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Avicultura Nutrição

Revolução da nutrição animal começa com milhos específicos para cada espécie

Em poucos anos, as empresas vão deixar de comprar milho para comprar nutrição

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Imagine produzir um milho específico para a alimentação de matrizes suínas que estão amamentando. Ou produzir um grão exclusivo para bovinos de corte, ou para aves, para peixes. Imagine produzir menos e ganhar mais. Pois pare de imaginar e preste atenção, porque a nutrição animal está passando por uma verdadeira revolução no Brasil e no mundo. Em poucos anos, as empresas vão deixar de comprar milho para comprar nutrição. A nutrição ideal, perfeita para cada fase, de cada espécie de produção. A mudança está causando disrupção nas casas de genética de grãos e na forma com que profissionais do agronegócio passam a entender profundamente as potencialidades de cada tipo de grão para cada animal.

Movimento semelhante já acontece há alguns anos com o leite. Em vários países, como na Nova Zelândia, maior exportador dessa proteína no mundo, o preço do litro não existe mais como parâmetro. A indústria paga pela qualidade, pela quantidade de gordura, contagem de células somáticas, contagem bacteriana total e proteína que certa quantidade de leite tem. Esse movimento, a partir de agora, migra para a indústria de grãos usados na alimentação animal, em uma tendência irreversível de oferecer aos rebanhos, ou melhor, a cada rebanho específico, uma dieta cada vez mais precisa e eficiente do ponto de vista zootécnico e financeiro.

Milho: cadeia produtiva na velocidade 5.0

Para falar sobre o novo momento da nutrição e da produção de grãos no Brasil, O Presente Rural entrevistou o professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Carlos Augusto Mallmann, doutor em Medicina Veterinária. Mallmann é um dos especialistas e grande estudioso do milho no Brasil, atuando em áreas como saúde pública, micotoxinas e micotoxicoses, técnicas avançadas de diagnóstico e epidemiologia.

A reportagem foi produzida a partir de artigo de Mallmann e do médico veterinário doutor Adriano Olnei Mallmann, zootecnista Denize Tyska (MSc.), zootecnista Juliano Kobs Vidal (MSc.) e médica veterinária Cristina Tonial Simões (Msc.).

“Não há dúvidas de que estamos vivendo a era da informação, também conhecida como revolução digital ou quarta revolução industrial, que tem como um dos seus grandes marcos o acesso rápido e fácil à informação. Um aspecto muito importante dentro dessa nova realidade, e que exerce grande influência sobre o mercado atual, é o nível de exigência do consumidor em relação ao produto que chega à sua mesa. Há uma crescente preocupação quanto à segurança do alimento consumido, além da busca por itens produzidos a partir de animais oriundos de um sistema de criação sustentável, sob normas adequadas de bem-estar e livres da ingestão de toxinas e antibióticos”, cita. “A exigência é de que tudo isso possa ser oferecido e sustentado pela cadeia produtiva, na qual um ingrediente é a base de tudo: o milho”, crava.

O professor Mallmann lembra que a evolução no rendimento, ou seja, na produtividade de grãos de milho levou o Brasil ao topo da cadeia exportadora. Na safra 2019/20. A produção superou 100 milhões de toneladas. O país é o terceiro maior produtor mundial desse grão, atrás apenas dos Estados Unidos e China. As exportações brasileiras de milho giram em torno de 35% anuais, o que coloca o país no top 3 dos maiores exportadores. No entanto, lembra, “mais de 90% do milho utilizado no consumo doméstico é destinado à nutrição animal, principalmente de aves e suínos”. O Brasil também é um dos líderes mundiais na produção de proteína animal. Ocupa a terceira posição no ranking dos produtores e a primeira entre os exportadores de aves. E é ainda o quarto maior produtor e exportador de suínos do mundo.

A produção robusta de milho diversificado é inevitável. “O mercado disponibiliza anualmente dezenas de híbridos de milho com diferentes caraterísticas e propósitos. Na safra 2019/20, 196 tipos foram ofertados. De acordo com a Embrapa Milho e Sorgo, as empresas produtoras de sementes reportaram os seguintes dados para essa safra: 86,4% híbridos simples, 5,8% híbridos triplos, 3,9% híbridos duplos e 2,6% híbridos intervarietais. O levantamento também abordou o ciclo dessas cultivares, sendo 66% precoces, 25% superprecoces, 5% semiprecoces, 3% hiperprecoces e 1% de ciclo médio. Dos 196 híbridos apresentados, 90% não possui informação quanto à resistência à Fusariose, doença que pode culminar em contaminação micotoxicológica causada por fungos do gênero Fusarium”, preocupa-se. Para o professor Mallmann, isso reflete no fato de que cerca de 85% dos lotes brasileiros de milho apresenta fumonisinas, principal grupo de micotoxinas produzidas por esse grupo fúngico. “Além de afetar a qualidade nutricional e física dos grãos, esses metabólitos geram um impacto negativo na produção animal por demandar aumento no custo da ração, referente à inclusão de aditivos e nutrientes sintéticos, e por interferir na sanidade e desempenho zootécnico dos animais”, cita o especialista.

A cadeia produtiva tem início no aporte oferecido pelas casas de genética. “O melhoramento genético do milho é realizado para que uma matéria-prima de alta produtividade seja ofertada, considerando em alguns casos tratos culturais, como o uso de defensivos agrícolas (doses e frequências) ou o ciclo de cultura. A partir da genética, utilizada em associação às Boas Práticas Agrícolas (BPAs) e condições climáticas, é gerada a pedra basilar da qualidade e produtividade a campo. Infelizmente, uma possível bonificação pela qualidade nutricional e micotoxicológica dos grãos ainda esbarra na impossibilidade de segregação do material na indústria”, menciona. “Contudo, a qualificação pode ser realizada após o armazenamento, o que favorece a tomada de decisão. Dessa forma, a pressão por médias nutricionais maiores, que não são exclusivamente determinadas pela genética, tende a aumentar”, garante.

