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Safra de trigo deverá ser marcada pela racionalização dos recursos
Nos últimos dois anos, a escalada de preços dos insumos acompanhou a cotação dos grãos no mercado internacional. No trigo, os principais custos de produção estão nos insumos (fertilizantes, defensivos e sementes) e operações na lavoura (combustível, tratos culturais, transporte). A maior alta foi nos fertilizantes, que subiram mais de 100% no último ano.

O cenário de alta no preço dos insumos exige planejamento para reduzir os custos da lavoura de inverno, mas sem comprometer o potencial produtivo. Veja quais são as tendências para a próxima safra e as orientações para a melhor racionalização dos recursos que serão investidos na cultura do trigo.
Nos últimos dois anos, a escalada de preços dos insumos acompanhou a cotação dos grãos no mercado internacional. No trigo, os principais custos de produção estão nos insumos (fertilizantes, defensivos e sementes) e operações na lavoura (combustível, tratos culturais, transporte). A maior alta foi nos fertilizantes, que subiram mais de 100% no último ano.
Na estimativa de custos de produção do Deral/PR, na safra 2022 a lavoura de trigo deverá custar R$ 4.223,27/ha. Os insumos que mais impactaram no aumento foram fertilizantes, que compõem 27,25% dos custos variáveis, operações de máquinas e implementos que representam 10%, agrotóxicos com 8,48% e sementes com 7,37%.
Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral/PR, considerando a cotação atual de R$ 88,00/sc de trigo, a produtividade precisa atingir os 48 sc/ha para empatar o desembolso, mas a média de produtividade no Paraná nos últimos cinco anos tem sido de 42 sc/ha. “Verificamos um aumento de 73% nos custos de produção de trigo no Paraná com relação à safra 2021”, explica Godinho.
Ele lembra que o milho, principal concorrente do trigo no norte do Paraná, também está com preços elevados. “Com a saída da soja mais cedo, os produtores tendem a destinar as lavouras para o milho safrinha”, conta o agrônomo. Na prática, os insumos para o milho são adquiridos pelo produtor paranaense ainda no mês de setembro, enquanto os insumos do trigo geralmente são comprados no começo do ano.
Flávia Starling Soares, analista de mercado de trigo da Conab, avalia que os custos de produção de todas as commodities subiram. “Não é uma exclusividade do trigo, mas de todos os grãos que tem por referência a cotação internacional”, afirma a analista, destacando que essa tendência de alta nos preços observada nos dois últimos anos deverá seguir em 2022, devido à alta cambial, aos baixos estoques mundiais e frustrações em diversas regiões produtoras de trigo.
“O preço do trigo deverá continuar a subir ao longo do ano. Os preços domésticos não apresentaram tendência de baixa durante a colheita, o que normalmente ocorre devido ao aumento gradual da oferta interna e menor necessidade de importação. Além disso, como muitos produtores já estão com os insumos comprados, os custos de produção deverão ficar mais baixos no balanço final, considerando uma boa produtividade na safra de inverno”.
Como economizar na lavoura
O trigo exige um mínimo de tecnologia para ser produzido, mas práticas promotoras e protetoras do potencial produtivo da lavoura precisam ser avaliadas de acordo com o retorno econômico que proporcionam. Maior produtividade nem sempre se traduz em maior lucro no trigo, enquanto que rendimentos de grãos acima da média geralmente são resultado do alto investimento em insumos.
“É importante manter um equilíbrio das contas agora, na implantação da lavoura. O ideal é alcançar o maior rendimento de grãos associado à máxima rentabilidade possível. Contudo, muitas vezes, é mais vantajoso para o produtor assumir um teto de rendimento menor, mas com boa rentabilidade”, orienta João Leonardo Pires, pesquisador da Embrapa Trigo.
A pesquisa identificou diversas formas de ajustar o manejo da lavoura, reduzindo custos e mantendo o potencial produtivo. Alguns exemplos são: escolha da cultivar mais apropriada para cada modelo de negócio/ambiente de cultivo; redução na densidade de semeadura; ajuste de adubação; evitar produtos/práticas com resultados duvidosos; rotação de culturas; sistema plantio direto bem conduzido; controles fitossanitários por monitoramento e não por calendário; entre outros, que variam conforme o potencial produtivo e os riscos da região, o histórico da propriedade e do clima.
