Avicultura Cadeia produtiva
Revolução tecnológica da avicultura esbarra em cultura laboral e conexão com a internet
Existe um amplo conjunto de soluções digitais para a avicultura, que incluem desde controladores de ambiente de alta tecnologia, sensores de variáveis ambientais, sensores de variáveis inerentes a ave, sensores que medem o volume de ração no silo, sensores que regulam o consumo de água nos bebedouros, dentre outros.

Com status de uma das melhores aviculturas do mundo, o setor avícola nacional possui um amplo portfólio de soluções tecnológicas que conectam o mundo físico ao digital, mas que ainda é pouco explorado pela cadeia produtiva. Para desmitificar as tecnologias de automatização para o setor, a zootecnista e doutora em Engenharia Agrícola, Ana Paula de Assis Maia, palestrou sobre a “Transformação Digital na Avicultura” durante o 15º Simpósio Goiano de Avicultura, que reuniu em junho mais de 300 profissionais da área em Goiânia (GO).

Zootecnista, doutora em Engenharia Agrícola e pesquisadora, Ana Paula de Assis Maia: “Transformação digital não é investir em tecnologias sofisticadas, mas é investir em tecnologias que atendam o problema primário do produtor” – Fotos: Divulgação/AGA
De acordo com a especialista, a transformação digital que está acontecendo em todas as cadeias produtivas, especialmente na avicultura, não deveria ser encarada pelo produtor como um bicho de sete cabeças, uma vez que vem para otimizar o processo produtivo, para melhorar o desempenho das aves e gerar maior rentabilidade da granja. “Muitos ainda tem o pré-conceito que parece ser algo complicado, difícil, e que não é para ser usado na avicultura, porque apenas veem a transformação digital no dia a dia, através do uso de celulares, equipamentos domésticos, em relógios, mas não conseguem enxergar isso dentro da produção animal”, detalha a zootecnista, enfatizando: “A transformação digital está acontecendo, já é uma realidade, e é essencial para conseguirmos atender a demanda mundial por alimentos, porque sabemos que temos uma população crescente e que precisamos produzir cada vez mais com menos recursos, então a transformação digital é fundamental para produzirmos em grande escala de forma sustentável, principalmente de proteína animal”.
Segundo a doutora em Engenharia Agrícola, é muito comum associar a transformação digital com a adoção de tecnologias e soluções digitais em razão do conjunto de instrumentos, métodos e técnicas provenientes da Indústria 4.0, que abrangem inteligência artificial, sensores, uso de imagens e sons (visão computacional), robótica, internet das coisas e computação em nuvem. “A avicultura 4.0 é parte da transformação digital, onde se aplica as tecnologias que hoje estão disponíveis para o campo. O produtor passa a adaptar os processos convencionais na produção com o uso de tecnologias, deixando, por exemplo, de coletar uma temperatura ou peso de forma manual para coletar esses dados de forma automática, utilizando um sensor”, expõe Ana.
Resistência à mudança
Os trabalhadores envolvidos diretamente na cadeia ainda demonstram resistência para automatizar os processos produtivos, porque, segundo Ana, consideram que quando o produtor adota o uso de tecnologia na produção vão perder o emprego, quando, na verdade, deixarão de ser executores para serem gestores do negócio. “Quando as pessoas pensam em transformação digital associam imediatamente a robotização, automatização, a inteligência artificial, pensando que deixarão de exercer sua atividade diária e não é nada disso, apenas vão mudar a forma de trabalhar, passando a gerenciar as atividades da granja, deixando de executá-las de forma manual”, explica Ana.
Soluções digitais
Existe um amplo conjunto de soluções digitais para a avicultura, que incluem desde controladores de ambiente de alta tecnologia, sensores de variáveis ambientais, sensores de variáveis inerentes a ave, sensores que medem o volume de ração no silo, sensores que regulam o consumo de água nos bebedouros, câmeras de pesagem dos animais, microfones que identificam a vocalização das aves e até robôs, tudo conectado à nuvem.
Quando utilizada de maneira correta, toda essa tecnologia garante a produção de proteína animal de forma responsável, sustentável e eficiente, permitindo um maior controle do processo produtivo, além do consequente aumento de produtividade, redução de custos e de uso de recursos naturais, melhor bem-estar animal e das pessoas, com foco voltado para a responsabilidade socioambiental.

