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Roberto Kaefer toma posse na nova diretoria da Fiep
Empresário, que é o atual presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná, vai integrar o Grupo de Trabalho de Proteínas Animais, junto ao Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da nova gestão da Fiep.

A cerimônia de posse da nova gestão da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) aconteceu, na última segunda-feira (23), no campus da Indústria do Sistema Fiep, em Curitiba (PR). O evento contou com a presença do governador Carlos Massa Ratinho Junior, políticos e lideranças de diversas entidades da indústria e do setor produtivo paranaense. O industrial Edson Vasconcelos irá presidir a Fiep no quadriênio 2023-2027 e vai contar com o empresário e atual presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Roberto Kaefer, em uma vice-presidência da entidade.
Kaefer irá integrar o Grupo de Trabalho de Proteínas Animais, junto ao Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da nova gestão da Fiep. Segundo ele, essa é uma forma de fazer com que todo o segmento tenha uma representatividade significativa nas ações que envolvam o poder público ou dependam do engajamento da iniciativa privada.
Roberto Kaefer enfatizou que parte significativa da economia do Paraná, está diretamente ligada à avicultura, que em 2022, contribuiu com mais de 45 bilhões no Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná, que foi de R$ 191,2 bilhões, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Frisou ainda, que atuar no Grupo de Trabalho de Proteínas Animais será importante para proporcionar a integração das indústrias deste setor que no Paraná, gera riqueza, proporciona emprego e renda no campo e nas cidades, para milhares de famílias.

Foto: Jonathan Campo/AEN
Nova gestão
A nova diretoria da Fiep é composta por 53 empresários de diversos setores da indústria, representando todas as regiões do Paraná. Vasconcelos destacou que o principal foco da gestão será a defesa de uma política industrial que aprimore o ambiente de negócios do Estado e permita que a indústria paranaense, que já é a quarta principal do país, desenvolva-se ainda mais. Atualmente, o setor industrial responde por 26% do PIB do Paraná. Sob representação institucional da Fiep estão mais de 71 mil empresas. Juntas, elas geram quase 1 milhão de empregos diretos. “Fazer com que essa indústria alcance seu pleno potencial é uma ação estratégica para o Brasil e para o Paraná. Isso é possível alcançar com a implantação de uma política industrial efetiva e eficiente”, acrescentou.
O governador Carlos Massa Ratinho Junior ressaltou a importância da Fiep no desenvolvimento socioeconômico do Estado e destacou a participação das indústrias paranaenses na economia, cujo Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 8,6% nos seis primeiros meses deste ano. “A Fiep tem um papel importantíssimo no desenvolvimento da economia do Paraná. O PIB cresceu mais do que o dobro da média nacional no primeiro semestre”, afirmou.
Ratinho Junior ressaltou ainda a parceria com o Sistema Fiep na capacitação profissional. “Temos uma parceria muito grande, sobretudo para a qualificação da mão de obra, aumentando a empregabilidade dos trabalhadores, dos jovens, das mulheres, para que estejam aptos a entrar na indústria que vem crescendo e se modernizando cada vez mais”, acrescentou.
Novo presidente
Edson Vasconcelos, que assume a presidência da Fiep, é empresário da indústria da construção civil, com atuação também nas áreas imobiliária e de energias renováveis. Nascido em Cascavel, é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e MBA em Negócios Internacionais pela Ohio University, nos Estados Unidos.
Anteriormente, foi presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Oeste do Paraná e da Associação Comercial e Industrial de Cascavel. Desde 2011 integra a diretoria da Fiep como vice-presidente e desde 2014 coordena o Conselho Temático de Infraestrutura da entidade.
Além de Vasconcelos, outros 15 empresários assumiram cargos dentro da nova diretoria, que é composta por 53 membros de diversos setores da indústria e que conta com representantes de todas as regiões do Paraná. O grupo assume um mandato de quatro anos à frente da instituição, com foco na defesa da política industrial paranaense, que atualmente é a 4ª maior do País entre os estados.
