Conectado com
VOZ DO COOP

Notícias

Safra de trigo deverá ser marcada pela racionalização dos recursos

Nos últimos dois anos, a escalada de preços dos insumos acompanhou a cotação dos grãos no mercado internacional. No trigo, os principais custos de produção estão nos insumos (fertilizantes, defensivos e sementes) e operações na lavoura (combustível, tratos culturais, transporte). A maior alta foi nos fertilizantes, que subiram mais de 100% no último ano.

Publicado em

em

O cenário de alta no preço dos insumos exige planejamento para reduzir os custos da lavoura de inverno, mas sem comprometer o potencial produtivo. Veja quais são as tendências para a próxima safra e as orientações para a melhor racionalização dos recursos que serão investidos na cultura do trigo.

Nos últimos dois anos, a escalada de preços dos insumos acompanhou a cotação dos grãos no mercado internacional. No trigo, os principais custos de produção estão nos insumos (fertilizantes, defensivos e sementes) e operações na lavoura (combustível, tratos culturais, transporte). A maior alta foi nos fertilizantes, que subiram mais de 100% no último ano.

Na estimativa de custos de produção do Deral/PR, na safra 2022 a lavoura de trigo deverá custar R$ 4.223,27/ha. Os insumos que mais impactaram no aumento foram fertilizantes, que compõem 27,25% dos custos variáveis, operações de máquinas e implementos que representam 10%, agrotóxicos com 8,48% e sementes com 7,37%.

Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral/PR, considerando a cotação atual de R$ 88,00/sc de trigo, a produtividade precisa atingir os 48 sc/ha para empatar o desembolso, mas a média de produtividade no Paraná nos últimos cinco anos tem sido de 42 sc/ha. “Verificamos um aumento de 73% nos custos de produção de trigo no Paraná com relação à safra 2021”, explica Godinho.

Ele lembra que o milho, principal concorrente do trigo no norte do Paraná, também está com preços elevados. “Com a saída da soja mais cedo, os produtores tendem a destinar as lavouras para o milho safrinha”, conta o agrônomo. Na prática, os insumos para o milho são adquiridos pelo produtor paranaense ainda no mês de setembro, enquanto os insumos do trigo geralmente são comprados no começo do ano.

Flávia Starling Soares, analista de mercado de trigo da Conab, avalia que os custos de produção de todas as commodities subiram. “Não é uma exclusividade do trigo, mas de todos os grãos que tem por referência a cotação internacional”, afirma a analista, destacando que essa tendência de alta nos preços observada nos dois últimos anos deverá seguir em 2022, devido à alta cambial, aos baixos estoques mundiais e frustrações em diversas regiões produtoras de trigo.

“O preço do trigo deverá continuar a subir ao longo do ano. Os preços domésticos não apresentaram tendência de baixa durante a colheita, o que normalmente ocorre devido ao aumento gradual da oferta interna e menor necessidade de importação. Além disso, como muitos produtores já estão com os insumos comprados, os custos de produção deverão ficar mais baixos no balanço final, considerando uma boa produtividade na safra de inverno”.

Como economizar na lavoura

O trigo exige um mínimo de tecnologia para ser produzido, mas práticas promotoras e protetoras do potencial produtivo da lavoura precisam ser avaliadas de acordo com o retorno econômico que proporcionam. Maior produtividade nem sempre se traduz em maior lucro no trigo, enquanto que rendimentos de grãos acima da média geralmente são resultado do alto investimento em insumos.

“É importante manter um equilíbrio das contas agora, na implantação da lavoura. O ideal é alcançar o maior rendimento de grãos associado à máxima rentabilidade possível. Contudo, muitas vezes, é mais vantajoso para o produtor assumir um teto de rendimento menor, mas com boa rentabilidade”, orienta João Leonardo Pires, pesquisador da Embrapa Trigo.

A pesquisa identificou diversas formas de ajustar o manejo da lavoura, reduzindo custos e mantendo o potencial produtivo. Alguns exemplos são: escolha da cultivar mais apropriada para cada modelo de negócio/ambiente de cultivo; redução na densidade de semeadura; ajuste de adubação; evitar produtos/práticas com resultados duvidosos; rotação de culturas; sistema plantio direto bem conduzido; controles fitossanitários por monitoramento e não por calendário; entre outros, que variam conforme o potencial produtivo e os riscos da região, o histórico da propriedade e do clima.

