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IBGE projeta queda na safra de grãos em 2026
Produção alcançou 346,1 milhões de toneladas em 2025, enquanto o primeiro prognóstico para 2026 aponta redução de 1,8%, influenciada por ajustes de área, margens menores e expectativas climáticas.

A safra de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas) de 2025 atingiu 346,1 milhões de toneladas, um recorde na série histórica iniciada em 1975. A produção nacional de soja (166,1 milhões de toneladas), milho (141,7 milhões de toneladas), algodão (9,9 milhões de toneladas), sorgo (5,4 milhões de toneladas) e café do tipo canephora (1,3 milhão de toneladas) também quebrou recordes. É o que mostra o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado hoje (15) pelo IBGE, que também trouxe o terceiro prognóstico para a safra 2026: 339,8 milhões de toneladas, com uma redução estimada em 1,8% (ou menos 6,3 milhões de toneladas), frente a 2025.
A área colhida em 2025 foi estimada em 81,6 milhões de hectares, com aumento de 3,2% (ou 2,5 milhões de hectares) frente a 2024. Contribuíram para isso os acréscimos de 5,7% na área plantada do algodão, de 11,1% para o arroz, de 3,7% para a soja, de 4,3% para o milho e de 15,6% no sorgo. Em contrapartida, houve reduções de 7,2% na área do feijão e de 18,2% na do trigo.
Produção de grãos mais que duplicou em 13 anos

A safra de 2025 teve um aumento de 18,2% frente a produção de 2024. Na série histórica do IBGE, observa-se que esses 346,1 milhões de toneladas de grãos representam mais que o dobro da produção atingida em 2012 (162,0 milhões de toneladas). Ou seja: em 13 anos, a produção de grãos do país mais do que duplicou. No entanto, a área plantada não cresceu na mesma velocidade, variando apenas 66,8% nesse mesmo período: de 48,9 milhões de hectares em 2012 e para 81,6 milhões de hectares em 2025.
Para Carlos Alfredo Guedes, gerente de Agricultura do IBGE, “os ganhos de produtividade das lavouras são frutos de anos de trabalho de pesquisa de instituições como a Embrapa, que desenvolveu vaidades adaptadas aos diversos biomas brasileiros. Esses ganhos também se devem às decisões dos produtores rurais, de investirem cada vez mais em tecnologias avançadas, visando alcançar o máximo do potencial produtivo das plantas”.
Alfredo, observa, ainda, que o recorde de 2025 se deveu, principalmente, às performances da soja, do milho e do algodão, devido às condições climáticas bastante favoráveis, no ano.
Mato Grosso concentrou 32,0% da produção de grãos do país em 2025
A região Centro-Oeste concentrou mais da metade (51,6%) da produção de grãos do país em 2025, com 178,7 milhões de toneladas. A região Sul veio a seguir, com 86,3 milhões de toneladas, ou 24,9% do total. A produção de grãos das demais regiões também foi significativa, mas ficou abaixo dos 10%: Sudeste, com 31,1 milhões de toneladas, ou 9,0%; Nordeste, com 27,7 milhões de toneladas ou 8,0% e Norte, com 22,3 milhões de toneladas, ou 6,5%.
Entre os estados, Mato Grosso foi o maior produtor nacional de grãos em 2025, com participação de 32,0%, seguido pelo Paraná (13,5%), Goiás (11,3%), Rio Grande do Sul (9,3%), Mato Grosso do Sul (8,1%) e Minas Gerais (5,5%). Juntos, estes seis estados concentram praticamente 80% (79,7%) da safra de grão do país.
Em 2026 safra brasileira de grãos deve recuar

Foto: Gilson Abreu
Para 2026, o prognóstico do IBGE é que a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas, tenha uma retração de 1,8%, chegando a 339,8 milhões de toneladas, ou 6,3 milhões de toneladas a menos do que a safra de 2025. O gerente de Agricultura do IBGE observa que essa retração está ligada, principalmente, às culturas do milho, do sorgo e do arroz. “Como safra de 2025 foi muito boa para esses produtos, partimos de um patamar elevado de comparação, algumas dessas culturas ainda serão implantadas na segunda safra, então dependemos da janela de plantio e das condições climáticas para termos estimativas mais apuradas. Além disso, as margens de lucro estão reduzidas, devido aos preços baixos, o que tem desestimulado os produtores a aumentar a área e os investimento nas lavouras”.
Em seu prognóstico de dezembro para a safra 2026, o IBGE espera aumentos de produção no Paraná (1,5%), no Rio Grande do Sul (25,2%), no Piauí (16,9%)) e em Rondônia (0,5%). Por outro lado, são esperados declínios no Mato Grosso (-7,9%), em Goiás (-8,0%), no Mato Grosso do Sul (-6,8%), em Minas Gerais (-1,7%), na Bahia (-4,7%), em São Paulo (-4,8%), no Tocantins (-2,9%), no Maranhão (-0,7%), no Pará (-8,6%), em Santa Catarina (-1,6%) e em Sergipe (-7,4%).
Em 2026, o LSPA do IBGE vai incluir a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando importância na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos anos.
Sobre o LSPA
Implantado em novembro de 1972, o LSPA fornece estimativas mensais sobre quantidade produzida, área plantada, área colhida e rendimento médio dos produtos agrícolas mais importantes. O levantamento permite acompanhamento de cada cultura investigada, desde a intenção de plantio até o final da colheita e, ainda, o prognóstico da próxima safra, com base em levantamentos específicos em outubro, novembro e dezembro. Acesse os dados no Sidra. A próxima divulgação do LSPA, referente a janeiro de 2026, será em 12 de fevereiro.

