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Roberto Levrero assume cadeira na ALAGRO e amplia influência do Brasil na agenda agrícola latino-americana
Nomeação do presidente do Conselho da Abisolo reforça peso político da nutrição vegetal em debates sobre inovação, sustentabilidade e competitividade regional.

A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) celebra a nomeação de seu presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Levrero, para integrar o Conselho Superior da Academia Latino-Americana do Agronegócio (ALAGRO), no biênio 2025/2026.
Inspirada pelo legado de Alysson Paolinelli, a ALAGRO reúne lideranças do agronegócio latino-americano com a missão de “demonstrar, induzir e comunicar as iniciativas do setor”. O movimento promove o desenvolvimento sustentável, a integração entre países e a valorização da inovação no campo.
Para a Abisolo, a indicação representa o reconhecimento da trajetória de Levrero e de sua contribuição ao fortalecimento do agronegócio brasileiro, especialmente nos segmentos de fertilizantes minerais, organominerais, orgânicos, biofertilizantes, remineralizadores, condicionadores de solo, substratos, adjuvantes e insumos biológicos, que integram a base da entidade. “A nomeação reflete a dedicação e o compromisso da Abisolo com o diálogo técnico e institucional que impulsiona o agronegócio sustentável. A ALAGRO tem papel estratégico na disseminação de conhecimento e no estímulo à cooperação regional”, ressalta Levrero.
O presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo tem trajetória marcada pela defesa da competitividade, da inovação e da sustentabilidade na agricultura. Ele atua para aproximar diferentes atores do agronegócio, promovendo o diálogo e o fortalecimento de políticas e práticas voltadas ao uso eficiente de insumos e ao desenvolvimento de tecnologias para a nutrição vegetal.

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Mais do que falta de chuva: o que impede a água de abastecer as lavouras
Pesquisa do IFRS mostra que a compactação do solo reduz a infiltração de água e pode comprometer a produtividade das lavouras em períodos de estiagem.

A compactação do solo tem se consolidado como um dos principais entraves para a produtividade agrícola, especialmente em regiões que convivem com estiagens recorrentes. Além de restringir o crescimento das raízes, o problema dificulta a infiltração da água, reduz a circulação de ar no perfil do solo e compromete a eficiência do sistema de plantio direto, amplamente adotado na produção de grãos no Brasil.

Foto: Divulgação
Buscando alternativas para enfrentar esse cenário, pesquisadores do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), campus Ibirubá, desenvolveram estudos para avaliar estratégias capazes de melhorar as condições físicas e químicas do solo sem a necessidade de revolvimento excessivo das áreas cultivadas.
Os experimentos foram conduzidos em uma área da própria instituição e analisaram os efeitos da descompactação mecânica associada à aplicação de corretivos agrícolas, como calcário e gesso, sobre o solo e o desempenho da cultura da soja.
Os resultados indicaram que a combinação entre a descompactação e a calagem proporcionou melhores índices de correção da acidez em camadas mais profundas. Segundo os pesquisadores, o uso do descompactador rotativo favoreceu a movimentação do calcário para além da superfície, ampliando o efeito corretivo em até 15 centímetros de profundidade. Já nas áreas com aplicação superficial, os resultados ficaram mais concentrados nos primeiros 10 centímetros.

Foto: Divulgação
Mais água no solo e ganhos na produtividade
Além dos avanços na qualidade química do solo, os trabalhos apontaram benefícios relacionados ao armazenamento de água e ao desempenho da soja. As áreas submetidas à descompactação apresentaram ganhos numéricos de produtividade, com rendimentos próximos de 200 quilos por hectare acima da média do experimento.
Os pesquisadores também observaram maior peso de mil grãos nos tratamentos que receberam correção do solo, evidenciando que a melhoria da estrutura física favorece o ambiente radicular e pode aumentar a tolerância das lavouras aos períodos de déficit hídrico.
Os estudos reforçam que a adoção de práticas de manejo voltadas à recuperação da estrutura do solo pode ser decisiva para aumentar a capacidade das lavouras de enfrentar eventos climáticos extremos e preservar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.
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Desafio da soja é transformar conhecimento em prática no campo, apontam especialistas
Baixa adesão ao Manejo Integrado de Pragas preocupa pesquisadores, que defendem maior aproximação entre ciência e produtores para ampliar a sustentabilidade e a rentabilidade da cultura.

Apesar dos avanços obtidos pela pesquisa nas últimas décadas, a adoção do Manejo Integrado de Pragas (MIP) na soja ainda está abaixo do potencial esperado em diversas regiões produtoras do país. O tema esteve no centro das discussões do workshop “Diálogos para o Uso Prático do MIP em Soja”, realizado na última semana durante a 40ª Reunião de Pesquisa da Soja, em Londrina (PR).

