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Revolução da nutrição animal começa com milhos específicos para cada espécie

Em poucos anos, as empresas vão deixar de comprar milho para comprar nutrição

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Imagine produzir um milho específico para a alimentação de matrizes suínas que estão amamentando. Ou produzir um grão exclusivo para bovinos de corte, ou para aves, para peixes. Imagine produzir menos e ganhar mais. Pois pare de imaginar e preste atenção, porque a nutrição animal está passando por uma verdadeira revolução no Brasil e no mundo. Em poucos anos, as empresas vão deixar de comprar milho para comprar nutrição. A nutrição ideal, perfeita para cada fase, de cada espécie de produção. A mudança está causando disrupção nas casas de genética de grãos e na forma com que profissionais do agronegócio passam a entender profundamente as potencialidades de cada tipo de grão para cada animal.

Movimento semelhante já acontece há alguns anos com o leite. Em vários países, como na Nova Zelândia, maior exportador dessa proteína no mundo, o preço do litro não existe mais como parâmetro. A indústria paga pela qualidade, pela quantidade de gordura, contagem de células somáticas, contagem bacteriana total e proteína que certa quantidade de leite tem. Esse movimento, a partir de agora, migra para a indústria de grãos usados na alimentação animal, em uma tendência irreversível de oferecer aos rebanhos, ou melhor, a cada rebanho específico, uma dieta cada vez mais precisa e eficiente do ponto de vista zootécnico e financeiro.

Milho: cadeia produtiva na velocidade 5.0

Para falar sobre o novo momento da nutrição e da produção de grãos no Brasil, O Presente Rural entrevistou o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Carlos Augusto Mallmann, doutor em Medicina Veterinária. Mallmann é um dos especialistas e grande estudioso do milho no Brasil, atuando em áreas como saúde pública, micotoxinas e micotoxicoses, técnicas avançadas de diagnóstico e epidemiologia.

A reportagem foi produzida a partir de artigo de Mallmann e do médico veterinário doutor Adriano Olnei Mallmann, zootecnista Denize Tyska (MSc.), zootecnista Juliano Kobs Vidal (MSc.) e médica veterinária Cristina Tonial Simões (Msc.).

“Não há dúvidas de que estamos vivendo a era da informação, também conhecida como revolução digital ou quarta revolução industrial, que tem como um dos seus grandes marcos o acesso rápido e fácil à informação. Um aspecto muito importante dentro dessa nova realidade, e que exerce grande influência sobre o mercado atual, é o nível de exigência do consumidor em relação ao produto que chega à sua mesa. Há uma crescente preocupação quanto à segurança do alimento consumido, além da busca por itens produzidos a partir de animais oriundos de um sistema de criação sustentável, sob normas adequadas de bem-estar e livres da ingestão de toxinas e antibióticos”, cita. “A exigência é de que tudo isso possa ser oferecido e sustentado pela cadeia produtiva, na qual um ingrediente é a base de tudo: o milho”, crava.

O professor Mallmann lembra que a evolução no rendimento, ou seja, na produtividade de grãos de milho levou o Brasil ao topo da cadeia exportadora. Na safra 2019/20. A produção superou 100 milhões de toneladas. O país é o terceiro maior produtor mundial desse grão, atrás apenas dos Estados Unidos e China. As exportações brasileiras de milho giram em torno de 35% anuais, o que coloca o país no top 3 dos maiores exportadores. No entanto, lembra, “mais de 90% do milho utilizado no consumo doméstico é destinado à nutrição animal, principalmente de aves e suínos”. O Brasil também é um dos líderes mundiais na produção de proteína animal. Ocupa a terceira posição no ranking dos produtores e a primeira entre os exportadores de aves. E é ainda o quarto maior produtor e exportador de suínos do mundo.

