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Suínos / Peixes Saúde Animal

Rumo a outro patamar de vacinação em suínos

Com base nos benefícios imunológicos da vacinação ID via tecnologia, essa via de aplicação deve ser considerada para o futuro modelo de produção de suínos

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Lucas Scherer/Embrapa

Artigo escrito por Diogo Fontana, médico veterinário e coordenador técnico da MSD Saúde Animal – Canadá e Amanda Camargo, médica veterinária e coordenadora técnica da MSD Saúde Animal – Brasil

Uma prática comum e rotineira na indústria de suínos é o manejo de aplicação de vacinas nos animais, sendo que atualmente a maioria das vacinas são administradas por via intramuscular (IM) com o auxílio de equipamentos, como seringas e agulhas, para realizar o processo. No entanto, a busca constante por inovação e diferenciação estimularam a pesquisas em novas vias de administração de vacinas por empresas de saúde animal. A boa notícia: dispositivos para realizar vacinação intradérmica (ID) sem agulha, e vacinas específicas para essa via de aplicação estão disponíveis no mercado, combinando os benefícios da vacinação sem agulha e da aplicação intradérmica de vacinas.

O exemplo mais conhecido de um dispositivo de vacinação sem agulhas na indústria de suínos, desenvolvido inicialmente na Holanda por especialistas em tecnologia de fabricação de produtos médicos em colaboração com uma empresa farmacêutica, e que apareceu oficialmente pela primeira vez no mercado em 2001. Embora os dispositivos de injeção sem agulha existam na medicina humana desde a década de 1930 e foram introduzidos pela primeira vez na medicina veterinária nos anos 90 na Europa, o desenvolvimento técnico foi adotado e aperfeiçoado por uma empresa alemã e um pouco mais tarde, trouxe ao mercado em 2013 e 2014 os modelos melhorados desta vacinadora, respectivamente, o que traz uma grande vantagem para essa tecnologia, já que o seu desenvolvimento ocorreu juntamente com uma linha de vacinas exclusivas para o uso da via ID.

O doutor Ruud Segers, gerente global de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da linha de produtos biológicos em suínos da empresa, admite que é “um desafio considerável que exige um alto nível de especialização para obter todo o antígeno e adjuvante necessários em um volume tão pequeno e em uma emulsão estável”. A primeira vacina inativada para administração intradérmica contra Mycoplasma hyopneumoniae, introduzida em 2013, superou uma vacina intramuscular em situação de campo. Em 2016, uma vacina com a mesma tecnologia, mas contra a infecção por Circovírus Suíno tipo 2 foi introduzida, o que facilita o manejo na granja, já que as mesmas podem ser usadas concomitantemente. Essas vacinas foram aprovadas e registradas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e já estão disponíveis comercialmente no Brasil.

Vantagens

A vacinação intradérmica sem agulha reduz o risco de disseminação de doenças entre os suínos, que pode ocorrer devido a reutilização da mesma agulha em vários animais durante o processo de vacinação (transmissão iatrogênica de patógenos). Além disso, elimina o risco de quebra de agulhas, abcessos e condenações de carcaças associadas a esses fatos, além de melhorar a segurança do operador, evitando ferimentos acidentais com as agulhas. Como o dispositivo/vacinadora não utiliza agulhas e regula a dose da vacina e a pressão de aplicação eletronicamente, os erros de volume da dose aplicada e lesão teciduais nos animais são minimizados ou inexistentes.

Enquanto as vacinas convencionais são aplicadas com o uso de seringas e agulhas e podem formar um bolus de vacina no fundo do músculo, isto é, uma grande quantidade de líquido, um aplicador intradérmico e sem agulha, como o dispositivo/vacinadora, permite uma dispersão da vacina mais ampla na pele. No geral, a resposta imune após a vacinação intradérmica pode ser mais rápida e tão boa quanto a vacinação intramuscular tradicional, isso com o uso de um volume de vacina muito inferior do que o usado na vacinação tradicional: 0,2 mL aplicado intradérmicamente ao invés de 2 mL via intramuscular. Além de eliminar a necessidade de troca e descarte de seringas e agulhas usadas, e por ser uma vacina que utiliza uma dose menor de aplicação, apresenta menores exigências de volume de frascarias para ser manejado e controlado nas geladeiras de armazenamento de vacinas, se tornando assim mais conveniente.