“O conselho é não errar na hora de economizar na lavoura de trigo. Não adianta economizar na compra de sementes certificadas, reduzir a adubação para níveis limitantes e manter um calendário de aplicações de fungicidas, sem monitoramento da lavoura para avaliar o que realmente é necessário nos diferentes momentos do desenvolvimento da cultura. É fundamental deixar de usar de um pacote de insumos/práticas fixo e aplicar, com a ajuda da assistência técnica, o que realmente é necessário para cada situação. Sabendo onde fazer economia, o produtor pode construir uma lavoura com bom potencial de forma racional e com base técnica”, explica Pires.

Fertilizantes

Os fertilizantes compõem parte significativa dos custos de produção, historicamente representando entre 25% a 30% do investimento na lavoura. Entre os cinco principais fertilizantes nitrogenados utilizados na cultura do trigo, o preço por tonelada ficou em média 127% mais caro, com aumento que variou de 38% a 182% conforme o produto. A tonelada de ureia, por exemplo, passou de R$ 1.940 (dez 2020) para R$ 5.355 (dez 2021), segundo o Relatório de Insumos Agropecuários da Conab. Outro exemplo é a fórmula NPK 05-20-20, com aumento que chegou a 163% no último ano.

Mas, segundo o pesquisador Fabiano De Bona, da Embrapa Trigo, a adubação nitrogenada está diretamente relacionada à produtividade no trigo: “A aplicação de N ao solo no cultivo do trigo é uma das práticas de manejo mais seguras em relação ao retorno econômico. As pesquisas demonstram que a eficiência no uso de N oscila entre 12 a 21 quilos de grãos para cada quilo de N adicionado”, esclarece o pesquisador.

A ureia é o principal fertilizante utilizado no trigo devido ao menor custo por unidade de nutriente dentre os adubos nitrogenados disponíveis no mercado. A quantidade de N recomendada pela pesquisa é de 60 a 120kg/ha, aplicando de 15 a 20kg/ha na semeadura e o restante em cobertura (perfilhamento e alongamento do colmo das plantas). A aplicação de N no espigamento geralmente não aumenta o rendimento de grãos, mas pode favorecer o aumento no teor de proteínas.

De modo geral, a dose na adubação nitrogenada varia em função do teor de matéria orgânica, da cultura precedente, da região e da expectativa de rendimento.

Aproveitamento do residual da cultura de verão

A estiagem que prejudicou a safra de verão em diversos locais da Região Sul pode alterar a demanda de adubo no plantio de inverno. O baixo desenvolvimento da soja e do milho em função da estiagem não permitiu que a cultura aproveitasse todo o adubo disponibilizado no solo, assim o produtor poderá contar com esse residual para a cultura de inverno. Entre os fertilizantes que devem estar imobilizados no solo em área prejudicadas pela estiagem estão o fósforo e o potássio.

“Acredito que, em muitas áreas, seja necessário apenas o aporte de nitrogênio para a semeadura do trigo. Um importante incentivo para a implantação de uma cultura no inverno num momento de escassez de fertilizantes no mercado mundial, o que exige o máximo aproveitamento dos nutrientes que estão no solo agora e podem ser perdidos até a próxima safra de verão”, explica o pesquisador Fabiano De Bona. O efeito residual deixado pela cultura de verão deve ser determinado através de um diagnóstico de fertilidade, possível através da análise de solo, procedimento com um baixo custo para o produtor.

Análise do solo – Foto: Rafael da Rocha

“Se o produtor colheu 12 sacos de soja, por exemplo, mas adubou para uma colheita de 40 sacos, ele sabe que sobrou adubo no solo. Mas o produtor não pode estimar o efeito residual sem uma análise de solo que indique seguramente o volume de adubo necessário a cada área de plantio. Precisamos saber exatamente onde investir, utilizando os nutrientes que o solo dispõe e adicionando somente o que for necessário”, explica o pesquisador Osmar Conte, da Embrapa Trigo.

Fungicidas

Os defensivos são o terceiro item de maior dispêndio na lavoura de trigo, logo atrás dos fertilizantes e operações de máquinas. O maior custo é com fungicidas, especialmente em anos com clima adverso, onde a umidade favorece a incidência de doenças fúngicas.

Entre os 10 fungicidas mais utilizados na cultura do trigo (base triazóis + estrubirulinas), a média de aumento no preço por litro chegou a 30%, com uma variação de aumento entre 5% e 72% conforme o produto na comparação dezembro de 2020 com dezembro de 2021 (Conab, Insumos Agropecuários RS).