Em sua avaliação, o milho ainda é tratado como uma commodity, ou seja, os critérios de classificação são simplificados, não permitindo uma correlação precisa com os nutrientes presentes no grão. “No cenário atual, almeja-se que a seleção genética produza híbridos que, além da produtividade, possibilitem a formulação de ração a um custo menor. Assim, os trabalhos com híbridos de milho iniciados em 2013 começam a ganhar corpo e a abranger outras variáveis, como o local de plantio, o uso de diferentes manejos, a resistência a patógenos e insetos e a qualidade nutricional. Inicialmente objetivou-se selecionar um material resistente às micotoxinas, mas outros fatores também se mostraram intimamente atrelados ao custo da formulação de ração, indicando que a seleção genética não envolverá parâmetros únicos, mas sim um conjunto deles. Assim, os parâmetros genéticos avaliados nos híbridos de milho foram produtividade (em kg/hectare), percentual de grãos avariados, energia metabolizável, proteína bruta, aminoácidos digestíveis e presença de micotoxinas (aflatoxinas, fumonisinas, desoxinivalenol e zearalenona) (Figura 1). As interações podem ser feitas correlacionando-se variáveis como ciclo, época de plantio, tipos de transgenia, textura, resistência a fungicidas e acamamento.

“Nem sempre o híbrido mais produtivo é o que apresenta o menor custo de formulação”, cita especialista

Da lavoura ao armazenamento, a colheita do milho é uma das fases chave para a qualidade do ativo em questão, menciona o estudioso. “Cerca de 70% da colheita de milho na safrinha de 2020 ocorreu em um período de 60 dias (Figura 2). Considerando esse cenário, a recepção dos grãos ocorre em um período muito concentrado, no qual, por vezes, há perda nos processos de estabilização nutricional e micotoxicológica, levando à degradação da matéria-prima”.

O professor lembra que o recebimento pós-colheita é um processo que não tem a capacidade de melhorar o valor nutricional do produto, havendo apenas a sua preservação. “A participação do produtor de grãos é encerrada a partir desse momento. Essa é a primeira oportunidade para que o material, que já está homogeneizado, seja qualificado econômica e nutricionalmente para conexão com o processo de formulação de precisão. É também nessa fase que ocorre a segregação e o direcionamento inteligente da matéria-prima, pois o uso dessa informação na nutrição torna-se mais eficiente e com múltiplas possibilidades de decisões econômicas, tais como a destinação do produto para a espécie animal específica, fases, sexo, genética ou até mesmo a comercialização onde o valor de mercado é mais apropriado”, diz. Dessa forma, entende Mallmann, a cadeia se torna mais transparente e eficaz. “Além disso, sabe-se que a ampla maioria dos processos de secagem não consegue desempenhar essa tarefa de forma rápida e uniforme em todo o volume de grãos. Isso faz com que ocorram alterações termo-hídricas dentro dos silos, as quais são evitáveis com o uso da aeração forçada. Contudo, mesmo atingindo a estabilidade térmica e atendendo às BPAs, muitas vezes não é possível evitar a produção de micotoxinas”, reforça.

Micotoxinas e amostragens

O profissional lembra que a matéria-prima estará pronta para ser amostrada quando temperaturas adequadas de conservação forem atingidas. “A amostragem é uma etapa primordial, uma vez que é a partir da amostra coletada que serão gerados os resultados que embasarão a tomada de decisão. As micotoxinas são substâncias detectadas na unidade de partes por bilhão (ppb); sendo assim, configuram umas das substâncias mais difíceis de serem quantificadas com precisão. Buscando-se compreender o quanto 1 ppb representa, pode-se fazer a relação com menos de oito pessoas na população global; isso denota o grau de dificuldade em se estabelecer uma amostragem para micotoxinas. Transferindo isso para a realidade do milho, 1 ppb equivale a 1 grão de milho em 350 toneladas, ou 10 caminhões com 35 toneladas cada”, explica.

De acordo com o professor da UFSM, estudos comprovam que em torno de 80% da precisão de um resultado de micotoxinas está relacionado a uma amostragem correta. “Além da baixa concentração em ppb, as micotoxinas não se distribuem uniformemente na massa de grãos. Suas concentrações podem variar significativamente de um local para outro dentro de um silo ou armazém. Essa distribuição heterogênea tem início ainda na lavoura de milho, onde comumente são produzidas as micotoxinas de campo (fumonisinas, zearalenona e deoxinivalenol) pelos fungos do gênero Fusarium. Isso ocorre, orienta o professor, “por conta das diferentes condições de temperatura e umidade favoráveis ao crescimento fúngico e a consequente produção de micotoxinas em diferentes pontos da lavoura. Grãos com concentrações distintas de micotoxinas também podem ocorrer em uma única espiga de milho”.

Tal heterogeneidade, amplia o médico veterinário, “é transferida durante a colheita para os veículos de transporte de grãos, em seguida para a unidade de recebimento na moega, no secador, no armazenamento, e finalmente para os grãos que serão utilizados para produzir a ração ou destinados para outro fim. Ainda, durante as etapas de recebimento, secagem e armazenamento de grãos, há maior risco de produção das ‘micotoxinas de armazenamento’, as aflatoxinas, que têm alta toxicidade e são produzidas por fungos do gênero Aspergillus”. O professor destaca que durante o armazenamento podem haver hot spots dentro dos silos, ocasionados principalmente pela presença de umidade excessiva em pontos localizados dentro do sistema de armazenagem, contribuindo também para a heterogeneidade do material.