Bem-estar animal

Nos dias atuais, o mercado de produção de suínos está buscando cada vez mais o bem-estar animal em todo o processo, inclusive no momento da vacinação. E essa é outra grande vantagem que o dispositivo/vacinadora pode proporcionar, pois a aplicação de vacinas sem agulhas causa menos dor e estresse. Um estudo recente mostra que a vacinação intradérmica sem agulhas reduz a reação de medo e dor de fêmeas gestantes. “Isto é de particular interesse em animais alojados em grupo, onde um grito de um animal após ser vacinado intramuscularmente, ou seja, após a introdução da agulha, irá imediatamente desencadear excitação e apreensão em toda a instalação ou grupo de animais”, explica Segers. “A vacinação sem agulha não contribuirá apenas para o bem-estar animal, mas também para um ambiente de trabalho mais calmo e tranquilo para os vacinadores”, completa. Outro estudo em uma granja comercial de suínos avaliou os aspectos de bem-estar em leitões após a vacinação com o dispositivo/vacinadora. Os resultados mostraram que os leitões no grupo vacinado pela via intradérmica foram mais ativos e tinham mais atividade de mamadas após a vacinação do que os leitões vacinados pela via intramuscular.

Como a vacinação intradérmica funciona?

A pele é muito exposta ao meio ambiente e, dessa maneira, representa uma importante proteção física e imunológica contra lesões e infecções. Portanto, semelhante ao sistema imune da mucosa, a pele tem um sistema coordenado no qual células epiteliais, células imunes, linfa e vasos sanguíneos operam de forma muito mais eficiente se a barreira epidérmica for interrompida. Esta é a base para usar a pele como um local de aplicação de vacinas.

Composta por três camadas principais: epiderme, derme e subcutâneo, a pele tem características especificas que são essências para a eficiência da vacinação intradérmica. A epiderme avascular é composta por várias camadas de queratinócitos escamosos cornificados de espessura. Nos suínos tem 30-140µm de espessura e representa a principal barreira da pele. A epiderme dorsal na região do pescoço é geralmente mais espessa do que na região ventral. Além dos queratinócitos, a epiderme contém um tipo de células apresentadoras de antígenos semelhante às células dendríticas (CD), chamadas células de Langerhans. A derme em suínos é 10-13 vezes mais espessa do que a epiderme e é composta de fibras de colágeno e elastina com muitos vasos linfáticos e sanguíneos, além das células dendríticas dérmicas residentes, mastócitos e fibrócitos. O subcutâneo é a terceira camada e representa a camada gordurosa, que tem aproximadamente 12mm de espessura nos suínos.

“As células dendríticas representam um tipo de célula especializada do sistema imunológico que desempenha um papel importante na indução e orquestração das respostas imunológicas. Portanto, é essencial ter essas células como alvo para uma vacinação eficiente”. As células dendríticas possuem muitos receptores que são capazes de detectar agentes patogênicos invasores, tais como receptores Toll-like que reconhecem padrões moleculares associados a patógenos, como ácidos nucleicos virais ou componentes da parede celular bacteriana. O desencadeamento da ativação das CD por sinais de alarme, como a vacinação, é essencial para a indução de respostas imunes adaptativas. Portanto, as vacinas podem ser suplementadas com componentes imunoestimuladores desencadeando esse processo. Depois de detectar patógenos invasores ou antígenos vacinais, as CD ativadas migram através dos vasos linfáticos para os linfonodos de drenagem, onde as respostas imunes são induzidas.

