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Revolução tecnológica da avicultura esbarra em cultura laboral e conexão com a internet

Existe um amplo conjunto de soluções digitais para a avicultura, que incluem desde controladores de ambiente de alta tecnologia, sensores de variáveis ambientais, sensores de variáveis inerentes a ave, sensores que medem o volume de ração no silo, sensores que regulam o consumo de água nos bebedouros, dentre outros.

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Com status de uma das melhores aviculturas do mundo, o setor avícola nacional possui um amplo portfólio de soluções tecnológicas que conectam o mundo físico ao digital, mas que ainda é pouco explorado pela cadeia produtiva. Para desmitificar as tecnologias de automatização para o setor, a zootecnista e doutora em Engenharia Agrícola, Ana Paula de Assis Maia, palestrou sobre a “Transformação Digital na Avicultura” durante o 15º Simpósio Goiano de Avicultura, que reuniu em junho mais de 300 profissionais da área em Goiânia (GO).

Zootecnista, doutora em Engenharia Agrícola e pesquisadora, Ana Paula de Assis Maia: “Transformação digital não é investir em tecnologias sofisticadas, mas é investir em tecnologias que atendam o problema primário do produtor” – Fotos: Divulgação/AGA

De acordo com a especialista, a transformação digital que está acontecendo em todas as cadeias produtivas, especialmente na avicultura, não deveria ser encarada pelo produtor como um bicho de sete cabeças, uma vez que vem para otimizar o processo produtivo, para melhorar o desempenho das aves e gerar maior rentabilidade da granja. “Muitos ainda tem o pré-conceito que parece ser algo complicado, difícil, e que não é para ser usado na avicultura, porque apenas veem a transformação digital no dia a dia, através do uso de celulares, equipamentos domésticos, em relógios, mas não conseguem enxergar isso dentro da produção animal”, detalha a zootecnista, enfatizando: “A transformação digital está acontecendo, já é uma realidade, e é essencial para conseguirmos atender a demanda mundial por alimentos, porque sabemos que temos uma população crescente e que precisamos produzir cada vez mais com menos recursos, então a transformação digital é fundamental para produzirmos em grande escala de forma sustentável, principalmente de proteína animal”.

Segundo a doutora em Engenharia Agrícola, é muito comum associar a transformação digital com a adoção de tecnologias e soluções digitais em razão do conjunto de instrumentos, métodos e técnicas provenientes da Indústria 4.0, que abrangem inteligência artificial, sensores, uso de imagens e sons (visão computacional), robótica, internet das coisas e computação em nuvem. “A avicultura 4.0 é parte da transformação digital, onde se aplica as tecnologias que hoje estão disponíveis para o campo. O produtor passa a adaptar os processos convencionais na produção com o uso de tecnologias, deixando, por exemplo, de coletar uma temperatura ou peso de forma manual para coletar esses dados de forma automática, utilizando um sensor”, expõe Ana.

Resistência à mudança

Os trabalhadores envolvidos diretamente na cadeia ainda demonstram resistência para automatizar os processos produtivos, porque, segundo Ana, consideram que quando o produtor adota o uso de tecnologia na produção vão perder o emprego, quando, na verdade, deixarão de ser executores para serem gestores do negócio. “Quando as pessoas pensam em transformação digital associam imediatamente a robotização, automatização, a inteligência artificial, pensando que deixarão de exercer sua atividade diária e não é nada disso, apenas vão mudar a forma de trabalhar, passando a gerenciar as atividades da granja, deixando de executá-las de forma manual”, explica Ana.

Soluções digitais

Existe um amplo conjunto de soluções digitais para a avicultura, que incluem desde controladores de ambiente de alta tecnologia, sensores de variáveis ambientais, sensores de variáveis inerentes a ave, sensores que medem o volume de ração no silo, sensores que regulam o consumo de água nos bebedouros, câmeras de pesagem dos animais, microfones que identificam a vocalização das aves e até robôs, tudo conectado à nuvem.

