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Revolução tecnológica da avicultura esbarra em cultura laboral e conexão com a internet

Existe um amplo conjunto de soluções digitais para a avicultura, que incluem desde controladores de ambiente de alta tecnologia, sensores de variáveis ambientais, sensores de variáveis inerentes a ave, sensores que medem o volume de ração no silo, sensores que regulam o consumo de água nos bebedouros, dentre outros.

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Com status de uma das melhores aviculturas do mundo, o setor avícola nacional possui um amplo portfólio de soluções tecnológicas que conectam o mundo físico ao digital, mas que ainda é pouco explorado pela cadeia produtiva. Para desmitificar as tecnologias de automatização para o setor, a zootecnista e doutora em Engenharia Agrícola, Ana Paula de Assis Maia, palestrou sobre a “Transformação Digital na Avicultura” durante o 15º Simpósio Goiano de Avicultura, que reuniu em junho mais de 300 profissionais da área em Goiânia (GO).

Zootecnista, doutora em Engenharia Agrícola e pesquisadora, Ana Paula de Assis Maia: “Transformação digital não é investir em tecnologias sofisticadas, mas é investir em tecnologias que atendam o problema primário do produtor” – Fotos: Divulgação/AGA

De acordo com a especialista, a transformação digital que está acontecendo em todas as cadeias produtivas, especialmente na avicultura, não deveria ser encarada pelo produtor como um bicho de sete cabeças, uma vez que vem para otimizar o processo produtivo, para melhorar o desempenho das aves e gerar maior rentabilidade da granja. “Muitos ainda tem o pré-conceito que parece ser algo complicado, difícil, e que não é para ser usado na avicultura, porque apenas veem a transformação digital no dia a dia, através do uso de celulares, equipamentos domésticos, em relógios, mas não conseguem enxergar isso dentro da produção animal”, detalha a zootecnista, enfatizando: “A transformação digital está acontecendo, já é uma realidade, e é essencial para conseguirmos atender a demanda mundial por alimentos, porque sabemos que temos uma população crescente e que precisamos produzir cada vez mais com menos recursos, então a transformação digital é fundamental para produzirmos em grande escala de forma sustentável, principalmente de proteína animal”.

Segundo a doutora em Engenharia Agrícola, é muito comum associar a transformação digital com a adoção de tecnologias e soluções digitais em razão do conjunto de instrumentos, métodos e técnicas provenientes da Indústria 4.0, que abrangem inteligência artificial, sensores, uso de imagens e sons (visão computacional), robótica, internet das coisas e computação em nuvem. “A avicultura 4.0 é parte da transformação digital, onde se aplica as tecnologias que hoje estão disponíveis para o campo. O produtor passa a adaptar os processos convencionais na produção com o uso de tecnologias, deixando, por exemplo, de coletar uma temperatura ou peso de forma manual para coletar esses dados de forma automática, utilizando um sensor”, expõe Ana.

Resistência à mudança

Os trabalhadores envolvidos diretamente na cadeia ainda demonstram resistência para automatizar os processos produtivos, porque, segundo Ana, consideram que quando o produtor adota o uso de tecnologia na produção vão perder o emprego, quando, na verdade, deixarão de ser executores para serem gestores do negócio. “Quando as pessoas pensam em transformação digital associam imediatamente a robotização, automatização, a inteligência artificial, pensando que deixarão de exercer sua atividade diária e não é nada disso, apenas vão mudar a forma de trabalhar, passando a gerenciar as atividades da granja, deixando de executá-las de forma manual”, explica Ana.

Soluções digitais

Existe um amplo conjunto de soluções digitais para a avicultura, que incluem desde controladores de ambiente de alta tecnologia, sensores de variáveis ambientais, sensores de variáveis inerentes a ave, sensores que medem o volume de ração no silo, sensores que regulam o consumo de água nos bebedouros, câmeras de pesagem dos animais, microfones que identificam a vocalização das aves e até robôs, tudo conectado à nuvem.

Quando utilizada de maneira correta, toda essa tecnologia garante a produção de proteína animal de forma responsável, sustentável e eficiente, permitindo um maior controle do processo produtivo, além do consequente aumento de produtividade, redução de custos e de uso de recursos naturais, melhor bem-estar animal e das pessoas, com foco voltado para a responsabilidade socioambiental.

