Bovinos / Grãos / Máquinas
Rio Grande do Sul quer liderar rastreabilidade individual de bovinos no país
Projeto piloto da Seapi amplia identificação eletrônica de rebanhos e reforça segurança sanitária e valorização da pecuária gaúcha.

A rastreabilidade individual de bovinos e sua importância para a qualidade da produção do setor da pecuária foram tema do ciclo de palestras, na quarta-feira (15), no Milk Summit Brazil, em Ijuí (RS). O assunto foi apresentado pelo secretário adjunto da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Márcio Madalena. Ele destacou os avanços do Rio Grande do Sul na implementação do sistema e o potencial do Estado para liderar o processo no país.

Fotos: Fernando Dias/Ascom Seapi
A rastreabilidade individual permite acompanhar todo o ciclo de vida do animal — do nascimento ao abate — por meio de um número de identificação único, registrado em brinco ou bóton eletrônico. O sistema reúne informações sobre raça, idade, vacinação e movimentações, integradas a uma base de dados oficial, o que assegura maior controle sanitário, transparência e segurança na produção. “O Rio Grande do Sul tem condições de ser pioneiro na adoção da rastreabilidade, o que trará mais segurança sanitária e agregará valor aos produtos de origem animal”, ressaltou Madalena.
O secretário adjunto explicou que o Programa Nacional de Identificação e Rastreabilidade de Bovinos e Bubalinos (PNIB), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com participação dos estados e entidades representativas do setor, prevê um cronograma de sete anos para adaptação, com adoção obrigatória a partir de 2032. No Rio Grande do Sul, o projeto vem sendo aprimorado por um grupo de trabalho da Seapi e o projeto piloto foi lançado durante a Expointer.
Expansão da rastreabilidade e facilidade para o produtor
Em 2024, o Estado deu início à identificação individual de bovinos em uma propriedade da Seapi em Hulha Negra. Com o projeto piloto, foram 395 animais rastreados e se avaliou novas tecnologias, como a biometria nasal QR. Para 2025, a iniciativa está sendo expandida para 50 propriedades privadas de diferentes regiões e sistemas de produção — leite, corte, ciclo completo e terminação — com o objetivo de implantar a rastreabilidade total, do nascimento ao final da vida do animal.
Entre os benefícios para o produtor, o sistema deve facilitar a gestão de rebanhos, reforçar o controle sanitário, prevenir furtos e agregar valor à produção, especialmente em mercados que exigem comprovação de origem. Além disso, permitirá a valorização ambiental do bioma Pampa e o reconhecimento da pecuária gaúcha como modelo sustentável. “Queremos construir, junto com toda a cadeia produtiva, um sistema sólido e confiável, que ofereça ferramentas práticas ao produtor e fortaleça a competitividade do setor”, concluiu Madalena.
Desde 2017, a CCGL já faz a rastreabilidade de bovinos de leite. Com isso, são 128.914 animais rastreados e 1.187 propriedades rurais.
Os debates sobre rastreabilidade integraram o segundo e último dia da programação do Milk Summit Brazil 2025, primeiro evento voltado à cadeia láctea no Estado. Promovido pela Seapi, por meio do Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite do Rio Grande do Sul (Fundoleite), o encontro reuniu produtores, pesquisadores, empresas e entidades em um espaço de diálogo e articulação para o fortalecimento da produção leiteira gaúcha.

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Abate de fêmeas cresce 23,5% e bezerro atinge maior preço desde 2021
Brasil abateu 20 milhões de vacas e novilhas em 2025. Em Mato Grosso do Sul, bezerro nelore chega a R$ 3.254, alta de 24,3% em um ano.
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Congresso Mundial Brangus reúne 13 países e destaca crescimento da raça no Brasil
Evento em Londrina (PR) integra genética, mercado e visitas técnicas em diferentes sistemas de produção.