A produção robusta de milho diversificado é inevitável. “O mercado disponibiliza anualmente dezenas de híbridos de milho com diferentes caraterísticas e propósitos. Na safra 2019/20, 196 tipos foram ofertados. De acordo com a Embrapa Milho e Sorgo, as empresas produtoras de sementes reportaram os seguintes dados para essa safra: 86,4% híbridos simples, 5,8% híbridos triplos, 3,9% híbridos duplos e 2,6% híbridos intervarietais. O levantamento também abordou o ciclo dessas cultivares, sendo 66% precoces, 25% superprecoces, 5% semiprecoces, 3% hiperprecoces e 1% de ciclo médio. Dos 196 híbridos apresentados, 90% não possui informação quanto à resistência à Fusariose, doença que pode culminar em contaminação micotoxicológica causada por fungos do gênero Fusarium”, preocupa-se. Para o professor Mallmann, isso reflete no fato de que cerca de 85% dos lotes brasileiros de milho apresenta fumonisinas, principal grupo de micotoxinas produzidas por esse grupo fúngico. “Além de afetar a qualidade nutricional e física dos grãos, esses metabólitos geram um impacto negativo na produção animal por demandar aumento no custo da ração, referente à inclusão de aditivos e nutrientes sintéticos, e por interferir na sanidade e desempenho zootécnico dos animais”, cita o especialista.

A cadeia produtiva tem início no aporte oferecido pelas casas de genética. “O melhoramento genético do milho é realizado para que uma matéria-prima de alta produtividade seja ofertada, considerando em alguns casos tratos culturais, como o uso de defensivos agrícolas (doses e frequências) ou o ciclo de cultura. A partir da genética, utilizada em associação às Boas Práticas Agrícolas (BPAs) e condições climáticas, é gerada a pedra basilar da qualidade e produtividade a campo. Infelizmente, uma possível bonificação pela qualidade nutricional e micotoxicológica dos grãos ainda esbarra na impossibilidade de segregação do material na indústria”, menciona. “Contudo, a qualificação pode ser realizada após o armazenamento, o que favorece a tomada de decisão. Dessa forma, a pressão por médias nutricionais maiores, que não são exclusivamente determinadas pela genética, tende a aumentar”, garante.

Em sua avaliação, o milho ainda é tratado como uma commodity, ou seja, os critérios de classificação são simplificados, não permitindo uma correlação precisa com os nutrientes presentes no grão. “No cenário atual, almeja-se que a seleção genética produza híbridos que, além da produtividade, possibilitem a formulação de ração a um custo menor. Assim, os trabalhos com híbridos de milho iniciados em 2013 começam a ganhar corpo e a abranger outras variáveis, como o local de plantio, o uso de diferentes manejos, a resistência a patógenos e insetos e a qualidade nutricional. Inicialmente objetivou-se selecionar um material resistente às micotoxinas, mas outros fatores também se mostraram intimamente atrelados ao custo da formulação de ração, indicando que a seleção genética não envolverá parâmetros únicos, mas sim um conjunto deles. Assim, os parâmetros genéticos avaliados nos híbridos de milho foram produtividade (em kg/hectare), percentual de grãos avariados, energia metabolizável, proteína bruta, aminoácidos digestíveis e presença de micotoxinas (aflatoxinas, fumonisinas, desoxinivalenol e zearalenona) (Figura 1). As interações podem ser feitas correlacionando-se variáveis como ciclo, época de plantio, tipos de transgenia, textura, resistência a fungicidas e acamamento.

“Nem sempre o híbrido mais produtivo é o que apresenta o menor custo de formulação”, cita especialista

Da lavoura ao armazenamento, a colheita do milho é uma das fases chave para a qualidade do ativo em questão, menciona o estudioso. “Cerca de 70% da colheita de milho na safrinha de 2020 ocorreu em um período de 60 dias (Figura 2). Considerando esse cenário, a recepção dos grãos ocorre em um período muito concentrado, no qual, por vezes, há perda nos processos de estabilização nutricional e micotoxicológica, levando à degradação da matéria-prima”.

