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Ricardo Amorim prevê reviravolta e oportunidades históricas para o agro brasileiro
Economista afirma que o Brasil vive um voo de pipa, impulsionado por ventos externos favoráveis, e destaca que a demanda crescente por alimentos e a desvalorização do dólar criam um cenário inédito para o agronegócio.

O economista Ricardo Amorim, considerado um dos mais influentes do país, enxerga um horizonte promissor para o agronegócio brasileiro. Apesar dos desafios internos, ele avalia que o país vive um momento singular de oportunidades econômicas, impulsionado pela ascensão da Inteligência Artificial e por um cenário internacional que favorece a produção agropecuária. “O Brasil tem uma conjunção de fatores de produtividade, disponibilidade de água e terra, somados a ganhos gigantescos de produtividade das safras de grãos ao longo das últimas décadas, que fazem com que o país tenha uma capacidade de aumento de produção que você não encontra em outros lugares do mundo”, afirmou durante sua participação no evento que celebrou os 80 anos do Grupo Agroceres, promovido em 25 de setembro no Royal Palm Plaza, em Campinas (SP).
Amorim recorreu a uma metáfora para explicar o atual contexto econômico nacional. “O crescimento brasileiro é como o voo de uma pipa: ele depende dos ventos externos. E, neste momento, os ventos sopram a nosso favor”, enfatizou, destacando que as condições geopolíticas e econômicas globais colocam o Brasil numa posição estratégica, especialmente no fornecimento de alimentos para países emergentes.
Nos últimos anos, o eixo do crescimento econômico mundial vem migrando das nações ricas do Ocidente, como Estados Unidos e Europa, para países mais pobres, principalmente da Ásia e da África do Sul. Essa mudança, explica Amorim, tem efeitos diretos sobre o agronegócio. “Quando um americano ou um europeu ganha mais, o que ele vai comprar não é comida. Mas quando um indiano, um chinês ou, no futuro, um africano aumenta a renda, a primeira coisa que cresce é a demanda por alimentos”, enalteceu.

Economista Ricardo Amorim: “Estamos diante de uma conjuntura única. O agro brasileiro, que sempre foi resiliente, agora se beneficia de ventos internacionais mais favoráveis” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Neste cenário, o Brasil se posiciona como fornecedor natural para atender essa nova onda de consumo global. “Particularmente hoje, os dois maiores mercados importadores de alimentos, China e União Europeia, representam uma oportunidade gigantesca para o Brasil”, frisou o economista.
Além da questão da demanda, Amorim aponta que há uma desigualdade temporária de preços entre os grãos e as proteínas animais, que tende a se ajustar nos próximos meses. “A proteína animal, seja bovina, suína ou de aves, está com níveis de preços bastante razoáveis. Já os grãos estão com precificação deprimida. Historicamente, não se costuma ver diferenças tão grandes quanto as atuais”, observou.
Segundo ele, essa defasagem de preços deve se corrigir gradualmente, impulsionada pela desvalorização do dólar. “Estamos num cenário estrutural de enfraquecimento da moeda americana. E toda vez que o dólar se desvaloriza, o preço das commodities, que são cotadas em dólar, sobe”, explicou.
Para ilustrar, Amorim faz uma conta simples. “Imagine uma commodity que custa US$ 100,00, e que US$ 1,00 convertido em Real equivale a R$ 6,00, o preço dela no Brasil seria de R$ 600. Se o dólar cai, o preço em reais tende a subir, porque o produto fica mais caro lá fora e mais competitivo aqui dentro”, detalhou.
Essa dinâmica, segundo o economista, deve gerar um ciclo positivo para o agro brasileiro, revertendo o cenário recente de dificuldades enfrentadas pelos produtores. “Tivemos um período em que o produtor plantou com custos muito altos e depois viu a queda dos preços de venda, o que gerou problemas em toda a cadeia. Agora, acredito numa reviravolta tão rápida e tão forte quanto foi o movimento das dificuldades que enfrentamos”, avaliou.
