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Safra de trigo deverá ser marcada pela racionalização dos recursos

Nos últimos dois anos, a escalada de preços dos insumos acompanhou a cotação dos grãos no mercado internacional. No trigo, os principais custos de produção estão nos insumos (fertilizantes, defensivos e sementes) e operações na lavoura (combustível, tratos culturais, transporte). A maior alta foi nos fertilizantes, que subiram mais de 100% no último ano.

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O cenário de alta no preço dos insumos exige planejamento para reduzir os custos da lavoura de inverno, mas sem comprometer o potencial produtivo. Veja quais são as tendências para a próxima safra e as orientações para a melhor racionalização dos recursos que serão investidos na cultura do trigo.

Nos últimos dois anos, a escalada de preços dos insumos acompanhou a cotação dos grãos no mercado internacional. No trigo, os principais custos de produção estão nos insumos (fertilizantes, defensivos e sementes) e operações na lavoura (combustível, tratos culturais, transporte). A maior alta foi nos fertilizantes, que subiram mais de 100% no último ano.

Na estimativa de custos de produção do Deral/PR, na safra 2022 a lavoura de trigo deverá custar R$ 4.223,27/ha. Os insumos que mais impactaram no aumento foram fertilizantes, que compõem 27,25% dos custos variáveis, operações de máquinas e implementos que representam 10%, agrotóxicos com 8,48% e sementes com 7,37%.

Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral/PR, considerando a cotação atual de R$ 88,00/sc de trigo, a produtividade precisa atingir os 48 sc/ha para empatar o desembolso, mas a média de produtividade no Paraná nos últimos cinco anos tem sido de 42 sc/ha. “Verificamos um aumento de 73% nos custos de produção de trigo no Paraná com relação à safra 2021”, explica Godinho.

Ele lembra que o milho, principal concorrente do trigo no norte do Paraná, também está com preços elevados. “Com a saída da soja mais cedo, os produtores tendem a destinar as lavouras para o milho safrinha”, conta o agrônomo. Na prática, os insumos para o milho são adquiridos pelo produtor paranaense ainda no mês de setembro, enquanto os insumos do trigo geralmente são comprados no começo do ano.

Flávia Starling Soares, analista de mercado de trigo da Conab, avalia que os custos de produção de todas as commodities subiram. “Não é uma exclusividade do trigo, mas de todos os grãos que tem por referência a cotação internacional”, afirma a analista, destacando que essa tendência de alta nos preços observada nos dois últimos anos deverá seguir em 2022, devido à alta cambial, aos baixos estoques mundiais e frustrações em diversas regiões produtoras de trigo.

“O preço do trigo deverá continuar a subir ao longo do ano. Os preços domésticos não apresentaram tendência de baixa durante a colheita, o que normalmente ocorre devido ao aumento gradual da oferta interna e menor necessidade de importação. Além disso, como muitos produtores já estão com os insumos comprados, os custos de produção deverão ficar mais baixos no balanço final, considerando uma boa produtividade na safra de inverno”.

Como economizar na lavoura

O trigo exige um mínimo de tecnologia para ser produzido, mas práticas promotoras e protetoras do potencial produtivo da lavoura precisam ser avaliadas de acordo com o retorno econômico que proporcionam. Maior produtividade nem sempre se traduz em maior lucro no trigo, enquanto que rendimentos de grãos acima da média geralmente são resultado do alto investimento em insumos.

“É importante manter um equilíbrio das contas agora, na implantação da lavoura. O ideal é alcançar o maior rendimento de grãos associado à máxima rentabilidade possível. Contudo, muitas vezes, é mais vantajoso para o produtor assumir um teto de rendimento menor, mas com boa rentabilidade”, orienta João Leonardo Pires, pesquisador da Embrapa Trigo.

A pesquisa identificou diversas formas de ajustar o manejo da lavoura, reduzindo custos e mantendo o potencial produtivo. Alguns exemplos são: escolha da cultivar mais apropriada para cada modelo de negócio/ambiente de cultivo; redução na densidade de semeadura; ajuste de adubação; evitar produtos/práticas com resultados duvidosos; rotação de culturas; sistema plantio direto bem conduzido; controles fitossanitários por monitoramento e não por calendário; entre outros, que variam conforme o potencial produtivo e os riscos da região, o histórico da propriedade e do clima.