“Portanto, os procedimentos de coleta das amostras devem respeitar o princípio de que cada grão tenha a mesma probabilidade de estar representado na amostra. Somente assim a informação será representativa e ideal para ser utilizada na qualificação do lote amostrado. De forma prática, é necessário utilizar uma sonda pneumática para coletar as amostras de silos e armazéns. Esta deve ser introduzida na massa de grãos, possibilitando a coleta desde o topo até a base. A quantidade de amostra coletada deve ser em torno de 10 a 20 kg, dependendo da profundidade da instalação. É recomendável que a quantidade de pontos de coleta e a separação de amostras por profundidade siga a demonstração ilustrada nas Figuras 3 e 4, pois depende do tamanho da estrutura armazenadora”.

“A amostra em grãos apropriadamente coletada para a análise de micotoxinas é também representativa para as demais análises, podendo ser utilizada para avaliar variáveis de classificação física do milho como umidade, impurezas, grãos avariados e carunchados. A seguir, a amostra originada de cada ponto deve ser integralmente triturada, de forma que o número de partículas seja totalmente triturado em um triturador básico equipado com peneira de 3 mm. Isso garantirá a fragmentação de cada grão em milhares de partículas e consequentemente uma pré-homogeneização da amostra. O volume gerado deverá ser reduzido através de um quarteamento até o peso aproximado de 500 gramas”, orienta.

O passo seguinte é a moagem mais refinada da amostra, “utilizando-se moedores específicos de laboratório equipados com peneira de 0,5 ou 1 mm para padronização da granulometria das partículas. Após, é realizado o processo de homogeneização da amostra e leitura no equipamento de espectroscopia no infravermelho proximal – NIR (Near Infrared Spectroscopy) para obtenção do espectro”.

O NIR é um equipamento que se caracteriza por realizar a leitura espectral da amostra em diferentes comprimentos de onda que variam entre 400 e 2.500 nm. “Esses dados espectrais são gerados a partir de uma vibração molecular e são convertidos em níveis de absorbância únicos para cada amostra. Os espectros são selecionados e correlacionados com os resultados obtidos através de análises físico-químicas certificadas. As curvas de calibração são então obtidas através de tratamentos matemáticos, possibilitando tanto análises quantitativas quanto qualitativas das amostras. Os espectros são armazenados para que, havendo novas curvas, essas ainda estejam disponíveis para predição sem a necessidade de guardar a amostra física, permitindo uma análise retrospectiva”.

De acordo com o especialista, “o grande desafio para elaboração das curvas para micotoxinas é a obtenção de um número suficiente de amostras que represente o universo de interesse técnico/prático da informação gerada”. O fluxo das amostras após o processo de amostragem até a leitura no equipamento NIR é ilustrado na Figura 5. “Após a leitura, os espectros são enviados a um programa para a geração das informações sobre os parâmetros solicitados. Em poucos minutos há o retorno da informação para o usuário”, menciona.

Para Mallmann, o cenário atual não nos permite a segregação do milho. “A alternativa implementada é a de avaliação das unidades de armazenagem. Uma das maiores vantagens desse processo é a obtenção de todas as informações necessárias para qualificação do milho em alguns instantes. A extração dos dados é feita por um software que abastece as informações gerenciais e possibilita o acompanhamento instantâneo do produto que está sendo utilizado. Todas as informações são apresentadas em tempo real para os principais componentes bromatológicos do milho, além da classificação física e as micotoxinas importantes para a formulação. Esse sistema permite que a decisão seja fundamentada em informações corretas e não realizada empiricamente”, diz o especialista.

Mallmann destaca que essa realidade permite selecionar, entre todas as unidades de armazenamento, aquelas que oferecem o material ideal para a categoria animal desejada. “Isso significa poder escolher, dentre todos os silos de uma unidade fabril, aquele que contém o milho com as características desejadas para produzir uma ração pré-inicial para frangos de corte. Ou então, eleger o silo que apresenta menor contaminação pela micotoxina zearalenona para produzir ração de matrizes suínas. Uma das possibilidades está na decisão quanto ao emprego de determinados ingredientes nutricionais ou funcionais como, por exemplo, os aditivos antimicotoxinas. Tal decisão é definida com base no conhecimento prévio da matéria-prima armazenada, servindo como subsídio para as políticas de compra desses ingredientes. As possibilidades de gerenciamento através da plataforma são infinitas, já que o sistema permite a seleção daqueles silos que poderão ser armazenados por mais tempo, escolhidos para consumo da empresa ou colocados à disposição do mercado”, aponta. “As possibilidades de gerenciamento através da plataforma são infinitas”, reforça.

Para ele, em breve a compra de cereais será baseada não só na classificação por tipo de produto, mas também por características da matéria-prima para produção de alimentos com fins específicos. “As transações relacionadas às commodities seguramente já utilizam esse processo. Alguns países estão qualificando e empregando essa tecnologia para agregar valor ao produto exportado ou atender às exigências específicas do comprador, especialmente quanto aos níveis de micotoxinas contidos no material e seu uso na alimentação de uma categoria animal específica. Cada vez mais exigente, o mercado deterá os parâmetros de compra para atendimento das suas características individuais. Além disso, a informação empregada no monitoramento dos silos e armazéns também pode indicar possíveis ações corretivas quando necessárias, como controle de termometria e melhorias na aeração, ou seja, melhorias no sistema de gestão continuado”. frisa. “A informação possibilita trabalhar na correta tomada de decisão. A falta dela leva a trabalhar no empirismo”, reforça.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Produção, consumo e exportação devem aumentar, aponta ABPA

Avaliação é do presidente da entidade, Ricardo Santin

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Arquivo/OP Rural

Em 2020, a competitividade da carne de frango bateu recorde, e, para 2021, a expectativa é de que a diferença entre os preços da proteína avícola e os das carcaças bovina e suína continue elevada. Segundo o Cepea, a retomada do crescimento econômico tende a ocorrer de forma gradual, e, com isso, o poder de compra dos consumidores deve continuar enfraquecido, o que, por sua vez, pode favorecer as vendas de carne de origem avícola, que é negociada a valores mais baixos que os das concorrentes.

