Suínos Editorial
Resiliência da suinocultura
Em 2024 a expectativa é de uma jornada que seja marcada por avanços, inovações e um panorama mais atrativo para toda a suinocultura brasileira.

Enquanto a suinocultura brasileira embarca em um novo ano, vislumbra horizontes promissores que ecoam confiança e resiliência. Os desafios superados em 2023, marcados por oscilações nos custos de produção e uma busca incansável por competitividade, não foram páreo para a determinação dos suinocultores.
O segundo semestre trouxe alívio, com uma melhoria na relação entre o preço do suíno e o custo dos insumos, destacando a capacidade do setor em se adaptar a condições variáveis. As perspectivas para 2024, delineadas por líderes da suinocultura nacional, apontam para um cenário otimista.
Projetando um crescimento na produção de suínos e aumento nas exportações, a suinocultura brasileira reafirma sua posição de destaque. A abertura de novos mercados, aliada à busca contínua por práticas sustentáveis, destaca-se como alicerces que sustentarão esse crescimento.
O setor, que desempenha um papel vital na agroindústria nacional, evidencia não apenas a resiliência necessária para enfrentar desafios, mas também a visão estratégica que moldará seu futuro. Em 2024 a expectativa é de uma jornada que seja marcada por avanços, inovações e um panorama mais atrativo para toda a suinocultura brasileira. Que este novo ano seja repleto de conquistas e fortaleça ainda mais a posição do Brasil no cenário global da produção de carne suína.
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Suínos
Tilvalosina e seus benefícios no controle das doenças respiratória em suínos
Estudos apontam que antibiótico combate Mycoplasma hyopneumoniae e ajuda a modular a resposta imunológica dos animais.

Artigo escrito por José Lino Castro Jr., DVM, Swine Technical Services Manager, South and Southeast Asia, ECO Animal Health.
Para sobreviver na presença de patógenos nocivos, a natureza forneceu aos organismos vivos uma ferramenta especializada para se proteger, que a ciência denomina sistema imunológico (Fig. 1). O sistema imunológico é dividido em duas partes: o sistema imunológico inato e o sistema imunológico adaptativo.

O sistema imunológico inato é equipado com barreiras físicas e células de defesa residentes, incluindo macrófagos e neutrófilos. O sistema imunológico adaptativo é equipado com células T e células B. Quando um patógeno ultrapassa as barreiras físicas, ele aciona o sistema imunológico inato para ativar simultaneamente as células de defesa residentes para neutralizar o patógeno.
A ativação dessas células, particularmente macrófagos e neutrófilos, desencadeia a liberação de citocinas pró-inflamatórias (por exemplo, IL-1β, IL-6, IL-8, TNFα), levando à inflamação. Enquanto isso ocorre, o sistema imunológico adaptativo também é ativado por macrófagos e células dendríticas, que apresentam fragmentos do patógeno às células T.
As células T respondem de três maneiras: destroem as células infectadas (células T citotóxicas), ativam as células B para produzir anticorpos (células T auxiliares) e regulam a resposta imune adaptativa geral (células T reguladoras).
Esses processos complexos e interligados continuam até que o patógeno seja eliminado. Uma vez eliminadas, as células T enviam sinais para desligar o sistema imunológico, permitindo que o corpo se cure e se recupere. No entanto, certas bactérias e vírus podem sobrecarregar o sistema imunológico, criando o pior cenário possível, do qual animal pode não se recuperar.
Nesse cenário, há liberação excessiva de citocinas pró-inflamatórias (tempestade de citocinas), desencadeando uma inflamação descontrolada, resultando em danos aos tecidos relacionados à inflamação.
Mycoplasma hyopneumoniae, assim como Actinobacillus pleuropneumoniae, PRRSV, coronavírus respiratório suíno e PCV2 são patógenos suínos capazes de alterar a resposta imune em detrimento do animal.
O Mycoplasma hyopneumoniae causa uma doença em suínos conhecida como Pneumonia Enzoótica. Ela afeta principalmente o trato respiratório, que se manifesta clinicamente como tosse.
Sintomas
Esta doença é de importância econômica, pois está associada à redução do ganho de peso médio diário, diminuição da eficiência alimentar e aumento do custo com medicamentos. Estima-se que a doença custe US$ 0,84/suíno na terminação de rebanhos infectados. Afeta suínos de todas as idades e é comumente observada em suínos de terminação. Mycoplasma hyopneumoniae é um dos principais agentes do Complexo de Doenças Respiratórias dos Suínos, juntamente com outras bactérias e vírus.
Ele pode modular e/ou evadir a resposta imune. Portanto, as lesões pulmonares observadas durante a realização de necropsias podem, em parte, ser resultado de inflamação descontrolada, devido à capacidade dessa bactéria de alterar a resposta imunológica. Além do manejo otimizado da granja e da vacinação, antibióticos com alegações licenciadas contra Mycoplasma hyopneumoniae são comumente necessários para controlar ou eliminar a doença.
Controle
Antibióticos adequados incluem macrolídeos, pleuromutilinas, fluoroquinolonas, lincosamidas, tetraciclinas, anfenicóis e aminoglicosídeos. Esses antibióticos atuam inibindo ou eliminando bactérias. Além disso, alguns macrolídeos, incluindo a tilvalosina, apresentam atividade imunomoduladora e anti-inflamatória in vitro.
Imunomoduladores são substâncias naturais ou sintéticas que ajudam a regular ou normalizar o sistema imunológico. Estudos in vitro demonstram que a tilvalosina modula a liberação de citocinas pró-inflamatórias e reduz o recrutamento e a ativação de células inflamatórias. Um estudo in vitro2 também mostrou que a tilvalosina reduz o estresse oxidativo desencadeado pelo vírus da PRRS.
A tilvalosina também induz apoptose e eferocitose e promove a secreção de mediadores lipídicos pró-resolução (lipoxina e resolvina) que auxiliam no reparo e na cicatrização de tecidos.
No estudo in vivo mais recente realizado em leitões desafiados com Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV, a tilvalosina eliminou infecções pulmonares por Mycoplasma hyopneumoniae e reduziu as citocinas pró-inflamatórias locais e sistêmicas. Os pesquisadores também observaram aumento do IFNα sérico, geralmente suprimido pelo PRRSV, em suínos tratados com tilvalosina.
Esses achados indicam que a tilvalosina pode melhorar a saúde dos suínos, se usada criteriosamente em operações com infecções coexistentes por Mycoplasma hyopneumoniae e PRRSV.
Pontos Principais
O sistema imunológico é uma rede de processos complexos e interligados para ajudar o animal a sobreviver na presença de patógenos nocivos.
Alguns patógenos, incluindo Mycoplasma hyopneumoniae, alteram a resposta imune, causando danos teciduais relacionados à inflamação.
Além de seu efeito antimicrobiano, acredita-se que a imunomodulação seja um atributo importante de alguns antibióticos macrolídeos na melhoria dos resultados clínicos.
In vitro, a tilvalosina auxilia na imunomodulação por meio de:
Modulação da liberação de citocinas.
Redução do estresse oxidativo.
Modulação do recrutamento e ativação de células inflamatórias.
Indução de apoptose e eferocitose.
Aumento da secreção de mediadores lipídicos pró-resolução.
In vivo, a tilvalosina combate doenças respiratórias por meio de:
Redução da carga de micoplasma dos pulmões.
Redução de citocinas pró-inflamatórias locais e sistêmicas.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: [email protected]
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Suínos
Suinocultura precisa reforçar biosseguridade e planejamento financeiro para sustentar competitividade, diz presidente da ACCS
Losivanio Luiz de Lorenzi defende formação de reservas de capital, cooperação entre os elos da cadeia e manutenção do elevado status sanitário para ampliar mercados.

