Conectado com

Avicultura

Risco de Influenza Aviária faz Brasil suspender visitas às granjas

Objetivo é garantir um dos maiores patrimônios da avicultura brasileira: o status sanitário, livre de doenças que afetam os grandes produtores de frango do planeta

Publicado em

em

Segundo em produção e maior exportador de carne de frango do mundo, o Brasil cria medidas severas para proteger a sua avicultura. A Influenza Aviária espalhada pelo planeta, agora também no vizinho Chile, colocou o setor em alerta. As visitas a granjas e locais com aves vivas estão proibidas. O objetivo é garantir um dos maiores patrimônios da avicultura brasileira: o status sanitário, livre de doenças que afetam os grandes produtores de frango do planeta, como Estados Unidos e China.

Desde 10 de janeiro, as agroindústrias produtoras e exportadoras de carne de frango e as empresas produtoras do setor de ovos suspenderam a realização de visitas de todos os clientes e fornecedores, inclusive do Brasil, às suas estruturas e áreas com aves vivas.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a medida, válida por 30 dias, mas com possibilidade de prorrogação, foi tomada após a detecção de focos de Influenza Aviária em 33 países nos últimos três meses, entre eles o Chile, que informou a ocorrência na primeira semana do ano. A suspensão das visitas se estende a todos os elos da produção.

De acordo com o presidente executivo da ABPA, Francisco Turra, a decisão é complementar a uma série de medidas de biosseguridade estabelecidas pelo Grupo Estratégico de Prevenção de Influenza Aviária (Gepia), vinculado ao Conselho Diretivo da entidade. “As agroindústrias e as entidades estaduais estão engajadas nesta ação.  Estamos fortalecendo nosso protocolo de biosseguridade, tornando ainda mais restritiva a circulação de pessoal e produtos dentro do processo produtivo, com total controle, inclusive, das equipes das empresas.  Somos o único grande produtor e exportador mundial que nunca registrou foco da enfermidade, e é isto que buscamos preservar com esta medida", explica Turra.

A proibição de visitas já era aplicada a estrangeiros provenientes de países com focos ativos de Influenza Aviária.   Para países sem focos da enfermidade, a visita era permitida apenas após uma quarentena de 72 horas, realizada no Brasil.

Estados

Nove dias depois da suspenção das visitas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) solicitou aos órgãos de defesa sanitária animal estaduais de todo o país que aumentem a vigilância para prevenir casos de Influenza Aviária no país, segundo nota técnica.

O Mapa também solicitou a realização de vigilância epidemiológica para Influenza Aviária em todos os sítios de aves migratórias reconhecidos pelo Departamento de Saúde Animal do país.

A entrada de aves oriundas de países com casos da doença está proibida no Brasil. O Mapa disse ainda que deve haver “maior rigor dos requisitos para a importação de material genético de aves”, porém sem detalhar os critérios.

O isolamento de aves de produção daquelas de vida livre, por meio do uso de telas em todos os aviários, é uma das medidas preventivas recomendadas.

Segundo o Mapa, um inquérito epidemiológico dos plantéis avícolas nacionais que analisou cerca de 2,9 mil granjas concluiu que há ausência do vírus no país. O Mapa não detalhou quando o inquérito foi realizado.

O Brasil nunca registrou um caso de Influenza Aviária, o que confere aos exportadores brasileiros maior competitividade nos mercados globais de carne de frango, enquanto concorrentes enfrentam a doença.

De acordo com o Mapa, pelo menos 197 espécies de aves podem migrar. Mais da metade (53%) se reproduz no Brasil. Existem 20 sítios (locais) de monitoramento da entrada das aves migratórias no território brasileiro.  Eles estão localizados na Bahia, no Maranhão, em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, no Pará, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e São Paulo.

Conforme o Mapa, a fiscalização também está intensificada em todos os portos, aeroportos, postos de fronteira e aduanas.

Sintomas

Os produtores brasileiros precisam ficar atentos aos sintomas da IA. Aumento repentino de mortalidade das aves em um período de 72 horas, secreção ou corrimento ocular e nasal, tosse, espirros, diarreia e desidratação são alguns deles.

A doença causa ainda depressão severa, apatia, diminuição ou parada no consumo de ração, falta de coordenação motora, andar cambaleante e cabeça pendendo para o lado. Também é observada a queda drástica na produção de ovos, ovos desuniformes, de casca deformada, hemorragias nas pernas, inchaço na região dos olhos, da cabeça e pescoço, inchaço e coloração roxo-azulada ou vermelho-escura na crista e na barbela.