Segundo dados do Boletim Focus, publicados no dia 31 de dezembro, a economia brasileira deve crescer 3,4% em 2021. Contudo, fatores como taxa de desemprego ainda bastante elevada e o fim dos repasses emergenciais do governo federal podem limitar a massa de renda familiar, especialmente nas regiões que concentram os maiores índices de pobreza. Cenário que, portanto, pode favorecer as vendas de carne de frango.

De acordo com projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2021, a produção nacional de carne de frango deverá crescer cerca de 5,5% frente ao previsto para 2020, atingindo 14,5 milhões de toneladas. O consumo per capita está previsto em 47 quilos, 4,4% a mais do que o estimado em 2020, de 45 quilos. Já as exportações deverão chegar a 4,35 milhões de toneladas, superando em até 3,6% o total exportado pelo Brasil em 2020.

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em 2021 o comportamento do setor será ditado pelas altas nos custos, que podem influenciar no volume total produzido ao longo do ano; pelas oscilações cambiais, que podem ter efeito sobre os preços do setor; a manutenção da demanda chinesa por proteína animal, um quadro esperado pelos próximos três a quatro anos; e pela retomada econômica do Brasil, que deve influenciar não apenas os níveis de consumo, como também o perfil de consumo, com incremento das vendas para food service.

“Há, ainda, expectativa de retomada por importadores relevantes, como é o caso das Filipinas. Também é esperada a renovação da cota de importação pelo México no próximo ano. O efeito “Olimpíadas” também deve favorecer as vendas para o Japão, país que é presença constante entre os três principais destinos de carne de frango”, comenta.

Além disso, para este ano, Santin conta que há expectativa de abrir o mercado mexicano para carne suína. Também é esperada abertura de suínos para a União Europeia, destrava tarifária de aves e suínos para o mercado da Índia, abertura de Taiwan para aves, conclusão de painel da Indonésia e abertura do mercado nigeriano para frangos.

Quanto às vendas externas, segundo o Cepea, apesar do empenho da China (maior comprador da carne brasileira) em aumentar a produção interna de frango, em 2021, as exportações brasileiras para esse destino devem continuar crescentes.

Além disso, espera-se que outros países também elevem as aquisições, como é o caso do Japão, terceiro maior parceiro comercial do Brasil nesse segmento, que irá sediar os Jogos Olímpicos em 2021 – caso maiores agravamentos sanitários provocados pela pandemia covid-19 não resultem em novo cancelamento do evento. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam crescimento das exportações brasileiras de 2,1% frente a 2020.

Como se comportou a proteína em 2020

Em 2020, a redução do poder de compra da população, devido aos impactos econômicos da pandemia de covid-19, favoreceu as vendas da carne de frango em detrimento das principais substitutas, a bovina e a suína. Além disso, agentes do setor da avicultura de corte indicam que o auxílio emergencial do governo federal também contribuiu para impulsionar as vendas de carne avícola. Com isso, as diferenças entre os preços do frango inteiro e os das carcaças bovina e suína atingiram recordes em 2020, segundo apontam dados do Cepea.

A dificuldade de escoar a produção no mercado nacional – principalmente por conta da diminuição e/ou suspensão da demanda de escolas e serviços de alimentação, como hotéis e restaurantes – pressionou os valores de todo o setor. Com a produção, tanto de aves quanto de carne, acima da demanda, os ajustes negativos nos preços de comercialização ocorreram com a finalidade de aumentar a liquidez interna.

Além da menor procura, a oferta de carne também aumentou. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira de frango nos nove primeiros meses do ano cresceu 2,5% frente ao mesmo período de 2019, o que reforçou a pressão sobre as cotações do setor.

De acordo com Santin, a covid-19 foi e tem sido ainda o maior desafio. “Os esforços setoriais foram imensos, e se deram muito antes do início da crise em nosso território. Logo no início do ano, as indústrias em todo o país já realizavam afastamento de grupos de risco, distanciamento e outras medidas que foram se aprimorando com o tempo, com base nos protocolos setoriais que desenvolvemos conjuntamente. Três empresas do setor, por exemplo, informaram investimentos superiores a R$ 400 milhões para a proteção dos colaboradores e preservação do abastecimento”, comenta.

Ele explica que a economia foi severamente impactada, com custos históricos, elevações especulativas sobre o preço do milho e da soja em patamares sem precedentes e houve perdas de postos de trabalho em diversos setores, com perdas também na renda média do trabalhador e em sua capacidade de compra. “Em nosso setor produtivo, entretanto, vimos um quadro mais positivo. Ao mesmo tempo em que contribuímos para o abastecimento de alimentos, geramos empregos (cerca de 20 mil postos de trabalho apenas no segundo semestre) e renda, divisas e contribuímos para a diminuição dos impactos econômicos da pandemia no Brasil”, afirma.

Para ele, neste contexto, foram determinantes as ações de governo para a manutenção da renda por meio de programas de auxílio à população mais afetada, assim como o apoio à manutenção das atividades essenciais, como a indústria de alimentos. “Como resultados do enfrentamento deste grave quadro de crise, avançamos no amadurecimento de estratégias ainda mais sólidas de garantia de qualidade e de abastecimento, de preservação da saúde dos trabalhadores e de fomento ao crescimento da produção de proteína animal no país”, diz.

Santin comenta que foi possível perceber também algumas migrações e substituições de proteínas por conta de dificuldades financeiras que podem se tornar hábitos alimentares, consolidando mais ainda o consumo de proteínas como aves, suínos e ovos.

Mercado externo

De acordo com o Cepea, em 2020 as exportações cresceram, ajudando a enxugar a sobreoferta da carne no mercado doméstico. Apesar de os embarques de carne de frango não terem alcançado um protagonismo tão grande quanto os de carne bovina e suína, que atingiram recordes, as exportações da proteína avícola in natura aumentaram 1,1% entre janeiro e dezembro de 2020 frente ao ano anterior, segundo dados da Secex.