Palestra sobre “Transformação digital na avicultura” com Ana Maia integrou a programação do 15º Simpósio Goiano de Avicultura
Investimento em pessoas
A tendência do agro é de investimento em tecnologias e soluções digitais que simplifiquem o dia a dia no campo e resolvam os problemas. Mas, conforme a especialista, para isso acontecer é necessário investir em pessoas para atuarem nesse novo mundo. Segundo ela, a avicultura está iniciando o processo de transformação digital e as empresas estão começando a pensar em inovação para adoção de novas ferramentas. “Estamos em uma fase em que o ponto focal é investir em tecnologias como sensores e equipamentos automáticos, conectividade nas granjas e sistemas que apoiem a digitalização dos processos físicos. Esse passo é fundamental para estruturarmos a base sólida do processo de transformação digital”, evidencia Ana.
Esse movimento envolve mudança de pensamento das lideranças do setor e das empresas de tecnologias e requer estratégia para que haja investimentos e incentivo à inovação dentro das companhias. “A transformação digital para acontecer precisa de uma mudança cultural associada à utilização das tecnologias como aliadas no processo de gestão e tomada de decisão e que apoiam a transformação de processos, principalmente, de pessoas, que são agentes transformadores essenciais”, destaca.
Além do uso das tecnologias
A profissional enaltece que a transformação digital no campo vai muito além da aplicação de tecnologias no processo de produção. “Muitas pessoas pensam que ao automatizar o aviário com sensores que medem temperatura e umidade, regulam a quantidade de água e ração, por exemplo, não precisam fazer mais nada, que já promoveram a transformação digital em sua propriedade, mas não é bem isso, vai muito além do digital, é promover uma mudança de postura, é entender que esse processo é uma jornada que se inicia com a adoção de ferramentas digitais, mas exige uma mudança de cultura organizacional”, salienta Ana.
Quando uma tecnologia é empregada no campo passa a coletar dados e gerar informações, ou seja, permite que os processos físicos sejam colocados de forma rápida e precisa no digital. “Esse é o primeiro passo da transformação digital, quando digitalizo os processos de produção. Antes as aves eram pesadas de forma manual, agora passam a ser pesadas de forma automática, antes era usado um termômetro para medição de temperatura agora são utilizados sensores que controlam o conforto térmico do aviário, com isso as informações geradas diariamente passam a ser digitais”, elenca Ana.
Porém, para que as soluções tecnológicas sejam empregadas no campo é fundamental que se tenha uma infraestrutura de conectividade rural que comporte a geração desses dados, como sinal de operadora celular e internet de qualidade. “Quando falamos de transformação digital estamos falando de gestão em tempo real e para isso é preciso de internet. Hoje cerca de 90% das granjas brasileiras não têm nem sinal de celular, então não há como fazer uma transformação digital se não tem nem infraestrutura. Precisamos ainda, enquanto setor, lutar muito por essa infraestrutura de conectividade”, frisa a profissional.
Após a coleta das informações inicia a etapa de integração dos dados, em que a tecnologia é utilizada para melhorar os processos e a qualidade de vida tanto das pessoas quanto dos animais, transformando as informações em conhecimento, o que permite uma tomada de decisão inteligente, responsável e que gera benefícios para o negócio. “Muito se fala do termo avicultura de precisão, que nada mais é que capturar os dados do que acontece na granja de forma automática, mas eu acho que temos que mudar esse foco pensando em uma avicultura de decisão, onde a precisão é a base para quem utiliza esses dados para tomada de decisão, ou seja, ter granjas guiadas por dados para tomar decisões. É preciso saber interpretar esses dados, é neste ponto que entramos na transformação digital, porque é preciso ter uma mudança de postura dentro da granja, onde o produtor começa a usar a tecnologia e as soluções digitais para ancorar suas decisões, passando a ser gestor e não mais executor”, frisa Ana.
Sem essa mudança de atuação qualquer tecnologia aplicada na granja será em vão, uma vez que os dados por si só não geram nenhum valor, apenas o produtor estará digitalizando o que já existia sem realmente transformar a sua atividade. “Não é somente a aplicação da tecnologia na granja que fará a diferença, mas sim a forma como usamos essa tecnologia para tomar as decisões”, pontua Ana, ressaltando: “Transformação digital não é investir em tecnologias sofisticadas, mas é investir em tecnologias que atendam o problema primário do produtor e depois passar por toda a transformação, utilizando os dados gerados, capacitando as pessoas, deixando de fazer a avicultura de precisão para fazer a avicultura de decisão”, enfatiza.
Para promover essa mudança de filosofia de atuação no campo, a profissional ressalta a importância de ter uma liderança dentro da granja que entenda esse processo de transformação tecnológica que está acontecendo no setor.
Mais do que melhorar processos, segundo Ana, é considerada essencial a adaptação dos sistemas tradicionais de produção a partir da adoção e uso de tecnologias para que a avicultura brasileira mantenha sua competividade e resiliência diante dos atuais desafios mundiais. “As tecnologias são ferramentas digitais e devem trazer previsibilidade, liderar decisões orientadas por dados, trazer os insights e conhecimentos necessários para atender os principais desafios da produção avícola, simplificando, melhorando a eficiência, qualidade e produtividade dos processos, auxiliando na redução de perdas produtivas e melhor uso de recursos, com consequente redução do impacto ambiental”, afirma.
Resistência à mudança
A profissional credita que a lentidão da cadeia produtiva em adotar tecnologias de forma massiva está atrelada a questão cultural de gestão dos granjeiros, que, por vezes, até instalam sistemas automatizados em suas granjas, mas, por falta de conhecimento de como operar esses equipamentos deixa de usá-los ou utiliza de forma inadequada. “As empresas de tecnologias vendem os serviços ou equipamentos, mas não capacitam o produtor, que por não saber como usar a tecnologia não enxerga seus benefícios, ou seja, a indústria acaba criando dificuldade de mostrar o quanto determinada tecnologia pode gerar de produtividade e rentabilidade”, diz Ana.
De acordo com a profissional, no agro ainda impera a cultura de produção tradicional e intuitiva, com o produtor fazendo o manejo da mesma forma que a família fazia há 50 anos.
De acordo com a zootecnista, entre 80 a 90% dos avicultores brasileiros são resistentes a adoção de tecnologias na atividade, enquanto que de 10 a 20% do setor já emprega algum tipo de solução tecnológica. “Por meio da sucessão familiar, da nova geração que está assumindo o negócio da família, que tem uma visão de futuro, é que novas tecnologias estão sendo testadas na avicultura, porque essa geração está preocupada com a eficiência e a sustentabilidade da atividade”, menciona Ana.
