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Revolução digital na pecuária: não tem almoço de graça!

Precisamos nesse momento nos questionarmos sobre quais são os investimentos que precisarão ser feitos agora para viabilizar essas tecnologias amanhã.

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Eduardo Hoff - Líder de inovação da Agriness - Foto: O Presente Rural

Hoje já podemos começar a imaginar uma realidade na agropecuária onde cada metro quadrado das plantações, cada animal produzido esteja monitorado em tempo real através de sensores e aplicações. Na verdade, muitas soluções já estão ficando disponíveis para o setor produtivo e começam a gerar um efeito positivo na produtividade de granjas e fazendas.

Não há dúvida que essa infinidade de sensores e aplicativos vão gerar um volume de dados gigantesco, um detalhamento sobre cada faceta da produção nunca antes possível de ser feito. Isso criará uma infinidade de novas correlações entre variáveis que permitirão novas propostas de manejos, ajustes em fórmulas de rações, novos protocolos de vacinação, entre outras novidades que continuarão a incrementar produtividade e/ou reduzir custo na produção animal.

Isso nos leva a certeza que técnicas de Data Science irão realmente apoiar cada vez mais a produção animal em tempo real, já que o poder de processamento está crescendo junto com esse volume de dados. Isso torna viável o trabalho de rápida detecção de padrões e o fortalecimento do aprendizado de máquina (machine learging), que, em linhas gerais, são programas de computador e algoritmos que podem se adaptar ao longo do tempo para reconhecer o que é normal em um conjunto de dados, como por exemplo padrões que identificam surtos de doenças específicas ou problemas de manejo que precisam ser alterados para uma outra técnica.

Tudo isso é maravilhoso de se pensar, não é mesmo? Parece que teremos um futuro muito mais facilitado na produção animal do que temos hoje. E isso está 100% correto. Porém o setor precisa colocar novamente os pés no chão e avaliar sem euforia quais passos precisam ser dados antes desse futuro ser realmente viável. Precisamos nesse momento nos questionarmos sobre quais são os investimentos que precisarão ser feitos agora para viabilizar essas tecnologias amanhã. Pois uma outra certeza que temos no agro é que não tem almoço de graça!

 

Qual a qualidade dos dados que estamos gerando? O que realmente poderemos correlacionar?

Apesar dos benefícios óbvios dessa nova fase da pecuária, há uma série de dificuldades físicas e técnicas que precisaremos superar dentro da produção animal antes que tenhamos a qualidade e o volume de dados necessários para colocar a inteligência computacional a nosso serviço no dia a dia.

Por exemplo:

1.        Robustez: Os sensores eletrônicos usados devem ser robustos o suficiente para suportar a vida dentro das granjas, além de realmente entregar um dado real e de qualidade para análise. Experiências realizadas pela Agriness EDGE, unidade da Agriness especializada em IOT para produção animal, mostram que determinados sensores podem até começar sua vida útil gerando bons dados, mas em pouco tempo passam a não entregar a informação fidedigna, o que pode comprometer todo o restante das análises.

2.        Custo: Atualmente alguns dos sensores fundamentais para essas correlações não possuem um custo de implantação e manutenção compatíveis com as margens atuais da produção de proteína animal. Certamente a tecnologia, como sempre, irá tratar de barateá-los a longo prazo, mas isso só acontecerá se tivermos no setor os earlier adopters, empresas que apostam nas tecnologias mesmo que ainda a custos não muito adequados.

3.        Estrutural: muitas estruturas de granjas e fazendas foram construídas há muito tempo e não possuem uma estrutura mínima adequada para a adoção de certas tecnologias que já estão no mercado, sejam elas de sensoriamento, sejam de automação, sejam de conectividade. Nessa situação temos duas frentes de investimentos: mudar as estruturas, o que é muito caro para o setor; ou investir na adequação das tecnologias para as estruturas existentes. Em qualquer uma delas precisamos investir hoje para colher mais tarde.

 

Qual a possibilidade de termos as informações a tempo de tomar decisões com elas?