Palestra sobre “Transformação digital na avicultura” com Ana Maia integrou a programação do 15º Simpósio Goiano de Avicultura

Investimento em pessoas

A tendência do agro é de investimento em tecnologias e soluções digitais que simplifiquem o dia a dia no campo e resolvam os problemas. Mas, conforme a especialista, para isso acontecer é necessário investir em pessoas para atuarem nesse novo mundo. Segundo ela, a avicultura está iniciando o processo de transformação digital e as empresas estão começando a pensar em inovação para adoção de novas ferramentas. “Estamos em uma fase em que o ponto focal é investir em tecnologias como sensores e equipamentos automáticos, conectividade nas granjas e sistemas que apoiem a digitalização dos processos físicos. Esse passo é fundamental para estruturarmos a base sólida do processo de transformação digital”, evidencia Ana.

Esse movimento envolve mudança de pensamento das lideranças do setor e das empresas de tecnologias e requer estratégia para que haja investimentos e incentivo à inovação dentro das companhias. “A transformação digital para acontecer precisa de uma mudança cultural associada à utilização das tecnologias como aliadas no processo de gestão e tomada de decisão e que apoiam a transformação de processos, principalmente, de pessoas, que são agentes transformadores essenciais”, destaca.

Além do uso das tecnologias

A profissional enaltece que a transformação digital no campo vai muito além da aplicação de tecnologias no processo de produção. “Muitas pessoas pensam que ao automatizar o aviário com sensores que medem temperatura e umidade, regulam a quantidade de água e ração, por exemplo, não precisam fazer mais nada, que já promoveram a transformação digital em sua propriedade, mas não é bem isso, vai muito além do digital, é promover uma mudança de postura, é entender que esse processo é uma jornada que se inicia com a adoção de ferramentas digitais, mas exige uma mudança de cultura organizacional”, salienta Ana.

Quando uma tecnologia é empregada no campo passa a coletar dados e gerar informações, ou seja, permite que os processos físicos sejam colocados de forma rápida e precisa no digital. “Esse é o primeiro passo da transformação digital, quando digitalizo os processos de produção. Antes as aves eram pesadas de forma manual, agora passam a ser pesadas de forma automática, antes era usado um termômetro para medição de temperatura agora são utilizados sensores que controlam o conforto térmico do aviário, com isso as informações geradas diariamente passam a ser digitais”, elenca Ana.

Porém, para que as soluções tecnológicas sejam empregadas no campo é fundamental que se tenha uma infraestrutura de conectividade rural que comporte a geração desses dados, como sinal de operadora celular e internet de qualidade. “Quando falamos de transformação digital estamos falando de gestão em tempo real e para isso é preciso de internet. Hoje cerca de 90% das granjas brasileiras não têm nem sinal de celular, então não há como fazer uma transformação digital se não tem nem infraestrutura. Precisamos ainda, enquanto setor, lutar muito por essa infraestrutura de conectividade”, frisa a profissional.

Após a coleta das informações inicia a etapa de integração dos dados, em que a tecnologia é utilizada para melhorar os processos e a qualidade de vida tanto das pessoas quanto dos animais, transformando as informações em conhecimento, o que permite uma tomada de decisão inteligente, responsável e que gera benefícios para o negócio. “Muito se fala do termo avicultura de precisão, que nada mais é que capturar os dados do que acontece na granja de forma automática, mas eu acho que temos que mudar esse foco pensando em uma avicultura de decisão, onde a precisão é a base para quem utiliza esses dados para tomada de decisão, ou seja, ter granjas guiadas por dados para tomar decisões. É preciso saber interpretar esses dados, é neste ponto que entramos na transformação digital, porque é preciso ter uma mudança de postura dentro da granja, onde o produtor começa a usar a tecnologia e as soluções digitais para ancorar suas decisões, passando a ser gestor e não mais executor”, frisa Ana.

Sem essa mudança de atuação qualquer tecnologia aplicada na granja será em vão, uma vez que os dados por si só não geram nenhum valor, apenas o produtor estará digitalizando o que já existia sem realmente transformar a sua atividade. “Não é somente a aplicação da tecnologia na granja que fará a diferença, mas sim a forma como usamos essa tecnologia para tomar as decisões”, pontua Ana, ressaltando: “Transformação digital não é investir em tecnologias sofisticadas, mas é investir em tecnologias que atendam o problema primário do produtor e depois passar por toda a transformação, utilizando os dados gerados, capacitando as pessoas, deixando de fazer a avicultura de precisão para fazer a avicultura de decisão”, enfatiza.