Composição da diretoria
Conheça a composição completa da diretoria da Fiep clicando aqui ou na relação abaixo, em que constam os respectivos sindicatos industriais que cada integrante representa:
Presidente
Edson José de Vasconcelos – Sindicato da Indústria da Construção Civil do Oeste do Paraná – Sinduscon Oeste
Vice-presidentes
Carmen Lúcia Izquierdo – Sindicato das Indústrias de Pré-Moldados de Concreto e Artefatos de Cimento do Norte do Paraná – Sindccon Norte
Célia Oliveira Souza Catussi – Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná – Sinduscon Norte
Edgar Behne – Sindicato das Indústrias Moveleiras do Sudoeste do Paraná
Fabrício Antonio Moreira Neto – Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira e de Marcenarias de União da Vitória – Sinpamad
Helio Bampi – Sindicato das Empresas de Instalações Telefônicas no Estado do Paraná – Siitep
Irineu Munhoz – Sindicato das Indústrias de Móevis de Arapongas – Sima
João Alberto Soares de Andrade – Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário do Oeste do Estado do Paraná – Sindimadeira Oeste
José Alberto Soares Pereira Ribeiro – Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado do Paraná – Sicepot
José Carlos de Godoi – Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná – Sindiadubos
Marcos Dybas da Natividade – Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado do Paraná – Sigep
Marcus Vinícius Gimenes – Sindicato das Indústrias, Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos do Norte do Paraná – Sindimetal Norte
Miguel Rubens Tranin – Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado do Paraná – Sialpar
Roberto Kaefer – Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná – Sindiavipar
Roni Junior Marini – Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas, Laminados e de Marcenaria de Palmas – Sindipal
Virgílio Moreira Filho – Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos e Eletrônicos do Estado do Paraná – Sinaees
Diretores secretários
Cláudio Grochowicz – 1º Diretor Secretário – Sindicato das Indústrias de Extração de Mármores, Calcários e Pedreiras no Estado do Paraná – Sindemcap
Elizabete Ardigo – 2º Diretora Secretária – Sindicato das Indústrias do Vestuário de Apucarana e Vale do Ivaí – Sivale
Marcelo Poli – 3º Diretor Secretário – Sindicato das Indústrias de Cal no Estado do Paraná – Sindical PR
Diretores financeiros
Evaldo Kosters – 1º Diretor Financeiro – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Paraná – Sindirepa Paraná
Itamar Carlos Ferreira – 2º Diretor Financeiro – Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Norte do Paraná – Sindpanp
José Georgevan Gomes de Araújo – 3º Diretor Financeiro – Sindicato das Indústrias de Mármores e Granitos no Estado do Paraná – Simagran-PR
Diretores suplentes
Alexandre Damian Reis – Sindicato da Indústria do Vestuário do Oeste do Paraná – Sindiwest
Allan Gomes Guimarães – Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Norte do Paraná – Sinquifar-NP
Antonio Carlos Dalcolle – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios de Maringá – Sindirepa Maringá
Enéias Melchert – Sindicato das Indústrias de Olarias e Cerâmicas do Norte do Paraná – Sindicer Norte
Fernando Yukio Mizote – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Campo Mourão – Sindimetal Campo Mourão
Guilherme Fiorese Philippi – Sindicato das Indústrias de Produtos e Artefatos de Cimento e Fibrocimento e Ladrilhos Hidráulicos do Estado do Paraná – Sindicaf
Guilherme Hakme – Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário do Paraná – Sivepar
José Carlos Bittencourt – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico e Autopeças de Apucarana – Sindimetal Apucarana
José Eduardo de Souza Peixoto – Sindicato das Empresas de Eletricidade, Gás, Água, Obras e Serviços do Estado do Paraná – Sineltepar
Juliano Langowski – Sindicato das Indústrias de Móveis, Marcenarias, Carpintarias, Artefatos de Madeira, Serrarias, Madeiras Laminadas e de Painéis de Madeira Reconstituída de Rio Negro – Simovem
Lúcio Kamiji – Sindicato da Indústria da Tecnologia da Informação do Paraná – TI Paraná
Luiz Krindges – Sindicato do Vestuário do Sudoeste – Sinvespar
Marcelo Ivan Melek – Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Paraná – Sinqfar
Mariane Zanetti Schabatura – Sindicato das Indústrias de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumaria do Estado do Paraná – Sindicosméticos
Mauro Pereira Schwartsburd – Sindicato da Indústria do Mobiliário e Marcenaria do Estado do Paraná – Simov
Nedir Nojehovski – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios de Toledo – Sindirepa Toledo
Olcimar Tramontini – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico do Sudoeste do Paraná – Sindimetal Sudoeste
Rafael Liston – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Sudoeste – Sindirepa Sudoeste
Reinaldo Jorge Scherer – Sindicato das Indústrias de Cerâmicas e de Olarias do Oeste do Paraná – Sindicer Oeste