O professor lembra que o recebimento pós-colheita é um processo que não tem a capacidade de melhorar o valor nutricional do produto, havendo apenas a sua preservação. “A participação do produtor de grãos é encerrada a partir desse momento. Essa é a primeira oportunidade para que o material, que já está homogeneizado, seja qualificado econômica e nutricionalmente para conexão com o processo de formulação de precisão. É também nessa fase que ocorre a segregação e o direcionamento inteligente da matéria-prima, pois o uso dessa informação na nutrição torna-se mais eficiente e com múltiplas possibilidades de decisões econômicas, tais como a destinação do produto para a espécie animal específica, fases, sexo, genética ou até mesmo a comercialização onde o valor de mercado é mais apropriado”, diz. Dessa forma, entende Mallmann, a cadeia se torna mais transparente e eficaz. “Além disso, sabe-se que a ampla maioria dos processos de secagem não consegue desempenhar essa tarefa de forma rápida e uniforme em todo o volume de grãos. Isso faz com que ocorram alterações termo-hídricas dentro dos silos, as quais são evitáveis com o uso da aeração forçada. Contudo, mesmo atingindo a estabilidade térmica e atendendo às BPAs, muitas vezes não é possível evitar a produção de micotoxinas”, reforça.

Micotoxinas e amostragens

O profissional lembra que a matéria-prima estará pronta para ser amostrada quando temperaturas adequadas de conservação forem atingidas. “A amostragem é uma etapa primordial, uma vez que é a partir da amostra coletada que serão gerados os resultados que embasarão a tomada de decisão. As micotoxinas são substâncias detectadas na unidade de partes por bilhão (ppb); sendo assim, configuram umas das substâncias mais difíceis de serem quantificadas com precisão. Buscando-se compreender o quanto 1 ppb representa, pode-se fazer a relação com menos de oito pessoas na população global; isso denota o grau de dificuldade em se estabelecer uma amostragem para micotoxinas. Transferindo isso para a realidade do milho, 1 ppb equivale a 1 grão de milho em 350 toneladas, ou 10 caminhões com 35 toneladas cada”, explica.

De acordo com o professor da UFSM, estudos comprovam que em torno de 80% da precisão de um resultado de micotoxinas está relacionado a uma amostragem correta. “Além da baixa concentração em ppb, as micotoxinas não se distribuem uniformemente na massa de grãos. Suas concentrações podem variar significativamente de um local para outro dentro de um silo ou armazém. Essa distribuição heterogênea tem início ainda na lavoura de milho, onde comumente são produzidas as micotoxinas de campo (fumonisinas, zearalenona e deoxinivalenol) pelos fungos do gênero Fusarium. Isso ocorre, orienta o professor, “por conta das diferentes condições de temperatura e umidade favoráveis ao crescimento fúngico e a consequente produção de micotoxinas em diferentes pontos da lavoura. Grãos com concentrações distintas de micotoxinas também podem ocorrer em uma única espiga de milho”.

Tal heterogeneidade, amplia o médico veterinário, “é transferida durante a colheita para os veículos de transporte de grãos, em seguida para a unidade de recebimento na moega, no secador, no armazenamento, e finalmente para os grãos que serão utilizados para produzir a ração ou destinados para outro fim. Ainda, durante as etapas de recebimento, secagem e armazenamento de grãos, há maior risco de produção das ‘micotoxinas de armazenamento’, as aflatoxinas, que têm alta toxicidade e são produzidas por fungos do gênero Aspergillus”. O professor destaca que durante o armazenamento podem haver hot spots dentro dos silos, ocasionados principalmente pela presença de umidade excessiva em pontos localizados dentro do sistema de armazenagem, contribuindo também para a heterogeneidade do material.