Para a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo, a economia com defensivos está associada a cultivares com melhor sanidade e monitoramento da lavoura. “Em anos mais secos, uma cultivar resistente a oídio vai exigir menos fungicidas ao longo do desenvolvimento da cultura, assim como a resistência a ferrugens e manchas foliares. O cuidado maior é a partir do espigamento, onde o uso do fungicida é indicado preventivamente para o controle de giberela, quando houver condições climáticas favoráveis à doença. Com o monitoramento da lavoura podemos reduzir o número de aplicações, intervindo no momento certo para o controle. Assim, o manejo eficiente dos defensivos pode resultar em economia e lucro final para o produtor”.

Sementes

O preço das sementes acompanhou o aumento nas cotações do trigo. Ainda assim, as sementes representam somente 7,37% dos custos de produção na triticultura (Deral, 2021).

O uso de sementes de qualidade é fundamental para assegurar o potencial de rendimento no trigo, garantindo um estabelecimento adequado da lavoura. O uso de semente salva é autorizado pela legislação brasileira, mas a aquisição de semente certificada vai garantir quatro itens fundamentais para o sucesso de uma boa lavoura: pureza genética, ou seja, sementes da cultivar desejada, sem misturas; pureza física, com garantia de que no mínimo 98% do que está dentro do saco são sementes da cultivar; sanidade, com sementes sadias que não introduzirão nenhuma doença na lavoura; e por fim, a qualidade fisiológica, em sementes com alta germinação.

Outro cuidado indispensável é o tratamento de sementes, um custo que varia entre R$ 0,70 e R$ 1,00/kg e pode trazer mais segurança com relação ao estabelecimento da cultura, reduzindo perdas pelo ataque de insetos e doenças. Atualmente, o preço de sementes de trigo prontas para a semeadura está ao redor de R$ 2,90/kg no mercado gaúcho (Apassul, janeiro de 2022)..

Além da qualidade, a quantidade de sementes é um critério que merece atenção na semeadura. Um estudo da Embrapa Trigo e CCGL/RTC avaliou os limites para reduzir a quantidade de sementes por hectare sem prejudicar o rendimento final da lavoura. Conforme o estudo, uma média segura fica na faixa de 250 sementes aptas por metro quadrado, cerca de 86 kg/ha, considerando semente de qualidade.

Para definir o adequado manejo na densidade de plantas, o produtor precisa conhecer o histórico da área e o potencial genético da cultivar que está usando. A recomendação é sempre avaliar as possibilidades com a assistência técnica e a empresa obtentora da cultivar.

Momento de definição do produtor

Grande parte da comercialização de insumos para a safra de inverno acontece agora na Região Sul, com exceção do norte do Paraná onde a decisão entre trigo ou milho safrinha já foi definida no ano anterior. Embora exista um cálculo modelo para estimar os custos de produção, os itens de dispêndio podem variar entre instituições, empresas e consultorias especializadas. Importante destacar, ainda, que cada produtor tem o seu custo e deve fazer os ajustes baseado na sua realidade, já que o controle de custos é fundamental para gerar lucro.

Vacaria, Nordeste gaúcho

Produtor Pedro Basso – Foto: Divulgação

Na propriedade da Sementes com Vigor, o trigo deverá repetir a mesma área de 2021, cobrindo 1.250 hectares.  Com os insumos já comprados, o produtor Pedro Basso estima um aumento de 66% nos custos de produção: a produção de sementes de trigo apresentou custos variáveis de R$ 3.000,00/ha em 2021, passando para R$ 5.000,00/ha nesta safra. “Nossa produtividade média em 2021 foi de 92 sacos por hectare. Mesmo com o aumento dos insumos, acredito que ainda teremos lucro com o trigo novamente neste ano”, avalia Pedro.

O produtor aposta no uso de plantas de cobertura após a retirada da soja para potencializar os resultados no inverno, como o uso de mix com nabo ou ervilha, para reduzir a incidência de plantas daninhas na área e a reciclagem de nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K).

“Essa cobertura reduz as plantas daninhas e pode até eliminar a necessidade de herbicida pós-emergente no trigo, que custa até 1,5 saco por hectare. A cobertura também vai reduzir o gasto com adubação, tanto com fertilizantes nitrogenados quanto fosfatados”, explica o Pedro, destacando a importância do planejamento do ano na área.

“O trigo é essencial para definir a lavoura de verão. O bom resultado da última safra de inverno salvou muito produtor que está enfrentando prejuízos com a seca na soja e no milho agora, até porque a maioria das perdas está nas semeaduras de soja no cedo, que não tiveram colheita de inverno”.

