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Resistência do fungo muda combate à principal doença da soja brasileira
Diagnóstico molecular permite detectar o patógeno da ferrugem asiática e mapear populações resistentes durante o vazio sanitário, antecipando decisões de manejo na próxima safra.

Com a redução das atividades nas lavouras de soja entre junho e setembro em grande parte das regiões produtoras, entra em vigor uma das principais medidas de prevenção contra a ferrugem asiática. Durante o vazio sanitário, período em que é proibida a presença de plantas vivas de soja no campo, o objetivo é interromper o ciclo do fungo causador da doença e reduzir o risco de infecção na safra seguinte.
Nos últimos anos, a estratégia passou a contar também com o apoio de novas tecnologias. Ferramentas de diagnóstico molecular já permitem detectar a presença do fungo antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas nas plantas, ampliando a capacidade de monitoramento e permitindo intervenções mais precoces nas áreas de produção.
De acordo com a mestre em Agronomia, com especialização em Bioinsumos, Tatiani Janegitz, o vazio sanitário continua sendo uma das medidas mais eficazes para reduzir a pressão da doença nas lavouras. “O vazio sanitário é uma estratégia preventiva fundamental porque elimina as plantas hospedeiras que permitem a sobrevivência do fungo durante a entressafra. Ao interromper esse ciclo, reduzimos significativamente a quantidade de inóculo presente no ambiente e diminuímos os riscos de infecção precoce na safra seguinte”, explica.
Diagnóstico molecular amplia controle da ferrugem asiática

Foto Wolfgang Hasselmann Unsplash
Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem asiática está entre as principais ameaças à produção de soja no Brasil. Além de reduzir a produtividade, a doença aumenta os custos de produção ao exigir aplicações adicionais de fungicidas. Nesse cenário, o vazio sanitário continua sendo uma das principais medidas para diminuir a pressão do patógeno entre uma safra e outra. Ao mesmo tempo, o avanço das tecnologias de diagnóstico tem permitido identificar a presença do fungo antes do aparecimento dos sintomas, ampliando a capacidade de prevenção.
Técnicas de biologia molecular, como a PCR em tempo real, detectam o material genético de fungos, bactérias e outros patógenos com elevada sensibilidade. Com isso, produtores e equipes técnicas conseguem antecipar decisões de manejo, direcionar aplicações e reduzir o risco de disseminação da doença.
Tecnologia identifica populações resistentes
Além dos impactos agronômicos, a ferrugem asiática representa um risco econômico para a cadeia da soja. Como maior produtor e exportador mundial do grão, o Brasil pode sofrer impactos na rentabilidade das propriedades e na competitividade internacional sempre que a doença compromete a produtividade.
Nesse contexto, o monitoramento das lavouras associado ao diagnóstico molecular vem ganhando espaço entre produtores, cooperativas e laboratórios especializados. A técnica de PCR em tempo real permite identificar as diferentes populações de Phakopsora pachyrhizi, informação que se tornou estratégica diante do avanço da resistência do fungo aos fungicidas.
Ao longo dos últimos anos, diferentes populações do patógeno passaram a apresentar menor sensibilidade a moléculas dos grupos dos triazóis (DMI/IDM), estrobilurinas (QoI/IQe) e carboxamidas (SDHI/ISDH). Quando uma população resistente está presente na lavoura, a utilização desses produtos pode reduzir a eficiência do controle, acelerar o avanço da doença, aumentar a necessidade de reaplicações, elevar os custos de produção e comprometer o potencial produtivo da cultura. “A identificação da cepa ou do perfil de resistência da ferrugem-asiática permite uma recomendação mais precisa dos fungicidas, aumentando a eficiência do controle e reduzindo a pressão de seleção por resistência. Hoje, mais do que escolher um produto isolado, o sucesso do manejo depende de entender quais populações do fungo estão presentes e utilizar combinações de mecanismos de ação dentro de uma estratégia antirresistência”, destaca Tatiani.
Automação acelera análises
Outro avanço no monitoramento fitossanitário é a automação laboratorial, que aumenta a capacidade de processamento de amostras, reduz o tempo de resposta e melhora a padronização e a rastreabilidade das análises.
Segundo Tatiani, a tendência é que o controle de doenças agrícolas seja cada vez mais baseado na integração de diferentes fontes de informação. A combinação entre análises laboratoriais, monitoramento de campo e diagnóstico molecular permite decisões mais precisas e fortalece as estratégias preventivas adotadas pelos produtores.
Embora ocorra durante a entressafra, o vazio sanitário permanece como uma das principais ferramentas para reduzir a ocorrência da ferrugem asiática. Com o avanço do diagnóstico molecular e da automação laboratorial, produtores passam a contar com informações mais precisas para definir estratégias de manejo e enfrentar a evolução do fungo nas lavouras.