“Portanto, os procedimentos de coleta das amostras devem respeitar o princípio de que cada grão tenha a mesma probabilidade de estar representado na amostra. Somente assim a informação será representativa e ideal para ser utilizada na qualificação do lote amostrado. De forma prática, é necessário utilizar uma sonda pneumática para coletar as amostras de silos e armazéns. Esta deve ser introduzida na massa de grãos, possibilitando a coleta desde o topo até a base. A quantidade de amostra coletada deve ser em torno de 10 a 20 kg, dependendo da profundidade da instalação. É recomendável que a quantidade de pontos de coleta e a separação de amostras por profundidade siga a demonstração ilustrada nas Figuras 3 e 4, pois depende do tamanho da estrutura armazenadora”.

“A amostra em grãos apropriadamente coletada para a análise de micotoxinas é também representativa para as demais análises, podendo ser utilizada para avaliar variáveis de classificação física do milho como umidade, impurezas, grãos avariados e carunchados. A seguir, a amostra originada de cada ponto deve ser integralmente triturada, de forma que o número de partículas seja totalmente triturado em um triturador básico equipado com peneira de 3 mm. Isso garantirá a fragmentação de cada grão em milhares de partículas e consequentemente uma pré-homogeneização da amostra. O volume gerado deverá ser reduzido através de um quarteamento até o peso aproximado de 500 gramas”, orienta.

O passo seguinte é a moagem mais refinada da amostra, “utilizando-se moedores específicos de laboratório equipados com peneira de 0,5 ou 1 mm para padronização da granulometria das partículas. Após, é realizado o processo de homogeneização da amostra e leitura no equipamento de espectroscopia no infravermelho proximal – NIR (Near Infrared Spectroscopy) para obtenção do espectro”.

O NIR é um equipamento que se caracteriza por realizar a leitura espectral da amostra em diferentes comprimentos de onda que variam entre 400 e 2.500 nm. “Esses dados espectrais são gerados a partir de uma vibração molecular e são convertidos em níveis de absorbância únicos para cada amostra. Os espectros são selecionados e correlacionados com os resultados obtidos através de análises físico-químicas certificadas. As curvas de calibração são então obtidas através de tratamentos matemáticos, possibilitando tanto análises quantitativas quanto qualitativas das amostras. Os espectros são armazenados para que, havendo novas curvas, essas ainda estejam disponíveis para predição sem a necessidade de guardar a amostra física, permitindo uma análise retrospectiva”.

De acordo com o especialista, “o grande desafio para elaboração das curvas para micotoxinas é a obtenção de um número suficiente de amostras que represente o universo de interesse técnico/prático da informação gerada”. O fluxo das amostras após o processo de amostragem até a leitura no equipamento NIR é ilustrado na Figura 5. “Após a leitura, os espectros são enviados a um programa para a geração das informações sobre os parâmetros solicitados. Em poucos minutos há o retorno da informação para o usuário”, menciona.

Para Mallmann, o cenário atual não nos permite a segregação do milho. “A alternativa implementada é a de avaliação das unidades de armazenagem. Uma das maiores vantagens desse processo é a obtenção de todas as informações necessárias para qualificação do milho em alguns instantes. A extração dos dados é feita por um software que abastece as informações gerenciais e possibilita o acompanhamento instantâneo do produto que está sendo utilizado. Todas as informações são apresentadas em tempo real para os principais componentes bromatológicos do milho, além da classificação física e as micotoxinas importantes para a formulação. Esse sistema permite que a decisão seja fundamentada em informações corretas e não realizada empiricamente”, diz o especialista.

Mallmann destaca que essa realidade permite selecionar, entre todas as unidades de armazenamento, aquelas que oferecem o material ideal para a categoria animal desejada. “Isso significa poder escolher, dentre todos os silos de uma unidade fabril, aquele que contém o milho com as características desejadas para produzir uma ração pré-inicial para frangos de corte. Ou então, eleger o silo que apresenta menor contaminação pela micotoxina zearalenona para produzir ração de matrizes suínas. Uma das possibilidades está na decisão quanto ao emprego de determinados ingredientes nutricionais ou funcionais como, por exemplo, os aditivos antimicotoxinas. Tal decisão é definida com base no conhecimento prévio da matéria-prima armazenada, servindo como subsídio para as políticas de compra desses ingredientes. As possibilidades de gerenciamento através da plataforma são infinitas, já que o sistema permite a seleção daqueles silos que poderão ser armazenados por mais tempo, escolhidos para consumo da empresa ou colocados à disposição do mercado”, aponta. “As possibilidades de gerenciamento através da plataforma são infinitas”, reforça.

