Conectado com

Notícias Agricultura

Safra de grãos no Paraná pode somar 36,2 milhões de toneladas

Volume é 8% superior ao do ciclo passado. Área total, de 10,82 milhões de hectares, é 3% maior.

Publicado em

em

Gilson Abreu/AEN

A safra de grãos 2021/2022 no Paraná poderá somar 36,2 milhões de toneladas, volume 8% superior ao do ciclo passado. A área total, de 10,82 milhões de hectares, é 3% maior. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento.

O relatório mensal, divulgado na quinta-feira (31), inclui a primeira estimativa da safra de inverno, cuja produção deve ser de 4,75 milhões de toneladas em 1,54 milhão de hectares. Do total, 3,87 milhões de toneladas correspondem ao trigo, volume 21% maior do que na safra passada. A área de cultivo de trigo deve ter uma redução de 4% na comparação com o ano anterior – totalizando 1,17 mil hectares.

Também foram atualizados os dados relativos à safra de verão. Os números constatam o forte impacto negativo da longa estiagem no Paraná sobre a produção de grãos. Na reta final da colheita da soja, avalia-se que as perdas se aproximem de 45% na comparação com a estimativa inicial, que era de 21,1 milhões de toneladas. Agora, a produção estimada é de 11,58 milhões de toneladas. São 9,5 milhões a menos.

Com relação ao milho da primeira safra, cuja colheita também se aproxima da reta final, as perdas são de 32%. Tanto da soja quanto do milho, elas impactam o mercado de ração, importante para a avicultura, piscicultura, suinocultura e pecuária leiteira.

Quanto às segundas safras de milho e feijão, as estimativas são mais otimistas. A produção de feijão está estimada em 585,57 mil toneladas. “Isso é muito bom para o abastecimento e para tentar normalizar os preços, em que pese o quadro agudo de inflação que o Brasil ainda vive”, afirma o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. A segunda safra de milho tem perspectiva de chegar a 15,9 milhões de toneladas. “Estamos com um melhor regime de chuvas em todo o Paraná. A perspectiva é de colher boa safra, se o clima colaborar”.

Na semana passada, a Seab e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater (IDR-Paraná) divulgaram notas técnicas sobre a importância dos fertilizantes, particularmente o importado da Rússia, para a agricultura nacional e paranaense. Segundo o chefe do Deral, Salatiel Turra, embora os preços dos insumos estejam altos, parte do volume de fertilizantes foi comprado com certa antecedência pelos produtores. “No entanto, para as próximas safras podemos ter consequências preocupantes em termos econômicos, considerando os custos de produção”, explica.

Trigo

A primeira projeção de área de trigo para o Paraná mostra ligeiro recuo em relação ao ano anterior. Apesar dos valores expressivos recebidos pelos produtores, os custos também estão em patamar alto, o que dificultou aumento de área ao exigir grandes investimentos. A partir de abril, há expectativa de que seja semeada uma área de 1,17 milhão de hectares, 4% menor que a plantada em 2021, de 1,23 milhão de hectares. Esse recuo é mais intenso na região Oeste, onde a segunda safra de milho retomou parte das áreas que havia perdido por falta de tempo hábil para plantio em 2021. A maior possibilidade de retorno com milho também gerou recuos de expectativa para a área de trigo na metade norte do Paraná.

No Sul e Sudoeste, onde as geadas impedem o plantio de milho na maioria dos municípios, a expectativa é outra. Nessas regiões mais frias há incremento de área, porém de maneira tímida em função da instabilidade de preços de venda do cereal, que estão oscilando próximos aos custos variáveis. Nesta semana, com avanços nas negociações de paz no Leste Europeu, o Real tem se valorizado e as cotações de trigo em Chicago (EUA) voltaram a ficar abaixo de US$ 10,00 o bushel. Essa combinação refletiu nos preços de balcão no Paraná, que novamente estão abaixo de R$ 100,00 na maioria das praças.

Segundo o agrônomo do Deral Carlos Hugo Godinho, o custo médio para produzir uma saca de trigo no Paraná foi estimado em R$ 93,44, com preços levantados antes do início da invasão russa e seus subsequentes desdobramentos para os valores de fertilizantes. “Ou seja, as margens dos produtores estão bastante limitadas nas referências atuais, mas um futuro aumento na lucratividade poderia ainda incentivar um crescimento de área, visto que o plantio de trigo se estende até julho”, explica. O Deral estima que sejam produzidas 3,87 milhões de toneladas de trigo nesta safra, volume 21% maior ao registrado no ciclo 20/21, de 3,2 milhões de toneladas.