Outro ponto destacado pela profissional para justificar a resistência dos avicultores à adoção de tecnologias é em relação ao alto custo dos equipamentos automatizados associados ainda aos custos de produção, que seguem em patamares elevados (ração, água, luz, insumos, produtos veterinários etc). “Para o produtor colocar hoje uma tecnologia, que ainda não é barata, dentro desse processo produtivo, que já tem um alto custo, sem enxergar seus reais benefícios, é muito difícil”, constata Ana, acrescentando: “Às vezes até adotam um sistema, mas não veem retorno porque não utilizam de forma correta, então ainda o gargalo do preço e a deficiência das empresas em mensurar os benefícios da tecnologia impacta nesta transformação tecnológica do setor. É preciso capacitar quem vende e quem compra, além do mercado passar a produzir tecnologias que sejam mais fáceis para a experiência do usuário”, evidencia Ana.
De acordo com a especialista, a grande mudança para acelerar o uso de tecnologias na avicultura está nas empresas inovadoras e em produtores que tem uma visão de futuro, que mesmo que não tenham uma visibilidade concreta dos benefícios, adotam os sistemas digitais para melhorar a performance da produção, tornando o seu produto mais competitivo no mercado.
Tecnologias mais usadas
Conforme a zootecnista, atualmente mais de 80% dos galpões nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são climatizados, em contrapartida, na região Nordeste em sua grande maioria os galpões são convencionais. Ana destaca que pelas tecnologias existentes cerca de 70% dos aviários nacionais já poderiam estar climatizados. “Hoje estamos muito focados em climatização de galpão, temos visto um avanço maior nesta questão, mas ainda estamos caminhando lentamente”, admite Ana.
As tecnologias disponíveis para o campo trazem inúmeros benefícios para a atividade, entre eles melhorias de desempenho dos animais, de rentabilidade da granja, além do produtor ter maior controle do processo produtivo. Mas, antes de adotar uma tecnologia é importante que cada avicultor ou indústria entenda a sua real necessidade para então instalar aquela que melhor atenda a sua demanda. “Cada granja tem suas particularidades, por exemplo, para determinado produtor climatizar o galpão é mais importante em virtude da região em que está instalada a granja, para outro talvez pesar automaticamente as aves seja a tecnologia que vai gerar mais benefícios, porque existe falta de mão de obra em sua região. Hoje as tecnologias mais adotadas são os sensores de ambientes para medição de temperatura e umidade, mas em algumas granjas também há sensores para medição de ração e balanças para pesagem”, relata Ana.
Visão computacional
A zootecnista adianta que uma tecnologia considerada promissora para a avicultura é a visão computacional, que usa imagens e sons para identificar e reconhecer o comportamento e a movimentação dos animais, o peso corporal, identificar aves mortas, indicar o estado de saúde do lote, conforto e bem-estar ou sinalizar desconforto e estresse das aves. “É uma tecnologia bastante promissora, que está chegando aos aviários brasileiros, já vemos muito para bovinos e suínos, mas pouco ainda para o frango. São tecnologias que estão chegando para aprimorar o que a gente já tem hoje”, considera Ana.
É preciso entender como a tecnologia funciona
Por outro lado, a profissional chama atenção para a capacitação dos executivos de negócios, que fazem a venda direta ao produtor, mas que, por vezes, não estão familiarizados com todos os benefícios que os equipamentos automáticos podem trazer à granja. “Muitas vezes chego em uma granja para instalar uma tecnologia que vem da indústria e o produtor é avesso, diz logo que não vai funcionar, porque simplesmente ele não vai usar, não vai ligar o sistema, por isso que é importante que os vendedores sejam capacitados para que possam mudar essa cultura que hoje tem no campo”, frisa Ana, ampliando: “É preciso mostrar como que aquela tecnologia vai ajudar, é preciso caminhar junto com o produtor para que ele entenda a tecnologia funcionando. Ainda estamos no início, porque ainda não focamos nas pessoas”, reconhece.
Sustentabilidade
Com as discussões das diretrizes da agenda ESG associadas aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável preconizados pela Organização das Nações Unidas, a indústria passou a desenvolver com mais afinco ações de sustentabilidade social, ambiental e de governança. No entanto, de acordo com Ana, o setor é falho na comunicação com o produtor, em transmitir a informação de forma transparente e de fácil entendimento.
Quando o produtor começa a fazer gestão de água, gestão de energia, melhora a conversão alimentar das aves, realiza a pesagem dos animais de forma automática e climatiza o galpão, por exemplo, está buscando através de soluções tecnológicas a sustentabilidade do seu negócio. “Ser sustentável é cuidar do meio em que você está inserido e essa mensagem é preciso trazer ao produtor com uma linguagem fácil. Se o produtor climatiza o galpão e escolhe um exaustor que vai oferecer um ambiente interno com o conforto térmico que as aves precisam para se desenvolveram e, com isso, vai ao mesmo tempo economizar energia, ele está sendo sustentável, está ajudando o meio ambiente, assim como quando o produtor coloca na granja sensores que medem o consumo de água dos animais, ele passa a fazer uma gestão melhor da água dentro da propriedade. É preciso trazer essa visão para o produtor, que essas ações fazem parte da sustentabilidade. A tecnologia traz bem-estar animal, bem-estar para o trabalhador, fomenta a segurança alimentar e a avicultura passa a ter maior visibilidade, uma vez que os consumidores estão mais atentos ao que está acontecendo no setor”, indica Ana.
Com o emprego cada vez maior de tecnologias e soluções digitais, o setor avícola, além de melhorar sua produtividade, passa a ser mais previsível, se antecipando a problemas. Ana destaca a importância de os elos da cadeia produtiva terem essa consciência. “A tecnologia está totalmente conectada às práticas sustentáveis. A transformação digital é uma jornada, temos que entender isso como um processo, precisamos ter essa conscientização de como usar e aplicar a tecnologia na nossa atividade, para que façamos essa transformação digital, mas para isso é preciso capacitar as pessoas para que elas possam vivenciar essa nova realidade”, ressalta.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Avicultura
Asgav encerra segunda etapa de campanha de biosseguridade com ampla mobilização no Rio Grande do Sul
Ação combinou rádio e mídias digitais para levar orientações técnicas a produtores, trabalhadores e à população, fortalecendo a cultura de prevenção sanitária na avicultura.

