Avicultura
Revolucionando a avicultura: avanços e impactos da vacinação na saúde e produtividade nas granjas
Vacinação pode ajudar também na redução da excreção de patógenos na granja. Saiba o que deve acontecer para um programa vacinal ser realmente eficaz.

É de conhecimento geral as funções das vacinas. Se perguntarmos a qualquer profissional da veterinária, a resposta estará na ponta da língua: para proteger os animais do adoecimento. Sim, essa é a função primária e mais importante de uma vacina, proteger contra o adoecimento e a morte. No entanto, uma vacina ou programa de vacinação possuem várias outras funções de extrema importância.
Existem três resultados básicos de um plano de vacinação que devem sempre ocorrer para que seja verdadeiramente e plenamente eficaz: proteção contra doenças clínicas e consequente mortalidade e perda de desempenho; redução da suscetibilidade à infecção, ou seja, é necessária uma dose infectante muito maior para infectar as aves vacinadas; e redução significativa na excreção do patógeno de campo quando as aves vacinadas são desafiadas.
O terceiro ponto é considerado crucial em termos de epidemiologia, disseminação da doença e permanência/persistência da infecção em sistemas de produção infectados com o Vírus da Doença de Newcastle, Bronquite Infecciosa, Gumboro e Influenza aviária. Ou seja, a vacinação pode levar a uma excelente proteção clínica e até mesmo a uma redução na suscetibilidade à infecção; no entanto, se as aves infectadas não apresentarem uma diminuição na excreção viral pós-desafio, a pressão de infecção ambiental do sistema continuará alta, e lote após lote, as aves continuarão a ser infectadas e a doença persistirá no sistema de produção.
Figura 2. Sequência de eventos após infecção viral das aves (Quadro 1) e objetivos de um plano efetivo de vacinação (Quadro 2).

