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Ricardo Amorim prevê reviravolta e oportunidades históricas para o agro brasileiro

Economista afirma que o Brasil vive um voo de pipa, impulsionado por ventos externos favoráveis, e destaca que a demanda crescente por alimentos e a desvalorização do dólar criam um cenário inédito para o agronegócio.

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O economista Ricardo Amorim, considerado um dos mais influentes do país, enxerga um horizonte promissor para o agronegócio brasileiro. Apesar dos desafios internos, ele avalia que o país vive um momento singular de oportunidades econômicas, impulsionado pela ascensão da Inteligência Artificial e por um cenário internacional que favorece a produção agropecuária. “O Brasil tem uma conjunção de fatores de produtividade, disponibilidade de água e terra, somados a ganhos gigantescos de produtividade das safras de grãos ao longo das últimas décadas, que fazem com que o país tenha uma capacidade de aumento de produção que você não encontra em outros lugares do mundo”, afirmou durante sua participação no evento que celebrou os 80 anos do Grupo Agroceres, promovido em 25 de setembro no Royal Palm Plaza, em Campinas (SP).

Amorim recorreu a uma metáfora para explicar o atual contexto econômico nacional. “O crescimento brasileiro é como o voo de uma pipa: ele depende dos ventos externos. E, neste momento, os ventos sopram a nosso favor”, enfatizou, destacando que as condições geopolíticas e econômicas globais colocam o Brasil numa posição estratégica, especialmente no fornecimento de alimentos para países emergentes.

Nos últimos anos, o eixo do crescimento econômico mundial vem migrando das nações ricas do Ocidente, como Estados Unidos e Europa, para países mais pobres, principalmente da Ásia e da África do Sul. Essa mudança, explica Amorim, tem efeitos diretos sobre o agronegócio. “Quando um americano ou um europeu ganha mais, o que ele vai comprar não é comida. Mas quando um indiano, um chinês ou, no futuro, um africano aumenta a renda, a primeira coisa que cresce é a demanda por alimentos”, enalteceu.

Economista Ricardo Amorim: “Estamos diante de uma conjuntura única. O agro brasileiro, que sempre foi resiliente, agora se beneficia de ventos internacionais mais favoráveis” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Neste cenário, o Brasil se posiciona como fornecedor natural para atender essa nova onda de consumo global. “Particularmente hoje, os dois maiores mercados importadores de alimentos, China e União Europeia, representam uma oportunidade gigantesca para o Brasil”, frisou o economista.

Além da questão da demanda, Amorim aponta que há uma desigualdade temporária de preços entre os grãos e as proteínas animais, que tende a se ajustar nos próximos meses. “A proteína animal, seja bovina, suína ou de aves, está com níveis de preços bastante razoáveis. Já os grãos estão com precificação deprimida. Historicamente, não se costuma ver diferenças tão grandes quanto as atuais”, observou.

Segundo ele, essa defasagem de preços deve se corrigir gradualmente, impulsionada pela desvalorização do dólar. “Estamos num cenário estrutural de enfraquecimento da moeda americana. E toda vez que o dólar se desvaloriza, o preço das commodities, que são cotadas em dólar, sobe”, explicou.

Para ilustrar, Amorim faz uma conta simples. “Imagine uma commodity que custa US$ 100,00, e que US$ 1,00 convertido em Real equivale a R$ 6,00, o preço dela no Brasil seria de R$ 600. Se o dólar cai, o preço em reais tende a subir, porque o produto fica mais caro lá fora e mais competitivo aqui dentro”, detalhou.

Essa dinâmica, segundo o economista, deve gerar um ciclo positivo para o agro brasileiro, revertendo o cenário recente de dificuldades enfrentadas pelos produtores. “Tivemos um período em que o produtor plantou com custos muito altos e depois viu a queda dos preços de venda, o que gerou problemas em toda a cadeia. Agora, acredito numa reviravolta tão rápida e tão forte quanto foi o movimento das dificuldades que enfrentamos”, avaliou.

Cenário geopolítico

O cenário geopolítico também reforça as oportunidades. Amorim aponta que tensões comerciais e políticas entre grandes potências abrem espaço para o Brasil. “Quanto mais o Trump briga com outros países, mais ele cria oportunidades para o Brasil”, comentou, referindo-se às políticas protecionistas e às disputas comerciais dos Estados Unidos com outros países.