Casos suspeitos devem ser informados pelo telefone 0800 704 1996.

Da porteira pra fora

Em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a suspenção das visitas se soma a outras medidas que o trabalhador rural Medardo Machaiewski pratica no dia a dia. “O técnico da cooperativa nos avisou sobre a chegada da Influenza Aviária no Chile, aqui pertinho da gente. A gente sempre trabalha com o máximo de cuidado possível, mas agora suspendemos todas as visitas porque a gente sabe o quanto essa doença é prejudicial. Só eu, minha esposa e os técnicos que estamos entrando nos aviários”, dispara Medardo, responsável pela propriedade de um associado da Copagril, cooperativa que abate cerca de 170 mil aves por dia.

De acordo com ele, o acesso restrito ficou ainda mais indisponível para as visitas após o conclame da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABCS) na primeira quinzena de janeiro. “A gente já tinha o controle de acesso de visitantes, mas agora os cuidados aumentaram. Quanto menos circular, melhor”, revela.

Conforme o trabalhador, além das visitas, os critérios com a matéria prima que entra nas granjas também ficaram mais rígidos. Medardo conta que até a maravalha usada na cama de aviário, importada da Argentina por muitos produtores do Oeste paranaense, deve ser substituída por um produto nacional. “Muita gente compra a maravalha da Argentina, em fardos, mas já estão pensando em comprar aqui no Brasil por causa da Gripe Aviária lá no Chile”, conta. “A gente usa um desinfetante na maravalha, mas nessas horas não dá para descuidar”, amplia.

Foi a própria cooperativa que alertou os associados sobre as novas diretrizes para a manutenção da sanidade avícola brasileira. “O técnico da cooperativa falou sobre a Gripe Aviária que está ocorrendo no Chile, o que nos preocupa, porque está aqui perto de nós”, cita Medardo. “A gente sabe o quanto é importante manter a saúde dos frangos, por isso cada dia mais a gente faz mudanças por conta da exigência em biosseguridade”, aponta o trabalhador rural.

Medardo cita algumas ações que usa para manter a propriedade livre de patógenos, como “a desinfecção das granjas, o controle no acesso, a entrada de caminhões somente quando necessária para trazer insumos e levar a produção, o cercamento da propriedade e a limpeza para evitar restos de frangos (mortos)”.

“Temos também um controle muito importante com a cal, que ajuda para muitas coisas, como a Salmonella. A cada 60 dias, por exemplo, despejamos cal nas áreas ao redor dos aviários em que mais pisamos. O produtor está tendo cada vez mais consciência de que é preciso fazer esse tipo de controle. A gente sabe que é difícil de controlar (a entrada de patógenos), mas a gente tem que fazer o que pode”, avalia.

Avez migratórias também preocupam

A propriedade é tecnificada, com um sistema de biosseguridade bastante eficiente. Ela é toda murada, com portões de acesso que ficam fechados a maior parte do tempo. Os dois aviários, que juntos têm capacidade para alojar 46 mil animais, são envoltos por uma vegetação robusta no verão, que ajuda a “blindar” os galpões contra os patógenos.

Apesar da recomendação, as árvores são uma preocupação a mais nessa hora de alerta contra a Infleunza Aviária, já que atraem pássaros para a propriedade. Os galpões são fechados e climatizados, evitando o contato com as aves livres, mas ainda assim o trabalhador tem receio. “As árvores são importantes, até para proteger no vento forte, mas o problema é que elas acabam atraindo pássaros. Pelo que a gente sabe, essas aves migratórias também podem transmitir a Gripe Aviária, então a gente fica preocupado e toma todas as medidas de precaução (para evitar o contato)”, diz.

Risco cada vez mais presente

Em Santa Catarina, que detém o melhor status sanitário do país, o problema também incomoda lideranças do agro. O presidente da Associação Catarinense de Avicultores (Acav), José Antônio Ribas Júnior destaca que a preocupação da indústria tem aumentado desde 2002, quando o mundo passou a viver sob ameaça da IA. “Certamente hoje a ameaça é maior. Mesmo que as agroindústrias e seus sistemas de produção tenham evoluído nas ações preventivas, e isso é fato no Brasil, a ameaça é crescente. A movimentação de pessoas no mundo é cada vez maior e temos mais países com casos positivos. Esses fatos por si só geram maior probabilidade de contato”, comenta.