“A derme representa um excelente local para aplicação de vacinas sendo rica em células dendríticas (CD) residentes, vasos linfáticos e capilares sanguíneos”. Dentro da pele, a camada dérmica é a parte mais preparada para montar respostas imunes, pois contém muitas CD residentes, bem como muitos vasos linfáticos e sanguíneos. Após a deposição da vacina intradérmica, CD residentes reagirão e cumprirão suas funções como sentinelas e células apresentadoras de antígeno como descrito acima. Em contraste com as CD dermal, as células de Langerhans presentes na epiderme são menos eficientes para estimular respostas imunes. Sinais inflamatórios induzidos por componentes das vacinas imunestimuladoras também desencadearão extravasamento de monócitos dos capilares sanguíneos presentes na derme. Esses monócitos serão diferenciados em CD inflamatória e macrófagos, criando assim um grande reservatório de células imunes inatas e participando na indução de respostas imunes. É importante ressaltar que a derme é rica em vasos linfáticos através dos quais CD carregadas de antígenos e antígenos livres serão transportados aos gânglios linfáticos, onde as respostas imunes adaptativas serão induzidas.

As CD dérmicas são particularmente eficientes na ativação de linfócitos T, que são ativados apenas pelo processamento de peptídeos antigênicos apresentados em moléculas complexas de histocompatibilidade expressas em altos níveis em CD. Em contraste, os linfócitos B são ativados pelos antígenos livres não processados. Os linfócitos T e B se ativam reciprocamente, processo necessário para a indução da memória imunológica. Estas condições anatômicas e imunológicas representam a base para direcionar a derme como um local de entrega da vacina. Uma revisão da literatura publicada sobre a comparação experimental de injeção de vacina intradérmica (ID) a intramuscular/subcutânea (IM/SC) em vários animais e humanos demonstrou que, embora as vias de vacinação parenteral são altamente imunogênicas com boas vacinas, doses de antígeno necessárias para ativação imunológica são muito mais baixas para a vacinação ID.

Um futuro promissor

Conforme citado anteriormente, a vacinação intradérmica já é estudada há vários anos, essa tecnologia foi introduzida pela primeira vez na medicina veterinária nos anos 90 na Europa, em particular para ajudar na vacinação em massa contra a Doença de Aujeszky, “essa tecnologia realmente decolou na última década”, comenta Victor Geurts, da Holanda. “Existem agora mais de 400 dispositivos/vacinadora no campo, o que significa que quase um em cada cinco granjas de suínos holandesas está usando a tecnologia. Uma recente pesquisa holandesa indicou uma satisfação do cliente de 94,9%. Os fatores higiene/sanidade, bem-estar animal e redução dos efeitos colaterais foram os mais comumente citados como benefícios”, completa Geurts. Atualmente, há cerca de 6.000 dispositivos/vacinadora sendo utilizados em granjas de diversos países. Isidoro Pérez Guzman, gerente técnico da Agropecuária Obanos, uma empresa espanhola de produção de suínos com mais de 13 mil matrizes, resume da melhor maneira possível. “A vacinação intradérmica nos permite ter uma administração de vacinas fácil, segura e eficaz, enquanto diminui o estresse em leitões e matrizes”.

De acordo com a Ana Paula Souza, médica veterinária da Copacol, que está usando as vacinas disponíveis juntamente com o dispositivo/vacinadora, “a aplicação de vacina com o dispositivo/vacinadora, além de facilitar o manejo, proporciona segurança na dosagem e garante a aplicação correta em todos os animais”. Sobre o bem-estar, afirma: “Nos importamos muito com a segurança do colaborador e também com o bem-estar dos animais, por isso se fez necessário buscar uma tecnologia que faz vacinação sem uso de agulha”. Rodrigo Bosa, que há dois anos faz parte de uma equipe responsável pela vacinação com o dispositivo/vacinadora de 8 mil leitões por semana contra Mycoplasma e Circovirose, comenta que “esse sistema de vacinação possibilita o aprendizado e conhecimento de trabalhar com uma tecnologia nova, diferente e inovadora, menor risco de vacinação acidental, proporciona maior segurança e precisão na aplicação da vacina”.

