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Retração de consumo e importação mantém queda nos preços do leite pago ao produtor
Preços de referência para junho registram queda de aproximadamente 3%
A crescente importação de leite registrada nos últimos meses e a retração no consumo continuam sendo os principais motivos para a queda do preço pago pelas indústrias aos produtores rurais. Somente em maio foram importados U$ 61 milhões de dólares. Em reunião realizada na última semana o Conselho Paritário Produtor/Indústrias de Leite do Estado de Santa Catarina (Conseleite) definiu os valores de referência do leite para o mês de junho.
O presidente do Conseleite e vice-presidente regional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) Adelar Maximiliano Zimmer destaca que os preços de referência ao produtor para junho registram aproximadamente 3% de queda.
O leite acima do padrão registrou o preço de R$ 1.3094 o litro do leite. O leite padrão ficou estipulado em R$ 1,1386 e o abaixo do padrão R$ 1,0351. Os valores se referem ao leite posto na propriedade com Funrural incluso. Essa retração pressiona o setor e provoca redução de preços no campo e no mercado.
Zimmer acredita que a queda está atrelada à instabilidade econômica que o País enfrenta nos últimos anos e que, consequentemente, interfere na taxa de desemprego diminuindo o poder de compra dos brasileiros e refletindo no consumo. “Esse é uma situação atípica para essa época. Pela primeira vez em dez anos de Conseleite é registrada retração nos meses de maio e junho. Além disso, a importação do leite em pó do Uruguai contribui para essa situação”, considera.
PRODUÇÃO CATARINENSE
O Estado é o quarto produtor nacional de leite e gera 2,9 bilhões de litros por ano. A concentração de produtores está no oeste catarinense, respondendo por 75% da produção. Ao todo são 80 mil produtores de leite que geram 8,3 milhões de litros por dia. A capacidade industrial é estruturada para processar até 10 milhões de litros de leite/dia.
RELAÇÃO DE QUALIDADE
O leite padrão é aquele que contém entre 3,51 e 3,60% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 8,61 e 8,70% de sólidos não gordurosos, entre 451 e 500 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana.
O leite abaixo do padrão é aquele que contém 3,00 a 3,05% de gordura, entre 2,90 e 2,95% de proteína, entre 8,40 e 8,50% de sólidos não gordurosos, no máximo 600 mil células somáticas/ml e no máximo 600 mil ufc/ml de contagem bacteriana. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão.
Fonte: Ass. de Imprensa

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Acordo entre EUA e Irã reduz risco logístico no mercado global de fertilizantes
Estreito de Ormuz tem reabertura parcial após avanço diplomático, enquanto a ureia recua US$ 360 toneladas desde abril, com maior oferta no Golfo e retomada parcial das exportações da China.

O conflito no Oriente Médio teve um novo desdobramento em 14 de junho, com o anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, seguido pela assinatura eletrônica do documento no dia 15. Apesar disso, o texto final do acordo ainda deve ser divulgado na sexta-feira, mantendo incertezas no cenário.

Foto: Claudio Neves/Portos Paraná
O Estreito de Ormuz foi parcialmente reaberto e há expectativa de liberação total até o fim da semana, embora o fluxo ainda não esteja normalizado. A região é considerada estratégica para o transporte de matérias-primas usadas na produção de fertilizantes.
No mercado de nitrogenados, a ureia registrou queda expressiva de cerca de US$ 360 por tonelada desde o fim de abril, retornando a patamares anteriores ao conflito. O movimento foi influenciado por um excesso pontual de oferta, com estoques acumulados no Golfo e o retorno parcial da China como exportadora. As cotações CFR Brasil recuaram para cerca de US$ 445/t, com negócios sendo fechados em níveis ainda mais baixos.
Nos fosfatados, o cenário segue mais pressionado. O enxofre, insumo essencial para a produção de MAP e SSP, avançou para cerca de US$ 1.250/t. Já o MAP permanece próximo de US$ 900/t CFR Brasil. Do lado da oferta, a China segue praticamente fora do mercado de fósforo, enquanto a Rússia opera com restrições ligadas a danos de infraestrutura decorrentes da guerra. No Oriente Médio, há impactos logísticos, e o Marrocos enfrenta limitação de capacidade associada à escassez de enxofre.
Nos potássicos, o mercado apresenta maior estabilidade. O KCl oscila em torno de US$ 405/t CFR Brasil, sustentado por um equilíbrio maior entre oferta e demanda globais, sem mudanças estruturais relevantes no período.
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Finep destina R$ 220 milhões para inovação na agricultura familiar
Editais vão apoiar o desenvolvimento de tecnologias em parceria com cooperativas rurais e da aquicultura.