“O conselho é não errar na hora de economizar na lavoura de trigo. Não adianta economizar na compra de sementes certificadas, reduzir a adubação para níveis limitantes e manter um calendário de aplicações de fungicidas, sem monitoramento da lavoura para avaliar o que realmente é necessário nos diferentes momentos do desenvolvimento da cultura. É fundamental deixar de usar de um pacote de insumos/práticas fixo e aplicar, com a ajuda da assistência técnica, o que realmente é necessário para cada situação. Sabendo onde fazer economia, o produtor pode construir uma lavoura com bom potencial de forma racional e com base técnica”, explica Pires.

Fertilizantes

Os fertilizantes compõem parte significativa dos custos de produção, historicamente representando entre 25% a 30% do investimento na lavoura. Entre os cinco principais fertilizantes nitrogenados utilizados na cultura do trigo, o preço por tonelada ficou em média 127% mais caro, com aumento que variou de 38% a 182% conforme o produto. A tonelada de ureia, por exemplo, passou de R$ 1.940 (dez 2020) para R$ 5.355 (dez 2021), segundo o Relatório de Insumos Agropecuários da Conab. Outro exemplo é a fórmula NPK 05-20-20, com aumento que chegou a 163% no último ano.

Mas, segundo o pesquisador Fabiano De Bona, da Embrapa Trigo, a adubação nitrogenada está diretamente relacionada à produtividade no trigo: “A aplicação de N ao solo no cultivo do trigo é uma das práticas de manejo mais seguras em relação ao retorno econômico. As pesquisas demonstram que a eficiência no uso de N oscila entre 12 a 21 quilos de grãos para cada quilo de N adicionado”, esclarece o pesquisador.

A ureia é o principal fertilizante utilizado no trigo devido ao menor custo por unidade de nutriente dentre os adubos nitrogenados disponíveis no mercado. A quantidade de N recomendada pela pesquisa é de 60 a 120kg/ha, aplicando de 15 a 20kg/ha na semeadura e o restante em cobertura (perfilhamento e alongamento do colmo das plantas). A aplicação de N no espigamento geralmente não aumenta o rendimento de grãos, mas pode favorecer o aumento no teor de proteínas.

De modo geral, a dose na adubação nitrogenada varia em função do teor de matéria orgânica, da cultura precedente, da região e da expectativa de rendimento.

Aproveitamento do residual da cultura de verão

A estiagem que prejudicou a safra de verão em diversos locais da Região Sul pode alterar a demanda de adubo no plantio de inverno. O baixo desenvolvimento da soja e do milho em função da estiagem não permitiu que a cultura aproveitasse todo o adubo disponibilizado no solo, assim o produtor poderá contar com esse residual para a cultura de inverno. Entre os fertilizantes que devem estar imobilizados no solo em área prejudicadas pela estiagem estão o fósforo e o potássio.

“Acredito que, em muitas áreas, seja necessário apenas o aporte de nitrogênio para a semeadura do trigo. Um importante incentivo para a implantação de uma cultura no inverno num momento de escassez de fertilizantes no mercado mundial, o que exige o máximo aproveitamento dos nutrientes que estão no solo agora e podem ser perdidos até a próxima safra de verão”, explica o pesquisador Fabiano De Bona. O efeito residual deixado pela cultura de verão deve ser determinado através de um diagnóstico de fertilidade, possível através da análise de solo, procedimento com um baixo custo para o produtor.

Análise do solo – Foto: Rafael da Rocha

“Se o produtor colheu 12 sacos de soja, por exemplo, mas adubou para uma colheita de 40 sacos, ele sabe que sobrou adubo no solo. Mas o produtor não pode estimar o efeito residual sem uma análise de solo que indique seguramente o volume de adubo necessário a cada área de plantio. Precisamos saber exatamente onde investir, utilizando os nutrientes que o solo dispõe e adicionando somente o que for necessário”, explica o pesquisador Osmar Conte, da Embrapa Trigo.

Fungicidas

Os defensivos são o terceiro item de maior dispêndio na lavoura de trigo, logo atrás dos fertilizantes e operações de máquinas. O maior custo é com fungicidas, especialmente em anos com clima adverso, onde a umidade favorece a incidência de doenças fúngicas.

Entre os 10 fungicidas mais utilizados na cultura do trigo (base triazóis + estrubirulinas), a média de aumento no preço por litro chegou a 30%, com uma variação de aumento entre 5% e 72% conforme o produto na comparação dezembro de 2020 com dezembro de 2021 (Conab, Insumos Agropecuários RS).