Para promover essa mudança de filosofia de atuação no campo, a profissional ressalta a importância de ter uma liderança dentro da granja que entenda esse processo de transformação tecnológica que está acontecendo no setor.

Mais do que melhorar processos, segundo Ana, é considerada essencial a adaptação dos sistemas tradicionais de produção a partir da adoção e uso de tecnologias para que a avicultura brasileira mantenha sua competividade e resiliência diante dos atuais desafios mundiais. “As tecnologias são ferramentas digitais e devem trazer previsibilidade, liderar decisões orientadas por dados, trazer os insights e conhecimentos necessários para atender os principais desafios da produção avícola, simplificando, melhorando a eficiência, qualidade e produtividade dos processos, auxiliando na redução de perdas produtivas e melhor uso de recursos, com consequente redução do impacto ambiental”, afirma.

Resistência à mudança

A profissional credita que a lentidão da cadeia produtiva em adotar tecnologias de forma massiva está atrelada a questão cultural de gestão dos granjeiros, que, por vezes, até instalam sistemas automatizados em suas granjas, mas, por falta de conhecimento de como operar esses equipamentos deixa de usá-los ou utiliza de forma inadequada. “As empresas de tecnologias vendem os serviços ou equipamentos, mas não capacitam o produtor, que por não saber como usar a tecnologia não enxerga seus benefícios, ou seja, a indústria acaba criando dificuldade de mostrar o quanto determinada tecnologia pode gerar de produtividade e rentabilidade”, diz Ana.

De acordo com a profissional, no agro ainda impera a cultura de produção tradicional e intuitiva, com o produtor fazendo o manejo da mesma forma que a família fazia há 50 anos.

De acordo com a zootecnista, entre 80 a 90% dos avicultores brasileiros são resistentes a adoção de tecnologias na atividade, enquanto que de 10 a 20% do setor já emprega algum tipo de solução tecnológica. “Por meio da sucessão familiar, da nova geração que está assumindo o negócio da família, que tem uma visão de futuro, é que novas tecnologias estão sendo testadas na avicultura, porque essa geração está preocupada com a eficiência e a sustentabilidade da atividade”, menciona Ana.

Outro ponto destacado pela profissional para justificar a resistência dos avicultores à adoção de tecnologias é em relação ao alto custo dos equipamentos automatizados associados ainda aos custos de produção, que seguem em patamares elevados (ração, água, luz, insumos, produtos veterinários etc). “Para o produtor colocar hoje uma tecnologia, que ainda não é barata, dentro desse processo produtivo, que já tem um alto custo, sem enxergar seus reais benefícios, é muito difícil”, constata Ana, acrescentando: “Às vezes até adotam um sistema, mas não veem retorno porque não utilizam de forma correta, então ainda o gargalo do preço e a deficiência das empresas em mensurar os benefícios da tecnologia impacta nesta transformação tecnológica do setor. É preciso capacitar quem vende e quem compra, além do mercado passar a produzir tecnologias que sejam mais fáceis para a experiência do usuário”, evidencia Ana.

De acordo com a especialista, a grande mudança para acelerar o uso de tecnologias na avicultura está nas empresas inovadoras e em produtores que tem uma visão de futuro, que mesmo que não tenham uma visibilidade concreta dos benefícios, adotam os sistemas digitais para melhorar a performance da produção, tornando o seu produto mais competitivo no mercado.

Tecnologias mais usadas

Conforme a zootecnista, atualmente mais de 80% dos galpões nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são climatizados, em contrapartida, na região Nordeste em sua grande maioria os galpões são convencionais. Ana destaca que pelas tecnologias existentes cerca de 70% dos aviários nacionais já poderiam estar climatizados. “Hoje estamos muito focados em climatização de galpão, temos visto um avanço maior nesta questão, mas ainda estamos caminhando lentamente”, admite Ana.