Os produtores precisarão de conectividade adequada para envio de dados aos sistemas de computadores capazes de processar grandes volumes de dados, assim como boa conectividade para poder consumir as respostas que essas soluções na cloud (termo que define uma estrutura de super servidores acessíveis pela internet) podem fornecer. Mas o que realmente vemos hoje no campo são granjas e fazendas sem conectividade ou soluções de internet fracas e intermitentes.

A questão aqui é que para aumentar a oferta de boa conectividade no meio rural há a necessidade do próprio setor consumir exigir e apostar nessa maior conectividade como ferramenta para ganho de produtividade. Fazendo um paralelo, boa internet é hoje as novas rodovias de escoamento da produção, só que aqui produção de dados, informações e decisões.

 

Como conectar todas essas informações?

Para que os programadores desenvolvam os algoritmos necessários para transformar grandes volumes de dados em resultados úteis para a produção animal, as máquinas devem primeiro ser “treinadas” usando grandes volumes de dados com qualidade auditada por cientistas de dados, seja em termos de sua relevância biológica para a saúde e o bem-estar dos animais, seja em termos de relevância para os algoritmos que tomarão decisões de forma automática.

O acesso a esse grande volume de dados, cujo nome que damos é big data, requer a colaboração e compartilhamento digital de dados por todos os players do setor. Porém, como fazer isso e ainda garantir segurança competitiva aos donos dos dados, garantindo a separação do que é realmente público e o que é privado? Como conseguir conectar centenas, milhares de diferentes padrões e fontes de dados de forma a transformá-los nesse desejado pote de outro digital?

Uma resposta a esses questionamento é a criação de uma plataforma tecnológica específica para a produção animal intensiva que consiga ser um repositórios de armazenamento de dados privados com políticas claras e seguras de utilização estatística dos mesmos, ajudando assim  a diminuir as preocupações dos grandes players do mercado, geralmente empresas que possuem políticas mais rígidas de segurança e privacidade de dados.

Além de armazenamento seguro essa plataforma precisa também facilitar a integração de dados e sistemas, permitindo assim que esse grande volume de dados seja viável. Aqui a dificuldade está em conseguir conversar com soluções antigas ou mesmo planilhas de dados, algo muito normal nas empresas do agro, assim como fazer interface com tecnologias modernas que vem surgindo diariamente no mundo, como é o caso recente de soluções de IOT, blockchain, linguagem natural, para citar algumas.

Uma questão importante é que essa plataforma não pode ser feita por qualquer empresa. Essa empresa precisa ter credibilidade no setor pois o crescimento dos dados passará pela crença dos players na privacidade e segurança dos seus dados em troca de uso da inteligência computacional. Além disso, a empresa precisa ter conhecimento da produção animal e alto nível de capacidade tecnológica, pois a plataforma precisará reúnir tecnologia de ponta e conhecimento de como funciona a produção animal para conseguir endereçar todas as oportunidades da pecuária de precisão.

A conclusão, então, é que essa revolução digital nos trará muitas oportunidades em eficiência e inteligência na produção, logicamente revertidas em maiores margens nas operações. Mas isso não vai vir sem o setor de produção animal fazer investimentos. Tanto o produtor precisará entender que ele terá que modificar sua visão sobre a adoção e investimentos em tecnologia, quanto as grandes empresas precisará investir nas tecnologias disruptivas mesmo não tendo todas as garantias de sucesso, pois se elas não fizerem o movimento será muito lento e talvez não chegue a tempo de gerar o desejado valor.

 

Eduardo Hoff – Líder de inovação da Agriness

Fonte: Eduardo Hoff

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ASEMG lança ASEMG TECH e aposta em inovação para fortalecer a suinocultura mineira

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A Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) está lançando o novo projeto, o ASEMG Tech, voltado ao estímulo da inovação e ao fortalecimento da competitividade da suinocultura no estado. 