Apostando nos bons resultados com a safra de inverno, Pedro Basso defende que não é hora para fazer lavoura de “baixo investimento”, mas sim planejar o sistema de produção, dividindo a área de inverno em 20% para alto potencial produtivo, 60% médio investimento e 20% investimento mínimo. “Se o clima for favorável, toda a lavoura responde bem, mas se houverem adversidades, uma lavoura sem insumos não vai responder e o prejuízo é certo. É preciso administrar o investimento visando o melhor retorno financeiro possível, seja no trigo ou na soja lá na frente”.

Mamborê, Centro-Oeste do Paraná

O produtor Flávio Moreira aguarda a colheita da soja para começar a semeadura do milho safrinha, com janela de plantio na região até 28 de fevereiro. Em 2021, a lavoura foi dividida em 25% de milho e 75% de trigo. Nesta safra, a área será dividida em 50% milho e 50% trigo. Apesar do aumento de 20% nos custos de produção do milho, a expectativa é de rentabilidade mais alta do que o trigo, já que os insumos para o cereal de inverno ainda não foram comprados.

“Na média dos últimos quatro anos a rentabilidade do milho safrinha superou a do trigo. Na nossa região, o trigo também oferece maior risco de perdas com seca e geadas”, justifica o produtor, com ressalvas: “Espero umidade do solo para implantar o milho, mas se as condições climáticas limitarem a semeadura, sem dúvidas o trigo é a segunda opção. Além da oportunidade de renda maior do que plantas de cobertura de inverno, o trigo ainda ajuda no controle de plantas daninhas na soja e permite a rotação de culturas”.

O planejamento inicial do produtor é investir em cerca de 500 hectares de trigo neste ano.

Cruz Alta, Norte gaúcho

“Os nossos custos de produção na lavoura para sementes de trigo devem subir 70% neste ano”, avalia o produtor

Produtor Tomás Scapin – Foto: Divulgação

Tomás Scapin, da ZT Sementes. Segundo ele, somente a adubação deverá representar 15 sc/ha. O custo total da lavoura está estimado em 45 sc/ha, ainda com uma pequena margem de lucro considerando a média de produtividade dos últimos anos, que tem ficado entre 55 a 60 sc/ha.

“Ao contrário da previsão inicial, acredito que a área de trigo vai crescer novamente. O produtor que atravessa frustração com a safra de soja vai buscar renda na safra de inverno, mesmo que as margens de lucro sejam menores neste ano”, afirma Scapin.

O produtor diz que tem observado uma demanda crescente do Paraná pelo trigo gaúcho, já que a preferência pelo milho pode reduzir a oferta de grãos de inverno no estado paranaense. “Compra de sementes por outros estados e mesmo contratos futuros para o trigo gaúcho já estão acontecendo. Por mais que a área com trigo no RS cresça novamente, a demanda será ainda maior, o que vai garantir liquidez e elevação das cotações. Cabe agora ao produtor fazer uma lavoura bem feita, com cultivares mais resistentes, investindo na uréia e economizando nos defensivos sempre que possível. Até porque, não existe alternativa melhor do que o trigo para a rotação no inverno”, conclui Scapin. A ZT Sementes vai cobrir 450 hectares com trigo na próxima safra.

Maçambará, Oeste gaúcho

O produtor Leonardo de Oliveira Carneiro, de Maçambará, região Oeste de Rio Grande do Sul, experimentou trigo pela  primeira vez em 2021, com o cultivo de 132 ha. Na colheita, a média de rendimentos superou os 40 sc/ha. “Foi um bom resultado, considerando que na região o cultivo de grãos ainda está começando sobre as áreas onde existia somente campo nativo”, lembra o produtor.

Ele ainda contabiliza as perdas com a soja: “Na lavoura de soja, apenas 20% das sementes germinaram. O mesmo aconteceu com a maioria das lavouras da região, onde os produtores aguardam umidade para arriscar uma nova semeadura na safrinha de soja”, afirma Carneiro.

Ciente do potencial de aproveitamento do adubo que pode ficar no solo com a frustração do verão, Carneiro vai repetir a área com trigo em 2022, investindo nas sementes que já foram compradas e limitando a adubação nitrogenada em cerca de 100 kg/ha.

“Nossos custos de produção ficaram em R$ 2.000,00 no ano passado e a ideia é tentar manter estes custos nesta safra de trigo. Temos a esperança de que a cotação do trigo irá se manter alta, assim a renda do inverno será fundamental para equilibrar as contas e viabilizar a próxima safra de verão”, conta o produtor.