Para a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo, a economia com defensivos está associada a cultivares com melhor sanidade e monitoramento da lavoura. “Em anos mais secos, uma cultivar resistente a oídio vai exigir menos fungicidas ao longo do desenvolvimento da cultura, assim como a resistência a ferrugens e manchas foliares. O cuidado maior é a partir do espigamento, onde o uso do fungicida é indicado preventivamente para o controle de giberela, quando houver condições climáticas favoráveis à doença. Com o monitoramento da lavoura podemos reduzir o número de aplicações, intervindo no momento certo para o controle. Assim, o manejo eficiente dos defensivos pode resultar em economia e lucro final para o produtor”.

Sementes

O preço das sementes acompanhou o aumento nas cotações do trigo. Ainda assim, as sementes representam somente 7,37% dos custos de produção na triticultura (Deral, 2021).

O uso de sementes de qualidade é fundamental para assegurar o potencial de rendimento no trigo, garantindo um estabelecimento adequado da lavoura. O uso de semente salva é autorizado pela legislação brasileira, mas a aquisição de semente certificada vai garantir quatro itens fundamentais para o sucesso de uma boa lavoura: pureza genética, ou seja, sementes da cultivar desejada, sem misturas; pureza física, com garantia de que no mínimo 98% do que está dentro do saco são sementes da cultivar; sanidade, com sementes sadias que não introduzirão nenhuma doença na lavoura; e por fim, a qualidade fisiológica, em sementes com alta germinação.

Outro cuidado indispensável é o tratamento de sementes, um custo que varia entre R$ 0,70 e R$ 1,00/kg e pode trazer mais segurança com relação ao estabelecimento da cultura, reduzindo perdas pelo ataque de insetos e doenças. Atualmente, o preço de sementes de trigo prontas para a semeadura está ao redor de R$ 2,90/kg no mercado gaúcho (Apassul, janeiro de 2022)..

Além da qualidade, a quantidade de sementes é um critério que merece atenção na semeadura. Um estudo da Embrapa Trigo e CCGL/RTC avaliou os limites para reduzir a quantidade de sementes por hectare sem prejudicar o rendimento final da lavoura. Conforme o estudo, uma média segura fica na faixa de 250 sementes aptas por metro quadrado, cerca de 86 kg/ha, considerando semente de qualidade.

Para definir o adequado manejo na densidade de plantas, o produtor precisa conhecer o histórico da área e o potencial genético da cultivar que está usando. A recomendação é sempre avaliar as possibilidades com a assistência técnica e a empresa obtentora da cultivar.

Momento de definição do produtor

Grande parte da comercialização de insumos para a safra de inverno acontece agora na Região Sul, com exceção do norte do Paraná onde a decisão entre trigo ou milho safrinha já foi definida no ano anterior. Embora exista um cálculo modelo para estimar os custos de produção, os itens de dispêndio podem variar entre instituições, empresas e consultorias especializadas. Importante destacar, ainda, que cada produtor tem o seu custo e deve fazer os ajustes baseado na sua realidade, já que o controle de custos é fundamental para gerar lucro.

Vacaria, Nordeste gaúcho

Produtor Pedro Basso – Foto: Divulgação

Na propriedade da Sementes com Vigor, o trigo deverá repetir a mesma área de 2021, cobrindo 1.250 hectares.  Com os insumos já comprados, o produtor Pedro Basso estima um aumento de 66% nos custos de produção: a produção de sementes de trigo apresentou custos variáveis de R$ 3.000,00/ha em 2021, passando para R$ 5.000,00/ha nesta safra. “Nossa produtividade média em 2021 foi de 92 sacos por hectare. Mesmo com o aumento dos insumos, acredito que ainda teremos lucro com o trigo novamente neste ano”, avalia Pedro.

O produtor aposta no uso de plantas de cobertura após a retirada da soja para potencializar os resultados no inverno, como o uso de mix com nabo ou ervilha, para reduzir a incidência de plantas daninhas na área e a reciclagem de nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K).

“Essa cobertura reduz as plantas daninhas e pode até eliminar a necessidade de herbicida pós-emergente no trigo, que custa até 1,5 saco por hectare. A cobertura também vai reduzir o gasto com adubação, tanto com fertilizantes nitrogenados quanto fosfatados”, explica o Pedro, destacando a importância do planejamento do ano na área.