Em meio a essa conjuntura, o economista reforça que o país precisa estar preparado para aproveitar o momento. “Há muitas oportunidades no ar, e o Brasil precisa dar o devido tamanho a elas”, frisou.

Impactos do tarifaço

Ao analisar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, Amorim separa as empresas brasileiras em dois grupos: as diretamente impactadas e as indiretamente afetadas. Segundo ele, o primeiro grupo reúne companhias com parte relevante das exportações destinadas ao mercado norte-americano, que agora enfrentam tarifas de até 50%. “Para essas empresas, o tarifaço é importantíssimo, precisa ser levado a sério e considerado em absolutamente qualquer decisão que elas tomarem daqui para frente”, alerta, recomendando para as demais companhias uma postura diferente: “Para o resto, esquece o tarifaço”, disse, de forma categórica, explicando que, mesmo que as tarifas sejam mantidas, o impacto sobre a economia brasileira como um todo tende a ser limitado. “O Brasil é uma economia relativamente fechada. Por exemplo, exportamos apenas cerca de 15% do nosso milho, o que é quase nada se comparado a países com economias muito mais abertas”, pontuou.

Ele usa o exemplo de Singapura para dimensionar o contraste. “Se compararmos, Singapura exporta seis vezes mais do que o Brasil em relação ao PIB. Portanto, o que impacta as exportações de Singapura tem um peso gigantesco na sua economia. No caso brasileiro, não é bem assim”, apontou.

Amorim também lembrou que, embora os Estados Unidos sejam um parceiro comercial relevante, a dependência brasileira é menor do que se costuma imaginar. E, na avaliação dele, o próprio comportamento imprevisível da política norte-americana, especialmente sob a influência de Donald Trump, torna difícil prever os próximos desdobramentos. “O futuro está ficando cada vez mais incerto. O Brasil sempre foi imprevisível, mas os Estados Unidos se tornaram ainda mais. Uma das coisas que o Trump gosta é de não ser previsível. Então, as coisas mudam o tempo todo”, comentou.

Em tom bem-humorado, ele citou um exemplo recente: “Se alguém me dissesse que na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas eu veria uma declaração de amor do Trump ao Lula, eu nunca acreditaria. Mas foi o que aconteceu. Foi um negócio sensacional. Deu química”, disse, arrancando sorrisos da plateia.

Com esse cenário de instabilidade global, Amorim pondera que é possível haver reversão do tarifaço, mas, mesmo que isso não aconteça, o agronegócio brasileiro continua bem-posicionado. “Temos uma conjunção de fatores muito benéficos ao agro. Depois de um momento complicado, acredito que estamos entrando num novo ciclo de crescimento, com fundamentos sólidos e oportunidades reais de expansão”, observou.

Impacto limitado

De acordo com o economista, o impacto direto do tarifaço norte-americano sobre a economia brasileira tende a ser limitado. Ele explica que, embora o anúncio das tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros tenha causado preocupação, os números mostram que o efeito real sobre o PIB é modesto.

Atualmente, 28% das exportações brasileiras vão para a China, 18% para a União Europeia e 12% para os Estados Unidos. Considerando que o Brasil exporta o equivalente a 15% do seu PIB, isso significa que as vendas ao mercado americano correspondem a apenas 1,8% do PIB nacional. “Mesmo dentro desse percentual, nem tudo está sujeito ao tarifaço. Quando olhamos com atenção, vemos que o impacto é bem mais concentrado do que parece”, explicou o economista.

Segundo Amorim, 55% das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanecem sujeitas a uma tarifa de apenas 10%, patamar inferior à média internacional. “Depois da chegada do Trump, a tarifa média de exportação para os Estados Unidos é de 15%. Ou seja, mais da metade do que o Brasil vende para lá está em melhor condição de competir do que o resto do mundo. Não tem problema algum nesse ponto”, expôs.