E mais novidades surgirão em breve, o dispositivo/vacinadora continua sendo aperfeiçoado e outras gerações estarão disponíveis no futuro com um design mais ergonômico, maior autonomia de aplicação e a possibilidade de realizar um controle das vacinações através do registro eletrônico das doses aplicadas, que podem ser visualizadas no display do dispositivo/vacinadora ou transmitido para aplicativo de celular. Com base nos benefícios imunológicos da vacinação ID via tecnologia, essa via de aplicação deve ser considerada para o futuro modelo de produção de suínos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Produção

Paraná amplia liderança em piscicultura de cultivo

Levantamento da Peixe BR mostra crescimento de 18,7% para o Estado, bastante superior à média brasileira de 4,9% no ano passado

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Divulgação/AENPr

O Paraná teve um crescimento superior à média nacional na produção de pescados de cultivo em 2019 e consolidou ainda mais a liderança nesse setor. Enquanto no Brasil o aumento foi de 4,9%, o do Paraná alcançou 18,7%, com 154.200 toneladas produzidas. O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) e divulgado esta semana.

Em 2018, o Estado já liderava a produção, com 129.900 toneladas. Agora, ficou mais dilatada a diferença para os seguidores mais próximos. A segunda colocação é de São Paulo, que teve um decréscimo de 4,6%, caindo de 73.200 toneladas para 69.800 toneladas. Segundo a Peixe BR, em terceiro lugar aparece Rondônia, que reduziu em 5,5% a produção, baixando de 72.800 para 68.800 toneladas.

“Essa é uma atividade bem acolhida por cooperativas do Estado. Os investimentos na agroindústria e na infraestrutura de comercialização e logística deram segurança para os produtores”, afirmou o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara. Para ele, o pescado deve adquirir cada vez mais importância como fonte de proteína, com presença forte no mercado internacional.

Ortigara também destacou os ajustes feitos pelo governo nas resoluções de liberação e validade das licenças ambientais. “Foram identificados os entraves e tomadas providências para que os processos fossem agilizados”, disse. Como resultado, dos empreendimentos de médio e pequeno porte passou-se a exigir apenas o Licenciamento Ambiental Simplificado.

Mais espaço

Para o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), responsável pelo setor de pescados, Edmar Gervásio, o peixe é um produto que deve conquistar mais espaço em futuro breve tanto em área de produção quanto no gosto do consumidor. “É uma fonte rica de proteína e seguramente pode contribuir para a segurança alimentar da população, assim como representa uma alternativa rentável e segura para a agricultura familiar”, disse.

Tilápias

A pesquisa do Anuário Peixe BR mostra que o Brasil passou de 722.560 toneladas para pouco mais de 758 mil toneladas de pescados de cultivo. O destaque é a tilápia, espécie da qual o País é o quarto maior produtor mundial, com 432.149 toneladas. Esse mercado é liderado pela China, com 1,93 milhão de toneladas.

Com crescimento de 7,96% em 2019, a espécie representa 57% da produção brasileira de pescados de cultivo. O Paraná mantém liderança folgada em tilápia, bastante à frente de São Paulo, que está na segunda colocação, com 64.900 toneladas, e de Santa Catarina, em terceiro lugar, com 38.559 toneladas. A participação paranaense no mercado nacional de produção de tilápias é de 33,8%.

Em peixes nativos, a produção brasileira teve crescimento de apenas 20 toneladas, passando para 287.930 toneladas – 38% do mercado nacional. No Paraná, a produção de peixe nativos (entre eles, bagre, dourado, jaú, pintado e lambari) foi de 4.194 toneladas. As demais espécies (principalmente carpa, truta e panga) ocupam apenas 5% da produção brasileira. A liderança neste caso é do Rio Grande do Sul, com 16.304 toneladas, e o Paraná está em terceiro, com 3.794 toneladas.

Exportação

No ano passado, de acordo com os dados do Ministério da Economia citados pelo levantamento da Peixe BR, as exportações da piscicultura de cultivo (filés e subprodutos alimentícios ou não – peles, escamas, farinhas e outros) renderam US$ 12 milhões. Os pescados em geral geraram US$ 275 milhões.

O volume de produtos de pesca de cultivo exportado ainda é pequeno, mas crescem a cada ano. De 2018, quando foram enviados para fora do País 5.185 toneladas, para 2019 o acréscimo foi de 26% e passou a 6.543 toneladas. A tilápia está no topo, com 81% de participação. O Paraná foi o segundo Estado exportador de tilápia e derivados, com pouco mais de 1.302 toneladas (24,47% do total). A primeira colocação é de Mato Grosso do Sul, com 2.085 toneladas (39.19% de participação).

