Avicultura Produção de carne
Resíduos de matrizes devem ser destinados a compostagem acelerada e leiras revolvidas
Cama, aves mortas, resíduos de ração, ovos e água servida são algumas das alternativas que os avicultores têm para o manejo de resíduos dos aviários, aponta o médico-veterinário PhD Claudio Bellaver.

Cama, aves mortas, resíduos de ração, ovos e água servida são algumas das alternativas que os avicultores que trabalham com matrizes têm para o manejo de resíduos dos aviários, aponta o médico-veterinário PhD Claudio Bellaver, da Qualyfoco Consultoria. “Em 2020 foram 55 milhões de matrizes gerando 14 milhões de toneladas de carne. Sempre buscamos produtividade, mas também sustentabilidade, precisamos usar os conceitos ESG (ambiental, social e governança)”, ressalta.
Para ele, parte do resíduo dos matrizeiros deve ser levado para compostagem acelerada enquanto outra parte dos materiais deve ser depositado em leiras revolvidas.

Médico-veterinário PhD Claudio Bellaver: “Recomenda-se que as aves mortas, descartadas e ovos inviáveis sejam eliminados através da compostagem acelerada na própria granja, no limite do terreno para receber o composto pelo lado externo” – Foto: Divulgação
Bellaver enumera alguns resíduos na produção de carne de frango, como os tecnológicos, que incluem francos, seringas, agulhas, papeis e embalagens; os de produção a campo, como mortalidades e descartes, resíduos de incubação, estercos, cama de aviário, restos de silos e ração, efluentes e líquidos de higienização; os resíduos da transformação industrial, como penas, vísceras, sangue e ossos, lodos industriais, papelão, tripa celulósica, cinza de caldeiras, entre outros; além de resíduos da destinação final, como restos em açougues, restaurantes ou danificados pelo vencimento.
Ele destaca que o primeiro passo, no caso de galpões com matrizes, é fazer a correta higienização após a saída de um lote. Primeiro a limpeza, depois a desinfecção e, por último, a esterilização, “que é a destruição de todos os organismos patogênicos, como bactérias, fungos, esporos e vírus, mediante a aplicação de agentes físicos, químicos e físico-químicos”, menciona.
Ele cita um estudo feito em uma empresa, que demonstrou que 42 mil aves em fase de produção e 4,4 mil machos acumularam, em apenas uma semana, 321 quilos de resíduos de ovos, outros 283 quilos por conta da mortalidade e mais de duas toneladas de maravalha, entre outros resíduos gerados. “Só de orgânicos compostáveis foram 1.396 quilos por semana, além da maravalha”, expõe.
Tecnologias, pontos positivos e negativos
Bellaver cita cinco tecnologias que podem ser usadas na eliminação desses resíduos nos matrizeiros, demonstrando seus pontos positivos e negativos. “O primeiro é a vala/enterramento. Pode enterrar, mas não é uma tecnologia adequada. Tem um investimento de baixo custo, mas haverá contaminação do lençol freático. Se impermeabilizar o solo, vai criar gases”, disse.
Outra possibilidade é a queima/secagem/incineração. “Pelo lado positivo, incineração sozinha com equipamento específico reduz todos os orgânicos a cinzas brancas. Por outro lado, a queima/secagem não reduz orgânicos/contaminantes. Os dispositivos de secagem requerem moagem e armazenagem para outras aplicações (compostagem). Ainda pelo lado negativo, é uma manejo difícil e exige mão-de-obra, com médio custo de investimento e operacional”, explica.
Outra alternativa é a compostagem estática, mas Bellaver adianta que “não há pontos positivos”. “Produz odor, atrai insetos, vetores, gera gases do efeito estufa, tem um tempo de compostagem longo, produz composto de má qualidade, tem manejo difícil que demanda mão-de-obra e tem alto risco de transmissão de patógenos”, elenca.
Já a compostagem acelerada, rotativa e revolvida, tem como ponto negativo o custo de investimento que Bellaver considera médio, mas ele menciona ao menos quatro vantagens: “sistema aeróbio, gerando alto calor acima de 60° C, tempo de compostagem de sete dias, compostagem de boa qualidade, que pode até ser comercializada, e baixa demanda de mão-de-obra”, detalha.
Outra alternativa que ainda pode ser usada é a reciclagem em graxarias, porém Bellaver desaconselha por alguns motivos, como falta de atendimento a conceitos ESG e materiais com qualidade insuficiente para serem usados em rações.
Sugestão
O médico-veterinário PhD destaca o que, em sua opinião, é o cenário ideal para o assunto. “Recomenda-se que as aves mortas, descartadas e ovos inviáveis sejam eliminados através da compostagem acelerada na própria granja, no limite do terreno para receber o composto pelo lado externo. A cama e resíduos de ração, pelo maior volume, podem ser compostados em leiras revolvidas, desde que manejados dentro dos critérios de boas práticas de compostagem, controlando a relação de carbono/nitrogênio, umidade e aeração/oxigênio. O tratamento adequado desses resíduos contribui com a visão ESG e produtividade”, salienta.
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Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