Soja 2021/2022

Estima-se que o Paraná produza aproximadamente 11,6 milhões de toneladas de soja. Esse volume representa uma quebra de 45% com relação às estimativas iniciais, que indicavam uma produção de 21,1 milhões de toneladas. As perdas se devem às adversidades climáticas registradas no final de 2021 e início de 2022.

Nesta semana, a colheita atingiu 83% da área cultivada, chegando a 4,70 milhões dos 5,66 milhões de hectares

Foto: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

semeados. No mesmo período do ano passado, o índice era de 75% – o que se explica pelo plantio tardio. Segundo o economista do Deral, Marcelo Garrido, a colheita deve se encerrar nas próximas semanas se o clima colaborar. Entre as lavouras ainda não colhidas, as condições são 59% boas, 29% medianas e 12% ruins. O relatório aponta ainda que 9% das lavouras estão em fase de frutificação e 91% estão em maturação.

O índice de comercialização mostra um recuo dos produtores comparativamente ao ano passado. Se, neste mesmo período de 2021, a comercialização era de 53%, agora 34% do volume foi comercializado. Com relação aos preços, nesta semana a saca de 60 kg foi comercializada, em média, por R$ 190,00. No ano passado, o valor era de R$ 156,00.

Milho 1ª safra

Nesta semana, a colheita do milho da primeira safra 2021/22 chegou a 85% da área total, o equivalente a 362,9 mil dos 433,4 mil hectares cultivados. As lavouras foram seriamente afetadas pelo período quente e seco entre o último trimestre de 2021 e o início de 2022. Isso causou uma redução de 32% na comparação com a estimativa inicial, que era de 4,25 milhões de toneladas. De acordo com o Deral, o volume produzido pelo Paraná é de 2,89 milhões de toneladas.

Entre as lavouras ainda a campo, 15% têm condições ruins, 32% condições médias e 54% estão em condições consideradas boas. “A depender do volume de chuvas, a colheita deve terminar nos próximos dias”, diz Garrido. A saca de 60 kg de milho foi comercializada na última semana por R$ 92,00, preço 17% superior ao praticado no mesmo período do ano passado (R$ 77,00).

Milho 2ª safra

A área da segunda safra de milho está 97% plantada. No ano passado, esse índice era de 74%, devido ao atraso na colheita da soja, que prejudicou os trabalhos de implantação da cultura. Segundo o Deral, as condições das lavouras tiveram sensível melhora nas últimas semanas. Há um mês tinha-se 1% em condições ruins, 16% em condições médias e 83% em boas condições. Agora, não há lavouras em condições ruins, sendo 3% em condições médias e 97% em boas condições. O volume previsto para a safra é de 15,92 milhões de toneladas em uma área de 2,7 mil hectares – a maior área da história neste ciclo.

Feijão 1ª safra

Cerca de 80% das 195 mil toneladas de feijão produzidas na primeira safra já foram comercializadas. Na semana passada, o produtor recebeu em média R$ 315,00 pela saca de 60 kg de feijão-cores – aumento de 14,5% em relação à semana anterior. Já o feijão-preto foi comercializado por, em média, R$ 280,00, uma redução de 2%.

Os preços são considerados satisfatórios, apesar de grandes perdas provocadas pela seca na primeira safra, que resultaram numa redução de 29% sobre a previsão inicial, que era de 275,55 mil toneladas. Segundo os agentes de mercado, com a concentração de colheita a partir da segunda quinzena de abril e início de maio, a tendência é de redução dos preços.

“Ressalte-se que o repasse dos atuais valores ao segmento varejista está difícil, uma vez que o consumo de feijão vem registrando queda nos últimos meses. Assim, com a oferta maior a partir das próximas semanas, os corretores e atacadistas esperam que os preços se estabilizem e a demanda varejista aumente”, diz o economista do Deral, Methodio Groxko.

Feijão 2ª safra

O plantio da segunda safra já está encerrado. Até o momento, o ciclo transcorreu de forma satisfatória em todas as regiões produtoras, de acordo com Groxko. As condições climáticas estão normalizadas e as chuvas das últimas semanas atingiram a maioria dos municípios. A estimativa de produção é de 586 mil toneladas de feijão em uma área de 294 mil hectares. Esse volume seria 105% maior do que o registrado no ciclo 2020/21, em uma área 8% maior. O aumento de área se concentra principalmente nas regiões de Ponta Grossa, Guarapuava e Campo Mourão.