Para ele, o Brasil se mantém livre dessa doença por conta da biosseguridade construída ao longo de uma década. “Nosso país vem construindo um modelo de produção competente e sério. Todas as empresas implementaram ações de capacitação de produtores e dos processos de produção. A conscientização das práticas de biosseguridade está presente em todas fases de produção. Blindamos o ciclo da água, fechamos com telas os aviários para evitar acesso de animais silvestres, colocamos barreiras de entrada de pessoas e veículos. Enfim, é um trabalho que fazemos há mais de dez anos e isso nos diferencia (de outros países). Sabemos que, mesmo assim, não existe risco zero. Desta forma, a persistência e constância de propósito é que podem nos ajudar a manter nossa condição de livre desta e de todas as demais doenças importantes presentes nos outros países”.

De acordo com Ribas, somente a soma de esforços de todos os agentes é que pode resultar em sucesso. “Desde as ações preventivas até as ações de erradicação demandam a cooperação de todos. Precisamos atuar protegendo as propriedades, cumprindo os procedimentos de segurança, vigilantes nas movimentações de animais, pesquisando riscos e estratégias de atuação, estruturando monitorias e alinhando os planos de contingência. A sociedade deve cobrar, pois um episódio como este seria desastroso para a economia catarinense e brasileira por longo período. Importante saber que temos legislação sobre este tema e todos devem se adequar as Instruções Normativas (INs) que o Mapa tem implementado.

Para Ribas, caso o país consiga manter o atual status, deve ampliar seu mercado internacional. “O cenário deve favorecer aos países que estão livres. Isso nos coloca em uma condição diferenciada. Somos o segundo maior produtor de frango do mundo e o maior exportador. Somando isso a nossa qualidade, o resultado é o surgimento de novas oportunidades. Mas, para que se tornem efetivas, precisamos de uma atuação forte de governo em abrir acordos comerciais e fortalecer acordos existentes. Precisamos colocar o Brasil em evidência neste cenário e ocupar mais espaços no mercado internacional”, cita o presidente da Acav.

Efeito Devastados

Para Ribas, um surto de Influenza Aviária causaria muitos problemas para Santa Catarina. “(O efeito seria) devastador para o campo e para cidade. Estamos falando de um setor que é o maior gerador de PIB (Produto Interno Bruto) do Estado. Teremos impactos econômicos imediatos, cessando as exportações por um período longo, e também a redução do consumo interno pela perda de confiança. A drástica e obrigatória redução nos volumes de produção faria com que empresas não suportassem este impacto, gerando uma queda em toda atividade econômica dependente deste setor. A rápida resposta no diagnóstico e na eliminação de focos e monitoria dos processos é que vai definir o quanto mais rápido retornaremos (caso a doença atinja o país)”, define.

Resposta

“Temos relatos de países que levaram dez anos para recuperar o nível de atividade anterior ao problema. Não podemos ficar expostos a isso. Todo investimento em prevenção e resposta deve ser feito. Cada um tem um papel relevante neste processo. Produtores e indústrias precisam adequar suas criações para que estejam protegidas e manter procedimentos que garantam esta condição. Governos federal e estadual devem atuar em vigilância, suprir necessidades de diagnóstico e monitoria dos plantéis e (ter) planos de contingência para uma resposta rápida, competente e reconhecida por todos caso um foco ocorra”, amplia a liderança.

Mais informações você encontra na edição de Aves de fevereiro/março de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo

Avicultura Em Arapongas (PR)

1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul

Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação

Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.

Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.

Debates com lideranças da avicultura

A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação

Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.

Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados

A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.

Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.

Fonte: Assessoria Seara
Continue Lendo

Avicultura

Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná

Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

Publicado em

em

Foto: Jonathan Campos

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias

Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.

Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.

A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.

Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.

Produção de carne cresce acima do ritmo de abate

Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias

início deste ano.

O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.

O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.

A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.

Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura

Galinhas livres de gaiolas e foco em biossegurança garantem produção de ovos bem-sucedida

Plantel de 500 mil aves, produção sem antibióticos melhoradores de desempenho e certificação em bem-estar animal sustentam o modelo adotado pela Planalto Ovos há oito anos.

Publicado em

em

Foto: Divulgação

Galinhas livres de gaiolas, biosseguridade e a adoção de sistemas preventivos e sustentáveis garantem há oito anos o sucesso da Planalto Ovos, cujos resultados produtivos obtidos ao longo da sua trajetória demonstram a consistência do modelo escolhido para sua operação desde a concepção do projeto. Membro fundadora da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), a empresa mantém hoje um plantel de aproximadamente 500 mil aves, distribuídas entre diferentes unidades produtivas em Minas Gerais.

