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Safra 2020 projeta números positivos para o trigo brasileiro
Evolução dos campos do grão no país e estimativas para o mercado nacional foram apresentados durante webinar promovido pela Abitrigo

A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) reuniu na tarde de quinta-feira, 06 de agosto, representantes de estados produtores do grão em um webinar que levantou as expectativas em relação à safra nacional do grão.
“Esse encontro online é de extrema importância para a cadeia do trigo do Brasil, pois nos apresenta um panorama geral da produção do cereal no país, a fim de que possamos nos organizar quanto aos próximos meses e ainda reforça o potencial para o crescimento da produção no território nacional”, destacou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.
O cenário do grão no mundo foi apresentado pelo Head de Vendas Trigo da companhia russa Sodrugestvo, Douglas Araújo, que destacou uma forte possibilidade da presença do trigo da Lituânia no mercado brasileiro em 2021, como uma alternativa adicional para o mercado nacional. “O governo brasileiro aprovou a importação do cereal lituano este ano, mas por questões burocráticas ainda não houve tempo hábil para iniciar as negociações. Acreditamos que para o ano que vem ele seja uma novidade no mercado”, afirmou.
Outro ponto em destaque na apresentação foi a recuperação da Austrália como origem de trigo para o mundo. “O país teve uma forte queda na produção no ano passado, o que abriu mercado para que o trigo argentino ganhasse espaço em países como as Filipinas e a Indonésia. Neste ano, o cenário será diferente, pois o trigo australiano terá um aumento significativo na produtividade e a Argentina terá que buscar outros destinos para o volume excedente de cerca de 7 milhões de toneladas”, explicou Araújo.
No cenário nacional, as expectativas para a safra brasileira são muito positivas. As condições climáticas colaboraram muito com o bom desenvolvimento das lavouras em todos os estados, o que pode resultar em uma colheita positiva nos próximos meses.
O diretor do Moinho Vitória, Murilo Cunho, apresentou o panorama do trigo no Cerrado, destacando que as expectativas da safra deste ano estão acima das divulgadas para a região pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “De acordo com as nossas estimativas, as lavouras apresentam uma evolução muito positiva. Esses números são marcados por boa parte do trigo já colhido, com perspectiva de uma safra acima de 500 mil toneladas para este ano”, declarou.
Representando São Paulo, o presidente da Câmara Setorial do trigo, Victor Oliveira ressaltou uma possibilidade de safra recorde nos campos paulistas. “Baseado nos dados reportados pelas quatro principais cooperativas do estado, temos potencial para um volume estimado de trigo em São Paulo acima da casa das 300 mil toneladas. Para esse número se confirmar ainda precisamos de um pouco de chuva neste mês e temos algumas preocupações quanto às chuvas no mês de setembro, quando será feita a maior parte da colheita, mas a expectativa é muito positiva”, destacou.
No Paraná, maior produtor do país, os campos de trigo também evoluíram muito bem, apresentando boas condições de sanidade e desenvolvimento. “O ótimo desenvolvimento das lavouras no estado animou o produtor paranaense, devido à boa produtividade e qualidade do grão. Esperamos uma colheita com volume acima do recorde do estado, registrado em 2016. Para a safra 2020, a estimativa é de um volume acima de 3,5 milhões de toneladas”, afirmou o gerente de suprimentos do Moinho Globo, Rui Souza.
Outro estado que relatou uma possibilidade de números acima dos estimados para este ano foi o Rio Grande do Sul. De acordo com os dados exibidos pelo presidente da Câmara Setorial de Culturas de Inverno, Hamilton Jardim, o trigo gaúcho registrará um aumento significativo este ano. “Acredito que teremos uma surpresa quando efetivamente fizermos a apuração da safra no estado. Nossa expetativa é que ultrapassamos os 930 mil hectares e, não se surpreendam se o Rio Grande do Sul entregar para o mercado mais do que 3 milhões de toneladas”, enalteceu.
A reunião ainda contou com a presença do diretor da Unexpa S/A, Fernando Acosta, que foi convidado para apresentar um panorama sobre a safra no Paraguai. “O maior importador de trigo paraguaio é o Brasil, que representa mais de 90% do volume exportado pelo país. Com foco nisso, temos trabalhado na melhoria das sementes, buscando oferecer um trigo de melhor qualidade aos moinhos brasileiros”, afirmou.
“O país tem 80% de sua lavoura em condições excelentes e esperamos produzir um volume de cerca de 1,3 milhão de toneladas“, acrescentou Acosta.

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VBP do Piauí atinge R$ 11,3 bilhões impulsionado por soja e milho
Grãos concentram a maior parte do faturamento agropecuário do estado e seguem determinando o desempenho da produção piauiense no cenário nacional.

O setor agropecuário do Piauí apresenta sinais de desaceleração no fechamento de 2025. De acordo com os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgados em 21 de novembro, o Valor Bruto da Produção (VBP) do estado atingiu R$ 11.354,25 milhões, uma queda nominal de 4,73% em relação aos R$ 11.918 milhões registrados em 2024. O desempenho coloca o estado em um movimento contrário ao cenário nacional, que projeta crescimento no mesmo período.
Enquanto o Piauí encolhe, o VBP do Brasil saltou de aproximadamente R$ 1,21 trilhão em 2024 para R$ 1,41 trilhão em 2025. Esse descolamento acentua a baixa relevância do estado no PIB agropecuário nacional: a participação do Piauí, que já era tímida, caiu de 0,98% para apenas 0,80% do total brasileiro. O estado ocupa hoje a 16ª posição no ranking nacional.
Dinâmica de Produtos
A economia agrícola piauiense é altamente dependente de commodities, o que explica a volatilidade do VBP. O “carro-chefe” do estado, a Soja, registrou queda de 3,6%, passando de R$ 7.340 milhões em 2024 para R$ 7.073,5 milhões em 2025. O cenário é ainda mais crítico para o Milho, que sofreu uma retração de 12,8%, caindo de R$ 2.321 milhões para R$ 2.024,7 milhões.