O último levantamento dos técnicos do Deral, publicado nesta semana, mostra que cerca de 93% da área ocupada com feijão no Paraná era considerada boa e 7% média. “Porém, há preocupação dos produtores com as frentes frias e o risco com as geadas precoces, uma vez que praticamente 100% das lavouras estão suscetíveis ao fenômeno”, explica Groxko.

Mandioca

Estima-se que o Paraná produza 2,84 milhões de toneladas de mandioca nesta safra, em 131,4 mil hectares. O volume representa uma redução de 7% em relação ao ciclo passado, quando foram produzidas 3,05 milhões de toneladas. Já a área é 1% menor. Segundo Groxko, diante desse quadro, o parque industrial do Paraná tende a aumentar a dependência do produto de outros estados, como Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. Embora os preços estejam satisfatórios em termos nominais, a qualidade da matéria-prima está comprometida pela baixa quantidade de amido, consequência de um calor muito forte e da falta de chuva no ano passado.

Batata 2ª safra

Cerca de 94% da área total para esse cultivo no Paraná está plantada e 12% colhida. Em Guarapuava, maior núcleo produtor, já iniciou a colheita da segunda safra. Os demais núcleos produtores ainda não iniciaram o plantio, segundo o engenheiro agrônomo Rogério Nogueira. Os dados do Deral mostram redução de 13% na área da segunda safra – de 12,2 mil hectares para 10,6 mil hectares. Já a produção total deve chegar a 316,7 mil toneladas, 3% a mais do que na safra anterior.

Café

No mercado internacional, o preço do café subiu mais de 60% nos últimos 12 meses, em razão da quebra na safra brasileira, pelo clima e por fatores logísticos. No mercado interno, o produtor não se beneficiou dos altos preços porque enfrentou também aumento nos custos de produção. Em fevereiro do ano passado, os produtores paranaenses receberam R$ 606,00 pela saca de 60 kg. Em fevereiro de 2022, o preço chegou a R$ 1.400.

Renda Agricultor Familiar homenageia municípios com melhor desempenho no programa
O levantamento do Deral confirma a expectativa de redução de 36% do volume em relação ao ano passado. Estima-se que sejam produzidas 33,9 toneladas de café no ciclo 21/22, contra 53,3 mil toneladas produzidas na safra anterior. A área, estimada em 27,8 mil hectares, é 16% menor.

Segundo o economista do Deral, Paulo Franzini, a produção no campo está sendo beneficiada pela regularidade das chuvas em janeiro. “Os produtores paranaenses esperam por uma recuperação nas lavouras no próximo ano, mas isso depende dos valores dos insumos”, diz. Na próxima semana, a ExpoLondrina recebe o 28º Encontro Estadual de Cafeicultores, onde devem ser debatidos aspectos importantes do mercado e da comercialização do café.

Boletim semanal

Também na quinta-feira (31) foi publicado pelo Deral o Boletim de Conjuntura Agropecuária referente à semana de 22 a 28 de março. Ele traz informações sobre o início da colheita da segunda safra de tomate, com expectativa de chegar a 78 mil toneladas. Na primeira safra, encerrada em dezembro, foram produzidas 132 mil toneladas. Entre outros produtos, o documento também analisa a situação da ovinocultura no Paraná que, em 2020, foi responsável por 575 mil cabeças, o que corresponde a 3% do rebanho nacional. Há ainda informações sobre pecuária leiteira e de corte e mel.

Fonte: AEN Paraná

Notícias

Curso Técnico em Zootecnia inicia nova turma em Seara e fortalece a formação para o agronegócio

Formação gratuita da Rede e-Tec Brasil, oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos, busca qualificar profissionais para atuar na produção rural.

Publicado em

em

Alunos do Curso Técnico em Zootecnia de Seara e lideranças comemoram o início das aulas - Foto Divulgação

O Polo de Seara promoveu, no último sábado (07), a aula inaugural do Curso Técnico em Zootecnia, formação gratuita voltada à qualificação de profissionais para atuar com eficiência, inovação e sustentabilidade na produção rural. A iniciativa integra a Rede e-Tec Brasil e é oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos em Santa Catarina.

