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Safra de milho exige manejo mais técnico diante de custos altos e maior pressão climática

Com previsão de 138,45 milhões de toneladas em 2025/26, produtores intensificam uso de bioinsumos, manejo de solo e fertilização estratégica para sustentar produtividade e reduzir riscos na safrinha.

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Foto: Shutterstock

A produção de milho no Brasil entra na safra 2025/26 sob um cenário de maior pressão sobre custos, clima e eficiência produtiva. Presente na alimentação humana e animal, na fabricação de etanol e nas exportações brasileiras, o cereal continua estratégico para o agronegócio nacional, mas exige um manejo cada vez mais técnico para manter competitividade no campo.

Foto: Aires Mariga

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 138,45 milhões de toneladas nesta temporada, mantendo o Brasil entre os maiores produtores mundiais de milho. A segunda safra, conhecida como safrinha, segue como principal responsável pelo volume nacional, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba.

Apesar do potencial produtivo, especialistas alertam que os resultados da safra começam a ser definidos muito antes do plantio, principalmente na qualidade do preparo do solo e na eficiência do manejo nutricional.

Solo ganha protagonismo no planejamento da safra

Com margens mais apertadas e maior variabilidade climática, práticas ligadas à conservação e estruturação do solo passaram a ter peso decisivo no desempenho da cultura.

Foto: Shutterstock

Entre as principais recomendações técnicas estão análise química e física do solo, correção da acidez com calcário, uso de gesso agrícola, manutenção de palhada e rotação de culturas. Essas medidas favorecem retenção de água, aprofundamento das raízes e melhor aproveitamento dos nutrientes.

Segundo o engenheiro agrônomo e empresário Leonardo Sodré, o manejo adequado reduz perdas e aumenta a eficiência da planta durante o desenvolvimento da lavoura. “Uma menor lixiviação reduz as perdas de nitrogênio, que é crítico para o milho. Já a tecnologia Stay Green mantém as folhas ativas por mais tempo, aumentando a fotossíntese”, explica.

De acordo com ele, a antecipação de algumas aplicações também se tornou estratégica, principalmente na safrinha, onde a janela operacional é mais curta. “A linha Exclusive oferece aplicação antecipada via solo, com maior compatibilidade, ideal para uma janela de aplicação apertada na safrinha”, pontua.

Fertilização de precisão e bioinsumos no campo

A volatilidade internacional dos fertilizantes também alterou o comportamento do produtor rural. Em vez de ampliar volume aplicado, cresce a busca por aplicações mais eficientes e direcionadas por mapas de fertilidade e análise por talhão.

Foto: Divulgação

O parcelamento do nitrogênio e a adoção de fórmulas específicas conforme necessidade da área vêm ganhando espaço em propriedades de diferentes portes.

Ao mesmo tempo, os bioinsumos ampliam participação no manejo da cultura. Inoculantes, biodefensivos, promotores de crescimento e solubilizadores de fósforo passaram a integrar estratégias voltadas à redução parcial da dependência de produtos químicos convencionais.

Além da sustentabilidade, os produtos biológicos são utilizados para melhorar vigor inicial, absorção de nutrientes e tolerância a estresses climáticos. O engenheiro agrônomo Fellipe Parreira destaca que fatores ambientais continuam sendo um dos principais desafios para o desempenho biológico das lavouras. “As adversidades climáticas que podem afetar a produção incluem temperaturas extremas, excesso ou escassez de água no solo, alta salinidade e baixos valores de pH. Isso pode reduzir a atividade das bactérias simbióticas e comprometer a eficiência da fixação biológica do nitrogênio”, menciona.

Segundo ele, os impactos também atingem diretamente a formação dos nódulos responsáveis pela fixação biológica.

“Déficits de precipitação podem interferir diretamente no processo de formação dos nódulos, prejudicando a produtividade da cultura. As condições climáticas desempenham um papel importante na variabilidade dos resultados observados em diferentes anos de cultivo”, acrescenta.

Rentabilidade da safrinha

Na prática, a safra 2025/26 mostra um produtor mais atento ao planejamento operacional e financeiro. Compra antecipada de insumos, uso compartilhado de máquinas, apoio técnico de cooperativas e monitoramento climático por aplicativos já fazem parte da rotina de muitas propriedades.

Para pequenos e médios produtores, o custo-benefício das tecnologias e a integração com manejos tradicionais explicam o avanço dessas ferramentas no campo.

