para 150 sacas por alqueire. “Vamos torcer para que volte a chover logo e tenhamos uma colheita cheia”, afirmou Wellington.

Ferrugem

O clima seco em janeiro, no entanto, não impediu o surgimento de focos da ferrugem em alguns pontos no município de Apucarana. A doença fúngica, que em geral se desenvolve quando há muita umidade, foi detectada em uma lavoura de beira de estrada pelos técnicos que acompanharam o Rally. “É ferrugem e essa constatação serve de alerta para os demais produtores, para que examinem suas lavouras e iniciem logo o tratamento”, comentou o engenheiro agrônomo Gustavo Emori, da unidade local da Cocamar.

A situação da soja em Tamarana não difere muito da de Apucarana: o Rally observou um desenvolvimento normal, com boa carga de vagens. Tudo caminha à quase normalidade para o final do ciclo, exceto pelo fato de que, na fase em que se encontram, as lavouras não podem prescindir de água.

Produtores ainda animados

O produtor Renato Vicentin, que toca 80 alqueires em parceria com dois irmãos e um sobrinho, ainda se mostrava bem animado, mesmo com a forte redução verificada no ano passado (ciclo 2023/24), quando a estiagem reduziu para 130 sacas a média geral da propriedade, contra 180 na safra anterior. “Aqui o solo é muito bom e quando o clima ajuda, não tem erro”, disse Renato, que é assistido pelo engenheiro agrônomo Vinícius Polezel Silva, da Cocamar.

Suas boas médias são impulsionadas, em parte, pela umidade que permanece no solo, durante vários dias após uma chuva, devido a intensa palhada de aveia branca, cultivada no inverno em paralelo à cultura do milho.

Enquanto produtores acendem uma vela para São Pedro, rogando para a volta das chuvas, em uma região de Tamarana eles ainda não veem motivos para se preocupar “Por aqui tem chovido bastante”, afirmou Hélio Huda, que cultiva 123 alqueires.

No ano passado, em função da estiagem, sua média foi de 135 sacas de soja por alqueire, bem abaixo em comparação às 165 colhidas na temporada anterior. Hélio explica que do total de suas lavouras, que sempre recebem um bom investimento em adubação, quase a metade é cultivada utilizando variedades precoces e o restante com tardias. Por isso, segundo ele, ainda não é possível prever nada, “vai depender de como o tempo vai se comportar daqui para a frente”.

Ainda em Tamarana, o Rally foi conhecer a lavoura mantida pelo produtor Amarildo Tasca, que possui 5 alqueires, onde, com sua experiência e cuidados, as médias se situam entre 170 e 180 sacas. “Estamos na confiança de uma boa safra mais uma vez”, declarou.

Em resumo, de acordo com o gerente técnico Rafael Furlanetto, uma chuva mais intensa neste momento, além de ajudar as lavouras em sua fase decisiva, serviria de alívio para os produtores, cada vez mais apreensivos. E compara: “Se no latossolo do norte do Paraná, dependendo das condições de cada propriedade, a soja aguenta esperar umas duas semanas pela volta das chuvas, no arenito do noroeste, até em função do calor intenso que vem fazendo, esse período é mais reduzido”.

“De qualquer forma, o indicativo até o momento é que teremos uma boa safra” – cita – mas adverte que, na atual fase, cada dia sem chuva pode representar uma redução no potencial produtivo.

Em sua 10ª edição consecutiva, o Rally Cocamar de Produtividade conta com o patrocínio Ourofino Agrociências, Sicredi Dexis, Seguradora Sombrero, Fertilizantes Viridian, Nissan Bonsai Motors e Texaco, com o apoio da cooperativa de profissionais de agronomia Unicampo, Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) e Aprosoja-PR.

Fonte: Assessoria Cocamar

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Congresso Mundial Brangus reúne 13 países e destaca avanço da raça no Brasil

Evento em Londrina (PR) integra genética, mercado e visitas técnicas em diferentes sistemas de produção.

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Fotos: Grafaels/Divulgação

A abertura do Congresso Mundial Brangus foi realizada na quarta-feira (18), no Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina, reunindo delegações de 13 países, criadores e técnicos de diversas regiões do país. O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Brangus e marca uma das maiores edições do evento.

Segundo o presidente da entidade, João Paulo Schneider da Silva, sediar o congresso representa um marco para a raça no país. Ele destacou a responsabilidade de receber delegações internacionais e a consolidação do Brangus no cenário pecuário brasileiro.

O presidente do congresso, Ladislau Lancsarics, afirmou que a edição atual se diferencia pelo volume de participantes estrangeiros e pela qualidade dos animais apresentados. A programação inclui visitas técnicas em propriedades distribuídas por diferentes biomas, com foco na adaptação da raça a distintos sistemas produtivos.

Expansão da raça

O diretor Sebastião Garcia Neto destacou que o evento foi estruturado para integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais, com julgamentos, fóruns e leilões ao longo da programação.

A associação registra atualmente 357 sócios, com crescimento de 43% no último ano. A raça está presente em 18 estados brasileiros e soma cerca de 580 mil registros. No mercado de genética, o Brangus ocupa a terceira posição em venda de sêmen no país, com mais de 870 mil doses comercializadas em 2024.

A abertura contou ainda com a participação de autoridades locais e estaduais. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, destacou a articulação entre entidades do setor para viabilizar o evento. O prefeito Thiago Amaral ressaltou a ligação histórica do município com a produção agropecuária.

Representando o governo estadual, o secretário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Marcio Nunes, afirmou que a raça tem ganhado espaço pela precocidade, adaptação e desempenho produtivo.

Programação inclui visitas técnicas em três estados

Antes da abertura oficial, o congresso promoveu seis giras técnicas desde 12 de março, com visitas a propriedades no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. As atividades reuniram mais de 1,6 mil participantes, que acompanharam diferentes modelos de produção com a raça.