Cenário geopolítico
O cenário geopolítico também reforça as oportunidades. Amorim aponta que tensões comerciais e políticas entre grandes potências abrem espaço para o Brasil. “Quanto mais o Trump briga com outros países, mais ele cria oportunidades para o Brasil”, comentou, referindo-se às políticas protecionistas e às disputas comerciais dos Estados Unidos com outros países.
Em meio a essa conjuntura, o economista reforça que o país precisa estar preparado para aproveitar o momento. “Há muitas oportunidades no ar, e o Brasil precisa dar o devido tamanho a elas”, frisou.
Impactos do tarifaço
Ao analisar o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil, Amorim separa as empresas brasileiras em dois grupos: as diretamente impactadas e as indiretamente afetadas. Segundo ele, o primeiro grupo reúne companhias com parte relevante das exportações destinadas ao mercado norte-americano, que agora enfrentam tarifas de até 50%. “Para essas empresas, o tarifaço é importantíssimo, precisa ser levado a sério e considerado em absolutamente qualquer decisão que elas tomarem daqui para frente”, alerta, recomendando para as demais companhias uma postura diferente: “Para o resto, esquece o tarifaço”, disse, de forma categórica, explicando que, mesmo que as tarifas sejam mantidas, o impacto sobre a economia brasileira como um todo tende a ser limitado. “O Brasil é uma economia relativamente fechada. Por exemplo, exportamos apenas cerca de 15% do nosso milho, o que é quase nada se comparado a países com economias muito mais abertas”, pontuou.
Ele usa o exemplo de Singapura para dimensionar o contraste. “Se compararmos, Singapura exporta seis vezes mais do que o Brasil em relação ao PIB. Portanto, o que impacta as exportações de Singapura tem um peso gigantesco na sua economia. No caso brasileiro, não é bem assim”, apontou.
Amorim também lembrou que, embora os Estados Unidos sejam um parceiro comercial relevante, a dependência brasileira é menor do que se costuma imaginar. E, na avaliação dele, o próprio comportamento imprevisível da política norte-americana, especialmente sob a influência de Donald Trump, torna difícil prever os próximos desdobramentos. “O futuro está ficando cada vez mais incerto. O Brasil sempre foi imprevisível, mas os Estados Unidos se tornaram ainda mais. Uma das coisas que o Trump gosta é de não ser previsível. Então, as coisas mudam o tempo todo”, comentou.
Em tom bem-humorado, ele citou um exemplo recente: “Se alguém me dissesse que na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas eu veria uma declaração de amor do Trump ao Lula, eu nunca acreditaria. Mas foi o que aconteceu. Foi um negócio sensacional. Deu química”, disse, arrancando sorrisos da plateia.
Com esse cenário de instabilidade global, Amorim pondera que é possível haver reversão do tarifaço, mas, mesmo que isso não aconteça, o agronegócio brasileiro continua bem-posicionado. “Temos uma conjunção de fatores muito benéficos ao agro. Depois de um momento complicado, acredito que estamos entrando num novo ciclo de crescimento, com fundamentos sólidos e oportunidades reais de expansão”, observou.
Impacto limitado
De acordo com o economista, o impacto direto do tarifaço norte-americano sobre a economia brasileira tende a ser limitado. Ele explica que, embora o anúncio das tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros tenha causado preocupação, os números mostram que o efeito real sobre o PIB é modesto.
Atualmente, 28% das exportações brasileiras vão para a China, 18% para a União Europeia e 12% para os Estados Unidos. Considerando que o Brasil exporta o equivalente a 15% do seu PIB, isso significa que as vendas ao mercado americano correspondem a apenas 1,8% do PIB nacional. “Mesmo dentro desse percentual, nem tudo está sujeito ao tarifaço. Quando olhamos com atenção, vemos que o impacto é bem mais concentrado do que parece”, explicou o economista.