Japão, China e Estados Unidos são os principais compradores da piscicultura de cultivo brasileira. Os Estados Unidos, apesar de ser o terceiro em volume, é o que traz mais divisas para o Brasil pois a preferência é pelo filé de tilápia fresco, que tem alto valor agregado. Japão e China importam mais subprodutos.

Fonte: AEN/Pr
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Suínos / Peixes Suínos

Projeções para o mercado de suínos em 2020 indicam que exportações seguirão em alta

A previsão é de novo recorde de embarques e estima-se um aumento na produção brasileira de carne suína, segundo USDA

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Inicio de ano é tempo de se planejar e de preparar os próximos passos para cumprimento de metas. E se tratando do mercado de suínos, o setor já se organiza para tomar decisões. Para isso, a ABCS traz uma análise da produção brasileira, da produção mundial e das exportações durante o período de 2019 e também as previsões para 2020. Dentre as principais observações, identificou-se que as exportações devem continuar crescendo, além de um aumento na produção brasileira de carne suína. No entanto, no cenário global a realidade é de queda na produção e de elevação dos custos para criação de suínos. Os dados mostram que a atual conjuntura exige atenção dos profissionais que atuam na área, especialmente dos produtores.

Exportação recorde em 2019 e janeiro de 2020 mantendo embarques em alta

O ano de 2019 atingiu recorde de exportação com o volume de 750,3 mil toneladas entre in natura (649,38 mil ton.) e processados e um faturamento de US$ 1,597 bilhão (ABPA). A China permanece o carro chefe das exportações brasileiras fechando o ano com 38,1% da carne suína in natura exportada pelo Brasil (tabela 1).

Tabela 1. Volumes exportados de carne suína brasileira in natura para os cinco principais destinos de 2019 (China, Hong Kong, Chile, Uruguai e Rússia) e quantidades para os mesmos destinos nos anos anteriores. 

Comparando com 2016, o ano que detinha o recorde anterior de exportação de carne suína, em 2019, com novo recorde de volume total embarcado (649,38 mil toneladas), observa-se a China praticamente substituindo a Rússia como principal destino, com volumes muito próximos quando comparamos a Rússia em 2016 e 2017 com a China em 2019. Em 2018, o mercado russo estava embargado por quase todo o período, mas no ano passado voltou em ritmo muito baixo. Por outro lado, chama a atenção o crescimento de embarques para Chile e Uruguai.

Os três estados do sul do Brasil lideraram os embarques com mais de 95% da exportação de carne suína in natura em 2019 (tabela 2).

Tabela 2. Os 10 estados maiores exportadores de carne suína in natura em 2019, em toneladas (MDIC).

Mudanças no câmbio e seus reflexos na produção

Outro dado que chama a atenção é o aumento expressivo do faturamento com exportação. Na tabela 3, observa-se que não somente o valor unitário em dólar subiu em 2019, mas também o valor recebido em reais, em função do câmbio favorável às exportações. Enquanto em 2018 o faturamento dos embarques de carne suína in natura totalizou pouco mais 1,07 bilhões de dólares, em 2019 superou 1,47 bilhões, um crescimento de 37,5%. Se aplicarmos o câmbio médio do ano sobre estes valores (tabela 3), considerando que o dólar encareceu mais de 3% de 2018 para 2019, então estima-se em reais um aumento de faturamento total de 42,4% de 2018 para 2019.

Tabela 3 – Exportação brasileira de carne suína in natura, volumes e valores de 2016 a 2019. Devido à elevação do câmbio em 2019, também o valor recebido por kg de carcaça em reais foi recorde. (Dados de volume e valores em dólar do MDIC).

* não considerada inflação no período

** trata-se de uma estimativa baseada em valores cambiais médios do ano, não obrigatoriamente representam o valor efetivamente convertido na comercialização, pois há diferenças em contratos e prazos e oscilações de volumes e valores ao longo dos meses do ano

Em janeiro de 2020 (tabela 4) as exportações continuaram em alta e a China este ano já representa pouco mais da metade dos embarques.