A proposta do curso é aliar conteúdos teóricos, atividades práticas e experiências de campo, o que é essencial para uma formação alinhada às demandas do setor agropecuário. O presidente do Sindicato Rural de Seara, Valdemar Zanluchi, destacou o sucesso da iniciativa desde a implantação no município. Também ressaltou a qualidade do corpo docente e enfatizou que, ao final dos dois anos, os participantes terão conquistado uma qualificação capaz de ampliar oportunidades profissionais e contribuir para o desenvolvimento das propriedades rurais e das empresas do setor agropecuário.

O superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, enfatizou que a formação técnica proporciona uma base sólida de conhecimento aos alunos. Também frisou que o curso vai além do aprendizado em sala de aula ao possibilitar a construção de vínculos, troca de experiências e contato com profissionais e lideranças do setor, ampliando a visão dos participantes sobre o agronegócio.

O prefeito de Seara, Beto Gonçalves, que participou da abertura acompanhado pelo secretário de Agricultura, Renato Tumelero, enfatizou a importância do Curso Técnico para o município e reforçou o apoio do Poder Público local a ações de qualificação profissional. De acordo com ele, Seara é um município com forte ligação com o agronegócio e iniciativas que incentivam o acesso ao conhecimento são fundamentais, especialmente para jovens que estão assumindo ou pretendem atuar nas propriedades rurais.

Também estiveram presentes o supervisor regional do Senar/SC, Helder Jorge Barbosa, outras lideranças e a equipe do polo de Seara.

Curso em zootecnia

Totalmente gratuito, o curso é oferecido na modalidade presencial híbrida (80% da carga horária acontece presencialmente e 20% acontece a distância). Há certificação intermediária ao longo do percurso formativo e diploma com validade nacional, emitido conforme a legislação educacional.

De acordo com o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a formação tem contribuído para que jovens e adultos do meio rural atuem com excelência na produção, no manejo e na gestão pecuária.  Ele ressaltou, ainda, que Santa Catarina conta com 17 polos de formação técnica no Estado e, além do Curso Técnico em Zootecnia, são oferecidas as seguintes formações: Técnico em Agricultura; Técnico em Agronegócio; Técnico em Florestas e Técnico em Fruticultura.

Fonte: Assessoria Sistema Faesc/Senar
Continue Lendo

Notícias

Produtividade da soja no Rio Grande do Sul fica abaixo da média nacional, aponta especialista

Avaliação foi apresentada durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

A produtividade da soja no Rio Grande do Sul tem ficado abaixo da média registrada em outros estados brasileiros, sobretudo nos últimos cinco anos. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (10) pelo fundador da Veeries e especialista em inteligência de mercado para o agronegócio, Marcos Rubin, durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado no Auditório Central da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). O evento integrou a programação técnica da 26ª edição da Expodireto Cotrijal e reuniu especialistas para discutir competitividade, cenário produtivo e perspectivas para as cadeias da soja e do milho.

Na palestra “2026: O Novo Ciclo da Soja e do Milho: entre safras recordes e mudanças na demanda”, Rubin apresentou números e ferramentas voltados à análise do mercado agrícola. Ele exibiu dados sobre o desempenho da soja nos últimos anos e apontou que a produtividade gaúcha tem ficado abaixo da média observada em outros estados. Segundo Rubin, fatores climáticos têm contribuído para esse cenário. “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”, ressaltou.

Guillermo Dawson Jr: “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras” – Fotos: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective/Divulgação

Durante a apresentação, Rubin também chamou atenção para o potencial da produção de biocombustíveis a partir de grãos como alternativa para ampliar a demanda por soja. “A nova China para o Brasil é a geração de biodiesel. No Brasil, existe um mercado interno considerável para comercialização de biodiesel. A gente tem uma oportunidade gigantesca. Então, se aplicarmos o biocombustível no futuro, ele vai ser o principal responsável pelo crescimento da demanda de soja no Brasil nos próximos anos”, concluiu.

Rubin apresentou ainda gráficos comparativos sobre a evolução da produção de soja no cenário internacional. Segundo ele, o Brasil ampliou significativamente sua produção nos últimos 10 anos na comparação com os Estados Unidos. Sobre as perspectivas futuras, o especialista afirmou que começa a enxergar sinais mais positivos para o segundo semestre, mas destacou fatores de incerteza no cenário internacional. “Eu acho que existem fatores imponderáveis como as consequências da guerra Estados Unidos-Irã. Tem um fator que não é benéfico nessa questão da guerra, que é o fertilizante. A gente não sabe por quanto tempo, mas os preços já subiram”, constatou.