Com o passar dos meses e a retomada das atividades econômicas, além do auxílio emergencial, que estimulou o consumo, os preços da carne de frango reagiram no mercado interno. O produto, porém, se valorizou menos do que as principais carnes concorrentes, bovina e suína, resultando em aumento de competitividade. Segundo colaboradores do Cepea, o menor poder de compra da população brasileira diante da crise gerada pela pandemia de covid-19 levou demandantes a migrarem para proteínas mais baratas, como o frango.

“A crise sanitária de Peste Suína Africana que impactou o rebanho suíno da Ásia, de parte da Europa e da África seguiu impulsionando as exportações brasileiras, consolidando as nações asiáticas como principais importadoras das carnes de aves e de suínos do Brasil, e foram os principais vetores do resultado do ano nos dois setores”, sustenta Santin.

Neste sentido, explica, as vendas internacionais de carne de frango de 2020 alcançaram 4,230 milhões de toneladas, superando em 0,4% o total embarcado em 2019, com 4,214 milhões de toneladas. A receita das exportações do ano chegou a US$ 6,123 bilhões, desempenho 12,5% menor em relação aos 12 meses de 2019, com US$ 6,994 bilhões.

Poder de compra

O produtor amargou fortes prejuízos em 2020. Isso porque tanto o farelo de soja quanto o milho, importantes insumos da alimentação do setor avícola, registraram intensa escalada nos preços. Os valores do frango vivo, por sua vez, também avançaram, mas com menor intensidade. Esse contexto pressionou o poder de compra da avicultura de corte em 2020.

Na média de 2020, considerando-se o frango vivo comercializado no estado de São Paulo e o milho no mercado de lotes da região do Indicador de Campinas (SP), foi possível ao avicultor a compra de 3,76 quilos do cereal com a venda de um quilo de animal, 24,9% abaixo da quantidade observada no mesmo período de 2019. Trata-se, também, do ano mais desfavorável ao avicultor desde 2011. Frente ao farelo de soja negociado na região de Campinas, foi possível ao avicultor a aquisição de apenas 1,95 quilo do derivado com a venda de um quilo de frango, recuo de 25,5% frente ao observado em 2019 – esta foi a quantidade mais baixa já registrada na série histórica do Cepea.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de janeiro/fevereiro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Se sentindo em casa

Lar se torna a quarta potência da avicultura brasileira

Com incorporações de mais duas plantas industriais, cooperativa paranaense passa a abater quase 1 milhão de aves por dia, ficando atrás apenas de BRF, JBS e Aurora

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A Lar Cooperativa Agroindustrial deu passos ousados em 2020. Assumiu duas novas plataformas industriais de abate e processamento de aves, uma em Rolândia, no Noroeste do Paraná, distante a 450 quilômetros de sua sede, que fica em Medianeira, Oeste do Estado, e outra em Marechal Cândido Rondon, a 120 quilômetros de sua sede. Somadas com as indústrias de Matelândia e Cascavel, ambas também no Oeste paranaense, a Lar passa a abater 925 mil frangos por dia, se tornando a quarta maior potência da avicultura brasileira, atrás apenas de BRF, JBS e Aurora. E os planos de expansão não param por aí.

A mais recente aquisição foi o frigorífico de aves da Copagril, cooperativa de Marechal Cândido Rondon que, assim como a Lar, faz parte da Central Frimesa – que reúne ainda C.Vale, Copacol e Primato. As cooperativas produzem suínos e leite que são dirigidos para a Frimesa, que processa e vende para o mundo. Na avicultura é diferente. Cada cooperativa, exceto a Primato, tem seus frigoríficos de aves e produtores rurais integrados. O que a Lar fez agora foi assumir o frigorífico da Copagril, que estava com a capacidade de produção estagnada em 170 mil aves por dia, cinco dias por semana, há vários anos.

Com a demanda reprimida na região de Rondon, ou seja, avicultores querendo ampliar ou entrar na atividade, a Lar observou a oportunidade, diante de possíveis dificuldades na administração do setor avícola da cooperativa rondonense.

A Lar Cooperativa Agroindustrial assumiu as operações da planta em Marechal Rondon em 04 de janeiro. Além disso, a transação de R$ 410 milhões incluiu a compra da fábrica de rações da Copagril, em Entre Rios do Oeste, e toda a frota logística, como caminhões e carros para assistência técnica, máquinas, equipamentos, móveis, utensílios e contratos de produção avícola com parceiros integrados. A negociação foi finalizada em novembro do ano passado depois de mais de um ano de conversas entre as partes. A aquisição de ativos da Copagril pela Lar foi aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), conforme publicado no Diário Oficial da União no dia 29 de dezembro de 2020.

A transmissão de comando do setor avícola da Copagril para a Lar contou com a presença dos presidentes da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, e da Copagril, Ricardo Silvio Chapla, diretores das duas cooperativas, prefeitos e lideranças. O evento foi restrito a poucas pessoas devido às normas de prevenção à Covid-19.

 Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, o presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, destaca que em pouco mais de 20 anos, a avicultura mudou os rumos da cooperativa e da região Oeste do Paraná, demonstra ousadia para ampliar ainda mais o número de abates neste ano e ultrapassar 1 milhão de abates diários em 2022.

“Desde que assumi a gestão da Lar sempre me preocupei em buscar oportunidades de renda para os pequenos produtores rurais, tendo em vista que sou filho de pequenos produtores, meus irmãos são pequenos produtores, e conheço bem essa luta do pequeno produtor que precisa de renda para ter mais qualidade de vida.

Tentamos novas atividades como ampliar a suinocultura, atividade leiteira, ovos de postura comercial (no passado era um volume muito tímido), e também fomos industrializar mandioca e produzir hortigranjeiros. Quando implantamos o projeto de frangos vimos que a vocação natural do nosso produtor é a agricultura, e a diversificação que eles gostam para ter mais renda não temos dúvida que é a pecuária. Suínos, ovos, leite e frango, sendo que frango de corte foi o que apaixonou a todos, uma atividade de ciclo rápido e que converte ração em carne, proporcionando maior agregação de valor.