Fonte: Embrapa Trigo

Notícias

Representantes de entidades agrícolas e do governo da Bahia visitam sistema de monitoramento hídrico em Nebraska, Estados Unidos

Objetivo principal foi possibilitar a imersão de conhecimentos e a troca de experiências com os agricultores e pesquisadores de Nebraska.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/AIBA

Uma delegação composta por produtores rurais, representantes de entidades agrícolas e representantes do governo do estado da Bahia esteve em missão ao estado de Nebraska, nos Estados Unidos, entre os dias 7 e 12 de julho, a convite do Instituto Water for Food in Lincoln-NE, para apresentações do sistema de monitoramento hídrico realizado no estado americano, que abordaram temas como a utilização de tecnologias inovadoras para melhorar a produtividade agrícola e a sustentabilidade ambiental. Entre os integrantes da comitiva estavam o vice-presidente da Associação de Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt; o segundo vice-presidente, Seiji Mizote; o gerente de Sustentabilidade, Eneas Porto; a analista ambiental, Gláucia Araújo; o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Luiz Carlos Bergamaschi; e os produtores rurais, Celestino Zanella, Eliza Zanella, Júlio Busato e Miguel Prado; o gerente regional da SLC Rodolfo Mengarda; o coordenador do projeto Everardo Mantovani e os professores da Universidade Federal de Viçosa, Marcos Heil, Michel Castro e Gerson Cardoso.

A missão teve como objetivo principal possibilitar a imersão de conhecimentos e a troca de experiências com os agricultores e pesquisadores de Nebraska. A região é conhecida por concentrar a maior área agrícola de irrigação dos Estados Unidos, com 3,5 milhões de hectares irrigados e ser uma referência mundial em monitoramento dos recursos hídricos com práticas sustentáveis de uso e manejo da água. De acordo com o vice-presidente da Aiba, Moisés Schmidt, essa missão técnica representa uma grande oportunidade para a agricultura do Oeste da Bahia. “Estamos tendo a oportunidade de conhecer e avaliar os estudos de aquífero e das águas de superfície realizados aqui em Nebraska. Essa experiência irá contribuir significativamente para a prática de uma agricultura ainda mais sustentável em nossa região” destaca.

O itinerário da comitiva incluiu uma série de reuniões e visitas técnicas. Os representantes da Bahia participaram de reuniões no Distrito de Recursos Naturais (NRD) Upper Big Blue, equivalente aos comitês de bacias hidrográficas, o Departamento de Recursos Naturais do Nebraska, a fábrica da Lindsay e da Walmont. Em continuidade à missão, foram visitados o centro de pesquisa da Cargill em Fort Collins e os reservatórios de água de degelo para irrigação em Denver, no Colorado. Para o gerente de Sustentabilidade da Aiba, Eneas Porto, “o sucesso da estrutura de gestão dos recursos hídricos no estado de Nebraska baseado em informações técnicas evidenciam a importância da colaboração e confiança entre usuários da água e órgãos gestores dos recursos hídricos, isso é o que está sendo construído no Oeste da Bahia”.

Outra visita incluiu a Fábrica de Pivôs Valley, um dos principais fabricantes de sistemas de irrigação do mundo. Na oportunidade, a delegação baiana apresentou alguns projetos sobre as ações sustentáveis no manejo das culturas desenvolvidas no Oeste da Bahia. A delegação também visitou o Centro de Educação de Extensão Oriental de Nebraska, onde puderam observar de perto as práticas de sequestro de carbono no campo de pivô central. Essa técnica é uma das estratégias utilizadas para amenizar os efeitos das mudanças climáticas e promover uma agricultura mais potente e sustentável. “Ao retornarmos à Bahia, levaremos conosco não apenas aprendizados valiosos, mas também um compromisso renovado com a gestão ambiental sustentável. É fundamental aplicarmos as boas práticas observadas no Nebraska em nosso contexto local, contribuindo para a segurança hídrica e o desenvolvimento sustentável de nossa região” afirmou a diretora de regulação do Inema, Natália Oliveira.