Dois editais públicos, lançados na terça-feira (30) pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), preveem o pagamento de R$ 220 milhões para o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a agricultura familiar e a aquicultura no país. A iniciativa faz parte do programa CooperaMais Brasil Tecnologia no contexto do Plano Safra voltado a agricultores familiares. 

Para acessar os recursos, os candidatos deverão atuar obrigatoriamente em parceria com cooperativas da agricultura familiar ou da aquicultura.
Política pública

Foto: AEN
Os editais integram uma política pública liderada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em articulação com os ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Pesca e Aquicultura (MPA) e da Fazenda.
O presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, destacou que o Plano Safra incorpora, com os editais, a inovação como instrumento permanente e fundamental de desenvolvimento para os trabalhadores.
Segundo ele, o programa tem como objetivo promover a difusão de inovações que ampliem a produtividade, agreguem valor à produção e garantam a inclusão socioprodutiva e a segurança alimentar no país.
Ciência e desenvolvimento

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
O primeiro edital (ICTs, no valor de R$ 100 milhões) é voltado a instituições científicas, tecnológicas e de inovação para o desenvolvimento de soluções integradas, transferência tecnológica, capacitação e extensão no campo.
O outro (Empresas, de R$ 120 milhões) é relacionado ao desenvolvimento industrial de maquinários e insumos específicos de pequeno porte, como tratores, implementos agrícolas, máquinas para plantio e colheita de culturas essenciais à agricultura familiar.
A íntegra das chamadas públicas e os critérios de participação vão ser disponibilizados no portal da Finep.
Crédito

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil
O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 somará investimentos de R$ 97,3 bilhões para programas de crédito, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica e extensão rural.
Desse total, R$ 85,2 bilhões serão para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um aumento de quase 9% do crédito, comparado à última safra.
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Produção recorde de soja deve manter mercado pressionado em 2026/27
De acordo com a Consultoria Agro Itaú BBA, oferta elevada no Brasil e nos Estados Unidos pode limitar a recuperação dos preços.

A perspectiva de produção elevada no Brasil e nos Estados Unidos deve ampliar a oferta global de soja na safra 2026/27 e manter pressão sobre os preços internacionais. De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, uma eventual recuperação das cotações dependerá principalmente das condições climáticas e do ritmo das compras chinesas.

Foto: Jaelson Lucas/AEN
No relatório divulgado em junho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estimou a produção brasileira em 186 milhões de toneladas na safra 2026/27. Para os Estados Unidos, a projeção é de 121 milhões de toneladas, volume 4% superior ao da temporada anterior.
O USDA também prevê esmagamento recorde de soja nos Estados Unidos, estimado em 74,8 milhões de toneladas, impulsionado pela demanda por óleo destinado à produção de biocombustíveis. Em nível global, a expectativa é de um aumento de aproximadamente 14 milhões de toneladas no processamento em comparação com a safra 2025/26.
Apesar da demanda aquecida, o mercado acompanha a capacidade da China de absorver simultaneamente o aumento da oferta de soja produzida por Brasil e Estados Unidos. Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, o acordo comercial anunciado em maio amplia o potencial de compras da soja norte-americana, mas seus efeitos ainda são limitados e dependem de confirmação oficial por parte do governo chinês.

Foto: Aprosoja MT
Nos Estados Unidos, as condições climáticas permanecem favoráveis no Meio-Oeste, e as previsões para o trimestre entre junho e agosto indicam bom desenvolvimento das lavouras. Ao mesmo tempo, a ausência de novas compras chinesas da soja norte-americana e a redução das apostas dos fundos em altas na Bolsa de Chicago (CBOT) continuam influenciando as cotações no curto prazo.
Segundo a consultoria, o cenário para 2026/27 ainda é de pressão sobre os preços diante da possibilidade de produção recorde no Brasil e de uma safra cheia nos Estados Unidos, caso o clima de verão confirme o potencial produtivo das lavouras.
Uma mudança nesse quadro poderá ocorrer caso haja problemas climáticos na produção norte-americana ou na próxima safra brasileira. Além disso, um El Niño de forte intensidade poderá provocar impactos negativos sobre a produção na América do Sul. A Consultoria Agro Itaú BBA também destaca que um aumento das compras chinesas de soja dos Estados Unidos tende a favorecer a valorização dos contratos negociados na Bolsa de Chicago.
