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Safra de verão do Paraná deverá chegar a 24,3 milhões de toneladas

Segundo o Deral, cerca de 98% da produção estimada será soja e milho, com predomínio da soja, cujo desempenho está difícil de ser superado

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Divulgação/AENPr

Na primeira avaliação da safra de verão 2020/21, que começa a ser plantada em todo o Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, estima um volume de 24,3 milhões de toneladas de grãos, numa área de seis milhões de hectares, a maior ocupada até agora no Estado. São 65 mil hectares a mais do que a safra anterior, que serão basicamente ocupados pela soja.

Segundo o Deral, cerca de 98% da produção estimada será soja e milho, com predomínio da soja, cujo desempenho está difícil de ser superado. A saca de soja está sendo negociada por um valor superior a R$ 100,00, o que faz os produtores optarem pelo grão.

A safra de grãos 19/20, que está na reta final, abrange a safra de verão, a segunda safra e a safra de inverno. Ela poderá ser 14% maior em relação ao período anterior (2018/19), turbinada pelos elevados níveis de produtividade da soja, milho, feijão e trigo e deve chegar a 41 milhões de toneladas. A produção de trigo pode apresentar um recuo por causa de seca e geada recente, mas ainda assim será uma das melhores safras dos últimos anos.

A estimativa de produção da safra de verão é um pouco menor, em torno de 2%, na comparação com a safra anterior que totalizou 24,7 milhões de toneladas no mesmo período. A produtividade da safra que está sendo encerrada foi muito alta.

O secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, disse que o cenário agrícola no Paraná é bom tanto para a atual safra, que está sendo finalizada, como para a próxima que começa a ser plantada. “Os produtores estão colhendo a safra 19/20 com um ambiente econômico razoável para os preços, estimulando-os a vender antecipadamente, como no caso da soja e milho. Esses grãos estão com preço em patamar elevado que cobre qualquer custo de produção”.

Ele afirmou que houve um avanço importante do milho safrinha, cuja redução foi menor do que se esperava por causa da seca e houve uma recomposição com o avanço da colheita. E a safra de inverno, na sua avaliação, com a expectativa de colher um total de 4,25 milhões de toneladas, também é boa. Destacou o desempenho do trigo que desponta como satisfatório, apesar de perdas em algumas regiões.

Para a nova safra 20/21, Ortigara enfatizou o pequeno aumento de área plantada, prevendo que o cultivo de grãos deverá avançar em áreas de pastagens no arenito e pequena redução no plantio de feijão. As demais culturas mantêm a área de plantio estabilizada, ressaltou o secretário.

Para o diretor do Deral, Salatiel Turra, os produtores paranaenses vêm obtendo excelentes níveis de produção graças ao pacote tecnológico utilizado e ao manejo adequado dos solos, refletindo uma preocupação em garantir ganhos em produtividade mesmo em situações adversas como ocorreu este ano, onde houve uma estiagem severa. “Com isso, os produtores estão conseguindo assegurar seu lucro e sua renda”, acrescentou.

SAFRA 2020/21

Soja

Segundo o Deral, na safra 20/21 o plantio de soja deverá ocupar quase a totalidade da área agricultável do Paraná. Dos seis milhões de hectares agricultáveis no Estado 5,53 milhões de hectares serão ocupados pelo grão. Essa área será cerca de 1% maior em relação à que foi ocupada pela cultura no ano passado, o que demonstra que o plantio de soja é disparado a opção do produtor em busca de rentabilidade na propriedade. O acréscimo de área só não será maior porque não há mais terra agricultável no Estado, disse o economista Marcelo Garrido.

A produção esperada na safra 20/21 é de 20,4 milhões de toneladas, em torno de 1% inferior à produção da safra anterior que alcançou 20,66 milhões de toneladas, atingindo novo recorde de produção no Estado. Para essa estimativa foram considerados níveis de produtividade normais para a cultura.

Garrido explicou que a produtividade média da soja alcançada na safra anterior de 3,8 quilos por hectare foi acima das expectativas. O resultado foi atribuído aos avanços da tecnologia e aos trabalhos de manejo do solo que vem sendo feitos pelo produtor.

O combustível para essa euforia vem sendo o câmbio, disse Garrido. A saca foi negociada em média por R$ 113,00, na última semana de agosto, valor 57% a mais que a média de agosto do ano passado, quando a soja foi vendida por R$ 72,00 a saca. Segundo Garrido, no mercado externo as cotações estão estabilizadas, mas a nível interno o valor do câmbio está fazendo a diferença. Para se ter uma ideia, o dólar teve uma valorização de 35% no período de um ano.

Além do câmbio, está contribuindo para a valorização da soja a preferência da China em comprar o grão do Brasil em decorrência do conflito comercial com os EUA. Para aproveitar o período favorável, o produtor está antecipando as vendas. Segundo o Deral, 32% da próxima safra de soja já foi vendida, praticamente o dobro do que foi vendido de forma antecipada no mesmo período do ano passado.