Nossa região era exportadora de soja e milho, e hoje é importadora de grãos para produzir mais rações. O que gera muito mais valor para a região, gera mais impostos para o Estado e municípios, além de gerar muito emprego. Na avicultura, para cada emprego gerado em indústria de frango, gera-se outros 17 empregos indiretos. Uma atividade que traz uma riqueza muito grande para a região”, cita o presidente.

Além da aquisição, a Lar vai investir R$ 60 milhões nas plantas industriais de abate e de rações. “Existe aqui um represamento de pessoas que querem produzir mais frango, como também produtores que desejam entrar na atividade e a Lar tem essa capacidade imediata de produzir mais frango sem ampliar. Com alguns investimentos nesta planta nós vamos poder abater mais, aos sábados, e elevar em pelo menos 20% a capacidade do frigorífico. Para isso, Rodrigues diz que deve investir R$ 20 milhões para resolver o problema de escassez de água na indústria. “O projeto para a captação de água está pronto e aprovado pelos órgãos ambientais. Estamos colocando em prática”, destaca. De acordo com Rodrigues, parte do abastecimento de água da indústria era feita por caminhões, com pouca eficiência e altos custos. “Vamos eliminar o problema da falta de água e ampliar a produção”, projeta. “Com isso, vamos gerar mais 400 postos de trabalho”, destaca. Atualmente, a Lar abate 155 mil frangos por dia na planta de Rondon. A redução do abate, de acordo com Rodrigues, é para ajustar-se ao mercado e ter mais lucratividade, mas é momentânea.

Para ampliar a produção em Rondon, até o fim deste ano a Lar vai precisar de 50 novos aviários. “Atualmente estamos abatendo 155 mil aves/dia, uma redução para se obter a melhor rentabilidade da indústria. Temos alguns gargalos pequenos para equacionar e retomar a capacidade. A capacidade plena de abate desta planta é 175 mil aves/dia, o planejamento para 2021 é abater aos sábados no segundo semestre, o que já representará uma ampliação de abate na ordem de 18%, que consequentemente ampliará o número de empregos em aproximadamente 400 novas vagas. Esta planta tem atualmente 386 aviários integrados no sistema. Para atender a demanda deste ano vamos precisar de mais 50 aviários”, menciona o presidente.

Em quatro anos, o abate da planta pode ser duplicado, para quase 350 mil frangos ao dia. “A Lar tem investimentos sendo feitos nas plantas de abate de Matelândia e Cascavel e estudos de ampliar a planta de Marechal Cândido Rondon, onde temos possibilidade de oportunizar mais aviários, possibilitando até 2024 dobrar a integração dentro do projeto se houver produtores interessados na atividade”, acentua o cooperativista.

Rodrigues disse que a intenção é fazer isso no curto prazo. “Se eventualmente houver frango em excesso aqui, no começo podemos abater em Cascavel ou Matelândia até ampliar aqui. É um pouco da história do ovo e da galinha, o que vem primeiro? Não adianta aumentar a capacidade da planta se ainda não tem frango no campo, então a produção de frango é a primeira a começar para a partir de então ampliar a indústria”, pondera.

Fábrica de rações

Outros R$ 40 milhões serão destinados para a fábrica de rações em Entre Rios do Oeste para acabar com o problema da escassez de ração entre produtores. A indústria passou a ser dedicada, ou seja, exclusiva para produzir ração para frango, atendendo os mais modernos princípios de segurança sanitária. Duas peletizadoras serão instaladas para produzir a ração peletizada. Antes da compra, a indústria produzia somente ração farelada. “A ração peletizada dá mais eficiência na conversão alimentar. Vamos colocar duas peletizadoras importadas em Entre Rios do Oeste para no curto prazo termos a farelada e a peletizada também”, detalhou, informando que os equipamentos seriam entregues em Medianeira, onde a empresa investe mais R$ 350 milhões em um complexo (veja mais abaixo), mas haverá remanejamento para Entre Rios do Oeste.

Parte do investimento vai ser para ampliar a capacidade energética da planta. “É algo que já vem sendo trabalhado e nos parece que pelo mês de abril ou maio a subestação estaria reforçada. Aí, cabe à Lar puxar uma linha com maior potência para poder rodar essa indústria. Nossa expectativa é de que em torno de meio ano possamos ter essa indústria em condições de produzir mais ração”, pontua.

Rolândia

Em Rolândia, o arrendamento para operar o complexo industrial da Frango Granjeiro aconteceu em agosto de 2020. O contrato prevê compromisso futuro de compra e incorporação da frota de veículos leves e pesados da empresa. O frigorífico passou a operar com 1,9 mil empregos diretos – 320 funcionários novos, e capacidade de abate em 175 aves/dia. Uma fábrica de rações com capacidade de produzir 19 mil toneladas/mês e uma unidade de recepção e beneficiamento de grãos com capacidade de 16,8 mil toneladas também entraram no negócio.

A Lar assumiu ainda 317 aviários, envolvendo 270 avicultores, em 41 municípios na região Noroeste, e até o fim do ano vai precisar aumentar em 50 aviários para começar, também, a produzir aos sábados. “Em Matelândia abatemos sete dias por semana. Em Cascavel já abatemos em seis dias e queremos chegar ao sétimo. Além de Marechal, também em Rolândia vamos buscar os seis dias e vamos precisar de mais 50 aviários”, destaca o cooperativista.

A localização da indústria é estratégica para a cooperativa, pois está a 15 quilômetros da ferrovia, o que reduz o custo de transporte em direção ao Porto de Paranaguá. A unidade também viabilizou o atendimento mais agudo ao mercado do Norte do Paraná e cidades do interior de São Paulo. Atualmente a Lar tem quase 2,5 mil aviários de corte localizados no Oeste e Noroeste do Paraná para atender suas quatro indústrias.