“O conselho é não errar na hora de economizar na lavoura de trigo. Não adianta economizar na compra de sementes certificadas, reduzir a adubação para níveis limitantes e manter um calendário de aplicações de fungicidas, sem monitoramento da lavoura para avaliar o que realmente é necessário nos diferentes momentos do desenvolvimento da cultura. É fundamental deixar de usar de um pacote de insumos/práticas fixo e aplicar, com a ajuda da assistência técnica, o que realmente é necessário para cada situação. Sabendo onde fazer economia, o produtor pode construir uma lavoura com bom potencial de forma racional e com base técnica”, explica Pires.
Fertilizantes
Os fertilizantes compõem parte significativa dos custos de produção, historicamente representando entre 25% a 30% do investimento na lavoura. Entre os cinco principais fertilizantes nitrogenados utilizados na cultura do trigo, o preço por tonelada ficou em média 127% mais caro, com aumento que variou de 38% a 182% conforme o produto. A tonelada de ureia, por exemplo, passou de R$ 1.940 (dez 2020) para R$ 5.355 (dez 2021), segundo o Relatório de Insumos Agropecuários da Conab. Outro exemplo é a fórmula NPK 05-20-20, com aumento que chegou a 163% no último ano.
Mas, segundo o pesquisador Fabiano De Bona, da Embrapa Trigo, a adubação nitrogenada está diretamente relacionada à produtividade no trigo: “A aplicação de N ao solo no cultivo do trigo é uma das práticas de manejo mais seguras em relação ao retorno econômico. As pesquisas demonstram que a eficiência no uso de N oscila entre 12 a 21 quilos de grãos para cada quilo de N adicionado”, esclarece o pesquisador.
A ureia é o principal fertilizante utilizado no trigo devido ao menor custo por unidade de nutriente dentre os adubos nitrogenados disponíveis no mercado. A quantidade de N recomendada pela pesquisa é de 60 a 120kg/ha, aplicando de 15 a 20kg/ha na semeadura e o restante em cobertura (perfilhamento e alongamento do colmo das plantas). A aplicação de N no espigamento geralmente não aumenta o rendimento de grãos, mas pode favorecer o aumento no teor de proteínas.
De modo geral, a dose na adubação nitrogenada varia em função do teor de matéria orgânica, da cultura precedente, da região e da expectativa de rendimento.
Aproveitamento do residual da cultura de verão
A estiagem que prejudicou a safra de verão em diversos locais da Região Sul pode alterar a demanda de adubo no plantio de inverno. O baixo desenvolvimento da soja e do milho em função da estiagem não permitiu que a cultura aproveitasse todo o adubo disponibilizado no solo, assim o produtor poderá contar com esse residual para a cultura de inverno. Entre os fertilizantes que devem estar imobilizados no solo em área prejudicadas pela estiagem estão o fósforo e o potássio.
“Acredito que, em muitas áreas, seja necessário apenas o aporte de nitrogênio para a semeadura do trigo. Um importante incentivo para a implantação de uma cultura no inverno num momento de escassez de fertilizantes no mercado mundial, o que exige o máximo aproveitamento dos nutrientes que estão no solo agora e podem ser perdidos até a próxima safra de verão”, explica o pesquisador Fabiano De Bona. O efeito residual deixado pela cultura de verão deve ser determinado através de um diagnóstico de fertilidade, possível através da análise de solo, procedimento com um baixo custo para o produtor.

Análise do solo – Foto: Rafael da Rocha
“Se o produtor colheu 12 sacos de soja, por exemplo, mas adubou para uma colheita de 40 sacos, ele sabe que sobrou adubo no solo. Mas o produtor não pode estimar o efeito residual sem uma análise de solo que indique seguramente o volume de adubo necessário a cada área de plantio. Precisamos saber exatamente onde investir, utilizando os nutrientes que o solo dispõe e adicionando somente o que for necessário”, explica o pesquisador Osmar Conte, da Embrapa Trigo.
Fungicidas
Os defensivos são o terceiro item de maior dispêndio na lavoura de trigo, logo atrás dos fertilizantes e operações de máquinas. O maior custo é com fungicidas, especialmente em anos com clima adverso, onde a umidade favorece a incidência de doenças fúngicas.
Entre os 10 fungicidas mais utilizados na cultura do trigo (base triazóis + estrubirulinas), a média de aumento no preço por litro chegou a 30%, com uma variação de aumento entre 5% e 72% conforme o produto na comparação dezembro de 2020 com dezembro de 2021 (Conab, Insumos Agropecuários RS).