A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) concluiu a segunda etapa de sua campanha de conscientização sobre biosseguridade com ampla repercussão no Rio Grande do Sul. A iniciativa combinou ações em rádio e plataformas digitais para disseminar orientações técnicas e ampliar o conhecimento sobre a importância da prevenção sanitária na avicultura, alcançando milhões de pessoas em diferentes regiões do Estado.
Ao longo da campanha, foram veiculados 12 boletins comerciais em 260 emissoras de rádio gaúchas. Segundo a entidade, cada material registrou média de 3,1 milhões de reproduções, levando informações sobre biosseguridade e sobre a relevância econômica e social da atividade avícola para dezenas de municípios.
A ação teve como principal objetivo reforçar a adoção de medidas preventivas consideradas essenciais para a proteção dos plantéis e para a manutenção do status sanitário que sustenta a competitividade da avicultura brasileira nos mercados nacional e internacional.
Além de orientar produtores e trabalhadores do setor, a campanha buscou aproximar o tema da população em geral, destacando que a prevenção de enfermidades depende do comprometimento de todos os elos da cadeia produtiva.
Como complemento às ações no rádio, a Asgav ampliou sua estratégia de comunicação digital. Em parceria com a médica-veterinária Caroline Freitas, foram produzidos nove vídeos técnicos com orientações práticas sobre procedimentos e dispositivos de biosseguridade utilizados nas granjas avícolas. Os conteúdos foram publicados semanalmente durante dois meses nas redes sociais da entidade e compartilhados por agroindústrias, instituições parceiras e grupos especializados do setor.
Para o presidente executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, a campanha já se consolida como uma referência para a avicultura nacional. “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav

Presidente executivo da Organização Avícola do Estado do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos: “Esta foi a segunda edição desta campanha da Asgav sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades” – Foto: Divulgação/Asgav
sobre biosseguridade, que além de muito importante e necessária, é modelo, motivadora e fonte inspiradora para a realização de outras atividades nesta mesma linha que ajudam muito o setor”, afirma.
Segundo Santos, o encerramento desta etapa não representa o fim das ações de conscientização. A entidade pretende manter o tema em evidência por meio de palestras, eventos, reuniões técnicas e iniciativas de mobilização junto a agroindústrias e produtores.
A Asgav também deverá atuar em conjunto com outras iniciativas voltadas à promoção da biosseguridade, entre elas a campanha lançada recentemente pela Associação Brasileira de Proteína Animal e pelo projeto Vida de Granja. As ações têm como foco ampliar a adoção de procedimentos preventivos nas propriedades avícolas por meio de uma comunicação acessível e direcionada ao público do campo.
Em um contexto de vigilância permanente sobre a sanidade animal, a entidade avalia que o investimento contínuo em informação e conscientização permanece entre as principais ferramentas para reduzir riscos sanitários, preservar mercados e fortalecer uma cadeia produtiva estratégica para a economia gaúcha. A avicultura está entre as atividades agropecuárias de maior relevância no Estado, gerando empregos, renda e movimentando diferentes segmentos econômicos ligados à produção de proteína animal.
Avicultura
Programa Ovos RS certifica 16 empresas e reforça foco em biosseguridade após caso de Influenza aviária
Encontro da cadeia produtiva gaúcha debateu mercado, auditorias técnicas, desafios de competitividade e estratégias para fortalecer a produção de ovos no Estado.