Cobrança

Na entrevista exclusiva, Rodrigues destacou que a região Oeste precisa cobrar investimentos do setor público, como estradas e acesso à energia. “Queremos ter mais unidades para produzir ovos férteis, serão construídos mais aviários, abatidas mais aves, o que vai gerar mais empregos, aumentar o faturamento e arrecadar mais impostos. Devemos concluir o ano abatendo 980 mil aves/dia, e em 2022 nosso abate deverá superar 1 milhão de aves/dia. Mas para isso é preciso cobrar das autoridades investimentos na região, para que não só a lar, mas toda os setores produtivos se tornem mais competitivos”, acentua. “A Lar deu passos decisivos nos últimos dois anos e isto estava previsto no nosso planejamento estratégico. Nos dois próximos anos o foco estará em extrair o melhor resultado. É claro que, sem perder a qualidade do atendimento aos nossos associados, agora com integrados de frangos de corte ampliados e com uma relação muito próxima com nosso quadro de funcionários e com as lideranças regionais. O Oeste do Paraná precisa ser melhor reconhecido e receber obras estruturantes na região, como por exemplo energia trifásica e rodovias estaduais com acostamento e terceiras pistas. Inclusive em parceria com os prefeitos precisamos sensibilizar o Governo do Estado e a Itaipu Binacional, pois as estradas municipais precisam de mais estrutura em função da produção que está ampliando muito, consequentemente um trânsito de caminhões que está ficando mais intenso. Precisamos também trabalhar com os prefeitos para que eles possam dar um incentivo aos produtores que queiram ampliar as suas atividades pecuárias, não apenas para integrados da Lar, pois todos precisam de estradas”, acentua.

R$ 350 milhões

A Lar também está investindo pesado em Medianeira, onde fica a sua sede. A obra, que iniciou ano passado e termina em 2024, contemplará três modernas indústrias de rações (matrizes/ frangos de corte/premix vitaminados), recepção e secagem de grãos, além de um posto de combustíveis. O projeto está sendo construído às margens da BR-277, em terreno de 26 hectares. Serão mais de 50 mil metros quadrados de área construída. O novo complexo industrial irá gerar 450 empregos diretos e contribuir para o suprimento da expansão pecuária da Lar. Com o investimento, passará das atuais cinco fábricas de rações para oito.

Outras atividades

A Lar também tem várias outras atividades. A produção própria de leitões da Lar começou em 1988, com a criação da primeira Unidade Produtora de Matrizes. Hoje, são 30 mil matrizes que geram cerca de 700 mil leitões por ano. Os animais são destinados para abate na Central Frimesa. O sistema de produção de ovos Lar entrega 27 milhões de ovos por mês ao mercado interno, com a participação de aproximadamente 100 produtores. Já no leite, são mais de 60 mil litros todos os dias, com a industrialização também apoiada na Central Frimesa.

Em Mato Grosso do Sul, a Lar tem mais de 20 unidades de recebimento de grãos. Além disso, atua no Paraguai, recebendo e beneficiando grãos há 25 anos.

09/09/99

“Começamos abatendo 70 mil aves por dia em 09 do 09 (setembro) de 1999. Hoje somos a quarta maior do Brasil, estamos presentes em 81 países”, orgulha-se Irineo da Costa Rodrigues.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de janeiro/fevereiro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Importância e benefícios do uso de probióticos no incubatório

Aplicação no incubatório dos probióticos adequados é simples e promove uma rápida colonização por uma microbiota intestinal saudável

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Fabrizio Matté, Msc e consultor técnico Vetanco Brasil

A complexidade do ecossistema gastrointestinal é extraordinária. A quantidade de células bacterianas presente na microbiota dos animais excede o número total de células somáticas. A interação entre hospedeiro e microrganismo ainda não foi totalmente elucidada, mas as funções da microbiota sobre o trato gastrointestinal (TGI) já são descritas e compreendem: a modulação do sistema imune; a produção de ácidos orgânicos e o aproveitamento de nutrientes; a manutenção da integridade intestinal e o estímulo à renovação dos enterócitos; a adsorção e quebra de toxinas; e a competição e exclusão de patógenos.

Em criações não comerciais ou na natureza, assim que os pintainhos eclodem, eles são expostos a microrganismos naturais das aves adultas e do ambiente. Em contrapartida, em condições comerciais, o contato e a transferência da microbiota da forma natural são mínimos ou inexistentes. Sendo assim, o TGI dos pintainhos recém eclodidos fica praticamente exposto à colonização por microrganismos presentes no incubatório, caixas de transporte e, principalmente, na granja. É importante considerar que o período neonatal é o momento mais importante no desenvolvimento dos sistemas digestório e imune das aves, e este desenvolvimento é influenciado positivamente pela presença de uma microbiota adequada.

A maior parte composição e densidade da microbiota depende das bactérias que as aves recebem no período de eclosão e da sua primeira dieta. As bactérias que colonizam os primeiros dias de vida dos pintinhos crescem muito rápido, e o intestino se torna habitado por 108 e 1011 bactérias por grama de digesta no íleo e ceco respectivamente entre o primeiro e terceiro dia de vida.

Na avicultura industrial, a maioria dos microrganismos presentes nos ambientes, aos quais as aves são expostas no período neonatal, não são os mais adequados para a colonização precoce do TGI. Portanto, é importante tomar medidas para evitar os problemas microbiológicos decorrentes do processo de incubação artificial. Essa lacuna no desenvolvimento e colonização neonatal do TGI gerou grandes oportunidades de pesquisa na área de administração de bactérias benéficas (probióticos), nos primeiros momentos de vida das aves.

Os resultados científicos e experiências de campo mostram que pintainhos e peruzinhos de corte apresentam uma resposta positiva ao tratamento com probióticos logo após a eclosão. Embora a administração de probióticos durante a criação seja eficaz, o intervalo entre eclosão e alojamento é um período delicado e muito importante para maximizar a performance produtiva e sanitária das aves. Esse período de intervalo consiste no manejo e processamento dos pintainhos no incubatório, como triagem, sexagem, vacinação, período na sala de espera e transporte.