“O trigo é essencial para definir a lavoura de verão. O bom resultado da última safra de inverno salvou muito produtor que está enfrentando prejuízos com a seca na soja e no milho agora, até porque a maioria das perdas está nas semeaduras de soja no cedo, que não tiveram colheita de inverno”.

Apostando nos bons resultados com a safra de inverno, Pedro Basso defende que não é hora para fazer lavoura de “baixo investimento”, mas sim planejar o sistema de produção, dividindo a área de inverno em 20% para alto potencial produtivo, 60% médio investimento e 20% investimento mínimo. “Se o clima for favorável, toda a lavoura responde bem, mas se houverem adversidades, uma lavoura sem insumos não vai responder e o prejuízo é certo. É preciso administrar o investimento visando o melhor retorno financeiro possível, seja no trigo ou na soja lá na frente”.

Mamborê, Centro-Oeste do Paraná

O produtor Flávio Moreira aguarda a colheita da soja para começar a semeadura do milho safrinha, com janela de plantio na região até 28 de fevereiro. Em 2021, a lavoura foi dividida em 25% de milho e 75% de trigo. Nesta safra, a área será dividida em 50% milho e 50% trigo. Apesar do aumento de 20% nos custos de produção do milho, a expectativa é de rentabilidade mais alta do que o trigo, já que os insumos para o cereal de inverno ainda não foram comprados.

“Na média dos últimos quatro anos a rentabilidade do milho safrinha superou a do trigo. Na nossa região, o trigo também oferece maior risco de perdas com seca e geadas”, justifica o produtor, com ressalvas: “Espero umidade do solo para implantar o milho, mas se as condições climáticas limitarem a semeadura, sem dúvidas o trigo é a segunda opção. Além da oportunidade de renda maior do que plantas de cobertura de inverno, o trigo ainda ajuda no controle de plantas daninhas na soja e permite a rotação de culturas”.

O planejamento inicial do produtor é investir em cerca de 500 hectares de trigo neste ano.

Cruz Alta, Norte gaúcho

“Os nossos custos de produção na lavoura para sementes de trigo devem subir 70% neste ano”, avalia o produtor

Produtor Tomás Scapin – Foto: Divulgação

Tomás Scapin, da ZT Sementes. Segundo ele, somente a adubação deverá representar 15 sc/ha. O custo total da lavoura está estimado em 45 sc/ha, ainda com uma pequena margem de lucro considerando a média de produtividade dos últimos anos, que tem ficado entre 55 a 60 sc/ha.

“Ao contrário da previsão inicial, acredito que a área de trigo vai crescer novamente. O produtor que atravessa frustração com a safra de soja vai buscar renda na safra de inverno, mesmo que as margens de lucro sejam menores neste ano”, afirma Scapin.

O produtor diz que tem observado uma demanda crescente do Paraná pelo trigo gaúcho, já que a preferência pelo milho pode reduzir a oferta de grãos de inverno no estado paranaense. “Compra de sementes por outros estados e mesmo contratos futuros para o trigo gaúcho já estão acontecendo. Por mais que a área com trigo no RS cresça novamente, a demanda será ainda maior, o que vai garantir liquidez e elevação das cotações. Cabe agora ao produtor fazer uma lavoura bem feita, com cultivares mais resistentes, investindo na uréia e economizando nos defensivos sempre que possível. Até porque, não existe alternativa melhor do que o trigo para a rotação no inverno”, conclui Scapin. A ZT Sementes vai cobrir 450 hectares com trigo na próxima safra.

Maçambará, Oeste gaúcho

O produtor Leonardo de Oliveira Carneiro, de Maçambará, região Oeste de Rio Grande do Sul, experimentou trigo pela  primeira vez em 2021, com o cultivo de 132 ha. Na colheita, a média de rendimentos superou os 40 sc/ha. “Foi um bom resultado, considerando que na região o cultivo de grãos ainda está começando sobre as áreas onde existia somente campo nativo”, lembra o produtor.

Ele ainda contabiliza as perdas com a soja: “Na lavoura de soja, apenas 20% das sementes germinaram. O mesmo aconteceu com a maioria das lavouras da região, onde os produtores aguardam umidade para arriscar uma nova semeadura na safrinha de soja”, afirma Carneiro.

Ciente do potencial de aproveitamento do adubo que pode ficar no solo com a frustração do verão, Carneiro vai repetir a área com trigo em 2022, investindo nas sementes que já foram compradas e limitando a adubação nitrogenada em cerca de 100 kg/ha.