A iniciativa surge com o objetivo de aproximar tecnologias já aplicadas e validadas da realidade das granjas, promovendo um espaço qualificado para apresentação, avaliação e debate de soluções com potencial de gerar ganhos concretos de produtividade, eficiência e gestão. O projeto também busca preencher uma lacuna no setor, ao propor um evento focado exclusivamente em inovação prática na suinocultura. As inscrições podem ser realizadas até o dia 11 de abril de 2026 através do site da entidade (clique aqui).

Podem participar empresas nacionais e internacionais, startups, scale-ups, universidades, centros de pesquisa, cooperativas e instituições tecnológicas que atuem com soluções aplicadas à produção suinícola. As áreas contempladas incluem genética, nutrição, sanidade, automação e equipamentos, gestão e monitoramento, inteligência de dados, sustentabilidade, eficiência produtiva e outras inovações voltadas ao setor.

Segundo o presidente da ASEMG, Donizetti Ferreira Couto, o ASEMG Tech representa um avanço estratégico para o setor. “O ASEMG Tech nasce com a proposta de conectar tecnologia e prática produtiva. Queremos criar um ambiente onde produtores possam conhecer, avaliar e discutir soluções que realmente tragam resultados para as granjas. É uma iniciativa que reforça o papel da ASEMG como promotora da inovação e do desenvolvimento da suinocultura em Minas Gerais”, afirma.

Para serem elegíveis, as tecnologias devem atender a critérios técnicos estabelecidos em edital, como aplicação comprovada em campo, resultados mensuráveis na produção e potencial de gerar ganhos de eficiência, produtividade ou gestão. Todo o processo de seleção será conduzido por uma Comissão Técnica formada por especialistas, garantindo rigor e credibilidade à iniciativa.

Ao todo, nove empresas serão selecionadas para apresentar suas soluções durante o ASEMG Tech, em painéis técnicos presenciais voltados exclusivamente a produtores associados da entidade. A proposta é promover um ambiente qualificado de troca, aproximando as demandas do campo das soluções tecnológicas disponíveis no mercado.

Além da oportunidade de apresentar diretamente ao público produtor, as empresas participantes terão a chance de posicionar suas marcas como referência em inovação no setor e fortalecer conexões estratégicas dentro da cadeia produtiva.

As inscrições para as empresas que têm interesse em apresentar as suas propostas já estão abertas. Acesse e faça já a sua inscrição.

Cronograma:

  • Encerramento das inscrições: 11 de abril de 2026 

  • Divulgação das selecionadas: até 05 de maio de 2026 

  • Realização do evento: 29 de maio de 2026 

  • Local: Sede da ASEMG – Belo Horizonte (MG) 

O ASEMG Tech se consolida como uma vitrine de inovação aplicada à suinocultura, promovendo a integração entre tecnologia, conhecimento e produção para o avanço do setor em Minas Gerais.

Fonte: Assessoria
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Fenagra chega à 19ª edição e consolida liderança em feed & food na América Latina

Feira e congressos técnicos reunirão 14 mil participantes em São Paulo, com foco em nutrição animal, pet food e inovação tecnológica.

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Foto: Divulgação

A 19ª edição da Feira Internacional da Agroindústria Feed & Food, Tecnologia e Processamento (Fenagra) reafirma seu protagonismo na América Latina ao reunir os principais players de Pet Food, Nutrição Animal, Graxarias, Biodiesel e Óleos e Gorduras. O evento será realizado de 12 a 14 de maio, das 11 às 19 horas, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Em paralelo à feira, acontecerão os congressos técnicos promovidos pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA). Entre eles estão a 36ª Reunião Anual CBNA – Aves, Suínos e Bovinos, o 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos e o 25º Congresso CBNA PET. A expectativa é reunir cerca de 14 mil visitantes e congressistas ao longo dos três dias.

Presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg: “Reuniremos especialistas nacionais e internacionais, criando um ambiente promissor para troca de conhecimento, networking e desenvolvimento de soluções que impulsionem o mercado de nutrição animal” – Foto: Divulgação

Daniel Geraldes, diretor da Fenagra, destaca a parceria de longa data com o CBNA e reforça o papel do evento no fortalecimento da agroindústria. “Essa integração reforça o compromisso com o fortalecimento da agroindústria, promovendo a conexão entre ciência, tecnologia e mercado, além de impulsionar a inovação e o desenvolvimento sustentável da indústria de alimentação animal”, afirma.