Outros 19% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano são regidos pela tarifa externa comum, que define o valor do imposto de acordo com o produto, e não com o país de origem. “Isso significa que todo mundo que exporta esses itens para os Estados Unidos paga a mesma tarifa. É uma condição de igualdade. Também não tem problema”, destacou Amorim.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O economista apontou, contudo, que o problema real está nos 36% restantes da pauta exportadora brasileira para os EUA, que passam a enfrentar tarifas de até 50%. “Esse é o grupo mais sensível, um pouco mais de um terço do total exportado. Quando fazemos as contas, isso equivale a cerca de 0,6% do PIB brasileiro. Em outras palavras, esse seria o impacto negativo máximo do tarifaço na economia do país. E isso se nada fosse feito para compensar ou até evitar prejuízos maiores às empresas impactadas”, ressaltou.

Amorim lembrou que entre as medidas compensatórias anunciadas está a liberação de R$ 40 milhões em linhas de crédito para empresas afetadas. Além disso, o impacto tende a ser diluído, já que nem toda a produção destinada aos Estados Unidos deixará de ocorrer. “Uma parte continua sendo exportada mesmo com a tarifa de 50%. Outra parte, um pouco maior, está sendo redirecionada para outros mercados. Aliás, algumas commodities agrícolas, como o café, já estão encontrando novos destinos. E parte do que era produzido para exportação acaba sendo vendido internamente”, mencionou.

Mesmo em um cenário extremo, em que toda a produção destinada aos Estados Unidos deixasse de ser realizada, o economista estima que o impacto negativo sobre a economia brasileira, em 12 meses, seria de apenas 0,6%. “Ou seja, estamos falando de um efeito pontual, localizado e totalmente administrável. O tarifaço é um problema importante para quem está diretamente exposto, mas está longe de ser uma ameaça estrutural à economia brasileira”, enfatizou Amorim.

Fator positivo

Ampliando sua análise, o economista afirmou que o impacto econômico do tarifaço será muito menor do que se imagina e pode até se transformar em um fator positivo para o crescimento do Brasil em 2026. Ele detalhou que, como o tarifaço entrou em vigor no dia 7 de agosto, o efeito sobre o PIB deste ano deve ser proporcional aos cinco meses restantes. “Vamos considerar que começou em 1º de agosto para facilitar a conta. São cinco meses em 2025 e sete em 2026. Isso significa que o impacto máximo negativo em 2025 seria de 0,25% do PIB, e em 2026, 0,35%. Resumindo: faz diferença? Muda o jogo? Não”, salientou.

Amorim, no entanto, vai além: ele acredita que o impacto líquido pode ser positivo já no próximo ano. “Até agora, só falamos do impacto negativo. Mas tem também o impacto positivo, e ele é relevante”, pontuou, acrescentando: “Parte dos produtos que seriam exportados para os Estados Unidos já foram produzidos antes do anúncio das tarifas. Com o tarifaço, esses produtos precisaram encontrar novo destino e muitos acabaram sendo vendidos no mercado interno. Com o produto na mão ou exporta para outro país, o que é difícil em curto prazo, especialmente para produtos perecíveis como frutas e pescados, ou vende no Brasil. O resultado é um aumento súbito da oferta interna e, consequentemente, queda nos preços ao consumidor”, relatou.

Economia

Esse movimento, destacou Amorim, já começa a aparecer nos indicadores econômicos. “Não por acaso, em agosto o Brasil registrou deflação no IPCA pela primeira vez em mais de três anos. Isso é resultado direto do tarifaço. Com mais produtos disponíveis internamente, os preços caem”, frisou.

A queda de preços tem um efeito em cadeia sobre toda a economia. “Os juros no Brasil estão estratosféricos porque precisavam segurar a inflação. Mas, sem inflação, não há justificativa para manter juros altos. A tendência é de queda significativa da taxa básica de juros ao longo do próximo ano”, projetou.

Para o economista, esse movimento cria um ciclo virtuoso: “Cai juros, expande crédito; expande crédito, aumenta o consumo e o investimento; e, com isso, o crescimento econômico se acelera. É por isso que eu acho que, no ano que vem, o impacto do tarifaço no PIB pode ser positivo”, afirmou.