Para ele, em breve a compra de cereais será baseada não só na classificação por tipo de produto, mas também por características da matéria-prima para produção de alimentos com fins específicos. “As transações relacionadas às commodities seguramente já utilizam esse processo. Alguns países estão qualificando e empregando essa tecnologia para agregar valor ao produto exportado ou atender às exigências específicas do comprador, especialmente quanto aos níveis de micotoxinas contidos no material e seu uso na alimentação de uma categoria animal específica. Cada vez mais exigente, o mercado deterá os parâmetros de compra para atendimento das suas características individuais. Além disso, a informação empregada no monitoramento dos silos e armazéns também pode indicar possíveis ações corretivas quando necessárias, como controle de termometria e melhorias na aeração, ou seja, melhorias no sistema de gestão continuado”. frisa. “A informação possibilita trabalhar na correta tomada de decisão. A falta dela leva a trabalhar no empirismo”, reforça.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura

Importância dos ângulos de viragem para melhor eclodibilidade e qualidade do pintinho

Ângulos de viragem incorretos reduzem eclodibilidade, qualidade do pintinho e fluxo de ar dentro da incubadora e aumentam o número de pintinhos mal posicionados

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Artigo escrito por Scott Jordan, especialista em Incubação e Serviços Técnicos da Cobb-Vantress

Ângulos de viragem incorretos reduzem a eclodibilidade, a qualidade do pintinho e o fluxo de ar dentro da incubadora e aumentam o número de pintinhos mal posicionados. Infelizmente, o impacto negativo das falhas de viragem na primeira semana não pode ser corrigido posteriormente durante a incubação.

O ângulo de viragem ideal para a maioria das incubadoras é de 39-45 graus. Os ângulos de viragem devem ser verificados pelo menos a cada 90 dias em uma máquina de estágio múltiplo. Esta verificação pode ser feita em coordenação com a calibragem de uma máquina de estágio múltiplo.

Enquanto espera que a sonda de temperatura se iguale à temperatura da máquina, aproveite para verificar o ângulo de viragem dentro da máquina. Em máquinas de estágio único, o ângulo de viragem pode ser verificado antes de cada carga ou na transferência.

Registre o ângulo de viragem e quaisquer ajustes feitos nos livros de registro da incubadora. Se ajustes frequentes de correção para o ângulo de viragem forem necessários, verifique se há barras tortas, problemas de mecanismo de viragem, peças desgastadas ou outros problemas mecânicos.

Existem várias ferramentas que podem ser usadas para verificar o ângulo de viragem, incluindo localizadores de ângulo manuais e digitais. Alguns aplicativos estão disponíveis para download e uso em seu telefone que podem ser usados para verificar o ângulo e até mesmo armazenar dados históricos.

Dicas para verificar o ângulo de viragem:

  • Em uma máquina com carrinhos portáteis, verifique o carrinho quando estiver carregado de ovos. Um carrinho vazio normalmente vira no ângulo correto, mas quando carregado com ovos, pode não conseguir atingir o ângulo correto.
  • Em uma incubadora de prateleiras fixa, verifique os ângulos de giro quando carregada com ovos. Permita que a máquina faça um ciclo completo de viragem a partir do controle. Não vire os ovos manualmente usando a chave de controle antes de verificar o ângulo. Algumas máquinas atingirão o ângulo correto quando viradas manualmente, mas não o farão quando viradas automaticamente.
  • Coloque o localizador de ângulo na bandeja de metal onde fica a bandeja de ovos. Se isso não for possível, coloque o localizador de ângulo na extremidade da bandeja.
  • É importante verificar todos os carrinhos da máquina. Em alguns casos, o carrinho mais próximo do braço giratório virará corretamente, enquanto o carrinho mais distante do braço giratório virará menos de 39 graus.
  • Em uma incubadora de prateleiras fixa, é importante verificar as seções frontais, intermediárias e posteriores em ambos os lados da máquina.