Segundo Amorim, 55% das exportações brasileiras para os Estados Unidos permanecem sujeitas a uma tarifa de apenas 10%, patamar inferior à média internacional. “Depois da chegada do Trump, a tarifa média de exportação para os Estados Unidos é de 15%. Ou seja, mais da metade do que o Brasil vende para lá está em melhor condição de competir do que o resto do mundo. Não tem problema algum nesse ponto”, expôs.
Outros 19% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano são regidos pela tarifa externa comum, que define o valor do imposto de acordo com o produto, e não com o país de origem. “Isso significa que todo mundo que exporta esses itens para os Estados Unidos paga a mesma tarifa. É uma condição de igualdade. Também não tem problema”, destacou Amorim.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O economista apontou, contudo, que o problema real está nos 36% restantes da pauta exportadora brasileira para os EUA, que passam a enfrentar tarifas de até 50%. “Esse é o grupo mais sensível, um pouco mais de um terço do total exportado. Quando fazemos as contas, isso equivale a cerca de 0,6% do PIB brasileiro. Em outras palavras, esse seria o impacto negativo máximo do tarifaço na economia do país. E isso se nada fosse feito para compensar ou até evitar prejuízos maiores às empresas impactadas”, ressaltou.
Amorim lembrou que entre as medidas compensatórias anunciadas está a liberação de R$ 40 milhões em linhas de crédito para empresas afetadas. Além disso, o impacto tende a ser diluído, já que nem toda a produção destinada aos Estados Unidos deixará de ocorrer. “Uma parte continua sendo exportada mesmo com a tarifa de 50%. Outra parte, um pouco maior, está sendo redirecionada para outros mercados. Aliás, algumas commodities agrícolas, como o café, já estão encontrando novos destinos. E parte do que era produzido para exportação acaba sendo vendido internamente”, mencionou.
Mesmo em um cenário extremo, em que toda a produção destinada aos Estados Unidos deixasse de ser realizada, o economista estima que o impacto negativo sobre a economia brasileira, em 12 meses, seria de apenas 0,6%. “Ou seja, estamos falando de um efeito pontual, localizado e totalmente administrável. O tarifaço é um problema importante para quem está diretamente exposto, mas está longe de ser uma ameaça estrutural à economia brasileira”, enfatizou Amorim.
Fator positivo
Ampliando sua análise, o economista afirmou que o impacto econômico do tarifaço será muito menor do que se imagina e pode até se transformar em um fator positivo para o crescimento do Brasil em 2026. Ele detalhou que, como o tarifaço entrou em vigor no dia 7 de agosto, o efeito sobre o PIB deste ano deve ser proporcional aos cinco meses restantes. “Vamos considerar que começou em 1º de agosto para facilitar a conta. São cinco meses em 2025 e sete em 2026. Isso significa que o impacto máximo negativo em 2025 seria de 0,25% do PIB, e em 2026, 0,35%. Resumindo: faz diferença? Muda o jogo? Não”, salientou.
Amorim, no entanto, vai além: ele acredita que o impacto líquido pode ser positivo já no próximo ano. “Até agora, só falamos do impacto negativo. Mas tem também o impacto positivo, e ele é relevante”, pontuou, acrescentando: “Parte dos produtos que seriam exportados para os Estados Unidos já foram produzidos antes do anúncio das tarifas. Com o tarifaço, esses produtos precisaram encontrar novo destino e muitos acabaram sendo vendidos no mercado interno. Com o produto na mão ou exporta para outro país, o que é difícil em curto prazo, especialmente para produtos perecíveis como frutas e pescados, ou vende no Brasil. O resultado é um aumento súbito da oferta interna e, consequentemente, queda nos preços ao consumidor”, relatou.
Economia
Esse movimento, destacou Amorim, já começa a aparecer nos indicadores econômicos. “Não por acaso, em agosto o Brasil registrou deflação no IPCA pela primeira vez em mais de três anos. Isso é resultado direto do tarifaço. Com mais produtos disponíveis internamente, os preços caem”, frisou.