Milho

Apesar do preço do milho também estar surpreendente, a área plantada com o grão na primeira safra apresenta uma estabilidade em relação ao plantio anterior. A cultura deverá ocupar uma área de 358,6 mil hectares, praticamente igual ao mesmo período do ano anterior quando ocupou 356 mil hectares.

Segundo o analista do Deral, Edmar Gervásio, a competição com a soja é feroz e os produtores optam por plantar mais milho na segunda safra. Com uma área um pouco maior, mas com níveis de produtividade normais, a produção esperada para a primeira safra para a temporada 2020/21 cai 3% em relação ao ano passado.

O Deral está estimando uma produção de 3,44 milhões de toneladas, cerca de 120 mil toneladas a menos que em igual período do ano passado. Gervásio explicou que a estimativa atual reflete os níveis normais de produtividade para o grão, cuja média no Estado é de 9.600 quilos por hectare. Já a safra anterior teve recorde de produtividade que alcançou 10 mil quilos por hectare na média do Estado.

Feijão

No Paraná, o plantio de feijão da safra 20/21 já começou com uma expectativa de redução de área plantada com o feijão de primeira safra em torno de 2%. No ano passado foram plantados 152,4 mil hectares e este ano devem ser plantados 149,6 mil hectares. Com área menor e condições normais de produtividade, a produção esperada também é menor em torno de 4%, devendo cair de 316,2 mil toneladas colhidas na primeira etapa da safra anterior para 302,1 mil toneladas previstas para igual período deste ano.

O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Alberto Salvador, disse que o feijão tem muita volatilidade tanto no período de desenvolvimento, muito suscetível a qualquer alteração climática, como na comercialização. Daí a preferência dos produtores por plantar soja e milho em detrimento do feijão.

Na decisão de plantar o feijão, também há a influência do plantio nas demais regiões do País, devendo haver um ajuste entre a oferta e a demanda. “Com isso o feijão vai sofrer redução de área plantada em todo o País”, enfatizou Salvador.

Segundo ele, o custo de produção pesa na decisão do produtor. Os três principais insumos como a aquisição de sementes e aplicação de fertilizantes e agrotóxicos pesam praticamente a metade do custo de produção do feijão.

Atualmente o feijão-de-cor está sendo negociado em média por R$ 193,00 a saca com 60 quilos, que corresponde a uma redução de 2% ao que vinha sendo negociado no mês passado, quando o feijão foi vendido, em média, por R$ 196,00 a saca. O feijão-preto, ao contrário, teve uma valorização de 11%. Está sendo vendido, em média, por R$ 225,00 a saca, contra R$ 202,00 a saca vendida no mês passado.

Mandioca

O plantio de mandioca no Paraná se concentra nos três últimos meses do ano, devendo ocupar uma área de 140,9 mil hectares, um ligeiro aumento sobre o plantio anterior que ocupou 140,1 mil hectares, com predomínio das lavouras na região Noroeste do Estado. A previsão de produção para a safra 20/21, em condições normais de clima, é de 3,37 milhões de toneladas, praticamente a mesma produção do ano anterior que alcançou volume de 3,13 milhões de toneladas.

Segundo o economista do Deral, Methódio Goxko, a mandioca e seus derivados mais produzidos no Paraná, como fécula e farinha, vem enfrentando problemas de comercialização. Choveu no Nordeste do País, o que diminuiu a demanda pela compra da mandioca no Paraná. E a indústria de fécula também diminuiu o consumo em função da paralisação de fábricas por causa da pandemia. Para agravar, o consumo de mandioca e farinha é baixo na região Sul.

Em função da queda da demanda, os preços praticados este ano estão em torno de R$ 341,00 a tonelada de raiz colocada na indústria, o que está deixando os produtores insatisfeitos, porque está ligeiramente acima do ano passado quando a raiz foi comercializada em média por R$ 322,00 a tonelada.

Além disso, o pequeno e médio produtor também enfrenta problema com mão de obra, por causa da pandemia que impôs uma série de restrições no transporte dos trabalhadores. Com a isso, a cultura se torna mais disponível ao grande produtor que é mais estruturado e se adaptou rapidamente às exigências.

SAFRA 2019/20

Milho segunda safra

Na segunda safra de milho da temporada 2019/20, cuja colheita já alcançou 67% da área plantada, a estimativa de produção aponta para um volume de 11,8 milhões de toneladas, devendo totalizar um total de 15,3 milhões de toneladas entre a primeira e segunda safra. Mesmo sendo um bom volume que atende o abastecimento interno, Gervásio destacou que a segunda safra de milho reflete uma perda de 10% em relação ao que vinha sendo estimado, em decorrência da estiagem.

A exemplo da soja, o milho também está valorizado no mercado interno e externo, sendo vendido na última semana pelo preço recorde de R$ 48,49 a saca, 74% maior do que o preço da saca de milho comercializada em agosto do ano passado.

Por causa dos bons preços, há contratos futuros para venda de milho acima de  R$ 50,00 a saca, valor que certamente vai impactar no aumento do frango e do suíno para o ano que vem, avisou Gervásio.