Ampliando a visão, as vacinas têm um papel não somente de curto prazo, ao resolver o adoecimento do animal que recebe a vacina, mas também a médio e longo prazo. Isso ocorre porque lotes adequadamente imunizados funcionam como uma barreira para a replicação e disseminação do patógeno para outros animais e para o ambiente. Algumas funções mais abrangentes das vacinas incluem: prevenir infecções, protegendo continuamente os animais; diminuir os sinais clínicos da doença; reduzir a disseminação do vírus no ambiente; diminuir a possibilidade de mutações e recombinações dos agentes infecciosos; e contribuir para a preservação do bem-estar dos animais.
A capacidade de uma vacina reduzir a excreção é variável e influenciada pela tecnologia vacinal utilizada. Além disso, entre produtos que têm a mesma tecnologia também existem diferenças significativas, dependendo da habilidade de cada fabricante de desenvolver vacinas que se adequem às necessidades técnicas impostas pelo agente infeccioso e suas interações com o hospedeiro e o ambiente. Um exemplo são as vacinas para controle do vírus da doença de Gumboro, em que o programa baseado em vacinas recombinantes HVT apresenta limitações importantes no controle da excreção do patógeno em aves vacinadas. As aves, mesmo vacinadas adequadamente, continuam excretando quantidades significativas do vírus de Gumboro quando desafiadas em estudos controlados. Na realidade de lotes comerciais de frangos, este fenômeno é confirmado pela maior prevalência de vírus de campo, variantes detectadas nas bursas.
Tabela 1. Características biológicas dos diferentes conceitos de vacinas Gumboro.
Tabela 1 . Características biológicas dos diferentes conceitos de vacinas Gumboro.
Vacina Parar o ciclo de Gumboro Afetada por anticorpos Maternos Lugar da Vacinação Comentários
Complexo-imune (Vírus IBD vivo) ⦁ Sim, em laboratório
⦁ Sim, no campo Não Incubatório(in ovo e SC) ⦁ Bloqueia muito rapidamente a infecção por qualquer cepa de Gumboro, não há replicação e excreção pós-desafio no campo
⦁ Vacinação no incubatório permite excelente uniformidade de vacinação e proteção
Vacina Vetorizada (rHVT-IBD) ⦁ Não, em laboratório
⦁ Não, no campo Não Incubatório (in ovo e SC) ⦁ Não bloqueia a infecção, replicação e excreção viral (não possui vírus IBD vacinal)
⦁ Não protege completamente contra infecção e não há prevenção dos próximos lotes alojados
Convencional Intermediária (Vírus IBD vivo) ⦁ Não,em laboratório
⦁ Não, no campo Sim Granja (água de bebida) ⦁ Não bloqueia a infecção
⦁ Baixa proteção
⦁ Ruim uniformidade de vacinação pela via água de bebida (aves não vacinadas/suscetíveis)
Convencional Intermediária “plus” ou forte (Vírus IBD vivo) ⦁ Sim, em laboratório
⦁ Não, no campo Sim Granja (água de Bebida) ⦁ Em laboratório bloqueia a infecção por qualquer cepa de vírus IBD
⦁ Ruim uniformidade de vacinação pela via água de bebida (aves não vacinadas/suscetíveis)
⦁ Erros na idade correta de vacinação não uniforme em todas as aves
⦁ Erros humanos nos procedimentos de preparação e aplicação da vacina
Esses resultados para o controle de Gumboro não são iguais para outros patógenos, cada agente, devido às suas características biológicas e interações com o hospedeiro, exige abordagens específicas, que podem ser convergentes em alguns aspectos e divergentes em outros. Por exemplo, no controle de Newcastle, as vacinas vetorizadas apresentam uma excelente resposta no controle da excreção, ativando mecanismos imunológicos efetivos que reduzem significativamente a excreção do vírus desafio em aves vacinadas, conforme evidenciado em diversos estudos controlados.
Controle total
É crucialmente importante do ponto de vista epidemiológico que o programa vacinal utilizado promova um controle total das doenças virais incidentes na indústria avícola moderna. Este programa deve ser capaz não só de proteger contra sinais clínicos e mortalidade, mas também de diminuir significativamente a excreção do vírus de campo que desafia as aves vacinadas, conseguindo assim uma redução da pressão de infecção dos sistemas de produção e eliminando perdas clínicas e subclínicas.
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Avicultura
Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.
Avicultura
Ovos sobem mais de 36% e fortalecem relação de troca com milho e soja
Com a venda de uma caixa, produtor passa a adquirir até 147 quilos de milho e mais de 90 quilos de farelo em São Paulo.
Avicultura
Rio Grande do Sul realiza em março 2º Fórum Estadual de Influenza aviária
Encontro vai reunir em Montenegro o setor avícola para discutir prevenção e contingência após registros recentes da doença na Argentina e no Uruguai.

O município gaúcho de Montenegro, no Vale do Caí, vai sediar no dia 17 de março, a partir das 13h30, o 2º Fórum Estadual de Influenza aviária – Prevenção e Contingência. O evento será realizado no Teatro Roberto Atayde Cardona e reunirá lideranças do setor, técnicos e produtores rurais para debater estratégias de biosseguridade e resposta sanitária.
As inscrições para o fórum são gratuitas e podem ser realizadas clicando aqui.
A iniciativa é organizada pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi), em parceria com a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa).
O objetivo é promover a troca de experiências e reforçar protocolos de prevenção diante do cenário sanitário regional. Neste mês, foram confirmados focos da doença em aves comerciais na Argentina e em aves silvestres no Uruguai, o que acendeu o alerta no setor.
De acordo com a médica-veterinária Alessandra Krein, do Programa de Sanidade Avícola do DDA, o momento exige vigilância máxima. “Com os registros recentes nos países vizinhos, o momento se torna propício para a sensibilização máxima do setor avícola. Não podemos aliviar nas medidas de biosseguridade”, afirmou.