Após a etapa em Londrina, a programação segue com visitas a fazendas nos dias 22, 24 e 25 de março, além de julgamentos de animais e leilões, consolidando o evento como vitrine da genética Brangus no país.

Fonte: O Presente Rural com Associação Brasileira de Brangus
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ABCZ tem contas de 2025 reprovadas por associados em AGO

Votação ocorreu em Uberaba (MG) e seguiu normas estatutárias, sem imputação direta de responsabilidade.

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Foto: Divulgação/ABCZ

Os associados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) reprovaram as contas da entidade referente ao ano de 2025, período liderado pelo ex-presidente Gabriel Garcia Cid (gestão 2023-2025). A votação ocorreu na quarta-feira (18), durante Assembleia Geral Ordinária, em Uberaba (MG).

Com a presença de associados, conselheiros e diretores, o ex-presidente prestou conta de sua gestão e, em seguida, o Conselho Fiscal apresentou o seu Parecer exarado após exame do balanço e demonstrações financeiras do exercício anterior, no qual recomendava a aprovação com ressalvas das contas de 2025.

Após as manifestações dos presentes, a Assembleia deliberou, por maioria, pela reprovação das contas de 2025, nos termos das normas estatutárias da entidade.

A ABCZ ressalta que a reprovação das contas não representa, por si só, imputação de responsabilidade ou acusação a quaisquer pessoas, tratando-se de deliberação de natureza técnica e institucional, pautada no cumprimento das normas contábeis e estatutárias aplicáveis. A medida reflete o compromisso dos associados com a transparência, a governança e a adequada gestão do patrimônio da entidade.

Fonte: Assessoria ABCZ
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Nova regra europeia eleva exigências para exportação de carne bovina da Amazônia Legal

Estudo analisou 15 plantas frigoríficas em Mato Grosso e indica desafios no monitoramento de fornecedores indiretos.

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Fotos: Shutterstock

Um levantamento do Radar Verde indica que as novas exigências da União Europeia devem ampliar a necessidade de rastreabilidade nas cadeias de fornecimento de carne bovina exportadas pelo Brasil. A análise, que avaliou plantas frigoríficas da Amazônia Legal habilitadas a exportar para esse mercado, aponta limitações na capacidade de demonstrar, com evidências públicas, o controle socioambiental ao longo da cadeia, especialmente no que se refere aos fornecedores indiretos.

O estudo avaliou 15 plantas frigoríficas pertencentes a oito empresas, todas localizadas em Mato Grosso e habilitadas a exportar para o mercado europeu em 2025. Juntas, essas unidades possuem capacidade de abate de 11.250 animais por dia. Segundo a análise, 13 unidades apresentam baixo nível de controle e duas apresentam controle muito baixo da cadeia, de acordo com os critérios do Radar Verde.

O estudo aponta que, dentro das zonas potenciais de compra de gado dessas plantas, a exposição a áreas com risco de novo desmatamento varia de 31 mil a 2,8 milhões de hectares. A pesquisa identificou, ainda, que 12 plantas frigoríficas demonstram alto nível de controle sobre fornecedores diretos, que são as fazendas que vendem animais diretamente às indústrias.

No entanto, nenhuma empresa apresentou evidências robustas, como auditorias independentes, de monitoramento de fornecedores indiretos, que são as fazendas onde o gado nasce ou é criado antes da fase final de engorda.

De acordo com a análise, essa lacuna pode permitir a circulação de animais por propriedades intermediárias antes da venda às plantas frigoríficas, o que dificulta a rastreabilidade completa da origem da produção.

O relatório também analisa iniciativas brasileiras voltadas à rastreabilidade da cadeia da carne, incluindo plataformas públicas e programas nacionais de identificação animal. Segundo o estudo, embora existam avanços institucionais, nenhuma dessas iniciativas oferece atualmente uma solução completa e imediata para atender às exigências da regulamentação europeia, especialmente no monitoramento de fornecedores indiretos.

Regulamentação europeia exigirá rastreabilidade completa

A União Europeia está adotando novas regras para impedir a entrada de produtos associados ao desmatamento em seu mercado. A chamada Regulamentação Europeia contra o Desmatamento (EUDR) exigirá que empresas comprovem, com dados e geolocalização, que commodities como carne bovina não foram produzidas em áreas desmatadas.

A norma deverá entrar em vigor a partir de 30 de dezembro de 2026 para grandes empresas e de 30 de junho de 2027 para pequenas e microempresas, exigindo sistemas de rastreabilidade capazes de identificar todas as propriedades por onde o gado passou ao longo da cadeia produtiva.

Embora represente uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina, a União Europeia vem ganhando importância como destino comercial. Em 2025, o bloco importou 128,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando cerca de US$ 1,06 bilhão e registrando crescimento de 132,8% em relação a 2024.

Nesse contexto, o relatório destaca que o acesso ao mercado europeu tende a depender cada vez mais da capacidade das empresas de demonstrar, com evidências verificáveis, cadeias de fornecimento livres de desmatamento.

Recomendações da análise

O estudo aponta caminhos para avançar na rastreabilidade da cadeia da carne bovina, com foco na integração de bases de dados já existentes, como os registros de movimentação de gado (GTA), os cadastros de propriedades rurais (CAR) e informações sobre desmatamento e áreas embargadas.

Segundo a análise, essa integração pode ampliar a visibilidade sobre a movimentação de gado ao longo da cadeia e contribuir para atender às exigências do mercado internacional.

A análise completa está disponível no site do Radar Verde, em Radar Verde – Análise de exportações de carne bovina para a União Europeia.

Fonte: Assessoria O mundo que queremos
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