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Retração vendedora e valorização externa mantêm preço do trigo em alta
Esse cenário, atrelado aos elevados volumes importados em meses anteriores e à dificuldade de repasse de novos reajustes positivos do trigo aos derivados, mantém baixa a liquidez doméstica.

Os preços do trigo continuam avançando no mercado nacional. Segundo pesquisadores do Cepea, a sustentação vem do período de entressafra, da retração de vendedores – que aguardam novas altas nas cotações – e da valorização externa.
Esse cenário, atrelado aos elevados volumes importados em meses anteriores e à dificuldade de repasse de novos reajustes positivos do trigo aos derivados, mantém baixa a liquidez doméstica.
No campo, em relatório divulgado neste mês, a Conab estimou a área de 2025 em 2,1% menor que a anterior, para três milhões de hectares.
Por enquanto, a expectativa é de que a produtividade média nacional possa aumentar em 18%, para 3,04 toneladas/ha, o que geraria oferta de 9,12 milhões de toneladas, 15,6% maior que a temporada anterior.
Pesquisadores do Cepea ressaltam que o cultivo de trigo deve se iniciar em meados de abril/25 nos principais estados.

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Produtores de leite buscam eficiência para enfrentar preços baixos no Paraná
Especialista da PUCPR aponta silagem de milho como melhor custo-benefício e indica sorgo e forragens de inverno como alternativas.

O cenário de preços baixos e custos de produção elevados tem pressionado os produtores de leite do Paraná. Diante desta realidade, o planejamento forrageiro e o controle de estoques podem contribuir para reduzir desperdícios. Esse foi o tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, realizada no dia 24.
Na ocasião, o especialista André Ostrensky, docente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), realizou a palestra “Produzir leite quando a conta não fecha: alternativas de forragens e eficiência em tempos de margem apertada”, para debater os desafios atuais da atividade leiteira. A proposta central envolve práticas, no médio e longo prazos, para atravessar o momento.

Foto: Fernando Dias
“O produtor fica tão envolvido na rotina da atividade que, às vezes, não planeja no longo prazo. Tem casos de pecuarista chegando em setembro, outubro sem saber o que vai fazer porque a silagem não vai dar. Isso compromete a rentabilidade da atividade”, destaca Ostrensky.
“Iniciativas como essa palestra são fundamentais para levar conhecimento técnico ao produtor. Discutir alternativas e eficiência na gestão ajuda a mostrar caminhos dentro da propriedade”, reforça Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
Durante a palestra, Ostrensky detalhou as principais opções de forragens conservadas disponíveis para o produtor. Atualmente, a silagem de milho é a de melhor custo-benefício, com teor de amido entre 30% e 40%, fundamental para sustentar altas produções. Como alternativa, os pecuaristas podem utilizar a silagem de sorgo, cultura mais tolerante à seca e de custo inferior, embora com grãos menores que exigem processamento mais cuidadoso.

Foto: Shutterstock
Para os períodos de entressafra, o especialista apresentou as silagens de inverno, como aveia e cevada. Na experiência da fazenda universitária da PUCPR, a silagem de aveia tem sido utilizada na dieta das vacas na quantidade de seis a oito quilos por dia, reduzindo a dependência da silagem de milho. Apesar do teor de amido mais baixo (10% a 12% na aveia, contra até 20% na cevada), a estratégia tem se mostrado viável para diminuir custos sem comprometer a alimentação do rebanho.
“O produtor rural precisa tomar as decisões de forma técnica, baseadas em dados. Isso passa pela renovação do rebanho com animais mais produtivos até o aproveitamento mais eficiente da forragem. Cada uma dessas frentes, quando bem administrada, contribui para que a conta feche no fim do mês”, destaca o especialista.
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Novos mercados elevam atratividade da carne de Mato Grosso no cenário internacional
Índice de atratividade alcança 81,80 arrobas por tonelada em janeiro, maior nível para o mês em cinco anos, enquanto América Central, América do Norte e Oriente Médio ampliam participação nas compras e fortalecem a diversificação das exportações.

A carne bovina de Mato Grosso segue com forte presença na China, mas o início de 2026 mostra um movimento estratégico que amplia a segurança das vendas para o mercado: a consolidação de novos mercados compradores, por causa do aumento da atratividade das exportações.
Dados do Boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que o Índice de Atratividade das Exportações de Carne de MT alcançou 81,80 arrobas por tonelada (@/t) em janeiro, patamar acima das máximas registradas para o mês nos últimos cinco anos.