Ricardo Santin – Sindicato das Indústrias de Cerâmicas e Olarias da Região Centro Sul do Paraná – Sincolsul
Rodrigo Pasa – Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Oeste do Paraná – Sindap
Sueli de Souza Baptisaco – Sindicato da Indústria de Material Plástico do Norte do Paraná – Simlplas-NP
Conselho fiscal
Edson Hideki Ono – Efetivo – Sindicato das Indústrias de Madeira de Guarapuava – Sindusmadeira
Fábio José Germano da Silva – Efetivo – Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica de Louça e Porcelana, Pisos e Revestimentos Cerâmicos no Estado do Paraná – Sindilouça Paraná
Ricardo Lora – Efetivo – Sindicato da Indústria da Construção Civil Oeste do Paraná – Sinduscon Oeste
Antonio Di Rienzo – Suplente – Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Londrina e Região – Sinditêxtil Londrina
Mauro Aleyx Ribeiro – Suplente – Sindicato das Indústrias Moveleiras, Marcenarias e Afins de Umuarama e Região – Simur
Orlei Roncaglio – Suplente – Sindicato das Indústrias Gráficas do Estado do Paraná e Sindicato das Indústrias Gráficas do Oeste do Paraná – Sindgraf
Delegados representantes junto ao Conselho da Confederação Nacional da Indústria
- Edson José de Vasconcelos – Efetivo – Sindicato da Indústria da Construção Civil do Oeste do Paraná – Sinduscon Oeste
- Paulo Roberto Pupo – Efetivo – Sindicato da Indústria da Madeira de Imbituva – Simadi
- Luciano Camilotti – Suplente – Sindicato das Indústrias da Madeira do Estado do Paraná – Simadeira
- Paulo Meneguetti – Suplente – Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado do Paraná – Sialpar; Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado do Paraná – Siapar; Sindicato da Indústria de Produção de Biodiesel do Estado do Paraná – Sibiopar

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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores
Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.
A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”
Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.
A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.
Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.
Recomeço em outro país
Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.
O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”
A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.
A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.
Escola, trabalho e novas oportunidades
Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.
A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida
Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.
Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.
A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.
Reconhecimento e qualidade de vida
Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.
A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.
O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.
Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.
Integração além da porteira
Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.
Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.
O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.
Planos para ficar
Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.
Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.
Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal
Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de R$ 6,38 milhões.
Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão. O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.
Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.
Desafios para o segundo semestre
Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.
O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.
Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.
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Tecnologia acelera análise genética e desenvolvimento de novas cultivares de trigo
Plataforma reduz de dias para cerca de 12 horas o preparo de amostras de DNA e amplia a identificação de genes ligados à produtividade e à resistência a doenças.

Uma nova plataforma de genotipagem automatiza o preparo de amostras de DNA na Embrapa Trigo (RS) e amplia a capacidade de análise genética da cultura do trigo. A tecnologia reduz de dias para cerca de 12 horas o tempo necessário para essa etapa, reduzindo os custos da pesquisa e acelerando a identificação de marcadores genéticos ligados à produtividade e à resistência a doenças.
Esse avanço foi possível graças à evolução do processo de genotipagem, técnica que permite identificar variações no DNA de um indivíduo. “Em duas décadas, o protocolo foi modernizado, com a substituição das análises manuais em gel por sistemas de eletroforese, que usam campo elétrico para separar moléculas e, mais recentemente, pelo sequenciamento, que permite a genotipagem em larga escala e com alta precisão”, conta o laboratorista Jordalan Muniz.