A queda de preços tem um efeito em cadeia sobre toda a economia. “Os juros no Brasil estão estratosféricos porque precisavam segurar a inflação. Mas, sem inflação, não há justificativa para manter juros altos. A tendência é de queda significativa da taxa básica de juros ao longo do próximo ano”, projetou.
Para o economista, esse movimento cria um ciclo virtuoso: “Cai juros, expande crédito; expande crédito, aumenta o consumo e o investimento; e, com isso, o crescimento econômico se acelera. É por isso que eu acho que, no ano que vem, o impacto do tarifaço no PIB pode ser positivo”, afirmou.
Fuga de investimentos não aconteceu

Amorim ressaltou ainda que o verdadeiro risco do tarifaço não estava no comércio exterior em si, mas na possibilidade de fuga de capitais e retração dos investimentos no Brasil. “A minha preocupação real nunca foi o impacto direto nas exportações, e sim a hipótese de os investimentos pararem de ser feitos no país. Se isso acontecesse, aí sim a economia brasileira teria grandes impactos”, admitiu.
Mas o cenário caminhou na direção oposta. “O importante é que isso não aconteceu e a prova está no comportamento do câmbio”, afirmou, destacando que quando há fuga de capital, o reflexo imediato é a valorização do dólar. “As pessoas vendem reais para comprar dólares e mandar o dinheiro embora. Isso faz o dólar subir. Mas o que aconteceu desde o tarifaço? O real foi a segunda moeda que mais se apreciou no mundo. O dólar despencou em relação ao real. Sabe o que isso significa? Que está entrando dinheiro no Brasil depois do tarifaço dos EUA”.
O economista atribuiu esse fluxo positivo a dois fatores principais. O primeiro é geopolítico, relacionado à escalada de tensão, especialmente entre Índia e Paquistão, que leva investidores a buscarem mercados alternativos mais estáveis. O segundo é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. “Nos EUA, a taxa de juros está em queda. No Brasil, segue altíssima. O investidor olha para isso e pensa: estou ganhando 4% ao ano nos EUA, mas posso ganhar 15% no Brasil, numa moeda que está se valorizando. Então ele se pergunta: ‘onde mesmo fica esse tal de Brasil?’”, comentou, em tom bem-humorado.
Novo ciclo monetário global
Para Amorim, a desvalorização do dólar é parte central da estratégia econômica do governo Trump e um fator que tende a favorecer ainda mais o agro brasileiro. “O grande objetivo do Trump é acabar com o déficit comercial americano. A primeira coisa que ele faz é impor tarifas, tornando mais cara a entrada de produtos nos Estados Unidos. A segunda é desvalorizar o dólar. Com o dólar mais fraco, os produtos americanos ficam mais competitivos lá fora, e as importações ficam mais caras internamente”, explicou.
O resultado, diz o economista, é o início de um novo ciclo monetário global. “Só começamos a ver o início do processo de desvalorização do dólar. Até 24 de setembro, a queda acumulada do dólar foi a maior, no mesmo período do ano, desde 1973. Faz mais de 50 anos que o dólar não se desvalorizava tanto em relação a uma cesta global de moedas. E isso só começou”, enfatizou.
Segundo Amorim, essa tendência, combinada ao fortalecimento do real e ao ganho de competitividade das exportações brasileiras, reforça o papel estratégico do Brasil no comércio mundial de alimentos e commodities. “Estamos diante de uma conjuntura única. O agro brasileiro, que sempre foi resiliente, agora se beneficia de ventos internacionais mais favoráveis”, exaltou.
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Agro garante proteção a políticas estratégicas e seguro rural
Frente Parlamentar da Agropecuária assegura recursos essenciais à pesquisa, extensão e defesa agropecuária, trazendo previsibilidade e segurança ao produtor brasileiro.