Além da diretora Oliveira, a comitiva também contou com a participação de outros representantes do governo do estado da Bahia, como o secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia (SEMA), Eduardo Sodré; o coordenador de ações estratégicas Inema, Luiz Araújo; e o diretor de Fiscalização (Inema), Eduardo Topázio. A missão Nebraska foi reforçada com a participação de representantes do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Federação da Indústria do Estado da Bahia (FIEB) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O Secretário Eduardo Sodré ressaltou que a Bahia tem compromisso com a gestão hídrica de forma eficiente e sustentável de modo que possa continuar produzindo e contribuindo com a redução das mudanças climáticas. “O foco é melhorar a gestão da água na nossa região, promovendo o uso sustentável e ajudando no desenvolvimento socioeconômico local. A experiência top do Nebraska na gestão de águas para produção de alimentos e o trabalho global do Instituto Water for Food da Universidade do Nebraska em segurança hídrica e alimentar são modelos para a gente seguir” declara.

A SEMA tem um Acordo de Cooperação Técnica com a Aiba e a UFV para o desenvolvimento de um sistema de monitoramento hídrico do aquífero Urucuia, para dessa forma proporcionar a sustentabilidade no uso das águas superficiais e subterrâneas, orientando os produtores rurais no potencial para ampliação da irrigação do plantio no oeste do estado de forma sustentável.

Fonte: Assessoria AIBA
Continue Lendo

Notícias Aliança Global

Produção agrícola sustentável é foco de visita da ministra da Noruega à Embrapa Cerrados

“Vocês têm soluções que podem ser usadas no mundo inteiro. Espero que outros continentes também possam se utilizar das tecnologias que são desenvolvidas aqui” destacou Anne Beathe Tvinnereim, ministra da Noruega.

Publicado em

em

Foto: Fabiano Bastos

Anne Beathe Tvinnereim, ministra da Noruega para o Desenvolvimento Internacional, acompanhada por Odd Magne Rudd, embaixador da Noruega no Brasil, visitou a Embrapa Cerrados (Planaltina-Distrito Federal), na última quinta-feira (18). No Brasil para participar da reunião ministerial de Desenvolvimento do G20 e da reunião da força-tarefa para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, no Rio de Janeiro, ela incluiu em sua agenda de viagem o centro de pesquisa a fim de conhecer de perto um pouco do trabalho da Embrapa.

“Vocês têm soluções que podem ser usadas no mundo inteiro. Espero que outros continentes também possam se utilizar das tecnologias que são desenvolvidas aqui” destacou a ministra. “Desenvolvemos tecnologias que permitiram incorporar os solos do Cerrado ao sistema de produção. Depois de dominarmos a produção de alimentos, estamos hoje preocupados com a sustentabilidade desses sistemas. Dessa forma, atuamos de forma transversal a fim de que o sistema tenha cada vez mais resultado” explicou o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro.

Eduardo Alano, chefe de P&D e pesquisador da Unidade, repassou à comitiva informações sobre o bioma Cerrado, sobre a Embrapa e as linhas gerais de pesquisa da Unidade. “No início o desafio foi grande. Não possuíamos quase nenhum conhecimento sobre os recursos naturais e sobre a aptidão agrícola da região. Aqui foi o primeiro lugar no mundo em que foi desenvolvida agricultura moderna para solos de baixa fertilidade. Isso se deu com muita tecnologia de solo, tratos culturais, adubação, tropicalização de culturas. E hoje o Brasil é um dos players mundiais em exportação de alimentos” afirmou.

Segundo ele, nos anos 70, a quantidade e a diversidade de alimentos era pequena. “Hoje o país produz praticamente tudo, sendo que a maior parte da produção utilizada na alimentação vem da agricultura familiar” ressaltou. De acordo com Alano, ao longo dos anos o avanço foi tanto nos sistemas de produção, quanto no conhecimento da biodiversidade do Cerrado. Ele apresentou as principais tecnologias desenvolvidas no centro de pesquisa e ressaltou alguns programas de melhoramento, como de trigo, mandioca, fruteiras como maracujá e pitaya, milho, café e gado.

No campo, o pesquisador Eduardo Alano ainda mostrou ao grupo algumas variedades de mandioca obtidas a partir do programa de melhoramento participativo e explicou as diferentes linhas de pesquisa que são seguidas. “Trabalhamos em três frentes: mandioca de mesa, que são biofortificadas, ricas em vitamina A e licopeno; mandioca para farinha e fécula, que são cultivadas para produção industrial; além das mandiocas açucaradas, que em vez de armazenar amido, armazenam açúcar” explicou.