A abertura do Congresso Mundial Brangus foi realizada na quarta-feira (18), no Parque de Exposições Governador Ney Braga, em Londrina, reunindo delegações de 13 países, criadores e técnicos de diversas regiões do país. O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Brangus e marca uma das maiores edições do evento.
Segundo o presidente da entidade, João Paulo Schneider da Silva, sediar o congresso representa um marco para a raça no país. Ele destacou a responsabilidade de receber delegações internacionais e a consolidação do Brangus no cenário pecuário brasileiro.
O presidente do congresso, Ladislau Lancsarics, afirmou que a edição atual se diferencia pelo volume de participantes estrangeiros e pela qualidade dos animais apresentados. A programação inclui visitas técnicas em propriedades distribuídas por diferentes biomas, com foco na adaptação da raça a distintos sistemas produtivos.
Expansão da raça
O diretor Sebastião Garcia Neto destacou que o evento foi estruturado para integrar conteúdo técnico e oportunidades comerciais, com julgamentos, fóruns e leilões ao longo da programação.
A associação registra atualmente 357 sócios, com crescimento de 43% no último ano. A raça está presente em 18 estados brasileiros e soma cerca de 580 mil registros. No mercado de genética, o Brangus ocupa a terceira posição em venda de sêmen no país, com mais de 870 mil doses comercializadas em 2024.
A abertura contou ainda com a participação de autoridades locais e estaduais. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, destacou a articulação entre entidades do setor para viabilizar o evento. O prefeito Thiago Amaral ressaltou a ligação histórica do município com a produção agropecuária.
Representando o governo estadual, o secretário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Marcio Nunes, afirmou que a raça tem ganhado espaço pela precocidade, adaptação e desempenho produtivo.
Programação inclui visitas técnicas em três estados
Antes da abertura oficial, o congresso promoveu seis giras técnicas desde 12 de março, com visitas a propriedades no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. As atividades reuniram mais de 1,6 mil participantes, que acompanharam diferentes modelos de produção com a raça.
Após a etapa em Londrina, a programação segue com visitas a fazendas nos dias 22, 24 e 25 de março, além de julgamentos de animais e leilões, consolidando o evento como vitrine da genética Brangus no país.
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ABCZ tem contas de 2025 reprovadas por associados em AGO
Votação ocorreu em Uberaba (MG) e seguiu normas estatutárias, sem imputação direta de responsabilidade.

Os associados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) reprovaram as contas da entidade referente ao ano de 2025, período liderado pelo ex-presidente Gabriel Garcia Cid (gestão 2023-2025). A votação ocorreu na quarta-feira (18), durante Assembleia Geral Ordinária, em Uberaba (MG).
Com a presença de associados, conselheiros e diretores, o ex-presidente prestou conta de sua gestão e, em seguida, o Conselho Fiscal apresentou o seu Parecer exarado após exame do balanço e demonstrações financeiras do exercício anterior, no qual recomendava a aprovação com ressalvas das contas de 2025.
Após as manifestações dos presentes, a Assembleia deliberou, por maioria, pela reprovação das contas de 2025, nos termos das normas estatutárias da entidade.
A ABCZ ressalta que a reprovação das contas não representa, por si só, imputação de responsabilidade ou acusação a quaisquer pessoas, tratando-se de deliberação de natureza técnica e institucional, pautada no cumprimento das normas contábeis e estatutárias aplicáveis. A medida reflete o compromisso dos associados com a transparência, a governança e a adequada gestão do patrimônio da entidade.
Nota de esclarecimento
A reprovação das contas de 2025 da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) foi uma decisão política, não técnica.
Durante a gestão anterior, a posição financeira da entidade passou de R$ 24 milhões, em janeiro de 2023, para mais de R$ 50 milhões ao fim de 2025 — o maior caixa dos 107 anos da Associação.
Esse número recorde é reflexo da administração profissional e exitosa do último triênio, que jamais tolerou qualquer tipo de conduta contrária aos interesses coletivos e preceitos estatutários da ABCZ.
Portanto, a decisão atinge de forma indistinta todo o corpo diretivo responsável pela administração no triênio 2023–2025, muitos dos quais seguem integrando a atual gestão, inclusive na área financeira.
Apesar de pareceres do Conselho Fiscal e de uma auditoria externa independente favoráveis à aprovação das contas, a votação foi respaldada por apertada margem de 5 votos entre 47 votantes, dentre os mais de 26 mil associados.
A dúvida gerada foi em decorrência da investigação em aberto, sem levar em consideração que foi a gestão presidida por Gabriel Garcia Cid que identificou irregularidades e, de forma proativa, tomou todas as providências necessárias para cessá-las e puni-las — incluindo a solicitação de abertura de inquérito policial.
A gestão anterior apresentou vasta documentação que demonstrou um elaborado esquema destinado a lesar financeiramente a associação. O suspeito foi identificado, demitido por justa causa e hoje é investigado pelas autoridades.
Na esfera judicial, a então diretoria jurídica identificou e obteve o bloqueio de mais de R$ 900 mil em bens e dinheiro, que deverão ser restituídos à ABCZ ao fim do processo penal.
Qualquer tentativa de distorcer a realidade dos fatos e de personalizar essa questão não é nada mais que um ataque político que, ressalte-se, em nada contribui para o fortalecimento institucional da ABCZ.
Gabriel Garcia Cid
Presidente da ABCZ no triênio 2023-2025