Durante todas essas etapas, os pintainhos estão em contato com microrganismos presentes no ambiente e nos fômites. Dessa forma o TGI, que está em fase de estabelecimento da microbiota, fica sujeito à colonização por bactérias patogênicas e/ou indesejáveis, como por exemplo Salmonella spp. O fornecimento de bactérias probióticas identificadas e selecionadas proporciona uma colonização precoce significativa no papo e intestino das aves, quando usado de forma estratégica nos incubatórios.

O desenvolvimento ideal do sistema digestório é dependente de sua colonização por uma população microbiana equilibrada. A administração de probióticos no incubatório acelera o desenvolvimento do trato gastrointestinal, conforme ilustrado nas figuras 1 e 2. As figuras comparam cortes histológicos do íleo de aves com três dias de idade, que receberam ou não um tratamento com probiótico via spray no incubatório. As imagens comprovam o melhor desenvolvimento da mucosa intestinal nas aves tratadas com o probiótico.

Figuras 1 e 2. Cortes histológicos de íleo de aves com 3 dias de idade, demonstrando a diferença no desenvolvimento das vilosidades entre o Grupo Controle e o Grupo Tratado com probiótico via spray no incubatório.

A colonização do TGI por enteropatógenos pode ser reduzida ou até mesmo evitada, e isso é essencial para obter sucesso na produção avícola. A saúde intestinal das aves é de extrema importância para seu desenvolvimento produtivo e sanitário. Os diferentes sorotipos de Salmonela continuam sendo um dos maiores envolvidos na colonização e transmissão bacteriana nos primeiros dias de vida das aves. A Salmonela pode ser transmitida verticalmente pelas matrizes para os pintainhos. Contudo, o controle da transmissão horizontal no incubatório, nas caixas de transporte e nos primeiros dias na granja tem um papel fundamental nos programas de controle de Salmonela e, consequentemente, na segurança alimentar do consumidor.

O gerenciamento dos pontos críticos de controle em toda a cadeia de produção é de altíssima relevância para evitar que haja um aumento na transmissão e contaminação por Salmonela. Algumas intervenções são importantes para maximizar os mecanismos de defesa do organismo de cada ave. É fato comprovado que reforçar a maturidade intestinal e estabelecer uma microbiota equilibrada, são estratégias importantes na melhora dos mecanismos de defesa e saúde intestinal. Desta forma, a utilização de probióticos na fase neonatal, com doses estratégicas durante a vida das aves, são as ferramentas disponíveis mais eficazes para tais objetivos.

É importante ressaltar que, para um probiótico desempenhar sua função adequadamente, é crucial que ele contenha cepas de bactérias vivas capazes de colonizar o TGI da espécie animal em questão. As cepas específicas presentes no probiótico também precisam ser comprovadamente capazes de inibir o crescimento de Salmonela, bem como devem ser administradas na dosagem correta para que os objetivos desejados sejam atingidos. É fundamental ter em mente que a capacidade probiótica de uma bactéria não se dá somente por pertencer a uma determinada espécie (p.ex. Lactobacillus acidophilus), mas sim é especifica às cepas estudadas para cada finalidade. Portanto, a utilização de bactérias não definidas, não especificas para aves de produção ou não selecionadas para um objetivo (tal como controle de Salmonela), produzirá resultados insatisfatórios. Adicionalmente, é importante pontuar que a dosagem e a combinação de bactérias (dentro do mesmo probiótico) devem ser consideradas nos produtos comerciais, uma vez que fatores como estes são frequentemente negligenciados quando o probiótico está sob avaliação. Produtos probióticos compostos por duas ou mais cepas diferentes precisam passar por uma série de avaliações de compatibilidade, tanto in vitro como in vivo. Nem todas as bactérias podem ser combinadas no mesmo produto, com riscos de redução ou eliminação da eficácia.

Existem probióticos desenvolvidos especificamente para aves de produção, esses produtos são extensivamente estudados e avaliados em condições laboratoriais e de campo, com o objetivo de selecionar cepas capazes de colonizar rapidamente o TGI e inibir o crescimento de enteropatógenos, especialmente Salmonella spp.

O Gráfico 1 demonstra a redução significativa de Salmonella Enteritidis em frangos aos cinco dias de idade, que receberam uma aplicação de determinado probiótico no incubatório antes do alojamento.

Gráfico 1 – Salmonella Enteritidis recuperada das tonsilas cecais, 5 dias após o desafio. Asteriscos indicam diferença significativa entre os tratamentos (p < 0.05).

Para evidenciar os benefícios do uso de probióticos no incubatório, uma avaliação de campo foi realizada em uma integradora no sul do Brasil, no primeiro semestre de 2020. Foi mensurado o desempenho produtivo de um grupo de 955.490 pintinhos que receberam uma dose de probiótico constituído por 11 cepas de Lactobacillus, administrado no incubatório.

Os resultados dos lotes com abate aos 46 dias de idade estão apresentados na Tabela 1, onde foram comparados com o grupo controle com 1.426.290 pintinhos alojados e abatidos no mesmo período. Os dados apresentados demonstram um melhor desempenho produtivo nas aves que receberam uma dose do probiótico no incubatório.

Tabela 1 – Médias dos desempenhos produtivos (uma dose de probiótico constituído por 11 cepas de Lactobacillus fornecido no incubatório, com abate das aves aos 46 dias de idade)

Portanto, a aplicação no incubatório dos probióticos adequados é simples e promove uma rápida colonização por uma microbiota intestinal saudável, acelerando a maturação intestinal e inibindo o desenvolvimento de enteropatógenos. Além do que, essa microbiota inicial protetora favorece as condições sanitárias e maximiza a performance zootécnica, resultando em melhores resultados econômicos para as agroindústrias.

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Fonte: O Presente Rural
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