Eclodibilidade

Os ângulos de viragem inferiores a 39 graus reduzem a eclodibilidade em 1-2% e o número de pintinhos de primeira qualidade em 0,5-2,0%. Se o ângulo de viragem for inferior a 39 graus, virar os ovos duas ou quatro vezes por hora pode reduzir o número de embriões mal posicionados.

Algumas incubadoras de prateleiras fixa possuem um design muito simples para ajustar o ângulo de giro. Algumas incubadoras possuem carrinhos individuais que requerem manutenção de buchas de giro ou acopladores para corrigir o ângulo de viragem. Consulte o manual do operador da incubadora para obter detalhes específicos sobre como corrigir o ângulo de viragem.

A viragem do ovo é necessária para o desenvolvimento adequado do embrião, mas o ângulo de giro correto é igualmente importante. Garantir que o ângulo seja de 39-45 graus pode aumentar a eclodibilidade e a qualidade do pintinho, o que maximizará o número de pintinhos comercializáveis produzidos.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mulheres do Agro

Time 100% feminino comanda Centro de Diagnóstico de Sanidade Animal

São 42 colaboradoras dentro de um dos mais importantes elos do agronegócio, diretamente responsável pela sanidade animal e qualidade dos alimentos

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Há 15 anos dentro do Centro de Diagnóstico de Sanidade Animal (Cedisa), em Concórdia, SC, a médica veterinária Lauren Ventura Parisotto comanda um time formado 100% por mulheres. São 42 colaboradoras dentro de um dos mais importantes elos do agronegócio, diretamente responsável pela sanidade animal e qualidade dos alimentos.

Lauren conta sua trajetória no agronegócio e revela como é o dia a dia de uma organização integralmente tocada por elas. Apesar da circunstância, a gerente técnica e administrativa do Cedisa, que também é presidente da Associação Brasileira de Médicos Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves) Nacional, garante que o mais importante é lidar com seres humanos, independente do gênero. “O ambiente 100% feminino é desafiador. Acredito que por sermos mulheres somos capazes de nos perceber e constantemente usamos o nosso sexto sentido, lançando um outro olhar sobre o cotidiano. Também acredito que o desafio é liderar pessoas independente de gênero. Hoje, mais do que nunca, precisamos de líderes humanos, que buscam entender a cada um e a todos. Nossa missão é fazer com que os liderados evoluam e cresçam como pessoas e profissionais”, frisa.

O Presente Rural – Conte um pouco sobre sua vida profissional.

Lauren Ventura Parisotto – Graduei em Medicina Veterinária na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC-RS em 1998. No mesmo ano fiz meu estágio curricular na Embrapa Suínos e Aves com o doutor Nelson Morés, meu querido e eterno mestre e a quem chamo carinhosamente de chefe até hoje. Após o período de estágio, retornei à Embrapa como estagiária do Cedisa. No ano seguinte surgiu a oportunidade de uma vaga de trabalho num convênio entre a Associação Catarinense de Criadores de Suínos – ACCS e a Embrapa e, o meu querido chefe me chamou em sua sala e disse que pelo meu empenho e dedicação a vaga era minha. Nunca mais esqueci estas palavras e as levo comigo até hoje. Neste período trabalhei no projeto de Pesquisa Linfadenite em Suínos e depois veio o Programa de Erradicação da Doença de Aujeszky em Santa Catarina. Neste último tive uma atitude corajosa, sabendo do projeto tive a ousadia de buscar a doutora Janice Ciacci Zanella e oferecer a ela os meus serviços. Disse-lhe que sabia que precisavam de uma médica veterinária para o trabalho e que eu buscava mais uma oportunidade. Este especialmente foi um período de muito aprendizado e amadurecimento.