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Restrição ou proibição? Entenda o debate sobre antimicrobianos na produção animal
Discussão internacional sobre promotores de crescimento não representa, neste momento, impedimento ao uso de produtos registrados no Brasil.

As discussões regulatórias envolvendo o uso de antimicrobianos na produção animal têm gerado dúvidas entre produtores, médicos-veterinários, nutricionistas e demais agentes da cadeia de proteína animal. O debate envolve moléculas como monensina, lasalocida, narasina, salinomicina e virginiamicina, diante de mudanças relacionadas às exigências de alguns mercados internacionais.
Apesar das preocupações, as discussões atuais não representam uma proibição geral dessas moléculas no Brasil. O tema está relacionado principalmente aos critérios adotados por mercados importadores, especialmente União Europeia e Reino Unido, para determinadas finalidades de uso.

Foto: Divulgação
O principal ponto em análise é a finalidade da aplicação. As restrições internacionais estão associadas ao uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho ou promotores de crescimento em animais saudáveis. Dessa forma, a avaliação regulatória considera a indicação do produto e o objetivo do uso, e não apenas a molécula presente em sua composição.
Na prática, não houve alteração automática das condições de uso dos produtos registrados no Brasil. Até o momento, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) não publicou nova regulamentação modificando as regras para utilização de moléculas como monensina, lasalocida, narasina ou salinomicina.
Os produtos seguem autorizados conforme seus registros e indicações aprovadas pelos órgãos reguladores. Eventuais mudanças dependerão de manifestações oficiais e da publicação de novas normas pelas autoridades responsáveis.
Finalidade do uso define avaliação regulatória

Foto: Shutterstock
Um mesmo princípio ativo pode ter diferentes aplicações conforme o registro concedido pelos órgãos competentes. Entre as utilizações previstas estão o controle, a prevenção ou o tratamento de enfermidades específicas, o controle de coccidiose e o uso como ferramenta para melhoria do desempenho zootécnico.
Por isso, a avaliação regulatória considera a finalidade de uso e a indicação aprovada de cada produto, e não apenas a presença de determinada molécula.
A discussão internacional está concentrada no uso de antimicrobianos como promotores de crescimento ou melhoradores de desempenho em animais sadios. Já aplicações voltadas à prevenção e ao controle de doenças seguem critérios específicos definidos pelos órgãos reguladores.
Virginiamicina tem regra específica
Entre as moléculas citadas no debate, a virginiamicina possui uma situação regulatória específica. O Mapa publicou a Portaria SDA nº 1.617, de 24 de abril de 2026, determinando a descontinuação de seu uso como melhorador de desempenho e estabelecendo um período de transição para adequação do mercado.
A molécula poderá seguir sendo avaliada para outras finalidades de uso, como aplicações terapêuticas específicas, desde que estejam previstas em registro aprovado pelos órgãos competentes e sob acompanhamento de médico-veterinário.
Exigências internacionais influenciam debate
As discussões fazem parte de um movimento de revisão das regras de uso de medicamentos veterinários adotadas por diferentes mercados consumidores. Países importadores têm ampliado critérios relacionados ao uso responsável de antimicrobianos, rastreabilidade e segurança dos alimentos.
Para a cadeia produtiva, o acompanhamento das normas publicadas pelos órgãos reguladores é fundamental para diferenciar mudanças efetivamente implementadas de debates ainda em andamento.
No Brasil, enquanto não houver novas determinações oficiais, permanecem válidas as condições de uso estabelecidas nos registros dos produtos aprovados pelas autoridades competentes.
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De cada quatro novas doenças, três surgem nos animais
Integração entre saúde humana, animal e ambiental orienta pesquisas em vacinas, diagnósticos e vigilância sanitária.