Foto: Divulgação/Embrapa Soja
O encontro reuniu pesquisadores, representantes da indústria, consultores e produtores rurais para debater formas de aproximar o conhecimento científico da realidade das propriedades. Entre as iniciativas apresentadas está a assinatura de uma carta de intenções entre a Embrapa Soja e a Promip, voltada à ampliação de ações de capacitação e treinamento para agricultores.
A busca por maior difusão do MIP ocorre em um momento em que o setor procura sistemas produtivos mais eficientes, capazes de integrar diferentes ferramentas de controle e reduzir a dependência exclusiva dos defensivos químicos.
A estratégia combina métodos biológicos, monitoramento das lavouras e uso racional de produtos fitossanitários, contribuindo para a sustentabilidade e a rentabilidade da atividade. “Vamos ampliar as possibilidades de levar o conhecimento desenvolvido pela ciência, de forma on-line, para diferentes regiões do país. O MIP contribui para melhorar o processo de tomada de decisão do produtor e tem benefícios diretos para a sustentabilidade econômica e social. Cada vez mais, a sustentabilidade será um diferencial e o conhecimento sobre as boas práticas vai permitir tomar decisões com segurança para uma produção cada vez mais sustentável”, destaca Carina Rufino, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja.

Foto: Divulgação/Embrapa Soja
Tecnologia consolidada, mas ainda pouco utilizada
Um dos destaques da programação foi a palestra do pesquisador Adeney de Freitas Bueno, uma das principais referências brasileiras em Manejo Integrado de Pragas, que abordou os motivos pelos quais uma tecnologia amplamente validada ainda encontra dificuldades para avançar no campo.
Segundo o pesquisador, o desafio atual não está na falta de conhecimento técnico, mas em compreender as barreiras práticas enfrentadas pelos produtores na adoção das ferramentas disponíveis. “O MIP-Soja é uma tecnologia consolidada, com resultados comprovados na redução de custos, preservação de inimigos naturais, aumento da rentabilidade associado à sustentabilidade dos sistemas produtivos. O grande desafio é compreender os fatores que ainda limitam sua adoção em larga escala e construir estratégias que aproximem ainda mais a pesquisa da realidade do produtor rural”, destaca Adeney.
A programação também trouxe a visão do produtor rural Luiz Carlos de Castro sobre como engajar os agricultores

Chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Clarice Rufino, com o CEO da empresa parceira, Marcelo Poletti, por ocasião da assinatura da15 carta de intenção para estimular o manejo integrado de pragas na sojicultura brasileira – Foto: Divulgação/Embrapa Soja
em práticas mais sustentáveis, além da participação da gerente de Sustentabilidade da CropLife Brasil, Amália Borsari, que apresentou a perspectiva da indústria de insumos sobre a integração de diferentes táticas de manejo.
Para Marcelo Poletti, CEO da empresa parceira da iniciativa, ampliar o acesso à capacitação é um caminho para tornar os sistemas de produção mais eficientes e economicamente viáveis. “A proposta da parceria com a Embrapa Soja é justamente expandir a capacitação dos produtores, contribuindo para o desenvolvimento de sistemas de produção da soja eficientes e economicamente viáveis. O programa Soja Rota + Sustentável pode contribuir muito neste sentido porque nasceu com o objetivo de estabelecer uma jornada de evolução contínua no manejo integrado de pragas na cultura da soja”, afirma Poletti.
As discussões reforçaram a necessidade de maior integração entre pesquisa, setor produtivo e indústria para acelerar a adoção das boas práticas agrícolas e fortalecer uma sojicultura cada vez mais alinhada às demandas de sustentabilidade e competitividade.
Notícias Da geopolítica aos biocombustíveis
Mudanças globais colocam novos desafios para a cadeia da proteína animal
Fórum AgroLogs durante a Conbrasfran 2026 vai discutir como logística, insumos, rotas comerciais e a expansão do etanol influenciam a competitividade do setor.

A competitividade da cadeia brasileira de proteína animal depende cada vez mais de fatores que vão além da produção dentro das granjas e agroindústrias. Mudanças no cenário geopolítico global, desafios logísticos, disponibilidade de insumos e a expansão da produção de biocombustíveis estão entre os temas que serão debatidos no 2º AgroLogs, o Fórum de Logística e Suprimentos da Proteína Animal, que integra a programação da Conbrasfran 2026, que será realizada de 23 a 25 de novembro pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), em Gramado (RS).

Foto: Divulgação/Asgav
O fórum vai reunir especialistas para discutir o mercado nacional e internacional de aminoácidos em um cenário de transformações geopolíticas, os impactos da nova realidade da produção de grãos e do crescimento das indústrias de etanol e biocombustíveis sobre a produção de proteína animal, além dos desafios relacionados às rotas comerciais globais, ao transporte marítimo e à logística de carnes, ovos e suínos nos mercados interno e externo.
O presidente executivo da Asgav e organizador do evento, José Eduardo dos Santos, destaca que os temas refletem questões que passaram a influenciar diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro. “A eficiência produtiva continua sendo fundamental, mas hoje fatores como logística, disponibilidade de insumos, infraestrutura e geopolítica têm impacto direto sobre custos, planejamento e acesso aos mercados. São temas estratégicos para toda a cadeia de proteína animal”, afirma.
Para ele, discutir essas transformações é essencial para preparar o setor para os desafios dos próximos anos. “O Brasil ocupa posição de destaque na produção e exportação de proteína animal. Manter essa competitividade exige capacidade de adaptação, visão de longo prazo e compreensão das mudanças que estão ocorrendo no cenário global”, destaca.