Tabela 4. Volumes de carne suína in natura (ton) exportados pelo Brasil no total e para China em janeiro de 2020 e o comparativo com o mesmo período de 2019. MDIC.

Acordos comerciais e recorde nos embarques

Em meados de janeiro foi assinada a primeira fase do acordo comercial entre EUA e China. A China deve comprar US$ 12,5 bilhões a mais que em 2017 em produtos agrícolas dos EUA no primeiro ano e US$ 19,5 bilhões no segundo ano. Caso o acordo seja cumprido, isso significaria uma elevação nas exportações dos EUA para a China de 149% e 197% em relação ao ano de 2019. Segundo a consultoria MBAgro, para os produtos agropecuários os efeitos não devem ser muito significativos, uma vez que o balanço de oferta e demanda mundial é o que interessa para a precificação dos produtos e o quadro mundial segue apertado tanto para carnes como para grãos. A tendência é que haja apenas uma reorganização nos destinos dos produtos transacionados entre os países.

No dia 10 de janeiro, o USDA atualizou as projeções para 2020 para a produção, consumo e exportações/importações dos principais mercados de carnes. Para este ano, o USDA projeta uma importação chinesa de carne (boi, porco e frango) da ordem de 7,15 milhões de toneladas, 27% acima do importado pelo país em 2019. Outros destaques do relatório do USDA são a previsão do aumento das exportações do Brasil em relação a 2019 da ordem de 9,5% para carne bovina, 20% da carne suína, sem crescimento significativo dos embarques de frango.

Tomando como base o segundo semestre de 2019, que foi quando a China elevou as compras da carne suína brasileira a outro patamar, projeta-se novo recorde de embarques para este ano de 2020, conforme a tabela 5, a seguir.

Tabela 5. Projeções de embarque de carne suína in natura para 2020, baseadas nos volumes exportados no segundo semestre e no último trimestre de 2019. Simulação baseada em dados de exportação de 2019 do MDIC.

Se por um lado o USDA projeta um aumento da produção brasileira de carne suína em 2020, ao redor de 4,5%, por outro lado, o órgão norte americano estima uma queda na produção mundial de carne suína ao redor de 10%, puxada principalmente pela China (-25%), Filipinas (-16%) e Vietnã (-6%).

No tocante a sanidade, além da peste suína africana (PSA) ainda não controlada na China e com focos recentes em outros países asiáticos e na europa oriental, 2020 iniciou com uma série de ocorrências como gripe aviária na China e Febre Aftosa em bovinos na Rússia, que podem afetar não somente o mercado de carnes, como a economia mundial, esta última mais relacionada ao Coronavirus.

Oscilações de preço no mercado doméstico de carnes

De dezembro de 2019 até o momento houve uma oscilação significativa nos valores pagos ao produtor brasileiro, tanto na carne suína, quanto na bovina (gráficos 1 e 3) que atingiram preços recorde no final do ano passado e experimentaram queda acentuada em janeiro. Segundo MBAgro, na média mensal, o suíno fechou o mês de janeiro com preços 6% abaixo do mês anterior, enquanto a carne suína fechou em queda de 12% no atacado em São Paulo. Porém, vale destacar que mesmo com as recentes quedas, o preço do suíno continua em um patamar histórico elevado. De fato, no início do mês de fevereiro tanto o suíno (gráfico 2) como o boi já demonstram uma retomada da subida de preços de forma mais lenta.

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 2 anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.


Gráfico 2. Evolução preço do suíno vivo, em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 30 dias (até 07/02/2020). Mês de fevereiro já apresenta viés de retomada da subida de preço. Fonte: CEPEA.


Gráfico 3. Evolução dos preços do boi gordo no estado de São Paulo (valor da arroba), nos últimos dois anos (até 07/02/2020). Fonte: CEPEA.