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O indicador mede quantas arrobas de boi gordo podem ser adquiridas com a receita gerada pela exportação de uma tonelada de carne, servindo como termômetro da competitividade internacional. “A diversificação dos mercados mostra que a carne de Mato Grosso está consolidada globalmente. Estamos presentes em diferentes regiões do mundo porque oferecemos qualidade, eficiência produtiva e compromisso com a sustentabilidade”, afirma o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
Embora a China continue sendo o principal destino da carne mato-grossense, com índice de 76,00 @/t em janeiro, foram outros mercados que puxaram a valorização anual.
Na comparação com janeiro do ano passado, a América Central registrou alta de 15,04% no índice de atratividade. A América do Norte avançou 11,47% e o Oriente Médio 11,40%.

Os números mostram que a carne mato-grossense vem ampliando sua inserção global, reduzindo a dependência de um único comprador e fortalecendo sua posição em diferentes blocos econômicos.
A diversificação de destinos é estratégica para a cadeia produtiva, pois distribui riscos comerciais, amplia oportunidades de negócios e aumenta o poder de negociação da indústria e do produtor.
Além do desempenho por destino, o cenário internacional segue favorável. Na parcial de fevereiro, até a terceira semana, o Brasil já havia embarcado 192,71 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária 55,69% superior à registrada no mesmo período de 2025. Mantido o ritmo, o mês poderá fechar com novo recorde.
O preço médio por tonelada também avançou 13,90% na comparação anual, alcançando US$ 5.313,35/t, o que reforça o ambiente de valorização da proteína brasileira no exterior. “Com novos mercados ganhando protagonismo, Mato Grosso inicia 2026 ampliando a rentabilidade das exportações e fortalecendo sua posição como referência internacional na produção de carne bovina”, enfatiza o diretor do Imac.
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Relação de troca com o milho continua pressionando rentabilidade da atividade leiteira
Foram necessários 33,56 litros de leite para comprar uma saca do grão em janeiro, patamar 15,2% superior à média dos últimos 12 meses.

O preço do leite pago ao produtor reagiu em janeiro/26 depois de ter registrado nove meses consecutivos de queda. Cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram que o preço do leite ao produtor captado em janeiro/26 fechou a R$ 2,0216/litro na Média Brasil, ligeira alta de 0,9% frente a dezembro/25, mas forte queda de 26,9% sobre a de janeiro/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de janeiro/26).

Foto: Fernando Dias
Pesquisadores do Cepea indicam que o resultado, que confirma a expectativa do setor de preços firmes em janeiro, se deve a ajustes pontuais na produção em diferentes bacias leiteiras. A estabilidade com viés de alta é justificada pelo mercado ainda abastecido de lácteos, mas que sofre com a pressão negativa sobre a base produtiva.
As quedas consecutivas no preço do leite no campo em 2025 estreitaram as margens do produtor. Mesmo com a relativa estabilidade dos custos em 2025, a pesquisa do Cepea aponta que, em janeiro/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% na Média Brasil. A valorização do milho também segue limitando o poder de compra do produtor: em janeiro, foram necessários 33,56 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg do grão, 3,76% a menos que no mês anterior, porém, 15,2% acima da média dos últimos 12 meses (de 29,12 l/sc).
Com isso, os investimentos na atividade tendem a se reduzir. A sazonalidade também reforça a diminuição da captação. De dezembro/25 para janeiro26, o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) caiu 3,6% na Média Brasil, puxado pelos resultados sobretudo no Sul e em São Paulo.
Ao mesmo tempo em que existe certa pressão do lado da oferta e disputa por matéria-prima, os mecanismos de transmissão de alta seguem travados pelo lado industrial e comercial, já que o giro no varejo ainda não é suficiente para “descomprimir” o sistema. A indústria seguiu com dificuldade no repasse aos canais de distribuição em janeiro, tendo em vista que o consumo segue sensível ao preço.
Gráfico 1. Série de preços médios recebidos pelo produtor (líquido), em valores reais (deflacionados pelo IPCA de janeiro/2026)
Levantamento realizado pelo Cepea com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostra que, em janeiro, as médias de preços do leite UHT, da muçarela e do leite em pó recuaram 1,44%, 1,49% e 0,15% respectivamente, em termos reais, frente ao mês anterior. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 8% de dezembro/25 para janeiro/26, com aquisição de 178,53 milhões de litros em equivalente leite (EqL). O aumento de 16,75% nas exportações (que somaram 4,3 milhões de litros EqL) não foi suficiente para equilibrar o mercado.
A partir de fevereiro, é possível que o viés de alta se consolide, mas, mesmo assim, esse movimento deve ocorrer de forma gradual e moderada, já que o avanço do preço está condicionado ao escoamento dos estoques.