Na safrinha, porém, o principal ponto de atenção continua sendo a janela de plantio após a colheita da soja. Atrasos no calendário aumentam exposição a estiagens, geadas e perdas de produtividade.

Diante desse cenário, especialistas avaliam que a competitividade da cultura dependerá cada vez mais da combinação entre manejo de solo, nutrição eficiente, planejamento operacional e adoção de tecnologias sustentáveis.

Fonte: O Presente Rural

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Esmagamento recorde redesenha equilíbrio entre óleo e farelo em 2026/27

Brasil, Estados Unidos e Argentina ampliam processamento e elevam a disponibilidade dos derivados.

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Foto: R.R.Rufino

O segundo semestre de 2026/27 projeta um cenário de maior oferta no complexo soja e tendência de preços mais baixos para parte dos derivados, segundo dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Para o período, o óleo de soja deve seguir relativamente mais valorizado em relação ao farelo. O suporte vem principalmente da demanda ligada aos biocombustíveis e da correlação com o petróleo, que também adiciona volatilidade ao mercado, como observado no recuo registrado no fim de maio em meio às negociações entre Estados Unidos e Irã.

Foto: Shutterstock

Já o farelo de soja tende a enfrentar pressão maior devido ao aumento da oferta global. O esmagamento deve atingir níveis recordes nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina, ampliando a disponibilidade do derivado. Apesar disso, as exportações brasileiras de farelo já superam o ritmo do ano passado, indicando demanda firme no mercado externo.

Na Argentina, o line-up de farelo de soja para junho aponta embarques próximos de 1,8 milhão de toneladas, abaixo das 2,4 milhões de toneladas registradas em maio. No acumulado do ano, as exportações somam 6,5 milhões de toneladas, ainda 7,5% abaixo do mesmo período do ciclo anterior. A expectativa, no entanto, é de retomada do ritmo nas próximas semanas.

Foto: Divulgação

Com a redução gradual dessa diferença em relação ao ano passado, a tendência é de aumento da concorrência no mercado internacional e maior pressão sobre os prêmios brasileiros, especialmente entre junho e agosto.

A boa oferta sul-americana, combinando maior esmagamento e maior disponibilidade de farelo e óleo, deve manter o abastecimento global confortável nas próximas semanas. Ao mesmo tempo, os contratos futuros do óleo em Chicago indicam viés de queda nas cotações, refletindo a expectativa de maior oferta no segundo semestre e um mercado considerado invertido.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Mapa cria grupo para monitorar impactos do El Niño e regulamenta coprodutos do etanol de milho

Portarias assinadas durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027 tratam da gestão de riscos climáticos e estabelecem regras para produtos destinados à alimentação animal.

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, na terça-feira (30), duas portarias voltadas à gestão de riscos climáticos e à cadeia do etanol de milho. As medidas foram assinadas durante o lançamento do Plano Safra 2026/2027, em Brasília.

Uma das portarias cria um Grupo de Trabalho (GT) para avaliar os impactos do fenômeno El Niño sobre a produção agropecuária brasileira e elaborar estratégias de mitigação e proteção aos produtores rurais.

Foto: Percio Campos/Mapa

O grupo será formado por representantes do Ministério da Agricultura, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Embrapa. Entre as atribuições estão identificar as regiões e cadeias produtivas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno climático, com foco em culturas como soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.

Além do diagnóstico, o GT deverá propor medidas de adaptação e mitigação, bem como elaborar estudos técnicos para subsidiar ações de enfrentamento dos impactos climáticos sobre a agropecuária.

A segunda portaria estabelece, pela primeira vez, o padrão oficial de identidade e qualidade para produtos da biorrefinaria de milho e de outros cereais amiláceos destinados à alimentação animal, entre eles o DDG (grãos secos de destilaria), coproduto da produção de etanol de milho.

A regulamentação define os requisitos de identidade e qualidade desses produtos, além de padronizar critérios de classificação, rotulagem e fiscalização. A norma também estabelece conceitos relacionados aos produtos da biorrefinaria e às unidades industriais responsáveis pelo processamento de milho e outros cereais para a produção de etanol.

Segundo o Ministério da Agricultura, a medida busca ampliar a segurança jurídica para produtores, indústrias e compradores, além de fortalecer a cadeia do etanol de milho e ampliar as oportunidades de comercialização de seus coprodutos.