A suinocultura brasileira precisa intensificar os investimentos em biosseguridade, fortalecer o planejamento financeiro nas propriedades e ampliar a cooperação entre produtores, cooperativas e agroindústrias para preservar sua competitividade. A avaliação é do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi.

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Segundo o dirigente, o cenário econômico exige cautela na tomada de decisões relacionadas à expansão das granjas. Ele recomenda que os produtores priorizem a sustentabilidade financeira do negócio e evitem comprometer sua liquidez com investimentos acima da capacidade de pagamento. “É preciso crescer com planejamento estratégico e financeiro. Mais importante do que ampliar estruturas continuamente é formar reservas de capital para enfrentar momentos de crise”, afirma.
Losivanio observa que as oscilações do mercado têm se tornado mais intensas e, por isso, a capacidade de atravessar períodos adversos depende cada vez mais de uma gestão financeira sólida.

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Biosseguridade como vantagem competitiva
Na avaliação do presidente da ACCS, a sanidade animal permanece como um dos principais ativos da suinocultura brasileira no mercado internacional. Ele destacou que a manutenção de elevados padrões de biosseguridade é determinante para preservar e ampliar o acesso aos principais destinos das exportações.
Como exemplo, cita o desempenho das vendas externas para o Japão. Entre janeiro e maio deste ano, Santa Catarina aumentou em 32 mil toneladas os embarques de carne suína para o mercado japonês em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o incremento das exportações brasileiras no período foi de 60 mil toneladas.
Para Losivanio, esses resultados refletem o reconhecimento internacional do status sanitário