Quando utilizada de maneira correta, toda essa tecnologia garante a produção de proteína animal de forma responsável, sustentável e eficiente, permitindo um maior controle do processo produtivo, além do consequente aumento de produtividade, redução de custos e de uso de recursos naturais, melhor bem-estar animal e das pessoas, com foco voltado para a responsabilidade socioambiental.

Palestra sobre “Transformação digital na avicultura” com Ana Maia integrou a programação do 15º Simpósio Goiano de Avicultura

Investimento em pessoas

A tendência do agro é de investimento em tecnologias e soluções digitais que simplifiquem o dia a dia no campo e resolvam os problemas. Mas, conforme a especialista, para isso acontecer é necessário investir em pessoas para atuarem nesse novo mundo. Segundo ela, a avicultura está iniciando o processo de transformação digital e as empresas estão começando a pensar em inovação para adoção de novas ferramentas. “Estamos em uma fase em que o ponto focal é investir em tecnologias como sensores e equipamentos automáticos, conectividade nas granjas e sistemas que apoiem a digitalização dos processos físicos. Esse passo é fundamental para estruturarmos a base sólida do processo de transformação digital”, evidencia Ana.

Esse movimento envolve mudança de pensamento das lideranças do setor e das empresas de tecnologias e requer estratégia para que haja investimentos e incentivo à inovação dentro das companhias. “A transformação digital para acontecer precisa de uma mudança cultural associada à utilização das tecnologias como aliadas no processo de gestão e tomada de decisão e que apoiam a transformação de processos, principalmente, de pessoas, que são agentes transformadores essenciais”, destaca.

Além do uso das tecnologias

A profissional enaltece que a transformação digital no campo vai muito além da aplicação de tecnologias no processo de produção. “Muitas pessoas pensam que ao automatizar o aviário com sensores que medem temperatura e umidade, regulam a quantidade de água e ração, por exemplo, não precisam fazer mais nada, que já promoveram a transformação digital em sua propriedade, mas não é bem isso, vai muito além do digital, é promover uma mudança de postura, é entender que esse processo é uma jornada que se inicia com a adoção de ferramentas digitais, mas exige uma mudança de cultura organizacional”, salienta Ana.

Quando uma tecnologia é empregada no campo passa a coletar dados e gerar informações, ou seja, permite que os processos físicos sejam colocados de forma rápida e precisa no digital. “Esse é o primeiro passo da transformação digital, quando digitalizo os processos de produção. Antes as aves eram pesadas de forma manual, agora passam a ser pesadas de forma automática, antes era usado um termômetro para medição de temperatura agora são utilizados sensores que controlam o conforto térmico do aviário, com isso as informações geradas diariamente passam a ser digitais”, elenca Ana.

Porém, para que as soluções tecnológicas sejam empregadas no campo é fundamental que se tenha uma infraestrutura de conectividade rural que comporte a geração desses dados, como sinal de operadora celular e internet de qualidade. “Quando falamos de transformação digital estamos falando de gestão em tempo real e para isso é preciso de internet. Hoje cerca de 90% das granjas brasileiras não têm nem sinal de celular, então não há como fazer uma transformação digital se não tem nem infraestrutura. Precisamos ainda, enquanto setor, lutar muito por essa infraestrutura de conectividade”, frisa a profissional.

Após a coleta das informações inicia a etapa de integração dos dados, em que a tecnologia é utilizada para melhorar os processos e a qualidade de vida tanto das pessoas quanto dos animais, transformando as informações em conhecimento, o que permite uma tomada de decisão inteligente, responsável e que gera benefícios para o negócio. “Muito se fala do termo avicultura de precisão, que nada mais é que capturar os dados do que acontece na granja de forma automática, mas eu acho que temos que mudar esse foco pensando em uma avicultura de decisão, onde a precisão é a base para quem utiliza esses dados para tomada de decisão, ou seja, ter granjas guiadas por dados para tomar decisões. É preciso saber interpretar esses dados, é neste ponto que entramos na transformação digital, porque é preciso ter uma mudança de postura dentro da granja, onde o produtor começa a usar a tecnologia e as soluções digitais para ancorar suas decisões, passando a ser gestor e não mais executor”, frisa Ana.