Além destes, outros trabalhos surgiram, e sempre me coloquei a disposição para colaborar, ajudar e aprender. Nessa época conheci a Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos – Abraves, entidade que nutro um sentimento de gratidão e carinho muito grande. A partir daí também tive oportunidade de atuar e contribuir com outras entidades de classe como o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina e Núcleos Regionais de Médicos Veterinários.

O Presente Rural – Por que decidiu trabalhar com a produção animal?

Lauren Ventura Parisotto – Desde minha formação básica em Técnica Agrícola, que cursei na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, sabia que esta área seria meu caminho profissional. Muito além da escolha da área havia meu sonho de ter uma formação e tornar-me independente. Foi desta forma que optei pela Medicina Veterinária e durante a graduação a suinocultura sempre foi minha escolha. A ela, devo todas as minhas conquistas.

O Presente Rural – Sentiu alguma resistência na profissão por ser mulher?

Lauren Ventura Parisotto -Não digo por ser mulher, mas ao exercer cargo de liderança, confesso que senti algumas resistências e enfrentei grandes desafios, que com resiliência, atitude e os meus valores consegui superá-los.

O Presente Rural – Como entrou no Cedisa?

Lauren Ventura Parisotto –  Em 2005, através de um convite feito pelo doutor Paulo Roberto Souza da Silveira, então pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, que naquele momento também assumiu a Presidência da Oscip/Cedisa. Confesso que levei um susto e pedi a ele um tempo para pensar. Então busquei alguns oráculos e neste momento mais uma vez meu “chefe” foi essencial na decisão, disse-me: “vai que estamos contigo”.

Quando percebi que meus conhecimentos técnicos, competência e atitudes não eram suficientes para a função, iniciei uma jornada de aprendizado em gestão, liderança, comunicação, inteligência emocional e todos os temas que me tornariam uma profissional melhor. Até hoje, todos os anos invisto parte do meu tempo em capacitação.

O Cedisa é mais que um trabalho, é uma relação de amor, respeito, admiração, verdade e muitas realizações junto ao grande time que construímos ao longo destes quase 15 anos de gestão e 31 de existência da entidade, que foi constituída e construída por muitas mãos. Sou grata a todos que me deram a oportunidade de conhecer o verdadeiro sentido da palavra realização profissional.

O Presente Rural – Qual a função do Cedisa? Explique algumas funções de cada profissional.

Lauren Ventura Parisotto – O Cedisa é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que presta serviços na área de análises laboratoriais de suínos e aves. Atende os ensaios dos Programas Nacionais de Sanidade Avícola e Suídea e o diagnóstico de doenças da produção desta duas espécies.

Nossa equipe é formada hoje por cinco médicas veterinárias, responsáveis técnicas pelas diversas áreas de serviços, tais como Sorologia, Bacteriologia, Patologia, Reprodução, Parasitologia e Biologia Molecular.

Além das RTs, contamos com auxiliares, assistentes e analistas de laboratório das áreas de Biologia, Tecnologia e Engenharia de Alimentos, entre outras. Ainda temos a equipe do setor administrativo que completa o nosso time.

O Presente Rural – O Cedisa é 100% mulheres desde quando?

Lauren Ventura Parisotto – Desde o ano de 2016 nossa equipe é 100% feminina, não foi uma escolha, foi circunstancial. No mercado de serviços laboratoriais, as mulheres são maioria.

O Presente Rural – Como é trabalhar somente entre mulheres no dia a dia?