Em um momento em que o setor agropecuário enfrenta desafios crescentes, desde eventos climáticos extremos até o aumento do custo do crédito rural, a preservação de políticas públicas estruturantes tornou-se prioridade para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Atuando de forma coordenada na tramitação do PLN 2/2025, que define a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, a bancada do agro garantiu a proteção de áreas essenciais ao campo. O esforço resultou na aprovação, pela Comissão Mista de Orçamento, na última quarta-feira (03), do relatório que mantém os recursos do seguro rural, da defesa agropecuária e das políticas de pesquisa e extensão fora do alcance de contingenciamentos, uma vitória estratégica que devolve previsibilidade e segurança ao produtor para o planejamento da próxima safra.
Após a análise na Comissão Mista, o Congresso Nacional aprovou, na quinta-feira (04), em votação simbólica, o projeto da LDO de 2026 (PLN 2/25), confirmando as salvaguardas defendidas pela FPA. Essas políticas, que incluem o Seguro Rural, a Defesa Agropecuária, a pesquisa e a extensão rural, são instrumentos vitais para a sustentabilidade e competitividade do setor. A falta de execução orçamentária nos últimos anos agravou riscos produtivos, elevou custos e deixou produtores vulneráveis a prejuízos climáticos e sanitários.

Em 2024, por exemplo, o setor agropecuário solicitou R$ 2,1 bilhões para o Seguro Rural, mas apenas R$ 964,5 milhões foram aprovados na LOA. Após o contingenciamento, esse valor caiu para R$ 820,2 milhões, menos de 60% do necessário para atender à demanda nacional. A redução comprometeu o acesso dos produtores ao programa e acentuou a insegurança no planejamento das safras.
A conquista só foi possível graças a uma articulação ampla e coordenada pela Frente Parlamentar da Agropecuária, liderada pelo presidente Pedro Lupion (Republicanos-PR), pelo vice-presidente Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR).
A bancada enviou ofício a todos os membros da Comissão Mista de Orçamento (CMO) ressaltando a urgência de impedir novos cortes no Seguro Rural e defendendo sua previsibilidade como política pública essencial, argumento reforçado pelos impactos recentes da redução de recursos e pelos riscos iminentes de eventos climáticos. Esse movimento técnico e político, somado ao diálogo direto com o relator, o governo e demais parlamentares, garantiu a incorporação das principais demandas do setor no relatório final.
A mobilização reuniu ainda parlamentares como Vicentinho Júnior (PP-TO), Izalci Lucas (PL-DF), Irajá (PSD-TO), Wellington Fagundes (PL-MT), Júlio César (PSD-PI), Pinheirinho (PP-MG), Jussara Lima (PSD-PI), Newton Cardoso Jr. (MDB-MG), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), Capitão Augusto (PL-SP), João Carlos Bacelar (PL-BA), Carlos Henrique Gaguim (União-TO), Ícaro de Valmir (PL-SE) e Wilder Morais (PL-GO), reforçando a capacidade da bancada de atuar de forma unificada em defesa de pautas estruturantes do agro brasileiro.
Articulação
A aprovação do relatório do PLN 2/2025 não apenas assegura a execução mínima de 65% das emendas impositivas, como também inclui, entre as despesas ressalvadas de bloqueio, os principais instrumentos de gestão de risco e de apoio tecnológico ao produtor, impedindo cortes mesmo em cenários de restrição fiscal. Na prática, isso preserva programas essenciais à competitividade e à segurança produtiva do campo.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, destacou que a aprovação representa uma vitória importante para o setor, ao garantir que essas políticas não possam ser contingenciadas. Ele lembrou que, no orçamento anterior, o governo vetou essa proteção, o que resultou na ausência de recursos para o Seguro Rural. Para o parlamentar, retomar essa salvaguarda é fundamental para reduzir o custo do crédito, dar mais segurança ao produtor e assegurar o bom funcionamento do agro. “Garantimos que pesquisa, extensão rural e seguro agrícola não serão contingenciados, uma proteção essencial que havia sido perdida no orçamento passado.”