A relação entre a saúde dos animais, das pessoas e do meio ambiente deixou de ser apenas um conceito acadêmico para se tornar uma estratégia cada vez mais presente no enfrentamento de doenças e na prevenção de crises sanitárias.

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Os números ajudam a explicar essa mudança de abordagem. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 60% das doenças infecciosas conhecidas são zoonoses, enfermidades transmitidas entre animais e seres humanos. Entre as doenças novas ou emergentes, essa participação é ainda maior: 75% têm origem animal.
Diante desse cenário, o conceito de Saúde Única (One Health) vem ganhando espaço em instituições de pesquisa e órgãos ligados à saúde pública. A proposta é reconhecer que a saúde humana, animal e ambiental são interdependentes e que ameaças sanitárias dificilmente podem ser enfrentadas de forma isolada.
Embora tenha ganhado força internacional nas últimas duas décadas, especialmente após a conferência “One World, One Health”, realizada em 2004 nos Estados Unidos, a abordagem tem sido incorporada em projetos que envolvem desde vacinação e diagnósticos veterinários até pesquisas ambientais e segurança hídrica.
Vacinação e diagnóstico na prevenção de zoonoses
Entre os exemplos mais conhecidos dessa conexão está a raiva, uma doença que pode ser transmitida por animais e

Foto: Denis Ferreira Netto/Sedest
que apresenta elevada taxa de letalidade.
O controle da enfermidade no Brasil está diretamente ligado às campanhas de vacinação animal. Atualmente, são disponibilizadas anualmente cerca de 28 milhões de doses de vacina antirrábica animal para abastecer programas públicos de imunização, medida considerada fundamental para reduzir a circulação do vírus e evitar casos em humanos.
Além da vacinação, o diagnóstico precoce é apontado como uma das principais ferramentas para interromper a transmissão de doenças entre animais e pessoas.

Foto: Jaelson Lucas/AEN
Nesse contexto, avançam pesquisas voltadas à produção nacional de insumos para diagnóstico de enfermidades como brucelose, tuberculose e leucose bovinas, doenças que afetam a pecuária e geram impactos sanitários e econômicos.
Outra frente de pesquisa busca desenvolver um teste nacional para diagnóstico da leucose enzoótica bovina, doença viral que compromete rebanhos leiteiros e de corte.
Busca por vacina inédita contra esporotricose felina
Entre os projetos em desenvolvimento está também a criação de uma vacina contra a esporotricose felina, uma micose que afeta principalmente gatos e pode ser transmitida para seres humanos.
A doença tem registrado crescimento em diferentes regiões brasileiras e exige tratamentos longos, tanto para os animais quanto para as pessoas infectadas.
Atualmente não existe vacina disponível para prevenir a esporotricose em animais ou humanos, o que torna a pesquisa uma das iniciativas mais relevantes na área de zoonoses.
Saúde ambiental entra na equação
A abordagem de Saúde Única também considera que fatores ambientais influenciam diretamente o surgimento e a

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
disseminação de doenças.
Práticas inadequadas de manejo, degradação ambiental, contaminação de recursos hídricos e perda de biodiversidade são apontadas por especialistas como elementos capazes de aumentar riscos sanitários.
Por isso, projetos voltados à qualidade do solo e da água passaram a integrar a agenda de pesquisa.
Entre eles está um levantamento microbiológico realizado em áreas agrícolas paranaenses para mapear a diversidade de microrganismos presentes no solo e compreender como esses organismos influenciam a produtividade, a sustentabilidade e a saúde dos ecossistemas.
Outra iniciativa avalia tecnologias de purificação e dessalinização de água para aplicação em situações de emergência e vulnerabilidade hídrica.