Para a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo, a economia com defensivos está associada a cultivares com melhor sanidade e monitoramento da lavoura. “Em anos mais secos, uma cultivar resistente a oídio vai exigir menos fungicidas ao longo do desenvolvimento da cultura, assim como a resistência a ferrugens e manchas foliares. O cuidado maior é a partir do espigamento, onde o uso do fungicida é indicado preventivamente para o controle de giberela, quando houver condições climáticas favoráveis à doença. Com o monitoramento da lavoura podemos reduzir o número de aplicações, intervindo no momento certo para o controle. Assim, o manejo eficiente dos defensivos pode resultar em economia e lucro final para o produtor”.
Sementes
O preço das sementes acompanhou o aumento nas cotações do trigo. Ainda assim, as sementes representam somente 7,37% dos custos de produção na triticultura (Deral, 2021).
O uso de sementes de qualidade é fundamental para assegurar o potencial de rendimento no trigo, garantindo um estabelecimento adequado da lavoura. O uso de semente salva é autorizado pela legislação brasileira, mas a aquisição de semente certificada vai garantir quatro itens fundamentais para o sucesso de uma boa lavoura: pureza genética, ou seja, sementes da cultivar desejada, sem misturas; pureza física, com garantia de que no mínimo 98% do que está dentro do saco são sementes da cultivar; sanidade, com sementes sadias que não introduzirão nenhuma doença na lavoura; e por fim, a qualidade fisiológica, em sementes com alta germinação.
Outro cuidado indispensável é o tratamento de sementes, um custo que varia entre R$ 0,70 e R$ 1,00/kg e pode trazer mais segurança com relação ao estabelecimento da cultura, reduzindo perdas pelo ataque de insetos e doenças. Atualmente, o preço de sementes de trigo prontas para a semeadura está ao redor de R$ 2,90/kg no mercado gaúcho (Apassul, janeiro de 2022)..
Além da qualidade, a quantidade de sementes é um critério que merece atenção na semeadura. Um estudo da Embrapa Trigo e CCGL/RTC avaliou os limites para reduzir a quantidade de sementes por hectare sem prejudicar o rendimento final da lavoura. Conforme o estudo, uma média segura fica na faixa de 250 sementes aptas por metro quadrado, cerca de 86 kg/ha, considerando semente de qualidade.
Para definir o adequado manejo na densidade de plantas, o produtor precisa conhecer o histórico da área e o potencial genético da cultivar que está usando. A recomendação é sempre avaliar as possibilidades com a assistência técnica e a empresa obtentora da cultivar.
Momento de definição do produtor
Grande parte da comercialização de insumos para a safra de inverno acontece agora na Região Sul, com exceção do norte do Paraná onde a decisão entre trigo ou milho safrinha já foi definida no ano anterior. Embora exista um cálculo modelo para estimar os custos de produção, os itens de dispêndio podem variar entre instituições, empresas e consultorias especializadas. Importante destacar, ainda, que cada produtor tem o seu custo e deve fazer os ajustes baseado na sua realidade, já que o controle de custos é fundamental para gerar lucro.
Vacaria, Nordeste gaúcho

Produtor Pedro Basso – Foto: Divulgação
Na propriedade da Sementes com Vigor, o trigo deverá repetir a mesma área de 2021, cobrindo 1.250 hectares. Com os insumos já comprados, o produtor Pedro Basso estima um aumento de 66% nos custos de produção: a produção de sementes de trigo apresentou custos variáveis de R$ 3.000,00/ha em 2021, passando para R$ 5.000,00/ha nesta safra. “Nossa produtividade média em 2021 foi de 92 sacos por hectare. Mesmo com o aumento dos insumos, acredito que ainda teremos lucro com o trigo novamente neste ano”, avalia Pedro.
O produtor aposta no uso de plantas de cobertura após a retirada da soja para potencializar os resultados no inverno, como o uso de mix com nabo ou ervilha, para reduzir a incidência de plantas daninhas na área e a reciclagem de nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K).
“Essa cobertura reduz as plantas daninhas e pode até eliminar a necessidade de herbicida pós-emergente no trigo, que custa até 1,5 saco por hectare. A cobertura também vai reduzir o gasto com adubação, tanto com fertilizantes nitrogenados quanto fosfatados”, explica o Pedro, destacando a importância do planejamento do ano na área.
“O trigo é essencial para definir a lavoura de verão. O bom resultado da última safra de inverno salvou muito produtor que está enfrentando prejuízos com a seca na soja e no milho agora, até porque a maioria das perdas está nas semeaduras de soja no cedo, que não tiveram colheita de inverno”.