Já o movimento de queda do valor da arroba do boi gordo esteve dentro da sazonalidade, pois janeiro é um mês onde o consumo costuma se retrair, em função das férias escolares e do início da “safra” do boi, com maior disponibilidade de animais para o abate (MBAGro). Além disso, as exportações sofreram uma espécie de ressaca, principalmente por parte da China, que foi o principal destino dos embarques em 2019 e se abasteceu para as comemorações do Ano Novo Chinês (25 de janeiro). Ainda segundo o MBAgro, apesar desta queda, a carne bovina deve continuar com preços elevados no mercado interno, por conta da forte demanda externa, mantendo as carnes de frango e suína mais competitivas frente às altas do boi.

Custo de produção: o grande desafio do suinocultor para 2020

Apesar da safra recorde de milho em 2018/2019, o volume exportado do grão (mais de 43 milhões de toneladas no ano, segundo o MDIC) foi o principal determinante de uma alta acumulada de 24% ao longo de 2019, com sucessivos acréscimos de preços desde o mês de setembro (gráfico 4).

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60kg (Campinas-SP), nos últimos 2 anos (até 07/02/20). Fonte CEPEA

O custo de produção de suínos calculado pela Embrapa-CNPSA acumulou em 2019 alta de 8,6%. A nutrição foi o item que mais subiu entre os itens dos custos, com 7,2% de aumento no ano. Durante o primeiro semestre de 2020, o mercado de milho deve permanecer pressionado, tendendo a se normalizar durante o segundo semestre, com a entrada da segunda safra. Até lá, o indicativo é de que os custos permaneçam elevados, comprimindo a rentabilidade do produtor (MBAgro).

Embora se estime uma produção muito similar a do ano passado (tabela 6), o atraso na colheita da soja e especialmente no plantio do milho segunda safra já são evidentes em 2020, quando comparados com os números de 2019 (tabelas 7 e 8).

Tabela 6. Oferta e demanda de milho do Brasil (em mil toneladas) nas últimas safras e projeção para safra 2019/2020. Observa-se uma previsão de estoque de passagem de 2020 para 2021 de cerca de 6 milhões de toneladas, a mais baixa dos últimos anos. (Conab/MBAgro). 


Tabela 7. Estimativa de colheita de soja no Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 17% da área estava colhida, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.


Tabela 8. Estimativa de plantio de milho segunda safra no Centro-Sul do Brasil até o final de janeiro de 2020. Enquanto no mesmo período do ano passado 29% da área estava plantada, neste ano somente 8%.

Fonte: S&M, MBAGro.

Este atraso no plantio da segunda safra determina um risco climático que poderá determinar quebras na produção nacional de milho, pois esta segunda safra tem peso de mais de 70% na produção total do país. O consumo interno está aumentado, em função do crescimento das exportações de carne e também o etanol de milho. As exportações de milho começaram o ano com volume de 2,3 milhões de toneladas em janeiro de 2020 (MDIC), menos do que o primeiro mês de 2019 e 2018 e bem abaixo da média do segundo trimestre de 2019, que beirou os 6 milhões de toneladas mensais. Essa queda nas exportações de milho, aliado ao início da colheita da primeira safra deste grão, fez com que o preço caísse neste início de fevereiro (gráfico 4), depois de 6 meses de alta praticamente contínua.

A queda da produção mundial de carne suína, que deve se manter ao longo de 2020, conforme projeções do USDA, determinou uma inflação das carnes, na qual percebe-se que houve uma mudança de patamar de preço pago ao produtor. Além disso, a valorização dos insumos, em especial o milho, determinam um custo de produção recorde que deverá se manter em alta ao longo de todo o ano, dependendo da colheita e das exportações. Em paralelo, o Brasil está ficando cada vez mais dependente do mercado Chinês para exportar boa parte da produção de suínos. Estas questões aliadas ao dólar em alta recorde em fevereiro, riscos de desaceleração da economia mundial e a demora para que a crise econômica brasileira efetivamente se dissipe, aumentam o risco da atividade para este ano.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, o momento é de cautela. “Precisamos produzir com eficiência, observar os indicadores do mercado de insumos e operar nesse mercado no momento certo são os pontos a serem trabalhados para que o suinocultor mantenha margens positivas ao longo do ano”.