A senadora Tereza Cristina, que teve papel decisivo na articulação das emendas, reforçou a importância da preservação dessas políticas para o produtor rural. Segundo ela, garantir o Seguro Rural na LDO fortalece a base produtiva do país e protege o produtor em um cenário cada vez mais incerto. “O seguro rural é um instrumento essencial para proteger o produtor de perdas inesperadas, mantendo sua capacidade de seguir produzindo sem ampliar o endividamento. A aprovação da LDO garante essa proteção e oferece ao produtor a previsibilidade de que ele precisa para enfrentar um cenário cada vez mais desafiador no campo.”
O senador Wilder Morais destacou a relevância da incorporação, pelo relator, das emendas apresentadas pela bancada, que garantem a proteção dos recursos destinados ao Seguro Rural e à Defesa Agropecuária. Para ele, a medida representa um avanço significativo. “Hoje, apenas 16% da área agrícola é segurada, contra 80% nos Estados Unidos. Precisamos ampliar esse índice. O Seguro Rural é vital para a gestão de risco, o acesso ao crédito e a prevenção do endividamento, com R$ 27 bilhões em indenizações entre 2015 e 2025, enquanto a Defesa Agropecuária protege a segurança alimentar e as exportações do Brasil. Blindar essas áreas é defender o agro, a economia e o futuro do Brasil.”
O vice-presidente da FPA, deputado Arnaldo Jardim, ressaltou que a LDO define as regras de execução do orçamento e que a Frente trabalhou para preservar essas áreas estratégicas. “A LDO acatou as propostas da FPA e preserva recursos essenciais para pesquisa, seguro agrícola e extensão rural. É uma conquista significativa para o agro.”
O deputado Tião Medeiros avaliou que a proteção ao Seguro Rural devolve estabilidade ao planejamento da próxima safra. Para ele, manter essa política fortalecida ajuda a mitigar impactos climáticos, traz previsibilidade ao produtor e reafirma a importância do agro no orçamento público. “A LDO aprovada faz justiça ao setor agropecuário e reafirma a importância dessas políticas para a agricultura brasileira.”
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Frango recua 6,5% e suíno cresce 10,4% nas exportações em novembro
No acumulado do ano, embarques de frango recuam 0,7%, mas suínos avançam dois dígitos e somam US$ 3,29 bilhões em receita.

As exportações brasileiras de carne de frango, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 434,9 mil toneladas em novembro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume foi 6,5% menor em relação ao mesmo período do ano anterior, com 465,1 mil toneladas.

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No mês, a receita dos embarques chegou a US$ 810,7 milhões, saldo 9,3% menor em relação ao décimo primeiro mês do ano passado, com US$ 893,4 milhões.
No ano (janeiro a novembro), as exportações de carne de frango alcançaram 4,813 milhões de toneladas, volume 0,7% menor em relação aos onze primeiros meses de 2024, com 4,845 milhões de toneladas. Em receita, o total do ano até novembro chegou a US$ 8,842 bilhões, número 2,5% menor em relação ao ano passado, com US$ 9,071 bilhões.
Emirados Árabes Unidos é o principal destino das exportações do setor em 2025, com 433,8 mil toneladas embarcadas entre janeiro e novembro (+2,1% em relação ao ano anterior). Em seguida estão Japão, com 367,4 mil toneladas (-10,8%), Arábia Saudita, com 362,6 mil toneladas (+6,3%), África do Sul, com 288,6 mil toneladas (-4,6%) e México, com 238,2 mil toneladas (+16,2%).
Principal estado exportador brasileiro, o Paraná embarcou 1,915 milhão de toneladas em 2025 (3,94% menor em relação ao mesmo período do ano anterior), seguido por Santa Catarina, com 1,086 milhão de toneladas (+1,76%), Rio Grande do Sul, com 615 mil toneladas (-3,25%), São Paulo, com 297 mil toneladas (+9,57%) e Goiás, com 246 mil toneladas (+10,69%).
Já as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 106,5 mil

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toneladas em novembro, volume 12,5% menor em relação ao mesmo período do ano passado, com 121,1 mil toneladas. A receita do período chegou a US$ 248,2 milhões, saldo 14,9% menor em relação ao ano anterior, com US$ 291,7 milhões.