Foto: Hedeson Alves/Tecpar
Ciência para antecipar ameaças
A pandemia de Covid-19 ampliou o debate mundial sobre a necessidade de monitorar riscos sanitários de forma integrada. Desde então, a Saúde Única passou a ser tratada por organismos internacionais como uma das principais estratégias para prevenir futuras crises.
A lógica é simples: quanto mais cedo uma ameaça for identificada em animais ou no ambiente, maiores são as chances de evitar sua disseminação para a população humana.
Por isso, pesquisas em vacinas, diagnósticos, vigilância epidemiológica e monitoramento ambiental vêm sendo consideradas ferramentas complementares dentro de uma mesma estratégia de prevenção.
Mais do que combater doenças já instaladas, o conceito de Saúde Única busca antecipar riscos e reduzir a probabilidade de que novos surtos se transformem em problemas de saúde pública de grandes proporções.
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Entrega de fertilizantes cresce 1,6% no ano enquanto produção nacional recua 14,4%
Mercado distribuiu 12,3 milhões de toneladas entre janeiro e abril; importações seguem elevadas e produção brasileira é pressionada pelo aumento do custo do enxofre.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 12,30 milhões de toneladas entre janeiro e abril de 2026, alta de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram comercializadas 12,11 milhões de toneladas, segundo levantamento da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA).

Foto: Claudio Neves
Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, abril registrou desaceleração. No mês, as entregas alcançaram 2,54 milhões de toneladas, volume 6% inferior às 2,70 milhões de toneladas distribuídas em abril de 2025.
De acordo com a ANDA, o crescimento observado no primeiro quadrimestre foi impulsionado pela demanda da segunda safra de milho. Já os números de abril refletem o início do movimento de compras para a próxima safra de verão.
Mato Grosso lidera consumo
Mato Grosso permaneceu como o principal mercado consumidor de fertilizantes do país no primeiro quadrimestre, com 3,06 milhões de toneladas, o equivalente a 24,9% de todo o volume entregue no Brasil.
Na sequência aparecem São Paulo, com 1,39 milhão de toneladas, Paraná (1,33 milhão), Goiás (1,31 milhão) e Minas Gerais (1,05 milhão).
Produção nacional encolhe
Enquanto as entregas avançaram no acumulado do ano, a produção brasileira de fertilizantes intermediários apresentou retração.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Em abril, foram produzidas 510 mil toneladas, queda de 9,2% em comparação com o mesmo mês de 2025.
No acumulado de janeiro a abril, a produção atingiu 1,92 milhão de toneladas, recuo de 14,4% frente às 2,24 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo do ano passado.
Segundo a ANDA, a redução está relacionada, principalmente, ao aumento contínuo dos preços do enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados produzidos no país.
A entidade ressalta ainda que mudanças na estrutura societária de algumas empresas e a retomada das operações em determinados ativos impediram que toda a produção nacional fosse contabilizada no levantamento do primeiro quadrimestre.
Importações seguem elevadas
As importações mantiveram ritmo elevado para atender à demanda do mercado brasileiro. Em abril, o país importou 3,05 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, volume 10,4% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Foto: Divulgação
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, as compras externas somaram 11,21 milhões de toneladas, praticamente estáveis em relação às 11,26 milhões de toneladas importadas no mesmo período do ano passado, variação negativa de 0,4%.
Segundo a ANDA, o desempenho das importações também foi influenciado pela demanda da segunda safra de milho.
Paranaguá responde por um quarto das importações
Principal porta de entrada dos fertilizantes no país, o Porto de Paranaguá movimentou 2,84 milhões de toneladas entre janeiro e abril de 2026.
O volume representa queda de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram desembarcadas 3,04 milhões de toneladas.
No primeiro quadrimestre, o terminal paranaense respondeu por 25,4% de todo o fertilizante importado pelos portos brasileiros, segundo dados do Siacesp/MDIC.