Para Godofredo Miltenburg, presidente do CBNA, o sucesso do evento está ligado à qualidade técnica e à presença de empresas líderes. “Reuniremos especialistas nacionais e internacionais, criando um ambiente promissor para troca de conhecimento, networking e desenvolvimento de soluções que impulsionem o mercado de nutrição animal”, enfatiza.

Programação técnica detalhada
A 36ª Reunião Anual CBNA – Aves, Suínos e Bovinos terá como tema central Nutrição além da nutrição e contará com mais de 20 palestras distribuídas em cinco painéis. Especialistas da academia, da agroindústria e de empresas do setor discutirão tendências, tecnologias e inovações na nutrição de aves, suínos e bovinos.

Foto: Divulgação

O 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, organizado pela SBNutriPet em parceria com o CBNA, abordará os desafios da nutrologia felina, estratégias nutricionais, melhores práticas clínicas e apresentação de trabalhos científicos. Palestrantes virão de universidades do Brasil, Estados Unidos e Canadá.

O 25º Congresso CBNA PET terá como tema Desafios na alimentação de felinos e dividirá sua programação em quatro painéis: Nutrição, Processo e Segurança, Mercado e Comunicação ética em nutrição de cães e gatos. Serão debatidos nutrientes na formulação de dietas, processamento de ração, aditivos e ingredientes potencialmente tóxicos, indicadores de desempenho em fábricas de ração e perspectivas de mercado.

Expositores e volume de negócios
A Fenagra reunirá 250 expositores nacionais e internacionais vindos de Estados Unidos, Rússia, Austrália, Europa, Ásia, América do Sul e Arábia Saudita. A feira ocupará dois pavilhões do Distrito Anhembi, com 26 mil m² de área de exposição.

A maior parte dos expositores pertence aos segmentos de Pet Food e Nutrição Animal, seguida por Frigoríficos e Graxarias, Biodiesel e Óleos e Gorduras Vegetais, destinados à nutrição humana e à produção de biocombustíveis. O volume de negócios durante a feira deve superar R$ 1 bilhão, consolidando a Fenagra como principal plataforma de negócios do setor na América Latina.

Fonte: O Presente Rural
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Produtividade recorde do agro brasileiro ameaça ser sufocada por gastos públicos improdutivos

Enquanto soja, milho e pecuária impulsionam até 27% do PIB e elevam o IDH em municípios produtores, ineficiência fiscal e juros altos pressionam crédito e aumentam pedidos de recuperação judicial no setor.

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Foto: Shutterstock

Enquanto a produtividade floresce nos campos do agronegócio, a gestão pública brasileira parece estagnada em modelos que privilegiam o gasto improdutivo em detrimento do investimento estruturante. Não há inclusão social sem uma economia saudável! Hoje, a “galinha dos ovos de ouro” brasileira – o agronegócio – enfrenta uma ameaça que não vem do clima ou do solo, mas da ideologia e da insensatez de Brasília.

Há anos, o agronegócio é o principal responsável pela expansão econômica brasileira. Segundo dados do Cepea (USP) em parceria com a CNA, o setor responde por aproximadamente 24% a 27% do PIB nacional. Em 2023, enquanto outros setores patinavam, o PIB da agropecuária saltou 15,1%, sendo o fiel da balança para evitar uma recessão técnica e garantir o superávit comercial.

Esse sucesso é fruto de um crescimento de produtividade sem precedentes. A Produtividade Total dos Fatores (PTF) no agro cresce, em média, 3,2% ao ano — um ritmo que humilha a média da indústria nacional e de muitos países desenvolvidos.

É sempre importantíssimo frisar que o Brasil não só planta, mas desenvolve tecnologia biológica de ponta!

É fundamental compreender que o agronegócio não se resume ao “dentro da porteira”. O termo “Agribusiness” foi cunhado em 1957 pelos professores de Harvard, John Davis e Ray Goldberg, justamente para descrever a soma total de todas as operações envolvidas na fabricação e distribuição de suprimentos agrícolas.