No ano, os embarques de carne suína acumulam alta de 10,4%, com 1,372 milhão de toneladas nos onze primeiros meses de 2025, contra 1,243 milhão de toneladas no mesmo período do ano anterior. A receita registrada entre janeiro e novembro chegou a US$ 3,294 bilhões, número 18,7% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,774 bilhões.
Filipinas foi o principal destino das exportações, com 350,1 mil toneladas (+49,1%), seguido por China, com 149 mil toneladas (-32,6%), Chile, com 109,1 mil toneladas (+5,8%), Japão, com 101,2 mil toneladas (+18,9%) e Hong Kong, com 99,1 mil toneladas (+1,8%).
Santa Catarina, principal estado exportador, embarcou 688,4 mil toneladas entre janeiro e novembro (+50,73% em relação ao ano anterior). Foi seguido pelo Rio Grande do Sul, com 317,3 mil toneladas (+17%), Paraná, com 214,9 mil toneladas (+25,7%), Mato Grosso, com 34,5 mil toneladas (+0,71%) e Minas Gerais, com 33,7 mil toneladas (+29,6%). “Tanto no caso da carne de frango, como no de carne suína, verificamos os efeitos de atrasos nos embarques em determinados portos, o que gerou efeito nos dados das últimas semanas de novembro, o que gerou diminuição da expectativa dos dados para o mês”, analisa o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
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Reforma na lei do trabalho rural simplifica contratação de temporários
Proposta atualiza a legislação para refletir a sazonalidade do agro e dar segurança jurídica a produtores e trabalhadores.

A modernização das regras de contratação temporária no período de safra avançou na quarta-feira (03) com a aprovação, pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), do parecer do deputado Eli Borges (PL-TO) ao Projeto de Lei 676/2025. De autoria do deputado Afonso Hamm (PP-RS), a proposta altera a Lei nº 5.889/1973, que regula o trabalho rural, para adequar a legislação às dinâmicas sazonais da atividade agropecuária e facilitar a formalização da mão de obra temporária no campo.
O texto aprovado corrige lacunas da lei atual, que não considera plenamente a realidade das safras e colheitas. Segundo Hamm, o objetivo é simplificar procedimentos sem retirar direitos. “O produtor não pode ser penalizado por uma legislação que não entende a sazonalidade da safra. A proposta simplifica a contratação, mas garante os benefícios. É absolutamente legal e vai ser feito pelo e-Social. Essa proposta garante segurança jurídica e valoriza o emprego formal no meio rural”, afirmou.

Deputado Afonso Hamm: “O produtor não pode ser penalizado por uma legislação que não entende a sazonalidade da safra”
Entre as principais mudanças, o projeto estabelece que o contrato de trabalhador rural por pequeno prazo terá limite de até 120 dias, consecutivos ou intercalados, dentro de um período de 12 meses. A contratação deverá ser formalizada por escrito, com informações sobre o empregador, o imóvel rural e a remuneração, que não poderá ser inferior ao piso da categoria.
O texto também permite a adoção do trabalho intermitente, desde que essa modalidade esteja expressamente prevista no contrato. Em determinadas situações, o produtor poderá ser dispensado da realização de alguns exames admissionais e de obrigações relacionadas à segurança e saúde no trabalho, reduzindo custos e burocracias. A proposta restringe esse modelo de contratação a produtores que explorem diretamente atividade agropecuária, pessoas físicas ou jurídicas, incluindo agricultores familiares.
Presente à reunião, o deputado Pezenti (MDB-SC) destacou a importância da medida para aliviar dificuldades enfrentadas pelo setor. “Os produtores estão passando dificuldades para contratar mão de obra e precisam disso urgentemente. A mão de obra está disponível, mas a burocracia está impedindo de avançar”, afirmou.
A matéria segue agora para análise das Comissões de Trabalho e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).



