Bovinos / Grãos / Máquinas
Retração na oferta de boi gordo pode impulsionar preços no 4º trimestre; demanda externa deve limitar ganhos
Oferta de boi gordo no Brasil deve ser limitada nos próximos meses, devido à menor entrada de animais no segundo giro do confinamento. Essa retração na oferta pode impulsionar os preços do boi gordo, principalmente no mercado doméstico.

Em abril e maio, muitos bovinos foram mandados para o primeiro giro do confinamento porque as condições estavam favoráveis ao pecuarista: o boi magro e o milho tinham barateado e o mercado futuro permitia travar o preço do boi gordo na casa dos R$ 260,00/@. Consequentemente, a oferta de boi gordo nos meses de julho e agosto foi muito elevada, permitindo aos frigoríficos derrubar as cotações deste animal: nestes dois meses, o valor da arroba no estado de São Paulo foi de R$ 250,00 para R$ 200,00.
Entretanto, a oferta de animais de primeiro giro diminuiu em setembro. Este fator, aliado a uma melhora no consumo doméstico de carne bovina, fizeram o boi gordo encerrar o 3º trimestre em alta, cotado em São Paulo ao redor dos R$ 230,00/@.
Para outubro e novembro, a perspectiva é de manutenção desta limitação de oferta. Isso porque, assim como as boas condições em abril e maio resultaram em muitos animais sendo mandados para o primeiro giro do confinamento, as más condições em julho e agosto resultaram em poucos animais sendo mandados para o 2º giro, o que se refletirá na oferta dos meses finais do ano. Consequentemente, é possível que vejamos os frigoríficos enfrentando certa dificuldade na hora de compor suas escalas durante parte do quarto trimestre.
Se esta retração na oferta realmente se concretizar, a grande questão, então, é se os fundamentos de demanda terão força suficiente para impulsionar as cotações do boi gordo.
No mercado doméstico, é possível que vejamos períodos de demanda relativamente aquecida. Em primeiro lugar, porque a carne bovina vendida no varejo brasileiro desvalorizou 10,6% na comparação anual. Ademais, porque as condições macroeconômicas brasileiras melhoraram sensivelmente, com a inflação voltando a patamares menos prejudiciais e com o desemprego recuando para o menor patamar desde fevereiro de 2015. Por fim, porque as festas de final de ano costumam ser um período de consumo aquecido no Brasil.
Por outro lado, em diversos períodos de 2023 a demanda doméstica se mostrou enfraquecida. Apesar do barateamento da carne bovina, ela ainda está muito cara na comparação com outras proteínas. Por exemplo, em 2023, na média para o atacado, a carne bovina esteve 83% mais cara que a carne suína e 185% mais cara que a carne de frango; em 2019, logo antes da pandemia, esses valores eram de 59% e 146%, respectivamente; em 2013, eram de 27% e 96%. Ou seja, a carne bovina ganhou competitividade na comparação com o triênio 2020-2022, mas ela segue pouco atraente se comparada à década de 2010.
Portanto, é possível que a demanda doméstica impulsione ganhos para o boi gordo, principalmente na primeira metade dos meses e ao longo das festas de final de ano. Entretanto, é pouco provável que ela tenha força para impulsionar ganhos significativos, já que a carne bovina segue em patamares pouco atraentes.
Olhando para a demanda externa, a análise tem que se dividir entre dois fatores: volume e preço. No quesito volume, o quarto trimestre se apresenta como um período interessante. Em 2024, o Ano-Novo lunar, feriado que marca o auge do consumo na China, acontecerá no dia 10 de fevereiro. Supondo um período de dois meses entre o embarque da mercadoria no Brasil e a compra pelo consumidor final na China, isso significa que a janela de vendas para o Ano-Novo lunar se estenderá até o começo de dezembro. A tendência, portanto, é que muita carne seja exportada para a China ao longo de outubro e novembro.
Já no quesito preço, a situação é menos favorável para os agentes brasileiros. De um ápice de quase US$ 7.000,00/ton, em junho de 2022, a carne bovina brasileira no mercado internacional recuou para U$$ 4.500,00/ton. E para o 4º trimestre, é pouco provável que vejamos aumentos significativos neste valor. Na China, os alimentos estão deflacionando, com os preços tendo recuado 1,7% em setembro na comparação anual. Se olharmos para a carne suína, proteína animal mais consumida pelos chineses, ela desvalorizou 17,9% nos últimos 12 meses. Sob esta perspectiva, não surpreende o fato de que os importadores chineses estão fazendo jogo duro na hora de negociar a compra da carne bovina brasileira. De outra maneira, este produto ficaria pouco competitiva na comparação com outras proteínas ofertadas no mercado chinês.
Portanto, é provável que a demanda externa fique aquecida ao longo do quarto trimestre, mas ainda é cedo para dizer se esse movimento conseguirá puxar os preços do boi gordo no Brasil, principalmente porque os importadores chineses estão pagando valores baixos pela carne bovina na comparação com anos anteriores.

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