A cadeia produtiva de ovos do Rio Grande do Sul reuniu-se no último dia 28 de maio, em Garibaldi (RS), para avaliar os resultados do Programa Ovos RS, discutir os desafios do mercado e reforçar medidas de biosseguridade em um momento de atenção redobrada para a sanidade avícola.

Foto: Divulgação/Asgav
Promovido pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o encontro anual ocorreu no Vale dos Vinhedos e reuniu representantes de granjas, empresas apoiadoras, órgãos de fiscalização e autoridades sanitárias estaduais e federais.
Entre os principais temas debatidos estiveram o desempenho do setor em 2025, os resultados das auditorias realizadas nas propriedades participantes, o cenário econômico da atividade e as ações de prevenção sanitária após o registro de casos de influenza aviária no país neste ano.
Auditorias apontam evolução das granjas
Durante o encontro, o presidente executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (Asgav/Sipargs) e coordenador do Programa Ovos RS, José Eduardo dos Santos, apresentou um panorama do mercado de ovos no Estado e no Brasil, além do balanço das atividades desenvolvidas pelo programa ao longo do último ciclo.
A coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas, detalhou os resultados das auditorias realizadas nas

Coordenadora técnica do Programa Ovos RS, Caroline Freitas – Foto: Divulgação/Asgav
granjas participantes em 2025. Segundo ela, as avaliações permitiram acompanhar a evolução dos estabelecimentos e monitorar indicadores técnicos relacionados às boas práticas de produção.
Criado há mais de uma década, o Programa Ovos RS atua na orientação técnica das empresas, no incentivo à adoção de protocolos de qualidade e no fortalecimento da conformidade sanitária das granjas gaúchas.
Biosseguridade ganha protagonismo
A biosseguridade foi um dos temas centrais da programação. O assunto ganhou relevância diante do cenário sanitário enfrentado pela avicultura brasileira em 2025 e das medidas adotadas para preservar a condição sanitária do plantel nacional. “Este encontro é fundamental para alinharmos estratégias, prestarmos contas, apresentarmos relatório de atividades e reforçarmos o compromisso do setor com a qualidade, a biosseguridade e a evolução contínua da indústria e produção de ovos no Rio Grande do Sul”, afirmou Santos.
Representando o Ministério da Agricultura e Pecuária, Marcos Paulo Damaren Borges, chefe do 10º Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), destacou o papel do Programa Ovos RS no fortalecimento da cadeia produtiva e ressaltou a importância das atividades de fiscalização e inspeção para garantir a segurança dos alimentos de origem animal.

Chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, Rosane Collares – Foto: Divulgação/Asgav
Já Rosane Collares, chefe do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, abordou a atuação da pasta durante o enfrentamento do foco de influenza aviária registrado no Estado neste ano e ressaltou a importância das ações preventivas adotadas pelo setor.
Mercado e competitividade
O encontro também abriu espaço para a discussão sobre o ambiente econômico da atividade. Representando o setor produtivo, Ivandro Pianegonda, gerente comercial da Granja Faria/Stragliotto, apresentou uma análise sobre o atual momento do mercado de ovos, abordando questões relacionadas à competitividade, custos de produção, consumo e perspectivas para as empresas.
Segundo ele, a coordenação entre os diferentes elos da cadeia será determinante para enfrentar os desafios do setor nos próximos anos.
Selo reconhece boas práticas
Ao final da programação, 16 estabelecimentos receberam certificação para utilizar o selo Ovos RS, reconhecimento concedido às empresas que atingiram índice superior a 80% de conformidade no checklist técnico de avaliação do programa.
Também foram homenageadas empresas apoiadoras que contribuem para a manutenção das atividades

Foto: Divulgação/Asgav
desenvolvidas pela iniciativa.
Com mais de dez anos de atuação, o Programa Ovos RS tornou-se uma das principais ferramentas de qualificação da cadeia produtiva de ovos do Estado, reunindo ações de assistência técnica, capacitação, promoção institucional e incentivo à adoção de boas práticas de produção.
Durante o encontro, a Asgav também informou que a capacitação técnica anual do Programa Ovos RS deverá ser incorporada à programação da Conbrasfran 2026, movimento que pode resultar, futuramente, na unificação dos dois eventos.
Avicultura
Ovos registram novas valorizações e alcançam até R$ 183,97 por caixa
Grande Belo Horizonte apresenta o maior preço entre as praças acompanhadas pelo Cepea.

Os preços dos ovos encerraram o mês de maio em alta na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O movimento foi mais intenso nas principais praças produtoras e consumidoras do país, com destaque para São Paulo, onde as cotações registraram os maiores avanços do período.
Em Bastos (SP), uma das principais referências da avicultura de postura nacional, o ovo branco foi comercializado a R$ 154,29 por caixa, alta diária de 4,95%. O ovo vermelho alcançou R$ 174,29 por caixa, com valorização de 2,99%.

Na Grande São Paulo, os preços também avançaram de forma expressiva. O ovo branco foi negociado a R$ 162,14 por caixa, aumento de 3,07%, enquanto o vermelho chegou a R$ 182,62 por caixa, com alta de 4,09%.
Em Minas Gerais, a região da Grande Belo Horizonte registrou valorização de 1,44% para o ovo branco, cotado a R$ 164,84 por caixa. O ovo vermelho teve aumento ainda maior, de 1,94%, alcançando R$ 183,97 por caixa, o maior valor entre as regiões monitoradas pelo Cepea.
No Espírito Santo, em Santa Maria de Jetibá, outro importante polo de produção, os preços também subiram. O ovo branco foi negociado a R$ 150,96 por caixa, avanço de 0,67%, enquanto o vermelho atingiu R$ 180,28 por caixa, alta de 1,58%.
A única exceção entre as praças analisadas foi Recife (PE). Na capital pernambucana, o ovo branco apresentou retração de 1,30%, sendo comercializado a R$ 151,72 por caixa. O ovo vermelho foi cotado a R$ 169,68 por caixa.
Os dados do Cepea mostram um cenário de valorização predominante no mercado de ovos ao final de maio, especialmente nas regiões do Sudeste, onde se concentram importantes polos de produção e consumo do produto.