Sem essa mudança de atuação qualquer tecnologia aplicada na granja será em vão, uma vez que os dados por si só não geram nenhum valor, apenas o produtor estará digitalizando o que já existia sem realmente transformar a sua atividade. “Não é somente a aplicação da tecnologia na granja que fará a diferença, mas sim a forma como usamos essa tecnologia para tomar as decisões”, pontua Ana, ressaltando: “Transformação digital não é investir em tecnologias sofisticadas, mas é investir em tecnologias que atendam o problema primário do produtor e depois passar por toda a transformação, utilizando os dados gerados, capacitando as pessoas, deixando de fazer a avicultura de precisão para fazer a avicultura de decisão”, enfatiza.

Para promover essa mudança de filosofia de atuação no campo, a profissional ressalta a importância de ter uma liderança dentro da granja que entenda esse processo de transformação tecnológica que está acontecendo no setor.

Mais do que melhorar processos, segundo Ana, é considerada essencial a adaptação dos sistemas tradicionais de produção a partir da adoção e uso de tecnologias para que a avicultura brasileira mantenha sua competividade e resiliência diante dos atuais desafios mundiais. “As tecnologias são ferramentas digitais e devem trazer previsibilidade, liderar decisões orientadas por dados, trazer os insights e conhecimentos necessários para atender os principais desafios da produção avícola, simplificando, melhorando a eficiência, qualidade e produtividade dos processos, auxiliando na redução de perdas produtivas e melhor uso de recursos, com consequente redução do impacto ambiental”, afirma.

Resistência à mudança

A profissional credita que a lentidão da cadeia produtiva em adotar tecnologias de forma massiva está atrelada a questão cultural de gestão dos granjeiros, que, por vezes, até instalam sistemas automatizados em suas granjas, mas, por falta de conhecimento de como operar esses equipamentos deixa de usá-los ou utiliza de forma inadequada. “As empresas de tecnologias vendem os serviços ou equipamentos, mas não capacitam o produtor, que por não saber como usar a tecnologia não enxerga seus benefícios, ou seja, a indústria acaba criando dificuldade de mostrar o quanto determinada tecnologia pode gerar de produtividade e rentabilidade”, diz Ana.

De acordo com a profissional, no agro ainda impera a cultura de produção tradicional e intuitiva, com o produtor fazendo o manejo da mesma forma que a família fazia há 50 anos.

De acordo com a zootecnista, entre 80 a 90% dos avicultores brasileiros são resistentes a adoção de tecnologias na atividade, enquanto que de 10 a 20% do setor já emprega algum tipo de solução tecnológica. “Por meio da sucessão familiar, da nova geração que está assumindo o negócio da família, que tem uma visão de futuro, é que novas tecnologias estão sendo testadas na avicultura, porque essa geração está preocupada com a eficiência e a sustentabilidade da atividade”, menciona Ana.

Outro ponto destacado pela profissional para justificar a resistência dos avicultores à adoção de tecnologias é em relação ao alto custo dos equipamentos automatizados associados ainda aos custos de produção, que seguem em patamares elevados (ração, água, luz, insumos, produtos veterinários etc). “Para o produtor colocar hoje uma tecnologia, que ainda não é barata, dentro desse processo produtivo, que já tem um alto custo, sem enxergar seus reais benefícios, é muito difícil”, constata Ana, acrescentando: “Às vezes até adotam um sistema, mas não veem retorno porque não utilizam de forma correta, então ainda o gargalo do preço e a deficiência das empresas em mensurar os benefícios da tecnologia impacta nesta transformação tecnológica do setor. É preciso capacitar quem vende e quem compra, além do mercado passar a produzir tecnologias que sejam mais fáceis para a experiência do usuário”, evidencia Ana.