Café

O período seco que prejudicou a lavoura de café no Paraná em período de formação dos grãos depois ajudou a colheita, facilitando os trabalhos de secagem o que interferiu para melhorar a qualidade da bebida, disse o engenheiro agrônomo do Deral Paulo Franzini.

A colheita foi concluída com um volume de 950 mil sacas beneficiadas, praticamente o mesmo volume do ano passado. Mas para o produtor, o sentimento é de perda porque ele esperava mais, disse Franzini. Não fosse a seca, poderiam ser colhidas acima de um milhão de sacas este ano, que é marcado pela bienalidade positiva.

Como a soja e o milho, o café é uma commoditie valorizada no mercado externo, refletindo nos preços praticados internamente. Segundo o Deral, o preço médio do café pago ao produtor em agosto foi de R$ 492,00 a saca com 60 quilos, valor 29% superior ao ano passado quando o preço médio do café era de R$ 380,00 a saca.

Porém, 60% desses valores são gastos com mão de obra, que é o maior custo da lavoura, disse Franzini. Segundo ele, para o café se tornar mais rentável ao produtor ele precisa investir constantemente na renovação das lavouras e na incorporação de fertilizantes no solo, para aumentar a produtividade. Também deve recorrer ao uso da mecanização, que deve aliviar em torno de 30% no custo de produção.

Trigo

As geadas da última semana afetaram as lavouras de trigo, assim como a seca já tinha afetado em torno de 3%, reduzindo a expectativa de produção em torno de 250 mil toneladas. Mas ainda assim o Paraná deverá colher a melhor safra desde 2016. A produção de trigo no Estado este ano deve atingir 3,47 milhões de toneladas, um aumento de 62% em relação ao ano passado quando foram colhidas 2,14 milhões de toneladas.

Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, cerca de 20% da área plantada, de 1,1 milhão de hectares, está com resultado incerto devido às geadas que foram recentes e os resultados mais efetivos aparecerão com o avanço da colheita que está no início.

Os preços do trigo já reagiram no mercado em decorrência do clima. Hoje o trigo está sendo negociado a R$ 58,00 a saca com 60 quilos, 26% a mais do que foi negociado em igual período do ano passado.

Cevada

Cerca de 90% da área plantada com cevada no Paraná (62,7 mil hectares) está em desenvolvimento vegetativo e felizmente foi pouco afetada pelas geadas, disse o engenheiro agrônomo do Deral, Rogério Nogueira. O município de Guarapuava, maior produtor, concentra cerca de 60% da produção de cevada no Estado, não foi prejudicado porque está com 100% da área plantada em desenvolvimento vegetativo.

Já a região de Ponta Grossa, a segunda maior produtora, com 26% da produção estadual, está com 35% da área plantada em floração e foi atingida pelas geadas da última semana, mas ainda é cedo para saber o nível de prejuízo, disse Nogueira.

O Deral mantém a produção de cevada em 289 mil toneladas no Estado, volume 13% acima da produção do ano passado. Nos contratos futuros, a cevada está sendo negociada a R$ 60,60 a saca com 60 quilos.

Fonte: AEN/Pr

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Agricultura familiar pode ganhar ferramenta de inteligência artificial para gestão das propriedades

Plataforma vai integrar dados produtivos e agroambientais para auxiliar a tomada de decisões no campo.

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Foto: Divulgação

A agricultura familiar poderá contar com uma ferramenta baseada em inteligência artificial para apoiar a tomada de decisões no campo. É o que prevê o Projeto de Lei 240/26, em tramitação na Câmara dos Deputados, que propõe a criação de um sistema voltado à organização, integração, padronização e proteção de dados agroambientais e produtivos.

A proposta altera a Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais e estabelece que

Foto: Divulgação

o sistema seja utilizado como suporte à gestão das pequenas propriedades, oferecendo informações que possam contribuir para o planejamento da produção e para a tomada de decisões pelos produtores.

Na justificativa do projeto, o autor da proposta, deputado Carlos Henrique Gaguim (União-TO), afirma que o alto custo das tecnologias baseadas em inteligência artificial ainda limita o acesso dos agricultores familiares a essas ferramentas, ampliando a diferença tecnológica em relação às grandes empresas do agronegócio. “A ausência de apoio estatal nesse campo pode comprometer a competitividade, a sustentabilidade e a permanência desses produtores na atividade rural”, aponta.

Caso seja aprovado, o sistema deverá reunir informações agroambientais e produtivas em uma plataforma

Foto: Divulgação/Freepik

estruturada para subsidiar decisões relacionadas à gestão das propriedades, com foco na melhoria da eficiência e da competitividade da agricultura familiar.

O Projeto de Lei 240/26 será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para apreciação do Senado antes de eventual sanção presidencial.

Fonte: O Presente Rural
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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil

Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

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Foto: Eufran Amaral

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC

Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.

Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.

Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.

Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação

permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.

Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.

O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil

sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.

O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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