Fonte: Assessoria Mapa
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Fretes rodoviários permanecem em alta impulsionados pela safra recorde

Boletim Logístico da Conab aponta demanda aquecida pelo transporte de grãos, mesmo após o pico da colheita da soja. Paraná registra pressão sobre custos em rotas específicas.

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Foto: Geraldo Bubniak/AEN

A perspectiva de uma safra recorde de grãos segue sustentando os preços dos fretes rodoviários em importantes corredores logísticos do país. A avaliação consta no Boletim Logístico de junho, divulgado na terça-feira (30) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o levantamento, o mercado de transporte permaneceu aquecido mesmo após o encerramento do período de maior intensidade da colheita da soja, quando normalmente seria esperada uma redução na demanda e, consequentemente, nos preços dos fretes.

Foto: Márcio Ferreira

De acordo com a Conab, a produção recorde de soja, com acréscimo de 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, continua impulsionando a necessidade de transporte de grãos, mantendo os valores dos fretes próximos aos registrados entre fevereiro e março, período de maior movimentação da safra.

Em Mato Grosso, principal produtor de grãos do país, os preços apresentaram apenas pequenas oscilações em comparação com o mês anterior e permaneceram em níveis elevados.

Em Mato Grosso do Sul, a demanda por transporte também continuou forte em maio, sustentada pelo fluxo de escoamento da produção e pelas negociações voltadas ao mercado externo, mesmo após o fim da colheita da safra de verão.

No Distrito Federal, os fretes agrícolas registraram alta moderada ao longo de maio. O avanço foi influenciado pelo aumento do custo do diesel e pela continuidade do transporte das safras de soja e milho produzidas no Centro-Oeste.

No Maranhão, a Conab também verificou aumento nos preços dos fretes. Em maio, a colheita da soja alcançou 92% da área cultivada, enquanto a do milho chegou a 27%. O avanço das colheitas intensificou a movimentação de grãos por rodovias e ferrovias, tanto para abastecimento interno quanto para exportação pelo Porto do Itaqui. Nesse cenário, os fretes subiram cerca de 1,2% em relação a abril.

Foto: Divulgação

No Paraná, o boletim aponta variações pontuais nos fretes em comparação com abril, com pressão sobre os custos em rotas específicas. O cenário foi influenciado pelo preço médio do diesel S-10, cotado a R$ 6,38 por litro, e pela elevada demanda sobre a infraestrutura de transporte rodoviário.

Em contrapartida, Goiás e Bahia registraram redução na movimentação de fretes durante maio. A desaceleração acompanhou o calendário agrícola, marcado pelo encerramento da colheita da soja e pelo período que antecede a intensificação da colheita do milho de segunda safra.

Situação semelhante foi observada no Piauí, onde os preços dos fretes recuaram em relação a abril. Segundo a Conab, a queda está associada à redução de 22% nas exportações de soja, equivalente a 64 mil toneladas a menos embarcadas.

Em São Paulo, os fretes também apresentaram recuo após as altas registradas no início do ano. A redução foi atribuída à queda nos custos do diesel e à menor demanda da indústria, apesar da continuidade do ritmo aquecido do agronegócio.

Exportações

Foto: Cláudio Neves

Os embarques brasileiros de milho somaram 7,5 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, acima dos 6,1 milhões registrados no mesmo período de 2025, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Do total exportado, 33,5% passaram pelos portos do Arco Norte. O Porto de Santos respondeu por 26,5% dos embarques, seguido por Paranaguá, com 9,6%, e Rio Grande, com 19,5%.

As exportações de soja alcançaram 55,1 milhões de toneladas no acumulado até maio. Os portos do Arco Norte concentraram 38,5% do volume embarcado, enquanto Santos respondeu por 36,8%. Paranaguá participou com 14,2% e São Francisco do Sul com 4,5%.

Fertilizantes

Foto: Claudio Neves

O boletim também mostra que as importações brasileiras de fertilizantes somaram 15,05 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, abaixo das 15,27 milhões registradas no mesmo período do ano anterior.

Segundo a Conab, as compras realizadas em maio foram as menores para o período desde 2022. O documento destaca que os elevados custos dos fertilizantes, as incertezas relacionadas ao cenário no Oriente Médio e os impactos esperados do fenômeno El Niño continuam sendo fatores de atenção para a produção agrícola mundial.

Além da análise do mercado logístico, o Boletim Logístico de junho reúne informações sobre a movimentação dos estoques da Conab realizada por transportadoras contratadas por meio de leilão eletrônico.

Fonte: O Presente Rural com Conab
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