Foto: Divulgação
alcançado pelo país e, especialmente, por Santa Catarina, que obteve em 2007 o reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação.
O dirigente também defende que outros estados avancem na erradicação de enfermidades para fortalecer a posição do Brasil no comércio global de proteínas animais.
Integração da cadeia e sucessão no campo
Além dos desafios sanitários e econômicos, Losivanio ressalta a importância de uma atuação conjunta entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva. Na sua avaliação, a lógica de concorrência entre produtores, cooperativas e agroindústrias deve dar lugar a estratégias colaborativas capazes de fortalecer todo o setor.
Ele também chama atenção para a necessidade de incentivar a sucessão familiar nas propriedades rurais, apontando a permanência das novas gerações na atividade como um fator relevante para garantir a continuidade e o desenvolvimento da suinocultura brasileira.
Suínos
ABCS lança plataforma inédita de inteligência de mercado para a suinocultura brasileira
Ferramenta reúne dados nacionais sobre o setor, ampliando a transparência e apoiando decisões estratégicas em toda a cadeia.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) lançou, na quinta-feira (25), durante evento em Florianópolis (SC), o ABCSData Insights, plataforma inédita de inteligência de mercado que reúne, em um único ambiente, dados estratégicos da suinocultura brasileira. A ferramenta consolida informações sobre rebanho, custos de produção, emprego, comércio exterior, crédito rural, mercado, abates, sanidade, entre outros indicadores, oferecendo uma visão integrada do setor e de seu impacto econômico e social.

Foto: Shutterstock
Desenvolvida para democratizar o acesso a informações confiáveis, a plataforma reúne dados provenientes de fontes oficiais, como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Receita Federal e outras instituições de referência. As informações são organizadas de forma dinâmica, permitindo consultas, análises e exportação de dados para estudos, apresentações e planejamento estratégico.
Entre os principais indicadores disponíveis estão cotações de suínos, custos de produção, exportações, abates, condenações sanitárias, modelos de produção, emprego formal, crédito rural, estabelecimentos sob inspeção federal e o cenário empresarial da cadeia produtiva. O objetivo é transformar dados dispersos em inteligência acessível, contribuindo para decisões mais assertivas e maior transparência em todos os elos da suinocultura.
O lançamento ocorre em um momento em que o mercado demanda cada vez mais informações qualificadas para apoiar investimentos, gestão de riscos e competitividade. Com atualização contínua, o ABCSData Insights foi desenvolvido para se tornar uma das principais referências nacionais em dados da suinocultura brasileira. Além de reunir informações em um único ambiente, a plataforma permite análises detalhadas da formação e composição dos custos de produção. Essas

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “A verdadeira sustentabilidade no agronegócio moderno exige transparência e responsabilidade” – Foto: Divulgação
informações permitem que produtores, empresas, instituições financeiras e investidores identifiquem oportunidades de ganho de eficiência e acompanhem a evolução da atividade com maior precisão.
A cadeia movimenta bilhões de reais anualmente, fortalece a indústria de alimentos, impulsiona os setores de logística, comércio e serviços e contribui significativamente para a geração de emprego e renda. Os dados disponíveis mostram que o setor sustenta cerca de 280 mil empregos indiretos e mais de 42 mil empregos diretos, além de evidenciar o elevado grau de profissionalização da atividade, baseada majoritariamente nos modelos de integração com agroindústrias e cooperativas.
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a plataforma representa um avanço na governança e na transparência da cadeia produtiva. “A verdadeira sustentabilidade no agronegócio moderno exige transparência e responsabilidade. Ao disponibilizarmos dados auditáveis e unificados para produtores, empresas, consumidores e investidores, fortalecemos a governança da cadeia e ampliamos a confiança no setor. O ABCSData Insights é uma resposta à crescente demanda por informações confiáveis e posiciona a suinocultura brasileira entre os segmentos mais avançados em inteligência de mercado”, conclui.
ABCS também lança agenda política com demandas da suinocultura
A ABCS também lançou o documento “Demandas da Suinocultura para Candidatos 2026”, uma agenda institucional que consolida as principais prioridades da cadeia produtiva para subsidiar o diálogo com candidatos, parlamentares e representantes do poder público durante o processo eleitoral. A publicação reúne os posicionamentos defendidos pela suinocultura brasileira em temas estratégicos para o desenvolvimento do setor, como bem-estar animal, defesa agropecuária, meio ambiente, integração com as agroindústrias, rotulagem de alimentos, economia e tributação. O objetivo é garantir uma atuação coordenada das entidades representativas, levando propostas técnicas e alinhadas às discussões que impactam a atividade.
Além de organizar as demandas prioritárias da cadeia em um único documento, a agenda servirá como base para reuniões, audiências e debates com representantes dos poderes Executivo e Legislativo, fortalecendo a interlocução institucional da suinocultura em âmbito nacional. A iniciativa também busca ampliar a segurança jurídica, contribuir para um ambiente de negócios mais competitivo e assegurar maior previsibilidade para produtores e demais elos da cadeia.
Embora tenha sido elaborada para o período eleitoral, a publicação foi concebida como um instrumento permanente de representação institucional, reunindo argumentos técnicos e diretrizes que darão continuidade à defesa das pautas estratégicas da suinocultura, independentemente das mudanças de governo e de mandato. “Com esse material o produtor vai poder mais qualidade e clareza r alinhar o seu discurso e prioridades com o seu candidato, tendo diálogo, para que possamos unificar a cadeia e mostrar como a suinocultura e o associativismo são essenciais e estruturantes pro agronegócio brasileiro”, frisou a consultora de relações governamentais, Luciana Lacerda.