De acordo com a especialista, a grande mudança para acelerar o uso de tecnologias na avicultura está nas empresas inovadoras e em produtores que tem uma visão de futuro, que mesmo que não tenham uma visibilidade concreta dos benefícios, adotam os sistemas digitais para melhorar a performance da produção, tornando o seu produto mais competitivo no mercado.

Tecnologias mais usadas

Conforme a zootecnista, atualmente mais de 80% dos galpões nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste são climatizados, em contrapartida, na região Nordeste em sua grande maioria os galpões são convencionais. Ana destaca que pelas tecnologias existentes cerca de 70% dos aviários nacionais já poderiam estar climatizados. “Hoje estamos muito focados em climatização de galpão, temos visto um avanço maior nesta questão, mas ainda estamos caminhando lentamente”, admite Ana.

As tecnologias disponíveis para o campo trazem inúmeros benefícios para a atividade, entre eles melhorias de desempenho dos animais, de rentabilidade da granja, além do produtor ter maior controle do processo produtivo. Mas, antes de adotar uma tecnologia é importante que cada avicultor ou indústria entenda a sua real necessidade para então instalar aquela que melhor atenda a sua demanda. “Cada granja tem suas particularidades, por exemplo, para determinado produtor climatizar o galpão é mais importante em virtude da região em que está instalada a granja, para outro talvez pesar automaticamente as aves seja a tecnologia que vai gerar mais benefícios, porque existe falta de mão de obra em sua região. Hoje as tecnologias mais adotadas são os sensores de ambientes para medição de temperatura e umidade, mas em algumas granjas também há sensores para medição de ração e balanças para pesagem”, relata Ana.

Visão computacional

A zootecnista adianta que uma tecnologia considerada promissora para a avicultura é a visão computacional, que usa imagens e sons para identificar e reconhecer o comportamento e a movimentação dos animais, o peso corporal, identificar aves mortas, indicar o estado de saúde do lote, conforto e bem-estar ou sinalizar desconforto e estresse das aves. “É uma tecnologia bastante promissora, que está chegando aos aviários brasileiros, já vemos muito para bovinos e suínos, mas pouco ainda para o frango. São tecnologias que estão chegando para aprimorar o que a gente já tem hoje”, considera Ana.

É preciso entender como a tecnologia funciona

Por outro lado, a profissional chama atenção para a capacitação dos executivos de negócios, que fazem a venda direta ao produtor, mas que, por vezes, não estão familiarizados com todos os benefícios que os equipamentos automáticos podem trazer à granja. “Muitas vezes chego em uma granja para instalar uma tecnologia que vem da indústria e o produtor é avesso, diz logo que não vai funcionar, porque simplesmente ele não vai usar, não vai ligar o sistema, por isso que é importante que os vendedores sejam capacitados para que possam mudar essa cultura que hoje tem no campo”, frisa Ana, ampliando: “É preciso mostrar como que aquela tecnologia vai ajudar, é preciso caminhar junto com o produtor para que ele entenda a tecnologia funcionando. Ainda estamos no início, porque ainda não focamos nas pessoas”, reconhece.

Sustentabilidade

Com as discussões das diretrizes da agenda ESG associadas aos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável preconizados pela Organização das Nações Unidas, a indústria passou a desenvolver com mais afinco ações de sustentabilidade social, ambiental e de governança. No entanto, de acordo com Ana, o setor é falho na comunicação com o produtor, em transmitir a informação de forma transparente e de fácil entendimento.