Proteína Animal
O VBP do Piauí é composto majoritariamente por lavouras (93%), restando apenas 7% para a pecuária. Dentro deste nicho, a configuração em 2025 apresenta:
Bovinos: R$ 464,6 milhões (4ª maior atividade do estado).
Ovos: R$ 131,2 milhões.
Frangos: R$ 113,6 milhões.
Leite: R$ 66,2 milhões.
Suínos: R$ 13,0 milhões.
A baixa expressividade da pecuária em relação aos grãos evidencia a falta de diversificação e de integração lavoura-pecuária no estado, mantendo o VBP vulnerável às oscilações de preço e clima que afetam a soja e o milho.
Evolução Histórica
O gráfico histórico revela que o Piauí viveu um “boom” entre 2020 e 2022, saltando de R$ 10,7 bilhões para o pico de R$ 13,9 bilhões. No entanto, desde 2023, o estado entrou em uma trajetória de queda consecutiva. O valor de 2025 (R$ 11,3 bilhões) é o mais baixo dos últimos cinco anos, aproximando-se dos níveis pré-pandemia e sugerindo que o crescimento anterior foi impulsionado por preços extraordinários de mercado, e não por um ganho de produtividade estrutural permanente.
Os dados indicam que o agronegócio no Piauí enfrenta um desafio de escala e diversificação. A dependência extrema da soja e do milho (que juntos somam mais de 80% do VBP total) torna o estado refém das cotações internacionais. Enquanto o Brasil expande sua fronteira e aumenta o valor agregado, o Piauí não consegue sustentar o ritmo, perdendo participação relativa. A retração na pecuária e em culturas de subsistência, como o feijão e a mandioca, aponta para uma fragilidade tanto no grande produtor quanto na agricultura familiar.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.
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Brasil se despede do pesquisador conhecido por ser o pai do Feijão Carioca
Responsável pela avaliação e difusão da variedade mais consumida do país, agrônomo do IAC ajudou a redefinir padrões de produtividade e qualidade do feijão brasileiro.

A história recente do feijão no Brasil passa, de forma decisiva, pelo trabalho do pesquisador Luiz D’Artagnan de Almeida, que faleceu em 02 de janeiro. A trajetória profissional do agrônomo no Instituto Agronômico (IAC) está diretamente associada à avaliação, validação e difusão do feijão carioca, variedade que se tornou dominante no consumo nacional e transformou o mercado do grão no país.
D’Artagnan ingressou no IAC em 1967, instituição vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, onde construiu toda a sua carreira até a aposentadoria, em 2002. Atuou na antiga Seção de Leguminosas, área estratégica em um período em que a pesquisa pública buscava ampliar a oferta de alimentos básicos com maior produtividade e regularidade de qualidade.
O ponto de inflexão ocorreu ainda na década de 1960. Em 1966, o engenheiro agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa de Agricultura da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), encaminhou ao IAC um lote de grãos de feijão com coloração rajada, até então pouco conhecida comercialmente. O material foi submetido a avaliações técnicas conduzidas por D’Artagnan, ao lado dos pesquisadores Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho.
As análises envolveram não apenas o desempenho agronômico, mas também características culinárias, um diferencial para a época. Os resultados indicaram um material adaptado às condições de cultivo e com boa aceitação para consumo, abrindo caminho para sua adoção em escala mais ampla.
Em 1969, o feijão carioca foi oficialmente lançado, sob a responsabilidade direta de D’Artagnan, e incorporado ao projeto de produção de sementes básicas da CATI. A partir desse marco, a variedade ganhou espaço rapidamente nas lavouras e no mercado consumidor.
Na década de 1970, com a criação do Programa de Melhoramento Genético do Feijão, o material consolidou sua liderança. O feijão carioca passou a responder por cerca de 66% do consumo nacional, alterando padrões de oferta, produtividade e preferência do consumidor. O avanço teve impacto direto na organização do mercado, na estabilidade de preços e na segurança alimentar, ao fortalecer um alimento central na dieta brasileira.
Pelo papel desempenhado nesse processo, Luiz D’Artagnan de Almeida tornou-se conhecido entre colegas e produtores como o “pai do Carioquinha”, apelido que traduz o alcance prático de sua contribuição científica. Ao longo da carreira, recebeu diversas homenagens pelo trabalho desenvolvido no IAC e pelo legado deixado à pesquisa agrícola e à alimentação no Brasil.
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Governo projeta superávit comercial de até US$ 90 bilhões em 2026
Estimativa supera o saldo positivo de 2025, de US$ 68,3 bilhões.

O Brasil deve terminar 2026 com superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões em 2026. As estimativas foram divulgadas na última terça-feira (o6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a previsão indica um resultado superior ao registrado em 2025, quando a balança comercial brasileira fechou com saldo positivo de US$ 68,3 bilhões.
Apesar do superávit elevado, o resultado do ano passado representou uma queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo foi de US$ 74,2 bilhões.
Para 2026, o Mdic estima exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. As importações devem variar de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões. Com isso, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) pode alcançar entre US$ 610 bilhões e US$ 670 bilhões.
Superação de expectativas
O superávit de 2025 ficou acima das expectativas do mercado, que projetavam cerca de US$ 65 bilhões, e é considerado o terceiro melhor resultado da série histórica, atrás apenas dos saldos registrados em 2023 e 2024.
As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril.