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Quando a enchente vira fertilizante: a lição do Rio Maipo para a agricultura
Produtores chilenos aguardam o fenômeno natural que deposita sedimentos vulcânicos nas lavouras e melhora características do solo.

Em minha viagem ao Chile, descobri um fenômeno que me fez refletir.
Durante a visita à propriedade familiar Ballek, localizada em Isla de Maipo, fiquei sabendo que a cada sete anos, mais ou menos, o Rio Maipo enche, transborda e chega até as lavouras.

Foto: Divulgação
O fluxo leva sedimentos de rochas vulcânicas que tiveram origem nos Andes, como andesito, basalto e dacito, até a plantação.
Lá, eles atuam como remineralizadores, ajudando a melhorar a fertilidade do solo, a reter água e a impulsionar a atividade biológica.
Trata-se, portanto, de um acontecimento esperado e celebrado, talvez em proporção similar à chegada do Cometa Halley.
Percebi isso quando um profissional da propriedade Ballek disse, com um sorriso no rosto: “Deve acontecer novamente em breve. A última inundação foi há seis anos”.
Esse contexto, é claro, me trouxe algumas perspectivas novas.

Foto: Divulgação
A primeira é a de que precisamos estar totalmente conectados ao ambiente, atuando em sinergia. Muitas vezes, buscamos soluções novas, mas a melhor alternativa está logo ali, no transbordo do rio.
O Rio Maipo também ensina paciência e estratégia. O fenômeno não ocorre todos os anos e também não tem data certa. É um movimento da natureza, que precisa ser aguardado e observado.
O fenômeno também reforça que é possível transformar um caos aparente em valor. Mas, para isso, é preciso conhecimento. Não é à toa que o profissional da propriedade Ballek estava em contagem regressiva.
O conhecimento nos ajuda a ir além e a nos destacarmos em um mundo competitivo e repleto de adversidades.
Transforme, então, as adversidades em oportunidades, assim como os agricultores do Chile.
Notícias
Brasil proíbe produção e venda de foie gras
Medida proíbe produção, importação, exportação e comercialização de alimentos obtidos por gavage, prática usada na fabricação da iguaria.

O Brasil passou a proibir a produção, importação, exportação e comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, prática conhecida como gavage e utilizada principalmente na produção de foie gras. A medida foi estabelecida pelo Projeto de Lei 90/2020, sancionado pelo governo federal, e coloca o país como o segundo do mundo a adotar uma proibição completa da cadeia do produto, depois da Índia.

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A nova legislação também representa o primeiro marco federal sobre o tema na América Latina e no hemisfério ocidental. Até então, as restrições existentes no Brasil dependiam de iniciativas locais ou de decisões administrativas e judiciais.
A trajetória da regulamentação começou antes da aprovação da lei federal. Em 2015, o município de São Paulo aprovou uma norma que proibia a comercialização do foie gras na cidade. A medida, porém, foi derrubada pela Justiça no ano seguinte, sob o entendimento de que a regulamentação sobre produção e comércio de alimentos deveria ser tratada pela União.
Produção do foie gras envolve aumento induzido do fígado
O foie gras é produzido a partir do fígado de patos e gansos submetidos a um processo de alimentação forçada com o objetivo de provocar esteatose hepática, condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no órgão.
Durante o processo, os animais recebem alimento por meio de um tubo inserido diretamente no esôfago, em um procedimento realizado geralmente duas vezes ao dia durante o período de engorda. A prática busca ampliar o tamanho do fígado, que pode chegar a até dez vezes o volume natural.
Organizações de proteção animal classificam o método como incompatível com padrões de bem-estar animal devido

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às alterações fisiológicas provocadas e ao manejo utilizado para induzir a condição.
Produto era restrito ao mercado de luxo no Brasil
Apesar da notoriedade internacional, o foie gras nunca teve participação expressiva na cadeia de alimentos brasileira. O produto era direcionado principalmente ao mercado de luxo, com preços que podiam alcançar cerca de R$ 5 mil por quilo.
A produção nacional também era limitada. Por anos, apenas duas fazendas mantiveram criação de animais destinada à fabricação da iguaria no país. Atualmente, essas propriedades estão embargadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A restrição brasileira acompanha medidas adotadas por outros países que proibiram ou limitaram a prática. Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Argentina e Austrália estão entre as nações que já estabeleceram regras contra a produção de foie gras. No entanto, antes da decisão brasileira, apenas a Índia havia proibido simultaneamente a fabricação e a venda do produto.
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O que a Copa do Mundo ensina sobre trabalho coletivo e cooperativismo
Além dos títulos e das grandes jogadas, o futebol revela princípios como confiança, disciplina e união de esforços que também sustentam o modelo cooperativista.