Lauren Ventura Parisotto – O ambiente 100% feminino é desafiador. Acredito que por sermos mulheres somos capazes de nos perceber e constantemente usamos o nosso sexto sentido, lançando um outro olhar sobre o cotidiano. Também acredito que o desafio é liderar pessoas independente de gênero, hoje mais do que nunca precisamos de líderes humanos, que buscam entender a cada um e a todos e nossa missão é fazer com que os liderados evoluam e cresçam como pessoas e profissionais.

O Presente Rural – Como é pertencer a uma entidade tão importante formada só por mulheres?

Lauren Ventura Parisotto – É lindo, desafiador, motivo de orgulho e inspiração para fazer mais e melhor por cada uma delas que se dedicam, entregam e fazem do Cedisa uma empresa de grandes valores e que acredita no potencial humano. E tudo isso se reflete na nossa prestação de serviços, no atendimento aos nossos clientes e nas parcerias construídas ao longo destes 31 anos de história. Nossa missão é servir.

O Presente Rural – Como a senhora observa a evolução da participação da mulher nos vários ramos do agronegócio nos últimos anos?

Lauren Ventura Parisotto – Penso que não deve haver uma disputa com os homens, ambos temos limitações e acredito que não é o mundo que as impõe. É fato que a nossa sociedade de maneira geral ainda mantém o machismo em sua cultura, principalmente no que se refere a remuneração e oportunidades, infelizmente. Por outro lado, muitas de nós já suplantaram essa questão e hoje são líderes respeitadas no mercado, e o agro é um grande exemplo disso.

Sinto alegria e orgulho por nossas conquistas, podemos ser o que quisermos, e junto aos homens equilibramos, somamos e conseguimos uma sinergia que gera excelentes resultados.

A transformação da sociedade é lenta e por isso nossos movimentos precisam ser mais céleres.

O Presente Rural – Uma mensagem.

Lauren Ventura Parisotto – Tenho hoje quase 23 anos de carreira como médica veterinária e completarei 15 anos à frente do Cedisa. Minha gratidão é enorme a todos os colegas e amigos que cruzaram e cruzam o meu caminho. Aprendi errando, acertando, desaprendendo, voltando a aprender, convivendo, tentando, mas acima de tudo buscando e fazendo.

No fim, o mais importante da viagem é o caminho, os cargos, os títulos, tudo é passageiro, fica apenas o que você é, foi e fez enquanto pessoa.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

Produção de ovos de galinha chega a 978 milhões de dúzias, mostra IBGE

Alta é de 0,3% em relação ao 1º trimestre de 2020 e queda de 1,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior

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No 1º trimestre de 2021 a produção de ovos de galinha foi de 978,25 milhões de dúzias.  Alta de 0,3% em relação ao 1º trimestre de 2020 e queda de 1,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O resultado foi recorde para um 1º trimestre, cujo pico foi registrado no mês de março. A produção de 340,09 milhões de dúzias foi a maior já registrada para esse mês, levando em consideração a série histórica da Pesquisa, iniciada em 1987. Apesar de uma alta nos custos de produção, a demanda segue aquecida pelo preço acessível da proteína.

A produção nacional de 3,31 milhões de dúzias de ovos a mais quando se comparam os 1os trimestres de 2021 e 2020 foi resultado de aumentos em 18 das 26 UFs da pesquisa. Quantitativamente, os maiores acréscimos ocorreram em Mato Grosso do Sul (+5,87 milhões de dúzias), Bahia (+5,34 milhões), Ceará (+4,84 milhões) e Amazonas (+3,59 milhões). As maiores quedas ocorreram em São Paulo (-16,85 milhões) e Paraná (-3,52 milhões).

Apesar da retração, São Paulo se manteve como maior produtor de ovos no 1º trimestre de 2021, com 27,6% da produção nacional, seguido agora por Minas Gerais (9%) e Espírito Santo (9%). O Paraná caiu da segunda para a 4ª posição, com 8,6% do total nacional.

Fonte: IBGE
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CONBRASUL/ASGAV

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