Foto: Divulgação

A decisão de adotar a criação de galinhas livres foi influenciada pela experiência prévia dos sócios na avicultura, construída entre 1964 e 2017 na Granja Planalto, e pela avaliação de que o modelo permitiria estruturar uma produção baseada em manejo cuidadoso, disciplina sanitária e qualidade do produto.

Em 2018, o mercado brasileiro de ovos provenientes de sistemas alternativos ainda era pouco desenvolvido. Existiam iniciativas pontuais, muitas vezes de pequena escala e com baixa padronização de processos. Porém, as mudanças observadas em mercados internacionais indicavam que modelos de criação que proporcionassem melhores condições às aves tenderiam a ganhar relevância ao longo do tempo. Esse contexto sinalizava uma oportunidade para a Planalto, que desde o início descartou a ideia de realizar uma transição gradual a partir de estruturas convencionais.

Toda a produção da empresa é desde então conduzida em sistemas livres de gaiolas ou caipira e integralmente certificada em bem-estar animal, para estabelecer um elevado padrão produtivo para todas as aves, independentemente do destino comercial dos ovos. Essa abordagem contribui para maior consistência operacional e reforça o princípio de que as práticas de manejo e as condições de criação devem ser uniformes em todo o plantel.

Biosseguridade como eixo central da produção

Desde a concepção do projeto, a biosseguridade foi estabelecida como um dos principais pilares da operação. Inicialmente havia preocupação de que a criação no piso pudesse ampliar o risco de desafios sanitários. Na prática, a experiência demonstrou que um programa robusto de prevenção, aliado a boas condições de manejo, permite manter estabilidade sanitária e consistência produtiva.

Foto: Divulgação

Um dos desdobramentos dessa abordagem foi conduzir a produção sem utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho. Para viabilizar esse modelo, a empresa estruturou um conjunto integrado de medidas preventivas, baseadas em biosseguridade rigorosa, nutrição equilibrada e manejo adequado das aves.

Nesse contexto, são utilizadas alternativas tecnológicas que contribuem para a saúde intestinal e para a estabilidade da microbiota das aves, como probióticos e simbióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais. Essas ferramentas auxiliam na manutenção do equilíbrio microbiológico e reduzem a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo do ciclo produtivo.

A abordagem está alinhada ao conceito de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre saúde animal, saúde humana e equilíbrio ambiental, reforçando a importância de sistemas produtivos preventivos e sustentáveis.

A estrutura produtiva é compartimentalizada, com unidades fisicamente separadas (fábrica de ração, fazendas e entreposto de ovos), o que, apesar de aumentar a complexidade logística, reduz significativamente o risco de disseminação de patógenos.

O manejo sanitário inclui vacinação, monitoramento, controle de acesso e desinfecção, com atenção adicional, em sistemas no piso, ao manejo da cama, escolha do ninho e prevenção de endoparasitas.

Reconhecimento internacional

Os resultados produtivos obtidos demonstram a consistência do modelo adotado. Um dos marcos mais relevantes foi o reconhecimento de um lote da linhagem Lohmann como o mais produtivo já registrado pela genética, atingindo 593,8 ovos por ave alojada.

A empresa também recebeu em 2024 o Good Egg Award, concedido pelo ONG de bem-estar animal internacional Compassion in World Farming. A premiação reconhece empresas que adotam padrões elevados de criação e práticas alinhadas à melhoria das condições de vida das galinhas poedeiras.

Diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem: “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda” – Foto: Divulgação

Segundo a empresa, esses reconhecimentos demonstram que essas dimensões não são conflitantes, mas que é possível combinar altos níveis de bem-estar animal com alta e consistente produtividade.

Cooperação e perspectivas para o setor

A participação na criação da COBEA está alinhada à visão de que iniciativas colaborativas podem acelerar o aprendizado do setor. A troca de experiências entre empresas, academia e organizações da cadeia produtiva contribui para ampliar o alcance de boas práticas e fortalecer discussões técnicas e estratégicas sobre produção animal.

Na avaliação da Planalto Ovos, o Brasil tem capacidade técnica para avançar, mas enfrenta desafios como acesso a financiamento, custos mais altos e necessidade de melhor organização comercial; nesse contexto, certificações independentes são chave para diferenciar boas práticas e dar transparência ao mercado. “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda. Nossa participação na COBEA serve não apenas para compartilhar nossa experiência com outros, mas também para evoluir em conjunto e promover a colaboração necessária em toda a cadeia de valor, o que pode ajudar a acelerar a transição para sistemas de produção que promovam um melhor bem-estar animal”, afirma o diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem.

Fonte: Assessoria Planalto Ovos
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.