Fonte: ABCS
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Suínos / Peixes Mercado

Schoeler completa 20 anos de transformação e eficiência na suinocultura

Contribuinte do FNDS, Schoeler é parceira da ABCS na missão de trazer qualidade e inovação para o setor

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Arquivo/OP Rural

Uma das cinco maiores produtoras de suínos independentes do Brasil, a Schoeler comemora 20 anos de história neste ano. A empresa é reconhecida nacionalmente como referência na produção de suínos, contando com uma estrutura própria de fábrica de rações, logística e transporte, unidades produtivas de leitões e sede administrativa, além de incentivar o desenvolvimento de ações nacionais para o setor por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura, uma iniciativa da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). A cerimônia em homenagem ao aniversário da Schoeler acontece nesta terça-feira (18), na cidade de Carambeí, no Paraná.

O início de tudo se deu pelo Patriarca Bertholdo Schoeler e sua esposa Melânia, que desde a década de 50, já exerciam as atividades agropecuárias por meio da produção familiar. Por volta da década de 80, já com os filhos Auri e Erni, participando ativamente da gestão da propriedade rural, iniciaram com a produção de suínos, com um plantel de 100 Matrizes. O interesse na pecuária foi se mostrando cada vez maior, o que levou a ampliação das estruturas de produção, ao longo dos anos, e no ano 2000, a inauguração de uma instalação para 500 Matrizes com padrões modernos e profissionais. Atualmente a terceira geração, Diego, Maikel e Lilian coordenam a gestão dos negócios, o qual foi crescendo durante essas duas últimas décadas, investindo em uma postura mais profissional de produção e com parcerias sólidas com outras organizações. A cada ano amplia seu Plantel de animais e se fortifica no estado do Paraná, onde atuam desde o ano 2005.

Conquistas

Hoje, a Schoeler é uma empresa de sucesso no setor, tendo sido premiada sete vezes pelo Melhores da Suinocultura. O campeonato anual promovido pela Agriness analisa os indicadores de produtividade e as granjas com melhores colocações recebem auditorias in loco (auditorias físicas), garantindo a credibilidade das informações geradas.

Com valores como produtividade, honestidade, profissionalismo e qualidade, a Schoeler tem a missão de produzir e comercializar suínos de excelência, com alta produtividade e rentabilidade. Para isso, a entidade atualmente conta com 200 granjas de parceria e integração no Paraná e Santa Catarina e atua nos municípios de Arapoti, Jaguariaiva e Piraí do Sul (PR). Sua fábrica de rações tem capacidade produtiva de 50 ton/hora, além de armazenamento de ração pronta de 200 toneladas e estocagem de grãos de 22 mil toneladas. A companhia também atua na área de logística, conta com uma frota de 33 veículos, distribuídos nas operações granel, rações e suínos, atendendo parceiros integrados e granjas próprias.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, parabenizou a empresa por seu histórico de inovação e transformação na suinocultura. Ele elogiou a história e a dedicação da Schoeler por sempre trazer melhorias para o setor. “A Schoeler está sempre ligada nas tendências e mudanças e busca sempre aprimorar seus processos, além de apoiar ações nacionais voltadas para o setor por meio do FNDS. É uma honra para nós da ABCS ter a Schoeler como parceira”, afirmou.

Nova identidade visual para uma nova fase

Além de celebrações, 2020 é um ano de renovações para a Schoeler. Para marcar uma nova fase, a empresa decidiu investir na atualização de sua identidade visual para que contemplasse seus atuais desafios e objetivos.

“Com essa nova solução conseguimos transmitir, por meio de um símbolo forte, o porte da produção e da estrutura de apoio da Schoeler. O nome da empresa está escrito em caixa baixa, nos aproximando de nossos colaboradores, clientes e de você com o jeito especial que temos de nos relacionar há muito tempo. Por fim, mudamos a nossa assinatura para Agro, pois entendemos que ela traduz melhor todo o processo da nossa empresa e tudo que oferecemos para que o suíno da Schoeler seja um produto de qualidade”, explicaram.

Fonte: Assessoria
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