A visita de campo foi realizada na unidade de referência de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. O pesquisador Kleberson de Souza apresentou aos visitantes informações sobre os diferentes arranjos de sistemas integrados e seus benefícios. Ele explicou que sistemas integrados são diferentes sistemas de produção adotados numa mesma área usando rotação e consórcio, mas esclareceu: “Essa junção de componentes em diferentes sistemas agropecuários, no entanto, tem que resultar numa soma em que um mais um não dá dois, mas sim dois e alguma coisa. Cada componente tem que trazer um ganho para o sistema de forma que o produtor tenha vantagens quando junta os diferentes componentes num sistema só” enfatizou. De acordo com o especialista, os sistemas integrados podem ser adaptados para pequenos, médios e grandes produtores.

Segundo o pesquisador, o arranjo mais utilizado no Brasil é o de integração lavoura e pecuária (83% dos 17,4 milhões de hectares/dados de 2020). “Basicamente é uma primeira safra de soja e uma segunda safra de milho ou sorgo, sendo que nesse segundo momento, numa mesma operação mecanizada, é feito o plantio da forrageira. Quando o produtor colhe o milho, o capim explode em crescimento, por conta da entrada de luz. Assim, o campo está pronto para uma terceira safra que é a safra animal, justamente no período em que as pastagens estão secas. E ainda falamos de uma quarta safra, que seria a palhada que traz uma série de vantagens ao sistema”.

Ele também destacou os ganhos de produtividade da soja por conta das forrageiras utilizadas no sistema. “Falamos muito da palhada, ou seja, do que está acima do solo, mas queria mostrar também o que está abaixo do solo, o sistema radicular dessas forrageiras que é impressionante. E isso se reflete na produtividade da soja. Temos trabalhos mostrando um ganho médio de 11 sacos de soja (60 quilos cada) a mais quando se tem a segunda safra consorciada com as forrageiras” contou. Segundo o pesquisador, quando se tem ainda a terceira safra, quando os animais entram na área e há de fato o pastejo, a produtividade da soja posterior é ainda maior. “Ainda estamos estudando o motivo desse aumento. Mas ele existe e é mais um ganho do sistema”.

O pesquisador Kleberson de Souza explicou que também é possível antecipar o plantio da segunda safra em até 20 dias. “Quando a soja ainda está no campo, antes de secar, o produtor entra com a plantadeira adaptada fazendo o plantio da segunda safra já consorciada com a forrageira”. Segundo ele, essa antecipação da segunda safra traz ganhos que se refletem em maior produtividade. “Quando há essa antecipação, registramos em média 1,5 sacos a mais de milho para cada dia antecipado. Em muitos casos, principalmente em regiões em que a janela de chuva é mais curta, é a diferença entre colher e não colher a segunda safra. Isso tem possibilitado fazer ou não fazer a segunda safra em regiões em que não se fazia antes” ressaltou.

Atualmente, o componente florestal é utilizado por uma parcela pequena dos produtores – em torno de 10% utilizam o arranjo lavoura, pecuária e floresta e apenas 1% lavoura e floresta. “Com o componente florestal o sistema fica mais complexo, mas ele traz um ganho importante de ambiência animal promovido pela sombra das árvores. Pesquisas registraram aumento na produção de leite e nas taxas reprodutivas das vacas. Também temos a questão do balanço de carbono, que fica muito favorável. Com apenas 15% da propriedade com esse sistema é possível mitigar todas as emissões de gases de efeito estufa emitidos da porteira para dentro da propriedade e, ainda, ter um crédito de carbono ou acúmulo de carbono da ordem de 22 toneladas de CO2equivalente por hectare” afirmou.

E além de sequestrar mais carbono, de acordo com o pesquisador Kleberson de Souza os sistemas integrados ainda emitem menos gases de efeito estufa. “Um ótimo exemplo é o óxido nitroso. Num trabalho em que analisamos o cultivo convencional, o Cerrado nativo e os sistemas integrados, observou-se 56% menos emissão desse gás (óxido nitroso) em detrimento do sistema convencional, com aração e gradagem no preparo do solo. Ou seja, os sistemas integrados emitem menos e sequestram mais carbono”.

Fertilizantes

A visita da comitiva à Embrapa Cerrados também contou com a presença de representantes brasileiros da empresa norueguesa Yara Fertilizantes. No último mês de março, a Embrapa e a Yara firmaram um acordo de cooperação que permitirá troca de acesso às soluções digitais e às estruturas internas em P&D das duas empresas e, ainda, atuação conjunta na coordenação de estudos em inovação e tecnologia.

Na prática, a Embrapa terá à disposição em todas as suas unidades, incluindo a Embrapa Cerrados, as soluções que a Yara utiliza no campo, por exemplo, ferramentas digitais para a aplicação de fertilizantes, recomendações nutricionais e de compartilhamento de dados coletados em campo. Acesse aqui mais informações sobre essa parceria.

