Notícias Tecnologia
Revolução digital na pecuária: não tem almoço de graça!
Precisamos nesse momento nos questionarmos sobre quais são os investimentos que precisarão ser feitos agora para viabilizar essas tecnologias amanhã.

Hoje já podemos começar a imaginar uma realidade na agropecuária onde cada metro quadrado das plantações, cada animal produzido esteja monitorado em tempo real através de sensores e aplicações. Na verdade, muitas soluções já estão ficando disponíveis para o setor produtivo e começam a gerar um efeito positivo na produtividade de granjas e fazendas.
Não há dúvida que essa infinidade de sensores e aplicativos vão gerar um volume de dados gigantesco, um detalhamento sobre cada faceta da produção nunca antes possível de ser feito. Isso criará uma infinidade de novas correlações entre variáveis que permitirão novas propostas de manejos, ajustes em fórmulas de rações, novos protocolos de vacinação, entre outras novidades que continuarão a incrementar produtividade e/ou reduzir custo na produção animal.
Isso nos leva a certeza que técnicas de Data Science irão realmente apoiar cada vez mais a produção animal em tempo real, já que o poder de processamento está crescendo junto com esse volume de dados. Isso torna viável o trabalho de rápida detecção de padrões e o fortalecimento do aprendizado de máquina (machine learging), que, em linhas gerais, são programas de computador e algoritmos que podem se adaptar ao longo do tempo para reconhecer o que é normal em um conjunto de dados, como por exemplo padrões que identificam surtos de doenças específicas ou problemas de manejo que precisam ser alterados para uma outra técnica.
Tudo isso é maravilhoso de se pensar, não é mesmo? Parece que teremos um futuro muito mais facilitado na produção animal do que temos hoje. E isso está 100% correto. Porém o setor precisa colocar novamente os pés no chão e avaliar sem euforia quais passos precisam ser dados antes desse futuro ser realmente viável. Precisamos nesse momento nos questionarmos sobre quais são os investimentos que precisarão ser feitos agora para viabilizar essas tecnologias amanhã. Pois uma outra certeza que temos no agro é que não tem almoço de graça!
Qual a qualidade dos dados que estamos gerando? O que realmente poderemos correlacionar?
Apesar dos benefícios óbvios dessa nova fase da pecuária, há uma série de dificuldades físicas e técnicas que precisaremos superar dentro da produção animal antes que tenhamos a qualidade e o volume de dados necessários para colocar a inteligência computacional a nosso serviço no dia a dia.
Por exemplo:
1. Robustez: Os sensores eletrônicos usados devem ser robustos o suficiente para suportar a vida dentro das granjas, além de realmente entregar um dado real e de qualidade para análise. Experiências realizadas pela Agriness EDGE, unidade da Agriness especializada em IOT para produção animal, mostram que determinados sensores podem até começar sua vida útil gerando bons dados, mas em pouco tempo passam a não entregar a informação fidedigna, o que pode comprometer todo o restante das análises.
2. Custo: Atualmente alguns dos sensores fundamentais para essas correlações não possuem um custo de implantação e manutenção compatíveis com as margens atuais da produção de proteína animal. Certamente a tecnologia, como sempre, irá tratar de barateá-los a longo prazo, mas isso só acontecerá se tivermos no setor os earlier adopters, empresas que apostam nas tecnologias mesmo que ainda a custos não muito adequados.
3. Estrutural: muitas estruturas de granjas e fazendas foram construídas há muito tempo e não possuem uma estrutura mínima adequada para a adoção de certas tecnologias que já estão no mercado, sejam elas de sensoriamento, sejam de automação, sejam de conectividade. Nessa situação temos duas frentes de investimentos: mudar as estruturas, o que é muito caro para o setor; ou investir na adequação das tecnologias para as estruturas existentes. Em qualquer uma delas precisamos investir hoje para colher mais tarde.
Qual a possibilidade de termos as informações a tempo de tomar decisões com elas?
Os produtores precisarão de conectividade adequada para envio de dados aos sistemas de computadores capazes de processar grandes volumes de dados, assim como boa conectividade para poder consumir as respostas que essas soluções na cloud (termo que define uma estrutura de super servidores acessíveis pela internet) podem fornecer. Mas o que realmente vemos hoje no campo são granjas e fazendas sem conectividade ou soluções de internet fracas e intermitentes.
A questão aqui é que para aumentar a oferta de boa conectividade no meio rural há a necessidade do próprio setor consumir exigir e apostar nessa maior conectividade como ferramenta para ganho de produtividade. Fazendo um paralelo, boa internet é hoje as novas rodovias de escoamento da produção, só que aqui produção de dados, informações e decisões.
Como conectar todas essas informações?
Para que os programadores desenvolvam os algoritmos necessários para transformar grandes volumes de dados em resultados úteis para a produção animal, as máquinas devem primeiro ser “treinadas” usando grandes volumes de dados com qualidade auditada por cientistas de dados, seja em termos de sua relevância biológica para a saúde e o bem-estar dos animais, seja em termos de relevância para os algoritmos que tomarão decisões de forma automática.
O acesso a esse grande volume de dados, cujo nome que damos é big data, requer a colaboração e compartilhamento digital de dados por todos os players do setor. Porém, como fazer isso e ainda garantir segurança competitiva aos donos dos dados, garantindo a separação do que é realmente público e o que é privado? Como conseguir conectar centenas, milhares de diferentes padrões e fontes de dados de forma a transformá-los nesse desejado pote de outro digital?
Uma resposta a esses questionamento é a criação de uma plataforma tecnológica específica para a produção animal intensiva que consiga ser um repositórios de armazenamento de dados privados com políticas claras e seguras de utilização estatística dos mesmos, ajudando assim a diminuir as preocupações dos grandes players do mercado, geralmente empresas que possuem políticas mais rígidas de segurança e privacidade de dados.
Além de armazenamento seguro essa plataforma precisa também facilitar a integração de dados e sistemas, permitindo assim que esse grande volume de dados seja viável. Aqui a dificuldade está em conseguir conversar com soluções antigas ou mesmo planilhas de dados, algo muito normal nas empresas do agro, assim como fazer interface com tecnologias modernas que vem surgindo diariamente no mundo, como é o caso recente de soluções de IOT, blockchain, linguagem natural, para citar algumas.
Uma questão importante é que essa plataforma não pode ser feita por qualquer empresa. Essa empresa precisa ter credibilidade no setor pois o crescimento dos dados passará pela crença dos players na privacidade e segurança dos seus dados em troca de uso da inteligência computacional. Além disso, a empresa precisa ter conhecimento da produção animal e alto nível de capacidade tecnológica, pois a plataforma precisará reúnir tecnologia de ponta e conhecimento de como funciona a produção animal para conseguir endereçar todas as oportunidades da pecuária de precisão.
A conclusão, então, é que essa revolução digital nos trará muitas oportunidades em eficiência e inteligência na produção, logicamente revertidas em maiores margens nas operações. Mas isso não vai vir sem o setor de produção animal fazer investimentos. Tanto o produtor precisará entender que ele terá que modificar sua visão sobre a adoção e investimentos em tecnologia, quanto as grandes empresas precisará investir nas tecnologias disruptivas mesmo não tendo todas as garantias de sucesso, pois se elas não fizerem o movimento será muito lento e talvez não chegue a tempo de gerar o desejado valor.
Eduardo Hoff – Líder de inovação da Agriness

Notícias
Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
Notícias
Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
Notícias
EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