“Nossos custos de produção ficaram em R$ 2.000,00 no ano passado e a ideia é tentar manter estes custos nesta safra de trigo. Temos a esperança de que a cotação do trigo irá se manter alta, assim a renda do inverno será fundamental para equilibrar as contas e viabilizar a próxima safra de verão”, conta o produtor.

Fonte: Embrapa Trigo

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Vendas externas do Paraná avançam em mercados asiáticos e europeus

Exportações para seis países cresceram significativamente no primeiro bimestre e já representam mais de 10% do total embarcado pelo estado.

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Foto: Jonathan Campos

As exportações paranaenses para alguns mercados asiáticos e europeus cresceram de forma significativa neste ano. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), organizados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), as vendas estaduais para Japão, Singapura e Filipinas avançaram, respectivamente, 107%, 103% e 124% no 1º bimestre de 2026, em comparação a idêntico período de 2025. Ou seja, dobraram de tamanho.

No caso das vendas para o mercado japonês, o aumento foi sustentado principalmente pela carne de frango, enquanto as exportações para Singapura e Filipinas apresentaram crescimento alicerçado no petróleo e na carne suína, respectivamente.

Em trajetória similar à desses países asiáticos, as receitas geradas pelo comércio com a Noruega progrediram 176% no 1º bimestre, posicionando-se entre as taxas de crescimento das vendas estaduais para a Polônia (282%) e a Dinamarca (130%). Para a Noruega, o destaque é o incremento das exportações de torneiras e válvulas, e para a Polônia e a Dinamarca a ampliação do comércio envolve o farelo de soja.

Juntos, os seis mercados passaram a responder por 10,1% das exportações totais do Paraná, muito acima da participação de 4,1% registrada nos dois primeiros meses de 2025.

Segundo Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, um dos diferenciais das exportações do Estado diz respeito à diversidade de mercados e produtos, o que as tornam menos dependentes de compradores específicos. “Nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, as mercadorias paranaenses alcançaram 183 mercados, em transações que envolveram cerca de 3 mil itens diferentes”, afirma.

Balança comercial

De maneira geral, o Paraná alcançou US$ 3,1 bilhões em movimentação de vendas para outros países em 2026. Apenas em fevereiro foram US$ 1,7 bilhão. Os principais produtos exportados foram carne de frango (US$ 698 milhões), soja em grão (US$ 425 milhões), farelo de soja (US$ 191 milhões) e papel (US$ 137 milhões). Entre os principais produtos o maior aumento de vendas aconteceu cm óleo de soja bruto, com 98% (de US$ 55 milhões para US$ 110 milhões).

OS principais destinos no primeiro bimestre foram China (US$ 581 milhões), Argentina (US$ 130 milhões), Índia (US$ 108 milhões), Emirados Árabes Unidos (US$ 106,8 milhões) e México (US$ 106,6 milhões). O comércio com a Índia também registrou crescimento expressivo em 2026, chegando a um aumento de 95%.

A balança comercial está no patamar de US$ 434 milhões, que é a diferença entre US$ 3,1 bilhões de exportações e US$ 2,7 bilhões de importações.

Fonte: AEN-PR
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Levantamento nacional quer medir impactos dos javalis na agropecuária brasileira

Pesquisa conduzida pelo Mapa reúne informações de produtores e manejadores para subsidiar ações de controle.

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Foto: Shutterstock

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está conduzindo uma pesquisa nacional para mapear a presença de javalis no meio rural, iniciativa fomentada pelo Grupo de Trabalho (GT) de Javalis do Paraná. A importância do levantamento fez parte da reunião do GT, na terça-feira (10), como forma de reunir informações quantitativas e qualitativas sobre a presença do animal e os impactos no campo. A previsão é que os resultados sejam divulgados no segundo semestre deste ano.

Posteriormente, os dados coletados vão ajudar a dimensionar o avanço da espécie no país e na construção de propostas e pleitos voltados ao enfrentamento do problema que afeta diretamente a produção agropecuária. O questionário está disponível para participação de produtores rurais e manejadores autorizados até 31 de maio.

Presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette: “Esse levantamento é fundamental para que possamos dimensionar o problema” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“Esse levantamento é fundamental para que possamos dimensionar o problema. Com a participação dos nossos produtores, teremos um retrato mais claro da presença dos javalis no campo e dos prejuízos causados. A partir dessas informações, será possível discutir medidas mais eficazes para o controle dessa espécie”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Sistema Faep orienta que produtores rurais que já tenham avistado javalis em suas propriedades e/ou que tenham registrado prejuízos causados pelos animais respondam ao questionário. Mesmo aqueles que não tenham tido contato direto com os animais podem contribuir divulgando a iniciativa para outros produtores que enfrentam essa situação.