Fuga de investimentos não aconteceu

Amorim ressaltou ainda que o verdadeiro risco do tarifaço não estava no comércio exterior em si, mas na possibilidade de fuga de capitais e retração dos investimentos no Brasil. “A minha preocupação real nunca foi o impacto direto nas exportações, e sim a hipótese de os investimentos pararem de ser feitos no país. Se isso acontecesse, aí sim a economia brasileira teria grandes impactos”, admitiu.

Mas o cenário caminhou na direção oposta. “O importante é que isso não aconteceu e a prova está no comportamento do câmbio”, afirmou, destacando que quando há fuga de capital, o reflexo imediato é a valorização do dólar. “As pessoas vendem reais para comprar dólares e mandar o dinheiro embora. Isso faz o dólar subir. Mas o que aconteceu desde o tarifaço? O real foi a segunda moeda que mais se apreciou no mundo. O dólar despencou em relação ao real. Sabe o que isso significa? Que está entrando dinheiro no Brasil depois do tarifaço dos EUA”.

O economista atribuiu esse fluxo positivo a dois fatores principais. O primeiro é geopolítico, relacionado à escalada de tensão, especialmente entre Índia e Paquistão, que leva investidores a buscarem mercados alternativos mais estáveis. O segundo é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. “Nos EUA, a taxa de juros está em queda. No Brasil, segue altíssima. O investidor olha para isso e pensa: estou ganhando 4% ao ano nos EUA, mas posso ganhar 15% no Brasil, numa moeda que está se valorizando. Então ele se pergunta: ‘onde mesmo fica esse tal de Brasil?’”, comentou, em tom bem-humorado.

Novo ciclo monetário global

Para Amorim, a desvalorização do dólar é parte central da estratégia econômica do governo Trump e um fator que tende a favorecer ainda mais o agro brasileiro. “O grande objetivo do Trump é acabar com o déficit comercial americano. A primeira coisa que ele faz é impor tarifas, tornando mais cara a entrada de produtos nos Estados Unidos. A segunda é desvalorizar o dólar. Com o dólar mais fraco, os produtos americanos ficam mais competitivos lá fora, e as importações ficam mais caras internamente”, explicou.

O resultado, diz o economista, é o início de um novo ciclo monetário global. “Só começamos a ver o início do processo de desvalorização do dólar. Até 24 de setembro, a queda acumulada do dólar foi a maior, no mesmo período do ano, desde 1973. Faz mais de 50 anos que o dólar não se desvalorizava tanto em relação a uma cesta global de moedas. E isso só começou”, enfatizou.

Segundo Amorim, essa tendência, combinada ao fortalecimento do real e ao ganho de competitividade das exportações brasileiras, reforça o papel estratégico do Brasil no comércio mundial de alimentos e commodities. “Estamos diante de uma conjuntura única. O agro brasileiro, que sempre foi resiliente, agora se beneficia de ventos internacionais mais favoráveis”, exaltou.

Com distribuição nacional nas principais regiões produtoras do agro brasileiro, O Presente Rural – Suinocultura também está disponível em formato digital. O conteúdo completo pode ser acessado gratuitamente em PDF, na aba Edições Impressas do site.

Fonte: O Presente Rural

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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná

Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

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Foto: Anderson Gibathe/Itaipu Binacional

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.

O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.

A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.

Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.

A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.

O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.

Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.

No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.

Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.

Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.

Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.

A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.

Fonte: Agência Brasil
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Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural

Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

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Imagem criada por ChatGPT

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa

A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.

Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.

André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.

O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa

meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.

Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa

O que diz o ACT

Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.

Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.

Por fim, compete ao Mapa disponibilizar ao Poder Judiciário o acesso a dados, relatórios e atestados da plataforma; promover, em conjunto com o CNJ, a capacitação de magistrados, servidores, administradores judiciais e peritos; assegurar a operação contínua, a atualização e a evolução da infraestrutura; prestar suporte técnico ao CNJ e aos Tribunais de Justiça; e designar a equipe do Grupo Técnico de Trabalho responsável pela avaliação do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (GTT-VMG), instituído por portaria, para atuar como interlocutora permanente.

O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.