Além da análise de mercado, o fórum também abordou desafios relacionados à infraestrutura e à logística para o agronegócio brasileiro. A programação incluiu a palestra “Da adversidade à vantagem competitiva: o novo ciclo estratégico do TERMASA”, apresentada pelo vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) e dos terminais portuários Termasa-Tergrasa, Guillermo Dawson Jr.

Marcos Rubin: “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”

Durante a apresentação, Dawson Jr. abordou o papel da infraestrutura portuária e da logística integrada na competitividade do agronegócio brasileiro. “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras. Nos cabe dar as melhores condições de infraestrutura logística para que a soja possa ingressar nos mercados”, afirmou.

O dirigente também destacou a trajetória dos terminais Termasa-Tergrasa, localizados no Porto de Rio Grande. Segundo ele, o empreendimento surgiu no final dos anos 1960 a partir de uma iniciativa de cooperativistas que buscavam alternativas para o escoamento da produção de grãos. O terminal tornou-se o primeiro terminal graneleiro do país em 1972. Atualmente, o Termasa passa por reconstrução, com investimento de R$ 600 milhões, após um acidente envolvendo um navio. As obras devem se estender até outubro de 2026.

Na abertura do fórum, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, destacou a importância do evento, que chega à 36ª edição e ocorre pelo 26º ano consecutivo dentro da Expodireto Cotrijal. “Eu acho que a questão mais importante do Fórum da Soja é a interação. Nós temos basicamente representantes de cooperativas, de empresas, do sistema financeiro e é nesse contexto que temos uma seleção muito grande de debates no sentido convergente para solucionar os problemas”, ressaltou.

O 36º Fórum Nacional da Soja é promovido conjuntamente pela FecoAgro/RS, Cotrijal e CCGL, com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS.

Fonte: Assessoria FecoAgro/RS
Continue Lendo

Notícias

Cooperativismo movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina

Tema foi destaque na primeira reunião de 2026 da Frencoop, que reuniu deputados e dirigentes de cooperativas em Florianópolis.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Na noite de segunda-feira (09), em Florianópolis, a a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) realizou a primeira reunião de 2026, durante o encontro de integração entre entidades e poderes públicos com a Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc).

Santa Catarina é considerado o estado mais cooperativista do Brasil. Cerca de quatro milhões de catarinenses estão associados a pelo menos uma cooperativa, número que representa mais da metade da população.

A importância desse sistema também se reflete na atuação do Parlamento catarinense. A Alesc  mantém há mais de três décadas a Frencoop, que atua na defesa e no fortalecimento do setor.

O cooperativismo responde por aproximadamente 12% do PIB catarinense e por cerca de 70% das exportações do estado, movimentando mais de R$ 100 bilhões por ano e gerando milhares de empregos e oportunidades.

Importância econômica do cooperativismo

O coordenador da frente parlamentar, deputado José  Milton Scheffer (PP), destacou a relevância econômica e social do setor para Santa Catarina.

José Milton Scheffer

Deputado José Milton Scheffer: “O sistema cooperativista catarinense é muito pujante e dinâmico e tem grande importância para o desenvolvimento social e econômico do estado”

“O sistema cooperativista catarinense é muito pujante e dinâmico e tem grande importância para o desenvolvimento social e econômico do estado. Na Assembleia temos uma frente parlamentar com 12 deputados que trabalham diretamente em pautas ligadas ao cooperativismo. Já aprovamos leis de incentivo, como a legislação de apoio ao cooperativismo de energia elétrica e subsídios fiscais. Agora acompanhamos com atenção a reforma tributária e outros temas que podem impactar o setor.”

Segundo o parlamentar, além da geração de empregos, o modelo cooperativista permite que pequenos produtores se organizem e tenham acesso a mercado e crédito. “As cooperativas movimentam mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina e arrecadam cerca de R$ 8 bilhões em impostos estaduais. Muitas vezes pequenos agricultores só conseguem comercializar seus produtos por meio das cooperativas. O cooperativismo é estruturante para a economia catarinense.”

Mauro de Nadal

Deputado Mauro de Nadal: “A frente existe justamente para fortalecer o cooperativismo e fazer essa ligação entre o Parlamento e as cooperativas catarinenses”

Para o deputado Mauro De Nadal (MDB), a Frencoop cumpre um papel fundamental ao aproximar o Parlamento das demandas do setor produtivo.