As tecnologias disponíveis para o campo trazem inúmeros benefícios para a atividade, entre eles melhorias de desempenho dos animais, de rentabilidade da granja, além do produtor ter maior controle do processo produtivo. Mas, antes de adotar uma tecnologia é importante que cada avicultor ou indústria entenda a sua real necessidade para então instalar aquela que melhor atenda a sua demanda. “Cada granja tem suas particularidades, por exemplo, para determinado produtor climatizar o galpão é mais importante em virtude da região em que está instalada a granja, para outro talvez pesar automaticamente as aves seja a tecnologia que vai gerar mais benefícios, porque existe falta de mão de obra em sua região. Hoje as tecnologias mais adotadas são os sensores de ambientes para medição de temperatura e umidade, mas em algumas granjas também há sensores para medição de ração e balanças para pesagem”, relata Ana.

Visão computacional

A zootecnista adianta que uma tecnologia considerada promissora para a avicultura é a visão computacional, que usa imagens e sons para identificar e reconhecer o comportamento e a movimentação dos animais, o peso corporal, identificar aves mortas, indicar o estado de saúde do lote, conforto e bem-estar ou sinalizar desconforto e estresse das aves. “É uma tecnologia bastante promissora, que está chegando aos aviários brasileiros, já vemos muito para bovinos e suínos, mas pouco ainda para o frango. São tecnologias que estão chegando para aprimorar o que a gente já tem hoje”, considera Ana.

É preciso entender como a tecnologia funciona

Por outro lado, a profissional chama atenção para a capacitação dos executivos de negócios, que fazem a venda direta ao produtor, mas que, por vezes, não estão familiarizados com todos os benefícios que os equipamentos automáticos podem trazer à granja. “Muitas vezes chego em uma granja para instalar uma tecnologia que vem da indústria e o produtor é avesso, diz logo que não vai funcionar, porque simplesmente ele não vai usar, não vai ligar o sistema, por isso que é importante que os vendedores sejam capacitados para que possam mudar essa cultura que hoje tem no campo”, frisa Ana, ampliando: “É preciso mostrar como que aquela tecnologia vai ajudar, é preciso caminhar junto com o produtor para que ele entenda a tecnologia funcionando. Ainda estamos no início, porque ainda não focamos nas pessoas”, reconhece.

Sustentabilidade

Com as discussões das diretrizes da agenda ESG associadas aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável preconizados pela Organização das Nações Unidas, a indústria passou a desenvolver com mais afinco ações de sustentabilidade social, ambiental e de governança. No entanto, de acordo com Ana, o setor é falho na comunicação com o produtor, em transmitir a informação de forma transparente e de fácil entendimento.

Quando o produtor começa a fazer gestão de água, gestão de energia, melhora a conversão alimentar das aves, realiza a pesagem dos animais de forma automática e climatiza o galpão, por exemplo, está buscando através de soluções tecnológicas a sustentabilidade do seu negócio. “Ser sustentável é cuidar do meio em que você está inserido e essa mensagem é preciso trazer ao produtor com uma linguagem fácil. Se o produtor climatiza o galpão e escolhe um exaustor que vai oferecer um ambiente interno com o conforto térmico que as aves precisam para se desenvolveram e, com isso, vai ao mesmo tempo economizar energia, ele está sendo sustentável, está ajudando o meio ambiente, assim como quando o produtor coloca na granja sensores que medem o consumo de água dos animais, ele passa a fazer uma gestão melhor da água dentro da propriedade. É preciso trazer essa visão para o produtor, que essas ações fazem parte da sustentabilidade. A tecnologia traz bem-estar animal, bem-estar para o trabalhador, fomenta a segurança alimentar e a avicultura passa a ter maior visibilidade, uma vez que os consumidores estão mais atentos ao que está acontecendo no setor”, indica Ana.

Com o emprego cada vez maior de tecnologias e soluções digitais, o setor avícola, além de melhorar sua produtividade, passa a ser mais previsível, se antecipando a problemas. Ana destaca a importância de os elos da cadeia produtiva terem essa consciência. “A tecnologia está totalmente conectada às práticas sustentáveis. A transformação digital é uma jornada, temos que entender isso como um processo, precisamos ter essa conscientização de como usar e aplicar a tecnologia na nossa atividade, para que façamos essa transformação digital, mas para isso é preciso capacitar as pessoas para que elas possam vivenciar essa nova realidade”, ressalta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro

Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

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O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.

Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.

Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.

Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.

Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano

Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

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Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.

No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.

As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.

Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.

Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Avicultura

Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval

Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

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O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.

Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.

A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.

No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.

Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.

De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.

Fonte: Assessoria Cepea
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