Apostando nos bons resultados com a safra de inverno, Pedro Basso defende que não é hora para fazer lavoura de “baixo investimento”, mas sim planejar o sistema de produção, dividindo a área de inverno em 20% para alto potencial produtivo, 60% médio investimento e 20% investimento mínimo. “Se o clima for favorável, toda a lavoura responde bem, mas se houverem adversidades, uma lavoura sem insumos não vai responder e o prejuízo é certo. É preciso administrar o investimento visando o melhor retorno financeiro possível, seja no trigo ou na soja lá na frente”.
Mamborê, Centro-Oeste do Paraná
O produtor Flávio Moreira aguarda a colheita da soja para começar a semeadura do milho safrinha, com janela de plantio na região até 28 de fevereiro. Em 2021, a lavoura foi dividida em 25% de milho e 75% de trigo. Nesta safra, a área será dividida em 50% milho e 50% trigo. Apesar do aumento de 20% nos custos de produção do milho, a expectativa é de rentabilidade mais alta do que o trigo, já que os insumos para o cereal de inverno ainda não foram comprados.
“Na média dos últimos quatro anos a rentabilidade do milho safrinha superou a do trigo. Na nossa região, o trigo também oferece maior risco de perdas com seca e geadas”, justifica o produtor, com ressalvas: “Espero umidade do solo para implantar o milho, mas se as condições climáticas limitarem a semeadura, sem dúvidas o trigo é a segunda opção. Além da oportunidade de renda maior do que plantas de cobertura de inverno, o trigo ainda ajuda no controle de plantas daninhas na soja e permite a rotação de culturas”.
O planejamento inicial do produtor é investir em cerca de 500 hectares de trigo neste ano.
Cruz Alta, Norte gaúcho
“Os nossos custos de produção na lavoura para sementes de trigo devem subir 70% neste ano”, avalia o produtor

Produtor Tomás Scapin – Foto: Divulgação
Tomás Scapin, da ZT Sementes. Segundo ele, somente a adubação deverá representar 15 sc/ha. O custo total da lavoura está estimado em 45 sc/ha, ainda com uma pequena margem de lucro considerando a média de produtividade dos últimos anos, que tem ficado entre 55 a 60 sc/ha.
“Ao contrário da previsão inicial, acredito que a área de trigo vai crescer novamente. O produtor que atravessa frustração com a safra de soja vai buscar renda na safra de inverno, mesmo que as margens de lucro sejam menores neste ano”, afirma Scapin.
O produtor diz que tem observado uma demanda crescente do Paraná pelo trigo gaúcho, já que a preferência pelo milho pode reduzir a oferta de grãos de inverno no estado paranaense. “Compra de sementes por outros estados e mesmo contratos futuros para o trigo gaúcho já estão acontecendo. Por mais que a área com trigo no RS cresça novamente, a demanda será ainda maior, o que vai garantir liquidez e elevação das cotações. Cabe agora ao produtor fazer uma lavoura bem feita, com cultivares mais resistentes, investindo na uréia e economizando nos defensivos sempre que possível. Até porque, não existe alternativa melhor do que o trigo para a rotação no inverno”, conclui Scapin. A ZT Sementes vai cobrir 450 hectares com trigo na próxima safra.
Maçambará, Oeste gaúcho
O produtor Leonardo de Oliveira Carneiro, de Maçambará, região Oeste de Rio Grande do Sul, experimentou trigo pela primeira vez em 2021, com o cultivo de 132 ha. Na colheita, a média de rendimentos superou os 40 sc/ha. “Foi um bom resultado, considerando que na região o cultivo de grãos ainda está começando sobre as áreas onde existia somente campo nativo”, lembra o produtor.
Ele ainda contabiliza as perdas com a soja: “Na lavoura de soja, apenas 20% das sementes germinaram. O mesmo aconteceu com a maioria das lavouras da região, onde os produtores aguardam umidade para arriscar uma nova semeadura na safrinha de soja”, afirma Carneiro.
Ciente do potencial de aproveitamento do adubo que pode ficar no solo com a frustração do verão, Carneiro vai repetir a área com trigo em 2022, investindo nas sementes que já foram compradas e limitando a adubação nitrogenada em cerca de 100 kg/ha.
“Nossos custos de produção ficaram em R$ 2.000,00 no ano passado e a ideia é tentar manter estes custos nesta safra de trigo. Temos a esperança de que a cotação do trigo irá se manter alta, assim a renda do inverno será fundamental para equilibrar as contas e viabilizar a próxima safra de verão”, conta o produtor.

Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional
Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação” – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.
Notícias
Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.