“A frente existe justamente para fortalecer o cooperativismo e fazer essa ligação entre o Parlamento e as cooperativas catarinenses. Essa aproximação nos permite defender projetos que fortalecem o agronegócio e ajudam a garantir que o agricultor seja valorizado dentro de toda a cadeia produtiva.”

Integração entre cooperativas e Parlamento

O presidente da Ocesc, Vanir Zanatta, ressaltou que o encontro também tem o objetivo de aproximar dirigentes das cooperativas dos parlamentares. “Mais de 50% da população catarinense está ligada a alguma cooperativa. Aqui reunimos cerca de 130 presidentes de cooperativas para dialogar com os deputados. Essa integração é importante para apresentar demandas e fortalecer essa parceria que já vem trazendo bons resultados para o estado.”

A presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a catarinense Tânia Zanella, destacou que o cooperativismo tem papel central no desenvolvimento regional. “A cada três catarinenses, um é cooperativista. Santa Catarina mostra como o cooperativismo transforma realidades e melhora a vida das pessoas. Essa parceria com o Parlamento é fundamental, porque as cooperativas também dependem de políticas públicas e de um ambiente regulatório adequado para continuar crescendo.”

O secretário de Estado da Agricultura, Admir Dalla Cort, reforçou que o modelo cooperativista garante segurança e estabilidade ao produtor rural. “O cooperativismo é essencial para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina. Ele fortalece o produtor rural, organiza a produção e contribui para que o estado, mesmo sendo pequeno em território, tenha uma produção extremamente forte.”

Fabiano da Luz

Deputado Fabiano da Luz: “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola”

Para o deputado Fabiano da Luz (PT), a relação entre cooperativas e poder público é estratégica para garantir competitividade ao setor agrícola. “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola. Ele garante acesso a crédito, assistência técnica e segurança na comercialização da produção. O papel do poder público é justamente dar suporte às demandas desse setor.”

Já o deputado Altair Silva (PP) destacou a origem do movimento cooperativista no meio rural.

Altair Silva

Deputado Altair Silva: “O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense”

“O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense. A presença da Assembleia nesse diálogo reforça o compromisso com o desenvolvimento do estado.”

O deputado Napoleão Bernardes (PSD) destacou que a atuação da frente parlamentar vai além do setor produtivo e impacta diretamente o desenvolvimento do estado.

“As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade. O cooperativismo é uma mola propulsora do desenvolvimento de Santa Catarina. É um modelo econômico justo, porque reúne desenvolvimento econômico, social e humano. Por isso, a frente parlamentar em defesa do cooperativismo é também uma frente em defesa do desenvolvimento e da prosperidade de Santa Catarina.”

Napoleão Bernardes

Deputado Napoleão Bernardes: “As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade”

O deputado Pepê Collaço (PP) ressaltou que o cooperativismo tem papel histórico na formação econômica do estado.

“Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor. O cooperativismo foi fundamental para forjar o nosso estado, formado em grande parte por pequenas e médias cidades e pela agricultura familiar. O sistema cooperativo potencializa a produção e mantém o homem no campo. Ao longo da nossa história, esse setor contribuiu muito para o crescimento e o desenvolvimento de Santa Catarina.”

Crise da cebola

Pepê Collaço

Deputado Pepê Collaço: “Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor”

Entre as preocupações do setor está a situação enfrentada pelos produtores de cebola em Santa Catarina. Oscilações de preços e aumento nos custos de produção têm reduzido a rentabilidade dos agricultores. O tema tem mobilizado cooperativas e parlamentares em busca de medidas que garantam maior equilíbrio de mercado e proteção ao produtor catarinense.

Dificuldades no setor do arroz

A cadeia produtiva do arroz também enfrenta desafios, especialmente relacionados à competitividade e aos custos de produção. Cooperativas e produtores defendem políticas de apoio e mecanismos que garantam condições mais justas de comercialização para manter a atividade viável no estado.

Desafios para a produção de leite

O setor leiteiro vive um cenário de instabilidade causado pela variação de preços e pelo aumento dos custos de produção. Nos últimos anos, produtores têm cobrado medidas de apoio e políticas que garantam maior previsibilidade ao mercado e sustentação para a atividade.

Reforma tributária preocupa cooperativas

Outro tema acompanhado de perto pelo setor é a reforma tributária em discussão no país. Cooperativas e parlamentares avaliam possíveis impactos das mudanças no sistema de arrecadação, especialmente sobre a competitividade do agronegócio e das organizações cooperativistas.

Fonte: Assessoria Alesc
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.