A mobilização também inclui os manejadores autorizados que atuam no controle populacional da espécie. Caso o produtor conheça profissionais que realizam esse trabalho, a recomendação é compartilhar o link da pesquisa para ampliar o alcance do levantamento e fortalecer a base de informações sobre o tema.

“Os dados até o momento são preliminares, e o levantamento depende desses questionários complementares”, destaca a representante do Mapa, Juliane Galvani.

Pesquisa para produtores rurais

Pesquisa para manejadores

Cartilha orienta produtores sobre riscos e controle

Como parte das ações de orientação aos produtores rurais, o Sistema Faep elaborou uma cartilha que aborda os riscos causados pelos javalis em diferentes áreas, incluindo impactos econômicos, ambientais e sanitários.

Disponibilizado gratuitamente no site da entidade, o material tem caráter orientativo e reúne informações que vão desde o histórico da presença do animal no Brasil até as normas que regulamentam o controle populacional por meio da caça.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Eficiência na produção animal exige soluções além da nutrição tradicional

Painel da Reunião Anual do CBNA reúne dia 14 de maio especialistas e executivos para discutir soluções que vão além da formulação de dietas para aves, suínos e bovinos.

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Tecnologias emergentes, novas legislações e estratégias produtivas que ultrapassam a nutrição tradicional estarão no centro do painel “Soluções além da nutrição”, marcado para 14 de maio, das 09 às 12 horas, durante a programação técnica da 36ª Reunião Anual do CBNA – Aves, Suínos e Bovinos, que vai ser realizada de 12 a 14 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Coordenado pelo zootecnista membro da Diretoria Técnica do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), Fabio Catunda, o painel reúne executivos e especialistas de empresas líderes para discutir soluções aplicáveis à realidade produtiva brasileira e internacional.

Entre os destaques está a palestra sobre a Lei de Bioinsumos, ministrada pelo CEO da Korin, Luiz Carlos Demattê Filho, que vai abordar impactos regulatórios e oportunidades estratégicas para produtores e indústrias. A programação inclui ainda a apresentação do gerente de Nutrição de Suínos da ADM, Vitor Hugo Moita, que tratará da formulação de dietas para suínos em diferentes mercados, destacando adaptações nutricionais para cenários econômicos e regionais distintos.

O zootecnista membro da Diretoria Técnica do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), Fabio Catunda. “Hoje, eficiência produtiva depende de um olhar sistêmico. Nutrição continua sendo pilar central, mas resultados consistentes exigem integração com tecnologia, legislação, processamento e gestão”.

Na área de processos industriais, o médico veterinário e nutricionista da Seara, Leopoldo Malcorra de Almeida, vai apresentar estratégias para otimizar o retorno produtivo por meio de melhorias nos processos de fabricação na avicultura. Fechando o painel, o representante da Tietjen, Arturo Sánchez Carvajal, vai abordar inovações em moagem fina e controle de qualidade em tempo real como ferramentas para redução de custos e aumento da competitividade. “Hoje, eficiência produtiva depende de um olhar sistêmico. Nutrição continua sendo pilar central, mas resultados consistentes exigem integração com tecnologia, legislação, processamento e gestão. Este painel foi desenhado para entregar exatamente essa visão prática ao participante”, afirma Catunda.

A Reunião Anual do CBNA tem como proposta reunir especialistas da academia e da indústria para discutir tecnologias, tendências e desafios que impactam diretamente a competitividade das cadeias de aves, suínos e bovinos. A expectativa é de que os debates sirvam como base para decisões estratégicas de profissionais, empresas e investidores do setor.

As inscrições com desconto para a Reunião Anual podem ser confirmadas até o dia 25 de março através do site do evento, acesse clicando aqui. Após essas datas, as taxas serão reajustadas. O CBNA vai realizar outros dois eventos simultaneamente no mesmo local. Um deles é o 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, no dia 12 de maio, e outro é o 25º Congresso CBNA Pet, nos dias 13 e 14 de maio. Toda essa programação será paralela à Fenagra, Feira Internacional dedicada à tecnologia e processamento da agroindústria Feed & Food, apoiadora da iniciativa.

Fonte: Assessoria CBNA
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