Fonte: Assessoria Mapa
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Programa seleciona 113 projetos e amplia investimentos no cooperativismo da agricultura familiar no Paraná

Volume aprovado chega a R$ 170 milhões e supera orçamento inicial, com foco em modernização, infraestrutura e acesso a mercado para cooperativas e associações.

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Foto: Divulgação/Seab

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) publicou, na sexta-feira (17), o resultado final das avaliações do Edital de Chamamento Público Seab/Deagro nº 001/2025, vinculado ao Programa Coopera Paraná. Após a conclusão das etapas de análise técnica, classificação preliminar e o julgamento de recursos, dos 220 projetos de negócios inscritos, 113 foram formalmente selecionados para receber investimentos que visam modernizar o cooperativismo da agricultura familiar no Estado. Confira aqui o resultado

Foto: Divulgação

Os 113 projetos selecionados e classificados somam aproximadamente R$ 170 milhões, ultrapassando o valor R$ 100 milhões reservado para este chamamento público e, marcando esta edição como a maior desde a criação do Programa Coopera Paraná, em 2019.

O edital em curso estabeleceu o teto de repasse de recursos financeiros em R$ 2,20 milhões por projeto de negócio, maior valor já viabilizado em um edital do Coopera Paraná, desde o início do programa. No edital anterior, os valores eram de até R$ 300 mil para associações e R$ 720 mil para cooperativas. A iniciativa se firma como uma das principais políticas públicas de apoio à agricultura familiar no Estado

Avaliação rigorosa

Esta etapa encerra o ciclo de avaliação rigorosa conduzido pela coordenação do Coopera Paraná. As propostas aprovadas representam o que há de mais estratégico em termos de viabilidade econômica e sustentabilidade socioambiental, conforme as regras do edital, abrangendo diversas cadeias produtivas das 10 macrorregiões do Paraná.

Foto: Valdelino Pontes

Para a coordenadora do Coopera Paraná, Julian Mattos, chegar ao número final de 113 projetos foi um desafio gratificante para toda a equipe técnica. “O critério de seleção não foi apenas o volume de investimento, mas a sustentabilidade real de cada proposta. Avaliamos detalhadamente, dentro das regras do edital, a capacidade de gestão e o impacto econômico, social e ambiental que esses recursos terão na ponta, garantindo que o dinheiro público seja aplicado em negócios que realmente tenham perenidade no mercado e que tenham cumprido os quesitos eliminatórios, contribuindo para o desenvolvimento rural sustentável”, disse.

Próximos passos

Os interessados já podem consultar a lista final detalhada com a pontuação e a classificação de cada cooperativa e associação diretamente no site oficial da Seab. O documento apresenta a hierarquização das propostas com base nos critérios técnicos estabelecidos no edital, refletindo o esforço das organizações da agricultura familiar em profissionalizar sua gestão, buscar novos mercados para seus produtos, preservar o meio ambiente e promover a inclusão socioprodutiva. Confira aqui o resultado final do Coopera Paraná.

Com a divulgação do resultado final, as organizações proponentes dos projetos selecionados agora seguem para a fase de habilitação, em que será verificada a sua regularidade fiscal e jurídica.

Na sequência, as associações e cooperativas formalmente habilitadas e cujos projetos tenham sido selecionados serão convocadas para apresentação de plano de trabalho, seguindo-se as etapas de formalização dos termos de fomento.

Os recursos serão destinados, por exemplo, à aquisição de máquinas agrícolas, infraestrutura de processamento e logística, além de ao suporte técnico e gerencial que permite às pequenas

Foto: José Fernando Ogura/AEN

cooperativas competirem com grandes players do mercado.

Coopera Paraná

Criado em 2019, a iniciativa chega à quarta edição e está no eixo central da Política Agrícola de promover o desenvolvimento rural sustentável. Desde o lançamento, a Seab já repassou por meio do programa em torno de R$ 94 milhões para cooperativas e associações da agricultura familiar.

No edital de 2019 o repasse foi de quase R$ 30 milhões, em 2021 foram R$ 42 milhões e em 2023 R$ 21,5 milhões. Ao todo, foram atendidas 116 cooperativas e 75 associações.

O programa tem parceiros importantes como o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop-PR) e a União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes), bem como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Paraná) e a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep).

Fonte: AEN-PR
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