O sequenciamento de segunda geração foi incorporado à rotina do Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo com a chegada de dois novos equipamentos: o ION Chef, responsável pelo preparo das amostras, e o ION GeneStudio S5 Plus, que realiza o sequenciamento. “Podemos dizer que o trabalho de um ano agora pode ser realizado em apenas uma semana. É um ganho de eficiência que reduz custos e acelera a obtenção de dados moleculares em apoio ao programa de melhoramento genético do trigo na Embrapa”, explica o pesquisador Luciano Consoli.
Potencial de uso da plataforma
O genoma do trigo é 5 vezes maior do que o genoma humano. Com o sequenciamento do genoma dessa espécie em 2018, a partir de um consórcio internacional de instituições de pesquisa, foi possível avançar em novas ferramentas de apoio ao trabalho da biotecnologia.
Atualmente, a equipe de Genética Molecular da Embrapa Trigo dispõe de informações de 5 mil marcadores moleculares para o trigo e de 3.500 marcadores para cevada compatíveis com essa plataforma. Segundo a laboratorista Tatiane Crespi, a identificação de marcadores moleculares, associados a genes de interesse, contribui para a seleção de linhagens com características agronômicas desejáveis.
Esse conhecimento resultou no desenvolvimento de um painel de marcadores para serem utilizados na cultura do trigo. Com o uso da plataforma de sequenciamento de segunda geração, é possível fazer a análise simultânea de 384 amostras com 202 marcadores, gerando aproximadamente 80 mil data points.
Além disso, a plataforma de genotipagem possibilita avaliar regiões específicas nas sequências de DNA. “O primeiro resultado do uso dessa tecnologia para a geração de dados moleculares de genotipagem é o aumento da eficiência do processo de geração de novas cultivares e na identificação de alelos ou partes de genes de interesse para os programas de melhoramento. Se antes tínhamos uma representação cartográfica, agora temos algo mais detalhado, com ruas e placas de sinalização”, afirma Consoli.
Avanços para o melhoramento genético
As cultivares ou linhagens de trigo analisadas, que possuem os marcadores moleculares de interesse, poderão ser utilizadas nos blocos de cruzamentos dos programas de melhoramento. No caso do trigo, essas análises já vêm sendo conduzidas, como no trabalho para ampliar a base da resistência genética às doenças, a exemplo da brusone, uma das frentes de trabalho consolidadas com o uso de análises moleculares e seleção assistida na Embrapa Trigo:
“Identificada, numa determinada cultivar, a presença de um marcador molecular associado à resistência, como por exemplo à brusone, suas plantas podem ser incorporadas ao programa de melhoramento para a realização de cruzamentos”, pontua a pesquisadora Gisele Torres. Porém, ela lembra que, no decorrer das avaliações a campo, é fundamental analisar a reação das plantas em condições de exposição ao fungo causador da doença:

Foto: Cleverson Beje
“A simples presença de um determinado marcador, mesmo quando fragmentos do DNA são conhecidos por conferirem resistência, não é suficiente para que as plantas que o possuem sejam resistentes. O trabalho da biotecnologia é complementar ao trabalho do melhoramento. Assim, para verificar a efetividade de um determinado marcador molecular, é essencial que os melhoristas avaliem a reação das plantas frente ao patógeno a campo”, complementa Torres.
Outras potencialidades de uso prático da plataforma de sequenciamento de segunda geração estão sendo exploradas pela equipe. Em solos, por exemplo, é possível fazer a extração do DNA de uma amostra para identificar os microrganismos que podem beneficiar o cultivo do trigo numa determinada região. Em outras palavras, identifica-se um perfil molecular daquele solo, o qual será, então, correlacionado com fatores de produção.
No desafio de desenvolver trigos para celíacos, é possível caracterizar marcadores moleculares associados a genes codificadores de proteínas relacionadas à resposta imunológica ao glúten. Os pesquisadores pretendem, ainda, explorar outras possibilidades de análises em expressão gênica por RNAseq, em sequenciamento de pequenos genomas (microrganismos), entre outras.
Consoli destaca o entusiasmo com o potencial de uso da ferramenta: “Antigamente utilizávamos uma lupa, passávamos para o microscópio e evoluímos para ver o que está dentro das plantas. Agora, conseguimos identificar todo tipo de variação presente nos fragmentos de DNA da planta que estão associados à defesa e ao uso de recursos do ambiente”.