Quando o produtor começa a fazer gestão de água, gestão de energia, melhora a conversão alimentar das aves, realiza a pesagem dos animais de forma automática e climatiza o galpão, por exemplo, está buscando através de soluções tecnológicas a sustentabilidade do seu negócio. “Ser sustentável é cuidar do meio em que você está inserido e essa mensagem é preciso trazer ao produtor com uma linguagem fácil. Se o produtor climatiza o galpão e escolhe um exaustor que vai oferecer um ambiente interno com o conforto térmico que as aves precisam para se desenvolveram e, com isso, vai ao mesmo tempo economizar energia, ele está sendo sustentável, está ajudando o meio ambiente, assim como quando o produtor coloca na granja sensores que medem o consumo de água dos animais, ele passa a fazer uma gestão melhor da água dentro da propriedade. É preciso trazer essa visão para o produtor, que essas ações fazem parte da sustentabilidade. A tecnologia traz bem-estar animal, bem-estar para o trabalhador, fomenta a segurança alimentar e a avicultura passa a ter maior visibilidade, uma vez que os consumidores estão mais atentos ao que está acontecendo no setor”, indica Ana.

Com o emprego cada vez maior de tecnologias e soluções digitais, o setor avícola, além de melhorar sua produtividade, passa a ser mais previsível, se antecipando a problemas. Ana destaca a importância de os elos da cadeia produtiva terem essa consciência. “A tecnologia está totalmente conectada às práticas sustentáveis. A transformação digital é uma jornada, temos que entender isso como um processo, precisamos ter essa conscientização de como usar e aplicar a tecnologia na nossa atividade, para que façamos essa transformação digital, mas para isso é preciso capacitar as pessoas para que elas possam vivenciar essa nova realidade”, ressalta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos

Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

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A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.

O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.

Preço competitivo sustenta consumo

O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.

Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural

Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.

Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.

Custos seguem incertos

O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.

A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.

Avanço em programas sociais e políticas públicas

O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.

Combate à desinformação

A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.

Um setor mais organizado e unido

Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025

Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

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Foto: Ari Dias/AEN

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.

As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos

A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.

“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.

Fonte: ANBA
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Avicultura

Exportações de ovos crescem mais de 121% e batem recorde histórico em 2025

Setor supera 1% da produção nacional exportada e amplia presença em mercados de maior valor agregado.

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Foto: Rodrigo Fêlix Leal

As exportações brasileiras de ovos, considerando todos os produtos, entre in natura e processados, totalizaram 40.894 toneladas nos 12 meses de 2025, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde histórico e supera em 121,4% o total exportado no mesmo período do ano passado, com 18.469 toneladas.

Foto: Rodrigo Fêlix Leal

A receita também é recorde. O saldo do ano chegou a US$ 97,240 milhões, número 147,5% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 39,282 milhões.

No mês de dezembro, foram exportadas 2.257 toneladas de ovos, número 9,9% maior em relação aos embarques alcançados no mesmo período de 2024, com 2.054 toneladas. Em receita, a alta é de 18,4%, com US$ 5.110 milhões em dezembro de 2025, contra US$ 4.317 milhões no mesmo mês de 2024. “O ano foi marcado pela forte evolução das exportações aos Estados Unidos, movimento que perdeu ritmo após a imposição do tarifaço. Em contrapartida, o setor se reorganizou e novos destinos ganharam impulso, como o Japão, um mercado de alto valor agregado que passou a liderar os embarques brasileiros nos últimos meses do ano. Com esses volumes, as exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor, sem comprometer o abastecimento interno, que segue absorvendo cerca de 99% do que é produzido no país”, ressaltou o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Entre os principais destinos de 2025, os Estados Unidos encerraram o ano com maior volume acumulado, totalizando 19.597 toneladas

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “As exportações superaram o equivalente a 1% de toda a produção nacional de ovos, um marco relevante para a internacionalização do setor” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

(+826,7% em relação ao total de 2024), seguido pelo Japão, com 5.375 toneladas (+229,1%), Chile, com 4.124 toneladas (-40%), México, com 3.195 toneladas (+495,6%) e Emirados Árabes Unidos, com 3.097 toneladas (+31,5%).  “Com a consolidação da cultura exportadora, a expectativa é de manutenção do fluxo das exportações em patamares positivos. Esse movimento, somado ao contexto climático do início do ano, com temperaturas elevadas, e à proximidade do período de maior demanda da quaresma, deverá contribuir para o equilíbrio da oferta ao mercado interno”, afirma Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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