O encerramento de mais uma Copa do Mundo de Futebol oferece muito mais do que recordações de grandes partidas, gols memoráveis e emoções compartilhadas por bilhões de pessoas. O maior espetáculo esportivo do planeta também convida à reflexão sobre os valores que sustentam as grandes conquistas coletivas. Entre eles, destacam-se princípios que dialogam diretamente com a essência do cooperativismo.

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O futebol jamais foi apenas um jogo de talentos individuais. Ainda que um atleta possa decidir uma partida com um lance extraordinário, nenhuma seleção alcança um título mundial sem organização, disciplina, estratégia, confiança mútua e absoluta convergência de esforços. A vitória pertence ao conjunto. É justamente nessa lógica que reside uma das maiores aproximações entre o esporte e o modelo cooperativista.
Toda equipe vencedora é construída sobre fundamentos sólidos: respeito às regras, treinamento constante, perseverança diante das adversidades, responsabilidade compartilhada e compromisso com objetivos comuns. Não há espaço para vaidades que se sobreponham ao interesse coletivo. Cada jogador compreende que seu desempenho somente alcança plenitude quando colocado a serviço da equipe. No cooperativismo, essa mesma compreensão orienta diariamente milhões de pessoas que unem capacidades, recursos e experiências para gerar prosperidade comum.

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Outro ensinamento precioso oferecido pelo esporte está na maneira de compreender a competição. O adversário não representa um inimigo a ser eliminado, mas um competidor legítimo, cuja existência qualifica o próprio desafio. O respeito entre adversários fortalece o esporte, assim como a convivência ética fortalece a economia e a sociedade. Competir com integridade, reconhecer méritos, aceitar resultados e buscar constante aperfeiçoamento constituem atitudes que também definem a identidade cooperativista.
O esporte igualmente demonstra que nenhuma conquista duradoura floresce onde prevalecem a violência, a fraude ou a corrupção. A credibilidade das competições depende da observância rigorosa das regras e da conduta ética de seus protagonistas. Da mesma forma, o cooperativismo construiu sua história sobre princípios de transparência, responsabilidade, democracia e confiança, valores indispensáveis para relações econômicas saudáveis e sustentáveis.
Entretanto, talvez a maior oportunidade proporcionada pelo futebol ultrapasse as quatro linhas. Poucos fenômenos

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possuem tamanho alcance cultural e capacidade de mobilização. Milhões de crianças e jovens encontram nos atletas referências para seus próprios sonhos, comportamentos e escolhas. Trata-se de uma influência que transcende o esporte e alcança a formação do caráter.
Por essa razão, jogadores, treinadores e dirigentes carregam consigo uma responsabilidade que acompanha a notoriedade conquistada. A força de seus exemplos pode estimular o gosto pelo estudo, pelo trabalho digno, pelo voluntariado, pela cidadania, pelo respeito às mulheres, pela proteção das crianças e pela valorização dos idosos. Pode inspirar atitudes de solidariedade, respeito às diferenças e convivência pacífica.
Infelizmente, o extraordinário volume de recursos financeiros que envolve o futebol profissional também expõe, em determinadas ocasiões, episódios incompatíveis com a grandeza do esporte. Condutas inadequadas dentro e fora dos

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gramados acabam repercutindo intensamente justamente porque seus protagonistas ocupam posição de destaque perante a sociedade. Quanto maior a admiração despertada, maior também é a responsabilidade pelos exemplos oferecidos.
O cooperativismo acredita que a verdadeira liderança não se mede apenas pelo êxito alcançado, mas principalmente pela capacidade de inspirar pessoas e transformar realidades. O mesmo vale para os grandes ídolos do esporte. Os títulos conquistados permanecem na história; os valores transmitidos moldam gerações.
A Copa termina, os campeões levantam suas taças e as arquibancadas silenciam. Permanecem, porém, as lições que ultrapassam o resultado de uma partida. Entre elas, talvez a mais importante seja a certeza de que as maiores vitórias sempre pertencem àqueles que compreendem que ninguém vence sozinho. Essa convicção constitui a essência do futebol em sua melhor expressão e, há mais de um século, representa também a razão de existir do cooperativismo.