O agronegócio é, portanto, uma cadeia complexa que integra:

  1. O Agro “dentro da porteira”: a agricultura e pecuária propriamente ditas, onde o manejo do solo e a gestão biológica ocorrem.
  2. Indústria: fabricação de insumos, defensivos, fertilizantes e máquinas pesadas, além do processamento agroindustrial de alimentos e biocombustíveis.
  3. Serviços: logística de transporte, armazenamento, crédito agrícola sofisticado e tecnologia da informação (Agtechs).

Essa visão sistêmica revela, por exemplo, que o sucesso da colheita movimenta desde uma fábrica de tratores no interior de São Paulo, até o porto em Santos, sustentando milhões de empregos indiretos.

Nada disso seria possível sem o papel histórico da EMBRAPA. Criada na década de 70, a Embrapa foi a arquiteta da “revolução tropical”, transformando o Cerrado — antes considerado terra ácida e improdutiva — no celeiro do mundo através da ciência brasileira.

O ganho de eficiência do campo transborda diretamente para o capital humano. Municípios com forte presença do agro apresentam indicadores de qualidade de vida muito superiores à média nacional. Cidades como Sorriso (MT), Lucas do Rio Verde (MT), Rio Verde (GO) e Toledo (PR) são exemplos disso.

Essas localidades figuram constantemente no topo do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) regional porque a riqueza gerada pela produtividade se converte em:

  • Infraestrutura urbana de qualidade;
  • Melhores escolas e centros de capacitação técnica;
  • Sistemas de saúde mais robustos e acessíveis.

A prosperidade agrícola é o maior vetor de descentralização do desenvolvimento que o Brasil já conheceu, criando polos de dignidade longe das metrópoles litorâneas.

Entretanto, esse vigor produtivo encontra um obstáculo na insustentabilidade fiscal. O Brasil gasta muito e gasta mal. Consumimos cerca de 33% do PIB em impostos, mas o retorno em investimento público em capital humano, ciência e inovação, além de infraestrutura, é irrisório, mal chegando a 2%.

O desperdício e a má gestão são flagrantes:

  • Privilégios Estruturais: Gastos exorbitantes com pensões e aposentadorias de elite (como as de juízes e alta cúpula do funcionalismo), mantendo castas que consomem recursos que deveriam financiar laboratórios de biotecnologia ou ferrovias.
  • Corrupção e Ineficiência: O dinheiro é drenado por desvios e por uma burocracia que “cria dificuldades para vender facilidades”, além do custo de manter estatais ineficientes e obras inacabadas que nunca se tornam ativos para o país.

Essa “gastança desordenada” eleva a dívida pública, forçando o Banco Central a manter a Taxa Selic elevada para conter a inflação. Juros altos significam financiamento inviável.

O produtor, que depende de crédito para comprar sementes e maquinário, está sendo asfixiado. Dados da Serasa Experian mostram um aumento alarmante de mais de 500% nos pedidos de Recuperação Judicial no setor agropecuário entre 2023 e 2024.

Não podemos permitir que a ineficiência do Estado destrua a engrenagem que sustenta o país. A justiça e a inclusão social exigem um governo que respeite quem produz. É urgente:

  1. Melhorar a qualidade do gasto: cortar privilégios e priorizar investimentos em ciência, tecnologia e educação.
  2. Responsabilidade fiscal: tornar a dívida sustentável para baixar os juros de forma estrutural, fomentando o agro.
  3. Incentivo à inovação: reduzir a burocracia para que o empreendedorismo inclusivo no campo possa prosperar.

O agronegócio é a prova de que o Brasil pode ser uma potência. Mas, para que a colheita continue farta, é preciso parar de consumir as sementes do amanhã com os gastos perdulários de hoje.

Gestão ética e compromisso com a realidade são os únicos caminhos para o Brasil que queremos.

Fonte: Artigo escrito por André Naves, defensor público federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, mestre em Economia Política e doutor em Economia.
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