O gerente agronômico da Yara, Leonardo Soares, apresentou durante a visita a palestra “Sustentabilidade, a oportunidade passa pela agricultura”. Ele relatou o trabalho de pesquisa que está sendo feito pela empresa para diminuir as emissões de gases de efeito estufa tanto na produção dos fertilizantes, quanto no campo. “De 2005 a 2019, já conseguimos uma redução de 45% das emissões, que vem principalmente das fábricas. Temos o compromisso de seguir reduzindo mais 30%”.

De acordo com o gerente, hoje a empresa tem parceria com 48 instituições de pesquisa, incluindo universidades. “Temos mais de 150 pesquisas agronômicas a campo com diversas culturas em andamento”. Segundo ele, no passado o foco da empresa era apenas na produtividade. “Hoje, 60% das nossas pesquisas são para avaliar a emissão de gases de efeito estufa, a saúde do solo, quanto a gente está conseguindo fixar de carbono no solo. Isso para entender o que a gente pode traçar de estratégia para reduzir a emissão no campo” explicou.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
Continue Lendo

Notícias Em Cascavel - Paraná

Ciclo produtivo na pecuária de leite será novidade no Show Rural de Inverno

O setor de Fomento à Pecuária estará à frente de dois workshops preparados para mostrar o ciclo produtivo de uma bezerra até se tornar uma vaca em lactação.

Publicado em

em

A zootecnista Josiane Mangoni, supervisora da área Pecuária da Coopavel Foto: Assessoria

A pecuária de leite vai ganhar espaço no Show Rural Coopavel de Inverno, um dos principais palcos brasileiros para culturas indicadas para os meses frios do ano. O setor de Fomento à Pecuária estará à frente de dois workshops preparados para mostrar o ciclo produtivo de uma bezerra até se tornar uma vaca em lactação.

A supervisora da área Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, informa que os visitantes terão acesso a informações importantes sobre a correta nutrição para cada fase dos animais, potencializando ao máximo os resultados. “Quem participar dos dois workshops verá detalhadamente a linha do tempo de uma vaca em produção, desde o nascimento até o início da lactação”.

No primeiro momento, no workshop da manhã, com início às 9 horas e duração de 50 minutos, os pecuaristas serão informados sobre nutrições líquida e sólida para bezerras e novilhas. “Serão apresentadas todas as opções disponíveis de ração para o desenvolvimento e precocidade das novilhas” destaca Josiane, observando que o objetivo desse trabalho é demonstrar como desenvolver corretamente uma bezerra para que se torne uma vaca de alto desempenho.

Durante o primeiro workshop, os visitantes aprenderão sobre o manejo da diluição do sucedâneo do leite (leite em pó), a melhor temperatura da água para diluição, a recomendada densidade e qual volume deve ser fornecido de acordo com o peso da bezerra. Os conteúdos serão repassados, pela manhã e à tarde, para grupo de até 50 pessoas. “Estamos animados com essa novidade, porque a pecuária de leite é uma atividade das mais relevantes principalmente para as pequenas propriedades rurais” destaca o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli.

Na segunda etapa, com início às 13h30, o workshop trabalhará nutrição de vacas em lactação. “Vamos abordar como equilibrar a dieta desses animais de acordo com a sua produção, importância da qualidade dos ingredientes, como silagem e outros volumosos, e também demonstrar a variedade de rações que a Coopavel oferece em seu portfólio para otimizar a produção de leite” explica Josiane, que é mestre em Produção Sustentável e Saúde Animal. Quem participar dos workshops terá acesso a amostras de produtos que a cooperativa disponibiliza à nutrição de bovinos de leite.

Durante a programação da área pecuária, nos três dias da edição de inverno do Show Rural, haverá também o compartilhamento de informações de bons resultados no campo, comprovando a eficácia das rações Coopavel. “Esperamos que, com as orientações que receberão, os pecuaristas consigam alcançar o máximo desempenho de seus plantéis” conforme Josiane.

O evento

O Show Rural Coopavel de Inverno, em sua quinta edição, será realizado de 27 a 29 de agosto, no parque tecnológico da cooperativa, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Os portões serão abertos, diariamente, às 8h30. O acesso ao parque e o uso de vagas do estacionamento serão gratuitos.

Fonte: Assessoria Show Rural Coopavel
Continue Lendo
AJINOMOTO SUÍNOS – 2024

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.